{"id":24052,"date":"2021-09-21T15:13:16","date_gmt":"2021-09-21T18:13:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=24052"},"modified":"2021-09-21T15:13:16","modified_gmt":"2021-09-21T18:13:16","slug":"o-telefonema-e-os-submarinos-biden-e-as-ilusoes-liberais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/o-telefonema-e-os-submarinos-biden-e-as-ilusoes-liberais\/","title":{"rendered":"O telefonema e os submarinos: Biden e as ilus\u00f5es liberais"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>\u201cAmerica is back\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, a administra\u00e7\u00e3o Biden experimentou desgastes importantes. A sa\u00edda ca\u00f3tica das tropas estadunidenses do Afeganist\u00e3o contribuiu para que, pela primeira vez desde sua chegada \u00e0 presid\u00eancia, Biden tivesse um n\u00edvel de reprova\u00e7\u00e3o (50%) maior do que o de aprova\u00e7\u00e3o (44%) no levantamento da Reuters<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. J\u00e1 a The Economist estimou a m\u00e9dia de todas as pesquisas de opini\u00e3o e verificou uma queda l\u00edquida de 5 pontos percentuais na aprova\u00e7\u00e3o do presidente estadunidense nas duas semanas que se seguiram \u00e0 retomada de Cabul pelo Talib\u00e3<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A oposi\u00e7\u00e3o republicana aproveitou para aumentar o tom das suas cr\u00edticas. Mitch McConnell, o l\u00edder da minoria no Senado, denominou de \u201cfracasso colossal\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> a sa\u00edda das tropas e as cenas de desespero da popula\u00e7\u00e3o afeg\u00e3. Da mesma forma, o Partido Republicano dos EUA (GOP) se coloca na defesa das \u201cliberdades individuais\u201d diante do esfor\u00e7o do presidente democrata em fazer avan\u00e7ar a vacina\u00e7\u00e3o contra a pandemia da Covid-19<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> por meio da exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de imuniza\u00e7\u00e3o para v\u00e1rios setores e atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>A sociedade estadunidense segue polarizada e a possibilidade de o Congresso se mover na dire\u00e7\u00e3o da agenda reformista dos Democratas torna-se uma realidade mais distante. O Senado aprovou o pacote de investimentos em infraestrutura de US$ 1 trilh\u00e3o, mas ser\u00e1 mais \u00e1rdua a tarefa de aprovar o seu Build Back Better Plan, com seus US$ 3,5 trilh\u00f5es em gastos adicionais na \u00e1rea social a serem financiados com o aumento nos impostos das grandes empresas e dos ricos<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio do poder estadunidense pressup\u00f5e a capacidade de mobilizar todas as suas formas de express\u00e3o, nos planos militar, pol\u00edtico, econ\u00f4mico etc. E isso se d\u00e1 a partir da intersec\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas de governo e os interesses nacionais mais profundos. Atualmente, h\u00e1 forte consenso no <em>establishment<\/em> estadunidense de que \u00e9 priorit\u00e1rio conter a ascens\u00e3o da China e da R\u00fassia. Neste contexto, as rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre EUA e China t\u00eam-se tornado mais azedas.<\/p>\n<p>Durante a administra\u00e7\u00e3o Trump, a assim-chamada \u201cguerra comercial\u201d foi a sua face mais vis\u00edvel. Os temas comerciais e a cr\u00edtica aos d\u00e9ficits dos EUA eram obsess\u00f5es de Trump, executivo que sempre se considerou um negociador nato. Todavia, mais do que exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os, as disputas tinham um car\u00e1ter muito mais estrat\u00e9gico e de longo prazo. O dom\u00ednio das tecnologias de fronteira em \u00e1reas como intelig\u00eancia artificial, novos materiais, realidade virtual, telefonia 5G etc., cujos usos se prestam para fazer mercadorias e, tamb\u00e9m, uma nova gera\u00e7\u00e3o de armamentos.<\/p>\n<p>Em sua maioria, o <em>establishment<\/em> estadunidense passou a reconhecer que sua abordagem quanto \u00e0 ascens\u00e3o chinesa precisava mudar. Ao inv\u00e9s de aceit\u00e1-la como um parceiro na gest\u00e3o internacional de um sistema econ\u00f4mico aberto, com arranjos pol\u00edticos e securit\u00e1rios negociados em bases multilaterais, passou-se a assumir claramente a rivalidade estrat\u00e9gica. Em maio de 2020, a gest\u00e3o Trump lan\u00e7ou o documento \u201cUnited States Strategic Approach to the People\u2019s Republic of China\u201d, onde afirma a sua decep\u00e7\u00e3o para com os chineses. Em s\u00edntese, argumenta-se que a China se aproveitou da ordem liberal patrocinada pelos EUA para ganhar musculatura econ\u00f4mica, tecnol\u00f3gica e militar. A expectativa era de que com a moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a sociedade chinesa demandaria liberdades pol\u00edticas, o que redundaria em uma mudan\u00e7a estrutural do regime pol\u00edtico chin\u00eas<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Biden, o realista<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O Partido Comunista Chin\u00eas n\u00e3o seguiu a receita proposta pelas \u201cteorias da moderniza\u00e7\u00e3o\u201d desenvolvidas por cientistas sociais como W.W. Rostow, Seymour Martin Lipset, Talcott Parsons, Samuel P. Huntington<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, dentre outros. Pelo contr\u00e1rio, seu sucesso econ\u00f4mico e sua crescente capacidade tecnol\u00f3gica e militar vieram com a maior centraliza\u00e7\u00e3o de poder no Partido Comunista Chin\u00eas, particularmente com o comando de Xi Jinping. Conforme argumenta Rush Doshi (\u201cThe Long Game\u201d, 2021), os estrategistas chineses convenceram-se de que os EUA representam uma amea\u00e7a \u00e0 China. A derrocada da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os protestos por democracia na Pra\u00e7a Tiananmen, e a invas\u00e3o do Iraque, todos fatos ocorridos entre o final dos anos 1980 e o in\u00edcio dos anos 1990, mostraram as m\u00faltiplas dimens\u00f5es do risco estadunidense: ideol\u00f3gico, militar e geopol\u00edtico.<\/p>\n<p>A \u201cGrande Estrat\u00e9gia\u201d chinesa passou a ter na rivalidade com os EUA seu componente central. Se o <em>establishment<\/em> estadunidense imaginava que a integra\u00e7\u00e3o da China \u00e0 economia global contribuiria para fortalecer a posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a dos EUA e a eventual mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico no \u201cImp\u00e9rio do Meio\u201d, os l\u00edderes chineses aproveitaram a janela de oportunidade de maior abertura econ\u00f4mica para fortalecer suas bases econ\u00f4micas, tecnol\u00f3gicas e militares.<\/p>\n<p>Para Doshi, que atualmente ocupa a posi\u00e7\u00e3o de Diretor para a China no Conselho Nacional de Seguran\u00e7a dos EUA, a maior assertividade chinesa nos \u00faltimos anos reflete sua vis\u00e3o de que as principais pot\u00eancias ocidentais est\u00e3o em um processo de decad\u00eancia relativa no longo prazo. Suas sociedades e economias teriam perdido vigor e coes\u00e3o, algo que se expressou mais claramente quando da eclos\u00e3o da crise financeira global (2007-2009) e, mais recentemente, com a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna e as dificuldades de enfrentar os efeitos da pandemia. Por decorr\u00eancia, o PCC, sob a lideran\u00e7a de Xi, dobrou a aposta na centraliza\u00e7\u00e3o de poder, na agenda das \u201cquatro moderniza\u00e7\u00f5es\u201d de Deng e no ativismo na arena internacional.<\/p>\n<p>Nesta nova etapa, a China trataria de reduzir a influ\u00eancia dos EUA no Pac\u00edfico Asi\u00e1tico, e ampliar a sua pr\u00f3pria presen\u00e7a no continente Euroasi\u00e1tico e em outras regi\u00f5es. Matt Pottiger (\u201cBeijing\u2019s American Hustle\u201d, Foreign Affairs, 2021), que exerceu a mesma fun\u00e7\u00e3o de Dosh durante a administra\u00e7\u00e3o Trump, concorda com o diagn\u00f3stico de Doshi e prop\u00f5e uma agenda de conten\u00e7\u00e3o da China, que passa por restringir o seu acesso aos recursos financeiros e tecnol\u00f3gicos estadunidenses, bem como pelo maior ativismo militar e pol\u00edtico dos EUA no entorno regional chin\u00eas e em todas as regi\u00f5es onde a China ganhou maior presen\u00e7a. Ou seja, os EUA deveriam construir uma s\u00f3lida alian\u00e7a global para preservar seus valores e interesses estrat\u00e9gicos<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Este contexto marcou o primeiro contato telef\u00f4nico entre Biden e Xi ap\u00f3s meses marcados por manifesta\u00e7\u00f5es de rivalidade. No come\u00e7o de setembro, os l\u00edderes das duas maiores pot\u00eancias do globo, tiveram uma longa conversa telef\u00f4nica sobre \u201c&#8230; \u00e1reas em que os interesses convergem e outras em que os interesses, os valores e as perspectivas divergem\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Manteve-se o antagonismo observado no encontro de mar\u00e7o entre as respectivas delega\u00e7\u00f5es oficiais. No frio Alaska, ficaram claras as fronteiras do novo momento, assim sintetizado pelo prestigioso Washigton Post: a China exigiu ser tratada como igual e deixou para tr\u00e1s \u201cd\u00e9cadas em que n\u00e3o confrontou a posi\u00e7\u00e3o dos EUA como l\u00edder global\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Estrategistas e pol\u00edticos dos EUA j\u00e1 definiram que a rivalidade entre EUA e China se expressa na dicotomia entre \u201cdemocracia\u201d e \u201cautocracia\u201d e na luta em torno do poder global<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Para tanto, Biden, assim como outros l\u00edderes antes dele, dever\u00e1 enfrentar os dilemas entre a proposi\u00e7\u00e3o do discurso liberal de defesa de \u201cvalores universais\u201d e a pr\u00e1tica da pol\u00edtica real. Como sugerem Joshua Shifrinson e Stephen Wertheim (\u201cBiden the Realist\u201d, Foreign Affairs, 2021<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>), se muitos esperavam que a pol\u00edtica externa de Biden iria representar uma retomada da tradi\u00e7\u00e3o do \u201cinternacionalismo liberal\u201d, a retirada das tropas estadunidenses do Afeganist\u00e3o sinaliza para uma postura \u201crealista\u201d fundada nos \u201cinteresses nacionais\u201d. A racionalidade estadunidense estaria em enfatizar suas for\u00e7as no objetivo de conter a China.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, Shifrinson e Wertheim imaginam que a administra\u00e7\u00e3o Biden poder\u00e1 reduzir a intensidade de a\u00e7\u00f5es e de parcerias que n\u00e3o atendam mais aos seus objetivos estrat\u00e9gicos atuais. Argumentam que n\u00e3o seria surpreendente o menor ativismo internacional dos EUA para promover valores ou o menor engajamento com parceiros tradicionais, como os europeus, em \u00e1reas onde os interesses do pa\u00eds n\u00e3o se revelarem suficientemente robustos<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>AUKUS: um novo acr\u00f4nimo, um velho dilema <\/em><\/strong><\/p>\n<p>O presidente Joe Biden d\u00e1 sinais claros de que est\u00e1 disposto a levar adiante a estrat\u00e9gia de conten\u00e7\u00e3o da China. No dia 15 de setembro foi anunciado o acordo securit\u00e1rio com Austr\u00e1lia e Reino Unido, por meio do qual os tr\u00eas aliados pretendem refor\u00e7ar os la\u00e7os em \u201cseguran\u00e7a e defesa\u201d por meio do \u201ccompartilhamento de informa\u00e7\u00f5es e tecnologias &#8230; e maior integra\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia, tecnologia, bases industriais e cadeias de abastecimento relacionadas com seguran\u00e7a e defesa.\u201d <a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Para promover a \u201cseguran\u00e7a na regi\u00e3o Indo-Pac\u00edfica\u201d, os EUA e o Reino Unido ir\u00e3o ajudar a Austr\u00e1lia a construir uma frota de submarinos com propuls\u00e3o nuclear. A parceria AUKUS, celebrada no plano ret\u00f3rico com o argumento de promover os valores comuns e a defender a democracia e o multilateralismo, envolver\u00e1, evidentemente, o esfor\u00e7o em criar constrangimentos para o poder naval da China e o avan\u00e7o de suas empresas em \u00e1reas da fronteira tecnol\u00f3gica. A trilateral promover\u00e1 compet\u00eancias nas seguintes \u00e1reas: cibern\u00e9tica, intelig\u00eancia artificial, tecnologias qu\u00e2nticas, bem como desenvolver capacidades submarinas adicionais.<\/p>\n<p>O discurso em torno da uni\u00e3o das democracias para preservar seus valores est\u00e1 no centro da agenda de Biden. Por isso mesmo, o seu governo promover\u00e1 a \u201cC\u00fapula para a Democracia\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> em dezembro. Pretende reunir l\u00edderes governamentais e da sociedade civil para discutir as amea\u00e7as \u00e0 democracia e aos direitos humanos advindos das novas tend\u00eancias autorit\u00e1rias. Em outras palavras, conter a China em seu processo de consolida\u00e7\u00e3o como poder e reduzir a influ\u00eancia internacional da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Biden sabe que a constru\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as envolve mais do que palavras. Em seu discurso durante Confer\u00eancia de Seguran\u00e7a de Munique, em fevereiro passado, ele afirmou que a \u201c&#8230; democracia n\u00e3o acontece por acidente. \u00c9 preciso defend\u00ea-la, lutar por ela, fortalec\u00ea-la e renov\u00e1-la\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. Com a AUKUS, sua administra\u00e7\u00e3o mostra que n\u00e3o ficar\u00e1 apenas na ret\u00f3rica: transferir\u00e1 tecnologia e recursos financeiros, para a alegria das empresas que comp\u00f5em os complexos industrial-militar dos EUA e do Reino Unido.<\/p>\n<p>Esta iniciativa n\u00e3o incomodou apenas aos chineses. A rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria mais intensa veio de outro aliado, ainda mais antigo, e que lutou ao seu lado para promover a independ\u00eancia estadunidense: a Fran\u00e7a. Ao saber dos termos concretos da AUKUS, o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do pa\u00eds, Jean-Yves Le Drian, afirmou estar \u201cfurioso\u201d e que a atitude dos EUA \u00e9 algo que \u201cn\u00e3o se faz entre aliados\u201d. E acrescentou: \u201c\u00c9 uma facada nas costas &#8230; essa decis\u00e3o unilateral, brutal e imprevis\u00edvel era o tipo de coisa que o Sr. Trump costumava fazer.\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. N\u00e3o \u00e9 todo o dia que se perde um contrato que, se realizado integralmente, atingiria quase US$ 65 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A nota conjunta do Minist\u00e9rio da Defesa e do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> foi particularmente dura: \u201cA escolha americana de excluir um aliado e parceiro europeu de uma rela\u00e7\u00e3o estruturante com a Austr\u00e1lia, num momento em que enfrentamos desafios sem precedentes na regi\u00e3o Indo-Pac\u00edfico, seja em termos de nossos valores, seja em termos de respeito ao multilateralismo baseado na regra da lei, mostra uma falta de coer\u00eancia que a Fran\u00e7a s\u00f3 pode notar com pesar.\u201d<\/p>\n<p>A AUKUS colocar\u00e1 por terra a parceria entre franceses e australianos para o fornecimento de doze submarinos nucleares. Macron, o l\u00edder franc\u00eas, e o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, encontraram-se em Paris, h\u00e1 tr\u00eas meses, para celebrar o contrato negociado desde 2016. Durante a visita de Morrison ao \u00c9lys\u00e9e Palace, Macron comemorou e disse que a venda seria um \u201cpilar [da] parceria e da rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a entre [os] dois pa\u00edses. Esse programa \u00e9 baseado na transfer\u00eancia de know-how e tecnologia e nos unir\u00e1 nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Depois da \u201cfacada nas costas\u201d, Macron chamou seus embaixadores na Austr\u00e1lia e nos EUA para pedir explica\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. A Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m n\u00e3o foi consultada pelos EUA, e o principal diplomata da entidade, Josep Borrell, s\u00f3 recebeu informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre a trilateral ap\u00f3s seu an\u00fancio.<\/p>\n<p>A China manifestou-se atrav\u00e9s do porta voz do seu Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Lijian Zhao, para quem a AUKUS<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>: \u201c&#8230; mina, severamente, a estabilidade regional e a paz, intensifica a corrida armamentista e enfraquece os esfor\u00e7os internacionais de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o [de armas nucleares]\u201d. Ademais, afirmou que a posi\u00e7\u00e3o estadunidense \u00e9 \u201c&#8230;altamente irrespons\u00e1vel e mostra padr\u00f5es duplos no uso da exporta\u00e7\u00e3o [de tecnologia] nuclear para seus jogos geopol\u00edticos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>D\u00f3lares, armas e a ilus\u00e3o liberal<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de armamentos e os gastos militares envolvem interesses geopol\u00edticos, econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos. A preserva\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a nacional define as compras governamentais nestes segmentos, e n\u00e3o o livre jogo das for\u00e7as de mercado. Em 2020, o volume global de gastos militares atingiu US$ 1,9 trilh\u00e3o (ou 2,1% do PIB mundial) nas estimativas do SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute)<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. EUA (40,3%) e China (13,1%) respondem por mais da metade daquele valor, seguidos de \u00cdndia (3,8%), R\u00fassia (3,2%), Reino Unido (3,1%), Ar\u00e1bia Saudita (3,0%), Alemanha (2,7%), Fran\u00e7a (2,7%), Jap\u00e3o (2,5%), Coreia do Sul (2,4%), It\u00e1lia (1,5%) e Austr\u00e1lia (1,4%). Assim, a AUKUS sozinha atingiria uma participa\u00e7\u00e3o relativa de 44,8% deste tipo de disp\u00eandio, mais do que o triplo da capacidade chinesa ou da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Dentre os componentes do gasto militar, aqueles associados aos armamentos revelam-se como particularmente estrat\u00e9gicos. Ao longo da hist\u00f3ria, as principais inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas sempre tiveram sua origem nos esfor\u00e7os de defesa e de promo\u00e7\u00e3o das guerras. As empresas fornecedoras de equipamentos militares beneficiam-se desses gastos e conseguem obter mercados cativos que lhes garantem um horizonte est\u00e1vel de receitas. Com isso, conseguem desenvolver avan\u00e7os pass\u00edveis de serem utilizados nas \u00e1reas civil e militar-espacial. Ou seja, o assim-chamado complexo militar-industrial est\u00e1 no centro mais din\u00e2mico das ind\u00fastrias das principais economias avan\u00e7adas e emergentes.<\/p>\n<p>Em 2019, ano com dados mais recentes na base da SIPRI, as 25 maiores empresas fornecedoras de armamentos faturaram US$ 361 bilh\u00f5es, montante que correspondeu a 41% de suas vendas totais (US$ 874 bilh\u00f5es). Nas economias ocidentais \u00e9 mais comum a exist\u00eancia de conglomerados privados que atendem \u00e0s demandas governamentais e, tamb\u00e9m, produzem linhas amplas e diversificadas de produtos para o consumo de fam\u00edlias e outras empresas. J\u00e1 em alguns pa\u00edses, como R\u00fassia e Ar\u00e1bia Saudita, predominam estatais que t\u00eam como clientes seus pr\u00f3prios governos ou os de outros pa\u00edses. No caso da China, o complexo industrial-militar \u00e9 dominado por estatais que, diferentemente do caso russo, garantem a maior parcela de seu faturamento em vendas n\u00e3o derivadas dos armamentos.<\/p>\n<p>O principal poder global n\u00e3o pediu \u201cpor favor\u201d para afirmar seus interesses estrat\u00e9gicos, tanto no caso da AUKUS quanto na retirada de suas tropas no Afeganist\u00e3o. Biden tem usado justificativas que remetem mais \u00e0 vis\u00e3o realista das rela\u00e7\u00f5es internacionais do que aos imperativos morais universais da tradi\u00e7\u00e3o do internacionalismo liberal. Vale dizer, o que conta em cada decis\u00e3o \u00e9 o interesse nacional e n\u00e3o princ\u00edpios universais abstratos<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Trump j\u00e1 havia assumido claramente essa perspectiva e nunca hesitou em afirm\u00e1-la. Biden ainda tenta dar um verniz moralista \u00e0s suas decis\u00f5es, mas n\u00e3o consegue convencer aliados e advers\u00e1rios. Todos sabem que os EUA n\u00e3o pretendem recuar da disputa contra China e R\u00fassia.<\/p>\n<p>Biden gosta de falar suave, mas tamb\u00e9m est\u00e1 disposto a mostrar suas armas. Como diria o presidente Theodore Roosevelt Jr. (1887 \u2013 1944) em alus\u00e3o \u00e0 sua pol\u00edtica externa e sob a inspira\u00e7\u00e3o de um prov\u00e9rbio africano: \u201cfale com suavidade e tenha \u00e0 m\u00e3o um grande porrete\u201d. Ao conversar longamente com Xi, Biden manteve sua postura cordial para demonstrar suas diverg\u00eancias. Com a AUKUS, posicionou o seu \u201cgrande porrete\u201d na regi\u00e3o Indo-Pac\u00edfica.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/graphics.reuters.com\/USA-BIDEN\/POLL\/nmopagnqapa\/\">https:\/\/graphics.reuters.com\/USA-BIDEN\/POLL\/nmopagnqapa\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.economist.com\/united-states\/will-joe-biden-pay-a-political-cost-for-americas-chaotic-withdrawal-from-afghanistan\/21804099\">https:\/\/www.economist.com\/united-states\/will-joe-biden-pay-a-political-cost-for-americas-chaotic-withdrawal-from-afghanistan\/21804099<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/us-news\/2021\/aug\/29\/joe-biden-afghanistan-republicans-midterms\">https:\/\/www.theguardian.com\/us-news\/2021\/aug\/29\/joe-biden-afghanistan-republicans-midterms<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/us\/us-congress-republicans-attack-bidens-vaccination-mandates-2021-09-09\/\">https:\/\/www.reuters.com\/world\/us\/us-congress-republicans-attack-bidens-vaccination-mandates-2021-09-09\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/world\/us\/biden-says-he-expects-congress-deliver-spending-infrastructure-bills-2021-09-16\/\">https:\/\/www.reuters.com\/world\/us\/biden-says-he-expects-congress-deliver-spending-infrastructure-bills-2021-09-16\/<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> \u201cSince the United States and the People\u2019s Republic of China (PRC) established diplomatic relations in 1979, United States policy toward the PRC was largely premised on a hope that deepening engagement would spur fundamental economic and political opening in the PRC and lead to its emergence as a constructive and responsible global stakeholder, with a more open society. More than 40 years later, it has become evident that this approach underestimated the will of the Chinese Communist Party (CCP) to constrain the scope of economic and political reform in China. Over the past two decades, reforms have slowed, stalled, or reversed. The PRC\u2019s rapid economic development and increased engagement with the world did not lead to convergence with the citizen-centric, free and open order as the United States had hoped. The CCP has chosen instead to exploit the free and open rules-based order and attempt to reshape the international system in its favor. Beijing openly acknowledges that it seeks to transform the international order to align with CCP interests and ideology. The CCP\u2019s expanding use of economic, political, and military power to compel acquiescence from nation states harms vital American interests and undermines the sovereignty and dignity of countries and individuals around the world.\u201d (<a href=\"https:\/\/trumpwhitehouse.archives.gov\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/U.S.-Strategic-Approach-to-The-Peoples-Republic-of-China-Report-5.24v1.pdf\">https:\/\/trumpwhitehouse.archives.gov\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/U.S.-Strategic-Approach-to-The-Peoples-Republic-of-China-Report-5.24v1.pdf<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cThe Stages of Economic Growth\u201d, W. W. Rostow, The Economic History Review, New Series, Vol. 12, No. 1 (1959), pp. 1-16; &#8220;Some Social Requisites of Democracy.&#8221; Seymour Martin Lipset. American Political Science Review 53, no. 1 (1959): pp. 69-105; Political Order in Changing Societies. Samuel P. Huntington. Yale University Press, 1968; Talcott Parsons, \u201cThe system of modern societies\u201d, Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1971<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> \u201cThe CCP has made perfectly clear its desire for global preeminence, and officials in Washington have finally stopped pretending otherwise. Americans, Europeans, and people the world over are now increasingly clear-eyed about Beijing\u2019s intentions and the sources of its hostile behavior. Elected leaders must now take the next step: applying their tough new line not just to Beijing but also to elite institutions in their own societies that need to join the fight against the CCP. Because companies are economic actors, not political ones, it is the government\u2019s responsibility to establish guidelines for engaging with adversaries. With strict new parameters, Washington can level the playing field for all U.S. firms\u2014refreshing their commitment to the United States\u2019 245-year-old experiment with democracy instead of bowing to the Chinese government\u2019s experiment with neo-totalitarianism. Without such guidelines, however, U.S. firms, money, and institutions will continue to be coerced into serving Beijing\u2019s ends instead of democratic principles.\u201d (Matt Pottiger, \u201cBeijing\u2019s American Hustle\u201d, Foreign Affairs, 2021),<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores publicou uma nota com o relato da conversa, onde se l\u00ea que: \u201cXi Jinping pointed out that for some time, due to the U.S. policy on China, the China-U.S. relationship has run into serious difficulty. This serves neither the fundamental interests of the people of the two countries, nor the common interests of countries around the world. China and the United States are respectively the biggest developing country and the biggest developed country. Whether they can handle their relationship well bears on the future of the world. It is a question of the century to which the two countries must provide a good answer. When China and the United States cooperate, the two countries and the world will benefit; when China and the United States are in confrontation, the two countries and the world will suffer. Getting the relationship right is not optional, but something we must do and must do well.\u201d (https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/mfa_eng\/zxxx_662805\/t1906035.shtml)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/articles\/america-china-policy-biden-xi-11617896117\">https:\/\/www.wsj.com\/articles\/america-china-policy-biden-xi-11617896117<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ver: https:\/\/www.brookings.edu\/articles\/how-china-is-responding-to-escalating-strategic-competition-with-the-us\/; <a href=\"https:\/\/nationalinterest.org\/feature\/why-china-will-not-cooperate-west-pandemic-made-things-worse-190251\">https:\/\/nationalinterest.org\/feature\/why-china-will-not-cooperate-west-pandemic-made-things-worse-190251<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.atlanticcouncil.org\/blogs\/new-atlanticist\/the-free-world-vs-china-and-friends-its-ideology-stupid\/\">https:\/\/www.atlanticcouncil.org\/blogs\/new-atlanticist\/the-free-world-vs-china-and-friends-its-ideology-stupid\/<\/a>;\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/united-states\/2021-03-16\/us-china-rivalry-battle-over-values\">https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/united-states\/2021-03-16\/us-china-rivalry-battle-over-values<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.politico.com\/news\/magazine\/2021\/01\/28\/china-foreign-policy-long-telegram-anonymous-463120\">https:\/\/www.politico.com\/news\/magazine\/2021\/01\/28\/china-foreign-policy-long-telegram-anonymous-463120<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/united-states\/2021-09-09\/biden-realist\">https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/united-states\/2021-09-09\/biden-realist<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> \u201cBiden will need to act boldly just to disentangle the United States from the greater Middle East. But at a time when China is rising and the United States requires serious domestic reform, he should think even bigger: his administration can work to cap if not cut U.S. commitments in Europe and avoid an excessively militarized and zero-sum approach in Asia. Unlike his predecessors, he could embrace mounting calls for a European defense force outside American control, so as to pass responsibility for the continent\u2019s security into European hands. And in the Indo-Pacific, despite Biden\u2019s call for \u201cextreme competition\u201d with China, his pragmatic instincts ought to keep him from making an explicit guarantee to defend Taiwan or otherwise enlarging the United States\u2019 already extensive regional commitments. The opening months of Biden\u2019s presidency have shown that even seasoned politicians are capable of surprises\u2014especially if their hallmark is to change with the times. Biden is certainly no radical. But after decades of foreign policy radicalism that has created a string of disasters, his approach may at least begin to revitalize the United States\u2019 role in the world.\u201d (<em>idem<\/em>)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Detalhes em: <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/briefing-room\/statements-releases\/2021\/09\/15\/joint-leaders-statement-on-aukus\/\">https:\/\/www.whitehouse.gov\/briefing-room\/statements-releases\/2021\/09\/15\/joint-leaders-statement-on-aukus\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.state.gov\/summit-for-democracy\/\">https:\/\/www.state.gov\/summit-for-democracy\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/briefing-room\/speeches-remarks\/2021\/02\/19\/remarks-by-president-biden-at-the-2021-virtual-munich-security-conference\/\">https:\/\/www.whitehouse.gov\/briefing-room\/speeches-remarks\/2021\/02\/19\/remarks-by-president-biden-at-the-2021-virtual-munich-security-conference\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.euronews.com\/2021\/09\/16\/us-uk-and-australia-announce-new-security-pact-to-counter-china-in-indo-pacific\">https:\/\/www.euronews.com\/2021\/09\/16\/us-uk-and-australia-announce-new-security-pact-to-counter-china-in-indo-pacific<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.diplomatie.gouv.fr\/en\/country-files\/australia\/news\/article\/joint-communique-issued-by-jean-yves-le-drian-and-florence-parly-16-sept-2021\">https:\/\/www.diplomatie.gouv.fr\/en\/country-files\/australia\/news\/article\/joint-communique-issued-by-jean-yves-le-drian-and-florence-parly-16-sept-2021<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ver: https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2021\/sep\/16\/aukus-deal-showing-france-and-eu-that-biden-not-all-he-seems<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2021\/09\/17\/politics\/french-ambassador-to-the-us-recalled\/index.html\">https:\/\/edition.cnn.com\/2021\/09\/17\/politics\/french-ambassador-to-the-us-recalled\/index.html<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.france24.com\/en\/live-news\/20210917-france-recalls-its-ambassadors-to-us-and-australia-in-submarine-deal-backlash\">https:\/\/www.france24.com\/en\/live-news\/20210917-france-recalls-its-ambassadors-to-us-and-australia-in-submarine-deal-backlash<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/zlj517\/status\/1438459566862176256\">https:\/\/twitter.com\/zlj517\/status\/1438459566862176256<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.sipri.org\/databases\">https:\/\/www.sipri.org\/databases<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/08\/31\/us\/politics\/biden-defends-afghanistan-withdrawal.html\">https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/08\/31\/us\/politics\/biden-defends-afghanistan-withdrawal.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[445],"class_list":["post-24052","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24052\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}