{"id":24369,"date":"2021-10-19T14:26:03","date_gmt":"2021-10-19T17:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=24369"},"modified":"2021-10-19T14:41:49","modified_gmt":"2021-10-19T17:41:49","slug":"estagflacao-um-espectro-ronda-os-mercados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/estagflacao-um-espectro-ronda-os-mercados\/","title":{"rendered":"Estagfla\u00e7\u00e3o: um espectro ronda os mercados"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cO poder econ\u00f4mico sempre existiu, o poder pol\u00edtico sempre esteve ligado a ele, sempre existiu um concubinato entre esses dois poderes. Mas os cidad\u00e3os est\u00e3o aqui embaixo. E como eles poderiam expressar suas ang\u00fastias, d\u00favidas e necessidades junto a este poder econ\u00f4mico? Em princ\u00edpio, seria atrav\u00e9s do mesmo governo que serve de correia de transmiss\u00e3o. Mas n\u00e3o podemos ter qualquer esperan\u00e7a de que esses governos digam ao poder econ\u00f4mico&#8230; que as condi\u00e7\u00f5es que voc\u00eas nos imp\u00f5em s\u00e3o terr\u00edveis. N\u00f3s vivemos numa plutocracia, um governo dos ricos, e s\u00e3o eles que governam.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/Jose-Saramago-questiona-a-ilusao-do-mundo-democratico\/4\/2164\">Jos\u00e9 Saramago<\/a>, 2004<\/p>\n<p><strong>O fantasma da infla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo \u201c<a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2021\/10\/12\/world-economic-outlook-october-2021\">Panorama da Economia Mundial<\/a>\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) atualizou suas estimativas para o crescimento global: -4,5% (2020) e +5,2% (2021). Para 2021, houve uma revis\u00e3o em -0,1 p.p. com respeito \u00e0s proje\u00e7\u00f5es de abril e julho. O Fundo considera que a diverg\u00eancia no ritmo de recupera\u00e7\u00e3o se acentuou nas principais economias. Na m\u00e9dia, os pa\u00edses de alta renda dever\u00e3o crescer -0,4 p.p. a menos do que o projetado previamente. As economias asi\u00e1ticas (-0,3 p.p.), inclusive China e \u00cdndia, e outros emergentes como Brasil e M\u00e9xico, ambos com revis\u00e3o em -0,1 p.p., pioraram seus respectivos desempenhos. No mercado de trabalho, as taxas de desemprego e de utiliza\u00e7\u00e3o do trabalho seguem piores com respeito ao per\u00edodo que antecedeu a pandemia. Ainda assim, verifica-se uma acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Em muitos pa\u00edses, o crescimento da renda n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para recuperar o que foi perdido em 2020 ou para recolocar a trajet\u00f3ria pr\u00e9via de expans\u00e3o. Isso tamb\u00e9m vale para o mercado de trabalho. No caso dos pre\u00e7os, observa-se uma alta intensa nas <em>commodities, <\/em>o que est\u00e1 contaminando as medidas de infla\u00e7\u00e3o em suas bases anuais<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Research\/commodity-prices\">O \u00edndice de pre\u00e7os do FMI<\/a>, que avalia o comportamento das <em>commodities<\/em>, apresentou varia\u00e7\u00e3o acumulada de +50% nos \u00faltimos doze meses. J\u00e1 os pre\u00e7os finais ao consumidor oscilam entre 3% a.a. e 6% a.a. nas economias de alta renda, acima das metas dos seus respectivos Bancos Centrais (cerca de 2% a.a.). Nos pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento, as m\u00e9dias est\u00e3o nesse patamar, por\u00e9m com maior dispers\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o FMI, o surto inflacion\u00e1rio tem caracter\u00edsticas tempor\u00e1rias e n\u00e3o deveria gerar rea\u00e7\u00f5es mais contundentes das Autoridades Monet\u00e1rias, pelo menos em um horizonte pr\u00f3ximo. At\u00e9 porque, as expectativas inflacion\u00e1rias seguem sob controle. O importante seria evitar a ina\u00e7\u00e3o em uma futura espiral de alta persistente, de modo a comprometer a credibilidade das Autoridades Monet\u00e1rias em seu mandato de estabilizar os pre\u00e7os<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Os principais Bancos Centrais e seus l\u00edderes, particularmente <a href=\"https:\/\/www.bis.org\/review\/r210928a.htm\">Christine Lagarde<\/a><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> (BCE) e <a href=\"https:\/\/www.federalreserve.gov\/newsevents\/speech\/powell20210827a.htm\">Jerome Powell<\/a> (FED)<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, concordam que \u00e9 momento de ter cautela. Uma rea\u00e7\u00e3o tempestiva diante de fen\u00f4menos potencialmente transit\u00f3rios poderia detonar um cen\u00e1rio de ajuste descoordenado nos mercados financeiros. Ou seja, o problema da <a href=\"https:\/\/scholar.princeton.edu\/markus\/publications\/financial-dominance\">domin\u00e2ncia financeira<\/a><a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> \u00e9 t\u00e3o importante quanto o das press\u00f5es inflacion\u00e1rias de curto prazo<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o do FMI e da vis\u00e3o dos banqueiros centrais, economistas influentes ressaltam o risco de uma acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria global, a despeito do ritmo inst\u00e1vel e assim\u00e9trico de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2021-03-20\/summers-says-u-s-facing-worst-macroeconomic-policy-in-40-years\">Lawrence Summers<\/a>, ex-Secret\u00e1rio do Tesouro da administra\u00e7\u00e3o Clinton, tem sido um cr\u00edtico do volume, por ele considerado excessivo, de est\u00edmulos fiscais no per\u00edodo da pandemia e, mais recentemente, das pol\u00edticas sociais e de infraestrutura do governo Biden<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Para ele, tais pol\u00edticas ampliam as press\u00f5es potenciais sobre a infla\u00e7\u00e3o, as quais seriam acompanhadas dos sintomas da <a href=\"http:\/\/larrysummers.com\/imf-fourteenth-annual-research-conference-in-honor-of-stanley-fischer\/\">estagna\u00e7\u00e3o secular<\/a><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/america-facing-1970s-style-stagflation-threat-by-kenneth-rogoff-2021-08\">Kenneth Rogoff<\/a><a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> vai na mesma dire\u00e7\u00e3o e sugere que alguns dos fatores determinantes da estagfla\u00e7\u00e3o dos anos 1970 est\u00e3o de volta: o crescimento an\u00eamico da produtividade; os choques de oferta que elevam os pre\u00e7os de energia e alimentos; e o ac\u00famulo pr\u00e9vio de intensos est\u00edmulos fiscais e monet\u00e1rios<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/reflation-trade-or-overheating-and-stagflation-by-nouriel-roubini-2021-09\">Nouriel Roubini<\/a><a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, que se tornou uma celebridade ap\u00f3s a fal\u00eancia do Lehman Brothers, enfatiza que uma eleva\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e surpreendente das taxas de juros por parte das Autoridades Monet\u00e1rias para \u201ccombater a infla\u00e7\u00e3o\u201d poderia detonar uma nova crise financeira de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/global-stagflation-risk-and-policy-response-by-mohamed-a-el-erian-2021-09\">Mohamed El-Erian<\/a> destaca a import\u00e2ncia de os formuladores de pol\u00edtica econ\u00f4mica assumirem que o risco da eleva\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o em um ambiente de estagna\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Portanto, se as suas rea\u00e7\u00f5es forem coordenadas e robustas, poder-se-ia minimizar a chance de que a economia global fique presa em uma armadilha estagflacion\u00e1ria<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Para <a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/onpoint\/us-inflation-debt-must-be-addressed-before-too-late-by-john-h-cochrane-2021-09\">John H. Cochrane<\/a> o grande desafio para manter a infla\u00e7\u00e3o baixa est\u00e1 em se administrar as expectativas dos agentes econ\u00f4micos. Se os Tesouros e Bancos Centrais n\u00e3o atuarem de forma conjunta, com eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juros e aperto fiscal, a probabilidade de perda de credibilidade no compromisso com a estabilidade de pre\u00e7os ser\u00e1 testada ao limite<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um consenso entre os analistas \u00e9 que a economia global n\u00e3o est\u00e1 plenamente recuperada. Outrossim, assumir que a infla\u00e7\u00e3o em alta, mesmo que de forma tempor\u00e1ria, \u00e9 o principal problema macroecon\u00f4mico atual pode produzir um retorno precipitado aos princ\u00edpios da ortodoxia econ\u00f4mica. O medo do descontrole inflacion\u00e1rio j\u00e1 foi utilizado no passado como justificativa para a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que limitaram o potencial de desenvolvimento socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estagfla\u00e7\u00e3o: quando os modelos n\u00e3o funcionam, os economistas inventam novas palavras<\/strong><\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.economist.com\/finance-and-economics\/is-the-world-economy-going-back-to-the-1970s\/21805260\">neologismo estagfla\u00e7\u00e3o<\/a><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> tornou-se uma refer\u00eancia popular nos anos 1970 para designar a ocorr\u00eancia de dois fen\u00f4menos que usualmente n\u00e3o acontecem de forma simult\u00e2nea: estagna\u00e7\u00e3o e infla\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Em geral, quando h\u00e1 baixo dinamismo econ\u00f4mico, a taxa de desemprego se eleva e o n\u00edvel absoluto de pre\u00e7os tende a se estabilizar ou mesmo a cair, configurando uma defla\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os per\u00edodos de acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria ocorrem quando as economias crescem de forma intensa e, por decorr\u00eancia, as taxas de desemprego s\u00e3o baixas. <a href=\"https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=315180\">Com os dois choques do petr\u00f3leo (1973 e 1979), as economias de alta renda se viram com um dilema<\/a> de ter de usar os instrumentos \u201cconvencionais\u201d da pol\u00edtica keynesiana para lidar com um fen\u00f4meno novo.<\/p>\n<p>Nos anos 1950 e 1960, o mundo avan\u00e7ado comemorava a r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ap\u00f3s a devasta\u00e7\u00e3o verificada na primeira metade do s\u00e9culo XX. Duas grandes guerras mundiais, com cerca de 100 milh\u00f5es de mortos, e uma devastadora crise econ\u00f4mica, que abriu caminho para a ascens\u00e3o de regimes pol\u00edticos autorit\u00e1rios, enterraram o \u201cliberalismo\u201d. A reconstru\u00e7\u00e3o se deu com forte ativismo estatal e novas prioridades sociais: garantir o pleno emprego e incorporar as massas n\u00e3o propriet\u00e1rias no mundo econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Diferentemente do que propugnam os <a href=\"https:\/\/press.princeton.edu\/books\/hardcover\/9780691151571\/masters-of-the-universe\">libert\u00e1rios liderados por Hayek e Friedman<\/a>, a democracia dificilmente anda de m\u00e3os dadas com o \u201clivre mercado\u201d. A constru\u00e7\u00e3o de bases reais para a democratiza\u00e7\u00e3o das sociedades se deu concomitantemente \u00e0 perda de poder das elites, fruto das guerras e do debacle econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Depois da crise do liberalismo foi poss\u00edvel tributar os ricos, seu patrim\u00f4nio e os ganhos financeiros. <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/taxation\">As bases tribut\u00e1rias se alargaram<\/a> e, com isso, tornou-se fact\u00edvel ampliar os servi\u00e7os p\u00fablicos e a prote\u00e7\u00e3o social \u2013 <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/government-spending\">de menos de 1% das respectivas rendas, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, para 15%, no, anos 1960, e 25% atualmente<\/a>, na m\u00e9dia dos pa\u00edses de alta renda. Al\u00e9m do direito ao voto, as massas passaram a ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o formal, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 aposentadoria, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do seu trabalho (sal\u00e1rio m\u00ednimo, f\u00e9rias, seguro-desemprego, etc.). As pol\u00edticas macroecon\u00f4micas e regulat\u00f3rias eram calibradas para garantir o crescimento e o pleno emprego; e as estrat\u00e9gias nacionais de desenvolvimento se alicer\u00e7aram nos investimentos p\u00fablicos em infraestrutura, nas empresas estatais e na dissemina\u00e7\u00e3o das novas formas de produzir e consumir herdadas das revolu\u00e7\u00f5es industriais do s\u00e9culo anterior e das inova\u00e7\u00f5es aceleradas com as pr\u00f3prias guerras. <a href=\"https:\/\/openknowledge.worldbank.org\/handle\/10986\/30588\">Os ganhos de produtividade<\/a> permitiram a eleva\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios sem comprometer o lucro e, assim, a acumula\u00e7\u00e3o privada de capital. <a href=\"http:\/\/piketty.pse.ens.fr\/en\/capital21c2\">As desigualdades diminu\u00edram<\/a><a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> e as classes oper\u00e1rias e <a href=\"http:\/\/piketty.pse.ens.fr\/en\/ideology\">os segmentos remediados do mundo rural e urbano podiam aspirar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida<\/a> para si e, mais importante, a mobilidade social ascendente para filhos e netos.<\/p>\n<p>A democracia das massas nos pa\u00edses centrais e as aspira\u00e7\u00f5es em ter o mesmo no mundo perif\u00e9rico, particularmente nos pa\u00edses que haviam obtido sua independ\u00eancia pol\u00edtica no imediato p\u00f3s-guerra<a href=\"https:\/\/www.libertarianism.org\/columns\/libertarian-perspective-modern-american-welfare-state\">, tornaram-se caras demais na perspectiva libert\u00e1ria<\/a>. Como nos ensinou <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1467-923X.1943.tb01016.x\">Kalecki<\/a><a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>, o pleno emprego gerado pelas pol\u00edticas econ\u00f4micas e sociais \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0s elites, tanto porque ampliam o poder de barganha dos trabalhadores organizados em sindicatos, quanto porque dependem de Estados com compet\u00eancias legais ampliadas. Mais direitos pol\u00edticos e sociais equivalem a mais gastos e impostos.<\/p>\n<p>A estagfla\u00e7\u00e3o dos anos 1970 estra\u00e7alhou o consenso socialdemocrata e abriu espa\u00e7o para a \u201c<a href=\"https:\/\/wwnorton.com\/books\/The-Revolt-of-the-Elites-and-the-Betrayal-of-Democracy\/\">rebeli\u00e3o das elites<\/a>\u201d. <a href=\"https:\/\/s-space.snu.ac.kr\/bitstream\/10371\/62693\/1\/2355770101.pdf\">Economistas contr\u00e1rios ao ativismo estatal sentiram-se vingados<\/a> e puderam argumentar que a combina\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.elsevier.com\/books\/economic-policy-and-the-great-stagflation\/blinder\/978-0-12-106160-9\">infla\u00e7\u00e3o com desemprego era o resultado inevit\u00e1vel da engenharia social keynesiana<\/a>. Para recuperar o dinamismo econ\u00f4mico haveria de se desregulamentar, privatizar e diminuir o gasto p\u00fablico e os impostos. Menos Estado para as massas e mais liberdade para os capitais, tal foi o mantra predominante nos quarenta anos subsequentes. O neoliberalismo seduziu as sociedades e produziu os resultados desejados, com as elites recuperando plenamente o controle do poder pol\u00edtico e da riqueza.<\/p>\n<p>A economia contempor\u00e2nea \u00e9 estruturalmente distinta daquela que testemunhou a estagfla\u00e7\u00e3o que se seguiu aos choques do petr\u00f3leo. Os pa\u00edses s\u00e3o mais abertos do ponto de vista financeiro e comercial e, assim, mais dependentes de cadeias globais de valor e sens\u00edveis aos ciclos de cr\u00e9dito; os sindicatos foram fragilizados e, com isso, o poder de barganha para a reposi\u00e7\u00e3o de perdas inflacion\u00e1rias \u00e9 menor. No curto prazo, as press\u00f5es altistas de pre\u00e7os e sal\u00e1rios resultam dos problemas criados pela pandemia: no caso dos pre\u00e7os, a sustenta\u00e7\u00e3o da demanda das fam\u00edlias, particularmente de alimentos, confrontou-se com limita\u00e7\u00f5es na capacidade de oferta; no caso dos sal\u00e1rios, a alta n\u00e3o tem a ver com fen\u00f4menos estruturais, pois os n\u00edveis de ocupa\u00e7\u00e3o seguem abaixo do normal. H\u00e1, sim, maior disputa pela m\u00e3o de obra dispon\u00edvel nos pa\u00edses de alta renda, posto que os indiv\u00edduos foram protegidos pelas pol\u00edticas de sustenta\u00e7\u00e3o da renda. Quando a pandemia passar, os est\u00edmulos deixarem de existir e as poupan\u00e7as ca\u00edrem, a oferta de trabalho se ampliar\u00e1 e o crescimento dos sal\u00e1rios tender\u00e1 a retomar a trajet\u00f3ria pr\u00e9via. <a href=\"https:\/\/www.economist.com\/leaders\/2021\/10\/16\/is-the-world-economy-entering-a-wage-price-spiral\">A espiral sal\u00e1rio-pre\u00e7os \u00e9 um cen\u00e1rio poss\u00edvel, mas pouco prov\u00e1vel no m\u00e9dio prazo<\/a>.<\/p>\n<p>As Autoridades Monet\u00e1rias ter\u00e3o de escolher: seguir as pol\u00edticas de austeridade ou avan\u00e7ar reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura f\u00edsica e social, t\u00e3o fragilizada ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas de sucateamento. Os dois caminhos s\u00e3o arriscados, mas um deles pode produzir uma nova crise de larga escala: a terceira em menos de quinze anos.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>O mundo mudou, as elites seguem iguais<\/strong><\/p>\n<p>A estagfla\u00e7\u00e3o foi instrumental para o rompimento do compromisso pol\u00edtico em torno da democracia. Desde ent\u00e3o, a amea\u00e7a de \u201cretorno da infla\u00e7\u00e3o\u201d tornou-se o alicerce ret\u00f3rico para a imposi\u00e7\u00e3o do Estado m\u00ednimo para a sociedade e do Estado m\u00e1ximo para os ricos. \u00c9 por isso mesmo que, no contexto do debate em curso, <a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/quantitative-easing-has-fueled-financial-instability-by-robert-skidelsky-2021-09\">Robert Skidelsky<\/a><a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>, o bi\u00f3grafo de <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/John-Maynard-Keynes-1883-1946-Philosopher\/dp\/0143036157\/ref=sr_1_2?dchild=1&amp;keywords=ROBERT+SKIDELSKY&amp;qid=1634173979&amp;sr=8-2\">John Maynard Keynes<\/a>, sugere que o risco de estagfla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o problema mais grave da atualidade, mas sim a possibilidade de uma nova crise financeira. A expans\u00e3o do balan\u00e7o dos principais Bancos Centrais depois de 2008 sustentou os mercados financeiros e, assim, consolidou <a href=\"https:\/\/www.credit-suisse.com\/about-us\/en\/reports-research\/global-wealth-report.html\">a forte eleva\u00e7\u00e3o no patrim\u00f4nio dos mais ricos<\/a>.<\/p>\n<p>Para Skidelsky, a teoria macroecon\u00f4mica convencional criou a ilus\u00e3o de que a pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 independente da pol\u00edtica fiscal. Por isso mesmo, o ideal seria abandonar as b\u00fassolas criadas na era neoliberal e, assim, permitir que a a\u00e7\u00e3o estatal volte a priorizar o est\u00edmulo ao desenvolvimento socioecon\u00f4mico<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.\u00a0 Se os Estados precisam gastar mais para manter a coes\u00e3o social, a busca de equil\u00edbrio fiscal intertemporal deve partir da recupera\u00e7\u00e3o das receitas p\u00fablicas por meio da tributa\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio dos milion\u00e1rios e bilion\u00e1rios. Estes est\u00e3o atentos e seguem defendendo o <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/01\/26\/opinion\/us-capitalism-socialism.html\">\u201csocialismo para os ricos e o capitalismo para os demais\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>O <em>establishment<\/em> financeiro s\u00f3 admite que a m\u00e3o vis\u00edvel do Estado atue para proteger os seus interesses. Para resgatar seu patrim\u00f4nio nos momentos de crises financeiras, tudo \u00e9 permitido, inclusive expandir os balan\u00e7os dos seus bancos centrais em mais de US$ 20 trilh\u00f5es ou dobrar a d\u00edvida p\u00fablica como propor\u00e7\u00e3o do PIB. J\u00e1 a a\u00e7\u00e3o estatal para manter emprego, renda e dignidade para o conjunto da sociedade \u00e9 sempre apontada como a perigosa fonte dos d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios e da infla\u00e7\u00e3o. O mundo atual pode ser diferente, mas as elites seguem as mesmas: diante da disjuntiva entre a defesa da democracia e a preserva\u00e7\u00e3o da liberdade plena para os capitais, elas n\u00e3o hesitam em colocar seus bolsos em primeiro lugar.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2021\/10\/12\/world-economic-outlook-october-2021\">https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2021\/10\/12\/world-economic-outlook-october-2021<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Para o Fundo: \u201c&#8230;rising inflation reflects pandemic-related supply-demand mismatches and higher commodity prices compared to their low base from a year ago.\u201d (p. xv).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Assim como no caso do crescimento da renda, n\u00e3o se pode ignorar o efeito base de compara\u00e7\u00e3o. Em 2020, a economia global derreteu, de modo que as estat\u00edsticas que medem varia\u00e7\u00f5es anuais mostram movimentos de alta acima do normal. A base de compara\u00e7\u00e3o estava muito baixa. Um exemplo ajuda a ilustrar: imaginemos uma economia produza somente trigo. Em 2019 sua produ\u00e7\u00e3o foi de 100 toneladas. J\u00e1 em 2020, foi de 90 toneladas. Neste caso, seu PIB teria variado -10%, caracterizando um cen\u00e1rio profundamente recessivo. Se, em 2021, o PIB crescer os mesmos +10%, agora sobre a base de 90 toneladas, sua produ\u00e7\u00e3o final seria de 99 toneladas. Ou seja, seu PIB ainda estaria 1 p.p. abaixo do n\u00edvel pr\u00e9-crise.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u201cAlthough central banks can generally look through transitory inflation pressures and avoid tightening until there is more clarity on underlying price dynamics, they should be prepared to act quickly if the recovery strengthens faster than expected\u2026\u201d (WEO, October 2021, p. 19)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u201cNonetheless, we continue to view this upswing as largely temporary. A range of factors are currently pushing up inflation. Chief among them are the strong increase in oil prices since around the middle of last year, the reversal of the temporary VAT reduction in Germany, and cost pressures arising from temporary shortages of materials and equipment. The impact of these factors should dissipate in the course of next year.\u201d <a href=\"https:\/\/www.bis.org\/review\/r210928a.htm\">https:\/\/www.bis.org\/review\/r210928a.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> \u201cThe rapid reopening of the economy has brought a sharp run-up in inflation &#8230; Businesses and consumers widely report upward pressure on prices and wages. Inflation at these levels is, of course, a cause for concern. But that concern is tempered by a number of factors that suggest that these elevated readings are likely to prove temporary&#8230;\u201d (August 27, 2021, Monetary Policy in the Time of COVID, Chair Jerome H. Powell &#8211; https:\/\/www.federalreserve.gov\/newsevents\/speech\/powell20210827a.htm).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201c\u2026 financial dominance occurs when central banks delay the removal of monetary policy accommodation for longer than appropriate, in order to avoid market turmoil\u2026\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> O <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/GFSR\/Issues\/2021\/10\/12\/global-financial-stability-report-october-2021\">Relat\u00f3rio da Estabilidade Financeira Global<\/a> do FMI, publicado em outubro, sugere que: \u201cAn abrupt, sustained increase in interest rates from low levels, particularly in the United States, could trigger a tightening of global financial conditions, interacting with existing financial vulnerabilities and resulting in a decompression of market volatility and a sharp fall in asset valuations.\u201d (GFSR, p. 4).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ver: <a href=\"https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2021-03-20\/summers-says-u-s-facing-worst-macroeconomic-policy-in-40-years\">https:\/\/www.bloomberg.com\/news\/articles\/2021-03-20\/summers-says-u-s-facing-worst-macroeconomic-policy-in-40-years<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/380ea811-e927-4fe1-aa5b-d213816e9073\">https:\/\/www.ft.com\/content\/380ea811-e927-4fe1-aa5b-d213816e9073<\/a>;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ver: &#8220;IMF Fourteenth Annual Research Conference in Honor of Stanley Fischer\u201d (<a href=\"http:\/\/larrysummers.com\/imf-fourteenth-annual-research-conference-in-honor-of-stanley-fischer\/\">http:\/\/larrysummers.com\/imf-fourteenth-annual-research-conference-in-honor-of-stanley-fischer\/<\/a>); &#8220;US Economic Prospects: Secular Stagnation, Hysteresis, and the Zero Lower Bound&#8221; National Association of Business Economics, February 24, 2014 (<a href=\"http:\/\/larrysummers.com\/2014\/02\/24\/us-economic-prospects-secular-stagnation-hysteresis-and-the-zero-lower-bound\/\">http:\/\/larrysummers.com\/2014\/02\/24\/us-economic-prospects-secular-stagnation-hysteresis-and-the-zero-lower-bound\/<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ver: Kenneth Rogoff, \u201cBack to the Seventies?\u201d Aug 31, 2021 (<a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/america-facing-1970s-style-stagflation-threat-by-kenneth-rogoff-2021-08\">https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/america-facing-1970s-style-stagflation-threat-by-kenneth-rogoff-2021-08<\/a>)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Para ele: \u201cA few weeks ago, a little inflation seemed like a manageable problem. Now, the risks and the stakes are higher.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>\u201c&#8230; over the medium term, as a variety of persistent negative supply shocks hit the global economy, we may end up with far worse than mild stagflation or overheating: a full stagflation with much lower growth and higher inflation. The temptation to reduce the real value of large nominal fixed-rate debt ratios would lead central banks to accommodate inflation, rather than fight it and risk an economic and market crash.\u201d Ver: Nouriel Roubini, \u201cGoldilocks Is Dying\u201d, Sep 21, 2021 (https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/reflation-trade-or-overheating-and-stagflation-by-nouriel-roubini-2021-09)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> \u201cThe recent appearance of stagflationary tendencies serves as a timely reminder of the urgent need for comprehensive economic-policy measures. The faster such a response materializes, the greater the probability of anchoring economic recovery, social well-being, and financial stability. But if policymakers delay, the global economy will neither be saved by self-correcting forces nor pushed into a prolonged stagflationary trap. Instead, the world will return to the previous \u201cnew normal\u201d of economic underperformance, stressed social cohesion, and destabilizing financial volatility.\u201d Ver: Mohamed A. El-Erian, \u201cTaming the Stagflationary Winds\u201d, Sep 22, 2021 (<a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/global-stagflation-risk-and-policy-response-by-mohamed-a-el-erian-2021-09\">https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/global-stagflation-risk-and-policy-response-by-mohamed-a-el-erian-2021-09<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> \u201cIf people and markets lose faith that governments will respond to inflation with such policies in the future, inflation will erupt now. And in the shadow of debt and slow economic growth, central banks cannot control inflation on their own.\u201d Ver: John H. Cochrane, \u201cInflation in the Shadow of Debt\u201d, Sep 17, 2021 (<a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/onpoint\/us-inflation-debt-must-be-addressed-before-too-late-by-john-h-cochrane-2021-09\">https:\/\/www.project-syndicate.org\/onpoint\/us-inflation-debt-must-be-addressed-before-too-late-by-john-h-cochrane-2021-09<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ver: https:\/\/www.economist.com\/finance-and-economics\/is-the-world-economy-going-back-to-the-1970s\/21805260<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ver: Edward Nelson e Kalin Nikolov, Monetary Policy and Stagflation in the UK, Bank of England Working Paper No. 155, May 2002 (<a href=\"https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=315180\">https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=315180<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u201c&#8230; the reduction of inequality that took place in most developed countries between 1910 and 1950 was above all a consequence of war and of policies adopted to cope with the shocks of war. Similarly, the resurgence of inequality after 1980 is due largely to the political shifts of the past several decades, especially in regard to taxation and finance &#8230; there is no natural, spontaneous process to prevent destabilizing, inegalitarian forces from prevailing permanently.\u201d (Piketty, \u201cCapital in the Twenty-First Century\u201d, 2014, p. 26- 27).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ver: M. Kalecki, Political Aspects of Full Employment, The Political Quarterly, 14 (4), October 1943, pp. 322-330 (https:\/\/doi.org\/10.1111\/j.1467-923X.1943.tb01016.x)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Robert Skidelsky, \u201cWhere Has All the Money Gone?\u201d, Sep 15, 2021 (<a href=\"https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/quantitative-easing-has-fueled-financial-instability-by-robert-skidelsky-2021-09\">https:\/\/www.project-syndicate.org\/commentary\/quantitative-easing-has-fueled-financial-instability-by-robert-skidelsky-2021-09<\/a>).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> \u201c&#8230; governments must abandon the fiction that central banks create money independently from government &#8230; they must themselves spend the money created at their behest. For example, governments should not hoard the furlough funds that are set to be withdrawn as economic activity picks up, but instead use them to create public-sector jobs.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[445],"class_list":["post-24369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}