{"id":25967,"date":"2022-03-07T15:18:49","date_gmt":"2022-03-07T18:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=25967"},"modified":"2022-03-07T15:19:48","modified_gmt":"2022-03-07T18:19:48","slug":"a-guerra-e-as-fantasias-liberais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/a-guerra-e-as-fantasias-liberais\/","title":{"rendered":"A guerra e as fantasias liberais"},"content":{"rendered":"<p><em>Por\u00a0Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cThe natural effect of trade is to bring about peace. Two nations which trade together, render themselves reciprocally dependent; for if one has an interest in buying, the other has an interest in selling; and all unions are based upon mutual needs. (Montesquieu, De l\u2019esprit des Lois, 1758).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A desglobaliza\u00e7\u00e3o e a guerra europeia<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quinze anos, foi poss\u00edvel testemunhar-se o desmonte das fantasias liberais em torno da constru\u00e7\u00e3o de uma ordem internacional multilateral aberta, fundada em valores supostamente universais e democr\u00e1ticos e consubstanciada no direito internacional. A realidade cada vez mais complexa da disputa de poder entre os Estados Unidos (EUA), seus aliados, e as pot\u00eancias emergentes (ou reemergentes), particularmente a China e a R\u00fassia, teima em n\u00e3o caber nas fronteiras limitadas de an\u00e1lises pol\u00edticas e econ\u00f4micas autocentradas em modelos te\u00f3ricos abstratos e ideologias diversas.<\/p>\n<p>Com a invas\u00e3o da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia, os EUA e seus aliados n\u00e3o hesitaram em abandonar, uma vez mais, os pru\u00eddos liberais e, assim, as liberdades plenas de mercado. As san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra a R\u00fassia revelam tal disposi\u00e7\u00e3o: a reten\u00e7\u00e3o de ativos de empresas, de indiv\u00edduos ricos e do governo, a pretexto de n\u00e3o financiar a guerra, vem atrelado \u00e0 retirada dos principais bancos russos da maior e mais ampla rede de pagamentos globais: o SWIFT. A velha diplomacia financeira tornou-se uma guerra financeira, de modo que o banco central russo est\u00e1 sem acesso a metade de suas reservas internacionais, estimadas em US$ 613 bilh\u00f5es. E as pessoas comuns j\u00e1 n\u00e3o podem usar seus cart\u00f5es de cr\u00e9dito Visa e Mastercard.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.economist.com\/briefing\/2022\/03\/05\/western-sanctions-on-russia-are-like-none-the-world-has-seen\">Para a \u201cThe Economist\u201d<\/a>, as san\u00e7\u00f5es em tela s\u00e3o as mais duras j\u00e1 estabelecidas pelo \u201cOcidente\u201d e representam um risco real de desconstituir o pr\u00f3prio sistema multilateral aberto que se pretendia salvar. E, como \u00e9 de praxe, a hipocrisia e a seletividade imperam. Por exemplo, nem todos os bancos russos foram exclu\u00eddos do SWIFT. O Sberbank segue, pelo menos por enquanto, no sistema internacional de pagamentos, pois \u00e9 o banco respons\u00e1vel pelas transfer\u00eancias associadas ao setor de energia. N\u00e3o h\u00e1 guerra sem custos, mas para minimiz\u00e1-los, tomou-se a precau\u00e7\u00e3o de manter aberto o canal de comercializa\u00e7\u00e3o de alimentos e energia, principalmente o g\u00e1s, que \u00e9 essencial para v\u00e1rios pa\u00edses europeus.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.euronews.com\/2022\/02\/11\/europe-s-energy-crisis-five-charts-to-explain-why-your-bills-might-go-up-this-winter\">O g\u00e1s russo e o seu petr\u00f3leo cru<\/a> atendem a cerca de 40% da demanda europeia. Em alguns casos, como a Alemanha, o motor industrial da Uni\u00e3o Europeia, tal depend\u00eancia supera aos 60% do consumo aparente. No \u00faltimo ano, os pre\u00e7os da energia n\u00e3o apenas dispararam em toda a regi\u00e3o, como se tornaram extremamente vol\u00e1teis. O <a href=\"https:\/\/www.atlanticcouncil.org\/blogs\/new-atlanticist\/the-global-economy-will-suffer-from-russia-sanctions-but-not-for-long\/\">pre\u00e7o do g\u00e1s j\u00e1 est\u00e1 acima de 210 euros por Megawatt-hora<\/a>, dez vezes mais do os valores observados h\u00e1 um ano. Em resposta \u00e0s san\u00e7\u00f5es impostas pelo Ocidente, a R\u00fassia diminuiu a sua oferta regular de g\u00e1s. Seu olhar est\u00e1 se direcionando para o mercado oriental, mais precisamente para a China, sua principal parceria estrat\u00e9gica no momento.<\/p>\n<p>O <em>establishment<\/em> estadunidense h\u00e1 muito n\u00e3o esconde que China e R\u00fassia s\u00e3o seus principais advers\u00e1rios estrat\u00e9gicos. Se a China \u00e9 um ator grande demais para ser ignorado em termos econ\u00f4micos, com seu produto interno bruto (PIB) a valores correntes de mercado respondendo por 17% do total global, e suas exporta\u00e7\u00f5es, por mais de 11%, a R\u00fassia \u00e9 relativamente pequena: menos de 2% do PIB e do com\u00e9rcio de bens e servi\u00e7os. Ainda assim, h\u00e1 determinados insumos e produtos finais, os quais s\u00e3o vitais para diversas cadeias de produ\u00e7\u00e3o ao redor do mundo, que ser\u00e3o afetados pela guerra e pelas san\u00e7\u00f5es, dentre os quais: tit\u00e2nio (usado em avi\u00f5es), pal\u00e1dio (usado para fazer conversores catal\u00edticos), n\u00e9on (da Ucr\u00e2nia, usado para fazer semicondutores) e trigo (R\u00fassia e Ucr\u00e2nia respondem por \u00bc das exporta\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.eiu.com\/n\/global-economic-implications-of-the-russia-ukraine-war\/\">Economist Intelligence Unit<\/a> estima que os pa\u00edses em guerra garantem a produ\u00e7\u00e3o de 12% das calorias\/dia consumidas no mundo e que se originam em cereais e gr\u00e3os oleaginosos. As press\u00f5es altistas de pre\u00e7os, que j\u00e1 assustavam antes da guerra, tornaram-se ainda mais preocupantes. Por isso mesmo, o bloqueio comercial \u00e0 R\u00fassia \u00e9 seletivo e parcial. Bens e servi\u00e7os ordin\u00e1rios, que n\u00e3o representam transfer\u00eancia potencial de tecnologia ou mesmo que possam alimentar o esfor\u00e7o de guerra, ainda podem ser vendidos \u00e0 R\u00fassia, o que permite a contrapartida em termos de exporta\u00e7\u00f5es russas daquelas <em>commodities<\/em> agr\u00edcolas e energ\u00e9ticas. Evidentemente, se a escalada de confrontos se ampliar, mesmo isto poder\u00e1 ser atingido. Ainda assim, cresce, dia a dia, a <a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/marisadellatto\/2022\/03\/04\/microsoft-airbnb-google-heres-the-growing-list-of-companies-cutting-ties-with-russia-over-invasion\/?sh=1d6805192cd8\">lista de empresas<\/a> que, sob a press\u00e3o de seus consumidores ocidentais, decidiram encerrar suas opera\u00e7\u00f5es na R\u00fassia ou parar (total ou parcialmente) de realizar vendas naquele mercado, tais como: Apple, British Petroleum, Shell, Equinor, Nike, Microsoft, H\u00e8rmes, Samsumg, Airbnb, IKEA, Volkswagen, Mercedes-Benz, Spotyfi, SAP, Netflix, Boeing, Dell, Visa, Mastercard etc.<\/p>\n<p>Para a <a href=\"https:\/\/www.economist.com\/briefing\/2022\/03\/05\/western-sanctions-on-russia-are-like-none-the-world-has-seen\">The Economist<\/a>, o uso de san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas tem resultados pouco claros em termos pol\u00edticos. J\u00e1 os seus custos n\u00e3o s\u00e3o negligenci\u00e1veis. Em 2020, por exemplo, os bancos internacionais gastaram US$ 50 bilh\u00f5es somente para monitorar indiv\u00edduos e empresas sob algum tipo de restri\u00e7\u00e3o. Estas cresceram em dez vezes nos anos 2000, atingindo 10 mil pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas em 2021. Guerras e conflitos n\u00e3o foram encerrados, tampouco as pot\u00eancias ocidentais impediram a ascens\u00e3o chinesa e o fortalecimento do poder russo por meio da pol\u00edtica ativa de restri\u00e7\u00f5es \u00e0s transfer\u00eancias de tecnologia e recursos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Em artigo recente na <a href=\"https:\/\/foreignpolicy.com\/2022\/02\/15\/us-china-economic-financial-decoupling-controls-restrictions-sanctions\/\">Foreign Policy<\/a>, Eric Sayers e Ivan Kanapathy, da <a href=\"https:\/\/bgsdc.com\/\">Beacon Global Strategies<\/a>, argumentam que a partir do governo Trump, e com renovada intensidade na administra\u00e7\u00e3o Biden, as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s transfer\u00eancias de ativos, bens e servi\u00e7os estrat\u00e9gicos (desde a perspectiva estadunidense) est\u00e3o moldando uma nova realidade econ\u00f4mica global, na qual, em nome da seguran\u00e7a, os governos interferir\u00e3o mais nos neg\u00f3cios privados<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.uscc.gov\/\">Os relat\u00f3rios anuais da Comiss\u00e3o de Economia e Seguran\u00e7a<\/a> que trata das rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre EUA e China mostram como todos os instrumentos de poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico est\u00e3o sendo mobilizados para reduzir a capacidade de empresas chinesas se utilizarem dos mercados financeiros, tecnologias e recursos humanos estadunidenses.<\/p>\n<p>De forma expl\u00edcita, a China, sob o comando do Partido Comunista, \u00e9 considerada uma amea\u00e7a existencial aos EUA e \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Portanto, h\u00e1 que se conter a sua ascens\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cAt stake in this clash of identities and sovereignty is the safety and security of the United States and its partners, friends, and allies. The CCP is a long-term, consequential, menacing adversary determined to end the economic and political freedoms that have served as the foundation for security and prosperity for billions of people. Each decision the United States makes over the coming months and years must be taken in consultation with concerned partners and be purposefully directed at upholding an international system that has largely served us well. Otherwise, we will continue to see the slow but certain erosion of the security, sovereignty, and identity of democratic nations.\u201d (<a href=\"https:\/\/www.uscc.gov\/sites\/default\/files\/2021-11\/2021_Executive_Summary.pdf\">2021 Report to Congress of the U.S.-China Economic and Security Review Commission<\/a>, p.2).<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, o Secret\u00e1rio de Estado, Antony J. Blinken, afirmava claramente os conceitos da nova administra\u00e7\u00e3o: \u201cShoring up our democracy is a foreign policy imperative. Otherwise, we play right into the hands of adversaries and competitors like Russia and China, who seize every opportunity to sow doubts about the strength of our democracy.\u00a0 We shouldn\u2019t be making their jobs easier.\u201d O que se mostra um grande desafio \u00e9 como desconectar as \u201cdemocracias ocidentais\u201d dos pa\u00edses que supostamente a amea\u00e7am, sem jogar fora a globaliza\u00e7\u00e3o engendrada pelas pr\u00f3prias pot\u00eancias ocidentais.<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o liberal das liberdades individuais e do livre com\u00e9rcio sempre alimentou a defesa de reformas que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00f3 aprofundaram as condi\u00e7\u00f5es assim\u00e9tricas para a concorr\u00eancia nos mercados globais. Todavia, quando esta mesma concorr\u00eancia amea\u00e7a as posi\u00e7\u00f5es das empresas e demais interesses dos poderes ocidentais, como no exemplo recente da ascens\u00e3o chinesa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia global, os EUA e seus aliados se mostram dispostos a retirar o v\u00e9u que tanto ilude os incautos.<\/p>\n<p>Os EUA se tornaram a maior economia do mundo e uma pot\u00eancia global no rastro das quase duzentas guerras e interven\u00e7\u00f5es militares externas realizadas desde 1798, <a href=\"https:\/\/sgp.fas.org\/crs\/natsec\/R42738.pdf\">conforme contabiliza o servi\u00e7o de estudos do Congresso Nacional do pa\u00eds<\/a>. Um novo conflito a cada 15 meses. Este levantamento n\u00e3o inclui outras formas de a\u00e7\u00e3o, como o apoio a golpes militares e a desestabiliza\u00e7\u00e3o do ambiente pol\u00edtico e institucional de outras na\u00e7\u00f5es soberanas, <a href=\"https:\/\/www.discourseblog.com\/p\/the-myth-of-the-good-intervention?s=r\">as quais tamb\u00e9m podem ser contabilizados em dezenas<\/a>, tanto no per\u00edodo da Guerra Fria, como depois dela. Tampouco <a href=\"https:\/\/www.oxfordreference.com\/view\/10.1093\/acref\/9780195071986.001.0001\/acref-9780195071986-e-0618\">inclui as guerras internas contras as distintas popula\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones<\/a> ou a viol\u00eancia do per\u00edodo da <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/African-American\/The-civil-rights-movement\">escravid\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o racial que se seguiu \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/gp\/product\/B07H3XRPQS\/ref=dbs_a_def_rwt_hsch_vapi_tkin_p1_i0\">N\u00e3o \u00e9 exatamente trivial construir e manter um poder global<\/a>.<\/p>\n<p>Claro est\u00e1 que as guerras \u2013 econ\u00f4micas, militares, h\u00edbridas etc. \u2013 s\u00e3o instrumentos centrais para a disputa do poder global<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Na perspectiva das elites ocidentais, elas s\u00f3 se tornam conden\u00e1veis quando originadas em \u201c<a href=\"https:\/\/blog.politics.ox.ac.uk\/international-relations-its-time-to-revise-how-we-talk-about-revisionist-powers\/\">poderes revisionistas<\/a>\u201d, termo cunhado para designar pa\u00edses que est\u00e3o dispostos a contestar a ordem internacional estabelecida pelos pa\u00edses europeus e pelos EUA.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>As ironias do poder global<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para reorganizar a produ\u00e7\u00e3o mundial, explorar vantagens locacionais que reduzissem custos diversos, e obter acesso aos mercados consumidores dos pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento recentemente integrados, de forma mais estreita, aos fluxos globais de mercadorias, servi\u00e7os e capitais, os l\u00edderes ocidentais empreenderam um enorme esfor\u00e7o para desmontar barreiras regulat\u00f3rias as mais diversas. Isso se deu com redobrada intensidade ap\u00f3s o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e de sua \u00e1rea de influ\u00eancia, o qual permitiu reincorporar o Leste Europeu e a maior parte da \u00c1sia Central no <a href=\"https:\/\/unctad.org\/system\/files\/official-document\/tdr2018ch2_en.pdf\">capitalismo hiperglobalizado<\/a>. Ao mesmo tempo, China, \u00cdndia, os pa\u00edses do Sul e do Sudeste da \u00c1sia e \u00c1frica, experimentaram processos equivalentes de transforma\u00e7\u00f5es institucionais que, de fato, os integraram \u00e0s finan\u00e7as e ao com\u00e9rcio da economia global.<\/p>\n<p>Em termos quantitativos, as mudan\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o foram marcantes: nos anos 1970, as economias avan\u00e7adas do G7 respondiam, em m\u00e9dia, por 56% da produ\u00e7\u00e3o global de bens industriais (setores extrativo, manufatureiro e de utilidades p\u00fablicas) e 40% das exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os. Ao agregar os demais pa\u00edses de alta renda, tais propor\u00e7\u00f5es sobem para 70% e 60%. J\u00e1 na d\u00e9cada de 2010, o G7 passou a deter 37% da produ\u00e7\u00e3o e do com\u00e9rcio globais, ao passo que o conjunto dos pa\u00edses de alta renda atingiam 45% (produ\u00e7\u00e3o) e 50% (exporta\u00e7\u00f5es). Assim, as demais economias do mundo ganharam espa\u00e7o relativo por meio da liberaliza\u00e7\u00e3o dos fluxos globais de fatores de produ\u00e7\u00e3o, mercadorias e servi\u00e7os, <a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/featured-insights\/innovation-and-growth\/outperformers-high-growth-emerging-economies-and-the-companies-that-propel-them\">em especial as na\u00e7\u00f5es \u201cganhadoras\u201d do Leste Asi\u00e1tico<\/a>.<\/p>\n<p>Os indicadores de produ\u00e7\u00e3o industrial e de com\u00e9rcio internacional revela que, nos anos 1970, a antiga URSS (5,3% e n.d.), a China (1,1% e 0,4%) e a \u00cdndia (0,7% e 0,4%), bem como as demais economias de seus entornos estrat\u00e9gicos, tinham poucos v\u00ednculos com a economia global. J\u00e1 na m\u00e9dia da d\u00e9cada de 2010, a China se respons\u00e1vel por \u00bc do valor adicionado na agricultura e ind\u00fastria em termos internacionais, bem passou a liderar as exporta\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os (11%). A Federa\u00e7\u00e3o Russa reemergiu dos escombros da fal\u00eancia da URSS, com uma economia menor em termos internacionais, com 2% da produ\u00e7\u00e3o industrial e do com\u00e9rcio de bens e servi\u00e7os. J\u00e1 a \u00cdndia, passou a ter, respectivamente, 2,7% e 2,1% daqueles agregados. Outros pa\u00edses tamb\u00e9m avan\u00e7aram relativamente, especialmente os do Leste Asi\u00e1tico. J\u00e1 as economias do Leste Europeu lograram se integrar estreitamente com seus parceiros europeus.<\/p>\n<p>Esses dados ilustram o desafio que se coloca para os estrategistas das \u201cdemocracias ocidentais\u201d: como desconectar seus inimigos dos fluxos globais de produ\u00e7\u00e3o e de com\u00e9rcio sem infligir danos irrepar\u00e1veis sobre as suas pr\u00f3prias sociedades e economias. Isto porque, a interpenetra\u00e7\u00e3o de capitais e de tecnologias tornou-se a base da pr\u00f3pria globaliza\u00e7\u00e3o. A guerra comercial e tecnol\u00f3gica dos EUA com respeito \u00e0 China e as san\u00e7\u00f5es atuais \u00e0 R\u00fassia podem ser vistos como ensaios para a reconstru\u00e7\u00e3o de uma economia global mais fragmentada e sujeita aos choques securit\u00e1rios e \u00e0s decis\u00f5es pol\u00edticas de vi\u00e9s nacionalista. Uma economia que em nada lembra as ilus\u00f5es liberais proclamadas nos \u00faltimos quarenta anos.<\/p>\n<p>No plano pol\u00edtico, <a href=\"https:\/\/yalebooks.yale.edu\/book\/9780300102529\/why-globalization-works#:~:text=Martin%20Wolf%20confronts%20the%20charges,the%20mechanics%20of%20world%20trade.\">a cren\u00e7a de que a ampla integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/a>\u00a0global se traduziria em maior bem-estar social <a href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/research\/publication\/waves-of-debt\">come\u00e7ou a ser questionada j\u00e1 antes da Crise Financeira Global (CFG, 2007-2009)<\/a>. O <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/external\/np\/g20\/pdf\/2018\/073018.pdf\"><em>mainstream<\/em> acad\u00eamico e oficial<\/a> passou a admitir que, em sua dimens\u00e3o financeira, a liberdade irrestrita para os capitais privados teria produzido <a href=\"https:\/\/www.bis.org\/publ\/work395.pdf\">ondas de expans\u00e3o e contra\u00e7\u00e3o<\/a> nas economias recipientes de recursos externos, com ganhos m\u00e9dios de longo prazo desprez\u00edveis. Dito de outra forma, <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/dech.12602\">a liberaliza\u00e7\u00e3o financeira externa n\u00e3o produziu crescimento econ\u00f4mico com estabilidade<\/a> nos pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento. Pelo contr\u00e1rio, gerou <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WP\/Issues\/2019\/12\/20\/Capital-Flows-at-Risk-Taming-the-Ebbs-and-Flows-48878\">mais crises<\/a> financeiras <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WP\/Issues\/2016\/12\/31\/Capital-Account-Liberalization-and-Inequality-43414\">e piora na distribui\u00e7\u00e3o de renda<\/a>.<\/p>\n<p>Mais recentemente, com o advento da pandemia e dos conflitos geopol\u00edticos envolvendo os EUA e seus rivais, particularmente China e R\u00fassia, <a href=\"https:\/\/voxeu.org\/article\/changing-views-trade-s-impact-inequality-wealthy-countries\">ganhou corpo o ceticismo em torno da liberaliza\u00e7\u00e3o comercial<\/a> e da possibilidade de <a href=\"https:\/\/www.piie.com\/blogs\/trade-investment-policy-watch\/trump-trade-war-china-date-guide\">plena liberdade para a transfer\u00eancia de tecnologias e recursos financeiros<\/a> entre as democracias ocidentais e os pa\u00edses autocr\u00e1ticos revisionistas. Questiona-se se ainda \u00e9 conveniente, em nome de supostos ganhos de efici\u00eancia econ\u00f4mica, abrir m\u00e3o da seguran\u00e7a energ\u00e9tica, alimentar, sanit\u00e1ria, tecnol\u00f3gica e assim por dia. <a href=\"https:\/\/blogs.lse.ac.uk\/europpblog\/2021\/09\/01\/what-economic-nationalism-is-and-what-it-is-not\/\">As diversas formas de nacionalismo econ\u00f4mico<\/a> e de protecionismo voltaram \u00e0 ordem do dia.<\/p>\n<p>A primeira guerra europeia do s\u00e9culo XXI trouxe de volta a este palco regional a dura realidade da guerra, a qual faz parte do cotidiano de milh\u00f5es de pessoas em regi\u00f5es perif\u00e9ricas conflagradas \u2013 n\u00e3o raramente, devido aos avan\u00e7os das grandes pot\u00eancias ocidentais sobre suas respectivas soberanias nacionais. Somente a \u201cguerra global contra o terror\u201d levada a cabo pelos EUA, a partir de outubro de 2001, gerou o seguinte custo humano, de acordo com levantamento da <a href=\"https:\/\/watson.brown.edu\/costsofwar\/costs\/human\">Brown University<\/a>: 929 mil mortos pela viol\u00eancia direta da guerra e 38 milh\u00f5es de pessoas que perderam as suas casas, no maior deslocamento humano gerado por conflitos desde a II Guerra Mundial<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A despeito da f\u00faria devastadora da m\u00e1quina de guerra estadunidense, os especialistas ocidentais seguiram repetindo o mantra de que a globaliza\u00e7\u00e3o traria <a href=\"https:\/\/www.mtholyoke.edu\/acad\/intrel\/kant\/kant1.htm\">a paz perp\u00e9tua prometida por Kant<\/a>. Em 2004, <a href=\"https:\/\/www.independent.org\/publications\/tir\/article.asp?id=457\">o soci\u00f3logo Erich Weede<\/a>, professor em\u00e9rito da Universidade de Bonn, afirmava que \u201c&#8230; os cr\u00edticos da globaliza\u00e7\u00e3o se esquecem que o livre com\u00e9rcio estimula a prosperidade e &#8230; evita guerras\u201d. A <a href=\"https:\/\/www.parisschoolofeconomics.eu\/docs\/koenig-pamina\/martinmayerthoenig.pdf\">literatura econ\u00f4mica<\/a> convencional e os <a href=\"https:\/\/www.cato.org\/research-briefs-economic-policy\/does-trade-integration-contribute-peace\">divulgadores da ideologia libert\u00e1ria<\/a> n\u00e3o se cansaram de refor\u00e7ar tal conceito, o qual fora particularmente popular nas elites financeiras e pol\u00edticas antes da Primeira Guerra Mundial, conforme nos mostra o magistral livro do historiador <a href=\"https:\/\/www.goodreads.com\/book\/show\/31450689-the-locomotive-of-war\">Peter Clarke (The Locomotive of War)<\/a>.<\/p>\n<p>As cenas de destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica das cidades ucranianas e a fuga em massa de seus habitantes potencializam, na Europa, o temor de que o conflito em curso se alastre para outros pa\u00edses ou envolva o uso de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. <a href=\"https:\/\/www.vox.com\/22951004\/nuclear-weapons-russia-ukraine-war-putin\">A amea\u00e7a nuclear voltou<\/a><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> a ter visibilidade no centro do tabuleiro pol\u00edtico global, <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/e12976cf-59be-414e-b90f-56875df79753\">uma realidade que parecia ter ficado no passado<\/a>. Pelo menos para quem comprava a valor de face as requentadas promessas liberais de que a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica reduziria as chances de que guerras sist\u00eamicas voltassem a ocorrer. A chegada da Paz Perp\u00e9tua foi anunciada tantas vezes pelos intelectuais e pol\u00edticos liberais ocidentais, especialmente depois da queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, assim, do \u201cfim da hist\u00f3ria\u201d, quanto bombas foram lan\u00e7adas em pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e outras regi\u00f5es perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>No turbulento s\u00e9culo XXI, a acelera\u00e7\u00e3o no crescimento da renda, em seus primeiros anos, sob os ausp\u00edcios da interdepend\u00eancia complexa entre EUA e China, foi logo interrompida pela CFG. Esta, por sua vez, lan\u00e7ou os pa\u00edses avan\u00e7ados em uma d\u00e9cada de estagna\u00e7\u00e3o, com desemprego elevado, d\u00edvidas (p\u00fablica e privadas) em alta, deteriora\u00e7\u00e3o das rendas do trabalho e piora significativa na distribui\u00e7\u00e3o da riqueza socialmente produzida. Quando o pior parecia ter ficado para tr\u00e1s, a pandemia da Covid-19 criou um ambiente social prop\u00edcio para produzir a segunda contra\u00e7\u00e3o do produto interno bruto global em menos de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o global de 2020 foi uma das mais intensas da hist\u00f3ria e aquela que, <a href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/news\/press-release\/2020\/06\/08\/covid-19-to-plunge-global-economy-into-worst-recession-since-world-war-ii\">de acordo com estimativas do Banco Mundial<\/a>, envolveu o maior n\u00famero de pa\u00edses simultaneamente. Para conter os seus efeitos econ\u00f4micos e sociais, os governos centrais, particularmente nos pa\u00edses de alta renda, adotaram pol\u00edticas fiscais e credit\u00edcias as mais robustas j\u00e1 realizadas em tempos de paz. De acordo com os levantamentos do <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Topics\/imf-and-covid19\/Fiscal-Policies-Database-in-Response-to-COVID-19\">Fundo Monet\u00e1rio Internacional<\/a>, nas economias avan\u00e7adas os gastos p\u00fablicos adicionais foram da ordem de 12% das respectivas rendas, em m\u00e9dia, ao passo que os est\u00edmulos credit\u00edcios atingiram 11% dos produtos. Nas economias emergentes, tais apoios foram de, respectivamente, 6% e 4%; e nos pa\u00edses em desenvolvimento de baixa renda de 3% e 1%. S\u00e3o valores expressivos e que equivalem a mais do que <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WEO\/Issues\/2018\/09\/24\/world-economic-outlook-october-2018\">o dobro dos est\u00edmulos necess\u00e1rios para enfrentar a CFG<\/a>.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida p\u00fablica\/PIB elevou-se significativamente no per\u00edodo em tela: de 33%, em m\u00e9dia, no ano de 2007, para 56%, em 2020, nas economias emergentes e em desenvolvimento; e de 82% para 135% nas economias avan\u00e7adas. Em tempos de crise, a m\u00e3o vis\u00edvel dos Estados interveio para minimizar os efeitos mais delet\u00e9rios das crises. \u00c9 importante lembrar, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/biden-e-a-rebeliao-das-elites\/\">conforme enfatizamos aqui<\/a>, que parcela expressiva desta atua\u00e7\u00e3o estatal se deu para proteger a renda e o patrim\u00f4nio dos mais ricos, o que implicou em agudiza\u00e7\u00e3o dos problemas distributivos. A globaliza\u00e7\u00e3o jamais entregou maior crescimento da renda e da produtividade, conforme prometeram os arautos da Escola de Chicago. Em artigos publicados no Sul 21 e <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/category\/analise\/\">no portal da FCE-UFRGS<\/a><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, indicamos que a ilus\u00e3o do progresso sob a hegemonia neoliberal j\u00e1 n\u00e3o resiste ao escrut\u00ednio criterioso das evid\u00eancias emp\u00edricas.<\/p>\n<p>A nova guerra, se vier a se prolongar e se alastrar para al\u00e9m do palco original na Ucr\u00e2nia, perspectivas que n\u00e3o podem ser descartadas a priori, colocar\u00e3o mais press\u00e3o sobre os or\u00e7amentos p\u00fablicos e privados. A infla\u00e7\u00e3o em alta e a inevit\u00e1vel perda de poder aquisitivo dos cidad\u00e3os m\u00e9dios dos pa\u00edses de alta renda, bem como o aumento da pobreza e da mis\u00e9ria ao redor do mundo, se tornar\u00e3o parte no novo normal de inseguran\u00e7a global. Quem seguir se orientando pelos mantras libert\u00e1rios e n\u00e3o considerar a import\u00e2ncia de garantir a seguran\u00e7a energ\u00e9tica, alimentar e tecnol\u00f3gica, bem como preservar ativos estrat\u00e9gicos (recursos naturais, humanos e empresariais) dever\u00e1 se confrontar com uma realidade cada vez mais adversa. No limite, os tambores da guerra amea\u00e7ar\u00e3o n\u00e3o somente as economias locais e global, mas, tamb\u00e9m, a pr\u00f3pria capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o normal da vida humana em muitas sociedades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201cIn recent years, Washington\u2019s China policies have expanded rapidly into technology sectors such as telecommunications, semiconductors, data security, and financial services. Growing bipartisan concern about Beijing\u2019s actions and intentions have fueled these developments, with little difference between the Trump and Biden administrations or between the White House and Congress. The result has been a flurry of new restrictions\u2014including on exports, imports, direct investment, and financial securities\u2014that are fundamentally reshaping the U.S.-China economic relationship. Cross-border business travel between the United States and China, essentially halted for the past two years due to the COVID-19 pandemic, is unlikely to fully rebound because of increased caution and suspicion on both sides of the Pacific. At the same time as this more defensive approach to economic and technology competition with China has taken root, Congress has also gone on the offensive by moving to appropriate new funding to areas deemed critical to maintaining U.S. competitive advantages in technology, manufacturing, and defense. The current depth and breadth of these approaches were hard to imagine just a few years ago. The corporate sector, besides facing increased government action with respect to doing business with China, must also contend with shifting public opinion and increased investor scrutiny\u2014for example, on human rights issues along companies\u2019 supply lines in China. Looking ahead, 2022 promises a continuation of these trends, which will have far-reaching impacts across multiple business sectors.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> O \u201c<a href=\"https:\/\/www.cfr.org\/global-conflict-tracker\/?category=us\">Global Conflict Tracker<\/a>\u201d, desenvolvido pelo influente <em>think thank<\/em> estadunidense, Council on Foreign Relations, registra que, atualmente, h\u00e1 vinte e sete conflitos locais ou guerras. Max Roser e seus colegas (<a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/war-and-peace\">Our World in Data \u2013 War and Peace<\/a>) apresentam evid\u00eancias emp\u00edricas que sugerem um decl\u00ednio nos conflitos violentos, guerras entre estados nacionais e mortes decorrentes dos anteriores ao longo das \u00faltimas sete d\u00e9cadas. J\u00e1 o PRIO (<a href=\"https:\/\/www.prio.org\/data\">Peace Research Institute Oslo<\/a>) oferece 31 bases de dados alternativas que permitem mapear v\u00e1rias formas de conflitos e de guerras.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cAt least 929,000 people have been killed by direct war violence in Iraq, Afghanistan, Syria, Yemen, and Pakistan. The number of people who have been wounded or have fallen ill as a result of the conflicts is far higher, as is the number of civilians who have died indirectly as a result of the destruction of hospitals and infrastructure and environmental contamination, among other war-related problems\u2026. Far more of the people killed have been civilians. More than 387,000 civilians have been killed in the fighting since 2001.Millions of people living in the war zones have also been displaced by war. The U.S. post-9\/11 wars have forcibly displaced at least 38 million people in and from Afghanistan, Iraq, Pakistan, Yemen, Somalia, the Philippines, Libya, and Syria. This number exceeds the total displaced by every war since 1900, except World War II.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Em mat\u00e9ria da Financial Times intitulada \u201c<a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/e12976cf-59be-414e-b90f-56875df79753\">West takes Putin\u2019s nuclear weapons threat seriously<\/a>\u201d, l\u00ea-se que: \u201c\u2018There\u2019s a real possibility Putin could turn to nuclear weapons if he continues to experience military setbacks and sees the diplomatic and political situation crumbling,\u2019 said Caitlin Talmadge, a nuclear policy expert at Georgetown University\u2026.. \u2018While this might be an attempt to deter the west from imposing new, harsh sanctions on the country\u2019s financial sector or supplying weapons to Ukraine, the move escalates tensions between Russia and the west to an unprecedented level,\u2019 said Andrius Tursa, eastern Europe expert at political risk consultancy Teneo.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver, principalmente: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/o-g7-e-a-tributacao-das-grandes-empresas\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/o-g7-e-a-tributacao-das-grandes-empresas\/<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/os-ricos-e-os-impostos\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/os-ricos-e-os-impostos\/<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/biden-os-ricos-e-os-riscos\/\">https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/biden-os-ricos-e-os-riscos\/<\/a>; https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/a-recessao-democratica\/.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[445],"class_list":["post-25967","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25967\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}