{"id":28715,"date":"2022-10-21T17:06:33","date_gmt":"2022-10-21T20:06:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=28715"},"modified":"2022-10-21T17:15:13","modified_gmt":"2022-10-21T20:15:13","slug":"ameacas-a-seguranca-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/ameacas-a-seguranca-global\/","title":{"rendered":"Amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a global?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A seguran\u00e7a nacional e a inseguran\u00e7a global<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o Joe Biden acaba de lan\u00e7ar o documento \u201c<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a>\u201d, que tem por objetivo orientar as a\u00e7\u00f5es governamentais em torno de temas que afetam a seguran\u00e7a dos Estados Unidos. Particular aten\u00e7\u00e3o foi dada ao que se denomina de \u201ccompeti\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para moldar o futuro da ordem internacional\u201d. No seu pref\u00e1cio, Biden reafirmou o compromisso em defender \u201cos valores estadunidenses\u201d e liderar o \u201cmundo livre\u201d: \u201c\u2026 the United States will lead with our values, and we will work in lockstep with our allies and partners and with all those who share our interests. We will not leave our future vulnerable to the whims of those who do not share our vision for a world that is free, open, prosperous, and secure. As the world continues to navigate the lingering impacts of the pandemic and global economic uncertainty, there is no nation better positioned to lead with strength and purpose than the United States of America.\u201d<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o vislumbrada pelos estrategistas estadunidenses envolve, em ess\u00eancia, o enfrentamento das assim-chamadas <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/dictionary\/autocracy\">autocracias<\/a>, dentre as quais s\u00e3o destacadas a R\u00fassia e, principalmente, a China. Estes pa\u00edses teriam se aproveitado do ambiente da globaliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-Guerra Fria para ampliar seus espa\u00e7os de poder. Atra\u00edram capitais e tecnologias das na\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, utilizaram-se de seus mercados consumidores para alavancar e fortalecer suas capacidades produtivas e empresariais, beneficiaram-se dos seus sistemas de ensino e pesquisa para formar recursos humanos de alta qualidade e avan\u00e7ar na fronteira tecnol\u00f3gica, usufru\u00edram do dinamismo dos seus mercados financeiros e das institui\u00e7\u00f5es que lhes d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o. Por decorr\u00eancia, assumiram um protagonismo que lhes permite contestar a ordem estabelecida.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a nacional de Biden se estrutura na premissa de que a era de de inclus\u00e3o das autocracias no sistema internacional dentro dos par\u00e2metros do \u201c<a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/liberal-internationalism\">internacionalismo liberal<\/a>\u201d est\u00e1 encerrada. Agora, trata-se de (i) conter tais pa\u00edses para que os mesmos n\u00e3o definiam o futuro das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas e (ii) buscar algumas bases comuns para o enfrentamento de desafios que s\u00e3o transnacionais por defini\u00e7\u00e3o, tais como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, as pandemias, as crises financeiras e press\u00f5es inflacion\u00e1rias, o terrorismo, a seguran\u00e7a alimentar, energ\u00e9tica e digital, para citar alguns. Trata-se, portanto, de em um ambiente potencialmente muito mais marcado por conflitos, nacionalismos exacerbados e disputas pela hegemonia global<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> do que por espa\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na perspectiva dos Estados Unidos, as autocracias amea\u00e7am a paz e a estabilidade no mundo. Tais pa\u00edses transformam suas amplas conex\u00f5es na economia mundial como arma pol\u00edtica. Quanto maior a sua influ\u00eancia sobre os fluxos de produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio, maior a capacidade de contestar a \u201cordem global\u201d. <em>In verbis<\/em>: \u201cThe most pressing strategic challenge facing our vision is from powers that layer authoritarian governance with a revisionist foreign policy. It is their behavior that poses a challenge to international peace and stability\u2014especially waging or preparing for wars of aggression, actively undermining the democratic political processes of other countries, leveraging technology and supply chains for coercion and repression, and exporting an illiberal model of international order.\u201d (<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022, p. 8).<\/p>\n<p>Ao se contrastar evid\u00eancias emp\u00edricas sobre o envolvimento das grandes pot\u00eancias em conflitos e guerras fora de suas fronteiras, torna-se virtualmente imposs\u00edvel concorrer com a m\u00e1quina militar estadunidense. O Relat\u00f3rio \u201c<a href=\"https:\/\/sgp.fas.org\/crs\/natsec\/R42738.pdf\">Instances of Use of United States Armed Forces Abroad, 1798-2022<\/a>\u201d, produzido pelo Departamento de Pesquisa do Congresso Nacional dos EUA, mostra que este pa\u00edses utilizou suas For\u00e7as Armadas no Exterior em todos os anos que se seguiram \u00e0 queda do muro de Berlim e do desmonte da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Entre 1991 e 2022, foram centenas de a\u00e7\u00f5es realizadas em dezenas de pa\u00edses. Igualmente, \u00e9 amplo o uso de <a href=\"https:\/\/www.atlanticcouncil.org\/programs\/geoeconomics-center\/economic-statecraft-initiative\/#tools\">instrumentos econ\u00f4micos e financeiros<\/a> por parte dos <a href=\"https:\/\/www.state.gov\/subjects\/economic-statecraft\/\">sucessivos governos estadunidenses<\/a> para <a href=\"https:\/\/www.foreign.senate.gov\/hearings\/us-national-security-and-economic-statecraft-ensuring-us-global-leadership-for-the-twenty-first-century\">constranger rivais e aliados<\/a><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 simples <a href=\"https:\/\/guides.ucf.edu\/war\/wardata\">estimar os impactos de conflitos e guerras<\/a>. <a href=\"https:\/\/guides.ucf.edu\/war\/wardata#s-lg-box-wrapper-1778681\">As bases de dados internacionais<\/a> sobre o tema carecem de padroniza\u00e7\u00e3o em termos de conceitos-chave, metodologias de mensura\u00e7\u00e3o, cobertura temporal e espacial, dentre outros aspectos. Ademais, as dificuldades em levantar informa\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias s\u00e3o muito maiores do que as j\u00e1 experimentadas no computo das estat\u00edsticas socioecon\u00f4micas usuais, conforme sugere a literatura reportada em <a href=\"https:\/\/openknowledge.worldbank.org\/handle\/10986\/27698\">estudo do Banco Mundial<\/a>.<\/p>\n<p>Um exemplo ajuda a esclarecer o ponto: ao se estimar o n\u00famero de mortos envolvidos em um conflito ou guerra, parte-se da defini\u00e7\u00e3o do seu escopo e dos envolvidos. Na sequ\u00eancia, h\u00e1 que se considerar se os mortos em quest\u00e3o s\u00e3o os diretamente registrados nos campos de batalha; se estes e as v\u00edtimas civis; e, quando estas s\u00e3o consideradas, se \u00e9 pertinente incluir os efeitos que se seguem aos momentos expl\u00edcitos de conflito, vale dizer, mortes registradas como originadas em doen\u00e7as transmiss\u00edveis ou n\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o na normalidade do acesso \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, saneamento, moradia etc. E, ainda neste caso das mortes secund\u00e1rias, por qual per\u00edodo de tempo ap\u00f3s o t\u00e9rmino \u201coficial\u201d de um conflito se poderia computar mortes derivadas do mesmo. Para tornar o quadro ainda mais complexo, a pr\u00f3pria guerra destr\u00f3i as fontes de informa\u00e7\u00e3o pass\u00edveis de consulta, como os diversos registros estat\u00edsticos formais.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m das mortes, h\u00e1 o desafio de estimar <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0264999322002267\">efeitos sociais e econ\u00f4micos<\/a> como a perda do potencial de gera\u00e7\u00e3o de renda, comprometimento das condi\u00e7\u00f5es gerais da vida e da infraestrutura, dentro outros aspectos. N\u00e3o \u00e0 toa, as estimativas sobre mortes e efeitos das guerras s\u00e3o distintas e com importante vari\u00e2ncia nos resultados emp\u00edricos. Isto posto, o quadro abaixo re\u00fane indicadores selecionados de desenvolvimento humano e de seguran\u00e7a nos pa\u00edses em tela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Indicadores selecionados \u2013 desenvolvimento humano e seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<table width=\"576\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"415\"><\/td>\n<td width=\"57\"><strong>China<\/strong><\/td>\n<td width=\"57\"><strong>R\u00fassia<\/strong><\/td>\n<td width=\"47\"><strong>EUA<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Homic\u00eddios Intencionais por 100 mil habitantes (m\u00e9dia 2011-2020), <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/VC.IHR.PSRC.P5\">World Bank<\/a><\/td>\n<td width=\"57\">0,7<\/td>\n<td width=\"57\">9,9<\/td>\n<td width=\"47\">5,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Mortes por 1.000 habitantes, todas as causas (m\u00e9dia 2011-2020), <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/SP.DYN.CDRT.IN\">World Bank<\/a>.<\/td>\n<td width=\"57\">7,0<\/td>\n<td width=\"57\">13,1<\/td>\n<td width=\"47\">8,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Pessoas presas por 100 mil habitantes, 2018 &#8211; <a href=\"https:\/\/ourworldindata.org\/grapher\/prison-population-rate\">Our World in Data<\/a><\/td>\n<td width=\"57\">405<\/td>\n<td width=\"57\">118<\/td>\n<td width=\"47\">665<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Expectativa de Vida ao Nascer em 2021, <a href=\"https:\/\/hdr.undp.org\/data-center\">UNDP<\/a> (anos)<\/td>\n<td width=\"57\">78,2<\/td>\n<td width=\"57\">69,4<\/td>\n<td width=\"47\">77,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Expectativa de Vida Saud\u00e1vel aos 60 anos em 2019, <a href=\"https:\/\/www.who.int\/data\/gho\/data\/indicators\/indicator-details\/GHO\/gho-ghe-hale-healthy-life-expectancy-at-age-60\">WHO<\/a> (anos)<\/td>\n<td width=\"57\">15,9<\/td>\n<td width=\"57\">15,0<\/td>\n<td width=\"47\">16,4<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Participa\u00e7\u00e3o dos 1% mais Ricos na Renda em 2021, <a href=\"https:\/\/hdr.undp.org\/data-center\">UNDP<\/a> (%)<\/td>\n<td width=\"57\">14,0<\/td>\n<td width=\"57\">21,0<\/td>\n<td width=\"47\">19,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Taxa de Pobreza, m\u00e9tricas oficiais nacionais \u2013 2020\/2021 (% da popula\u00e7\u00e3o), World Bank e <a href=\"https:\/\/www.census.gov\/library\/publications\/2022\/demo\/p60-277.html#:~:text=The%20official%20poverty%20rate%20in,37.9%20million%20people%20in%20poverty.\">US Census<\/a>.<\/td>\n<td width=\"57\">5,4<\/td>\n<td width=\"57\">12,2<\/td>\n<td width=\"47\">11,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Conflitos Armados &#8211; <a href=\"https:\/\/ucdp.uu.se\/downloads\/replication_data.html\">UCDP Database<\/a>, 1946-2021 (eventos\/ano)<\/td>\n<td width=\"57\">32<\/td>\n<td width=\"57\">59<\/td>\n<td width=\"47\">47<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Mortes em Conflitos Armados &#8211; <a href=\"https:\/\/ucdp.uu.se\/downloads\/replication_data.html\">UCDP Database<\/a>, 1946-2021 (mil pessoas &#8211; melhor estimativa)<\/td>\n<td width=\"57\">61<\/td>\n<td width=\"57\">31.385<\/td>\n<td width=\"47\">105.884<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Gastos Militares 2011-2021, <a href=\"https:\/\/milex.sipri.org\/sipri\">SIPRI Database<\/a> &#8211; m\u00e9dia (% do PIB)<\/td>\n<td width=\"57\">1,7<\/td>\n<td width=\"57\">4,1<\/td>\n<td width=\"47\">3,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"415\">Gastos Militares por Habitante em 2021, <a href=\"https:\/\/milex.sipri.org\/sipri\">SIPRI Database<\/a> (US$)<\/td>\n<td width=\"57\">203<\/td>\n<td width=\"57\">452<\/td>\n<td width=\"47\">2.405<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es reportadas indicam que:<\/p>\n<ul>\n<li>O n\u00famero de homic\u00eddios intencionais por 100 mil habitantes nos EUA (5,1) equivale ao dobro da m\u00e9dia observada nos pa\u00edses de alta renda (2,6); a China (0,7) est\u00e1 a abaixo e a R\u00fassia (9,9) est\u00e1 acima da m\u00e9dia dos pa\u00edses de renda m\u00e9dia alta (6,8). As taxas mortalidade em geral na R\u00fassia e nos EUA s\u00e3o maiores do que a m\u00e9dia global (7,6), sendo que a China est\u00e1 abaixo deste par\u00e2metro.<\/li>\n<li>Os EUA lideram o ranking global de encarceramento, com 665 presos para cada 100 mil habitantes, o que equivale ao qu\u00e1druplo da m\u00e9dia global (173). A R\u00fassia (118) est\u00e1 abaixo deste par\u00e2metro, ao passo que a China (405) est\u00e1 acima.<\/li>\n<li>A China (78,2 anos) apresenta a maior expectativa de vida as nascer dos pa\u00edses destacados; sendo que tanto a R\u00fassia (69,4 anos), quando os EUA (77,2 anos) apresentam indicadores abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses de alto desenvolvimento humano (78,7 anos). J\u00e1 para quem atinge 60 anos de idade, a expectativa de vida saud\u00e1vel \u00e9 muito pr\u00f3xima nos tr\u00eas pa\u00edses.<\/li>\n<li>Os tr\u00eas pa\u00edses s\u00e3o extremamente desiguais, por\u00e9m a China possui um indicador de participa\u00e7\u00e3o dos 1% mais ricos na renda que est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses de desenvolvimento humano alto e muito alto (15,5%), o seu estrato; ao passo que os indicadores dos EUA e da R\u00fassia est\u00e3o acima. A pobreza \u00e9 maior nos EUA e na R\u00fassia do que na China.<\/li>\n<li>Em termos de mortos e n\u00famero de envolvimentos em conflitos e guerras, os EUA t\u00eam um impacto mais elevado sobre a paz global do que a China e R\u00fassia. Ademais, os gastos militares dos EUA s\u00e3o os maiores do mundo em valores absolutos e bastante superiores aos realizados por seus rivais autocratas em termos <em>per capita<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo amplo e minucioso de determinados conflitos parece ser um caminho promissor para que se possa avaliar melhor os seus impactos, mesmo que os mesmos sejam n\u00e3o necessariamente compar\u00e1veis entre si. Neste sentido, o <a href=\"https:\/\/watson.brown.edu\/costsofwar\/figures\">The Watson Institute for International and Public Affairs Institute, da Brown University<\/a>, estimou os custos da \u201cGuerra contra o Terror\u201d promovida pelos EUA entre 2001 e 2021. No plano econ\u00f4mico foram <a href=\"https:\/\/watson.brown.edu\/costsofwar\/figures\/2021\/WarDeathToll\">US$ 8 trilh\u00f5es em despesas<\/a> or\u00e7ament\u00e1rias j\u00e1 realizadas e custos previstos para atendimento de veteranos. Em termos humanit\u00e1rios foram <a href=\"https:\/\/watson.brown.edu\/costsofwar\/figures\/2021\/WarDeathToll\">929 mil pessoas diretamente mortas<\/a> no Afeganist\u00e3o, Paquist\u00e3o, Iraque, S\u00edria, I\u00eamen e \u00e1reas pr\u00f3ximas a tais pa\u00edses, al\u00e9m de <a href=\"https:\/\/watson.brown.edu\/costsofwar\/files\/cow\/imce\/papers\/2020\/Displacement_Vine%20et%20al_Costs%20of%20War%202020%2009%2008.pdf\">38 milh\u00f5es de refugiados<\/a> deslocados de suas moradias. Por fim, somente entre os anos de 2018 e 2020, os EUA realizaram <a href=\"https:\/\/watson.brown.edu\/costsofwar\/papers\/2021\/USCounterterrorismOperations\">opera\u00e7\u00f5es de \u201ccontraterrorismo\u201d em 85 pa\u00edses<\/a>.<\/p>\n<p>Para o caso da R\u00fassia, <a href=\"https:\/\/gordonhahn.com\/about\/\">Gordon M. Hahn<\/a>, pesquisador s\u00eanior do <a href=\"https:\/\/cetisinstitute.org\/\">Center for Terrorism and Intelligence Studies (CETIS)<\/a> e autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Russian-Dilemma-Security-Vigilance-Relations\/dp\/1476681872\">The Russian Dilemma: Security, Vigilance, and Relations with the West from Ivan III to Putin<\/a>\u201d, estima que quase 200 mil pessoas morreram um virtude das guerras e conflitos promovidos por aquele pa\u00eds desde os anos 1990. A R\u00fassia p\u00f3s-sovi\u00e9tica, especialmente sob o comando de Putin, tem, de fato, utilizado suas capacidades estatais e militares para garantir seus interesses. Foram mais de quarenta epis\u00f3dios de a\u00e7\u00e3o militar ou de apoio a movimentos locais de insurg\u00eancia, envolvendo, inclusive, a incorpora\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios de na\u00e7\u00f5es soberanas, como no caso recente da guerra na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Putin n\u00e3o mede esfor\u00e7os para em corrigir o que ele denominou, em 2005, de \u201ca maior cat\u00e1strofe geopol\u00edtica do s\u00e9culo\u201d, vale dizer, o colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica com a decorrente a perda de influ\u00eancia da R\u00fassia em seu entorno geogr\u00e1fico e estrat\u00e9gico. Ainda assim, a R\u00fassia n\u00e3o \u00e9 p\u00e1reo para a m\u00e1quina de guerra estadunidense. Para cada pessoa morta pela a\u00e7\u00e3o russa h\u00e1 pelo menos cinco mortos pelas for\u00e7as armadas estadunidenses. Neste sentido, n\u00e3o parece haver d\u00favidas que em termos de promo\u00e7\u00e3o de guerras e mortes, a na\u00e7\u00e3o que se coloca como a defensora da democracia e dos direitos humanos no mundo \u00e9 muito mais eficiente do que as autocracias que contestam o <em>status quo<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Democracias, autocracias e o mais do mesmo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na confronta\u00e7\u00e3o entre o uso das capacidades militares e econ\u00f4micas sobre rivais e aliados, o caso da China ganha um destaque positivo, na medida em que se revela o menos intrusivo e perturbador da paz global, o que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o aos argumentos de seus l\u00edderes. Em uma reuni\u00e3o recente na Asia Society, em Nova Iorque, o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da China e membro do Conselho de Estado, lembrou que: \u201cFor 70-plus years since the founding of the People\u2019s Republic, China has\u2002never provoked a\u2002conflict, occupied\u2002one inch of foreign soil, started a proxy war, or joined any military bloc. China\u2002has the best peace record among the world\u2019s major countries. The CPC, China\u2019s governing party, has incorporated peaceful development into\u2002its\u2002constitution, and China is the only major country that has codified peaceful development in the\u2002Constitution. China is committed to not seeking hegemony, expansion, coercion or sphere\u2002of influence, and it wants to live in peace with all other countries. This is undoubtedly a big\u2002contribution to global strategic stability.\u201d (\u201c<a href=\"https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/eng\/zxxx_662805\/202209\/t20220923_10770469.html\">The Right Way for China and the United States to Get Along in the New Era<\/a>\u201d, PRC Foreign Minister Wang Yi, September, 2022).<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impede que Biden e o <em>establishment<\/em> do seu pa\u00eds coloquem a China no topo da lista das amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a nacional e global, o que est\u00e1 novamente claro no <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022. Por isso mesmo, procede a observa\u00e7\u00e3o de Wang Yi: \u201cHow can a new Cold War be prevented,\u2002when the U.S.\u2002has, identifying\u2002China as the primary rival and the most serious long-term challenge, engaged in\u2002all-round containment, sought to encircle China by shaping the strategic environment around it, pressed other\u2002countries to pick sides and formed\u2002various\u2002small circles that exclude China?\u201d. N\u00e3o se pode descartar <em>a priori<\/em> a argumenta\u00e7\u00e3o chinesa de que a origem dos conflitos e da instabilidade global est\u00e1 nos EUA. Conforme analisou Graham Allison em seu \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Destined-War-America-Escape-Thucydidess\/dp\/0544935276\">Destined for War<\/a>\u201d \u00e9 o medo de perder a hegemonia que pode produzir conflitos e n\u00e3o as amea\u00e7as concretas colocadas por um rival em potencial.<\/p>\n<p>\u00c9 nestes marcos que se deve analisar o novo <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a>. Com base nele, Biden afirma que os EUA possuem uma posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica muito superior \u00e0 dos seus rivais exatamente por ser uma democracia: \u201cThese competitors mistakenly believe democracy is weaker than autocracy because they fail to understand that a nation\u2019s power springs from its people. The United States is strong abroad because we are strong at home. Our economy is dynamic. Our people are resilient and creative. Our military remains unmatched\u2014and we will keep it that way. And it is our democracy that enables us to continually reimagine ourselves and renew our strength.\u201d<\/p>\n<p>O presidente dos EUA e os analistas que produziram o <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022 est\u00e3o muito bem respaldados por evid\u00eancias robustas quanto ao dinamismo econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico do pa\u00eds, bem como \u00e0 sua capacidade de projetar poder militarmente. Os Estados Unidos seguem como <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/NY.GDP.MKTP.CD\">a maior economia do mundo em termos de renda corrente<\/a>, e lidera ou est\u00e1 muito bem posicionada em termos de <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/GB.XPD.RSDV.GD.ZS\">gastos com pesquisa e desenvolvimento<\/a>, <a href=\"https:\/\/tradingeconomics.com\/united-states\/competitiveness-rank\">capacidades competitivas diversas<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.bis.org\/publ\/bisbull14.htm\">profundidade dos mercados financeiros<\/a>, dentre outros aspectos. Suas For\u00e7as Armadas podem atuar em todo o globo e conta com <a href=\"https:\/\/www.globalfirepower.com\/country-military-strength-detail.php?country_id=united-states-of-america\">os recursos mais modernos dispon\u00edveis<\/a>.<\/p>\n<p>A narrativa oficial estadunidense n\u00e3o se revela t\u00e3o robusta quando se analisa a posi\u00e7\u00e3o de sua sociedade e democracia de forma ampla e comparativa. O desempenho dos EUA em termos de indicadores sociais espec\u00edficos (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, pobreza monet\u00e1ria e multidimensional, desigualdade etc.) e agregados, como o \u00edndice de desenvolvimento humano (21\u00ba no ranking global), n\u00e3o impressiona ou sinaliza que o pa\u00eds \u00e9 um farol global para quem busca garantir a plenitude dos direitos humanos. Discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e desigualdade s\u00e3o marcas t\u00e3o fortes e estruturais, quanto o dinamismo de suas empresas e institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa.<\/p>\n<p>O pa\u00eds presidido por Joe Biden n\u00e3o lidera as mais influentes bases de indicadores sobre a qualidade da democracia ou a amplitude das liberdades civis. A an\u00e1lise baseada no \u201c<a href=\"https:\/\/www.eiu.com\/n\/campaigns\/democracy-index-2021\/?utm_source=google&amp;utm_medium=cpc&amp;utm_campaign=democracy-index-2021&amp;gclid=Cj0KCQjwnbmaBhD-ARIsAGTPcfV5LvRJ05nxL5EI7yeRPthNcS5q0U7yY43eXgQGzT-EPvc441BF3w8aAnAAEALw_wcB\">Democracy Index<\/a>\u201d, da Economist Intelligence Unit, sugere que os Estados Unidos s\u00e3o uma \u201cdemocracia imperfeita\u201d, que ocupa a 26\u00aa posi\u00e7\u00e3o no seu ranking. No \u00faltimo relat\u00f3rio da Freedom House, os pa\u00edses com maior pontua\u00e7\u00e3o em termo de liberdades democr\u00e1ticas foram Finl\u00e2ndia, Noruega e Su\u00e9cia. Os EUA emergem em uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, sendo ultrapassado por mais de cinquenta. Para os analistas respons\u00e1veis por este estudo, os EUA \u201c&#8230; has fallen below its traditional peers on key democratic indicators, including executive elections, freedom from improper political influence, and equal treatment of minority groups.\u201d (<a href=\"https:\/\/freedomhouse.org\/sites\/default\/files\/2022-02\/FIW_2022_PDF_Booklet_Digital_Final_Web.pdf\">Freedom in the World 2022<\/a>, p. 9). O \u201c<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022\u201d admite alguns do problemas antes mencionados e registra que os Estados Unidos vivem um momento de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ainda assim, afirma que tal realidade \u00e9 uma express\u00e3o da for\u00e7a de sua voca\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A perspectiva estadunidense se baseia na dicotomia da luta entre o bem e o mal, democracias e autocracias. A paz interna s\u00f3 ser\u00e1 plena se o inimigo externo for contigo e, preferencialmente, derrotado. Entretanto, \u00e9 grande a dist\u00e2ncia entre a ret\u00f3rica do internacionalismo liberal estadunidense e a pr\u00e1tica de viol\u00eancia, interna e externa, praticada por seu Estado Nacional e elite econ\u00f4mica<a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/These-Truths-Jill-Lepore-audiobook\/dp\/B07FDL9QV9\/ref=sr_1_1?crid=3LWE9AKTVB9D7&amp;keywords=these+truths+book&amp;qid=1666209724&amp;qu=eyJxc2MiOiIxLjA5IiwicXNhIjoiMC45NyIsInFzcCI6IjEuMTUifQ%3D%3D&amp;sprefix=these+tr%2Caps%2C344&amp;sr=8-1\">. A an\u00e1lise da hist\u00f3ria<\/a> e das <a href=\"https:\/\/us.macmillan.com\/books\/9780374172145\">evid\u00eancias contempor\u00e2neas<\/a> nos permite sugerir que, em v\u00e1rios aspectos importantes para a preserva\u00e7\u00e3o da dignidade humana, os resultados obtidos pela democracia estadunidense n\u00e3o s\u00e3o significativamente distintos do que os alcan\u00e7ados por autocracias que n\u00e3o aceitam a sua hegemonia.<\/p>\n<p>Enquanto o <a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022 atualiza os des\u00edgnios da \u201c<a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/event\/Big-Stick-policy\">diplomacia do porrete<\/a>\u201d, as massas n\u00e3o propriet\u00e1rias seguem \u00e0 merc\u00ea das crises pol\u00edticas, econ\u00f4micas, securit\u00e1rias e ambientais engendradas nas disputas pelo poder global. Para os segmentos mais vulner\u00e1veis das diversas sociedades, pouco importa se a ordem internacional no s\u00e9culo XXI ser\u00e1 moldada pelos plutocratas de Washington, os autocratas de Moscou ou o mandarinato de Pequim, posto que, a depender da continuidade das pr\u00e1ticas e estrat\u00e9gias dos EUA e seus rivais, a resultante tende a ser marcada pela exclus\u00e3o, desigualdade e viol\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201c&#8230; the post-Cold War era is definitively over and a competition is underway between the major powers to shape what comes next &#8230; people all over the world are struggling to cope with the effects of shared challenges that cross borders\u2014whether it is climate change, food insecurity, communicable diseases, terrorism, energy shortages, or inflation. These shared challenges are not marginal issues that are secondary to geopolitics. They are at the very core of national and international security and must be treated as such. By their very nature, these challenges require governments to cooperate if they are to solve them. But we must be clear-eyed that we will have to tackle these challenges within a competitive international environment where heightening geopolitical competition, nationalism and populism render this cooperation even more difficult and will require us to think and act in new ways.\u201d (<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022, p.6)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver, dentre outros: \u201c<a href=\"https:\/\/www.csis.org\/analysis\/toward-smarter-economic-statecraft\">Toward a Smarter Economic Statecraft<\/a>\u201d, October 2020; \u201c<a href=\"https:\/\/www.cnas.org\/publications\/reports\/americas-use-of-coercive-economic-statecraft\">America\u2019s Use of Coercive Economic Statecraft<\/a>\u201d, December, 2020; <a href=\"https:\/\/carnegieendowment.org\/2022\/04\/28\/u.s.-strategy-and-economic-statecraft-understanding-tradeoffs-pub-86995\">\u201cU.S. Strategy and Economic Statecraft: Understanding the Tradeoffs\u201d<\/a>, April, 2022;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201cThe United States is a large and diverse democracy, encompassing people from every corner of the world, every walk of life, every system of belief. This means that our politics are not Always smooth\u2014in fact, they\u2019re often the opposite. We live at a moment of passionate political intensities and ferment that sometimes tears at the fabric of the nation\u2026. This American project will never be complete\u2014democracy is always a work in progress\u2014but that will not stop us from defending our values and continuing to pursue our national security interests in the world.\u201d (<a href=\"https:\/\/www.whitehouse.gov\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/Biden-Harris-Administrations-National-Security-Strategy-10.2022.pdf\">National Security Strategy<\/a> 2022, p.7)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo por Andr\u00e9 Moreira Cunha e Andr\u00e9s Ferrari, professores do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[445],"class_list":["post-28715","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28715\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}