{"id":29043,"date":"2023-01-03T11:58:23","date_gmt":"2023-01-03T14:58:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=29043"},"modified":"2023-01-03T12:23:56","modified_gmt":"2023-01-03T15:23:56","slug":"o-governo-lula-3-retorno-ao-desenvolvimentismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/o-governo-lula-3-retorno-ao-desenvolvimentismo\/","title":{"rendered":"O governo Lula 3: retorno ao desenvolvimentismo?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha, docente do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A transi\u00e7\u00e3o e a ponte para o passado <\/em><\/strong><\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/gabinetedatransicao.com.br\/noticias\/relatorio-final-do-gabinete-de-transicao-governamental\/\">Gabinete de Transi\u00e7\u00e3o Presidencial apresentou o seu \u201cRelat\u00f3rio Final\u201d<\/a> no qual faz o diagn\u00f3stico do que denomina de \u201co desmonte do Estado brasileiro e das pol\u00edticas p\u00fablicas durante os quatro anos do governo Bolsonaro.\u201d (p.6). <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/coluna-entendendo-bolsonaro\/2022\/12\/19\/fim-do-governo-bolsonaro-seria-comico-se-nao-fosse-tragico.htm\">O coordenador do Grupo de Transi\u00e7\u00e3o e vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, resumiu da seguinte forma o quadro encontrado<\/a>: \u201cDesde que entrei na vida p\u00fablica, nunca vi nada parecido &#8230; A impress\u00e3o que se tinha \u00e9 de que n\u00e3o havia gest\u00e3o e que tudo era decidido aleatoriamente &#8230; H\u00e1 documentos desaparecidos, h\u00e1 apag\u00f5es de dados que sempre existiram em governos anteriores e h\u00e1 rombos financeiros inexplic\u00e1veis.\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 um relativo consenso entre analistas com distintas vis\u00f5es te\u00f3ricas e inclina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de que a \u201cEra Bolsonaro\u201d deixa um legado negativo. <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2022\/12\/20\/superavit-fiscal-chega-com-paralisacao-do-governo.ghtml\">Mesmo os defensores das pol\u00edticas de recorte neoliberal<\/a>, particularmente o \u201cTeto de Gastos\u201d, as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e as privatiza\u00e7\u00f5es, admitem que o Estado brasileiro foi conduzido a um ponto de se <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/politica\/noticia\/2022\/12\/21\/politizacao-da-saude-marca-era-bolsonaro.ghtml\">inviabilizar a execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas em \u00e1reas essenciais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o<\/a>. Diante desta realidade, estes mesmos analistas manifestam um temor de \u201cvolta ao passado\u201d no governo Lula 3. <a href=\"https:\/\/iepecdg.com.br\/artigos\/as-tres-agendas-da-transicao\/\">Para o soci\u00f3logo Simon Schwartzman<\/a>, ex-presidente do IBGE nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o risco colocado \u00e9 de \u201c&#8230;retomar aos modos de trabalho e pol\u00edticas desastrosas, econ\u00f4micas e sociais, que levaram ao pa\u00eds \u00e0 maior recess\u00e3o de sua hist\u00f3ria, desencadeando uma crise pol\u00edtica que resultou no desastre do bolsonarismo.\u201d.<\/p>\n<p>Para Schwartzman, o pior desempenho da hist\u00f3ria da economia brasileira, verificado entre 2016 e 2022, quando a renda <em>per capita<\/em> variou em -0,5% a.a. (ver tabela 1), n\u00e3o est\u00e1 relacionado com <a href=\"https:\/\/eesp.fgv.br\/noticia\/governo-avanca-em-seis-das-20-principais-propostas-do-ponte-para-o-futuro\">a \u201cPonte para o Futuro\u201d adotada no per\u00edodo<\/a>, mas com as pol\u00edticas da \u201cEra PT\u201d (2003-2015). Esta mesma interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 verificada na lavra de pr\u00f3ceres do mercado financeiro e de economistas que ocuparam fun\u00e7\u00f5es de alto relevo na Rep\u00fablica em per\u00edodos onde as pol\u00edticas de desmonte do Estado e de liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica foram prioridades. Tais governos n\u00e3o entregaram crescimento robusto com inclus\u00e3o social ou estabilidade macroecon\u00f4mica. H\u00e1 uma gama variada de an\u00e1lises cr\u00edticas ao suposto \u201cdesenvolvimentismo\u201d dos governos petistas em artigos de opini\u00e3o reunidos no portal do <a href=\"https:\/\/iepecdg.com.br\/artigos\/as-tres-agendas-da-transicao\/\"><em>think tank<\/em> \u201cCasa das Gar\u00e7as\u201d<\/a>. Mais dif\u00edcil ser\u00e1 encontrar nestes analistas o mesmo esfor\u00e7o em reconhecer, como fazem intelectuais conservadores como <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Liberalism-Its-Discontents-Francis-Fukuyama\/dp\/0374606714\">Francis Fukuyama<\/a> ou <a href=\"https:\/\/www.imf.org\/external\/pubs\/ft\/fandd\/2016\/06\/ostry.htm\">os economistas do FMI<\/a>, que o fracasso do neoliberalismo germinou o avan\u00e7o dos governos iliberais, dentre os quais o que agora finda no Brasil.<\/p>\n<p>O conceito de desenvolvimentismo tem sido muito mal tratado. Usualmente ele \u00e9 confundido com \u201cativismo estatal\u201d em geral, o que \u00e9 um equ\u00edvoco. <a href=\"https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/bitstream\/11058\/4580\/1\/td_2103.pdf\">Conforme nos esclarece o Professor Pedro Fonseca, no mais robusto estudo acad\u00eamico sobre o tema<\/a>, o desenvolvimentismo \u00e9 \u201c&#8230; a pol\u00edtica econ\u00f4mica formulada e\/ou executada, de forma deliberada, por governos (nacionais ou subnacionais) para, atrav\u00e9s do crescimento da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade, sob a lideran\u00e7a do setor industrial, transformar a sociedade com vistas a alcan\u00e7ar fins desej\u00e1veis, destacadamente a supera\u00e7\u00e3o de seus problemas econ\u00f4micos e sociais, dentro dos marcos institucionais do sistema capitalista.\u201d. H\u00e1 poucas d\u00favidas que os governos do PT se caracterizaram pelo ativismo estatal. Por\u00e9m, \u00e9 pass\u00edvel de ampla discuss\u00e3o se os mesmos foram \u201cdesenvolvimentistas\u201d no sentido antes exposto. Conforme evidenciamos em artigos recentes \u2013 \u201c<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2022\/11\/lula-e-o-colapso-do-crescimento-por-andre-moreira-cunha\/\">Lula e o colapso do crescimento<\/a>\u201d e a \u201c<a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/opiniao\/2022\/12\/a-nova-decada-perdida-por-andre-moreira-cunha-e-andres-ferrari\/\">Nova D\u00e9cada Perdida<\/a>\u201d \u2013, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas houve exatamente o contr\u00e1rio de \u201cdesenvolvimentismo\u201d: a desindustrializa\u00e7\u00e3o se aprofundou e n\u00e3o houve ganhos de produtividade dignos de nota.<\/p>\n<p>Para os economistas liberais, refrat\u00e1rios ao ativismo estatal indutor de mudan\u00e7as na estrutura de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o da riqueza privada, tais distin\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam relevantes. Eles enfatizam a clivagem entre as \u201cpol\u00edticas corretas\u201d, usualmente as adotadas durante os governos em que atuaram diretamente ou cujos tomadores de decis\u00e3o assumiram posi\u00e7\u00f5es convergentes com as por eles propugnadas; e as \u201cpol\u00edticas erradas\u201d, sendo estas associadas ao n\u00e3o conhecimento da boa teoria econ\u00f4mica. N\u00e3o raramente, as \u201cpol\u00edticas erradas\u201d s\u00e3o aquelas marcadas pelo ativismo estatal. Todavia, tal perspectiva ganha contornos mais complexos quando se observa que: (i) o desempenho econ\u00f4mico brasileiro foi muito superior na era desenvolvimentista (ver tabela 1); e (ii) do ponto de vista de compara\u00e7\u00f5es internacionais, <a href=\"https:\/\/www.mckinsey.com\/featured-insights\/innovation-and-growth\/outperformers-high-growth-emerging-economies-and-the-companies-that-propel-them\">as economias mais bem-sucedidas em sustentar longas trajet\u00f3rias de expans\u00e3o<\/a> s\u00e3o as que optaram por n\u00e3o seguir estritamente o caminho proposto pela agenda neoliberal,<a href=\"https:\/\/www.imf.org\/en\/Publications\/WP\/Issues\/2019\/03\/26\/The-Return-of-the-Policy-That-Shall-Not-Be-Named-Principles-of-Industrial-Policy-46710\"> conforme reconhece o pr\u00f3prio FMI<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/nec\/a\/N6rLkzF7Rvr6yWWgLyZv3bH\/abstract\/?lang=pt&amp;format=html\">Os economistas liberais brasileiros<\/a> t\u00eam dificuldades em explicar o fracasso de pa\u00edses t\u00e3o grandes e complexos como o Brasil, que compartilham v\u00e1rias de suas caracter\u00edsticas institucionais, e que implementaram as pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o do Estado e de liberaliza\u00e7\u00e3o recomendadas por eles. O caso do M\u00e9xico \u00e9 particularmente destacado. Nos \u00faltimos trinta anos este pa\u00eds manteve n\u00edveis baixos de gasto e de arrecada\u00e7\u00e3o \u2013 em cerca de 10 p.p. do PIB menores do que no Brasil \u2013 liberalizou sua economia, integrou-a estruturalmente com seus vizinhos, mas n\u00e3o escapou da \u201carmadilha da renda m\u00e9dia\u201d. Seus n\u00edveis de crescimento foram p\u00edfios (ver tabela 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Os n\u00fameros e as suas interpreta\u00e7\u00f5es<\/em><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 trivial o exerc\u00edcio de avaliar o desempenho dos governos, particularmente em uma quadra hist\u00f3rica onde a sociedade est\u00e1 polarizada e se projeta grande desconfian\u00e7a sobre o conhecimento especializado. \u00a0<a href=\"https:\/\/plato.stanford.edu\/entries\/scientific-objectivity\/\">Cientistas sociais se depararam com as dificuldades em separar os aspectos subjetivos que todos carregamos, nossas vis\u00f5es de mundo e valores, dos elementos estritamente objetivos das realidades em an\u00e1lise<\/a>. Estas, por sua vez, podem se alterar por efeito das pr\u00f3prias decis\u00f5es dos indiv\u00edduos e dos grupos sociais que s\u00e3o estudados, os quais, por sua vez, s\u00e3o influenciados pelas ideias e pol\u00edticas que se originam nas teorias. Nas Ci\u00eancias Sociais as fronteiras entre \u201caquilo que \u00e9\u201d, a realidade observada, e aquilo \u201cque se deseja ser\u201d s\u00e3o muito mais t\u00eanues do que nas Ci\u00eancias Naturais. As for\u00e7as da natureza n\u00e3o s\u00e3o dotadas de vontade pr\u00f3pria, de livre arb\u00edtrio ou condicionadas pelo mundo das ideias, ainda que os <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/philosophy-of-science\/Explanations-laws-and-theories\">cientistas possam ser influenciados por seus valores quando da realiza\u00e7\u00e3o de suas investiga\u00e7\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<p>A Economia, que \u00e9 um dos ramos das Ci\u00eancias Sociais, possui um arsenal amplo e diverso de teorias e de metodologias que permitem minimizar os diversos vieses criados pela subjetividade. Todavia, as pr\u00f3prias teorias e metodologias s\u00e3o constru\u00eddas a partir de aspectos <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/ontology-metaphysics\">ontol\u00f3gicos<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/epistemology\">epistemol\u00f3gicos<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/topic\/heuristic-reasoning\">heur\u00edsticos<\/a> n\u00e3o neutros. A interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados gerados por suas an\u00e1lises e as consequentes deriva\u00e7\u00f5es normativas s\u00e3o ainda mais suscet\u00edveis \u00e0s influ\u00eancias dos valores impregnados nos analistas. Por isso mesmo, a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas nunca \u00e9 plenamente neutra diante das prioridades derivadas da subjetividade dos agentes por elas respons\u00e1veis. N\u00e3o \u00e0 toa, <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/312048895_Economics_Is_a_Moral_Science\">Keynes propugnava que a Economia \u00e9 uma ci\u00eancia moral<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de buscar identificar os fatos objetivos da realidade social, h\u00e1 o desafio de se estabelecer os elos causais que os formatam. Aqui, nem mesmo o uso da linguagem matem\u00e1tica garante a separa\u00e7\u00e3o plena entre as convic\u00e7\u00f5es (ou interesses) dos analistas e o resultado de suas interpreta\u00e7\u00f5es. O estudo sobre o desempenho dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) entre 2003 e 2015 oferece <em>insights<\/em> importantes nesta seara. At\u00e9 porque, <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/neco\/a\/hRXQ6W3JHGXtnbhx36L7xwk\/abstract\/?lang=pt\">seus defensores e cr\u00edticos sempre o colocam como um marco de refer\u00eancia<\/a>.<\/p>\n<p>Comecemos pelos fatos, ou pelo menos uma aproxima\u00e7\u00e3o a eles. A tabela abaixo mostra o crescimento do produto interno bruto por habitante (PIB) \u2013 ou renda <em>per capita<\/em> \u2013 de economias selecionadas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tabela 1. Crescimento da Renda Per Capita de Economias Selecionadas, 1951-2022 (% a.a.)<\/strong><\/p>\n<table width=\"576\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"64\"><\/td>\n<td width=\"143\"><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>1951-1980<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>1981-2002<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>2003-2015<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>2016-2022<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">1<\/td>\n<td width=\"143\">China<\/td>\n<td width=\"92\">4,7<\/td>\n<td width=\"96\">8,5<\/td>\n<td width=\"95\">9,2<\/td>\n<td width=\"87\">5,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">2<\/td>\n<td width=\"143\">India<\/td>\n<td width=\"92\">1,4<\/td>\n<td width=\"96\">3,5<\/td>\n<td width=\"95\">6,2<\/td>\n<td width=\"87\">4,3<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">3<\/td>\n<td width=\"143\">Vietn\u00e3<\/td>\n<td width=\"92\">0,6<\/td>\n<td width=\"96\">4,5<\/td>\n<td width=\"95\">5,2<\/td>\n<td width=\"87\">4,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">4<\/td>\n<td width=\"143\">Turquia<\/td>\n<td width=\"92\">3,1<\/td>\n<td width=\"96\">2,3<\/td>\n<td width=\"95\">4,5<\/td>\n<td width=\"87\">3,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">5<\/td>\n<td width=\"143\">Indon\u00e9sia<\/td>\n<td width=\"92\">2,9<\/td>\n<td width=\"96\">3,2<\/td>\n<td width=\"95\">4,2<\/td>\n<td width=\"87\">3,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">6<\/td>\n<td width=\"143\">Pol\u00f4nia<\/td>\n<td width=\"92\">2,9<\/td>\n<td width=\"96\">1,3<\/td>\n<td width=\"95\">3,9<\/td>\n<td width=\"87\">3,7<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">7<\/td>\n<td width=\"143\">Taiwan<\/td>\n<td width=\"92\">6,0<\/td>\n<td width=\"96\">5,8<\/td>\n<td width=\"95\">3,8<\/td>\n<td width=\"87\">3,4<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">8<\/td>\n<td width=\"143\">R\u00fassia (Ex-URSS)<\/td>\n<td width=\"92\">3,9<\/td>\n<td width=\"96\">-1,0<\/td>\n<td width=\"95\">3,7<\/td>\n<td width=\"87\">0,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">9<\/td>\n<td width=\"143\">Filipinas<\/td>\n<td width=\"92\">2,7<\/td>\n<td width=\"96\">0,1<\/td>\n<td width=\"95\">3,6<\/td>\n<td width=\"87\">2,4<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">10<\/td>\n<td width=\"143\">Argentina<\/td>\n<td width=\"92\">1,8<\/td>\n<td width=\"96\">-0,4<\/td>\n<td width=\"95\">3,5<\/td>\n<td width=\"87\">-1,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">11<\/td>\n<td width=\"143\">Col\u00f4mbia<\/td>\n<td width=\"92\">2,3<\/td>\n<td width=\"96\">1,1<\/td>\n<td width=\"95\">3,4<\/td>\n<td width=\"87\">1,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">12<\/td>\n<td width=\"143\">Coreia do Sul<\/td>\n<td width=\"92\">5,6<\/td>\n<td width=\"96\">6,9<\/td>\n<td width=\"95\">3,3<\/td>\n<td width=\"87\">2,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">13<\/td>\n<td width=\"143\">Tail\u00e2ndia<\/td>\n<td width=\"92\">3,9<\/td>\n<td width=\"96\">4,9<\/td>\n<td width=\"95\">3,3<\/td>\n<td width=\"87\">1,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">14<\/td>\n<td width=\"143\">Mal\u00e1sia<\/td>\n<td width=\"92\">3,0<\/td>\n<td width=\"96\">3,7<\/td>\n<td width=\"95\">3,2<\/td>\n<td width=\"87\">2,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">15<\/td>\n<td width=\"143\">Chile<\/td>\n<td width=\"92\">1,6<\/td>\n<td width=\"96\">2,9<\/td>\n<td width=\"95\">3,2<\/td>\n<td width=\"87\">1,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">16<\/td>\n<td width=\"143\">Rep\u00fablica Tcheca<\/td>\n<td width=\"92\">3,5<\/td>\n<td width=\"96\">1,2<\/td>\n<td width=\"95\">2,5<\/td>\n<td width=\"87\">1,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\"><strong>17<\/strong><\/td>\n<td width=\"143\"><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>4,5<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>0,4<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>1,9<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>-0,5<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">18<\/td>\n<td width=\"143\">\u00c1frica do Sul<\/td>\n<td width=\"92\">1,9<\/td>\n<td width=\"96\">-0,5<\/td>\n<td width=\"95\">1,6<\/td>\n<td width=\"87\">-0,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">19<\/td>\n<td width=\"143\">Austr\u00e1lia<\/td>\n<td width=\"92\">2,1<\/td>\n<td width=\"96\">2,0<\/td>\n<td width=\"95\">1,3<\/td>\n<td width=\"87\">0,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">20<\/td>\n<td width=\"143\">Alemanha<\/td>\n<td width=\"92\">4,4<\/td>\n<td width=\"96\">1,4<\/td>\n<td width=\"95\">1,2<\/td>\n<td width=\"87\">0,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">21<\/td>\n<td width=\"143\">EUA<\/td>\n<td width=\"92\">2,3<\/td>\n<td width=\"96\">2,1<\/td>\n<td width=\"95\">1,1<\/td>\n<td width=\"87\">1,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">22<\/td>\n<td width=\"143\">M\u00e9xico<\/td>\n<td width=\"92\">3,4<\/td>\n<td width=\"96\">0,7<\/td>\n<td width=\"95\">1,1<\/td>\n<td width=\"87\">-0,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">23<\/td>\n<td width=\"143\">Canad\u00e1<\/td>\n<td width=\"92\">2,7<\/td>\n<td width=\"96\">1,6<\/td>\n<td width=\"95\">0,9<\/td>\n<td width=\"87\">0,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">24<\/td>\n<td width=\"143\">Reino Unido<\/td>\n<td width=\"92\">2,5<\/td>\n<td width=\"96\">2,4<\/td>\n<td width=\"95\">0,9<\/td>\n<td width=\"87\">0,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">25<\/td>\n<td width=\"143\">Jap\u00e3o<\/td>\n<td width=\"92\">6,8<\/td>\n<td width=\"96\">2,2<\/td>\n<td width=\"95\">0,9<\/td>\n<td width=\"87\">0,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">26<\/td>\n<td width=\"143\">Fran\u00e7a<\/td>\n<td width=\"92\">3,6<\/td>\n<td width=\"96\">1,7<\/td>\n<td width=\"95\">0,5<\/td>\n<td width=\"87\">1,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">27<\/td>\n<td width=\"143\">Espanha<\/td>\n<td width=\"92\">5,0<\/td>\n<td width=\"96\">2,7<\/td>\n<td width=\"95\">0,2<\/td>\n<td width=\"87\">1,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"64\">28<\/td>\n<td width=\"143\">It\u00e1lia<\/td>\n<td width=\"92\">4,5<\/td>\n<td width=\"96\">1,8<\/td>\n<td width=\"95\">-0,6<\/td>\n<td width=\"87\">1,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"6\" width=\"576\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"207\"><strong>Mundo<\/strong><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>3,3<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>1,6<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>2,9<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>2,2<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"207\"><strong>G7<\/strong><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>3,8<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>1,9<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>0,7<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>0,9<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"207\"><strong>AL 4<\/strong><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>2,3<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>1,1<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>2,8<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>0,5<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"207\"><strong>Asia Emergente<\/strong><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>3,4<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>4,6<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>4,7<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>3,2<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"207\"><strong>Outros Emergentes<\/strong><\/td>\n<td width=\"92\"><strong>3,1<\/strong><\/td>\n<td width=\"96\"><strong>0,7<\/strong><\/td>\n<td width=\"95\"><strong>3,2<\/strong><\/td>\n<td width=\"87\"><strong>1,8<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria com dados do <a href=\"https:\/\/www.conference-board.org\/data\/economydatabase\"><em>Total Economy Database<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tabela traz alguns resultados interessantes para o per\u00edodo dos governos do PT (2003-2015): (i) dentre as 28 economias selecionadas, as quais representam aproximadamente 90% do PIB global, o Brasil ocupou a 17\u00aa posi\u00e7\u00e3o no <em>ranking<\/em> de crescimento; (ii) ao se comparar tal desempenho com grupos anal\u00edticos, a economia brasileira s\u00f3 n\u00e3o foi pior do que o G7, vale dizer, os pa\u00edses de alta renda mais influentes na ordem global (EUA, Reino Unido, Canad\u00e1, Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Jap\u00e3o); (iii) a varia\u00e7\u00e3o da renda <em>per capita<\/em> brasileira (+1,9% a.a.) representou menos da metade da expans\u00e3o m\u00e9dia dos pa\u00edses mais din\u00e2micos\u00a0 do mundo na \u00c1sia emergente (4,7% a.a.), ficando quase 1 p.p. abaixo da m\u00e9dia das quatro maiores economias da Am\u00e9rica Latina (AL 4 com +2,8% a.a.) , com exce\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Brasil, e aqu\u00e9m da m\u00e9dia mundial (+2,9% a.a.) e dos demais emergentes destacados (+3,2% a.a.) \u2013 \u00c1frica do Sul, R\u00fassia, Turquia, Pol\u00f4nia e Rep\u00fablica Tcheca. Ainda assim, os anos da \u201cEra PT\u201d foram melhores do que os dos per\u00edodos 1981-2002 (+0,4% a.a.) e 2016-2022 (-0,5% a.a.), mas bem piores do que no auge desenvolvimentista (+4,5% a.a.), entre 1951 e 1980. Ali\u00e1s, neste momento hist\u00f3rico, o Brasil cresceu mais do que a m\u00e9dia global e do que os demais grupos anal\u00edticos.<\/p>\n<p>Se as paix\u00f5es fossem utilizadas para ler a tabela, alguns comemorariam o fato de a \u201cEra PT\u201d ser muito melhor do que os demais que se seguiram \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Ainda assim, seria for\u00e7oso reconhecer a incapacidade de alcan\u00e7ar o sucesso dos anos do auge desenvolvimentista (1951-1980).\u00a0 Lida por outro \u00e2ngulo, talvez mais cr\u00edtico, poder-se-ia afirmar que o crescimento petista sequer foi med\u00edocre quando comparado ao de outros pa\u00edses de renda m\u00e9dia. Isoladamente, os fatos acima elencados n\u00e3o nos permitem discutir causas e consequ\u00eancias, vale dizer, responder quest\u00f5es como: (i) o que permitiu a acelera\u00e7\u00e3o no crescimento durante a \u201cEra PT\u201d? (ii) esta acelera\u00e7\u00e3o foi resultado de pol\u00edticas implementadas por estes governos ou pelos que o antecederam? (iii) o ambiente externo foi determinante para o maior dinamismo relativo? (iv) e a posterior desacelera\u00e7\u00e3o se originou em decis\u00f5es \u201cerradas\u201d dos governos petistas e\/ou em aspectos da economia global?<\/p>\n<p>Compara\u00e7\u00f5es equivalentes em dimens\u00f5es sociais chegam a resultados similares. As <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/topic\/education?view=chart\">matr\u00edculas nos tr\u00eas n\u00edveis do ensino<\/a>, <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/SP.DYN.LE00.IN?view=chart\">a expectativa de vida ao nascer<\/a>, o <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/SP.DYN.LE00.IN?view=chart\">desenvolvimento humano<\/a>, dentre outros, avan\u00e7aram em linha com o que ocorreu nos pa\u00edses de renda m\u00e9dia, no restante da Am\u00e9rica Latina e em n\u00edvel mundial. Ou seja, a despeito do sucesso das pol\u00edticas de inclus\u00e3o social, especialmente o Bolsa Fam\u00edlia, nenhum resultado espec\u00edfico do per\u00edodo 2003-2015 foi significativamente distinto daqueles obtidos em outros pa\u00edses. Em alguns indicadores o Brasil foi um pouco melhor, em outros, um pouco pior. Visto pelo prisma das paix\u00f5es pol\u00edticas, pode-se enaltecer o desempenho superior dos governos do PT na \u00e1rea social em compara\u00e7\u00e3o aos governos que o antecederam e o sucederam. Poder-se-ia, igualmente, apontar que seus avan\u00e7os foram t\u00edmidos em termos internacionais ou mesmo abaixo dos que seriam necess\u00e1rios para um <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rep\/a\/yTJLwCYQ89PVV77mJgRwGHq\/?format=html&amp;lang=pt\">processo efetivamente transformador da realidade estrutural de exclus\u00e3o e de desigualdade<\/a>.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos mais influentes da \u201cEra PT\u201d, usualmente economistas e formadores de opini\u00e3o que se movem nos marcos das vis\u00f5es predominantes na academia dos pa\u00edses de alta renda \u2013 o assim-chamado <a href=\"https:\/\/www.investopedia.com\/terms\/m\/mainstream-economics.asp#:~:text=Mainstream%20economics%20refers%20to%20the,the%20thinkings%20of%20Adam%20Smith.\"><em>mainstream economics<\/em><\/a> \u2013 admitem que, em certos aspectos e subper\u00edodos, a economia apresentou taxas mais elevadas de crescimento da renda, com maior inclus\u00e3o social e relativa estabilidade econ\u00f4mica, em compara\u00e7\u00e3o com administra\u00e7\u00e3o anteriores. Todavia, <a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/pluginfile.php\/5732105\/mod_resource\/content\/1\/Giambiagi%20-%20Cap.%208%20-%202003-2010.pdf\">consideram que tais aspectos pontuais se originariam n\u00e3o em virtudes particulares das gest\u00f5es do PT, mas na continuidade das pol\u00edticas macroecon\u00f4micas e regulat\u00f3rias \u201ccorretas\u201d, herdadas do per\u00edodo 1995-2002, acrescidas dos choques externos favor\u00e1veis \u2013 o aumento nos pre\u00e7os internacionais dos recursos naturais e a maior demanda chinesa por tais produtos<\/a>.<\/p>\n<p>Para sermos mais espec\u00edficos, tal caracteriza\u00e7\u00e3o seria adequada aos governos Lula 1 e 2 at\u00e9 a fal\u00eancia do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, e, assim, ao quadro de agravamento na Crise Financeira Global (2007-2009). <a href=\"https:\/\/www.insper.edu.br\/conhecimento\/conjuntura-economica\/o-ajuste-inevitavel\/\">O maior ativismo estatal teria sido reintroduzido, dando lustro ao que se denominou de retorno ao \u201cdesenvolvimentismo\u201d<\/a>. Este, por sua vez, era apontado como algo negativo, <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rep\/a\/VPQbsgTGg8VR3CmBXVbrNbm\/?lang=pt\">um v\u00edcio constitutivo da moderniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds<\/a>, especialmente a partir da Era Vargas, que <a href=\"https:\/\/www.econ.puc-rio.br\/uploads\/adm\/trabalhos\/files\/td487.pdf\">parecia ter sido enterrado nos governos de FHC e Lula 1<\/a>. Com <a href=\"https:\/\/www.insper.edu.br\/noticias\/marcos-lisboa-desenvolvimentistas-e-o-papel-do-estado\/\">a chegada da presidente Dilma Rousseff ao poder, seguem os cr\u00edticos<\/a>, <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2014\/01\/08\/desenvolvimentismo-condena-pais-a-um-pib-mediocre-diz-lisboa.ghtml\">o retorno ao desenvolvimentismo atingiu seu auge<\/a>, legando ao pa\u00eds a crise que se inaugura em meados de 2014, da qual ainda n\u00e3o submergimos.<\/p>\n<p>Em sua conclus\u00e3o, o Relat\u00f3rio do Grupo de Transi\u00e7\u00e3o afirma que a miss\u00e3o dos pr\u00f3ximos quatro anos ser\u00e1 a de \u201c&#8230;recompor o Estado e as pol\u00edticas p\u00fablicas, para mudar para melhor a vida da popula\u00e7\u00e3o e para voltar a cultivar a esperan\u00e7a e a alegria de nossa gente.\u201d. Trata-se de um objetivo inequivocamente generoso e, tamb\u00e9m, ambicioso. Dificilmente ele se concretizar\u00e1 em um per\u00edodo t\u00e3o curto. Nos treze anos de governos liderados pelo PT o padr\u00e3o geral de desempenho da economia brasileira melhorou em rela\u00e7\u00e3o ao seu passado mais recente. Todavia, seguiu muito aqu\u00e9m dos resultados obtidos em outros pa\u00edses, alguns t\u00e3o complexos como o nosso. Nos anos que se seguiram, o colapso foi t\u00e3o profundo, que afastou ainda mais o pa\u00eds de quaisquer fronteiras de compara\u00e7\u00e3o. Supor que tal resultado se deveu exclusivamente ou principalmente aos desdobramentos no tempo do \u201cdesenvolvimentismo\u201d petista \u00e9 um exerc\u00edcio ret\u00f3rico perigoso. O mesmo pode ser dito para os que imaginam que o per\u00edodo 2003-2015 foi um exemplo de \u201csucesso\u201d a ser replicado a partir de 2023.<\/p>\n<p>Os governos do PT foram intervencionistas, assim como s\u00e3o todos os governos das modernas economias de mercado. As diferen\u00e7as reais entre governos t\u00eam mais a ver com a qualidade das interven\u00e7\u00f5es e dos resultados alcan\u00e7ados. Neste \u00e2mbito, a era PT pode ser considerada superior em rela\u00e7\u00e3o aos resultados de outros governos brasileiros dos \u00faltimos quarenta anos, mas dificilmente se enquadraria como bem-sucedida diante do desempenho de pa\u00edses que t\u00eam, de fato, avan\u00e7ado em suas respectivas trajet\u00f3rias de desenvolvimento. E, mais importante, a era PT n\u00e3o logrou alterar as condi\u00e7\u00f5es estruturais que aprisionam o Brasil em um quadro de profunda estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Os resultados reportados s\u00e3o contingentes \u00e0s escolhas e \u00e0s metodologias: a utiliza\u00e7\u00e3o do PIB per capita como medida s\u00edntese do desempenho econ\u00f4mico; as limita\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio c\u00e1lculo do PIB; as transforma\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas diversas \u2013 de moeda nacional em valores correntes para d\u00f3lares internacionais em paridade poder de compra e de deflacionamento (colocar os valores a pre\u00e7os de um \u00fanico ano) \u2013, para citar alguns. A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9dias ao inv\u00e9s de alguma outra medida de tend\u00eancia central, os subper\u00edodos, os pa\u00edses, as agrega\u00e7\u00f5es, dentre outros aspectos, tamb\u00e9m refletem alternativas particulares. Todas as escolhas s\u00e3o justific\u00e1veis e pass\u00edveis de replica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Andr\u00e9 Moreira Cunha, docente do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[445],"class_list":["post-29043","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29043","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29043"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29043\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29043"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29043"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29043"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}