{"id":29232,"date":"2023-02-10T15:57:42","date_gmt":"2023-02-10T18:57:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=29232"},"modified":"2023-02-10T15:57:42","modified_gmt":"2023-02-10T18:57:42","slug":"integracao-regional-e-moeda-unica-velhos-dilemas-novos-contextos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/integracao-regional-e-moeda-unica-velhos-dilemas-novos-contextos\/","title":{"rendered":"Integra\u00e7\u00e3o regional e moeda \u00fanica: velhos dilemas, novos contextos"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Andr\u00e9 Moreira Cunha, Andr\u00e9s Ferrari e Luiza Peruffo, docentes do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>O Brasil est\u00e1 de volta<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Em sua primeira viagem internacional do terceiro mandato, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva esteve na Argentina, onde reafirmou o compromisso de fortalecer os la\u00e7os que unem os vizinhos sul-americanos. <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2023\/01\/25\/lula-visita-uruguai-em-tentativa-de-preservar-o-mercosul.ghtml\">Na sequ\u00eancia visitou o Uruguai<\/a>, com a clara determina\u00e7\u00e3o de preservar a unidade do Mercosul em meio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es de um acordo bilateral entre aquele pa\u00eds e a China. A integra\u00e7\u00e3o regional, tanto no \u00e2mbito do Cone Sul, quanto no conjunto da Am\u00e9rica do Sul e mesmo com os demais pa\u00edses caribenhos e latino-americanos \u00e9 um sonho acalentado por diferentes gera\u00e7\u00f5es de l\u00edderes pol\u00edticos, a come\u00e7ar pelo \u201clibertador\u201d <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/biography\/Simon-Bolivar\">Sim\u00f3n Bol\u00edvar<\/a>.<\/p>\n<p>Em seu discurso de posse foi delineada a vis\u00e3o estrat\u00e9gica do governo. Nas palavras do presidente diante do Congresso Nacional, a for\u00e7a do Brasil no plano internacional se alicer\u00e7aria em sua capacidade de assentar bases s\u00f3lidas de integra\u00e7\u00e3o regional. <a href=\"https:\/\/lula.com.br\/discurso-de-posse-lula-2023\/\"><em>In verbis<\/em><\/a>: \u201cNosso protagonismo se concretizar\u00e1 pela retomada da integra\u00e7\u00e3o sul-americana, a partir do Mercosul, da revitaliza\u00e7\u00e3o da Unasul e demais inst\u00e2ncias de articula\u00e7\u00e3o soberana da regi\u00e3o. Sobre esta base poderemos reconstruir o di\u00e1logo altivo e ativo com os Estados Unidos, a Comunidade Europeia, a China, os pa\u00edses do Oriente e outros atores globais; fortalecendo os BRICS, a coopera\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses da \u00c1frica e rompendo o isolamento a que o pa\u00eds foi relegado.\u201d.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o para Lula n\u00e3o se restringe ao objetivo de potencializar o com\u00e9rcio exterior ou de ampliar v\u00ednculos produtivos e financeiros. Estes n\u00e3o s\u00e3o fins em si, mas meios para viabilizar a proje\u00e7\u00e3o internacional do pa\u00eds e de seus vizinhos. Isolados os pa\u00edses da regi\u00e3o s\u00e3o mais fracos do que unidos, especialmente em um mundo que transita de situa\u00e7\u00e3o de elevada concentra\u00e7\u00e3o de poder em um \u00fanico Estado para outra, onde novos polos emergem e se consolida uma realidade geopol\u00edtica distinta. Tal transi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tudo menos pac\u00edfica, como j\u00e1 se observa na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Celso Amorim, ex-chanceler dos primeiros dois mandatos de Lula, nos oferece uma an\u00e1lise rica sobre os desafios para se consolidar a integra\u00e7\u00e3o sul-americana no seu livro mais recente, <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/La%C3%A7os-confian%C3%A7a-Brasil-Am%C3%A9rica-edi%C3%A7%C3%A3o\/dp\/6558100622\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;crid=9HFGA4JN8FVA&amp;keywords=celso+amorim&amp;qid=1674827817&amp;sprefix=celso+amorim%2Caps%2C422&amp;sr=8-1\">\u201cLa\u00e7os de confian\u00e7a &#8211; O Brasil na Am\u00e9rica do Sul\u201d<\/a>. O t\u00edtulo resume bem parte essencial deste enredo complexo: h\u00e1 um d\u00e9ficit de confian\u00e7a, tanto entre os pa\u00edses, quanto dentro deles. A <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/edited-volume\/28114\">literatura especializada<\/a> h\u00e1 muito destaca os problemas derivados da fragilidade e da instabilidade com que os Estados nacionais latino-americanos se formaram, do peso dos interesses for\u00e2neos, do car\u00e1ter rentista das elites locais e das dificuldades em se criar agendas pol\u00edticas e sociais que tratem da inclus\u00e3o social e da democracia como vetores-chave, para citar alguns. Tais elementos s\u00e3o recorrentes na hist\u00f3ria e tornam o integracionismo uma esp\u00e9cie de trabalho de S\u00edsifo: sempre que se avan\u00e7a em sua dire\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as na pol\u00edtica local, influ\u00eancias externas ou fatores produzem a necessidade de recome\u00e7os, os quais nem sempre criam horizontes promissores.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o implica, por \u00f3bvio, que n\u00e3o se deva tentar tantas vezes quantas se mostrem necess\u00e1rias. E este nos parece ser o recado central do presidente Lula nos dias em que circulou no Cone Sul. Al\u00e9m das conversas com os presidentes da Argentina e do Uruguai, ele participou ativamente da reuni\u00e3o da VII C\u00fapula da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). A CELAC foi criada em 2010, no auge da <a href=\"https:\/\/www.oxfordreference.com\/display\/10.1093\/oi\/authority.20110803100328139;jsessionid=9D1EFC6E93380F3FEAE7FCCE9D08A86A\">\u201conda rosa\u201d latino-americana<\/a>. Tratava-se de um claro contraponto \u00e0 interfer\u00eancia dos Estados Unidos em outras institui\u00e7\u00f5es regionais, algumas das quais vetavam, por raz\u00f5es pol\u00edticas, pa\u00edses n\u00e3o alinhados com os interesses estadunidenses. Sua origem remonta \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/funag.gov.br\/biblioteca-nova\/produto\/1-695-grupo_do_rio_documentos_da_secretaria_pro_tempore\">Grupo do Rio (GRIO, 1986)<\/a> e \u00e0 <a href=\"http:\/\/funag.gov.br\/loja\/download\/577-CUpula_da_America_Latina_e_do_Caribe_sobre_Integracao_e_Desenvolvimento_-_CALC.pdf\">C\u00fapula da Am\u00e9rica Latina e Caribe sobre Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento<\/a> (CALC, 2008).<\/p>\n<p>No governo do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), o Brasil deixou de participar deste organismo <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/afp\/2020\/01\/16\/brasil-abandona-celac.htm\">sob a alega\u00e7\u00e3o de que o mesmo abrigava regimes n\u00e3o democr\u00e1ticos<\/a>. Por isso mesmo, o atual mandat\u00e1rio brasileiro fez quest\u00e3o de enfatizar o retorno do pa\u00eds ao conv\u00edvio amplo e plural com as demais na\u00e7\u00f5es latino-americanas e caribenhas, e seu empenho em resgatar v\u00ednculos s\u00f3lidos de solidariedade com os seus povos. Para o Brasil \u00e9 um recome\u00e7o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/discursos\/2023\/discurso-do-presidente-da-republica-luiz-inacio-lula-da-silva-na-abertura-da-vii-reuniao-de-cupula-da-celac\">Disse Lula<\/a>: \u201cQuis o destino &#8230; que minha primeira atividade fora do pa\u00eds neste novo mandato, fosse na Argentina, e para uma reuni\u00e3o de C\u00fapula da Comunidade dos Pa\u00edses Latino-americanos e Caribenhos. No meu primeiro pronunciamento ap\u00f3s o resultado das elei\u00e7\u00f5es, afirmei que o Brasil estava de volta ao mundo. Nada mais natural do que come\u00e7ar esse caminho de retorno pela CELAC. Ao longo dos sucessivos governos brasileiros desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o nos empenhamos com afinco e com sentido de miss\u00e3o em prol da integra\u00e7\u00e3o regional e na consolida\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o pac\u00edfica, baseada em rela\u00e7\u00f5es marcadas pelo di\u00e1logo e pela coopera\u00e7\u00e3o. A exce\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel foram os anos recentes, quando meu antecessor tomou a inexplic\u00e1vel decis\u00e3o de retirar o Brasil da CELAC. Nos meus dois primeiros mandatos, estive dedicado \u2013 ao lado de tantos que vejo hoje aqui reunidos em torno desta mesa \u2013 \u00e0 tarefa de construir uma Am\u00e9rica Latina alicer\u00e7ada em la\u00e7os de confian\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>No dia anterior ao in\u00edcio da C\u00fapula da CELAC, <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/planalto\/pt-br\/acompanhe-o-planalto\/central-de-conteudo\/textos\/declaracao-conjunta-por-ocasiao-da-visita-oficial-a-republica-argentina-do-presidente-da-republica-federativa-do-brasil-luiz-inacio-lula-da-silva\">Lula e Fernandez assinaram uma declara\u00e7\u00e3o conjunta<\/a> onde reafirmaram o compromisso com a preserva\u00e7\u00e3o da democracia, enfatizaram a import\u00e2ncia do Mercosul como projeto estrat\u00e9gico de integra\u00e7\u00e3o e demarcaram a necessidade de fortalecer as economias nacionais e as suas conex\u00f5es comerciais, produtivas, tecnol\u00f3gicas, institucionais e culturais. Seguran\u00e7a sanit\u00e1ria, meio ambiente, pobreza, direitos sociais, luta pela igualdade e a diversidade em v\u00e1rios n\u00edveis s\u00e3o temas que emergiram nos seus oitenta e dois itens. Todavia, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2023\/01\/brasil-e-argentina-terao-moeda-unica-o-que-e-o-sur-tire-suas-duvidas.shtml\">nada provocou maior repercuss\u00e3o do que a men\u00e7\u00e3o ao interesse de construir uma \u201cmoeda \u00fanica\u201d para uso regional<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cCoopera\u00e7\u00e3o\u201d citada vinte e nove vezes e \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d, com vinte e seis men\u00e7\u00f5es, foram palavras-chave na declara\u00e7\u00e3o. Em seu item 20 explicita-se a tem\u00e1tica da \u201cmoeda \u00fanica\u201d e da coopera\u00e7\u00e3o financeira, onde os presidentes concordam em: \u201c&#8230; iniciar estudos t\u00e9cnicos, incluindo os pa\u00edses da regi\u00e3o, sobre mecanismos para aprofundar a integra\u00e7\u00e3o financeira e mitigar a escassez tempor\u00e1ria de divisas, incluindo mecanismos a cargo dos bancos centrais. <strong><em>Compartilharam tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de criar, no longo prazo, uma moeda de circula\u00e7\u00e3o sul-americana, com vistas a potencializar o com\u00e9rcio e a integra\u00e7\u00e3o produtiva regional e aumentar a resili\u00eancia a choques internacionais<\/em><\/strong>.\u201d (grifos nossos). Nos itens 21 e 22, o documento exorta os bancos de fomento estimularem a ampliarem o financiamento de projetos estrat\u00e9gicos para a integra\u00e7\u00e3o, bem como o com\u00e9rcio regional.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o nos oferece pelo menos dois temas financeiros centrais, nenhum deles revestidos de quaisquer novidades. O primeiro envolve a quest\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o dos instrumentos e das institui\u00e7\u00f5es para financiar o desenvolvimento local e, assim, criar condi\u00e7\u00f5es para um maior dinamismo das duas economias e do seu entorno. Aqui, estudos t\u00e9cnicos tratariam de avaliar como \u201cmitigar a escassez tempor\u00e1ria de divisas\u201d. J\u00e1 o segundo envolve uma \u201cinten\u00e7\u00e3o\u201d que se projeta em um futuro ainda desconhecido: criar uma moeda \u00fanica sul-americana.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Estados fortes, moedas fortes; Estados fracos, moedas fracas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses da regi\u00e3o compartilham uma longa hist\u00f3ria de luta pela constru\u00e7\u00e3o de capacidades produtivas e estatais mais robustas. A forma\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais no primeiro quartel do s\u00e9culo XIX e o padr\u00e3o de especializa\u00e7\u00e3o produtiva e de inser\u00e7\u00e3o internacional legaram vulnerabilidades que n\u00e3o foram superadas no per\u00edodo de intensa moderniza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX, especialmente entre os anos 1930 e 1980. A despeito dos surtos industrializantes, a maioria das economias latino-americanas padece com a elevada depend\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o de recursos naturais ou de manufaturas pouco complexas e intensivas em tecnologia. A gera\u00e7\u00e3o de receitas tribut\u00e1rias \u00e9 prejudicada pela baixa agrega\u00e7\u00e3o de valor dos produtos e pela volatilidade macroecon\u00f4mica. J\u00e1 a capacidade de financiamento internacional \u00e9 limitada por esta restri\u00e7\u00e3o produtiva e comercial e, tamb\u00e9m, porque os governos centrais e as empresas n\u00e3o conseguem emitir instrumentos de d\u00edvida no exterior que sejam denominados nas moedas locais. Isto corresponde ao fen\u00f4meno caracterizado por <a href=\"https:\/\/www.ricardohausmann.com\/original-sin\">Ricardo Hausmann com um \u201cpecado original\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>Assim, as economias perif\u00e9ricas precisam utilizar moedas e instrumentos financeiros emitidos e geridos por outros pa\u00edses para manter diversos v\u00ednculos globais, os quais se traduzem na possibilidade de adquirir bens e servi\u00e7os, de transferir ativos financeiros, fazer turismo, estudar, acessar novas tecnologias, dentre outras coisas. Do ponto de vista t\u00e9cnico, tais moedas nacionais n\u00e3o s\u00e3o convers\u00edveis internacionalmente. Vale dizer, n\u00e3o s\u00e3o aceitas \u2013 ou tal uso \u00e9 muito restrito \u2013 para liquidar contratos celebrados entre pessoas f\u00edsicas, jur\u00eddicas e governos do resto do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.swift.com\/our-solutions\/compliance-and-shared-services\/business-intelligence\/renminbi\/rmb-tracker\">A principal plataforma global de pagamentos (SWIFT) registra<\/a> (dezembro de 2022) que 87% dos pagamentos internacionais por ela realizados se concentraram em quatro moedas: d\u00f3lar (42%), euro (36%), libra (6%) e iene (3%). O iuane chin\u00eas, principal moeda dos pa\u00edses emergentes e emitida por um Estado s\u00f3lido de uma economia globalizada, que \u00e9 maior exportadora do mundo e o segundo maior produto (PIB) em valores correntes, responde por pouco mais de 2% dos pagamentos. O peso mexicano, \u00fanica moeda latino-americana entre as vinte mais utilizadas, abarca \u00ednfimos 0,2% das transa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No plano dom\u00e9stico s\u00e3o os Estados que determinam quais instrumentos (moedas e contratos nelas denominados) s\u00e3o legalmente aceitos para a realiza\u00e7\u00e3o das diversas transa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Este poder se deriva do monop\u00f3lio estatal para regular a vida social em todas as suas dimens\u00f5es. Nas modernas democracias constitucionais tal poder \u00e9 mediado por regras formais e contrapesos institucionais que limitam o seu uso arbitr\u00e1rio pelos agentes estatais. J\u00e1 para as transa\u00e7\u00f5es internacionais n\u00e3o existe um poder equivalente, um Estado mundial capaz de impor coercitivamente o uso desta ou daquela moeda. S\u00e3o as pessoas, empresas e entes estatais que escolhem quais s\u00e3o os instrumentos mais seguros e convenientes para os seus fins.<\/p>\n<p>Tal elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria, de tal sorte que h\u00e1 moedas amplamente utilizadas, pois s\u00e3o consideradas mais \u201cl\u00edquidas\u201d e \u201cseguras\u201d, na medida em que refletem o poder e a estabilidade de seus Estados emissores. H\u00e1, tamb\u00e9m, moedas intermedi\u00e1rias e fracas, emitidas por Estados com n\u00edveis inferiores de poder e que, assim, n\u00e3o conseguem transpor as fronteiras das jurisdi\u00e7\u00f5es que lhes originam. Por vezes, s\u00e3o rejeitadas parcial ou totalmente por suas sociedades. Em determinadas circunst\u00e2ncias os Estados nacionais precisam captar recursos nos seus pr\u00f3prios mercados dom\u00e9sticos com a emiss\u00e3o de instrumentos denominados em moedas convers\u00edveis internacionalmente. Para se financiar com seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os n\u00e3o prometem entregar \u201cpesos\u201d no futuro, acrescidos de juros, mas sim \u201cd\u00f3lares\u201d. Em situa\u00e7\u00f5es extremas, por conta da infla\u00e7\u00e3o alta e cr\u00f4nica, ou de epis\u00f3dios curtos, mas intensos, de hiperinfla\u00e7\u00e3o, as moedas nacionais se rompem e deixam de exercer as suas fun\u00e7\u00f5es como meio de troca, unidade de conta e reserva de valor.<\/p>\n<p>Argentina e Brasil, assim como seus vizinhos latino-americanos, j\u00e1 passaram por diversos momentos onde as respectivas sociedades deixaram de confiar na capacidade de os Estados garantirem liquidez e solv\u00eancia em instrumentos de d\u00edvida denominados em suas moedas. Da mesma forma, a infla\u00e7\u00e3o alta foi eliminando seu uso como padr\u00e3o de contratos formais ou informais, valer dizer, como unidade de conta \u2013 <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Treatise-Money-Two-Volumes-Complete\/dp\/1614270112\/ref=sr_1_1?crid=2HLE6083BPBL9&amp;keywords=A+Treatise+on+Money&amp;qid=1674673695&amp;sprefix=a+treatise+on+money%2Caps%2C207&amp;sr=8-1\">a fun\u00e7\u00e3o mais importante das moedas na vis\u00e3o de Keynes<\/a> \u2013, ou como reserva de valor e meio de troca.<\/p>\n<p>As duas maiores economias da Am\u00e9rica do Sul e do Mercosul lidaram <a href=\"https:\/\/www.thebanker.com\/World\/Americas\/Is-dollarisation-back-in-fashion?ct=true\">de formas distintas com a \u201cdoen\u00e7a das moedas\u201d<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ecos\/a\/MqV9hHtNW934pF3dLCCbs3h\/?lang=pt&amp;format=pdf\">A Argentina trilhou o caminho majorit\u00e1rio e se tornou, de fato, uma economia dolarizada<\/a>. O peso \u00e9 a moeda oficial, por\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.policycenter.ma\/publications\/dollarization-argentina-revival-zombie-idea\">as fam\u00edlias e empresas confiam mais no d\u00f3lar estadunidense ou em outras moedas convers\u00edveis, como o euro, para preservarem suas poupan\u00e7as<\/a>. Os pre\u00e7os de bens e servi\u00e7os privados tendem a seguir a cota\u00e7\u00e3o da moeda gerida pelo Federal Reserve. As pessoas \u201craciocinam\u201d em d\u00f3lares quando desejam transferir direitos de propriedade em im\u00f3veis e ativos financeiros. J\u00e1 o Brasil nunca se dolarizou nestes termos, ainda que tenha experimentado per\u00edodos de intenso uso de financiamento externo. <a href=\"https:\/\/professor.ufrgs.br\/pedrofonseca\/publications\/ign%C3%A1cio-rangel-corre%C3%A7%C3%A3o-monet%C3%A1ria-e-o-paeg-recontando-hist%C3%B3ria\">As reformas monet\u00e1rias e fiscais do per\u00edodo 1964-1966<\/a>, introduzidas por destacados economistas liberais, especialmente Roberto Campos e Ot\u00e1vio Gouvea de Bulh\u00f5es, disseminaram a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria em diversas formas de contratos, inclusive os que financiam o Estado: d\u00edvida p\u00fablica e impostos. Protegidos da corros\u00e3o inflacion\u00e1ria, a integridade funcional da moeda brasileira foi preservada, ainda que houvesse dois padr\u00f5es distintos: <a href=\"https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/ecos\/article\/view\/8643297\">a moeda indexada, dos ricos e remediados, e a moeda que perdia valor a cada dia, para o restante da popula\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>No plano externo, Argentina e Brasil conviveram com longos per\u00edodos de \u201cescassez de divisas\u201d, com o descompasso estrutural entre os gastos com bens, servi\u00e7os e ativos no exterior maior do que as respectivas capacidades produtivas, tecnol\u00f3gicas e comerciais de gerar receitas em moedas convers\u00edveis nas transa\u00e7\u00f5es internacionais. Os desequil\u00edbrios externos eram amenizados por meio de endividamento ou venda de ativos, o que tornava as nossas economias ainda mais suscet\u00edveis aos choques externos. Os problemas tamb\u00e9m surgiam nos per\u00edodos de abund\u00e2ncia de divisas, ainda que com os sinais contr\u00e1rios. A grande entrada de divisas sobrevalorizava as moedas locais, ampliava a demanda local por bens, servi\u00e7os e ativos financeiros e induzia a surtos curtos de expans\u00e3o real e financeira, logo seguidos se contra\u00e7\u00f5es e crises tamb\u00e9m intensos. Pode-se morrer de sede ou de fome, mas tamb\u00e9m se pode morrer por efeito da ingest\u00e3o excessiva de alimentos e de l\u00edquidos.<\/p>\n<p>Crises monet\u00e1rias e financeiras foram se sucedendo, com enredos espec\u00edficos, mas finais parecidos, especialmente no que tange \u00e0 maior volatilidade nos padr\u00f5es de crescimento da renda e de dissemina\u00e7\u00e3o de fragilidades na sustenta\u00e7\u00e3o das capacidades estatais, especialmente para garantir o financiamento de servi\u00e7os p\u00fablicos. Se as moedas nacionais eram fracas e prendiam os pa\u00edses aos grilh\u00f5es do d\u00f3lar, nada mais natural do que pensar na cria\u00e7\u00e3o de instrumentos alternativos, capazes de, pelo menos em tese, reduzir tal depend\u00eancia e ampliar o potencial de integra\u00e7\u00e3o regional. A ilus\u00e3o da moeda \u00fanica para o Mercosul sempre existiu, antes ainda de a integra\u00e7\u00e3o avan\u00e7ar. A coopera\u00e7\u00e3o financeira por meio do <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/rex\/ccr\/resumo_ccr.asp?frame=1\">Conv\u00eanio de Pagamentos e Cr\u00e9ditos Rec\u00edprocos<\/a> (CCR, criado em 1982), <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/estabilidadefinanceira\/sml\">do Sistema \u00a0Pagamentos em Moedas Locais<\/a> (SML, criado em 2008)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, dos financiamentos dos bancos nacionais de desenvolvimento e das ag\u00eancias regionais de fomento vem de longa data, o que n\u00e3o impediu o ac\u00famulo de vulnerabilidades internas e externas das economias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Coopera\u00e7\u00e3o financeira e moeda \u00fanica: realidades e ilus\u00f5es <\/em><\/strong><\/p>\n<p>A reuni\u00e3o de Estados com n\u00edveis inferiores de poder e que emitem e gerem moedas n\u00e3o convers\u00edveis internacionalmente, por mais bem intencionados que sejam seus l\u00edderes, n\u00e3o \u00e9 capaz de <em>per se<\/em> produzir uma nova moeda, agora forte e confi\u00e1vel, ou mesmo de alavancar mecanismos de coopera\u00e7\u00e3o financeira que reduzam significativamente a nossa depend\u00eancia relativa das moedas convers\u00edveis. Podem ser produzidos estudos t\u00e9cnicos rigorosos e detalhados sem que isso altere a r\u00edgida hierarquia monet\u00e1ria e financeira global. Bons discursos n\u00e3o invertem a pir\u00e2mide monet\u00e1ria descrita por <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/States-Markets-Bloomsbury-Revelations-Strange\/dp\/1474236928\/ref=sr_1_1?crid=25Z66EZ5QOOMY&amp;keywords=Susan+Strange&amp;qid=1674674958&amp;sprefix=susan+strange+%2Caps%2C217&amp;sr=8-1&amp;asin=1474236928&amp;revisionId=&amp;format=4&amp;depth=1\">Susan Strange<\/a> ou por <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Geography-Money-Benjamin-J-Cohen\/dp\/0801485134\/ref=sr_1_7?crid=2JLEFVU2EFLNG&amp;keywords=Benjamin+J.+Cohen&amp;qid=1674674892&amp;sprefix=benjamin+j.+cohen%2Caps%2C663&amp;sr=8-7\">Benjamin Cohen<\/a>.<\/p>\n<p>Depois de vencer duas guerras mundiais e de ver seus aliados, especialmente o Reino Unidos, perderem poder relativo, <a href=\"https:\/\/www.amazon.com\/Exorbitant-Privilege-Dollar-International-Monetary\/dp\/0199753784\/ref=sr_1_1?crid=2F5T6MGCYUPZZ&amp;keywords=exorbitant+privilege+eichengreen&amp;qid=1674675037&amp;sprefix=exorbitant+%2Caps%2C312&amp;sr=8-1\">os EUA se consolidaram como o maior poder global e sua moeda, o d\u00f3lar, passou a funcionar como \u201ca moeda internacional\u201d <em>de facto<\/em><\/a>. At\u00e9 aqui, nenhum outro instrumento surgiu com for\u00e7a para alterar o <em>status quo<\/em>, nem mesmo o euro, cujas fragilidades de ser \u201cuma moeda sem um Estado\u201d foram anunciadas por cr\u00edticos como <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0176268098000159\">Charles Goodhart<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Euro-Crisis-Philip-Arestis\/dp\/023036750X\">Philip Arestis<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.federalreserve.gov\/econres\/notes\/feds-notes\/the-international-role-of-the-u-s-dollar-20211006.html\">O d\u00f3lar representa 2\/3 dos instrumentos de d\u00edvida, empr\u00e9stimos banc\u00e1rios e reservas internacionais existentes globalmente, a despeito de a economia estadunidense participar com pouco mais de 20% da renda mundial<\/a>. <a href=\"https:\/\/www.bis.org\/statistics\/rpfx22.htm\">Na mais recente pesquisa Trienal do BIS<\/a> sua lideran\u00e7a \u00e9 s\u00f3lida. Estimou-se em US$ 7,5 trilh\u00f5es o giro di\u00e1rio das opera\u00e7\u00f5es cambiais. Instrumentos em d\u00f3lar representam metade daquele montante. Da mesma forma que <a href=\"https:\/\/www.swift.com\/our-solutions\/compliance-and-shared-services\/business-intelligence\/renminbi\/rmb-tracker\">nos registros mensais dos pagamentos internacionais<\/a> realizados por meio da plataforma Swift.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o conjunta de Fern\u00e1ndez e Lula aponta na dire\u00e7\u00e3o correta no que se refere \u00e0 import\u00e2ncia de se tentar revigorar mecanismos regionais de coopera\u00e7\u00e3o financeira. Todavia, isoladamente tal iniciativa n\u00e3o garantir\u00e1 uma retomada robusta das rela\u00e7\u00f5es comerciais bilaterais. Argentina e Brasil v\u00eam de um longo per\u00edodo de crescimento baixo e vol\u00e1til, pelo menos desde a crise da d\u00edvida externa, em 1982. Entre 2001 e 2019, antes da pandemia, <a href=\"https:\/\/data.worldbank.org\/indicator\/NY.GDP.PCAP.KD.ZG\">a taxa m\u00e9dia de crescimento da renda per capita<\/a> de ambos foi de 1,1% a.a. e de 1,3% a.a., respectivamente. Na Argentina, o desvio padr\u00e3o deste crescimento chegou a 6,1% contra 2,8% do Brasil. Nos dois casos, o desvio maior do que a m\u00e9dia indica claramente a enorme volatilidade.<\/p>\n<p>Dito de outra forma, \u00e9 patente a incapacidade destas economias em manterem trajet\u00f3rias robustas e est\u00e1veis de expans\u00e3o. Para se colocar em perspectiva, segue o crescimento m\u00e9dio anual e o desvio-padr\u00e3o de um conjunto diverso de regi\u00f5es no mesmo per\u00edodo: \u00c1sia-Pac\u00edfico (7,3% e 1,3%), Sul da \u00c1sia (4,9% e 1,5%), \u00c1frica Subsaariana (1,8% e 1,6%), Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica (1,8% e 2,3%), Europa do Leste e \u00c1sia Central (3,8% e 3,5%) e os pa\u00edses de alta renda (1,1% e 1,5%). O desempenho de Argentina e Brasil s\u00f3 n\u00e3o foi pior do que seus vizinhos latino-americanos e, em alguma medida, de que as economias avan\u00e7adas, que apresentaram baixo dinamismo, mas em um contexto onde os n\u00edveis m\u00e9dios de renda s\u00e3o cinco vezes superiores aos dos pa\u00edses \u00e2ncora do Mercosul.<\/p>\n<p>\u00c9 antigo <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/latin-american-research-review\/article\/integracion-monetaria-y-financiera-en-america-del-sur-y-en-asia\/1EF36FFE88698691818D7D9A9F2F0CA6\">o sonho de uma moeda \u00fanica para o Mercosul<\/a>, conforme tratamos em <a href=\"https:\/\/ideas.repec.org\/a\/anp\/econom\/v11y2010i2465_491.html\">artigos acad\u00eamicos que refletem pesquisas iniciadas nos anos 1990<\/a>. Da mesma forma, n\u00e3o s\u00e3o novos os esfor\u00e7os de coopera\u00e7\u00e3o financeira regional e a pretens\u00e3o de alguns em ver o Brasil como um l\u00edder regional na \u00e1rea financeira, temas tratados pela Profa. Luiza Peruffo em sua <a href=\"https:\/\/www.lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/70014\">disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, na UFRGS<\/a>, e <a href=\"https:\/\/www.repository.cam.ac.uk\/handle\/1810\/325030\">tese de doutorado, na Universidade de Cambridge<\/a>. Aprofundar a coopera\u00e7\u00e3o financeira regional, ampliar e fortalecer os instrumentos de cr\u00e9dito, de compartilhamento de risco e outros s\u00e3o iniciativas mais do que bem-vindas, desde que as mesmas sejam colocadas na devida perspectiva: n\u00e3o s\u00e3o panaceias, n\u00e3o far\u00e3o milagres e n\u00e3o resolver\u00e3o os in\u00fameros problemas econ\u00f4micos, pol\u00edticos e institucionais que dificultam a integra\u00e7\u00e3o regional. S\u00e3o meios que podem ajudar na integra\u00e7\u00e3o, mas que isoladamente pouco far\u00e3o para consolid\u00e1-la.<\/p>\n<p>O aspecto mais relevante da declara\u00e7\u00e3o conjunta e das manifesta\u00e7\u00f5es recorrentes do Presidente Lula \u00e9 a necessidade de se perceber a integra\u00e7\u00e3o regional como um projeto pol\u00edtico estrat\u00e9gico para a preserva\u00e7\u00e3o da paz e da capacidade de os pa\u00edses da regi\u00e3o buscarem trajet\u00f3rias mais robustas de desenvolvimento econ\u00f4mico, social, pol\u00edtico e institucional em bases democr\u00e1ticas e em um mundo onde as disputas pelo poder global criam press\u00f5es negativas adicionais sobre os nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/estabilidadefinanceira\/sml\">O Banco Central do Brasil nos informa que US$ 5,2 bilh\u00f5es de exporta\u00e7\u00f5es de mercadorias<\/a> para os vizinhos do Mercosul cursaram por meio do SML em 2021. Isto equivale a 1,8% das exporta\u00e7\u00f5es totais do Brasil naquele ano (US$ 281 bilh\u00f5es) e 30% das exporta\u00e7\u00f5es total direcionadas aos parceiros do Mercosul (US$ 17 bilh\u00f5es), conforme os <a href=\"https:\/\/balanca.economia.gov.br\/balanca\/publicacoes_dados_consolidados\/pg.html#pa%C3%ADses\">dados da SECEX<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Andr\u00e9 Moreira Cunha, Andr\u00e9s Ferrari e Luiza Peruffo, docentes do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[445],"class_list":["post-29232","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analise","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29232\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}