{"id":3047,"date":"2016-01-06T16:49:08","date_gmt":"2016-01-06T19:49:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=3047"},"modified":"2017-09-21T16:34:31","modified_gmt":"2017-09-21T19:34:31","slug":"alta-das-bolsas-chinesas-e-so-a-primeira-turbulencia-de-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/alta-das-bolsas-chinesas-e-so-a-primeira-turbulencia-de-2016\/","title":{"rendered":"Queda das bolsas na China \u00e9 s\u00f3 a primeira turbul\u00eancia de 2016"},"content":{"rendered":"<p>Qualquer abalo na economia chinesa representa grande temor para investidores e governantes mundo afora. O fechamento da Bolsa de Xangai ap\u00f3s decl\u00ednio 7% das a\u00e7\u00f5es, duas vezes na mesma semana,\u00a0abre o ano confirmando as perspectivas de mais um ano dif\u00edcil para a economia global.<\/p>\n<p>O professor do Departamento de Economia da UFRGS, Fernando Ferrari Filho, fala sobre as motiva\u00e7\u00f5es para a queda das a\u00e7\u00f5es e as estimativas de preju\u00edzos para a economia brasileira, considerando que a China \u00e9 o principal parceiro comercial do pa\u00eds. Por outro lado, destaca o economista, as turbul\u00eancias internas podem contribuir para recrudescer ainda mais o atual cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel da economia brasileira.<\/p>\n<p><strong>Quais fatores explicam a queda da Bolsa de Xangai e o consequente reflexo nas bolsas mundo afora?<\/strong><br \/>\nA queda das bolsas era um comportamento j\u00e1 esperado por v\u00e1rios motivos. A eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros dos EUA \u00e9 um fator. Toda vez que ocorre eleva\u00e7\u00e3o dos juros, principalmente da locomotiva da economia mundial, h\u00e1 um impacto na economia internacional, uma vez que os juros norte-americanos s\u00e3o refer\u00eancia para os juros dos demais bancos centrais mundiais. A taxa aumentou para 0,5%, por\u00e9m, segundo a presidente do Banco Central, Janet Yellen, poder\u00e3o ocorrer novos aumentos ao longo de 2016. As expectativas de mercado s\u00e3o de que \u00a0no final de 2016 a FED Funds esteja em 1,25% ao ano. Al\u00e9m disso, a recupera\u00e7\u00e3o da economia norte-americana est\u00e1 ocorrendo de forma muito lenta.<\/p>\n<p>Outro fator \u00e9 que, nos \u00faltimos anos, o desaquecimento da economia da China, especialmente a desacelera\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o industrial, e os problemas de endividamento p\u00fablico e de crise banc\u00e1ria acabaram impactando o mercado internacional.<\/p>\n<p>Se acrescentarmos o fato de que a economia europeia est\u00e1 estagnada h\u00e1 muito tempo, bem como h\u00e1 um cen\u00e1rio de instabilidade pol\u00edtica internacional decorrente do conflito no Oriente M\u00e9dio, da possibilidade de novos atentados terroristas e do processo descontrolado de migra\u00e7\u00e3o s\u00edria para a Europa, ent\u00e3o tem-se um ambiente mundial perfeito para a queda nas bolsas.<\/p>\n<p><strong>Quando come\u00e7ou a crise na China?<\/strong><br \/>\nO governo chin\u00eas sabia das dificuldades em manter a din\u00e2mica de crescimento acelerado muito antes da crise do subprime (2007-2008). Hoje \u00e9 imposs\u00edvel se ter a mesma din\u00e2mica de seis, sete anos atr\u00e1s. A China crescia, em m\u00e9dia, 11% ao ano; agora o crescimento m\u00e9dio anual \u00e9 de 6,5%. O desaquecimento chin\u00eas passou a ocorrer ap\u00f3s a crise financeira internacional. Ademais, em um cen\u00e1rio mundial de menor crescimento econ\u00f4mico, a desacelera\u00e7\u00e3o da China \u00e9 uma tend\u00eancia.<br \/>\nNesse sentido, n\u00e3o \u00e9 por nada que a China est\u00e1 se voltando para o mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o da queda da Bolsa de Xangai, os pre\u00e7os dos ativos financeiros s\u00e3o formados com base nas expectativas de din\u00e2mica de crescimento, de investimentos e de taxas de juros e c\u00e2mbio condizentes, entre outras.<\/p>\n<p>Ademais, o grau de confian\u00e7a dos empres\u00e1rios \u00e9\u00a0fundamental para a expans\u00e3o dos investimentos que, por sua vez, geram a valoriza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es. Infelizmente, a incerteza econ\u00f4mica em n\u00edvel mundial est\u00e1 afetando o grau de confian\u00e7a dos empres\u00e1rios. Assim, os investimentos, sejam na China, sejam mundo afora, se retraem, provocando desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, os investimentos estrangeiros diretos, tanto na China, quanto em outras economias emergentes, se arrefeceram.<\/p>\n<p><strong>Como o Brasil ser\u00e1 impactado por essas turbul\u00eancias?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 poucos dias foi divulgado o super\u00e1vit da economia brasileira em 2015, que foi de 19,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Se n\u00e3o fossem a queda dos pre\u00e7os das commodities agr\u00edcolas e minerais e a diminui\u00e7\u00e3o das demandas internacionais por produtos do Brasil, esse super\u00e1vit seria de quase 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo estimativas do governo federal. Portanto, a desacelera\u00e7\u00e3o das economias chinesa e mundial j\u00e1 vem afetando o Brasil.<\/p>\n<p>Para 2016 s\u00e3o esperadas v\u00e1rias turbul\u00eancias, inclusive relacionadas ao c\u00e2mbio. Nesse particular, pode-se ter uma externalidade positiva: como estamos em recess\u00e3o e n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel apostar no aumento do consumo interno, a busca do mercado externo, mesmo desaquecido, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado o c\u00e2mbio foi desvalorizado em 48%. O que esperar para 2016? Uma desvaloriza\u00e7\u00e3o que, pelo menos, reponha a infla\u00e7\u00e3o de 2015 que deve ter ficado entre 10% e 11%. Ou seja, ao final do ano a taxa de c\u00e2mbio dever\u00e1 estar pr\u00f3xima a R$ 4,40. \u00d3timo para os exportadores e as contas externas brasileiras. Agora, n\u00e3o tenhamos d\u00favidas: haver\u00e1 muita volatilidade da taxa de c\u00e2mbio ao longo do ano.<\/p>\n<p>Por Samantha Klein, jornalista<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/twitter.com\/samklein\">@samklein<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor da UFRGS analisa o abrupto decl\u00ednio dos \u00edndices em Xangai <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3049,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4],"tags":[48,47,51,52,30,49,45,50,46],"class_list":["post-3047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-bolsa-de-xangai","tag-china","tag-commodities","tag-dolar","tag-economia","tag-economia-mundial","tag-fernando-ferrari","tag-subprimes","tag-ufrgs"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}