{"id":3270,"date":"2016-05-30T12:54:55","date_gmt":"2016-05-30T12:54:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=3270"},"modified":"2025-12-11T09:57:54","modified_gmt":"2025-12-11T12:57:54","slug":"migracoes-globais-um-constante-desafio-para-a-comunidade-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/migracoes-globais-um-constante-desafio-para-a-comunidade-internacional\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es globais: um constante desafio para a comunidade internacional"},"content":{"rendered":"<p>Por Robson Valdez<\/p>\n<p>O <strong>Panorama Internacional FEE<\/strong> traz ao debate, em sua terceira edi\u00e7\u00e3o, o tema das migra\u00e7\u00f5es internacionais. O fen\u00f4meno das migra\u00e7\u00f5es humanas tem sido recorrente no processo evolutivo das sociedades. Suas dimens\u00f5es, suas causas e seus efeitos encontram-se na seara da pol\u00edtica, da economia, da religi\u00e3o, do hist\u00f3rico das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, etc. A complexidade da quest\u00e3o \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia para o entendimento de outros fen\u00f4menos hist\u00f3ricos, pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais. Como entender, por exemplo, a forma\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais e de seus sistemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos ao longo da hist\u00f3ria sem levar em considera\u00e7\u00e3o o papel dos fluxos migrat\u00f3rios no contexto de todos esses processos?<\/p>\n<p>Dada a complexidade inerente \u00e0 din\u00e2mica pr\u00f3pria dos movimentos migrat\u00f3rios, atribuir a esses fen\u00f4menos o r\u00f3tulo de \u201ccrise\u201d parece ser redundante na medida em que as migra\u00e7\u00f5es se configuram em um desafio cotidiano para os pa\u00edses. Dessa forma, tem-se a impress\u00e3o de que o potencial de crise est\u00e1 inversamente relacionado \u00e0 capacidade dos Estados de lidar com o influxo de estrangeiros em territ\u00f3rios nacionais.<\/p>\n<p>Por outro lado, tem-se a percep\u00e7\u00e3o de que as causas, muitas vezes, se relacionam com o fracasso dos Estados em proverem as condi\u00e7\u00f5es para a perman\u00eancia de seus cidad\u00e3os em sua terra natal. Assim, levando-se em considera\u00e7\u00e3o que as pol\u00edticas p\u00fablicas dos Estados est\u00e3o cada vez mais condicionadas \u00e0s expectativas positivas dos investidores internacionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o de suas contas p\u00fablicas nacionais, a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas migrat\u00f3rias pelos pa\u00edses tem o desafio, dentre muitos outros, de se enquadrar no escopo econ\u00f4mico h\u00e1 muito tempo designado \u00e0 atra\u00e7\u00e3o dos fluxos internacionais de capitais.<\/p>\n<p>Nos dois extremos dessa problem\u00e1tica, pa\u00eds natal e pa\u00eds receptor, evidenciam-se subprodutos incontest\u00e1veis do sistema capitalista no qual a economia do planeta est\u00e1 inserida: os perdedores e os ganhadores. Nesse sentido, tem-se observado que a divis\u00e3o internacional do trabalho, que h\u00e1 muito tempo cristalizou o papel de cada pa\u00eds dentro do sistema econ\u00f4mico global, vem sendo paulatinamente reconfigurada pela pulveriza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos em escala mundial, naquilo que se convencionou chamar de cadeias globais de valor.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses centrais que j\u00e1 alcan\u00e7aram elevados n\u00edveis de desenvolvimento econ\u00f4mico e social para suas popula\u00e7\u00f5es, muitas vezes \u00e0 custa da pilhagem e do colonialismo de povos da periferia global (\u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica), buscam manter o bem-estar social \u201cconquistado\u201d. J\u00e1 os pa\u00edses perif\u00e9ricos, detentores mundiais de mat\u00e9rias-primas estrat\u00e9gicas, seguem, inercialmente a passos lentos, e em condi\u00e7\u00f5es totalmente distintas, o caminho tra\u00e7ado pelos campe\u00f5es do capitalismo global com o intuito de tamb\u00e9m assegurar algum bem-estar econ\u00f4mico e social aos seus nacionais. Dessa forma, essa interdepend\u00eancia econ\u00f4mica acentua os graus de depend\u00eancia e vulnerabilidade entre os pa\u00edses e consolida canais de transmiss\u00e3o que viabilizam, por exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de pontes migrat\u00f3rias Norte-Norte, Sul-Sul e Sul-Norte.<\/p>\n<p>Ao tratar da tem\u00e1tica migrat\u00f3ria no contexto internacional, tamb\u00e9m \u00e9 comum atribuir \u00e0s guerras ou \u00e0 emerg\u00eancia de conflitos \u00e9tnico-religiosos um peso crucial para entender a intensidade e o direcionamento dos fluxos migrat\u00f3rios. Em outros casos, eventos clim\u00e1ticos extremos (terremotos, <em>tsunamis<\/em>, desertifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas agricult\u00e1veis, secas prolongadas, etc.) s\u00e3o apontados como for\u00e7a motriz de grandes migra\u00e7\u00f5es. No entanto, essa tem\u00e1tica demanda uma an\u00e1lise pol\u00edtica que insira essas vari\u00e1veis em uma abordagem sist\u00eamica que d\u00ea conta das complexas disputas interestatais por recursos de poder no \u00e2mbito do sistema internacional. Adicionalmente, e de forma complementar, essa an\u00e1lise deve levar em considera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, as contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista que se potencializam \u00e0 medida que o processo de globaliza\u00e7\u00e3o se intensifica.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, o desafio da Uni\u00e3o Europeia frente \u00e0 explos\u00e3o do n\u00famero de imigrantes internacionais que chegaram \u00e0s fronteiras de seus pa\u00edses-membros reacendeu a discuss\u00e3o sobre os fluxos migrat\u00f3rios internacionais. Em 2015, muitos dos imigrantes que fugiam dos conflitos na S\u00edria e no continente africano buscaram asilo nos pa\u00edses europeus. O envolvimento direto dos Estados Unidos e das pot\u00eancias europeias em grande parte desses conflitos os colocou no centro do debate como atores-chave no equacionamento da crise dos refugiados.<\/p>\n<p>No Brasil, essa discuss\u00e3o j\u00e1 vinha sendo feita pelas autoridades federais desde 2010, quando o Pa\u00eds passou a receber o influxo de imigrantes haitianos que deixaram seu pa\u00eds ap\u00f3s a ocorr\u00eancia de um grande terremoto naquele mesmo ano. Com a eclos\u00e3o da Guerra Civil na S\u00edria em 2011, o Brasil tamb\u00e9m passou a receber refugiados s\u00edrios em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Tanto no Brasil quanto na Europa, a discuss\u00e3o sobre os refugiados provocou debates sobre a responsabilidade dos pa\u00edses de acolherem ou n\u00e3o essas pessoas. No cerne das argumenta\u00e7\u00f5es, est\u00e3o os impactos do influxo migrat\u00f3rio nos mercados de trabalho dos pa\u00edses receptores; a press\u00e3o desse influxo migrat\u00f3rio sobre o sistema de bem-estar social dos Estados acolhedores; al\u00e9m de quest\u00f5es xen\u00f3fobas, como o impacto cultural e religioso do estrangeiro sobre as sociedades locais.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, estado da Federa\u00e7\u00e3o com grande influ\u00eancia estrangeira na sua forma\u00e7\u00e3o cultural, econ\u00f4mica e social (portugueses, escravos africanos, italianos e alem\u00e3es), a quest\u00e3o migrat\u00f3ria ganhou relev\u00e2ncia pelo fato de o Estado ter-se tornado polo de atra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra haitiana que entra no Brasil pelo Estado do Acre. Al\u00e9m dos haitianos, \u00e9 comum encontrar imigrantes africanos que buscam oportunidades de emprego e renda no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Assim, considerando-se a complexidade e a contemporaneidade dessa tem\u00e1tica nos \u00e2mbitos internacional, nacional e local, o <strong>Panorama Internacional FEE<\/strong> traz esse olhar sist\u00eamico sobre o atual cen\u00e1rio das migra\u00e7\u00f5es internacionais e suas intera\u00e7\u00f5es globais nos campos da economia e da geopol\u00edtica, assim como sobre o papel do Brasil diante desse desafio. Mais do que encontrar respostas e apontar solu\u00e7\u00f5es para essa quest\u00e3o, esta edi\u00e7\u00e3o visa \u00e0 problematiza\u00e7\u00e3o desse t\u00f3pico, que pode ser analisado a partir das mais variadas perspectivas.<\/p>\n<p>O pesquisador e economista <strong>Jaime Carrion Fialkow<\/strong> faz, no primeiro texto da publica\u00e7\u00e3o, uma leitura preliminar sobre os principais processos pertinentes \u00e0 migra\u00e7\u00e3o internacional nos dias atuais. Com base nos dados de ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas que lidam com os fluxos migrat\u00f3rios internacionais, seu texto elenca as principais vari\u00e1veis em cada um dos fluxos migrat\u00f3rios sugeridos em sua pesquisa. No segundo artigo, os pesquisadores em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais <strong>Ricardo Fagundes Le\u00e3es<\/strong> e\u00a0<strong>Bruno Mariotto Jubran<\/strong> analisam a vari\u00e1vel central da atual crise dos refugiados na Europa: a guerra civil na S\u00edria.<\/p>\n<p>Fugindo de abordagens dicot\u00f4micas que buscam identificar as for\u00e7as do bem e do mal, os pesquisadores lan\u00e7am luz sobre a complexa teia de conflitos de interesses geopol\u00edticos que envolvem uma gama variada de atores internacionais na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio. J\u00e1 no terceiro trabalho desta edi\u00e7\u00e3o, a economista e pesquisadora <strong>Iracema Keila Castelo Branco<\/strong> trata essa tem\u00e1tica sob uma perspectiva nacional, investigando o impacto do recente fluxo migrat\u00f3rio internacional dos \u00faltimos cinco anos sobre o mercado de trabalho no Brasil e no Rio Grande do Sul. No quarto e \u00faltimo artigo, o pesquisador e historiador <strong>\u00c1lvaro Ant\u00f4nio Klafke <\/strong>analisa, em tr\u00eas momentos hist\u00f3ricos distintos, a percep\u00e7\u00e3o da imprensa sobre as discuss\u00f5es que envolvem os influxos migrat\u00f3rios no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Por fim, o <strong>Panorama Internacional<\/strong> <strong>FEE<\/strong> entrevista a professora doutora do Curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de S\u00e3o Paulo <strong>Deisy Ventura<\/strong>. A partir de seu vasto curr\u00edculo de pesquisas em migra\u00e7\u00f5es humanas internacionais, Deisy Ventura exp\u00f5e suas impress\u00f5es sobre essa relevante tem\u00e1tica internacional, analisando o posicionamento dos principais atores internacionais, assim como a postura do Brasil frente a esse desafio.<\/p>\n<div class=\"cssc-main\"><\/div>\n<div class=\"cssc-main\">*Originalmente publicado no Panorama Internacional da FEE<\/div>\n<div class=\"cssc-main\"><strong>*Robson Valdez \u00e9 doutorando do Programa de Estudos Estrat\u00e9gicos Internacional da FCE\/UFRGS<\/strong>, internacionalista e pesquisador da FEE<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Robson Valdez O Panorama Internacional FEE traz ao debate, em sua terceira edi\u00e7\u00e3o, o tema das migra\u00e7\u00f5es internacionais. O fen\u00f4meno das migra\u00e7\u00f5es humanas tem sido recorrente no processo evolutivo das sociedades. 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Dessa forma, tem-se a impress\u00e3o de que o potencial de crise est\u00e1 inversamente relacionado \u00e0 capacidade dos Estados de lidar com o influxo de estrangeiros em territ\u00f3rios nacionais. Por outro lado, tem-se a percep\u00e7\u00e3o de que as causas, muitas vezes, se relacionam com o fracasso dos Estados em proverem as condi\u00e7\u00f5es para a perman\u00eancia de seus cidad\u00e3os em sua terra natal. Assim, levando-se em considera\u00e7\u00e3o que as pol\u00edticas p\u00fablicas dos Estados est\u00e3o cada vez mais condicionadas \u00e0s expectativas positivas dos investidores internacionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o de suas contas p\u00fablicas nacionais, a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas migrat\u00f3rias pelos pa\u00edses tem o desafio, dentre muitos outros, de se enquadrar no escopo econ\u00f4mico h\u00e1 muito tempo designado \u00e0 atra\u00e7\u00e3o dos fluxos internacionais de capitais. Nos dois extremos dessa problem\u00e1tica, pa\u00eds natal e pa\u00eds receptor, evidenciam-se subprodutos incontest\u00e1veis do sistema capitalista no qual a economia do planeta est\u00e1 inserida: os perdedores e os ganhadores. Nesse sentido, tem-se observado que a divis\u00e3o internacional do trabalho, que h\u00e1 muito tempo cristalizou o papel de cada pa\u00eds dentro do sistema econ\u00f4mico global, vem sendo paulatinamente reconfigurada pela pulveriza\u00e7\u00e3o dos processos produtivos em escala mundial, naquilo que se convencionou chamar de cadeias globais de valor. Os pa\u00edses centrais que j\u00e1 alcan\u00e7aram elevados n\u00edveis de desenvolvimento econ\u00f4mico e social para suas popula\u00e7\u00f5es, muitas vezes \u00e0 custa da pilhagem e do colonialismo de povos da periferia global (\u00c1sia, Am\u00e9rica Latina e \u00c1frica), buscam manter o bem-estar social \u201cconquistado\u201d. 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Em outros casos, eventos clim\u00e1ticos extremos (terremotos, tsunamis, desertifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas agricult\u00e1veis, secas prolongadas, etc.) s\u00e3o apontados como for\u00e7a motriz de grandes migra\u00e7\u00f5es. No entanto, essa tem\u00e1tica demanda uma an\u00e1lise pol\u00edtica que insira essas vari\u00e1veis em uma abordagem sist\u00eamica que d\u00ea conta das complexas disputas interestatais por recursos de poder no \u00e2mbito do sistema internacional. Adicionalmente, e de forma complementar, essa an\u00e1lise deve levar em considera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, as contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista que se potencializam \u00e0 medida que o processo de globaliza\u00e7\u00e3o se intensifica. No \u00faltimo ano, o desafio da Uni\u00e3o Europeia frente \u00e0 explos\u00e3o do n\u00famero de imigrantes internacionais que chegaram \u00e0s fronteiras de seus pa\u00edses-membros reacendeu a discuss\u00e3o sobre os fluxos migrat\u00f3rios internacionais. Em 2015, muitos dos imigrantes que fugiam dos conflitos na S\u00edria e no continente africano buscaram asilo nos pa\u00edses europeus. O envolvimento direto dos Estados Unidos e das pot\u00eancias europeias em grande parte desses conflitos os colocou no centro do debate como atores-chave no equacionamento da crise dos refugiados. No Brasil, essa discuss\u00e3o j\u00e1 vinha sendo feita pelas autoridades federais desde 2010, quando o Pa\u00eds passou a receber o influxo de imigrantes haitianos que deixaram seu pa\u00eds ap\u00f3s a ocorr\u00eancia de um grande terremoto naquele mesmo ano. Com a eclos\u00e3o da Guerra Civil na S\u00edria em 2011, o Brasil tamb\u00e9m passou a receber refugiados s\u00edrios em territ\u00f3rio nacional. Tanto no Brasil quanto na Europa, a discuss\u00e3o sobre os refugiados provocou debates sobre a responsabilidade dos pa\u00edses de acolherem ou n\u00e3o essas pessoas. No cerne das argumenta\u00e7\u00f5es, est\u00e3o os impactos do influxo migrat\u00f3rio nos mercados de trabalho dos pa\u00edses receptores; a press\u00e3o desse influxo migrat\u00f3rio sobre o sistema de bem-estar social dos Estados acolhedores; al\u00e9m de quest\u00f5es xen\u00f3fobas, como o impacto cultural e religioso do estrangeiro sobre as sociedades locais. No Rio Grande do Sul, estado da Federa\u00e7\u00e3o com grande influ\u00eancia estrangeira na sua forma\u00e7\u00e3o cultural, econ\u00f4mica e social (portugueses, escravos africanos, italianos e alem\u00e3es), a quest\u00e3o migrat\u00f3ria ganhou relev\u00e2ncia pelo fato de o Estado ter-se tornado polo de atra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra haitiana que entra no Brasil pelo Estado do Acre. Al\u00e9m dos haitianos, \u00e9 comum encontrar imigrantes africanos que buscam oportunidades de emprego e renda no Rio Grande do Sul. Assim, considerando-se a complexidade e a contemporaneidade dessa tem\u00e1tica nos \u00e2mbitos internacional, nacional e local, o Panorama Internacional FEE traz esse olhar sist\u00eamico sobre o atual cen\u00e1rio das migra\u00e7\u00f5es internacionais e suas intera\u00e7\u00f5es globais nos campos da economia e da geopol\u00edtica, assim como sobre o papel do Brasil diante desse desafio. Mais do que encontrar respostas e apontar solu\u00e7\u00f5es para essa quest\u00e3o, esta edi\u00e7\u00e3o visa \u00e0 problematiza\u00e7\u00e3o desse t\u00f3pico, que pode ser analisado a partir das mais variadas perspectivas. O pesquisador e economista Jaime Carrion Fialkow faz, no primeiro texto da publica\u00e7\u00e3o, uma leitura preliminar sobre os principais processos pertinentes \u00e0 migra\u00e7\u00e3o internacional nos dias atuais. Com base nos dados de ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas que lidam com os fluxos migrat\u00f3rios internacionais, seu texto elenca as principais vari\u00e1veis em cada um dos fluxos migrat\u00f3rios sugeridos em sua pesquisa. 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