{"id":35040,"date":"2024-07-11T15:56:49","date_gmt":"2024-07-11T18:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=35040"},"modified":"2024-07-11T16:05:02","modified_gmt":"2024-07-11T19:05:02","slug":"as-estimativas-dos-custos-de-reconstrucao-de-um-evento-climatico-como-fazer-as-contas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/as-estimativas-dos-custos-de-reconstrucao-de-um-evento-climatico-como-fazer-as-contas\/","title":{"rendered":"As estimativas dos custos de reconstru\u00e7\u00e3o de um evento clim\u00e1tico: como fazer as contas?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Gi\u00e1como Balbinotto Neto, professor do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s um desastre natural \u00e9 preciso avaliar o quanto foi perdido para come\u00e7ar a recuperar o local. Um desastre natural, do ponto de vista econ\u00f4mico, pode ser definido sendo como qualquer perda de valor de recurso no espa\u00e7o e no tempo acima de algum n\u00edvel limite. Nessa defini\u00e7\u00e3o ampla, qualquer perda de ativos, seja resultante de destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou altera\u00e7\u00e3o de valor,\u00a0 pode ser qualificada como um desastre.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise econ\u00f4mica um desastre natural, tal como as inunda\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ocorrendo no Rio Grande do Sul atualmente representam um caso oposto da implementa\u00e7\u00e3o de um projeto de investimento. Os projetos econ\u00f4micos, sejam eles p\u00fablicos ou privados, que muitas vezes assumem a forma de obras f\u00edsicas como compra de m\u00e1quinas e equipamentos, constru\u00e7\u00e3o de estradas, portos, barragens etc., envolvem decis\u00f5es sobre o uso de recursos escassos para aumentar, manter ou melhorar ou ainda aumentar a produtividade da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas par\u00e2metros b\u00e1sicos que os caracterizam \u00a0estas an\u00e1lises s\u00e3o o valor do investimento inicial, a vida \u00fatil do projeto e o fluxo de benef\u00edcios e custos gerados por ele. Do ponto de vista econ\u00f4mico, a avalia\u00e7\u00e3o de projetos consiste em comparar os custos e benef\u00edcios que eles geram, a fim de decidir sobre a conveni\u00eancia \u00a0ou n\u00e3o de realiz\u00e1-los. Contudo, os desastres naturais, como o que estamos vivendo, \u00a0causam danos ao estoque (que seriam desinvestimentos tanto p\u00fablicos como privados) e alteram os fluxos de produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, reduzindo sua disponibilidade e a efici\u00eancia de sua produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o. Isto sem contar efeitos indiretos sobre a sa\u00fade f\u00edsica e mental da popula\u00e7\u00e3o atingida bem como a perda de capital humano devido a interrup\u00e7\u00e3o de aulas em escolas e universidades. Deste modo, assumindo\u00a0 uma abordagem baseada na avalia\u00e7\u00e3o do projeto, \u00e9 poss\u00edvel \u00a0e fact\u00edvel avaliar e obtermos algumas estimativas das perdas econ\u00f4micas causadas por um desastre natural. Para tal \u00e9 necess\u00e1rio conhecermos ou obtermos informa\u00e7\u00f5es sobre tr\u00eas par\u00e2metros b\u00e1sicos: (a) o montante de perdas de ativos (ou desinvestimentos); (b) o impacto, em termos de pre\u00e7os e quantidades, no fluxo de bens e servi\u00e7os que comp\u00f5em o setor e (c) o per\u00edodo em que ocorreu a ruptura do mercado e a dura\u00e7\u00e3o da sua volta num per\u00edodo pr\u00e9-desastre. As v\u00e1rias abordagens e metodologias que veremos abaixo, tem estas ideias como pano de fundo.<\/p>\n<p>As estimativas das perdas econ\u00f4micas causadas por enchentes como a que se abatem sobre o Rio Grande do Sul atualmente s\u00e3o importantes para as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas como a que estamos vivendo e termos alguns paramentos e n\u00fameros para a necessidade de recursos e da implementa\u00e7\u00e3o de projetos e infraestrutura de mitiga\u00e7\u00e3o de eventos semelhantes que podem ocorrer.<\/p>\n<p>A estrutura\u00e7\u00e3o de modelos econ\u00f4micos para obtermos estimativas confi\u00e1veis e robustas, ainda que preliminares, \u00a0dado o conjunto de dados atualmente existentes, \u00e9 essencial para este prop\u00f3sito. Tais modelos tem uma ampla gama de aplica\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios aspectos de mitiga\u00e7\u00e3o de desastres, que v\u00e3o desde medidas estruturais, tais como, melhoria de obras para controle de inunda\u00e7\u00f5es etc., at\u00e9 medidas n\u00e3o estruturais, tais como, alerta de inunda\u00e7\u00e3o, desenvolvimento de ap\u00f3lices de seguro contra inunda\u00e7\u00f5es, medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de inunda\u00e7\u00f5es em tempo real, obras contra enchentes etc. \u00a0As estimativas das perda econ\u00f4micas e sociais ap\u00f3s um desastre pode ser muito \u00fatil tamb\u00e9m na aloca\u00e7\u00e3o e na capta\u00e7\u00e3o de recursos junto a institui\u00e7\u00f5es financeiras nacionais e internacionais e bancos de desenvolvimento que financiem a recupera\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o da economia ga\u00facha.<\/p>\n<p>O objetivo deste \u00a0breve artigo \u00e9 indicar quais\u00a0 s\u00e3o as principais abordagens econ\u00f4micas e modelos que podem ser usados para estimar os impactos e os custos de eventos clim\u00e1ticos como o ocorrido no Rio Grande do Sul a fim de servir de subs\u00eddios para se estimar a necessidade de recursos necess\u00e1rios para uma reconstru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e suas interrela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais.<\/p>\n<p>Os economistas utilizam principalmente modelos para estimar os impactos e as implica\u00e7\u00f5es decorrente de eventos como este que estamos vivendo. Um modelo nada mais \u00e9 do que uma <u>representa\u00e7\u00e3o simplificada da realidade<\/u>. A <u>fun\u00e7\u00e3o de um modelo<\/u> \u00e9 a de\u00a0 exibir as <u>rela\u00e7\u00f5es e a interdepend\u00eancia<\/u> entre as vari\u00e1veis end\u00f3genas e ex\u00f3genas que comp\u00f5e e estruturam um modelo. Assim, os modelos abstraem, deliberadamente, os detalhes que n\u00e3o s\u00e3o considerados importantes a fim de esclarecer quais s\u00e3o as vari\u00e1veis chaves ou fundamentais e as rela\u00e7\u00f5es importantes para explicar o fen\u00f4meno em quest\u00e3o. Deste modo, podemos considerar\u00a0 que um modelo nada mais \u00e9 do que \u00a0uma <u>representa\u00e7\u00e3o<\/u> <u>simplificada<\/u> e <u>abstrata<\/u> da realidade. Ele n\u00e3o t\u00eam por objetivo ser id\u00eantico \u00e0 realidade. Pelo contr\u00e1rio, ele busca representar o mundo real atrav\u00e9s de uma abstra\u00e7\u00e3o, algo que \u00e9 extra\u00eddo da realidade, do mundo real, e que nos ajuda a entender como ele funciona e as rela\u00e7\u00f5es existentes.<\/p>\n<p>O modelo, enquanto seja uma representa\u00e7\u00e3o difere em v\u00e1rios aspectos\u00a0 do original ou da realidade em termos de escala, montante de detalhes ou grau de complexidade, mas ao mesmo tempo preserva o que \u00e9 importante na realidade em seus aspectos fundamentais ou mais salientes e destacados.\u00a0 Assim, sendo, os modelos econ\u00f4micos que veremos abaixo devem ser vistos como sendo representa\u00e7\u00e3o simplificada da economia que permite aos \u00a0analistas compreender, medir e \u00a0prever o comportamento econ\u00f4mico em diferentes cen\u00e1rios. Isso envolve, quase sempre,\u00a0 que se assuma, de modo impl\u00edcito, hip\u00f3teses simplificadoras que permitem aos economistas isolar determinadas vari\u00e1veis espec\u00edficas e entender melhor sua influ\u00eancia nas decis\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Um dos principais objetivos dos modelos econ\u00f4micos \u00e9 fazer previs\u00f5es. Isso, no caso espec\u00edfico pelo qual est\u00e1 passando o Rio Grande do Sul pode incluir previs\u00f5es sobre o crescimento econ\u00f4mico, efeitos sobre o mercado de trabalho, custos sociais em termos de sa\u00fade, necessidade de recursos para reconstru\u00e7\u00e3o, perdas de patrim\u00f4nio\u00a0 e as interrela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Essas previs\u00f5es s\u00e3o valiosas para governos, empresas, agentes financeiros e investidores na tomada de decis\u00f5es informadas no curto, m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<p>A maioria das an\u00e1lises econ\u00f4micas busca estimar perdas de fluxo, como mudan\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o, renda ou consumo. Metodologias comuns para estimar perdas incluem modelos econom\u00e9tricos, modelos de insumo produto, modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel e modelos de crescimento econ\u00f4mico.\u00a0 Isso porque grande parte da contribui\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise econ\u00f4mica \u00e9 a estimativa das perdas de fluxo, que s\u00e3o causadas por danos e perdas patrimoniais.<\/p>\n<p>Como veremos, n\u00e3o existe uma metodologia padronizada e uniforme para estimar os custos das inunda\u00e7\u00f5es e eventos semelhantes. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 uma terminologia padronizada usada para descrever as consequ\u00eancias adversas de inunda\u00e7\u00f5es ou desastres naturais relacionados.<\/p>\n<p>A terminologia de custos comum para conciliar entre os campos de engenharia e economia inclui custos diretos e indiretos, custos intang\u00edveis, perdas de estoque e fluxo, perdas de ativos e produ\u00e7\u00e3o, valores de mercado e n\u00e3o de mercado e perdas de bem-estar.<\/p>\n<p>Na literatura econ\u00f4mica, existe uma distin\u00e7\u00e3o importante entre perdas de estoque e de fluxo. As exist\u00eancias referem-se a uma quantidade num determinado momento, enquanto os fluxos s\u00e3o os servi\u00e7os ou a produ\u00e7\u00e3o durante um determinado per\u00edodo.<\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es de engenharia de perdas por desastres tendem a se concentrar em perdas de estoque, como danos a ativos. No entanto, danos a ativos podem afetar subsequentemente os fluxos de servi\u00e7os e produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A literatura econ\u00f4mica oferece metodologias para estimar perdas de estoques e de fluxos. Estimar as perdas de fluxo \u00e9 crucial para entender a gama mais ampla de impactos dos desastres no bem-estar social (ou seja, no bem-estar).<\/p>\n<p>As vari\u00e1veis de estoque referem-se a vari\u00e1veis que buscam medir a quantidade ou uma magnitude de algo que existe num determinado ponto do tempo, por exemplo, estoque de capital, n\u00famero de m\u00e1quinas e equipamentos, produtos nas prateleiras para venda.<\/p>\n<p>J\u00e1 as vari\u00e1veis de\u00a0 fluxo referem-se a vari\u00e1veis que buscam medir a quantidade de algo que \u00e9 consumido, ganho, produzido por unidade de tempo. Essas vari\u00e1veis s\u00e3o importantes para entender como a economia est\u00e1 funcionando em um determinado momento, bem como para fazer previs\u00f5es sobre como a economia pode evoluir no futuro.<\/p>\n<p>Basicamente temos oito abordagens econ\u00f4micas para tentar avaliar as consequ\u00eancias de eventos como os que tem ocorrido devido as desastres clim\u00e1tico: (i) avalia\u00e7\u00e3o de danos diretos e indiretos; (ii) a abordagem de custos de reposi\u00e7\u00e3o; (iii) custos de interrup\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas; \u00a0(iv) modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel,\u00a0 (v) modelos de insumo-produto; (vi) modelos Baseados na Teoria Neocl\u00e1ssica do Crescimento (vii) \u00a0modelos econom\u00e9tricos (viii) consultas a especialistas (m\u00e9todo Delphi).<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o de danos diretos e indiretos<\/strong>: esta abordagem envolve estimar os danos f\u00edsicos causados pelo evento clim\u00e1tico, bem como os custos associados \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas em todos os setores e para os agentes envolvidos, danos \u00e0s infraestruturas f\u00edsicas (pontes, estradas, aeroportos, portos etc.), maquin\u00e1rio, implementos agr\u00edcolas, im\u00f3veis, perdas de emprego, custos de sa\u00fade p\u00fablica, entre outros.<\/p>\n<p>Os danos f\u00edsicos e de\u00a0 infraestrutura constituem-se na parte mais vis\u00edvel e evidente da avalia\u00e7\u00e3o de danos. Esta envolve quantificar os danos diretos causados pela inunda\u00e7\u00e3o, como a destrui\u00e7\u00e3o de casas, edif\u00edcios, estradas, pontes, sistemas de energia, redes de \u00e1gua e saneamento, aeroportos, perda de estoques, entre outros. Esse aspecto da avalia\u00e7\u00e3o de danos geralmente \u00e9 feito por meio de inspe\u00e7\u00f5es no local ap\u00f3s o evento e pode ser apoiado por imagens de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos danos f\u00edsicos temos tamb\u00e9m os impactos econ\u00f4micos diretos relacionados a interrup\u00e7\u00e3o das atividades comerciais e industriais devido \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es, equipamentos e perda de estoques e insumos. Isso pode incluir perdas de receita para empresas locais, perda da arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, interrup\u00e7\u00e3o na cadeia de suprimentos e perda de empregos tempor\u00e1rios ou permanentes. A isto deve ser acrescentado os custos relacionados ao setor prim\u00e1rio, tais como perda de safra, locais de armazenamento, perda de insumos (sementes, adubos etc.), maquin\u00e1rio (tratores, colheitadeiras etc.).<\/p>\n<p>Quanto aos impactos econ\u00f4micos indiretos estes podem ser podem ser ainda mais significativos e dif\u00edceis de quantificar pois eles envolvem efeitos secund\u00e1rios em setores que n\u00e3o foram diretamente afetados pela inunda\u00e7\u00e3o, como o turismo, servi\u00e7os financeiros e de seguro\u00a0 e outros servi\u00e7os. Por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o no fluxo devido \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o a \u00a0destinos tur\u00edsticos pode ter um impacto econ\u00f4mico significativo em toda uma regi\u00e3o bem como os pontos de acesso aos mesmos como estradas e aeroportos.<\/p>\n<p>Outros custos que n\u00e3o devem desprezados s\u00e3o os custos sociais e de sa\u00fade p\u00fablica associados evento. Isso inclui custos relacionados \u00e0 sa\u00fade mental, surgimentos de epidemias e custos de tratamento m\u00e9dico para les\u00f5es relacionadas ao desastre, perda de vidas humanas e impactos na qualidade de vida das comunidades afetadas, reconstru\u00e7\u00e3o de hospitais, postos de sa\u00fade, farm\u00e1cias. Deve-se ter conta tamb\u00e9m os efeitos causados em escolas, creches, asilos, casas de repouso e estruturas similares. Por fim devem ser avaliados os riscos futuros e considerar os custos de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o para eventos clim\u00e1ticos futuros. Isso pode incluir investimentos em infraestrutura resiliente, estruturas de governan\u00e7a para lidar com eventos clim\u00e1ticos, sistemas de alerta precoce, programas de seguro e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre prepara\u00e7\u00e3o para desastres semelhantes.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, existem duas abordagens para estimar perdas de propriedade \u2013 estimativa emp\u00edrica e fun\u00e7\u00f5es de dano. Para estimar empiricamente a perda de constru\u00e7\u00e3o e conte\u00fado, a medida correta \u00e9 o valor depreciado do ativo perdido, que reflete o valor do dano quando o dano foi incorrido. O uso do custo total de substitui\u00e7\u00e3o normalmente superestima o custo do desastre. No entanto, os custos de reposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais prov\u00e1veis de serem observados; os valores de substitui\u00e7\u00e3o depreciados n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis na maioria dos conjuntos de dados.<\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es Banco Mundial, que utilizam a metodologia de Avalia\u00e7\u00e3o de Danos e Perdas (DaLA &#8211; <em>Damage and Loss Assessment<\/em>), normalmente se baseiam no valor de reposi\u00e7\u00e3o, como os custos m\u00e9dios de constru\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, algumas avalia\u00e7\u00f5es governamentais incluem a adapta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-desastre, mesmo que estes n\u00e3o sejam custos atribu\u00edveis a eventos de desastres passados.<\/p>\n<p>A metodologia DALA (<em>Damage and Loss Assessment<\/em>) foi inicialmente desenvolvida pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e no Caribe(CEPAL, 2003), em 1972.<\/p>\n<p>Para sua avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o utilizados os c\u00e1lculos estat\u00edsticos governamentais dos diversos setores afetados abrangendo as atividades: (i) a elabora\u00e7\u00e3o de uma base cartogr\u00e1fica da \u00e1rea afetada pelo desastre; (ii) delimita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea afetada diretamente; (iii) caracteriza\u00e7\u00e3o do evento e dados meteorol\u00f3gicos;\u00a0 (iv) impacto socioecon\u00f4mico e ambiental do desastre e,\u00a0 (v) desenvolvimento da metodologia e (vi) consolida\u00e7\u00e3o dos par\u00e2metros para valora\u00e7\u00e3o dos danos.<\/p>\n<p>A Metodologia DALA na sua concep\u00e7\u00e3o original utiliza para o c\u00e1lculo de valora\u00e7\u00e3o as seguintes vari\u00e1veis:<\/p>\n<p>(i) popula\u00e7\u00e3o afetada: coleta dos resultados obtidos atrav\u00e9s das pesquisas realizadas pelos provedores de dados e informa\u00e7\u00f5es dos Estados ou munic\u00edpios referentes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o afetada;<\/p>\n<p>(ii) habita\u00e7\u00f5es: levantamento das condi\u00e7\u00f5es das resid\u00eancias antes e depois do desastre;<\/p>\n<p>(iii) com\u00e9rcio e ind\u00fastria: estimativa dos valores computados referente aos preju\u00edzos\u00a0 e danos diretos como: avarias na edifica\u00e7\u00e3o, perda de material, maquin\u00e1rios, ve\u00edculos e estoques e, aqueles indiretos referentes ao tempo de paralisa\u00e7\u00e3o da atividade;<\/p>\n<p>(iv) infraestrutura de educa\u00e7\u00e3o e cultura: contabiliza\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos acarretados nas escolas, teatros, bibliotecas, cinemas, museus, pr\u00e9dios hist\u00f3ricos, etc.<\/p>\n<p>(v) Setor de sa\u00fade: estimativa dos custos envolvidos para o tratamento das diversas doen\u00e7as e danos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o na \u00e1rea afetada;<\/p>\n<p>(vi) transporte: identifica\u00e7\u00e3o dos modais afetados pelo desastre, e os custos envolvidos para o reestabelecimento da malha rodovi\u00e1ria,<\/p>\n<p>(vii) energia el\u00e9trica e telecomunica\u00e7\u00f5es: levantamento dos custos dos reparos da rede el\u00e9trica e de comunica\u00e7\u00e3o avariadas e o fornecimento provis\u00f3rio de geradores de energia;<\/p>\n<p>(viii) abastecimento de \u00e1gua: estimar os custos de abastecimento provis\u00f3rio de \u00e1gua pot\u00e1vel durante a interrup\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<\/p>\n<p>(ix) rede de esgoto: estimar os custos de capta\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria e destino do esgoto devido as avarias na rede coletora;<\/p>\n<p>(x) agricultura e pecu\u00e1ria: estimar os custos das perdas das atividades agropecu\u00e1rias e a recupera\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas, bem como a perda dos animais, afetadas pelo desastre;<\/p>\n<p>(xi) turismo: estimar os custos da atividade tur\u00edstica suspensa em decorr\u00eancia do desastre e,<\/p>\n<p>(xii) meio ambiente: contabilizar as perdas e danos ocorridos na flora e fauna local, bem como recursos h\u00eddricos, geol\u00f3gicos afetados.<\/p>\n<p>Esta\u00a0 metodologia\u00a0 foi aplicada, por exemplo, \u00a0as an\u00e1lises das a\u00e7\u00f5es realizadas pela Defesa Civil de Santo Andr\u00e9 na execu\u00e7\u00e3o do seu Plano de Conting\u00eancia de 2012\/2013 e 2013\/2014. Ele foi aplicado a desastres como o tsunami na \u00cdndia (2005); o tsunami nas Maldivas (2005); as enchentes na Guiana (2005); o terremoto na Indon\u00e9sia (2006); o terremoto no Paquist\u00e3o (2005), dentre outros eventos desta natureza.<\/p>\n<p><strong>Abordagem de custo de reposi\u00e7\u00e3o <\/strong>envolve estimar o custo de substituir os ativos danificados ou destru\u00eddos. Isso pode incluir custos de reconstru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios, estradas, pontes, sistemas de energia, saneamento, entre outros.<\/p>\n<p>Esta abordagem constitui-se numa metodologia direta e \u00fatil para estimar os custos de reconstru\u00e7\u00e3o de cidades atingidas e da infraestrutura em estradas, pontes, aeroportos etc. \u00a0\u00c9 importante a correta e precisa identifica\u00e7\u00e3o dos ativos realmente comprometidos. Assim,\u00a0 primeiro passo \u00e9 identificar e avaliar os ativos que foram \u00a0atingidos, danificados ou destru\u00eddos pelo desastre. Aqui o papel de prefeituras e ag\u00eancias estatais \u00e9 fundamental, bem como a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil.<\/p>\n<p>Uma vez identificados os ativos, \u00e9 necess\u00e1rio estimar os custos de reconstru\u00e7\u00e3o e de reposi\u00e7\u00e3o de cada um deles. Isso envolve n\u00e3o apenas o custo direto de substituir a estrutura ou o equipamento danificado, mas tamb\u00e9m os custos associados \u00e0 m\u00e3o de obra, materiais, equipamentos, custos financeiros, administrativos e outras despesas relacionadas \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os custos diretos dizem respeito aos custo de materiais, m\u00e3o de obra, equipamentos, e outras despesas diretamente relacionadas \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o propriamente dita. H\u00e1 tamb\u00e9m os custos financeiros, que dizem respeito aos juros sobre empr\u00e9stimos ou financiamentos necess\u00e1rios para a reconstru\u00e7\u00e3o. Outro custo que n\u00e3o pode ser desprezando s\u00e3o os custos administrativos, que dizem respeito as despesas relacionadas \u00e0 gest\u00e3o e supervis\u00e3o das obras. H\u00e1 tamb\u00e9m os custos de limpeza e remo\u00e7\u00e3o de escombros devido ao lixo e aos destro\u00e7os causados pelas enchentes.<\/p>\n<p>Deve-se levar em conta tamb\u00e9m os custos de mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos, m\u00e3o de obra e transporte e log\u00edstica, que envolvem custos com o transporte de materiais e equipamentos para os locais de reconstru\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda os custos tempor\u00e1rios ou de emerg\u00eancia que est\u00e3o associados a solu\u00e7\u00f5es e estruturas provis\u00f3rias criadas at\u00e9 a conclus\u00e3o da reconstru\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>Outras considera\u00e7\u00f5es que devem ser levadas em conta segundo esta abordagem dizem respeito as incertezas inerentes aos projetos de reconstru\u00e7\u00e3o, como varia\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os dos materiais, atrasos na entrega de equipamentos e insumos, bem como imprevistos de toda a ordem que podem acontecer durante a constru\u00e7\u00e3o. Neste caso\u00a0 \u00e9 recomend\u00e1vel e prudente incluir-se uma margem de conting\u00eancia para lidar com essas incertezas, garantindo, deste modo, que os projetos possam ser conclu\u00eddos dentro do or\u00e7amento previsto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso deve-se ter em conta a possibilidade de melhorias e atualiza\u00e7\u00f5es que podem e devem ser feitas, pois, em alguns casos, a reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s um desastre pode apresentar uma oportunidade para melhorar e atualizar a infraestrutura existente ou at\u00e9 mesmo de realoca\u00e7\u00e3o de uma estrutura urbana. Isso pode incluir a ado\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o mais resilientes, a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias mais eficientes e sustent\u00e1veis, ou a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o de riscos. Essas melhorias devem ser consideradas ao estimar os custos de reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto que deve ser considerado no caso atual no que se refere aos custos diretos de reconstru\u00e7\u00e3o e a inclus\u00e3o dos custos de remo\u00e7\u00e3o de escombros, custos de transporte e log\u00edstica, custos de tempor\u00e1rios ou de emerg\u00eancia, entre outros.<\/p>\n<p>Esta abordagem referente estimativas de custos de um desastre como este recomend\u00e1vel por gera transpar\u00eancia e clareza no processo de reconstru\u00e7\u00e3o, pois proporciona uma metodologia clara e estruturada para estimar os custos de reconstru\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m facilita o planejamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o e a aloca\u00e7\u00e3o de recursos de forma mais eficiente e eficaz. Outro ponto importante \u00e9 que podem ser geradas redu\u00e7\u00e3o de vulnerabilidades e resili\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a futuros desastres, pois pode permitir a incorpora\u00e7\u00e3o de melhorias que aumentam a resili\u00eancia da infraestrutura contra futuros desastres. Por fim, esta abordagem permite uma base s\u00f3lida para justificar os investimentos necess\u00e1rios para a reconstru\u00e7\u00e3o e melhoria da infraestrutura.<\/p>\n<p>A abordagem de custo de reposi\u00e7\u00e3o utiliza uma metodologia \u00a0que \u00e9 clara e estruturada para estimar os custos de reconstru\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 essencial para a transpar\u00eancia e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos recursos gastos e investidos. Isso envolve procedimentos sistem\u00e1ticos de identifica\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e c\u00e1lculo dos custos necess\u00e1rios para substituir ou reparar os ativos danificados. A utiliza\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es e pr\u00e1ticas consistentes e facilmente audit\u00e1veis por todos os agentes envolvidos (governo, \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, bancos, sociedade) permite que todas as partes interessadas compreendam e acompanhem o processo, promovendo a confian\u00e7a nas estimativas de custos e na aloca\u00e7\u00e3o dos recursos.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o de todos os custos envolvidos ir\u00e1 permitir a cria\u00e7\u00e3o de cronogramas realistas e or\u00e7amentos detalhados que permitem o acompanhamento e fiscaliza\u00e7\u00e3o.\u00a0 Isto auxilia na previs\u00e3o de poss\u00edveis atrasos e problemas de suprimento e log\u00edstica, permitindo a implementa\u00e7\u00e3o de medidas mitigadoras antecipadamente. Isso resulta em uma execu\u00e7\u00e3o mais suave dos projetos de reconstru\u00e7\u00e3o e minimiza o risco de gostos adicionais no de or\u00e7amento inicial.<\/p>\n<p>Deste modo, vemos que a abordagem de custo de reposi\u00e7\u00e3o fornece dados concretos e detalhados sobre os custos envolvidos na reconstru\u00e7\u00e3o. Isso ajuda a criar uma base s\u00f3lida, transparente e audit\u00e1vel, que justifique os investimentos necess\u00e1rios perante investidores, governos e principalmente frente aos organismos internacionais. Na medida em que estas estimativas se mostrarem precisas e bem documentadas a necessidade dos fundos e a viabilidade dos projetos propostos podem se tornar vi\u00e1veis e financi\u00e1veis e contar com a ajuda externa.<\/p>\n<p><strong>A abordagem dos custos de \u00a0interrup\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios<\/strong> inclui a produ\u00e7\u00e3o perdida e atrasada de bens e servi\u00e7os. A interrup\u00e7\u00e3o pode ocorrer devido a inunda\u00e7\u00f5es, danos aos ativos da empresa ou efeitos indiretos, como interrup\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e dos efeitos multiplicadores decorrentes destas efeitos, como mudan\u00e7as na demanda ou na oferta de insumos ou bens ou servi\u00e7os finais. A abordagem dos custos de interrup\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios considera tanto a produ\u00e7\u00e3o perdida quanto a atrasada de bens e servi\u00e7os. A produ\u00e7\u00e3o pode ser interrompida devido a danos f\u00edsicos \u00e0s instala\u00e7\u00f5es e equipamentos, bem como por efeitos indiretos, como a interrup\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos (eletricidade, \u00e1gua, transporte, internet) e os efeitos multiplicadores nas cadeias de suprimentos. Esses efeitos multiplicadores podem incluir mudan\u00e7as na demanda ou na oferta de insumos, al\u00e9m de varia\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os finais. Estes custos podem ser substanciais, dado que os efeitos podem repercutir nas <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/topics\/social-sciences\/supply-chain-management\">cadeias de suprimentos<\/a> e de log\u00edstica e as empresas podem fechar ou interromper a\u00a0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As interrup\u00e7\u00f5es das atividades econ\u00f4micas podem ser medidas em termos de varia\u00e7\u00e3o no <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/topics\/social-sciences\/value-added\">valor adicionado<\/a> na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, por exemplo. As empresas enfrentam interrup\u00e7\u00f5es na forma de perda e atraso na produ\u00e7\u00e3o. A recupera\u00e7\u00e3o das receitas depender\u00e1 da concorr\u00eancia com as empresas n\u00e3o afetadas pelas <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/topics\/earth-and-planetary-sciences\/flood\">inunda\u00e7\u00f5es<\/a> e das altera\u00e7\u00f5es nos gastos dos consumidores como resultado da resposta aos custos relacionados com as inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As cadeias de suprimentos e log\u00edstica s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis a interrup\u00e7\u00f5es causadas por desastres naturais como enchentes. Empresas enfrentam dificuldades em termos, por exemplo, da obten\u00e7\u00e3o mat\u00e9rias-primas, transporte produtos acabados e em cumprir os prazos de entrega. As interrup\u00e7\u00f5es podem levar ao fechamento tempor\u00e1rio ou permanente de empresas, resultando em perda de empregos e redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o das receitas por parte das empresas ir\u00e1 depender de v\u00e1rios fatores, incluindo a concorr\u00eancia com empresas n\u00e3o afetadas pelo desastre e as mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de consumo p\u00f3s desastre. As empresas que conseguirem retomar a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os rapidamente podem recuperar parte das receitas perdidas, enquanto outras podem enfrentar dificuldades prolongadas, especialmente se os consumidores alterarem seus h\u00e1bitos de compra em resposta ao desastre.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise deve ser baseada em um cen\u00e1rio contrafactual, que considera as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que prevaleceriam se o desastre n\u00e3o tivesse ocorrido. Esta an\u00e1lise ser\u00e1 detalhada abaixo, tomando como exemplo o caso de Santa Catarina em 2008. Isso envolve comparar as condi\u00e7\u00f5es atuais com as condi\u00e7\u00f5es esperadas num cen\u00e1rio sem o evento, em vez de simplesmente medir a produ\u00e7\u00e3o antes e depois do desastre.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios \u00e9, portanto, mais complicada do que estimar a perda de propriedade. As mudan\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o dependem do com\u00e9rcio e das intera\u00e7\u00f5es complexas entre as empresas e os consumidores. Isso significa que as escalas espaciais e temporais de an\u00e1lise devem ser cuidadosamente definidas para estimar a produ\u00e7\u00e3o perdida e atrasada. Em escalas espaciais e temporais maiores, h\u00e1 maior possibilidade de que a produ\u00e7\u00e3o interrompida seja compensada por empresas fora da \u00e1rea inundada ou aumento da produ\u00e7\u00e3o p\u00f3s-desastre. As interrup\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios devem ser estimadas comparando as condi\u00e7\u00f5es com e sem o evento de desastre. Isso n\u00e3o equivale a medir a produ\u00e7\u00e3o antes e depois do evento. A an\u00e1lise deve estimar a mudan\u00e7a a partir do cen\u00e1rio contrafactual no qual o evento n\u00e3o tivesse ocorrido.<\/p>\n<p>Dados prim\u00e1rios sobre interrup\u00e7\u00f5es diretas e indiretas de neg\u00f3cios podem ser obtidos por meio de pesquisas com empresas atrav\u00e9s de federa\u00e7\u00f5es e sindicatos empresariais e depois consolidadas num \u00fanico \u00f3rg\u00e3o, tal como o IBGE, o qual pode propor uma metodologia adequada a fim de consolidar os dados de forma rigorosa e transparente segundo uma metodologia aceita internacionalmente. Interrup\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os p\u00fablicos como eletricidade, transporte, telefonia, \u00e1gua e internet podem ser fornecidos pelas ag\u00eancias reguladoras especificas que fazem estes levantamentos.<\/p>\n<p>No caso das enchentes no Rio Grande do Sul, a abordagem de custo de interrup\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios \u00e9 essencial para estimar os impactos econ\u00f4micos. As enchentes causam danos significativos \u00e0s infraestruturas urbanas e rurais, afetando a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, industrial e de servi\u00e7os. A an\u00e1lise deve considerar os danos diretos aos ativos das empresas e os efeitos indiretos nas cadeias de suprimentos e servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia a ser considerada pelos economistas, pelo menos num primeiro momento, a fim de obtermos uma estimativa preliminar s\u00e3o os <strong>modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel (EGC). <\/strong>Estes modelos tentam capturar o impacto macroecon\u00f4mico de um evento clim\u00e1tico, considerando as intera\u00e7\u00f5es entre os diferentes setores da economia. Eles podem ser \u00fateis para estimar os efeitos diretos e indiretos de desastres naturais, como mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de consumo, produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio, impostos, gastos do governo e as necessidades de recursos presentes e futuros para a reconstru\u00e7\u00e3o e das intera\u00e7\u00f5es existentes entre todos os setores da economia.<\/p>\n<p>Os modelos de Equil\u00edbrio Geral Comput\u00e1vel (CGE) usam uma s\u00e9rie de equa\u00e7\u00f5es para resumir a din\u00e2mica dos diversos mercados analisados simultaneamente e que s\u00e3o calibradas por dados econ\u00f4micos para estimar como uma economia poder\u00e1 responder a mudan\u00e7as na pol\u00edtica, tecnologia ou outras condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0\u00a0 Adeel et. al. (2020), os modelos CGE continuem-se numa das ferramentas mais utilizadas para o planejamento do desenvolvimento e an\u00e1lise de macropol\u00edticas e avalia\u00e7\u00e3o dos impactos econ\u00f4micos das inunda\u00e7\u00f5es. Estes modelos nos ajudam a compreender a gravidade dos danos e perdas associados ao aumento da frequ\u00eancia e intensidade de eventos clim\u00e1ticos, tais como as inunda\u00e7\u00f5es. \u00a0Embora os danos e perdas sejam normalmente calculados pela totaliza\u00e7\u00e3o de sinistros de seguro ou levantamento de v\u00edtimas de inunda\u00e7\u00f5es, as perdas de atividade econ\u00f4mica causadas por um evento com este normalmente n\u00e3o s\u00e3o inclu\u00eddas nos c\u00e1lculos. Assim, com o uso da metodologia EGC, os danos iniciais s\u00e3o modelados como sendo um choque no estoque de capital, e a recupera\u00e7\u00e3o requer a reconstru\u00e7\u00e3o desses estoques. \u00a0O m\u00e9todo do EGC leva em conta os muitos impactos econ\u00f4micos que ocorrem como resultado das inunda\u00e7\u00f5es, incluindo consumo privado, consumo do governo, assist\u00eancia financeira a desastres, investimentos, importa\u00e7\u00f5es, exporta\u00e7\u00f5es, impostos e danos por setor econ\u00f4mico \u2013 ao mesmo tempo em que aplica esses impactos a diferentes cen\u00e1rios de danos potenciais. O m\u00e9todo ultrapassa, assim, os impactos econ\u00f3micos diretos (tais como danos materiais e de infraestruturas) e aplica um quadro mais abrangente para medir os impactos econ\u00f4micos das inunda\u00e7\u00f5es ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Os modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel (EGC) constituem-se tamb\u00e9m numa valiosa ferramenta para entender os impactos macroecon\u00f4micos de eventos clim\u00e1ticos como o que est\u00e1 ocorrendo atualmente no Rio Grande do Sul. Eles buscam representar a \u00a0economia como um sistema complexo de intera\u00e7\u00f5es entre diferentes setores produtivos, consumidores e governo. Aqui a economia \u00e9 dividida em setores (por exemplo, agricultura, ind\u00fastria, servi\u00e7os) e levam em considera\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de oferta e demanda em cada setor, bem como os fluxos de recursos entre eles. Estes modelos buscam capturar como a economia reage a choques externos, tais como as enchentes ocorridas. Isso inclui ajustes em todos os mercados considerados e seus efeitos sobre os pre\u00e7os, na produ\u00e7\u00e3o e no consumo em resposta a mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas decorrentes do evento.<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do Rio Grande do Sul podemos obter, por exemplo, atrav\u00e9s deles,\u00a0 uma estimativa dos impactos na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, causando escassez de alimentos e aumentando os pre\u00e7os dos produtos, maquin\u00e1rio e insumos agr\u00edcolas. Isso, por sua vez, pode levar a mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de consumo das fam\u00edlias e nas decis\u00f5es de investimento das empresas. Por exemplo, a interrup\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola devido as enchentes no Rio Grande do Sul podem levar o Estado a importar mais alimentos de outras regi\u00f5es, afetando o saldo comercial e os pre\u00e7os dos produtos importados.<\/p>\n<p>Os modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel podem ser \u00fateis ainda nas an\u00e1lise de pol\u00edticas p\u00fablicas. Al\u00e9m de estimar os impactos dos eventos clim\u00e1ticos, os modelos de equil\u00edbrio geral tamb\u00e9m podem ser usados para analisar o efeito de diferentes pol\u00edticas de resposta na reconstru\u00e7\u00e3o e nos investimentos p\u00fablicos e privados a serem realizados. Por exemplo, eles podem ajudar a avaliar os efeitos de medidas de est\u00edmulo econ\u00f4mico, investimentos na reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura ou de transfer\u00eancia de renda. Em resumo, os modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel constituem-se numa poderosa e \u00fatil uma ferramenta para uma an\u00e1lise das necessidades de recursos e os prov\u00e1veis impactos na economia.<\/p>\n<p>Os modelos de equil\u00edbrio geral comput\u00e1vel tamb\u00e9m oferecem, em princ\u00edpio, a possibilidade de realizar an\u00e1lises contrafactuais simuladas, comparando o que aconteceu e o que teria acontecido na aus\u00eancia das inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dada a complexidade dessas intera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas envolvidas,\u00a0 os modelos de EGC podem se concentrar em menos setores do que a an\u00e1lise de insumo produto (a qual veremos abaixo), mas ele pode fornecer uma resposta aos gestores p\u00fablicos e empresas \u00a0sobre os gargalos e restri\u00e7\u00f5es de oferta e a mudan\u00e7as gerais nas condi\u00e7\u00f5es de mercado causadas pelo evento analisado.<\/p>\n<p><strong>Outra estrat\u00e9gia que os economistas podem fornecer s\u00e3o os modelos de modelos de insumo-produto os quais descrevem as rela\u00e7\u00f5es entre diferentes setores da economia em termos de insumos e produtos<\/strong>. Eles podem ajudar a entender como os choques em um setor afetam outros setores da economia dada a interrela\u00e7\u00e3o existente entre todos os setores da economia, tanto dentro como fora do Estado.<\/p>\n<p>Um dos pressupostos centrais do modelo de insumo-produto \u00e9 que qualquer insumo afetado propagar\u00e1 sua escassez por toda a economia, atrav\u00e9s de todos os bens para cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizado. Isso pode ser verdade at\u00e9 certo ponto no curt\u00edssimo prazo, mas eventualmente, e muitas vezes muito rapidamente, as empresas ser\u00e3o capazes de encontrar fornecedores alternativos ou insumos de \u00e1reas n\u00e3o afetadas para poder atender \u00e0s suas necessidades de produ\u00e7\u00e3o. Isso implica que, quanto maior o horizonte de tempo em que o pesquisador estiver interessado, maior a probabilidade de que o modelo de insumo-produto superestime as perdas e os efeitos das enchentes.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de insumo-produto se concentra no lado da oferta da economia.\u00a0 Ele reconhece que a produ\u00e7\u00e3o normalmente requer v\u00e1rios insumos (prim\u00e1rios e intermedi\u00e1rios). Quando esses insumos ficam restritos de alguma forma, isso afeta a capacidade dos produtores de atender \u00e0 demanda. Como tal, se o desastre levar a gargalos e redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de insumos, as implica\u00e7\u00f5es disso para o fornecimento de produtos podem ser medidas. Essa abordagem pode ser particularmente \u00fatil se quisermos medir o efeito de um choque de oferta em ind\u00fastrias e setores espec\u00edficos de uma economia. Por exemplo, um modelo de insumo-produto pode ser usado para estimar como a destrui\u00e7\u00e3o de infraestrutura afeta a produ\u00e7\u00e3o industrial, comercial e\u00a0 agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Os modelos de insumo-produto assumem uma fun\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o invariante no tempo, de propor\u00e7\u00f5es fixas, para todos os setores econ\u00f4micos e preveem como os danos em um setor afetam o com\u00e9rcio e a produ\u00e7\u00e3o relacionada em todos os outros. Estes tipos de \u00a0modelos, embora tenham o n\u00edvel de detalhe desejado e possam fazer previs\u00f5es quantificadas,\u00a0 a tecnologia e o comportamento s\u00e3o geralmente assumidos como &#8220;fixos&#8221;, portanto, ele\u00a0 nos fornece uma primeira impress\u00e3o \u00fatil da ordem de grandeza e difus\u00e3o dos efeitos em todos os setores da economia. Isto pode ser \u00fatil num primeiro momento para quantificar a necessidade de recursos que devem ser mobilizados na reconstru\u00e7\u00e3o dos setores atingidos.<\/p>\n<p>A utilidade da abordagem de insumo-produto est\u00e1 na medida em que ele permite ao analista diferenciar e quantificar impactos em diferentes setores e agentes, por meio de diversos canais de causalidade refletindo a complexidade existente na economia. Contudo, \u00a0das principais preocupa\u00e7\u00f5es com a abordagem de insumo produto \u00e9 que ela n\u00e3o leva em conta a poss\u00edvel substitui\u00e7\u00e3o de insumos, seja porque alguns insumos n\u00e3o est\u00e3o mais dispon\u00edveis, seja por causa de mudan\u00e7as de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Estudos usando modelos de insumo-produto tem sido usados para examinar v\u00e1rios tipos de desastres naturais, concentrando-se nas consequ\u00eancias econ\u00f4micas indiretas da falha de infraestrutura cr\u00edtica (por exemplo, portos, estradas, pontos, aeroportos) ou interrup\u00e7\u00f5es em uma variedade de setores (por exemplo, ind\u00fastria, constru\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os de energia el\u00e9trica). \u00a0Os trabalhos que utilizam esta abordagem adotam um modelo adaptado, chamado do modelo de insumo-produto de \u00a0inoper\u00e2ncia, que busca capturar os efeitos da inoperabilidade de um setor que \u00e9 diretamente impactado por um desastre natural como no caso de uma enchente. Essa inoperabilidade distorce os insumos fornecidos a outros setores, o que causa perdas indiretas de produ\u00e7\u00e3o e custos de produ\u00e7\u00e3o e, portanto, limita o consumo final de bens e servi\u00e7os. Isso significa que os modelos de insumo produto buscam capturar as interdepend\u00eancias econ\u00f4micas entre setores que est\u00e3o a montante e a jusante da cadeia de suprimentos de bens interrompidos na economia. Isso permite que se analise, ainda que de modo preliminar, como uma perda em uma \u00e1rea \u00e9 diretamente impactada por um desastre se propaga para outros setores econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Modelos recentes que usam a abordagem de insumo produto, como o modelo regional adaptativo de insumo-produto (ARIO), incluem a modelagem de aumentos de pre\u00e7os ap\u00f3s um desastre (que limita a demanda), a imposi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es de oferta espec\u00edficas do setor ou o uso de excesso de capacidade, o ajuste da forma e da dura\u00e7\u00e3o dos per\u00edodos de recupera\u00e7\u00e3o ou a inclus\u00e3o de medidas espec\u00edficas de resili\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Modelos Baseados na Teoria Neocl\u00e1ssica do Crescimento<\/strong> &#8211; Em sua forma mais simples, essa abordagem assume uma fun\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o agregada que utiliza \u00a0capital e trabalho (com retornos constantes em escala), uma taxa fixa de poupan\u00e7a e deprecia\u00e7\u00e3o, e retornos decrescentes ao capital. Tais modelos partem do pressuposto de que a economia iria voltar, de modo gradual, ao estado estacion\u00e1rio pr\u00e9-desastre ap\u00f3s qualquer choque no estoque de capital ou na oferta de trabalho na economia. Aqui \u00e9 assumido que os desastres naturais s\u00f3 podem ter um impacto econ\u00f4mico duradouro se mudarem permanentemente os par\u00e2metros b\u00e1sicos que determinam o estado estacion\u00e1rio da economia, especialmente a poupan\u00e7a, a deprecia\u00e7\u00e3o ou o crescimento da produtividade. Esta vis\u00e3o \u00e9 derivada do modelo\u00a0 b\u00e1sico de crescimento econ\u00f4mico de Solow (1956), que prev\u00ea que os pa\u00edses e regi\u00f5es devem seguir uma trajet\u00f3ria de crescimento com rela\u00e7\u00e3o ao seu estado estacion\u00e1rio. Nesse contexto, um desastre natural, tal como uma inunda\u00e7\u00e3o, como ocorrida no Rio Grande do Sul, \u00a0representaria um choque de capital negativo que reduziria a rela\u00e7\u00e3o capital trabalho.\u00a0 O modelo assume que, ap\u00f3s esse choque, que a economia se reconstrua e tenha um crescimento acelerado at\u00e9 que retorne \u00e0 trajet\u00f3ria de crescimento anterior.\u00a0 Assim, prev\u00ea que, no longo prazo, n\u00e3o deve haver impacto significativo com rela\u00e7\u00e3o ao desastre natural.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, esses modelos servem como uma base te\u00f3rica razo\u00e1vel para verificar se uma \u00e1rea impactada retorna \u00e0 tend\u00eancia, bem como quanto tempo leva e a que velocidade ela ir\u00e1 retornar a sua trajet\u00f3ria de crescimento. A abordagem mais comum empregada na avalia\u00e7\u00e3o do impacto de qualquer choque negativo (como um desastre natural) \u00e9 usar t\u00e9cnicas estat\u00edstico-econom\u00e9tricas para verificar se um pa\u00eds retornou ou n\u00e3o \u00e0 sua linha de tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Os efeitos macroecon\u00f4micos mais relevantes de um desastre como o que estamos vivendo\u00a0 s\u00e3o aqueles projetados sobre o n\u00edvel e a taxa de crescimento do produto interno bruto\u00a0 estadual e setorial sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas e o investimento das empresa. Contudo, \u00e9 importante tamb\u00e9m estimarmos os efeitos sobre os aumentos dos pre\u00e7os, alugu\u00e9is e \u00a0resid\u00eancias e os n\u00edveis de emprego, \u00a0rendimento das fam\u00edlias e das decis\u00f5es de investimento dos setores p\u00fablico e privado. Al\u00e9m disso, a classifica\u00e7\u00e3o de risco de cr\u00e9dito, a liquidez e as taxas de juros tamb\u00e9m dever\u00e3o ser afetadas e devem ser analisadas pelo setor financeiro e o risco de novos eventos semelhantes a este pelas companhias de seguros.<\/p>\n<p>As despesas do setor p\u00fablico, no curto prazo, ir\u00e3o aumentar devido \u00e0s despesas per\u00edodo de emerg\u00eancia e na fase de reabilita\u00e7\u00e3o, e as receitas fiscais cair\u00e3o devido a menores receitas fiscais resultantes da diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os. De qualquer forma, o d\u00e9ficit fiscal, principalmente na esfera estadual e municipal dever\u00e1 aumentar significativamente.\u00a0 Por outro lado, \u00e9 poss\u00edvel que os pre\u00e7os de certos itens aumentem devido ao desabastecimento ou aumento dos custos de transporte e distribui\u00e7\u00e3o causado pelo desastre, gerando uma infla\u00e7\u00e3o de custos, pelo menos temporariamente.<\/p>\n<p>Entre os efeitos macroecon\u00f4micos, destaca-se tamb\u00e9m a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o afetada pelas dificuldades de acesso \u00e0s suas fontes de abastecimento, pela redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de servi\u00e7os essenciais, bem como, e principalmente, pela perda de fontes de emprego e a correspondente diminui\u00e7\u00e3o da renda.<\/p>\n<p>Deve-se levar em conta tamb\u00e9m os efeitos sobre o capital humano sa\u00fade, decorrente de doen\u00e7as que ocorrem depois das inunda\u00e7\u00f5es e o efeito sobre a sa\u00fade mental devido a efeito traum\u00e1tico que estas enchentes est\u00e3o\u00a0 causando.\u00a0 Embora a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida n\u00e3o possa ser expressa em termos monet\u00e1rios, \u00e9 poss\u00edvel assumir\u00a0 que ela ter\u00e1\u00a0 efeitos n\u00e3o desprez\u00edveis popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa decorrente da perda de renda e de empregos causada pela paralisa\u00e7\u00e3o parcial ou total\u00a0 de muitas atividades econ\u00f4micas por um per\u00edodo consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>Segundo a uma meta-an\u00e1lise realizada por Klomp e Valckx (2014), durante as \u00faltimas duas d\u00e9cadas, a frequ\u00eancia e a gravidade dos desastres naturais aumentaram dramaticamente e grande n\u00famero de estudos emp\u00edricos tem tentado estimar o impacto dessa tend\u00eancia crescente sobre o desenvolvimento econ\u00f4mico. No entanto, o quadro geral que emerge da evid\u00eancia emp\u00edrica mostrou-se bastante inconclusivo. Segundo eles, \u00a0existem v\u00e1rias revis\u00f5es da literatura sobre as consequ\u00eancias dos desastres naturais sobre o crescimento econ\u00f4mico, no entanto \u00a0eles foram os primeiros a aplicar a an\u00e1lise de meta regress\u00e3o sobre a vasta quantidade de estudos emp\u00edricos que examinam o impacto de desastres naturais no crescimento real do PIB per capita. Seus resultados indicaram que, usando mais de 750 estimativas de desastres naturais, os principais resultados da an\u00e1lise podem ser resumidos da seguinte forma: (i) em primeiro lugar, as cat\u00e1strofes naturais parecem ter um efeito negativo sobre o crescimento; (ii) em particular, as cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas, nos pa\u00edses em desenvolvimento, t\u00eam o impacto mais severo no crescimento econ\u00f3mico per capita; (iii) os desastres naturais t\u00eam impacto apenas no curto prazo, enquanto no longo prazo o PIB per capita retorna \u00e0 sua trajet\u00f3ria original de crescimento. (iv) h\u00e1 um impacto crescente dos desastres naturais no crescimento econ\u00f4mico nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas devido ao aumento do n\u00famero de eventos de grande escala; (v) eles encontraram algumas evid\u00eancias de que a literatura sobre crescimento econ\u00f4mico e desastres naturais sofre um vi\u00e9s de publica\u00e7\u00e3o. Isso indica que os resultados negativos s\u00e3o publicados com mais facilidade.<\/p>\n<p><strong>Modelos com produtividade end\u00f3gena &#8211; <\/strong>Os investimentos impulsionam a tecnologia nesses modelos, que preveem que qualquer deprecia\u00e7\u00e3o acelerada do capital devido a um choque devido a um desastre natural \u00a0resultar\u00e1 em maior crescimento da produtividade porque a tecnologia ser\u00e1 atualizada. Isso \u00e9 chamado de hip\u00f3tese &#8220;<em>build-back-better<\/em>&#8221; na literatura.<\/p>\n<p>Em contraste, nos modelos AK (onde A representa a produtividade e K se refere ao estoque de capital), a produ\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o por trabalhador est\u00e3o relacionadas ao n\u00edvel de capital f\u00edsico acumulado \u00a0e em uso. Isto implica, ent\u00e3o que que choques negativos de capital t\u00eam um impacto negativo duradouro na produ\u00e7\u00e3o por trabalhador.<\/p>\n<p>Finalmente, nos modelos de aprendizagem, o conhecimento se acumula nas pessoas \u00e0 medida que elas produzem mais, e o n\u00edvel de produtividade \u00e9 assumido como dependente de vari\u00e1veis como produ\u00e7\u00e3o cumulativa ou investimento. Nesses modelos, a destrui\u00e7\u00e3o do capital ou do trabalho pode estimular o aprendizado e o crescimento da produtividade durante a reconstru\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Esses primeiros ramos dos modelos de crescimento end\u00f3geno j\u00e1 permitem algumas mudan\u00e7as de produtividade ao longo do tempo em resposta a desastres naturais. No entanto, poucas aplica\u00e7\u00f5es de desastres naturais utilizam os modelos de crescimento end\u00f3geno.<\/p>\n<p><strong>Outra abordagem\u00a0 bastante usada para estimar os custos dos desastres ambientais e a uma abordagem econom\u00e9trica<\/strong>. Esta abordagem foi utilizada por Ribeiro et. al (2014), para o caso de Santa Catarina, em 2008, e nos parece bastante \u00fatil para a aplica\u00e7\u00e3o ao caso ga\u00facho atual. Segundo os autores, seria importante saber se a economia conseguir\u00e1 se recuperar e atingir o n\u00edvel de riqueza e produ\u00e7\u00e3o que teria caso o desastre natural n\u00e3o tivesse ocorrido, e caso consiga, quanto tempo dura esse processo de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As estimativas geradas pela abordagem econom\u00e9trica ser\u00e3o importantes e fundamentais para que o Governo, nos seus tr\u00eas n\u00edveis (federal, estadual e municipal), tenha dados e estimativas que lhe permitam calcular o quanto ser\u00e1 necess\u00e1rio investir em termos de recursos financeiros para, pelo menos atingir os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e renda na aus\u00eancia do desastre. Como reconhecem os autores, a mensura\u00e7\u00e3o dos impactos econ\u00f4micos de desastres naturais como o que est\u00e1 ocorrendo no Rio Grande do Sul n\u00e3o deve \u00e9 tarefa simples. Segundo eles, a principal quest\u00e3o\u00a0 referente \u00e0 an\u00e1lise de choques, consiste em obter o contrafactual adequado para servir \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do impacto. Baseando-se no caso semelhante ao ocorrido em Santa Catarina em 2008, \u00a0a medi\u00e7\u00e3o do impacto das enchentes na economia ga\u00facha ap\u00f3s a ocorr\u00eancia deste evento, o contrafactual necess\u00e1rio dever\u00e1 ser\u00a0 trajet\u00f3ria dela no caso das chuvas n\u00e3o tivesse ocorrido e nem as enchentes provocassem dados da magnitude pela qual estamos vivendo.<\/p>\n<p>Ribeiro et. al (2014) utilizaram o m\u00e9todo de <u>controle sint\u00e9tico<\/u> para avaliar o impacto das chuvas na produ\u00e7\u00e3o industrial de Santa Catarina e, posteriormente, a estrat\u00e9gia utilizada para investigar o impacto das chuvas no PIB <em>per capita<\/em> dos munic\u00edpios do Estado catarinense. Esta mesma estrat\u00e9gia poderia ser replicada para o caso ga\u00facho, mas ampliado o escopo para os setores agr\u00edcolas e de servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O controle sint\u00e9tico, segundo Ribeiro et. al (2014),\u00a0 consiste em construir, para unidades que recebem determinado tratamento, a trajet\u00f3ria da vari\u00e1vel de interesse na aus\u00eancia do tratamento com base em algumas vari\u00e1veis correlacionadas com a vari\u00e1vel de interesse de unidades que n\u00e3o receberam o tratamento. Esta trajet\u00f3ria sint\u00e9tica, a ser constru\u00edda,\u00a0 com base nas informa\u00e7\u00f5es das unidades n\u00e3o tratadas, em tese, n\u00e3o estaria sujeita aos efeitos do tratamento e, portanto, serve como contrafactual para a avalia\u00e7\u00e3o dos impactos econ\u00f4micos decorrentes das enchentes que ocorrem no territ\u00f3rio ga\u00facho.<\/p>\n<p>Ainda segundo os autores [Ribeiro et. al (2014)], a hip\u00f3tese central para a identifica\u00e7\u00e3o do impacto de interesse e do estabelecimento da rela\u00e7\u00e3o causal \u00e9 que o processo estrutural, que gera a trajet\u00f3ria da vari\u00e1vel de interesse da unidade tratada, \u00e9 id\u00eantico ao processo que gera a mesma trajet\u00f3ria das unidades controles. Portanto, quaisquer choques, em qualquer per\u00edodo (que n\u00e3o o choque de interesse, no caso aqui em quest\u00e3o, as enchentes e chuvas que ocorrem no Rio Grande do Sul no presente m\u00eas de maio), que tenham ocorrido durante a janela de investiga\u00e7\u00e3o do estudo devem afetar, da mesma forma, a vari\u00e1vel dependente de todas as unidades.\u00a0 Deste modo, segundo Ribeiro et. al (2014),\u00a0 ter\u00edamos, uma medida do impacto do excesso de chuvas na economia, utilizam-se duas metodologias. Na primeira, calcula-se o quanto uma varia\u00e7\u00e3o de 1% na produ\u00e7\u00e3o industrial incrementa no PIB\u00a0 ga\u00facho por meio de uma regress\u00e3o linear obtida a partir da primeira diferen\u00e7a do PIB ga\u00facho comparando-o com rela\u00e7\u00e3o a primeira diferen\u00e7a da m\u00e9dia anual da produ\u00e7\u00e3o industrial do Estado, utilizando as base existente para os setores avaliados.<\/p>\n<p>Utilizando-se da metodologia acima, para o caso das chuvas ocorridas em Santa Catarina, em 2008, Ribeiro et. al (2014), estimaram que, por exemplo, um choque negativo permanente de 5,13% geraria um impacto total negativo pr\u00f3ximo a 1,7% no n\u00edvel de PIB catarinense.<\/p>\n<p>Na segunda metodologia, utiliza-se a propor\u00e7\u00e3o entre VBPI e Valor Adicionado Industrial (VAI), para o per\u00edodo compreendido entre 2007 e 2010, com a finalidade de trazer uma estimativa adicional, novamente em termos do PIB catarinense, do quanto que a perda de 5,13% na produ\u00e7\u00e3o industrial representa. Segundo eles, propor\u00e7\u00e3o para o per\u00edodo citado foi de aproximadamente 43,4%.<\/p>\n<p>O efeito m\u00e9dio mensal negativo estimado por Ribeiro et. al (2014),\u00a0 pelo m\u00e9todo de controle sint\u00e9tico, foi de 5,13% para \u00edndice da produ\u00e7\u00e3o industrial catarinense e representou, em valor, uma perda estimada de R$ 4,7 bilh\u00f5es a pre\u00e7os de 2010 (baseado no Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o Industrial \u2013 VBPI). Como em 2010 o VBPI foi de R$ 87,3 bilh\u00f5es, segundo o IBGE, na aus\u00eancia do desastre, o VBPI seria de R$ 91,9 bilh\u00f5es. Deste\u00a0 modo, ainda segundo eles, a propor\u00e7\u00e3o de 43,4% entre VBPI e VAI, resultado obtido mostrou que que o montante deixado de se adicionar na cadeia produtiva catarinense foi de aproximadamente R$ 2,0 bilh\u00f5es, o que significou cerca de\u00a0 1,5% do PIB estadual catarinense naquele ano.<\/p>\n<p>Finalizando, ent\u00e3o, Ribeiro et. al (2014) destacaram que aquela estimativa\u00a0 obtida, 1,5%,\u00a0 estaria, em termos percentuais, muito pr\u00f3xima \u00e0 obtida pela primeira metodologia (1,69%), indicando a robustez das estimativas calculadas. Tal metodologia poderia ser, ent\u00e3o, replicada ao caso ga\u00facho atual a fim de orientar as autoridades governamentais, do montante de recursos a serem obtidos para a reconstru\u00e7\u00e3o do Estado e de sua economia. Ribeiro et. al (2014) tamb\u00e9m fizerem outras estimativas com o\u00a0 objetivo de medir o efeito do excesso de chuvas sobre o\u00a0 n\u00edvel emprego, indicando a utilidade desta abordagem.<\/p>\n<p>As estimativas feitas por Ribeiro et. al (2014), para o caso catarinense em 2008, indicaram que, para o caso do setor industrial,\u00a0 que passados mais de dois anos do referido evento, a produ\u00e7\u00e3o industrial de Santa Catarina ainda foi impactada com o excesso de chuvas ocorridas no final do ano de 2008. As estimativas obtidas por eles indicaram que a produ\u00e7\u00e3o industrial mensal de Santa Catarina foi, em m\u00e9dia, pelo menos 5,13% menor ao que seria na aus\u00eancia das chuvas. A redu\u00e7\u00e3o da atividade industrial catarinense tamb\u00e9m\u00a0 afetou severamente o mercado de trabalho. Foram perdidos cerca de 33,1 mil postos de trabalho e renda diminuiu ente 1,5 a 1,7%.<\/p>\n<p>Ribeiro et. al (2014),\u00a0 por fim, destacam que \u2013 \u201cque m\u00e9todo de controle sint\u00e9tico utilizado para realizar a mensura\u00e7\u00e3o dos efeitos da chuva em Santa Catarina, quando bem implantando, gera o contrafactual necess\u00e1rio. Esta \u00e9 uma metodologia que parece ser bastante adequada para a investiga\u00e7\u00e3o de impactos dos desastres naturais na esfera econ\u00f4mica\u201d. Esta metodologia poderia ser replicada a fim de obtermos estimativas mais confi\u00e1veis e robustas para o que est\u00e1 ocorrendo no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Outra li\u00e7\u00e3o importante, com base na experi\u00eancia catarinense de 2008, destacada pelos autores, e que deve servir de li\u00e7\u00e3o para o governo ga\u00facho, \u00e9 que os impactos negativos estimados, devem perdurar por um prazo de pelo menos dois anos ap\u00f3s as enchentes, mesmo elevando-se em conta as pol\u00edticas emerg\u00eancias e de aux\u00edlio financeiro dos governos estadual, federal e do BNDES. Os autores enfatizam ainda que, aquelas pol\u00edticas n\u00e3o foram suficientes para que Santa Catarina, no per\u00edodo subsequente as chuvas recuperassem sua pujan\u00e7a econ\u00f4mica, pelo menos a curto prazo e, em termos de produ\u00e7\u00e3o industrial, presumivelmente acompanhada por PIB e emprego. Deste modo, baseado na experi\u00eancia catarinense recente, podemos esperar que os efeitos e os custos econ\u00f4micos se fa\u00e7am sentir por cerca de, pelo menos, 2 anos.<\/p>\n<p><strong>Valida\u00e7\u00e3o de Modelos Quantitativos<\/strong>: Os modelos quantitativos s\u00e3o ferramentas poderosas como vimos acima, mas est\u00e3o sujeitos a limita\u00e7\u00f5es e incertezas. Consultar especialistas permite validar as previs\u00f5es e estimativas obtidas por meio desses modelos, comparando-as com o conhecimento pr\u00e1tico e a experi\u00eancia dos profissionais de campo e que atuam nas regi\u00f5es atingidas. Os especialistas podem identificar fatores cr\u00edticos que os modelos podem ter negligenciado ou subestimado. Isso ajuda a aprimorar os modelos existentes e a garantir que as an\u00e1lises considerem todos os aspectos relevantes para as estimativas das perdas. A consulta a especialistas pode ajudar, tamb\u00e9m, na antecipa\u00e7\u00e3o dos impactos das inunda\u00e7\u00f5es em diferentes setores, como infraestrutura, economia local e sa\u00fade p\u00fablica. Isso permite o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o \u00a0futuras mais eficazes e a prepara\u00e7\u00e3o adequada para lidar com novos efeitos adversos que poder\u00e3o ocorrer.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 importante reconhecer que o m\u00e9todo <em>Delphi <\/em>tamb\u00e9m tem suas limita\u00e7\u00f5es. A qualidade das previs\u00f5es depende da sele\u00e7\u00e3o dos especialistas, da formula\u00e7\u00e3o adequada das perguntas e da capacidade de s\u00edntese das respostas. Al\u00e9m disso, os resultados podem ser influenciados por vieses individuais ou pelo grupo, portanto, \u00e9 essencial adotar medidas para mitigar esses efeitos.<\/p>\n<p>O uso de consultas a especialistas, como parte de um m\u00e9todo <em>Delphi<\/em>, pode ser uma abordagem eficaz para avaliar e aprimorar a compreens\u00e3o e a gest\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos extremos, como inunda\u00e7\u00f5es. Ao combinar o conhecimento especializado com a modelagem quantitativa, \u00e9 poss\u00edvel obter <em>insights<\/em> mais abrangentes e robustos, que podem informar pol\u00edticas e pr\u00e1ticas mais eficazes de prepara\u00e7\u00e3o e resposta a desastres como o que estamos vivendo no momento.<\/p>\n<p>Em resumo, uma abordagem combinada que incorpore tanto modelos quantitativos quanto conhecimento especializado \u00e9 geralmente a mais robusta para estimar os custos de reconstru\u00e7\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos extremos para uma regi\u00e3o como o Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Esta breve revis\u00e3o do arsenal econ\u00f4mico para estimar os custos de eventos clim\u00e1ticos como o que se abate sobre o Rio Grande do Sul atualmente sugere uma s\u00e9rie sugest\u00f5es e metodologias para os gestores e formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas em n\u00edvel local, estadual e nacional a fim de contabilizar e estimar as perdas decorrentes das inunda\u00e7\u00f5es e da dura\u00e7\u00e3o de seus efeitos tanto no curto como no longo prazo. <strong>Assim, vamos come\u00e7ar a reconstru\u00e7\u00e3o fazendo algumas contas!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>ALBALA-BERTTRAND, J M. 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In: ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Gi\u00e1como Balbinotto Neto, professor do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35041,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[],"class_list":["post-35040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}