{"id":35059,"date":"2024-07-12T17:15:15","date_gmt":"2024-07-12T20:15:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=35059"},"modified":"2024-07-19T18:41:19","modified_gmt":"2024-07-19T21:41:19","slug":"estudo-analisa-contribuicao-do-estado-para-a-financeirizacao-rural-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/estudo-analisa-contribuicao-do-estado-para-a-financeirizacao-rural-no-brasil\/","title":{"rendered":"Estudo analisa contribui\u00e7\u00e3o do Estado para a financeiriza\u00e7\u00e3o rural no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Com o objetivo de compreender os mecanismos pelos quais o Estado contribui para o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, os pesquisadores Lucas Trentin Rech e Daniel Jeziorny se dedicaram ao estudo dos produtos financeiros vinculados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o rural no pa\u00eds a partir de 2000. O trabalho, intitulado <em>The state, political power, and the financialization of agrarian space in Brazil<\/em>, foi publicado na revista Latin American Perspectives.<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores argumentam que o Brasil segue uma pol\u00edtica na qual o espa\u00e7o agr\u00e1rio atende aos interesses do capital financeiro, e o Estado facilita esse processo. \u201cO argumento principal do artigo \u00e9 baseado na tese de que o Estado brasileiro atuou e continua atuando como catalisador da financeiriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o agr\u00e1rio por meio da cria\u00e7\u00e3o de produtos financeiros\u201d, escrevem os autores.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, essa contribui\u00e7\u00e3o do governo se materializa, especialmente, por meio de subven\u00e7\u00f5es e subs\u00eddios concedidos a opera\u00e7\u00f5es comerciais e de cr\u00e9dito vinculadas ao agroneg\u00f3cio no Brasil. Al\u00e9m disso, o estudo mostra que praticamente todos os novos instrumentos financeiros vinculados ao setor neoextrativista surgiram durante os governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores (PT).<\/p>\n<p>\u201cO trabalho traz uma contribui\u00e7\u00e3o significativa a respeito do processo de financeiriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o agr\u00e1rio, do aprofundamento de um determinado padr\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o do capital e do papel do Estado enquanto art\u00edfice desse movimento\u201d, destaca Jeziorny, professor do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFRGS.<\/p>\n<p>O artigo, escrito em parceria com o professor Lucas Trentin Rech, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), \u00e9 resultado de uma pesquisa em curso sobre land grabbing (grilagem de terras) na Am\u00e9rica Latina. A iniciativa envolve pesquisadores tanto da UFRGS quanto da UFBA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Financeiriza\u00e7\u00e3o e grilagem de terras<\/strong><\/p>\n<p>Conforme publicado no estudo, a financeiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fase do capitalismo na qual a esfera monet\u00e1ria\/financeira assume um papel maior na tomada de decis\u00f5es e na aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Na agricultura, significa que terras e cultivos, por exemplo, passam a estar cada vez mais <a href=\"https:\/\/ojoioeotrigo.com.br\/2021\/03\/agronegocio-e-mercado-financeiro-avancam-de-maos-dadas\/\">sujeitos aos modos de opera\u00e7\u00e3o do mercado financeiro<\/a>, dado que s\u00e3o tratados por investidores como quaisquer outros ativos negociados em bolsas.<\/p>\n<p>Para os autores, uma manifesta\u00e7\u00e3o da financeiriza\u00e7\u00e3o que ocorre no espa\u00e7o agr\u00e1rio brasileiro s\u00e3o os Fundos de Investimentos inteiramente dedicados ao agroneg\u00f3cio (Fiagro), \u00e0 semelhan\u00e7a dos Fundos de Investimento Imobili\u00e1rio (FII). \u201cDo lado imobili\u00e1rio, os Fiagro poder\u00e3o contar com terras, estruturas de armazenagem de gr\u00e3os e centros log\u00edsticos ligados ao agroneg\u00f3cio; do lado dos valores mobili\u00e1rios, os t\u00edtulos de d\u00edvida que poder\u00e3o compor o Fiagro s\u00e3o as Letras de Cr\u00e9dito Agr\u00edcola (LCA) e os Certificados de Receb\u00edveis Agr\u00edcolas (CRA)\u201d, destaca o artigo.<\/p>\n<p>No trabalho, os pesquisadores argumentam ainda que a financeiriza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o agr\u00e1rio \u00e9 um exemplo de <a href=\"https:\/\/ipam.org.br\/grilagem\/\">grilagem<\/a> (<a href=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\/artigo\/as-novas-faces-da-grilagem-no-brasil\/\">apropria\u00e7\u00e3o<\/a>) de terras no Brasil. Isso acontece porque, para os pesquisadores, \u201ch\u00e1 um interesse mais forte na renda que pode ser gerada a partir da posse de terras ou im\u00f3veis em vez de seu potencial de produ\u00e7\u00e3o\u201d, possibilitando que investidores se apropriem de recursos dentro do espa\u00e7o agr\u00e1rio brasileiro por meio dos Fiagro.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 19 fundos de investimentos no Brasil, com um valor patrimonial de R$ 5,3 bilh\u00f5es. \u201cA maioria desses fundos (15 no total) \u00e9 composta exclusivamente por t\u00edtulos ou CRs (Certificados de Receb\u00edveis) e LCs (Letras de Cr\u00e9dito). Dois fundos foram criados para investimento direto em terras e dois foram voltados para propriedades contendo dispositivos log\u00edsticos. Normalmente, nesses casos, os fundos t\u00eam ativos imobili\u00e1rios como grandes planta\u00e7\u00f5es, centros de distribui\u00e7\u00e3o, silos de armazenamento, etc. que s\u00e3o arrendados por terceiros\u201d, explicam os pesquisadores.<\/p>\n<p>O artigo <em>The state, political power, and the financialization of agrarian space in Brazil<\/em> est\u00e1 dispon\u00edvel para acesso pela rede interna da UFRGS, na <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/0094582X241253825\">p\u00e1gina da revista Latin American Perspectives<\/a>. Contatos com o professor Daniel Jeziorny podem ser feitos pelo <a href=\"mailto:daniel.ufrgs@yahoo.com\">daniel.ufrgs@yahoo.com<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho \u00e9 de autoria dos pesquisadores Lucas Trentin Rech e Daniel Jeziorny<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35060,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4,410],"tags":[],"class_list":["post-35059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-pesquisa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35059\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}