{"id":40230,"date":"2026-03-23T08:00:24","date_gmt":"2026-03-23T11:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=40230"},"modified":"2026-03-23T08:02:08","modified_gmt":"2026-03-23T11:02:08","slug":"o-orcamento-publico-em-disputa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/o-orcamento-publico-em-disputa\/","title":{"rendered":"O Or\u00e7amento P\u00fablico em Disputa"},"content":{"rendered":"<p>O or\u00e7amento p\u00fablico \u00e9 pe\u00e7a t\u00e9cnica e tamb\u00e9m pol\u00edtica, pois espelha a vida pol\u00edtica de uma sociedade. No Brasil, o primeiro or\u00e7amento p\u00fablico foi votado em 1830, e desde ent\u00e3o, reflete as disputas pol\u00edticas quanto \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da sociedade e a quem o Estado, atrav\u00e9s do or\u00e7amento, deve atender. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 estabelece que \u00e9 prerrogativa do Executivo a elabora\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento, enquanto ao Legislativo cabe a aprova\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o. No entanto, no Brasil, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o de Emendas Constitucionais (EC) num contexto de crise pol\u00edtica este quadro se alterou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A EC 86\/2015 foi aprovada num contexto de ruptura institucional e as demais, de 2019 a 2022, num contexto de um Governo fraco, que barganhou sua manuten\u00e7\u00e3o no poder em troca da amplia\u00e7\u00e3o do papel do Legislativo na gest\u00e3o do or\u00e7amento. Este quadro resultou na incurs\u00e3o do Legislativo na execu\u00e7\u00e3o or\u00e7amentaria, atrav\u00e9s de emendas impositivas \u2013 or\u00e7amento secreto \u2013 fazendo migrar compet\u00eancias do Executivo ao Legislativo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolha espec\u00edfica de obras e a\u00e7\u00f5es administravas, produzindo distor\u00e7\u00f5es estruturais no planejamento estatal e retirando recursos\u00a0 p\u00fablicos das pol\u00edticas sociais, inclusive para a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e garantia do direitos fundamentais,\u00a0 previsto\u00a0 na CF\/1988, como objetivo da Rep\u00fablica Federativa do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O valor das Emendas cresceu de R$ 9 bi, para R$ 61 bi, de 2015 a 2026, 25% do or\u00e7amento discricion\u00e1rio. Nenhum pa\u00eds no mundo, destina cerca 25% do or\u00e7amento \u00e0s emendas. As emendas deixaram de cumprir papel complementar e passaram ocupar espa\u00e7o central no Or\u00e7amento, sem transpar\u00eancia, muitas vezes sem crit\u00e9rios t\u00e9cnicos claros, levando a desvios de dinheiro p\u00fablico e reduzindo recursos para programas sociais. Isso compromete a efici\u00eancia do gasto e se contrap\u00f5e ao regime presidencialista, consagrado na Carta Magna de 1988. Diante disso, \u00e9 necess\u00e1rio que a sociedade amplie seu papel de controle social e de fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre o Or\u00e7amento, fun\u00e7\u00e3o constitucional negligenciada pelo Poder Legislativo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com este objetivo, Movimentos sociais, entidades da sociedade civil, sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas promoveram, no dia 9 de mar\u00e7o de 2026, das 18h \u00e0s 21h, no Centro Cultural da UFRGS (Rua Eng. Luiz Englert, 333), em Porto Alegre, o evento \u201cEmendas Parlamentares: a quem compete a gest\u00e3o do Or\u00e7amento P\u00fablico?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rosa Angela Chieza<\/p>\n<p>Diretora de educa\u00e7\u00e3o fiscal do Instituto Justi\u00e7a Fiscal (IJF) e professora de Economia\/UFRGS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>As opini\u00f5es e ideias expressas neste texto s\u00e3o de responsabilidade do(a) autor(a) e n\u00e3o refletem, necessariamente, a posi\u00e7\u00e3o institucional desta Faculdade.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Rosa Chieza, diretora de educa\u00e7\u00e3o fiscal do Instituto Justi\u00e7a Fiscal (IJF) e professora de Economia\/UFRGS.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":40231,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[],"class_list":["post-40230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40230"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40235,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40230\/revisions\/40235"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}