{"id":41495,"date":"2026-08-19T08:59:05","date_gmt":"2026-08-19T11:59:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=41495"},"modified":"2026-08-20T15:56:16","modified_gmt":"2026-08-20T18:56:16","slug":"adam-smith-instituicoes-e-crescimento-economico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/adam-smith-instituicoes-e-crescimento-economico\/","title":{"rendered":"Adam Smith, institui\u00e7\u00f5es e crescimento econ\u00f4mico"},"content":{"rendered":"<p><strong>ADAM SMITH, INSTITUI\u00c7\u00d5ES E CRESCIMENTO ECON\u00d4MICO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gi\u00e1como Balbinotto Neto, <\/strong><strong>Prof. Departamento de Economia da\u00a0 UFRGS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste ano comemoramos os 250 anos publica\u00e7\u00e3o do livro de Adam Smith &#8211; \u201cA Riqueza das Na\u00e7\u00f5es\u201d. Ele, em nosso entender, permanece atual e fundamental para a compreens\u00e3o do mundo que vivemos. A sua atualidade reside no fato de que ele prov\u00ea uma discuss\u00e3o de um dos principais problemas econ\u00f4micos da atualidade &#8211; <strong>o crescimento econ\u00f4mico<\/strong> &#8211; ou seja, o que explicaria o fato de que alguns pa\u00edses crescem mais do que os outros, ou ainda como colocam outros &#8211; por que todos os pa\u00edses n\u00e3o s\u00e3o ricos? Por que n\u00f3s somos pobres e eles s\u00e3o ricos?<\/p>\n<p>A resposta estaria nas institui\u00e7\u00f5es, que foi o tema central do livro de Adam Smith. Entretanto n\u00e3o seria qualquer tipo de institui\u00e7\u00e3o, mas aquelas que promovessem a constru\u00e7\u00e3o de uma ordem social na qual os indiv\u00edduos, na busca de seus pr\u00f3prios interesses e agindo independentemente de um controle central ou planejamento governamental, contribuiriam para o bem-estar social, mesmo que isto n\u00e3o fosse a sua inten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Adam Smith (1776), o processo de desenvolvimento econ\u00f4mico, ou a \u201c<em>Natureza e Causas das Riquezas das Na\u00e7\u00f5es<\/em>\u201d, dependeria das condi\u00e7\u00f5es iniciais quanto ao estoque de capital, da m\u00e3o de obra e dos recursos naturais, bem como de alguns par\u00e2metros estruturais referentes a produtividade dos mesmos. Contudo, tais fatores s\u00e3o ex\u00f3genos em seu modelo, n\u00e3o podendo ser influenciados pela pol\u00edtica. Portanto, ele considerou que a raz\u00e3o do crescimento ou estagna\u00e7\u00e3o seria encontrada na natureza do marco institucional de uma determinada economia, principalmente no que diz respeito ao seu sistema legal e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, pois elas teriam um papel fundamental na cria\u00e7\u00e3o de um ambiente e de incentivos que favorecessem ou n\u00e3o a acumula\u00e7\u00e3o de capital e, portanto o crescimento econ\u00f4mico. Assim, n\u00e3o foi por acaso que ele defendeu o livre com\u00e9rcio, a n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia, \u00e0 defesa da propriedade privada e o cumprimento dos contratos, bem como a import\u00e2ncia de judici\u00e1rio eficiente para o \u201cenforcement\u201d destes.<\/p>\n<p>Adam Smith (1776) estava se contrapondo e oferecendo uma alternativa a pol\u00edtica mercantilista da \u00e9poca, segundo a qual o Estado era capaz de criar as condi\u00e7\u00f5es para o crescimento econ\u00f4mico e o desenvolvimento atrav\u00e9s de uma pol\u00edtica intervencionista e regulamentadora. Assim, para ele, todas as regulamenta\u00e7\u00f5es derivadas da pol\u00edtica mercantilista realizada atrav\u00e9s do Estado, tanto no que se refere ao com\u00e9rcio interno como externo iria influenciar, direta ou indiretamente, o tamanho do mercado e portanto, a produtividade do trabalho e como estes eram fatores determinantes do crescimento econ\u00f4mico, isto afetava de modo perverso o desempenho da economia.<\/p>\n<p>A principal contribui\u00e7\u00e3o de Adam Smith, em nosso entender, constitui-se em ter mostrado que as for\u00e7as subjacentes da ordem natural da economia levavam a um resultado harmonioso em termos econ\u00f4micos e sociais. Isto possibilitou pela primeira vez a exist\u00eancia de uma s\u00edntese consistente das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Contudo, ele salientou que tal ordem requeria para o seu funcionamento um sistema na qual houvesse necessariamente liberdade e a n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o governamental por meio de regulamenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e monop\u00f3lios privados. Ele estava buscando na realidade analisar as estruturas institucionais que permitiam aos indiv\u00edduos se apropriar dos ganhos que s\u00e3o abertos pela amplia\u00e7\u00e3o do mercado e pela divis\u00e3o do trabalho. Al\u00e9m disso, ele buscou verificar como reduzir o comportamento oportunista dos grupos de press\u00e3o e da atividade de \u201c<em>rent-seeking<\/em>\u201d (busca de renda). Nenhum outro autor parece ter colocado com tanta \u00eanfase e veem\u00eancia a necessidade de se promover a livre competi\u00e7\u00e3o no mercado e de erradicar todas as formas de monop\u00f3lio e privil\u00e9gios. Isto ocorreu n\u00e3o por acaso, mas por ser o mercantilismo uma estrutura que incentivava as atividades de \u201crent-seeking\u201d.<\/p>\n<p>Assim, para concluir este artigo, podemos dizer que Adam Smith (1776) tinha plena consci\u00eancia do fato de que as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam um papel fundamental no que diz respeito ao crescimento econ\u00f4mico, sendo um elemento chave para se estabelecer o desempenho de uma economia. Ele destacou que, quando houvesse algum tipo de interven\u00e7\u00e3o do Estado, na maioria das vezes isto n\u00e3o seria desej\u00e1vel, pois implicaria numa restri\u00e7\u00e3o ao funcionamento do mercado, derivado do comportamento de grupos de interesse espec\u00edficos que utilizariam o Estado como um instrumento de transfer\u00eancia e cria\u00e7\u00e3o de rendas e privil\u00e9gios. Deste modo, n\u00e3o foi por acaso que ele defendeu a ideia de um Estado m\u00ednimo e com fun\u00e7\u00f5es bastante limitadas, pois tinha consci\u00eancia de que, do contr\u00e1rio, surgiriam oportunidades para que determinados grupos obtivessem privil\u00e9gios e favores do Estado, seja atrav\u00e9s de tarifas protecionistas, monop\u00f3lios estatais, corrup\u00e7\u00e3o etc.<\/p>\n<p>A \u201cRiqueza das Na\u00e7\u00f5es\u201d tem um car\u00e1ter atemporal na medida em que ele buscou atacar certos tipos de atividades governamentais que o haviam convencido, tanto do ponto de vista te\u00f3rico como emp\u00edrico, de que elas teriam efeitos perversos sobre a prosperidade econ\u00f4mica e a \u201criqueza das na\u00e7\u00f5es\u201d, assim, n\u00e3o foi por acaso que ele teceu fortes e veementes cr\u00edticas as tarifas sobre o com\u00e9rcios exterior e aos monop\u00f3lios legais entre outras. Como dissemos acima, ele estava buscando analisar qual seria a estrutura institucional que promovesse que levasse os indiv\u00edduos a promover o crescimento e o progresso econ\u00f4mico. E esta ordem seriam uma na qual houvesse liberdade para os indiv\u00edduos buscarem, eles mesmos os seus interesses. Estudos econ\u00f4micos recentes, como o de Gerald Scully [Constitutional Enviroments and Economic Growth, 1992] mostraram que a escolha da estrutura institucional tem profundas consequ\u00eancias sobre os ganhos de efici\u00eancia e sobre o crescimento econ\u00f4mico, pois as sociedades que s\u00e3o politicamente abertas, que se comprometem em cumprir a lei, que respeitam a propriedade privada e na qual os recursos s\u00e3o alocados via mercado, crescem tr\u00eas vezes mais do que as que n\u00e3o seguem (2,73% a 0,91%).<\/p>\n<p>Assim, o \u201cvelho\u201d Adam Smith estava certo e a sua leitura constitui-se em algo extremamente proveitoso e atual, n\u00e3o somente para os economistas, mas para todos aqueles que acreditam na liberdade individual e que uma economia de mercado prov\u00ea a estrutura adequada para uma economia crescer e torna-se prospera.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Gi\u00e1como Balbinotto Neto, docente do Departamento de Economia e Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da FCE\/UFRGS<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":41496,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[438],"tags":[],"class_list":["post-41495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41495"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41495\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41535,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41495\/revisions\/41535"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}