{"id":485,"date":"2014-11-18T10:32:01","date_gmt":"2014-11-18T10:32:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=485"},"modified":"2014-12-04T17:31:55","modified_gmt":"2014-12-04T17:31:55","slug":"professores-da-fce-falam-sobre-os-20-anos-do-plano-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/professores-da-fce-falam-sobre-os-20-anos-do-plano-real\/","title":{"rendered":"Professores da FCE falam sobre os 20 anos do Plano Real"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O Plano Real completou 20 anos este ano e, para relembrar os m\u00e9ritos e falhas do plano, o Portal FCE conversou com os professores da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas Fernando Ferrari, Flavio Fligenspan e Ricardo Dathein acerca do tema. Confira a entrevista completa abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Portal FCE:\u00a0<\/strong>Al\u00e9m do m\u00e9rito do controle inflacion\u00e1rio no contexto, quais outros m\u00e9ritos e falhas podem ser apontadas na cria\u00e7\u00e3o da moeda que est\u00e1 vigente no pa\u00eds h\u00e1 20 anos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernando Ferrari Filho:<\/strong> O m\u00e9rito inquestion\u00e1vel foi ter eliminado um cr\u00f4nico e acelerado processo inflacion\u00e1rio ao redor de 50,0% ao m\u00eas, para uma infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anualizada na ordem de 7,9%. Para tanto, foi imprescind\u00edvel ter desmantelado o mecanismo generalizado de indexa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e sal\u00e1rios da economia. A falha foi que o Plano Real e as demais sistem\u00e1ticas de estabiliza\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria implementadas nos \u00faltimos anos, tais como o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, preocuparam-se, unicamente, em manter a infla\u00e7\u00e3o sob controle, negligenciando a din\u00e2mica do crescimento. O resultado dessa neglig\u00eancia \u00e9 que o PIB cresceu, em m\u00e9dia, nos \u00faltimos 20 anos, somente 3,0% ao ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Flavio Fligenspan:<\/strong> O grande m\u00e9rito foi controlar uma infla\u00e7\u00e3o que sempre amea\u00e7ou se transformar numa hiperinfla\u00e7\u00e3o sem controle, al\u00e9m de recuperar a credibilidade da moeda nacional e, assim, dar estabilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. As falhas incluem o fato de ainda termos uma infla\u00e7\u00e3o que pode ser considerada alta, ainda mantermos mecanismos formais e informais de indexa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o termos um amplo mercado de capitais \u2013 por falta de confian\u00e7a no longo prazo -, e n\u00e3o termos conseguido aumentar a taxa de investimento e as taxas de crescimento da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ricardo Dathein:<\/strong> O Plano Real foi uma medida heterodoxa muito bem elaborada e executada. Ele possibilitou, em tese, mudar o foco do curto prazo para o longo prazo na gest\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica. No entanto, infelizmente, est\u00e1vamos em um contexto liberal no qual se pensava que o mercado resolveria a quest\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, o que n\u00e3o se concretizou. Portanto, considero que o maior problema n\u00e3o esteve no Plano Real em si, mas na interpreta\u00e7\u00e3o que se fez. Mas um problema que persiste \u00e9 que ainda existem indexa\u00e7\u00f5es que impedem uma maior redu\u00e7\u00e3o da taxa de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bresser-5.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-474\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bresser-5-1024x682.jpg\" alt=\"Fernando Ferrari Filho\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bresser-5-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/bresser-5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0Fernando Ferrari Filho.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Portal FCE:<\/strong> Como uma moeda relativamente mais est\u00e1vel altera as expectativas dos agentes econ\u00f4micos, tanto internos como externos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernando Ferrari Filho:<\/strong> Ela mant\u00e9m relativamente est\u00e1vel o poder de compra e os lucros dos agentes econ\u00f4micos, bem como permite a realiza\u00e7\u00e3o de planejamento de gastos e tomadas de decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Flavio\u00a0Fligenspan:<\/strong> Uma moeda est\u00e1vel permite o planejamento das empresas, dos consumidores e do governo. Assim, esses agentes podem projetar com mais acuidade suas receitas e despesas por prazos mais longos, oferecer e tomar cr\u00e9dito e projetar o futuro com menor risco. Isso tamb\u00e9m vale para as rela\u00e7\u00f5es do pa\u00eds com o exterior, oferecendo maior estabilidade \u00e0s opera\u00e7\u00f5es cambiais, de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o e de transfer\u00eancias de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ricardo Dathein:<\/strong> O controle inflacion\u00e1rio deu mais estabilidade para a decis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e investimento, o que \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o suficiente. Os empres\u00e1rios investem se houver perspectivas adequadas de lucratividade, e isso n\u00e3o pode ser garantido apenas pela estabilidade de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Fligenspan-Arquivo.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-487\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Fligenspan-Arquivo.jpg\" alt=\"Fligespan\" width=\"640\" height=\"448\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Fligenspan-Arquivo.jpg 640w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Fligenspan-Arquivo-300x210.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Fl\u00e1vio Fligenspan<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Portal FCE:\u00a0<\/strong>H\u00e1 quem defenda que a infla\u00e7\u00e3o dentro do controle de metas inflacion\u00e1rias ainda n\u00e3o \u00e9 um grave problema para a economia brasileira. Quais as perspectivas para os pr\u00f3ximos anos para a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real e como podem se dar as altera\u00e7\u00f5es cambiais que n\u00e3o s\u00e3o influenciadas pelo fen\u00f4meno inflacion\u00e1rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fernando Ferrari:<\/strong> Desde a implementa\u00e7\u00e3o do regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, em junho de 1999, a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 da ordem de 6,7% ao ano, bem como somente em tr\u00eas ocasi\u00f5es, 2001, 2002 e 2003, ela ultrapassou o teto da meta. Portanto, entendo que, sim, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o principal problema da economia brasileira. Os principais problemas s\u00e3o os recorrentes desequil\u00edbrios do balan\u00e7o de pagamentos e a falta de perspectiva de crescimento econ\u00f4mico. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perspectivas para a infla\u00e7\u00e3o, ela convergir\u00e1, a m\u00e9dio prazo, para o centro da meta, independentemente dos juros e do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fl\u00e1vio Fligespan:<\/strong> A infla\u00e7\u00e3o brasileira, que tem ficado em torno de 6% ao ano nos \u00faltimos anos, \u00e9 tida como um bom resultado em compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo pr\u00e9 Real de completo descontrole. Mas, para uma economia que deseja ter pre\u00e7os est\u00e1veis e ainda guarda elementos importantes de indexa\u00e7\u00e3o, 6% \u00e9 uma taxa elevada, at\u00e9 porque ela d\u00e1 margem para n\u00edveis mais altos. O ideal \u00e9 que consigamos taxas de infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximas de 3% ao ano, evitando o mais poss\u00edvel a indexa\u00e7\u00e3o e mecanismos artificiais de controle, tais como o c\u00e2mbio e os pre\u00e7os administrados. \u00c9 sabido que o c\u00e2mbio est\u00e1 valorizado artificialmente por interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, como um elemento importante de controle da infla\u00e7\u00e3o. Mas isto traz distor\u00e7\u00f5es, como a perda de competitividade dos produtos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ricardo Dathein:<\/strong> A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto mais prejudicial quanto mais pobres s\u00e3o as pessoas. Portanto, ela deve ser sempre combatida. No entanto, n\u00e3o \u00e9 com valoriza\u00e7\u00e3o cambial que isso deve ser feito, a n\u00e3o ser que n\u00e3o haja outra alternativa. A taxa de c\u00e2mbio continua excessivamente valorizada e, portanto, precisa ser mais desvalorizada para dar maiores condi\u00e7\u00f5es de lucratividade aos exportadores e para deter importa\u00e7\u00f5es \u201csubsidiadas\u201d. Isso deve ser feito paulatinamente, para evitar maiores press\u00f5es inflacion\u00e1rias. Depois de se alcan\u00e7ar um novo e adequado patamar, as press\u00f5es sobre os pre\u00e7os se reduzir\u00e3o, tamb\u00e9m pelo novo est\u00edmulo ao lado da oferta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fernando Ferrari Filho \u00e9 Professor Titular do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador do CNPq. Doutor em Economia pela Universidade de S\u00e3o Paulo e p\u00f3s-doutorado em Economia pela University of Tennessee e pela University of Cambridge.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Fl\u00e1vio Benevett Fligenspan possui Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1979), Mestrado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e Doutorado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2009). Atualmente \u00e9 Professor Adjunto \u2013 3o grau \u2013 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Economia, com \u00eanfase em Economia Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: industria, crescimento, producao, comercio externo, emprego e rendimento.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ricardo Dathein possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (1985) e em Engenharia Civil (1983) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especializa\u00e7\u00e3o em Economia do Trabalho e Sindicalismo (1994) pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE\/UNICAMP), mestrado em Economia (1992) pela UFRGS e doutorado em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (2000) pelo IE\/UNICAMP. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Economia, com \u00eanfase em Teoria Econ\u00f4mica, atuando principalmente nos seguintes temas: economia brasileira, desenvolvimento, mercado de trabalho, pol\u00edticas econ\u00f4micas e economia internacional. Foi chefe do Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas e Vice Diretor da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFRGS. Atualmente \u00e9 Professor Associado da UFRGS e Editor da revista An\u00e1lise Econ\u00f4mica.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Plano Real completou 20 anos este ano e, para relembrar os m\u00e9ritos e falhas do plano, o Portal FCE conversou com os professores da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas Fernando Ferrari, Flavio Fligenspan e Ricardo Dathein acerca do tema. Confira a entrevista completa abaixo. Portal FCE:\u00a0Al\u00e9m do m\u00e9rito do controle inflacion\u00e1rio no contexto, quais outros m\u00e9ritos e falhas podem ser apontadas na cria\u00e7\u00e3o da moeda que est\u00e1 vigente no pa\u00eds h\u00e1 20 anos? Fernando Ferrari Filho: O m\u00e9rito inquestion\u00e1vel foi ter eliminado um cr\u00f4nico e acelerado processo inflacion\u00e1rio ao redor de 50,0% ao m\u00eas, para uma infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anualizada na ordem de 7,9%. Para tanto, foi imprescind\u00edvel ter desmantelado o mecanismo generalizado de indexa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e sal\u00e1rios da economia. A falha foi que o Plano Real e as demais sistem\u00e1ticas de estabiliza\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria implementadas nos \u00faltimos anos, tais como o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, preocuparam-se, unicamente, em manter a infla\u00e7\u00e3o sob controle, negligenciando a din\u00e2mica do crescimento. O resultado dessa neglig\u00eancia \u00e9 que o PIB cresceu, em m\u00e9dia, nos \u00faltimos 20 anos, somente 3,0% ao ano. Flavio Fligenspan: O grande m\u00e9rito foi controlar uma infla\u00e7\u00e3o que sempre amea\u00e7ou se transformar numa hiperinfla\u00e7\u00e3o sem controle, al\u00e9m de recuperar a credibilidade da moeda nacional e, assim, dar estabilidade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. As falhas incluem o fato de ainda termos uma infla\u00e7\u00e3o que pode ser considerada alta, ainda mantermos mecanismos formais e informais de indexa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o termos um amplo mercado de capitais \u2013 por falta de confian\u00e7a no longo prazo -, e n\u00e3o termos conseguido aumentar a taxa de investimento e as taxas de crescimento da economia. Ricardo Dathein: O Plano Real foi uma medida heterodoxa muito bem elaborada e executada. Ele possibilitou, em tese, mudar o foco do curto prazo para o longo prazo na gest\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica. No entanto, infelizmente, est\u00e1vamos em um contexto liberal no qual se pensava que o mercado resolveria a quest\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, o que n\u00e3o se concretizou. Portanto, considero que o maior problema n\u00e3o esteve no Plano Real em si, mas na interpreta\u00e7\u00e3o que se fez. Mas um problema que persiste \u00e9 que ainda existem indexa\u00e7\u00f5es que impedem uma maior redu\u00e7\u00e3o da taxa de infla\u00e7\u00e3o. &nbsp; \u00a0Fernando Ferrari Filho.\u00a0 Portal FCE: Como uma moeda relativamente mais est\u00e1vel altera as expectativas dos agentes econ\u00f4micos, tanto internos como externos? Fernando Ferrari Filho: Ela mant\u00e9m relativamente est\u00e1vel o poder de compra e os lucros dos agentes econ\u00f4micos, bem como permite a realiza\u00e7\u00e3o de planejamento de gastos e tomadas de decis\u00e3o. Flavio\u00a0Fligenspan: Uma moeda est\u00e1vel permite o planejamento das empresas, dos consumidores e do governo. Assim, esses agentes podem projetar com mais acuidade suas receitas e despesas por prazos mais longos, oferecer e tomar cr\u00e9dito e projetar o futuro com menor risco. Isso tamb\u00e9m vale para as rela\u00e7\u00f5es do pa\u00eds com o exterior, oferecendo maior estabilidade \u00e0s opera\u00e7\u00f5es cambiais, de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o e de transfer\u00eancias de recursos. Ricardo Dathein: O controle inflacion\u00e1rio deu mais estabilidade para a decis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e investimento, o que \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o suficiente. Os empres\u00e1rios investem se houver perspectivas adequadas de lucratividade, e isso n\u00e3o pode ser garantido apenas pela estabilidade de pre\u00e7os. &nbsp; Fl\u00e1vio Fligenspan Portal FCE:\u00a0H\u00e1 quem defenda que a infla\u00e7\u00e3o dentro do controle de metas inflacion\u00e1rias ainda n\u00e3o \u00e9 um grave problema para a economia brasileira. Quais as perspectivas para os pr\u00f3ximos anos para a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real e como podem se dar as altera\u00e7\u00f5es cambiais que n\u00e3o s\u00e3o influenciadas pelo fen\u00f4meno inflacion\u00e1rio? Fernando Ferrari: Desde a implementa\u00e7\u00e3o do regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, em junho de 1999, a infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 da ordem de 6,7% ao ano, bem como somente em tr\u00eas ocasi\u00f5es, 2001, 2002 e 2003, ela ultrapassou o teto da meta. Portanto, entendo que, sim, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o principal problema da economia brasileira. Os principais problemas s\u00e3o os recorrentes desequil\u00edbrios do balan\u00e7o de pagamentos e a falta de perspectiva de crescimento econ\u00f4mico. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perspectivas para a infla\u00e7\u00e3o, ela convergir\u00e1, a m\u00e9dio prazo, para o centro da meta, independentemente dos juros e do c\u00e2mbio. Fl\u00e1vio Fligespan: A infla\u00e7\u00e3o brasileira, que tem ficado em torno de 6% ao ano nos \u00faltimos anos, \u00e9 tida como um bom resultado em compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo pr\u00e9 Real de completo descontrole. Mas, para uma economia que deseja ter pre\u00e7os est\u00e1veis e ainda guarda elementos importantes de indexa\u00e7\u00e3o, 6% \u00e9 uma taxa elevada, at\u00e9 porque ela d\u00e1 margem para n\u00edveis mais altos. O ideal \u00e9 que consigamos taxas de infla\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximas de 3% ao ano, evitando o mais poss\u00edvel a indexa\u00e7\u00e3o e mecanismos artificiais de controle, tais como o c\u00e2mbio e os pre\u00e7os administrados. \u00c9 sabido que o c\u00e2mbio est\u00e1 valorizado artificialmente por interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, como um elemento importante de controle da infla\u00e7\u00e3o. Mas isto traz distor\u00e7\u00f5es, como a perda de competitividade dos produtos brasileiros. Ricardo Dathein: A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto mais prejudicial quanto mais pobres s\u00e3o as pessoas. Portanto, ela deve ser sempre combatida. No entanto, n\u00e3o \u00e9 com valoriza\u00e7\u00e3o cambial que isso deve ser feito, a n\u00e3o ser que n\u00e3o haja outra alternativa. A taxa de c\u00e2mbio continua excessivamente valorizada e, portanto, precisa ser mais desvalorizada para dar maiores condi\u00e7\u00f5es de lucratividade aos exportadores e para deter importa\u00e7\u00f5es \u201csubsidiadas\u201d. Isso deve ser feito paulatinamente, para evitar maiores press\u00f5es inflacion\u00e1rias. Depois de se alcan\u00e7ar um novo e adequado patamar, as press\u00f5es sobre os pre\u00e7os se reduzir\u00e3o, tamb\u00e9m pelo novo est\u00edmulo ao lado da oferta. *** Fernando Ferrari Filho \u00e9 Professor Titular do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Pesquisador do CNPq. Doutor em Economia pela Universidade de S\u00e3o Paulo e p\u00f3s-doutorado em Economia pela University of Tennessee e pela University of Cambridge. Fl\u00e1vio Benevett Fligenspan possui Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1979), Mestrado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e Doutorado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2009). Atualmente \u00e9 Professor Adjunto \u2013 3o grau \u2013 da Universidade Federal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4,10],"tags":[],"class_list":["post-485","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}