O simpósio foi realizado no âmbito do XVIII Encontro da ABRALIC, de forma on-line, no período de 11 a 15 de julho de 2022, e coordenado pela Dr.a Juracy Assmann Saraiva, da Universidade Feevale e pela Dr.a Marinês Andrea Kunz, da Universidade Federal da Paraíba.
Partindo do princípio de que o texto literário não é autotélico em sua concepção, tampouco destituído de finalidade, o simpósio propôs a análise e discussão da ficção de Machado de Assis, sob dois aspectos fundamentais: o do processo de representação que compele o leitor a assumir um posicionamento crítico-interpretativo sobre o contexto; o da reflexão sobre a arte em geral e sobre a literatura em particular, que é concebida como parte de um sistema artístico, para o qual convergem outras formas de expressão.
Paralelamente, referendando a natureza dialógica e/ou polifônica da linguagem, o simpósio abre espaço para os estudos da crônica machadiana, vista como veículo de observação e avaliação da sociedade brasileira, e estende a discussão às produções dramáticas, aos poemas e aos textos críticos que traduzem, assim como as demais produções de Machado, elementos do contexto estético-histórico-cultural. Nesse, avulta, por sua vez, o estatuto de mercadoria da obra literária e a mercantilização da cultura, fenômeno que assinala a importância das relações do escritor com os jornais, como veículos de divulgação de sua obra, e com as instâncias editoriais, particularmente, com a editora Garnier.
Na abrangência de seus enfoques, o simpósio “Machado de Assis: articulação entre reflexão estética e crítica social” discutiu o posicionamento crítico que Machado de Assis expressa em suas obras tanto em relação à sociedade brasileira quanto em relação ao fazer artístico. Nesse sentido, salientou aspectos conjunturais, estéticos e políticos de suas obras, cuja neutralidade é recusada pela natureza ideológica da linguagem.
