Out 212019
 

O PPG de Filosofia da UFRGS e a Linha de Pesquisa Epistemologia e Metafísica convidam para o Workshop com a participação de

David Zapero (Universidade de Bonn, Alemanha) e  Eduardo Marchesan (USP)

 

Data, Horário e Local: 29 de outubro, 14h-18h15, Miniauditório do IFCH (UFRGS – Campus do Vale)

 

PROGRAMA

 

14h-15h15 Eduardo Marchesan (USP): “Saber o que se diz: consciência e o conteúdo do dito”

15h30-16h45 David Horst (UFRGS): “Virtue, Skill, and Epistemic Competence”

17h-18h15 David Zapero (Universität Bonn): “Perspectives and Capacities”

 

Abstracts

Eduardo Marchesan (USP): “Saber o que se diz: consciência e o conteúdo do dito”

Uma revisão recente da pragmática de Grice sugere que a leitura adequada da categoria de dito (what is said) exige que o conteúdo a ser atribuído ao que o falante diz seja encarado como imediatamente disponível para a consciência dos participantes de uma interação comunicativa. Qualquer delimitação teórica de um conteúdo mínimo inacessível à consciência corresponderia a um nível de análise distinto do dito. Nestes termos, o dito corresponde – tal como nos casos de implicatura – àquilo que o falante intenciona comunicar. O conteúdo a ser atribuído a um ato de fala assertivo equivale, portanto, àquilo que o falante pretende expressar e, ao mesmo tempo, tal conteúdo pode ser especificado por alguém capaz de reconhecer corretamente esta intenção. Um problema apontado sobre essa reformulação da categoria griceana diz respeito à ideia de que ela teria como consequência a eliminação da possibilidade de que os participantes da interação estivessem equivocados sobre o que foi dito. Tal como o problema é formulado, estaria em risco a “objetividade do dito”. Nesta fala, analisarei os fundamentos que levam o principal representante desta corrente revisionista, François Recanati, a propor a reformulação da categoria de dito, bem como a resposta que ele propõe à objeção mencionada. Procuro mostrar como, na sua tentativa de ser fiel ao ímpeto fundamental do projeto de Grice de redução da significação à intenção do falante e, ao mesmo tempo, permitir a possibilidade de erro dos participantes da interação, Recanati acaba por mostrar, involuntariamente, como a atribuição correta do conteúdo do dito é alheia a critérios assentados na intenção do falante.

David Zapero (Universität Bonn): “Perspectives and Capacities”

Beliefs are, for many, windows on the world. Attributing a belief is, according to such a picture, fitting oneself behind someone’s window. We will look at one prominent line of thought which is meant to vindicate the picture and will examine the conception of a capacity that undergirds it.

David Horst (UFRGS): “Virtue, Skill, and Epistemic Competence”

Many virtue epistemologists conceive of epistemic competence on the model of skill—such as archery, playing baseball or chess­. In this paper, I argue that this is a mistake: epistemic competences and skills are crucially and relevantly different kinds of capacities. This, I suggest, undermines the popular attempt to understand epistemic normativity as a mere special case of the sort of normativity familiar from skillful action. In fact, as I argue further, epistemic competences resemble virtues, rather than skills—a claim that is based on an important, but largely overlooked, distinction between virtue and skill, one that Aristotle highlights in the Nicomachean Ethics. The upshot is that virtue epistemology should indeed be based on virtue, not on skill.