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Utilização dos Radioisótopos na Medicina Do livro: Dosimetria e Higiene das Radiações de Thomaz Bitelli |
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A história da utilização dos radioisótopos como elementos marcadores para os mais variados campos da pesquisa, representa uma das mais belas páginas da ciência, pois demonstra como um cérebro privilegiado pode transformar um fracasso absoluto numa das mais brilhantes conquistas científicas do século XX. Em 1910, o jovem físico húngaro Georg von Hevesy procurou o famoso físico inglês Rutherford, para fazer no laboratório deste, em Manchester, os seus estudos de aperfeiçoamento. Rutherford levou-o ao subsolo e disse-lhe: "Se você vale o seu sal, procure separar o Radium- D, contido neste minério, do chumbo". O jovem Hevesy tentou desesperadamente, durante dois anos, por todos os métodos físicos e químicos conhecidos na época, a separação do Radium-D do chumbo, mas não conseguiu. Tinha, portanto, fracassado completamente no seu intento. Em 1912, já então na Universidade de Viena, ocorreu-lhe a idéia fundamental do emprego dos radioisótopos como elementos traçadores. Já que não era possível separar o Radium-D (Ra-D) do chumbo (Pb), então ele poderia utilizar o Ra-D, que emitia radiações e portanto podia ser detectado por aparelhos especiais, como elemento traçador, marcador, para qualquer reação do Pb que quisesse estudar. Nessa época foram executados os primeiros trabalhos, juntamente com Paneth, sobre estudos de reações químicas do Pb utilizando o Ra-D como marcador. Somente em 1922, o próprio Hevesy utilizou novamente o sistema Ra D - Pb, para estudar a absorção do Pb pelas raízes das plantas e, pouco depois, para estudos da distribuição deste mesmo elemento nos animais. Entretanto, os estudos eram extremamente limitados, porque só existiam os elementos radioativos naturais, todos eles pertencentes à família do radium ou do tório, isto é, metais pesados, que por si só são tóxicos ao organismo. Em 1934, o casal Frederic e Irene Joliot Curie conseguiu a primeira transmutação artificial de elementos químicos, produzindo no laboratório uma pequena quantidade de fósforo radioativo (32P). Hevesy imediatamente lançou mão deste material para estudar a distribuição do fósforo em plantas e animais. Nesta mesma época Urey conseguiu isolar o deutério (2H) do hidrogênio normal, e Hevesy utilizou novamente este material para estudos de troca de água em peixes. Estas pesquisas, entretanto, eram muito lentas, devido à
escassez dos radioisótopos existentes. Foi somente a partir de 1945, com o desenvolvimento dos reatores nucleares e a produção de radioisótopos em larga escala, que o emprego deste material em investigações biológicas, médicas, químicas e de outras ciências tomou impulso vertiginoso. Nestes últimos 50 anos, o progresso nos estudos da dinâmica, tanto dos organismos vivos, como de simples reações químicas, foi de tal ordem, que só pode ser comparado ao progresso obtido no século passado no estudo da morfologia dos seres vivos e dos materiais, por meio do microscópio. Se este desvendou a estrutura dos materiais, os radioisótopos estão, rapidamente, desvendando o seu dinamismo. A idéia do emprego dos radioisótopos como elementos marcadores, e as experiências fundamentais comprovando a sua utilização, valeram George de Hevesy os maiores prêmios científicos da atualidade, entre eles o prêmio Nobel de Química em 1943 e o prêmio Ford. A importância da utilização dos radioisótopos faz-se sentir nos mais variados campos da atividade humana, não somente na Medicina, Biologia e Química, mas também na Agricultura, Pecuária, Indústria, etc. Finalmente, campo correlato, se bem que não idêntico, é a utilização dos reatores de potência para fornecimento de energia com a qual o homem amplia suas possibilidades no que diz respeito a geração de luz e força, e dos quais resultam ainda, em larga escala, os radioisótopos indispensáveis às aplicações acima citadas. Todos estes fatores concorrem para o interesse grande da classe médica, não somente em relação à utilização dos radioisótopos para fins de diagnósticos e terapêutica, mas também aos efeitos das radiações sobre o homem e outros seres vivos. O estudo pormenorizado da Metodologia dos Radioisótopos, Radiologia e Medicina Nuclear, entretanto, requer conhecimentos mais aprofundados, que nem sempre estão ao alcance do médico. |