{"id":3530,"date":"2021-10-19T09:50:58","date_gmt":"2021-10-19T12:50:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/?page_id=3530"},"modified":"2026-03-20T15:34:47","modified_gmt":"2026-03-20T18:34:47","slug":"conservacao-nos-campos-sulinos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/conservacao-nos-campos-sulinos\/","title":{"rendered":"Conserva\u00e7\u00e3o nos Campos Sulinos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supress\u00e3o de campos e fragmenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo ano s\u00e3o destru\u00eddos alguns milhares de hectares de campo nativo para se tornarem grandes extens\u00f5es de monoculturas agr\u00edcolas (soja, milho e\/ou arroz) ou silviculturas (pinus e\/ou eucalipto). Essas culturas s\u00e3o respons\u00e1veis por reduzir a biodiversidade local e enfraquecer o solo, al\u00e9m de homogeneizar a paisagem. Com a diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas campestres, tamb\u00e9m diminuem as \u00e1reas dispon\u00edveis de h\u00e1bitats para as esp\u00e9cies que ali vivem, reduzindo o tamanho de suas popula\u00e7\u00f5es e podendo causar extin\u00e7\u00f5es locais. Extin\u00e7\u00f5es locais s\u00e3o preocupantes, porque existem esp\u00e9cies que se desenvolvem apenas em condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas e acabam restritas a \u00e1reas muito pequenas, correndo o risco de desaparecerem com a supress\u00e3o de campos. Nos Campos Sulinos h\u00e1 pelo menos 500 esp\u00e9cies catalogadas nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"572\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-1985-2019_2-1024x572.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3539\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-1985-2019_2-1024x572.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-1985-2019_2-300x168.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-1985-2019_2-768x429.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-1985-2019_2-1536x858.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-1985-2019_2-2048x1144.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Entre os anos de 1985 e 2019 perdemos 33 mil km\u00b2 de campos nativos na regi\u00e3o dos Campos Sulinos. Fonte: MapBiomas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da convers\u00e3o dos campos nativos, outro problema que amea\u00e7a sua conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o da sua vegeta\u00e7\u00e3o, que ocorre quando h\u00e1 pequenas manchas de vegeta\u00e7\u00e3o preservadas mas n\u00e3o conectadas entre si. Essas por\u00e7\u00f5es separadas de vegeta\u00e7\u00e3o s\u00e3o desvantajosas para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, pois geram muitas \u00e1reas de contato com o meio externo da \u00e1rea preservada. Por isso, as \u201cbordas\u201d das manchas de vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e3o suscet\u00edveis a diversos tipos de perturba\u00e7\u00f5es, como diferen\u00e7as de temperatura, diferen\u00e7as na umidade do solo e do ar, contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos e a entrada de esp\u00e9cies invasoras. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m h\u00e1 o risco de isolamento geogr\u00e1fico de algumas esp\u00e9cies, visto que a dispers\u00e3o de sementes entre uma mancha e outra pode ser irrealiz\u00e1vel ou ocorrer de forma reduzida, levando popula\u00e7\u00f5es ao decl\u00ednio e\/ou \u00e0 extin\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"679\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/lulc-campos-sulinos-1985-2019-1024x679.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3541\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/lulc-campos-sulinos-1985-2019-1024x679.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/lulc-campos-sulinos-1985-2019-300x199.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/lulc-campos-sulinos-1985-2019-768x509.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/lulc-campos-sulinos-1985-2019.png 1122w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A principal fonte de convers\u00e3o de \u00e1rea campestre nativa \u00e9 o plantio de soja, correspondendo \u00e0 47% da \u00e1rea convertida entre 1985 e 2019.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Unidades de conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os campos s\u00e3o poucos protegidos por Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o no Sul do Brasil, sendo a maioria das UCs destinada \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de florestas e banhados. Entre as poucas \u00e1reas campestres\u00a0 protegidas existentes est\u00e3o a APA do Ibirapuit\u00e3, no RS, que abrange 224 mil hectares de \u00e1reas de campo, e o Parque Nacional dos Campos Gerais, no PR, que abrange 4,5 mil hectares de campos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, cerca de 2,58% das \u00e1reas de campos naturais existentes est\u00e3o protegidas por unidades de conserva\u00e7\u00e3o, um n\u00famero muito irris\u00f3rio que n\u00e3o \u00e9 capaz de proteger a riqueza ecol\u00f3gica e gen\u00e9tica desses ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"934\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-UCs_3-1024x934.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3547\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-UCs_3-1024x934.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-UCs_3-300x274.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-UCs_3-768x700.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-UCs_3-1536x1400.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/NEXO-Campos-Sulinos-UCs_3-2048x1867.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c1rea das unidades de conserva\u00e7\u00e3o que possuem ao menos parte de seu territ\u00f3rio dentro da regi\u00e3o dos Campos Sulinos, mostrando apenas a \u00e1rea das UCs que intersecta a \u00e1rea dos Campos Sulinos. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conservar para prover servi\u00e7os ecossist\u00eamicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preserva\u00e7\u00e3o dos campos possibilita o bom funcionamento dos servi\u00e7os ambientais. Mas o que isso quer dizer?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os ecossistemas funcionam em equil\u00edbrio. Para ilustrar, podemos pensar no seguinte exemplo: <strong>plantas campestres<\/strong> propiciam um h\u00e1bitat favor\u00e1vel para a exist\u00eancia de <strong>insetos<\/strong>, que <strong>polinizam plantas cultivadas <\/strong>utilizadas na alimenta\u00e7\u00e3o de <strong>seres humanos<\/strong>. Caso o degrau inicial desse ecossistema n\u00e3o estivesse presente, ocorreria um desequil\u00edbrio que afetaria\u00a0 todo o ecossistema. Esse \u00e9 um exemplo pontual, mas os servi\u00e7os ambientais s\u00e3o t\u00e3o grandiosos que \u00e9 dif\u00edcil precisar seu valor monetariamente. Sem eles, \u00e9 imposs\u00edvel imaginar a vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"425\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Design-sem-nome-2-1024x425.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3555\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Design-sem-nome-2-1024x425.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Design-sem-nome-2-300x125.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Design-sem-nome-2-768x319.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Design-sem-nome-2-1536x638.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Design-sem-nome-2-2048x851.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns exemplos de servi\u00e7os ambientais prestados pelos campos s\u00e3o: a manuten\u00e7\u00e3o da qualidade h\u00eddrica, a produ\u00e7\u00e3o de plantas forrageiras usadas como fonte de alimenta\u00e7\u00e3o na pecu\u00e1ria, o controle da eros\u00e3o do solo, a recarga do aqu\u00edfero Guarani, a capta\u00e7\u00e3o do carbono atmosf\u00e9rico por parte da vegeta\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, a ciclagem de nutrientes, a regula\u00e7\u00e3o do clima e o turismo ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pecu\u00e1ria como aliada na conserva\u00e7\u00e3o do campo nativo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso dos campos para a pecu\u00e1ria extensiva, realizada em grandes extens\u00f5es de terra e com os animais pastando livremente no terreno, proporciona um aproveitamento harmonioso e sustent\u00e1vel das \u00e1reas nativas. Essa pr\u00e1tica colabora com a preserva\u00e7\u00e3o dos campos, desde que n\u00e3o haja excesso de carga animal pastejando no local e se realize um manejo adequado. O campo sem o manejo cresce de forma homog\u00eanea, o que diminui a diversidade de esp\u00e9cies de plantas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a atividade possui valor econ\u00f4mico por gerar renda e n\u00e3o necessitar de insumos externos, j\u00e1 que o gado pode se alimentar das gram\u00edneas forrageiras campestres nativas. Veja mais sobre o tema em nossa p\u00e1gina de <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/disturbios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dist\u00farbios<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" data-id=\"3534\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/15865827021_52b127a546_o-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3534\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/15865827021_52b127a546_o-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/15865827021_52b127a546_o-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/15865827021_52b127a546_o-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/15865827021_52b127a546_o-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/floracampestre\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/15865827021_52b127a546_o-2048x1360.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Animais pastejando em \u00e1rea de campo em Acegu\u00e1\/RS. Fonte: Val\u00e9rio Pillar. <\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">[1] Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e os Campos do Rio Grande do Sul. Thais Brand\u00e3o1 , Rafael Trevisan2 e Rog\u00e9rio Both<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size wp-block-paragraph\">[2] Pillar, V. D. P., &amp; Lange, O. (Eds.). (2015). <em>Os campos do sul<\/em>. Porto Alegre\/RS: Rede Campos Sulinos-UFRGS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Supress\u00e3o de campos e fragmenta\u00e7\u00e3o Todo ano s\u00e3o destru\u00eddos alguns milhares de hectares de campo nativo para se tornarem grandes extens\u00f5es de monoculturas agr\u00edcolas (soja, milho e\/ou arroz) ou silviculturas (pinus e\/ou eucalipto). 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