{"id":1081,"date":"2020-08-25T08:00:13","date_gmt":"2020-08-25T11:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/?p=1081"},"modified":"2021-01-19T02:58:02","modified_gmt":"2021-01-19T05:58:02","slug":"por-uma-antropologia-do-caminhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/2020\/08\/25\/por-uma-antropologia-do-caminhar\/","title":{"rendered":"Por uma antropologia do caminhar*"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por Lu\u00edsa Pitanga<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nosso flanar a gente inventa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me pego pensando como teria sido a caminhada etnogr\u00e1fica que n\u00e3o foi. Aonde ir\u00edamos, o que observar\u00edamos, como nos organizar\u00edamos? Um grupo de estudantes e seu professor pelas ruas. Piadas, risadas, conversas, alguns anotam, outros gravam \u00e1udios, fazemos fotos, alternamos entre dispers\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o. Aonde terminar\u00edamos a caminhada? No que resultaria? Com todos os riscos e interdi\u00e7\u00f5es ainda \u00e9 poss\u00edvel imaginar, fabular, inventar caminhos. Como diz o poeta Manoel de Barros, \u201cquem anda no trilho \u00e9 trem de ferro. Sou \u00e1gua que corre entre pedras \u2013 liberdade ca\u00e7a jeito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de ca\u00e7ar jeito, navego na internet em busca do caminhar etnogr\u00e1fico. Minha primeira pista \u00e9 o fl\u00e2neur. Mais do que um tipo social ou personagem liter\u00e1rio do s\u00e9culo XIX, o fl\u00e2neur \u00e9 uma ideia que vem sendo apropriada (e reinventada) pela antropologia para pensar m\u00e9todos de pesquisa em antropologia urbana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A antrop\u00f3loga Beatriz Oliveira (2019) vem se debru\u00e7ando em pesquisa que demonstra a forma\u00e7\u00e3o de uma linhagem benjaminiana na antropologia em di\u00e1logo com dois significados da ideia de fl\u00e2neur encontrados na obra de Walter Benjamin: (1) o flanar como experi\u00eancia de deslocamento e fonte de reflexividade no trabalho etnogr\u00e1fico, ou ainda (2) como forma de escrita etnogr\u00e1fica que se aproveita de fragmentos de discursos coletados dos interlocutores, da paisagem urbana e do pesquisador e reverbera em um texto polif\u00f4nico. A observa\u00e7\u00e3o flutuante de Colette Pe\u0301tonnet, pioneira da etnologia urbana francesa; a etnografia de rua de Corne\u0301lia Eckert e Ana Luiza Carvalho da Rocha; o fla\u0302neur etnogra\u0301fico de Chris Jenks e Tiago Neves e o fl\u00e2neur p\u00f3s-moderno de Charles Soukup s\u00e3o as propostas estudadas por Oliveira (2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fl\u00e2neur \u00e9 um indiv\u00edduo que se perde em deambula\u00e7\u00f5es pelas ruas, galerias, bulevares, sem roteiros pr\u00e9vios, sem planos, mas com os sentidos atentos para observar os elementos e tipos sociais urbanos. Desloca-se vagarosamente \u201cem protesto aos ritmos do capitalismo\u201d (OLIVEIRA, 2019, p. 03), a levar \u201ctartarugas a passear pelas galerias\u201d (OLIVEIRA, 2019, p. 06). \u00c9 um consumidor de tempo, n\u00e3o de mercadorias. Inerente \u00e0 ideia do fl\u00e2neur, est\u00e1 o ato de caminhar sem pressa pela cidade. O fl\u00e2neur tamb\u00e9m \u00e9 um observador e um narrador. Todas pr\u00e1ticas afins ao fazer antropol\u00f3gico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1160\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-1.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"741\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-1.jpg 584w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-1-236x300.jpg 236w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Imagem: Colagem digital sobre foto de David Blumim)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Propor-se a uma etnografia de rua ou na rua (ECKERT; ROCHA, 2003) ou a uma observa\u00e7\u00e3o flutuante (P\u00c9TONNET, 2008) \u00e9 acreditar que a cidade fala, revela, enuncia, esconde, silencia algo que seremos capazes de ouvir, ver, ler, desvelar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas enuncia\u00e7\u00f5es pedestres de Michel de Certau (1998), cada percurso equivale a um relato. O ato de caminhar do transeunte estaria para o sistema urbano como a enuncia\u00e7\u00e3o do falante para a l\u00edngua. O caminhar seria processual, uma fuga \u00e0s tentativas de fixa\u00e7\u00e3o do sistema espacial. Se o mapa demarca e firma, o percurso fornece uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es sobre os modos de usar o sistema, repletos de \u201ct\u00e1ticas\u201d (DE CERTEAU, 1998). Aquelas pequenas transgress\u00f5es e ast\u00facias que os pedestres\/consumidores desenvolvem na rela\u00e7\u00e3o com a cidade e que passam ao largo do sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tim Ingold (2007) sugere que o mundo \u00e9 descoberto \u00e0 medida que direcionamos a aten\u00e7\u00e3o e que as vidas s\u00e3o vividas n\u00e3o dentro de lugares, mas atrav\u00e9s, em torno, para e de lugares. A exist\u00eancia humana se desdobra ao longo de caminhos. Que deixemos de lado as formas fixas, o que importa s\u00e3o as linhas, as trilhas, o caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sintonia com De Certeau (1998) e Ingold (2007) e a abordagem fenomenol\u00f3gica, Barbara Bender e Margot Winer (2001) criticam o que chamam de \u201cno\u00e7\u00e3o ocidental \u2013 elitista de paisagem\u201d, entendida como algo est\u00e1tico, a se visualizar, emoldurar, e exploram aspectos processuais da paisagem, suas rela\u00e7\u00f5es com a lei, com o Estado e com os processos de patrimonializa\u00e7\u00e3o, potencialmente em conflito. \u00c9 atrav\u00e9s da ag\u00eancia, do engajamento e do movimento que a paisagem \u00e9 descoberta. Assim, Bender e Winer (2001) prop\u00f5em ampliarmos a ideia de paisagem para a maneira pela qual as pessoas compreendem e interagem com o mundo material \u00e0 sua volta, reconhecendo que o ser-no-mundo \u00e9 sempre hist\u00f3rico e espacialmente contingente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A fl\u00e2neuse e os lugares por onde deixamos de andar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale lembrar que o fl\u00e2neur representa a liberdade de vagar de um homem.\u00a0 J\u00e1, a figura da fl\u00e2neuse surge em uma defini\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria do termo a partir de revis\u00f5es historiogr\u00e1ficas de algumas historiadoras da arte, como uma observadora urbana, a mulher artista caminhante (NUNES, 2018).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O anonimato e a despreocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m caracter\u00edsticos do fl\u00e2neur n\u00e3o caberiam \u00e0 fl\u00e2neuse, em geral objeto do olhar masculino de julgamento, admira\u00e7\u00e3o ou ass\u00e9dio. A mulher que vaga pela rua, em uma perspectiva machista hist\u00f3rica ou liter\u00e1ria, era em geral associada \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. No entanto, essa era uma mulher que tamb\u00e9m n\u00e3o era livre, pois marginalizada nos espa\u00e7os. A rua, no imagin\u00e1rio dominante do in\u00edcio das metr\u00f3poles, era vista como lugar de risco para as mulheres, que deveriam andar sempre acompanhadas, pois eram menos capazes de evitar perigos por sua \u201cnatureza\u201d fr\u00edvola, sua vulnerabilidade mental e pouca for\u00e7a f\u00edsica (MONNET, 2013).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1161\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-2.jpg 640w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/imagem-2-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Imagem:\u00a0<em>D\u00e9fense d&#8217;Afficher<\/em>, de Marianne Breslauer, Paris, 1936)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A palavra alem\u00e3 <em>Wanderlust<\/em> pode ser traduzida como \u00e2nsia de vagar. No livro de mesmo nome, a escritora feminista Rebecca Solnit (2020) constr\u00f3i uma esp\u00e9cie de hist\u00f3ria da caminhada, a partir da constata\u00e7\u00e3o de que houve uma aniquila\u00e7\u00e3o do desejo de caminhar sozinha nas mulheres:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">A descoberta mais devastadora da minha vida foi que eu n\u00e3o tinha nenhum direito real a vida, a liberdade, a busca da felicidade fora de casa, que o mundo estava cheio de desconhecidos que pareciam me odiar e queriam me fazer mal s\u00f3 por causa do meu g\u00eanero, que o sexo se convertia prontamente em viol\u00eancia e que quase ningu\u00e9m considerava o fato como um assunto p\u00fablico, e n\u00e3o um problema privado. (SOLNIT, 2020, p. 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nadja Monnet, autodenominada fl\u00e2neuse-etn\u00f3loga, fez pesquisa de campo em uma pra\u00e7a em Barcelona durante meses e identificou que uma mulher sozinha parada em uma pra\u00e7a pode ser at\u00e9 mais inc\u00f4modo que uma mulher que caminha sozinha:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">[&#8230;] as mulheres sozinhas ocupam muito raramente os bancos e, se este for o caso, elas na\u0303o costumam ficar por muito tempo: seja porque algue\u0301m as encontra logo depois que elas se sentam, seja porque elas so\u0301 fazem uma breve pausa em seu percurso que ira\u0301 leva\u0301-las a outro lugar. [&#8230;]. Tudo parece ser implementado para que as mulheres desacompanhadas tenham que solicitar uma \u201cautorizac\u0327a\u0303o de uso\u201d desses lugares, uma autorizac\u0327a\u0303o que se concretiza atrave\u0301s de va\u0301rias justificactivas que elas se sentem compelidas a dar para ficar um momento na prac\u0327a ou para se envolver em uma conversa com algue\u0301m. Um pedido de informac\u0327o\u0303es, a\u0300 espera de um\/a amigo\/a ou um parente, o lanche das crianc\u0327as, a necessidade de acompanhar seus maridos (no caso de mulheres mais velhas) ou uma pessoa de que e\u0301 responsa\u0301vel de cuidar, sa\u0303o todas as desculpas usadas para justificar a sua presenc\u0327a neste espac\u0327o dina\u0302mico, que so\u0301 o homem parece aproveitar plenamente. Na verdade, para a grande maioria dos interlocutores do sexo masculino, a etno\u0301loga solita\u0301ria que eu era, trabalhando neste espac\u0327o pu\u0301blico, foi interpretado como sino\u0302nimo de disponibilidade, de \u2018mulher fa\u0301cil\u2019, em busca de aventuras. Como pude perceber nas va\u0301rias propostas que me foram feitas ou nas conversas que foram bruscamente interrompidas quando meu estado civil (casada com filhos) foi revelado. (MONNET, 2013, p. 226 &#8211; 227).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permeadas pelo paradoxo da invisibilidade como sujeitas sociais e da hiperexposi\u00e7\u00e3o como objetos no espa\u00e7o p\u00fablico, n\u00f3s, mulheres, temos nossas caminhadas feitas de interditos, lacunas, passos n\u00e3o dados, autoexclus\u00e3o. Contudo, Monnet (2013) vislumbra uma outra forma de agir nas mulheres mais jovens, que andam em grupos, ocupam a pra\u00e7a e seus bancos, sentam de pernas abertas, deitam na grama e se beijam \u00e0 luz do dia. A quest\u00e3o que fica \u00e9: como caminhamos pelas ruas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>BENDER, Barbara; WINER, Margaret. (orgs.). <strong>Contested Landscapes<\/strong>: Movement, Exile and Place<em>. <\/em>Oxford: Routledge, 2001.<\/p>\n<p>DE CERTEAU, Michel. <strong>A inven\u00e7\u00e3o do cotidiano<\/strong>. 3. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1998.<\/p>\n<p>INGOLD, Tim. <strong>Lines<\/strong>: a brief history. Londres: Routledge, 2007.<\/p>\n<p>MONNET, Nadja. Flan\u00e2ncias femininas e etnografia.\u00a0 <strong>Redobra<\/strong>, Salvador, a. 04, n. 11, p. 218 \u2013 234, 2013. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.redobra.ufba.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/redobra11_23.pdf&gt;. Acesso em: 05 jul. 2020.<\/p>\n<p>NUNES, Thiane. Em busca da fl\u00e2neuse: mulheres que perambulam a cidade. Encontro de Hist\u00f3ria da Arte, 13., 2018, Porto Alegre. <strong>Anais<\/strong><em>&#8230;<\/em> Porto Alegre: [s.n.], 2018.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, Beatriz C. Linhagens benjaminianas do pensamento etnogra\u0301fico: fragmentac\u0327a\u0303o e fla\u0302nerie. In: Reunia\u0303o de Antropologia do Mercosul, 13., 2019, Porto Alegre. <strong>Anais<\/strong><em>&#8230;<\/em> Porto Alegre: [s.n.], 2019.<\/p>\n<p>P\u00c9TONNET, Colette. Observa\u00e7\u00e3o flutuante: o exemplo de um cemit\u00e9rio parisiense. <strong>Antropol\u00edticas<\/strong>, Niter\u00f3i, n. 25, p. 99 \u2013 111, 2008. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.marcoaureliosc.com.br\/08petonnet.pdf&gt;. Acesso em: 05 jul. 2020.<\/p>\n<p>ROCHA, Ana Luiza C. da; ECKERT, Cornelia. Etnografia de rua: estudo de antropologia urbana. <strong>Rua<\/strong><em>, <\/em>Campinas, n. 9, p. 101 \u2013 127, 2003. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.lume.ufrgs.br\/bitstream\/handle\/10183\/187458\/000431143.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y&gt;. Acesso em: 05 jul. 2020.<\/p>\n<p>SOLNIT, Rebecca. <strong>A hist\u00f3ria do caminhar<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2020.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">*\u00a0Esse \u00e9 o quarto dos textos que foram escritos durante a disciplina Semin\u00e1rio de Doutorado, ministrada no semestre letivo 2020.1 pelo professor Dr. Ruben George Oliven no PPGAS \u2013 UFRGS. Essa disciplina tem o objetivo de abrir os horizontes de pesquisadoras e pesquisadores em forma\u00e7\u00e3o, desafiando-os a produzir notas de leitura, reflex\u00f5es pontuais e coesas bem como monografias sobre algo que n\u00e3o se tenha cogitado investigar at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jovem anarquista que a ministra costuma encerrar o semestre letivo com sua querida &#8220;caminhada etnogr\u00e1fica&#8221;, um passeio guiado pela cidade de Porto Alegre em que sociabilidade urbana e mem\u00f3ria se entrecruzam. Em 2020, devido \u00e0 COVID-19 e \u00e0s suas medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, essa atividade teve de ser reelaborada e, em seu lugar, o professor prop\u00f4s a escrita de reflex\u00f5es de pequena extens\u00e3o que caminhassem por veredas da mem\u00f3ria ou que vertessem o olhar sobre as vias pand\u00eamicas que nos cercam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lu\u00edsa Pitanga O nosso flanar a gente inventa Me pego pensando como teria sido a caminhada etnogr\u00e1fica que n\u00e3o foi. Aonde ir\u00edamos, o que observar\u00edamos, como nos organizar\u00edamos? Um grupo de estudantes e seu professor pelas ruas. Piadas, risadas, conversas, alguns anotam, outros gravam \u00e1udios, fazemos fotos, alternamos entre dispers\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o. 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