{"id":37,"date":"2017-12-18T16:56:09","date_gmt":"2017-12-18T18:56:09","guid":{"rendered":"http:\/\/gaepppgas.wixsite.com\/gaep\/single-post\/2017\/12\/18\/Dos-movimentos-sociais-aos-movimentos-culturais-encontros-e-debates-na-XII-RAM"},"modified":"2018-09-18T10:23:39","modified_gmt":"2018-09-18T13:23:39","slug":"dos-movimentos-sociais-aos-movimentos-culturais-encontros-e-debates-na-xii-ram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/2017\/12\/18\/dos-movimentos-sociais-aos-movimentos-culturais-encontros-e-debates-na-xii-ram\/","title":{"rendered":"Dos movimentos sociais aos movimentos culturais: encontros e debates na XII RAM"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div id=\"icolpnyh_1_SinglePostMediaTop_MediaPost__0_0_author\" class=\"label s_usaAWRichTextClickableSkin\" data-packed=\"false\">\n<div id=\"icolpnyh_1_SinglePostMediaTop_MediaPost__0_0_authorrichTextContainer\" class=\"s_usaAWRichTextClickableSkin_richTextContainer s_usaAWRichTextClickableSkinrichTextContainer\">\n<p class=\"font_9\"><strong>Texto: Victoria Irisarri<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que carater\u00edsticas t\u00eam os movimentos culturais hoje? S\u00e3o diferentes dos movimentos sociais? Que aportes te\u00f3ricos para este debate eles podem trazer \u00e0 antropologia? E qual \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o da etnografia? Estas perguntas enquadram os interesses de um conjunto de pesquisadores que se reuniu entre os dias 4 e 7 de dezembro na cidade de Posadas, na Argentina, para a XII Reuni\u00e3o de Antropologia do Mercosul (RAM). O grupo de trabalho (GT) nomeado Dos movimentos sociais aos movimentos culturais, que coordenei com Felipe Comunello, e com a presen\u00e7a do professor Ruben Oliven como debatedor, aproximou uma variedade de trabalhos de car\u00e1ter etnogr\u00e1fico com o fim de contribuir com este debate.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, surgiu uma multiplicidade de movimentos na Am\u00e9rica Latina que articulam e ativam a cultura, questionando ou enfatizando os conhecimentos especializados dos conceitos de cultura e movimento. A reivindica\u00e7\u00e3o de direitos associados \u00e0 cultura foi uma novidade em rela\u00e7\u00e3o aos chamados movimentos sociais mais cl\u00e1ssicos e deu conta, tanto nas pr\u00e1ticas dos movimentos quanto nas discuss\u00f5es te\u00f3ricas, de uma expans\u00e3o do conceito de cultura que engloba \u2013 ao mesmo tempo em que traspassa \u2013 as no\u00e7\u00f5es associadas a pr\u00e1ticas s\u00f3cio est\u00e9ticas, tornando a reivindica\u00e7\u00e3o cultural um elemento de a\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico particularmente leg\u00edtimo. Nesse sentido, os chamados movimentos culturais ancoram uma nova interface entre cultura e pol\u00edtica que, entre outras coisas, obriga a repensar as rela\u00e7\u00f5es entre movimentos culturais e Estado (especialmente a participa\u00e7\u00e3o ativa nas pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura), as rela\u00e7\u00f5es destes movimentos com o mercado (em particular, com a ativa\u00e7\u00e3o de circuitos alternativos de produ\u00e7\u00e3o e consumo cultural) e formas de a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na RAM, debatemos movimentos culturais em um sentido amplo, levando em considera\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es com pr\u00e1ticas est\u00e9ticas, estilos de vida, etnia, religiosidade, juventude, di\u00e1spora e cruzamentos entre essas dimens\u00f5es. O trabalho de Marina Zachi evocou a discuss\u00e3o sobre qual \u00e9 o conceito de cultura desenvolvido pelo Estado-na\u00e7\u00e3o, e qual \u00e9 o papel dos antrop\u00f3logos na defini\u00e7\u00e3o e sedimenta\u00e7\u00e3o desse conceito a partir do seu trabalho em organismos estatais, como o IPHAN. Desde S\u00e3o Paulo, Leonardo Fontes nos mostrou as din\u00e2micas dos saraus da periferia dessa cidade. Os saraus, a exemplo de outras express\u00f5es s\u00f3cio est\u00e9ticas, como hip hop ou rap, cumprem um papel de elucidar onde os sujeitos se ativam politicamente e defendem seus direitos, reivindicando os \u201cdireitos \u00e0 periferia\u201d. Essa positiva\u00e7\u00e3o da periferia dialoga diretamente com a investiga\u00e7\u00e3o de Natalia Gavazzo, na Argentina, junto a organiza\u00e7\u00f5es de migrantes que tamb\u00e9m apelam para um discurso n\u00e3o vitimizante para sua participa\u00e7\u00e3o na esfera p\u00fablica e a disputa por seus direitos. Focando-se nos jovens migrantes ou nas segundas gera\u00e7\u00f5es (os filhos de migrantes j\u00e1 nascidos em Buenos Aires), vimos como a cultura (a m\u00fasica, as dan\u00e7as, as comidas e as m\u00eddias sociais) se torna uma ferramenta fundamental para a participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O trabalho de Maria Izabel dos Santos Garcia trouxe a problem\u00e1tica dos surdos como grupo social marginalizado que reivindica o acesso aos museus a partir de uma cultura pr\u00f3pria, pautada na visualidade e na l\u00edngua de sinais. Por \u00faltimo, meu trabalho buscou dar conta de como os modos em que a pol\u00edtica e a produ\u00e7\u00e3o cultural se imbricam no movimento cultural Fora do Eixo, articulando formas sociais emergentes que colocam em tens\u00e3o as divis\u00f5es e abrem novas interroga\u00e7\u00f5es sobre as fronteiras entre produ\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A perspectiva etnogr\u00e1fica e processual, que se concentra no cotidiano e nos processos de constru\u00e7\u00e3o destes movimentos, permitiu ver as especificidades nacionais e regionais, as rela\u00e7\u00f5es com as pol\u00edticas p\u00fablicas e os usos nativos do termo cultura, representando experi\u00eancias sociais m\u00faltiplas e polif\u00f4nicas. No entanto, uma das carater\u00edsticas destes movimentos destacada em todos os trabalhos pelo professor Ruben Oliven foi o aspecto l\u00fadico e comemorativo que estes grupos t\u00eam nos seus modos de se relacionar com as pr\u00e1ticas culturais e pol\u00edticas. Dar conta desse tipo de especificidades atrav\u00e9s da etnografia \u00e9 o que permite compreender a emerg\u00eancia de movimentos culturais e o reconhecimento de modos diferentes de se vincular \u00e0 pol\u00edtica e de faz\u00ea-la.<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Victoria Irisarri Que carater\u00edsticas t\u00eam os movimentos culturais hoje? S\u00e3o diferentes dos movimentos sociais? Que aportes te\u00f3ricos para este debate eles podem trazer \u00e0 antropologia? E qual \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o da etnografia? 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