{"id":46,"date":"2017-08-29T19:15:34","date_gmt":"2017-08-29T22:15:34","guid":{"rendered":"http:\/\/gaepppgas.wixsite.com\/gaep\/single-post\/2017\/08\/29\/Administra%C3%A7%C3%A3o-Antropologia-e-Economia-da-Cultura-caminhos-poss%C3%ADveis-na-interdisciplinaridade"},"modified":"2020-01-22T01:49:30","modified_gmt":"2020-01-22T04:49:30","slug":"administracao-antropologia-e-economia-da-cultura-caminhos-possiveis-na-interdisciplinaridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/2017\/08\/29\/administracao-antropologia-e-economia-da-cultura-caminhos-possiveis-na-interdisciplinaridade\/","title":{"rendered":"Administra\u00e7\u00e3o, Antropologia e Economia da Cultura: caminhos poss\u00edveis na interdisciplinaridade"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/static.wixstatic.com\/media\/e75c4e_1e0263805a914322b5209281bf58f4bc~mv2.jpg\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"285\" \/><\/p>\n<div><em>Texto: Aline Lopes Rochedo<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Cruzar saberes, buscar vis\u00f5es distintas, combinar forma\u00e7\u00f5es, ampliar conhecimento, circular entre departamentos, observar, indagar e, entre idas e vindas, seguir adiante para recome\u00e7ar. Assim Carolina Dalla Chiesa construiu \u2013 e continua construindo \u2013 sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica singular, interdisciplinar e internacional, sempre guiada por inquieta\u00e7\u00f5es da vida. Inquieta\u00e7\u00f5es estas que levaram a cursar faculdade e mestrado em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas (UFRGS), iniciar a gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais (UFRGS), concluir recentemente um segundo mestrado, desta vez no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social (PPGAS-UFRGS), passar na sele\u00e7\u00e3o do doutorado em Antropologia (PPGAS-UFRGS) e conquistar vaga num doutorado pleno em Economia da Cultura, na Erasmus University de Roterd\u00e3.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De f\u00e9rias da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Holanda, Carolina esteve em Porto Alegre, em agosto, para defender sua disserta\u00e7\u00e3o \u201cFinanciamentos coletivos online: uma perspectiva antropol\u00f3gica sobre projetos e empreendedores\u201d no PPGAS. Nesta etnografia, orientada pelo professor Arlei Sander Damo e aprovada com louvor, ela explorou narrativas e justificativas relativas ao processo de cria\u00e7\u00e3o de um mercado de financiamentos coletivos no Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Carolina, voc\u00ea n\u00e3o tem uma trajet\u00f3ria que poder\u00edamos chamar de \u201cevidente\u201d na academia. Poderia falar um pouco sobre esse percurso?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade, a minha trajet\u00f3ria \u00e9 bem interdisciplinar, nada ortodoxa. Em primeiro lugar, l\u00e1 na adolesc\u00eancia, n\u00e3o sabia o que eu queria fazer da vida (risos). Eu me encaixava perfeitamente no estere\u00f3tipo de quem n\u00e3o sabe o que fazer. Ent\u00e3o decidi tentar a faculdade de Administra\u00e7\u00e3o, porque achava que era um curso bem pragm\u00e1tico e pensei: \u201cBom, eu preciso trabalhar em alguma coisa\u201d. Entendia que a Administra\u00e7\u00e3o seria um campo poss\u00edvel porque \u00e9 amplo. E entrei no curso. S\u00f3 que, de in\u00edcio, j\u00e1 n\u00e3o gostei. Aquele mundo n\u00e3o me pertencia daquele modo por ser muito focado num vi\u00e9s corporativo, e eu n\u00e3o queria trabalhar em corpora\u00e7\u00f5es, grandes empresas, multinacionais. O que eu fiz foi, por achar algumas coisas interessantes no curso, terminar a faculdade. Resolvi seguir e me direcionar para aquilo que me interessava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que lhe interessava?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Fui trabalhar em organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs). Fui atr\u00e1s e trabalhei no terceiro setor, em projetos sociais, fui volunt\u00e1ria em organiza\u00e7\u00f5es sociais. E acabei criando uma ONG nesse per\u00edodo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de ONG?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Chamava-se Voto como Vamos, um movimento de educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e promo\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancia e desenvolvimento humano. Foi em 2012, e era um projeto de crowdfunding, e foi ali que come\u00e7ou a surgir meu interesse por crowdfunding. Quero dizer \u00e9 que as experi\u00eancias profissionais e acad\u00eamicas se entrela\u00e7am muito no meu caso.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea fez depois da gradua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Decidi fazer interc\u00e2mbio, mas n\u00e3o queria ir para o mesmo lugar que as pessoas costumam ir, ent\u00e3o procurei uma ONG de direitos humanos em Om\u00e3, no Oriente M\u00e9dio. Morei l\u00e1 por sete ou oito meses, e trabalhei criando e gerenciando projetos sociais de direitos humanos. Foi pela AIESEC, que \u00e9 uma ONG internacional que promove interc\u00e2mbios para jovens estudantes e rec\u00e9m-formados. \u00c9 importante dizer que a minha gradua\u00e7\u00e3o foi voltada para o terceiro setor, e que eu tinha a utopia de fazer alguma coisa decente fora do campo corporativo. Algo normal para a idade que eu tinha e para o meu recorte de classe. Eu tinha essas utopias, a gente tem utopias, e eu ainda tenho algumas (risos).<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a volta do interc\u00e2mbio?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Bom, ainda na gradua\u00e7\u00e3o, eu fui bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da professora Neusa Cavedon, da Administra\u00e7\u00e3o. Ela tamb\u00e9m tinha mestrado na Antropologia, e as pesquisas dela aproximavam estudos organizacionais e antropologia, e sempre gostei disso. Ali\u00e1s, pretendo continuar com estudos acad\u00eamicos nesse mundo, porque acho que \u00e9 isso que me interessa de verdade na vida. Enfim, quando voltei do interc\u00e2mbio, ela sugeriu que eu fizesse mestrado com ela porque via em mim aptid\u00e3o para a carreira acad\u00eamica. Conversamos, fiz a sele\u00e7\u00e3o e entrei no mestrado da Administra\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia falar um pouco sobre o mestrado na Administra\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Entrei em 2012 e terminei em 2014. O meu trabalho foi sobre a Casa de Cultura Digital. Fiz uma etnografia voltada para a organiza\u00e7\u00e3o e os processos e utopias que permeiam a cria\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o. Tinha toda a quest\u00e3o do software livre, do uso do digital no concreto. Por que surgiu essa casa? O que as pessoas estavam fazendo ali? Eu topei com essas pessoas n\u00e3o lembro exatamente como, mas a professora Neusa tinha me dado umas ideias de pesquisa, e eu tinha interesse em ir para a \u00e1rea do digital. \u00c9 claro que eu tinha que fazer di\u00e1logos te\u00f3ricos com o campo da Administra\u00e7\u00e3o, porque o mestrado era l\u00e1. Por\u00e9m, eu dialogava com assuntos da Antropologia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Ficou satisfeita com esse trabalho?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Bom, no final da disserta\u00e7\u00e3o, eu percebi de que n\u00e3o consegui dar conta, em termos te\u00f3ricos, de coisas que apareciam em campo. E me refiro, especificamente, a dinheiro, mercados, discuss\u00f5es sobre como as pessoas est\u00e3o criticando o capitalismo e criando suas pr\u00f3prias formas organizacionais. Isso se tornou, para mim, algo grande e importante e acabei querendo mais. Eu sabia que poderia ter explorado uma s\u00e9rie de coisas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi a\u00ed que voc\u00ea se direcionou para as Ci\u00eancias Sociais?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim. Eu chamei o professor Arlei para a minha banca e conversei com ele depois. Quis t\u00ea-lo na banca naquela ocasi\u00e3o justamente por essas coisas que faltavam, mas eu n\u00e3o sabia como resolver. Ele apontou v\u00e1rias coisas fundamentais, e vi que ainda n\u00e3o era hora de fazer doutorado. Eu queria fazer outro mestrado, mas na Antropologia, mesmo sem bolsa, porque eu j\u00e1 tinha recebido no mestrado anterior. E me inscrevi na sele\u00e7\u00e3o. Fiz isso porque eu precisava me aprofundar em algumas quest\u00f5es. Al\u00e9m disso, eu n\u00e3o tinha nenhuma ideia de tese. Conversei com o Arlei, disse a ele que tinha interesses voltados para a discuss\u00e3o da antropologia do dinheiro, mercados e a rela\u00e7\u00e3o disso tudo com o mundo digital. Falei que achava crowdfunding uma ideia interessante, at\u00e9 porque eu mesma j\u00e1 tinha feito um crowdfunding (pausa). \u00d3, aqui tem a liga\u00e7\u00e3o entre as experi\u00eancias da gradua\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes da sele\u00e7\u00e3o do mestrado, voc\u00ea frequentou aulas na gradua\u00e7\u00e3o das Ci\u00eancias Sociais na UFRGS. Fez vestibular ou era aluna especial?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Eu fiz vestibular. Na verdade, nem sabia que dava para pedir reingresso (risos). Entrei e fiz algumas disciplinas porque eu precisava me inteirar de teorias antropol\u00f3gicas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Come\u00e7ar e recome\u00e7ar n\u00e3o s\u00e3o problemas para voc\u00ea?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Isso! Eu preciso \u00e9 me sentir segura. Preciso sair com a seguran\u00e7a de que aprendi aquilo que eu considero suficiente naquele momento. Se n\u00e3o for, fa\u00e7o outra vez. Se eu tiver que fazer outro doutorado mais adiante, farei (risos). Eu n\u00e3o sei se \u00e9 desfoque da minha parte, mas isso tem me levado para alguns caminhos interessantes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Um desses caminhos foi o Observat\u00f3rio de Economia Criativa (OBEC).<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Exato, at\u00e9 porque eu precisava me sustentar de alguma maneira durante o mestrado na Antropologia. Bom, uma professora da Administra\u00e7\u00e3o me indicou para o Leandro Valiati, que \u00e9 o coordenador do OBEC da UFRGS, hoje renomeado como NECCULT. E quero abrir par\u00eanteses: todas essas experi\u00eancias que eu tive, de algum modo, se relacionam com os campos de terceiro setor e organiza\u00e7\u00f5es culturais. Ent\u00e3o vejo sentido em ter ido para o OBEC em fun\u00e7\u00e3o disso, pois \u00e9 um projeto para a promo\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o em pesquisa para economia criativa, que foi o tema que eu sugeri para a sele\u00e7\u00e3o do doutorado na Antropologia. Como trabalhei no OBEC, e a minha fun\u00e7\u00e3o era administrativa e de pesquisadora j\u00fanior, acabei conhecendo v\u00e1rios professores pesquisadores que trabalham no campo da cultura no sentido de pol\u00edtica p\u00fablica, dialogando sobre o valor econ\u00f4mico e valor cultural, discuss\u00f5es que permeiam Economia e Antropologia. Conheci professores nesse per\u00edodo, mas n\u00e3o tinha pensado muito sobre a possibilidade de fazer doutorado no Exterior.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas voc\u00ea se candidatou a um doutorado na Holanda e passou. E tamb\u00e9m passou na sele\u00e7\u00e3o da Antropologia, na UFRGS. Como tudo isso aconteceu?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No final do mestrado em Antropologia, eu estava terminando o campo e parei tudo para fazer a sele\u00e7\u00e3o do PPGAS. Na mesma \u00e9poca, um amigo brasileiro na Erasmus University, na Holanda, me mandou um link mostrando que estavam abertas inscri\u00e7\u00f5es para uma vaga de PhD no Departamento de Arte e Cultura, que tem tr\u00eas eixos: Sociologia, M\u00eddia e Economia da Cultura. Mandei os documentos duas horas antes do deadline. Eu estava em d\u00favida se devia ou n\u00e3o fazer isso. Era uma \u00e1rea interdisciplinar, bastante diferente, com muitos economistas&#8230; Fiquei insegura sobre os rumos da minha vida. N\u00e3o seria melhor continuar fazendo meu doutorado aqui, na Antropologia? Ou na Administra\u00e7\u00e3o? Eu tenho campos poss\u00edveis no Brasil para explorar. A quest\u00e3o da empregabilidade me preocupa por raz\u00f5es que, bom, n\u00f3s sabemos. Enfim, passei umas duas semanas pensando se deveria me candidatar. Ent\u00e3o cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que, j\u00e1 que a minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o interdisciplinar, qual seria o problema de eu fazer um doutorado num departamento como esse, num assunto que me interessa, com pessoas que me interessam? Como eu indiquei antes, a titula\u00e7\u00e3o acad\u00eamica \u00e9 o que menos importa. Eu queria e quero uma experi\u00eancia que seja relevante para mim, que fa\u00e7a sentido. Se o t\u00edtulo \u00e9 A ou B, n\u00e3o \u00e9 o mais relevante neste momento. Mandei no \u00faltimo dia o meu curr\u00edculo. Na semana seguinte, fiz uma entrevista por Skype com dois professores e achei que n\u00e3o daria em nada. Na semana seguinte, outra vez por Skype, me chamaram e disseram que tinham uns 40 candidatos inscritos, e que a selecionada era eu.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles chegaram a dizer qual foi o crit\u00e9rio usado para te selecionar?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Falaram que, pelo meu background interdisciplinar e pela vontade de conhecer, eu parecia ser uma boa candidata. Eu cheguei a pensar que deveria ter feito gradua\u00e7\u00e3o, mestrado e doutorado em Administra\u00e7\u00e3o, ou que poderia ter seguido doutorado em Antropologia. Uma hora eu me dei conta de que meus interesses s\u00e3o interdisciplinares, meu tra\u00e7ado de vida \u00e9 interdisciplinar. Ent\u00e3o, qual \u00e9 o problema de eu abra\u00e7ar um futuro interdisciplinar? Sei que isso acarreta problemas institucionais, mas \u00e9 o que menos importa no momento. Estou superfeliz com essas escolhas e com a Erasmus l\u00e1 em Roterd\u00e3.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia falar sobre a sua experi\u00eancia na Erasmus University?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Estou no Departamento de Arte e Cultura, e a minha linha de pesquisa \u00e9 em Economia da Cultura. Sugeri uma etnografia como projeto, uma pesquisa que congrega um m\u00e9todo misto de quantitativo e qualitativo, porque tamb\u00e9m quero me apropriar de m\u00e9todo quantitativo como uma forma de discutir esta centralidade na pr\u00f3pria economia e na discuss\u00e3o de mercados. Considero interessante ter outras vis\u00f5es, dialogar com pessoas que me ajudem a enxergar outras perspectivas que eu n\u00e3o vejo. Continuo com o tema do crowdfunding, o mesmo do mestrado, e n\u00e3o pretendo mudar. Na Erasmus, eu tenho dois orientadores. Um deles \u00e9 o Erwin Dekker, um economista muito interessado em Antropologia de Mercado e Sociologia. O outro \u00e9 o Christian Handke, que tem uma pegada forte na quest\u00e3o digital, embora a perspectiva dele seja bastante economicista. Tento agregar o meu interesse, que \u00e9 discuss\u00e3o de mercados e do econ\u00f4mico, a partir dessas minhas duas perspectivas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Como ficou sua situa\u00e7\u00e3o no PPGAS, porque voc\u00ea n\u00e3o vai cursar o doutorado l\u00e1, embora tenha passado na sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Pois \u00e9, eu passei tamb\u00e9m no doutorado da UFRGS, na Antropologia, para come\u00e7ar em 2017. Como eu n\u00e3o fiz nenhuma disciplina, j\u00e1 que eu fui para a Holanda no final de 2016, e n\u00e3o tinha perspectiva de fazer, tive que abrir m\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e3o quatro anos em Roterd\u00e3?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim, o doutorado \u00e9 pleno, financiado pelo que seria a Capes holandesa, que eu n\u00e3o sei dizer o nome em holand\u00eas (risos).<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>E as aulas?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sabe que eu ainda n\u00e3o tive muitas aulas? O sistema de disciplinas deles \u00e9 diferente. A primeira coisa que eu tive que fazer ao chegar \u00e0 Erasmus foi dar aula. Ent\u00e3o, durante todo o semestre passado, orientei uns 14 trabalhos de conclus\u00e3o de curso (TCCs). Foi um neg\u00f3cio absurdo! Acho que eu nunca aprendi tanto em t\u00e3o pouco tempo sobre tanta coisa (risos). E eu acho que eu n\u00e3o teria nem terei, em outro lugar, uma experi\u00eancia desse tipo. Cheguei \u00e0 Holanda e, um m\u00eas depois, me deram uma atividade que, normalmente, se d\u00e1 para quem est\u00e1 no \u00faltimo ano de doutorado ou para quem j\u00e1 se formou. N\u00e3o sei qual foi o crit\u00e9rio deles de escolha, n\u00e3o deu nem tempo de perguntar (risos). Lembro que disseram que achavam que eu j\u00e1 tinha condi\u00e7\u00f5es de pegar essa responsabilidade, e foi o que eu fiz. Esse trabalho \u00e9 todo em ingl\u00eas. Tenho alunos de diversos pa\u00edses. A maioria \u00e9 holandesa, mas h\u00e1 gente de outros pa\u00edses, como Su\u00e9cia, It\u00e1lia, Espanha, Austr\u00e1lia&#8230; Enfim, h\u00e1 pessoas de outros pa\u00edses porque o campo de economia da cultura e artes e cultura, na Erasmus, \u00e9 forte. \u00c9 um departamento interessante para quem tem vontade de trabalhar em setores e organiza\u00e7\u00f5es culturais, em galerias de arte, museus. No pr\u00f3ximo ano, eu vou orientar outros TCCs e dar aulas. Neste segundo semestre, por\u00e9m, n\u00e3o vou dar aula. Vou s\u00f3 focar na minha pesquisa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00ea foi para a Holanda no final de 2016, ent\u00e3o escreveu a disserta\u00e7\u00e3o quando j\u00e1 estava l\u00e1, certo?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim. Ali\u00e1s, fui aceita no doutorado na Erasmus antes de defender minha disserta\u00e7\u00e3o da Antropologia, mas eu j\u00e1 tinha o mestrado na Administra\u00e7\u00e3o. Sobre a produ\u00e7\u00e3o da minha disserta\u00e7\u00e3o, consegui escrever rapidamente. Fluiu muito bem, acho que em poucas semanas eu j\u00e1 tinha o grosso do trabalho. Eu n\u00e3o imaginei que seria assim. Acho que eu sabia exatamente o que eu pretendia com esse trabalho. Na verdade, minha defesa deveria ter acontecido em mar\u00e7o de 2017, mas pedi prorroga\u00e7\u00e3o de prazo porque eu n\u00e3o poderia sair de l\u00e1 no meio do semestre. N\u00e3o podia deixar os meus orientandos a ver navios. A coordena\u00e7\u00e3o do PPGAS entendeu, e o Arlei foi paciente com minhas idas e vindas. S\u00f3 tenho elogios a fazer a todos, mas especialmente ao meu orientador, que foi incr\u00edvel esse tempo todo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi um semestre bem intenso esse que passou, n\u00e3o?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Foi mesmo! Dei aula na Holanda, terminei minha disserta\u00e7\u00e3o, fui atropelada de bicicleta por um carro em Roterd\u00e3, levei quatro pontos na cabe\u00e7a, passou, voltei ao Brasil e defendi meu trabalho (risos). \u00c9, esse acidente da bicicleta&#8230; Eu estava l\u00e1, andando na ciclovia, e veio um carro e bateu em mim. A gente n\u00e3o espera uma coisa dessas na Holanda (risos). Enfim, o primeiro semestre foi fundamental para eu refletir sobre os rumos que estava dando para a minha trajet\u00f3ria, e resolvi abra\u00e7ar o rumo diferente. Volta e meia, por mais que eu v\u00e1 pra l\u00e1 e pra c\u00e1, passe pela Administra\u00e7\u00e3o e pela Antropologia e siga para um departamento com diversas linhas de pesquisa na Holanda, enxergo uma coer\u00eancia, uma l\u00f3gica. Essas coisas n\u00e3o aconteceram de maneira aleat\u00f3ria, nada \u00e9 por acaso. Foram escolhas que eu fiz, nem sempre conscientemente, pautadas por interesses de pesquisa e de vida. Se meus interesses se concretizar\u00e3o na Economia, na Antropologia, na Administra\u00e7\u00e3o ou no NECCULT, a gente v\u00ea adiante.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Pretende continuar no GAEP, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Adoro o GAEP! Eu n\u00e3o posso participar das reuni\u00f5es. At\u00e9 perguntei ao Arlei se poderia continuar mesmo assim, e ele falou que sim. Quando eu estiver em Porto Alegre, participarei das reuni\u00f5es e continuo em contato com o grupo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou em sua preocupa\u00e7\u00e3o com a empregabilidade. V\u00ea a possibilidade de trabalhar na Holanda ou pretende voltar ao Brasil no final do doutorado?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Vejo possibilidades de trabalhar l\u00e1. Se tudo for bem, se eu conseguir finalizar o trabalho e ter as publica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o necess\u00e1rias, ao final, posso pleitear a atividade de ensino l\u00e1. \u00c9 o que acontece com v\u00e1rias pessoas que conseguem um contrato de trabalho para dar aula na Erasmus ou em outra institui\u00e7\u00e3o com programa semelhante. Mas isso vai depender tamb\u00e9m das possibilidades que eu tiver no Brasil. Eu gostaria de voltar. Acho legal aplicar esse conhecimento e ter esses interc\u00e2mbios para voltar. Se isso vai acontecer ou n\u00e3o eu n\u00e3o sei. Vou acionar minhas redes. N\u00e3o sou dogm\u00e1tica nem puritana, s\u00f3 sei que quero articular meus interesses interdisciplinares e, de alguma maneira, permanecer na academia.<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Aline Lopes Rochedo Cruzar saberes, buscar vis\u00f5es distintas, combinar forma\u00e7\u00f5es, ampliar conhecimento, circular entre departamentos, observar, indagar e, entre idas e vindas, seguir adiante para recome\u00e7ar. Assim Carolina Dalla Chiesa construiu \u2013 e continua construindo \u2013 sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica singular, interdisciplinar e internacional, sempre guiada por inquieta\u00e7\u00f5es da vida. 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