{"id":48,"date":"2017-08-12T11:44:46","date_gmt":"2017-08-12T14:44:46","guid":{"rendered":"http:\/\/gaepppgas.wixsite.com\/gaep\/single-post\/2017\/08\/12\/%E2%80%9CMaputo-j%C3%A1-conquistou-meu-cora%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D-aventuras-na-escrita-e-inquieta%C3%A7%C3%B5es-na-vida-conduzem-antrop%C3%B3loga-%C3%A0-%C3%81frica"},"modified":"2020-01-22T01:50:18","modified_gmt":"2020-01-22T04:50:18","slug":"maputo-ja-conquistou-meu-coracao-aventuras-na-escrita-e-inquietacoes-na-vida-conduzem-antropologa-a-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gaep\/2017\/08\/12\/maputo-ja-conquistou-meu-coracao-aventuras-na-escrita-e-inquietacoes-na-vida-conduzem-antropologa-a-africa\/","title":{"rendered":"\u201cMaputo j\u00e1 conquistou meu cora\u00e7\u00e3o\u201d: aventuras na escrita e inquieta\u00e7\u00f5es na vida conduzem antrop\u00f3loga \u00e0 \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/static.wixstatic.com\/media\/e75c4e_c9694dc8cd3a47439f65b088ccfa25ca~mv2_d_3018_3563_s_4_2.jpg\" alt=\"\" width=\"189\" height=\"223\" \/><\/p>\n<div><em>Texto: Aline Lopes Rochedo<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nas \u00faltimas semanas do processo de escrita da sua disserta\u00e7\u00e3o, J\u00falia Cardoni estava exausta. Parecia n\u00e3o ter fim a etapa derradeira de uma jornada acad\u00eamica cujo trabalho de campo fora t\u00e3o prazeroso. Aluna do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela se dedicou com vigor \u00e0 etnografia, permitindo se afetar com as viv\u00eancias junto a agricultores agroecol\u00f3gicos no Rio Grande do Sul, nutrindo-se de amizades, encantamentos e emo\u00e7\u00f5es ao longo da investiga\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A composi\u00e7\u00e3o textual, no entanto, n\u00e3o fluiu t\u00e3o prontamente quanto ela esperava, e o orientador, o professor Arlei Sander Damo, confiando no potencial da aluna e da pesquisa, insistiu nas altera\u00e7\u00f5es at\u00e9 o \u00faltimo minuto. Em junho passado, a disserta\u00e7\u00e3o \u201cA Natureza Ensina: uma etnografia sobre modos de fazer mercado na Feira de Agricultores Ecologistas\u201d foi apresentada \u00e0 banca avaliadora; e J\u00falia, aprovada com louvor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na semana seguinte \u00e0 defesa, a rec\u00e9m-mestra desembarcou em Maputo, capital de Mo\u00e7ambique, como integrante de uma miss\u00e3o internacional de capacita\u00e7\u00e3o de jovens pesquisadores em comunidades perif\u00e9ricas. Uma aventura resultante da combina\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias acad\u00eamicas, profissionais e emocionais diversas que ela soube orquestrar. O mais curioso \u00e9 que a ideia de se candidatar a uma vaga nesse projeto se constituiu em meio a ang\u00fastias noturnas do processo de escrita da disserta\u00e7\u00e3o: foi numa pausa para escrever sobre si mesma que a jovem antrop\u00f3loga comp\u00f4s a carta de motiva\u00e7\u00e3o que a ajudou a cruzar o Atl\u00e2ntico e redigir um roteiro alternativo para a sua trajet\u00f3ria na Antropologia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00falia, de onde veio seu interesse pela Antropologia?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Quando eu estava no Ensino M\u00e9dio, parecia ser um tipo de vida com muitas aventuras, com muitas viagens, muitos passeios (risos). Eu tinha uma ideia rom\u00e2ntica do que seria essa profiss\u00e3o. Bom, quando fiz vestibular para Ci\u00eancias Sociais, j\u00e1 pensava na Antropologia. Entrei na gradua\u00e7\u00e3o em 2009 e, ap\u00f3s um ano de curso, fui morar em Israel como parte de um projeto de jovens sobre educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e n\u00e3o formal. Morei em kibbutz, fiz atividades coletivas e vivi outras experi\u00eancias. Voltei para a faculdade decidida a continuar vinculando o estudo te\u00f3rico das Ci\u00eancias Sociais, que tem uma carga de leitura densa, com a pr\u00e1tica de pesquisa emp\u00edrica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante a gradua\u00e7\u00e3o, voc\u00ea passou mais um per\u00edodo nos Estados Unidos, certo?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim, no meio do curso, surgiu uma oportunidade de estudar na Universidade da Fl\u00f3rida. Naquela \u00e9poca, havia bolsas para isso. E descobri outros caminhos na Antropologia, como a tem\u00e1tica da globaliza\u00e7\u00e3o, um assunto que eu ainda n\u00e3o havia acessado na UFRGS. No meu retorno a Porto Alegre, busquei a linha de pesquisa da Antropologia Econ\u00f4mica, que se relacionava com o que eu havia lido nos Estados Unidos. Nessa mesma \u00e9poca, resolvi buscar possibilidades de emprego para continuar no campo, algo que eu pudesse conciliar com a faculdade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual tipo de emprego?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Busquei pela internet empresas de pesquisa de mercado e mandei e-mails para todos os lados. E recebi algumas respostas. A partir da\u00ed, comecei a trabalhar como estagi\u00e1ria em duas empresas. Fazia pesquisa qualitativa e pesquisa de mercado, de avalia\u00e7\u00e3o de produtos e servi\u00e7os. Consegui validar esses est\u00e1gios como cr\u00e9ditos no meu curr\u00edculo da gradua\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m participei do PET, o Programa de Educa\u00e7\u00e3o Tutorial. Esta foi uma experi\u00eancia legal, mas ainda era algo muito acad\u00eamico, muito voltado para dentro da universidade. Eu sentia necessidade de ir atr\u00e1s de outras possibilidades.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que pesquisa de mercado?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Porque \u00e9 um campo de atua\u00e7\u00e3o da nossa profiss\u00e3o, \u00e9 uma possibilidade de trabalho. Na verdade, nossa forma\u00e7\u00e3o de cientista social \u00e9 mais direcionada para o mundo acad\u00eamico ou para concursos p\u00fablicos. S\u00f3 que esse mundo de mercado apareceu, e eu me envolvi. E isso foi importante para minha trajet\u00f3ria. Acredito que consegui agu\u00e7ar a minha sensibilidade para a pesquisa nessa experi\u00eancia combinada a leituras e debates acad\u00eamicos. Reuni a bagagem te\u00f3rica e uma atividade pr\u00e1tica para al\u00e9m dos exerc\u00edcios etnogr\u00e1ficos que fazemos em aula e que, em geral, circulam dentro da universidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas a pesquisa de mercado pode ser superficial e rasa.<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim. Por isso, depois de um tempo, resolvi tentar o mestrado em Antropologia e me aproximei mais da Antropologia Econ\u00f4mica. Queria compreender as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas e coisas e circuitos de afeto e de consumo. Fui atr\u00e1s do professor Arlei, que j\u00e1 era refer\u00eancia para mim. Mandei um e-mail para ele e, no dia seguinte, recebi sua resposta: \u201cVamos marcar uma reuni\u00e3o?\u201d. E eu falei: \u201cOpa!\u201d. Naquele momento, ele sugeriu que eu concorresse a uma bolsa, e virei bolsista dele. Deixei de lado minhas pesquisas de mercado para me dedicar \u00e0 sele\u00e7\u00e3o do mestrado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual era o projeto?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, estava ligado a trabalho colaborativo. Entrei no curso, mas ainda estava indecisa sobre esse tema, que eu j\u00e1 vinha estudando desde o final da gradua\u00e7\u00e3o. E surgiu a ideia de explorar o mercado agroecol\u00f3gico e suas muitas negocia\u00e7\u00f5es, como as morais e as afetivas. Estava imersa na Antropologia Econ\u00f4mica, por\u00e9m o campo me colocou em di\u00e1logo com outras \u00e1reas, como a Antropologia da Alimenta\u00e7\u00e3o, a Antropologia Visual, a Antropologia Urbana. Era uma bagagem que eu trazia da gradua\u00e7\u00e3o e que fazia todo o sentido naquele contexto. Assim, o mestrado foi um retorno a tudo o que eu tinha estudado. Defendi meu trabalho no final de junho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que voc\u00ea n\u00e3o emendou a sele\u00e7\u00e3o do doutorado?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Porque eu teria que fazer a prova durante a escrita da disserta\u00e7\u00e3o, e eu estava muito envolvida. Na verdade, o campo foi muito f\u00e1cil, com rela\u00e7\u00f5es muito profundas e duradouras. Elas persistem e v\u00e3o persistir pelo resto da vida. S\u00f3 que eu n\u00e3o esperava apanhar tanto no processo de escrita (risos).<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>O que aconteceu?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Acho que somos muito incentivados a escrever na faculdade e na p\u00f3s, s\u00f3 que a gente n\u00e3o tem par\u00e2metro do que \u00e9 uma boa escrita. Na produ\u00e7\u00e3o da disserta\u00e7\u00e3o, quando eu mostrava meu trabalho para meu orientador e recebia um retorno, via o quanto eu precisava desenvolver a escrita, o quanto ainda precisava articular as minhas ideias. Eu me dei conta de que n\u00e3o tinha esse treino. De repente, percebi a necessidade de come\u00e7ar a escrever e aprofundar, melhorar. Achava que ia chegar \u201caquele momento\u201d em que bastava sentar na frente do computador e escrever, e tudo fluiria porque tudo j\u00e1 estava dentro de mim. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9 assim. O primeiro texto que a gente faz \u00e9 muito ruim, o segundo \u00e9 ruim, e \u00e9 a partir do terceiro que fica um pouco melhor. \u00c9 o processo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse \u201cprocesso\u201d, voc\u00ea fez uma coisa \u201cescondida\u201d.<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">(Risos) Foi isso mesmo (risos). Um contato de um contato de um contato postou um an\u00fancio na internet e apareceu no meu mural no Facebook. Falava em uma vaga para pesquisador social em Mo\u00e7ambique, na \u00c1frica. Algo como uma vaga para trabalho com empoderamento feminino, sem qualquer explica\u00e7\u00e3o detalhada. S\u00f3 dizia que estava vinculada a um projeto internacional e que, para concorrer, era necess\u00e1rio preparar uma carta de motiva\u00e7\u00e3o, um curr\u00edculo e um plano de estudos ligado \u00e0 pesquisa social para atuar junto a bairros perif\u00e9ricos da capital de Mo\u00e7ambique, que \u00e9 Maputo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>E a escrita mudou o rumo das coisas.<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Verdade (risos). Chegou um momento em que eu estava muito desgastada com a escrita da minha disserta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no fim. Numa noite, exausta, resolvi escrever sobre qualquer outra coisa, sobre a minha vida. No final da primeira p\u00e1gina, vi que j\u00e1 tinha uma carta de motiva\u00e7\u00e3o, um texto mostrando quais eram os meus desejos para os pr\u00f3ximos anos. Enviei essa carta para o tal projeto na \u00c1frica com meu curr\u00edculo, sem nenhuma esperan\u00e7a. E n\u00e3o contei para ningu\u00e9m, at\u00e9 para n\u00e3o criar expectativas. Mesmo sem expectativa, comecei a mapear as op\u00e7\u00f5es de Airbnb de Maputo (risos).<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Escreveu a carta em ingl\u00eas?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, em portugu\u00eas, que \u00e9 a l\u00edngua oficial de Mo\u00e7ambique, mas a vaga exigia dom\u00ednio de ingl\u00eas e de portugu\u00eas. E tenho os dois idiomas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>O que aconteceu depois?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na semana seguinte, veio resposta de que tinham recebido meus documentos. Pouco tempo depois, marcaram uma entrevista por Skype. Marcaram para as 14h, hor\u00e1rio de Maputo. S\u00f3 que calculei o fuso ao contr\u00e1rio, o que quase me fez perder a vaga. Isso porque eu achava que a entrevista seria \u00e0s 19h no Brasil, e era \u00e0s 9h (risos). Ent\u00e3o acordei e vi que havia um recado. Eu j\u00e1 estava atrasada! Corri para o computador e fiz a entrevista, gripada e descabelada. Bom, tinha que falar sobre o que eu gostaria de fazer nessa vaga de pesquisadora social. A essa altura, eles j\u00e1 tinham ideia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Como era a sua proposta de trabalho?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Montei um curso baseado nas minhas experi\u00eancias pedag\u00f3gicas com educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e n\u00e3o formal. Inclui muita din\u00e2mica de grupo, que eu trazia das minhas experi\u00eancias de mercado, e um vi\u00e9s humanista aprendido na academia, e ficou interessante. No mesmo dia, logo depois, recebi uma mensagem na qual me ofereciam a vaga. Nem acreditei. Da\u00ed contei para a minha fam\u00edlia no almo\u00e7o. Disse: \u201cPessoal, estou me mudando para Mo\u00e7ambique em duas semanas\u201d (risos). Foi uma correria. Em seguida foi minha banca e, na outra semana, eu j\u00e1 estava aqui (em Maputo).<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>E como est\u00e1 a experi\u00eancia a\u00ed?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Incr\u00edvel! Maputo j\u00e1 conquistou o meu cora\u00e7\u00e3o. Estou descobrindo esse mundo. S\u00e3o muitas redes internacionais, a maioria de pa\u00edses europeus. O programa ao qual estou vinculada \u00e9 financiado pelo Department of International Development e gerenciado por Oxford Policy Management (OPM). Esse programa \u00e9 muito bonito, pois segue algumas diretrizes de empoderamento feminino atrav\u00e9s do trabalho digno. Um dos objetivos \u00e9 capacitar mulheres mo\u00e7ambicanas, ou jovens raparigas, como dizem aqui, a acessar o mercado de trabalho e alcan\u00e7ar outras formas de empoderamento social e econ\u00f4mico. Meu trabalho \u00e9 vinculado a um grupo de jovens em Chamanculo, que \u00e9 grande favela urbana, uma das maiores do pa\u00eds. Trabalho com um grupo de jovens que se tornar\u00e3o pesquisadores sociais. Ent\u00e3o estou dando um curso de capacita\u00e7\u00e3o para esses jovens. Nesse curso, fa\u00e7o pesquisas ligadas a problem\u00e1ticas existentes dentro das comunidades. A ideia \u00e9, a partir das pesquisas, conscientizar e criar planos de atua\u00e7\u00e3o. \u00c9 um trabalho que traz muita realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Al\u00e9m de ser na \u00e1rea de pesquisa social, qualitativa, dentro desse envolvimento com os estudantes, tem um impacto significativo dentro daquela localidade. Estou aqui para seis meses, mas, se quiserem que eu fique mais um tempo, eu adoraria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>No fim das contas, foi interessante n\u00e3o emendar mestrado e doutorado.<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim. E acho que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente enxergar caminhos alternativos na nossa forma\u00e7\u00e3o. Permanecer na academia e fazer carreira dentro dela pode ser o sonho para alguns de n\u00f3s, assim como estar sempre pesquisando temas que queremos, que nos interessam, em di\u00e1logo com os colegas. No entanto, \u00e9 um caminho duro, incerto, que envolve pelo menos 12 anos de estudo, muitas publica\u00e7\u00f5es, muitos concursos, congressos. Pode ser complicado. Para mim, um caminho mais f\u00e1cil me trouxe para a \u00c1frica (risos). Na verdade, sempre senti que precisava buscar caminhos de atua\u00e7\u00e3o na Antropologia que me dessem a possibilidade de trabalhar com pessoas. Dentro da academia, \u00e0s vezes, falta a cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos, em parte pela pressa acad\u00eamica e pela necessidade da produtividade. Rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o, em muitos casos, deixadas de lado, embora sejam fundamentais para o trabalho etnogr\u00e1fico. N\u00e3o quero dizer que n\u00e3o pretenda retomar a academia em algum momento no futuro. O projeto ideal, para mim, \u00e9 estar com um p\u00e9 de cada lado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso voc\u00ea segue vinculada ao Grupo de Antropologia da Economia e da Pol\u00edtica (GAEP)?<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim, continuo ligada ao GAEP, que sempre me abra\u00e7ou. Neste momento, estou planejando alguns artigos com o Arlei. Quero escrever artigos da minha disserta\u00e7\u00e3o e alguma coisa pessoal, sobre minhas viv\u00eancias em Maputo. N\u00e3o que a escrita sobre minhas viv\u00eancias me leve a algum trabalho, mas \u00e9 uma quest\u00e3o pessoal.<\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Da \u00faltima vez que voc\u00ea escreveu sobre coisas pessoais acabou na \u00c1frica.<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade (risos). Quem sabe, no meu retorno ao Brasil, eu n\u00e3o tente entrar num doutorado com um trabalho vinculado a essa experi\u00eancia?<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Aline Lopes Rochedo Nas \u00faltimas semanas do processo de escrita da sua disserta\u00e7\u00e3o, J\u00falia Cardoni estava exausta. Parecia n\u00e3o ter fim a etapa derradeira de uma jornada acad\u00eamica cujo trabalho de campo fora t\u00e3o prazeroso. 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