{"id":210,"date":"2020-07-03T16:16:00","date_gmt":"2020-07-03T19:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gdes\/?p=210"},"modified":"2020-08-26T21:50:30","modified_gmt":"2020-08-27T00:50:30","slug":"tese-de-fabio-zampieri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gdes\/2020\/07\/03\/tese-de-fabio-zampieri\/","title":{"rendered":"Tese de F\u00e1bio Zampieri"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Quando escrevi a minha tese, l\u00e1 em 2012 eu tinha colocado um pr\u00f3logo, pensei em uma explica\u00e7\u00e3o simples de minhas aspira\u00e7\u00f5es pessoais de modo que as pessoas pudessem &#8220;ver a tese pelos meus olhos&#8221;. Lembro que na \u00e9poca a banca de avalia\u00e7\u00e3o da qualifica\u00e7\u00e3o achou melhor n\u00e3o colocar esse texto por achar ele pessoal de mais. Ainda bem que este site do grupo de pesquisa tamb\u00e9m usa uma abordagem de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Deste modo, quase 10 anos depois penso que esse texto \u00e9 o ideal para apresentar a minha tese. Segue o texto na \u00edntegra abaixo, acredito que mesmo passados todos esses anos ele ainda representa muito do que pensei e senti ao fazer esse trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Acesse as nossas <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gdes\/publicacoes-2\/\">publica\u00e7\u00f5es <\/a>para acessar o link da tese.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">PR\u00d3LOGO <\/h3>\n\n\n\n<p>Algumas explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rias para entender a proposta dessa tese. Nesse ponto, pe\u00e7o permiss\u00e3o do leitor at\u00e9 mesmo para modificar a pessoa. Acredito que uma explica\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 mais adequada. Embora se espere em uma tese um rigor cient\u00edfico, sem a paix\u00e3o pelo objeto de estudo n\u00e3o existe a for\u00e7a suficiente para passar por todos os desafios decorrentes das buscas por respostas de uma tese. Quem j\u00e1 fez ou est\u00e1 fazendo uma tese sabe que s\u00f3 pensamos nisso. E como n\u00e3o pensar? <\/p>\n\n\n\n<p>A primeira explica\u00e7\u00e3o que eu gostaria de dar \u00e9 sobre o objeto de estudo: ele \u00e9 pessoal sim. At\u00e9 Popper, sempre lembrado por seu racionalismo \u201cdefende\u201d em seu livro l\u00f3gica das ci\u00eancias sociais  que o pesquisador deve sentir paix\u00e3o pelo seu tema de estudo. N\u00e3o estou afirmando que n\u00e3o se deva manter a objetividade em uma pesquisa cient\u00edfica, n\u00e3o \u00e9 isso. Simplesmente acredito que devemos trabalhar com os problemas que encontramos, citando Popper (1902:25): \u201c[&#8230;] n\u00e3o podemos roubar o partidarismo de um cientista sem tamb\u00e9m roub\u00e1-lo de sua humanidade, e n\u00e3o podemos suprimir ou destruir seus ju\u00edzos de valores sem destru\u00ed-lo como ser humano e como cientista.\u201d.   <\/p>\n\n\n\n<p>Sou um pedestre, sempre caminhei para realizar todas as minhas atividades e, com o tempo, fui percebendo que existem diferen\u00e7as entre as ruas (sim, demorou um tempo!) enquanto algumas s\u00e3o cheias de \u201cvida\u201d com grande movimento de pessoas usando o espa\u00e7o e sociabilizando, outras s\u00e3o totalmente desprovidas de vida, como se n\u00e3o existisse prop\u00f3sito para sua exist\u00eancia. Quando comecei as cadeiras de urbanismo na faculdade percebi que muitas vezes \u00e9ramos ensinados a ver a cidade como se projet\u00e1ssemos para avi\u00f5es ou helic\u00f3pteros, n\u00e3o importava naquele momento como as pessoas utilizariam o espa\u00e7o, como arquitetos dever\u00edamos pensar no desenho por si s\u00f3. Dever\u00edamos criar um desenho bonito que ficasse interessante e compusesse bem em uma prancha para ser exposto pelos corredores do curso. Esse pensamento at\u00e9 hoje me assusta. Ao tirar do arquiteto a obriga\u00e7\u00e3o de pensar como a sociedade utiliza o espa\u00e7o estamos tamb\u00e9m tirando o sentido da pr\u00f3pria exist\u00eancia de um projetista. Acredito que devemos entender o que estamos projetamos. Acho louv\u00e1veis as v\u00e1rias iniciativas existentes nessa \u00e1rea (mesmo que alguns afirmem que n\u00e3o existem pesquisas pr\u00e1ticas para ajudar em projetos urbanos).  <\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso que falei at\u00e9 agora \u00e9 para explicar que, ao contr\u00e1rio do que se acredita, n\u00e3o pude escolher o tema de minha tese. Ele me escolheu. Preciso entender as necessidades das pessoas para que, se n\u00e3o eu, outros arquitetos tenham ferramentas para criar espa\u00e7os mais adequados. Onde as pessoas se sintam seguras ao caminhar, que tenham um m\u00ednimo de conforto. E mais importante ainda, que os projetistas n\u00e3o destruam comunidades atrav\u00e9s de interven\u00e7\u00f5es mal feitas, acabando com a viv\u00eancia de partes da cidade. Acho que \u00e9 imprescind\u00edvel ter responsabilidade pelas decis\u00f5es tomadas, ainda mais pelas decis\u00f5es espaciais que afetam a vida de tantas pessoas. Estes motivos que levaram a composi\u00e7\u00e3o dessa tese, assim, espero que ela ajude de alguma modo a discuss\u00e3o desse tema t\u00e3o interessante.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando escrevi a minha tese, l\u00e1 em 2012 eu tinha colocado um pr\u00f3logo, pensei em uma explica\u00e7\u00e3o simples de minhas aspira\u00e7\u00f5es pessoais de modo que as pessoas pudessem &#8220;ver a tese pelos meus olhos&#8221;. 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