{"id":346,"date":"2025-03-06T08:52:23","date_gmt":"2025-03-06T11:52:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gepepe\/?page_id=346"},"modified":"2025-03-18T10:19:32","modified_gmt":"2025-03-18T13:19:32","slug":"resumos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gepepe\/resumos\/","title":{"rendered":"Resumos"},"content":{"rendered":"\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Ver\u00f4nica Campus (FAJE) &#8211; Representacionalismo e Anti-representacionalismo sobre dor<br><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em filosofia da mente, uma das concep\u00e7\u00f5es mais populares acerca da natureza da dor \u00e9 fornecida pelas chamadas teorias representacionais da dor ou, simplificadamente, representacionalismo sobre a dor. Variedades dessas teorias foram defendidas por pessoas como Armstrong (1962), Cutter &amp; Tye (2011) e Bain (2017). De acordo com teorias representacionais do conte\u00fado mental (das quais o&nbsp;representacionalismo sobre a dor \u00e9 um ramo), todos os epis\u00f3dios mentais s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es. O&nbsp;representacionalismo sobre a dor, que&nbsp;visa explicar o fen\u00f4meno da dor, em particular, afirma que as dores s\u00e3o epis\u00f3dios mentais, portanto, elas representam estados mundanos de coisas \u2014 de modo n\u00e3o muito diferente da percep\u00e7\u00e3o sensorial, cren\u00e7as, desejos e qualquer outro estado mental, dentro de uma estrutura representacional. Nessas teorias, o que \u00e9 espec\u00edfico sobre as dores \u00e9 que elas representam um certo tipo de perturba\u00e7\u00e3o em certas partes do corpo. Em seu livro mais recente, Jennifer Corns (2020 \u00a72) levanta um argumento contra a concep\u00e7\u00e3o representacional da dor. De acordo com Corns, a principal raz\u00e3o pela qual as teorias representacionais da dor s\u00e3o insatisfat\u00f3rias \u00e9 que elas t\u00eam uma consequ\u00eancia indesej\u00e1vel: a de que muitas de nossas dores seriam alucinat\u00f3rias ou ilus\u00f3rias. A verdade dessas teorias depende, segundo Corns, de haver correla\u00e7\u00e3o significativa entre dor e perturba\u00e7\u00e3o corporal \u2013 uma correla\u00e7\u00e3o que, ela afirma, \u00e9 profundamente ausente. Muitas vezes, ela avalia, uma pessoa tem dor sem que haja nenhuma perturba\u00e7\u00e3o corporal. Nesses casos, n\u00e3o haveria nada sendo representado pela dor. A \u00fanica maneira pela qual as teorias representacionais poderiam explicar tais casos \u00e9 considerando essa dor alucinat\u00f3ria, ou ilus\u00f3ria, ou seja, falsa. Mas como os casos de dor na aus\u00eancia de qualquer perturba\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o numerosos e prevalentes, tanto na literatura m\u00e9dica quanto em nossa experi\u00eancia ordin\u00e1ria, para defender esse tipo de teoria acabar\u00edamos dizendo que uma grande parte de nossas experi\u00eancias de dor s\u00e3o falsas, o que n\u00e3o parece correto.&nbsp;Nesta palestra, apresentarei, discutirei e criticarei o argumento de Corns, mostrando que uma variedade de evid\u00eancias obtidas pelas neuroci\u00eancias e pelas ci\u00eancias m\u00e9dicas suportam o&nbsp;representacionismo melhor do que suportam&nbsp;a concep\u00e7\u00e3o oposta, ou anti-representacionalismo.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Daniel De Luca-Noronha (FAJE) &#8211; <em>Considera\u00e7\u00f5es sobre a interocep\u00e7\u00e3o na filosofia da do<\/em>r<br><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na filosofia da mente, a concep\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia subjetiva da dor como uma capacidade de rastrear ou detectar les\u00f5es no corpo procura, entre outras coisas, fazer justi\u00e7a ao papel da interocep\u00e7\u00e3o. Comumente, tal concep\u00e7\u00e3o tem lugar em teorias representacionistas, para as quais experienciar a dor envolve representar processos<br>nociceptivos (Cutter; Tye, 2011). Essas teorias podem acomodar casos de dor aguda, aos quais os estados mentais pertinentes podem estar direcionados. Entretanto, h\u00e1 outros tantos casos de dor, notadamente aqueles que n\u00e3o t\u00eam biomarcadores nociceptivos, que<br>n\u00e3o parecem ser explicados por essas teorias. Diante disso, pesquisadores como Casser (2021) e Rosenqvist (2024) abandonaram a concep\u00e7\u00e3o de dor como uma mera capacidade de rastreio e propuseram uma concep\u00e7\u00e3o mais abrangente, a saber, como um sistema adaptativo multifuncional. Embora essas propostas apontem para a dire\u00e7\u00e3o correta, o problema \u00e9 que elas parecem perder de vista o papel da interocep\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia da dor. Tendo em vista essa concep\u00e7\u00e3o mais abrangente, meu objetivo \u00e9 trazer \u00e0 tona a interocep\u00e7\u00e3o mediante a ideia de que n\u00e3o se trata de uma capacidade isolada na experi\u00eancia da dor, mas intimamente relacionada a capacidades cognitivas, emocionais e motoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Scheila Thom\u00e9 (UFRGS) &#8211; Contribui\u00e7\u00f5es husserlianas para a compreens\u00e3o da corporeidade na Fenomenologia<\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo desta exposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o de discutir a decisiva contribui\u00e7\u00e3o da formula\u00e7\u00e3o do conceito husserliano de corpo pr\u00f3prio <em>(Leib)<\/em> para a compreens\u00e3o do estatuto da corporeidade e da intersubjetividade na Fenomenologia. Sabe-se que para Husserl o fen\u00f4meno corpo pr\u00f3prio <em>(Leib)<\/em> permanece como estrato noem\u00e1tico que resiste ao processo de redu\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera da propriedadedo eu. Ao considerar o corpo pr\u00f3prio como res\u00edduo origin\u00e1rio da redu\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera de propriedade do <em>ego<\/em> (corpo que \u00e9 a\u00ed entendido como um corpo pr\u00f3prio <em>(Leib) <\/em>vivo, animado e org\u00e2nico e n\u00e3o como mero corpo f\u00edsico <em>(K\u00f6rper)<\/em>, est\u00e1tico, inanimado) Husserl destaca que a rela\u00e7\u00e3o constitutiva do <em>ego<\/em>&nbsp;com o mundo se d\u00e1 primariamente como experi\u00eancia sens\u00edvel do corpo pr\u00f3prio que se realiza de diferentes modos em diferentes campos de sensa\u00e7\u00f5es.&nbsp;O objetivo desta exposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1, assim, o de discutir a contribui\u00e7\u00e3o da formula\u00e7\u00e3o do conceito husserliano de corpo pr\u00f3prio&nbsp;nos desenvolvimentos fenomenol\u00f3gicos do conceito&nbsp;de corporeidade presentes nas an\u00e1lises de autores como Merleau-Ponty e Edith Stein.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Jeferson Hufferman (UFRGS) &#8211; <em>O corpo sempre foi constru\u00eddo: a constru\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-din\u00e2mica de corpos<\/em> generificados<\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Proponho uma aproxima\u00e7\u00e3o entre os estudos de g\u00eanero e a filosofia das ci\u00eancias cognitivas, a partir dela apresento e defendo a tese de que a identidade de g\u00eanero nas sociedades contempor\u00e2neas faz parte um processo cognitivo de adapta\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos humanos a um ambiente lingu\u00edstico generificado.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Jessica Vergara (UFRGS) &#8211; <em>O v\u00e9u sensorio-motor<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9 revelado em nossa percep\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria? Cores, sons, formatos, tamanhos, perigos, alimentos, martelos, mesas, gatos, \u00e1gua? Ao refletirem sobre nossa experi\u00eancia perceptual, muitos fil\u00f3sofos argumentam que aquilo que vemos, cheiramos, ouvimos, saboreamos ou tateamos diretamente s\u00e3o apenas apar\u00eancias dos objetos ordin\u00e1rios. Ao identificarem tais apar\u00eancias \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es e alegarem seu subjetivismo, estabelecem uma profunda independ\u00eancia ontol\u00f3gica do conte\u00fado experienciado em rela\u00e7\u00e3o aos objetos ordin\u00e1rios: entre eles h\u00e1 um \u201cv\u00e9u da percep\u00e7\u00e3o\u201d. Nossa percep\u00e7\u00e3o dos objetos ordin\u00e1rios \u00e9, portanto, indireta.&nbsp;<em>Enativistas sens\u00f3rio-motores<\/em>&nbsp;recusam que o conte\u00fado perceptual seja tanto reduzido a meras sensa\u00e7\u00f5es quanto equiparado a representa\u00e7\u00f5es, possibilitando a defesa da percep\u00e7\u00e3o direta simult\u00e2nea de uma maior variedade de propriedades e entidades listadas no in\u00edcio deste par\u00e1grafo. Para tais te\u00f3ricos, o conte\u00fado da experi\u00eancia perceptual depende constitutivamente da explora\u00e7\u00e3o ativa do ambiente pelo perceptor. Habilidades e entendimento sens\u00f3rio-motores s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de possibilidade dessa explora\u00e7\u00e3o. Consequentemente, o conte\u00fado emergente \u00e9 um conte\u00fado intrinsecamente sens\u00f3rio-motor. Essa abordagem parece conduzir \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de que tudo o que pode ser diretamente percebido \u00e9 redut\u00edvel a padr\u00f5es de covaria\u00e7\u00e3o sens\u00f3rio-motora e suas apar\u00eancias, concep\u00e7\u00e3o conhecida como&nbsp;<em>reducionismo sens\u00f3rio-motor<\/em>. De modo que, ou admitimos que todos os objetos ordin\u00e1rios s\u00e3o padr\u00f5es de covaria\u00e7\u00e3o sens\u00f3rio-motores, ou admitimos que pelo menos alguns objetos ordin\u00e1rios n\u00e3o podem ser percebidos diretamente. O segundo disjunto parece nos conduzir ao que podemos chamar de \u201cv\u00e9u sens\u00f3rio-motor\u201d. Defenderemos que a incorpora\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es advindas do que \u00e9 habitualmente denominado como interocep\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es de covaria\u00e7\u00f5es sens\u00f3rio-motores pode auxiliar a ampliar o repert\u00f3rio do que pode ser diretamente percebido.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Juan De Pi\u00f1era (Universidad de Buenos Aires) &#8211; <em>Una conceptualizaci\u00f3n enactivista de la identidad social para una epistemolog\u00eda social<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Es posible identificar en la tradici\u00f3n filos\u00f3fica una serie de ideas relacionadas sobre la naturaleza de lo mental y sobre el conocimiento; las mismas convergen en una perspectiva intelectualista, individualista e internista. Este n\u00facleo de ideas ha sido puesto en cuesti\u00f3n por la filosof\u00eda de la mente post-cognitivista en su aspecto psicol\u00f3gico y metaf\u00edsico, y por la epistemolog\u00eda social en su aspecto epist\u00e9mico. Es por eso que puede ser fruct\u00edfero examinar las posibles complementariedades entre ambos campos de estudio; este trabajo abordar\u00e1 una de ellas. En los \u00faltimos a\u00f1os, la epistemolog\u00eda social ha hecho un esfuerzo por comprender el lugar de las identidades sociales en la justificaci\u00f3n y formaci\u00f3n de los juicios relacionados a nuestra vida social y pol\u00edtica. Muchas de nuestras instituciones pol\u00edticas, judiciales y econ\u00f3micas est\u00e1n fundadas sobre la idea de que los agentes son capaces de realizar juicios de forma independiente a las identidades sociales (v.g., el g\u00e9nero, la raza o la clase social) tanto propias como ajenas.&nbsp; En su art\u00edculo \u201cSotomayor\u2019s Reasoning\u201d, Linda Alcoff &nbsp;(2010) argumenta que las identidades sociales influyen en la capacidad deliberativa de las personas y, por ello, deben ser consideradas en la toma de decisiones pol\u00edticas. Para mostrar esta incidencia, hace uso de evidencia proveniente de distintos campos de la psicolog\u00eda. No obstante, un marco psicol\u00f3gico alternativo como el post-cognitivismo y, en particular, el enactivismo, podr\u00eda ofrecer una comprensi\u00f3n m\u00e1s precisa de este fen\u00f3meno. Las tramas normativas en las que se encuentran inmersas las personas modulan el proceso de educaci\u00f3n de la atenci\u00f3n de forma irrefrenable, por lo que son factores que deben ser tenidos en cuenta a la hora de la deliberaci\u00f3n p\u00fablica. La perspectiva enactiva puede ofrecer los fundamentos para construir una epistemolog\u00eda social no-ideal, especialmente para ofrecer una noci\u00f3n de identidad social que ilumine el rol que esta puede tener en nuestra vida pol\u00edtica.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Pedro Noguez (UFRGS) &#8211; <em>Enacting Sense and Reference accross a Divergent Landscape of Affordances<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8212;<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Henrique Rodrigues (UFRGS) &#8211; <em>A Ena\u00e7\u00e3o da Experi\u00eancia Musical: O papel da sensa\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia na experi\u00eancia est\u00e9tica<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por que gostamos de ouvir e tocar m\u00fasica? Por que algumas m\u00fasicas nos trazem imenso prazer ao ouvi-las, e outras nos causam apenas indiferen\u00e7a ou desgosto? O enativismo pode nos ajudar a responder essas perguntas. A &nbsp;cogni\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida pelo enativismo como a intera\u00e7\u00e3o habilidosa de um agente com o ambiente. Isso significa que o nosso engajamento com a m\u00fasica tamb\u00e9m deve ser entendido como a ena\u00e7\u00e3o de uma habilidade, e que ao mesmo tempo uma intera\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica influencia intera\u00e7\u00f5es futuras, pois nossa habilidade \u00e9 moldada pelo hist\u00f3rico de intera\u00e7\u00f5es passadas. No entanto, o prazer que derivamos da m\u00fasica n\u00e3o pode ser explicado pelo sucesso de um encontro com uma obra musical; muitas vezes, gostamos de m\u00fasicas estranhas ou que n\u00e3o entendemos, e desgostamos de m\u00fasicas que s\u00e3o consideradas \u201cbatidas\u201d (por mais que, pela l\u00f3gica da intera\u00e7\u00e3o habilidosa, essas deveriam ser as que s\u00e3o mais f\u00e1ceis de interagir). Sugiro que a nossa experi\u00eancia est\u00e9tica \u00e9 causada em parte pela sensa\u00e7\u00e3o de exercer controle, que \u00e9 um tipo de sensa\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia que ocorre quando sentimos que estamos fazendo esfor\u00e7o para assimilar aspectos do ambiente ao nosso repert\u00f3rio sensoriomotor de intera\u00e7\u00f5es com o mundo. A evid\u00eancia aponta para um papel importante da sensa\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o musical (Rodger et al. 2024) e tamb\u00e9m no desenvolvimento de capacidades sensoriomotoras em beb\u00eas (Kelso, 2016). Al\u00e9m disso, a sensa\u00e7\u00e3o de exercer controle est\u00e1 de acordo com a forma que John Dewey compreende a experi\u00eancia est\u00e9tica, pois para ele \u00e9 necess\u00e1rio haver resist\u00eancia. Isso pode explicar por que quando ouvimos demais uma m\u00fasica n\u00e3o sentimos mais a satisfa\u00e7\u00e3o que sent\u00edamos antes, e quando ouvimos algo estranho demais tamb\u00e9m n\u00e3o conseguimos aproveitar, pois n\u00e3o h\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o de ag\u00eancia.<\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Lucas Meireles (UFRGS) &#8211; <em>Algumas observa\u00e7\u00f5es sobre informa\u00e7\u00e3o e resson\u00e2ncia ecol\u00f3gicas<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A corporifica\u00e7\u00e3o radical pode ser entendida como uma fam\u00edlia de distintos programas de pesquisa cuja marca distintiva diz respeito a uma recusa pelas no\u00e7\u00f5es de \u201ccomputa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d enquanto ferramentas explicativas para os fen\u00f4menos cognitivos e mentais. A fim de substitui-las, os proponentes da cogni\u00e7\u00e3o radicalmente corporificada usualmente formulam as suas hip\u00f3teses em termos da teoria matem\u00e1tica dos sistemas din\u00e2micos e entendem, por isso, que sistemas cognitivos seriam mais bem compreendidos como sistemas din\u00e2micos. Em seu livro Ecology of the Brain, Thomas Fuchs, alinhado ao programa proposto pela cogni\u00e7\u00e3o radicalmente corporificada, integra a teoria dos sistemas din\u00e2micos \u00e0 fenomenologia para explicar o papel cognitivo desempenhado pelo c\u00e9rebro. Segundo o autor, o c\u00e9rebro n\u00e3o se trata de um \u00f3rg\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es, mas antes de um \u00f3rg\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o, media\u00e7\u00e3o e, principalmente, resson\u00e2ncia. No entanto, Fuchs n\u00e3o recusa apenas as no\u00e7\u00f5es de \u201ccomputa\u00e7\u00e3o\u201d e \u201crepresenta\u00e7\u00e3o\u201d para a explica\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos cognitivos. Recusa sobre as mesmas bases, tamb\u00e9m, a de \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d. A ideia \u00e9 que uma representa\u00e7\u00e3o se trata de um esquema tripartite que envolve<br>um s\u00edmbolo que representa algo para algu\u00e9m. As computa\u00e7\u00f5es de um maquin\u00e1rio digital, no entanto, envolvem apenas o esquema bipartite inputs-outputs, e supor que possa haver algo como um int\u00e9rprete sub-pessoal de tais computa\u00e7\u00f5es envolveria a estipula\u00e7\u00e3o de um hom\u00fanculo intracraniano. Como uma informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser informativa sobre algo para algu\u00e9m, ela incorreria no mesmo problema. Logo, informa\u00e7\u00f5es, assim como representa\u00e7\u00f5es, devem<br>ser abolidas do vocabul\u00e1rio mobilizado para a descri\u00e7\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o. Neste trabalho, procuro apontar como o conceito de \u201cinforma\u00e7\u00e3o-est\u00edmulo\u201d desenvolvido pela psicologia ecol\u00f3gica pode explicar os epis\u00f3dios cognitivos de uma perspectiva radicalmente corporificada. Em especial, tentarei mostrar que essa no\u00e7\u00e3o pode fazer jus \u00e0 ideia do c\u00e9rebro como um \u00f3rg\u00e3o de resson\u00e2ncia. Para isso, apelarei principalmente \u00e0 obra recente desenvolvida pelo te\u00f3rico Vincente Raja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Gabriel-Nicol\u00e1s Cruz (Universidad de Salamanca) &#8211; <em>The place of knowledge in embodied and situated cognition<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Given the views on mind and cognition of Cartesian cognitivism, it is quite easy to see how they align with a traditional epistemology in which knowledge is defined in terms of an internal mental state, i.e. belief. Thus, knowledge is roughly defined as follows: Knowledge = Belief + X, where X represents the additional component(s) required to transform belief into knowledge, e.g. justification and\/or truth. But what happens when we shift to radically embodied and situated approaches to cognition as those of Enactivism, Ecological Psychology, or Phenomenology? What is the place of knowledge within this framework? Since all of these approaches agree that mind and world are dynamically co-emergent and mutually co-specified, these concepts are not understood as separate dimensions that need to be \u2018connected\u2019 in cognition (c.f. e.g. Rolla &amp; Figueredo, 2021; Heras-Escribano, 2021; Kaufer &amp; Chemero, 2021). Rather, as Heidegger proposed in Being and Time (1927), access (i.e. disclosedness) to the world is a presupposition that is always already in place in all our doings. It is implicitly assumed even in those theoretical activities in which skeptic concerns emerge. Taken this in consideration, it seems that the right epistemology to accompany radical embodied and situated cognition is one in which the concept of knowledge is primitive rather than defined in terms of belief. This is precisely what Williamson (2000) proposed in Knowledge and its Limits. I believe that Williamson\u2019s proposal could benefit from embodied and situated cognition to strengthen the argument for taking knowledge as primitive, building upon Heidegger\u2019s idea of taking access to the world as a presupposition. Reciprocally, I believe that the possibility of following Heidegger\u2019s proposal is attested by Williamson\u2019s rigor in demonstrating how to address epistemological questions by putting \u2018knowledge first\u2019. In this discussion, I aim to<br>provide an initial exploration of this combination.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Ian Massing &#8211; (UFRGS) <em>&#8220;M\u00e1quinas pensantes&#8221;: porque a mente reificada busca emular a si mesma<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O recente modismo das assim chamadas &#8220;intelig\u00eancias artificiais&#8221;, principalmente as LLMs (Large Language Models, como o GPT e o DeepSeek), trouxe consigo tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de histeria quanto \u00e0s suas potencialidades. Embora parte disso se possa atribuir a est\u00edmulos publicit\u00e1rios, a ang\u00fastia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 voca\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica das m\u00e1quinas \u00e9 antiga e habita nosso imagin\u00e1rio h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. O medo de que &#8220;m\u00e1quinas pensantes&#8221; venham a de alguma maneira se equiparar a n\u00f3s, e eventualmente nos substituam, revela como premissa a ideia de que somos, tamb\u00e9m, alguma esp\u00e9cie de m\u00e1quina, de modo que nossa mente possa ser reproduzida digitalmente. Tal concep\u00e7\u00e3o da mente humana \u00e9 dominante, de fato, tanto no meio cient\u00edfico quanto no senso comum, t\u00e3o enraizada na forma como se concebe a cogni\u00e7\u00e3o que \u00e9 raro encontrar fora de contextos espec\u00edficos (que tratam especificamente da natureza da cogni\u00e7\u00e3o) algum exame acerca dela enquanto pilar explicativo, e mercados especulativos inteiros j\u00e1 foram criados em torno de tecnologias hipot\u00e9ticas cuja exist\u00eancia dependeria da verdade dessa concep\u00e7\u00e3o. Por qu\u00ea? Por que o funcionalismo cognitivo \u00e9 t\u00e3o acriticamente disseminado no discurso acerca da mente humana? De suas origens no dualismo cartesiano, passando por sua postula\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica por Turing, \u00e0 sua pressuposi\u00e7\u00e3o generalizada no imagin\u00e1rio coletivo, na fic\u00e7\u00e3o (art\u00edstica e corporativa) e mesmo entre pesquisadores, a premissa de que a mente humana comporta-se como um mecanismo discreto e compartimentalizado que opera segundo certas leis permanece dominante mesmo sem haver nenhuma raz\u00e3o para crer que esse \u00e9 de fato o caso, nem nenhuma prova de que esse \u00e9 o fundamento te\u00f3rico mais apropriado para orientar o estudo da mente. A explica\u00e7\u00e3o para isso, defenderei, remete a um conceito articulado por Georg Luk\u00e1cs em seu ensaio &#8220;A reifica\u00e7\u00e3o e a consci\u00eancia do proletariado&#8221;, publicado em 1923, o de reifica\u00e7\u00e3o, j\u00e1 citado no t\u00edtulo. Atrav\u00e9s dele, Luk\u00e1cs examina o processo atrav\u00e9s do qual o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista condiciona a experi\u00eancia humana e altera a sua percep\u00e7\u00e3o das&nbsp;rela\u00e7\u00f5es sociais, engendrando no indiv\u00edduo uma atitude objetificante em rela\u00e7\u00e3o a si, em rela\u00e7\u00e3o ao outro e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade material como um todo. \u00c9 essa atitude e a consequente aliena\u00e7\u00e3o do sujeito de sua pr\u00f3pria ag\u00eancia que se encontram na raiz de concep\u00e7\u00f5es mecanicistas de cogni\u00e7\u00e3o e na correlata cren\u00e7a (qui\u00e7\u00e1 o desejo ou mesmo a necessidade) de que podemos (possamos) reproduzir a n\u00f3s mesmos artificialmente. O movimento que parece ocorrer n\u00e3o \u00e9 o de aproxima\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas da consci\u00eancia humana, mas sim o de atrofia da exist\u00eancia humana a um estado maquinal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<details class=\"wp-block-details is-layout-flow wp-block-details-is-layout-flow\"><summary>Andre Klaudat (UFRGS) &#8211; <em>A\u00e7\u00f5es no Transcendentalismo de Kant<\/em><\/summary>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurarei mostrar que o conceito de a\u00e7\u00e3o no contexto do desenvolvimento de t\u00e9cnicas comportamentais para o conhecimento de objetos \u00e9 o cerne da compreens\u00e3o correta do transcendentalismo de Kant: que conhecemos apar\u00eancias e n\u00e3o os objetos em si mesmos. <\/p>\n<\/details>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><mark style=\"background-color:#EEEADD\" class=\"has-inline-color\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gepepe\/mente-corporificada\/\" data-type=\"page\" data-id=\"333\">P\u00e1gina do evento<\/a><\/mark>. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00e1gina do evento.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-346","page","type-page","status-publish","hentry","entry"],"featured_image_urls":{"full":"","thumbnail":"","medium":"","medium_large":"","large":"","1536x1536":"","2048x2048":"","ab-block-post-grid-landscape":"","ab-block-post-grid-square":"","gb-block-post-grid-landscape":"","gb-block-post-grid-square":"","post-thumbnail":""},"post_excerpt_stackable":"<p>Ver\u00f4nica Campus (FAJE) &#8211; Representacionalismo e Anti-representacionalismo sobre dor Em filosofia da mente, uma das concep\u00e7\u00f5es mais populares acerca da natureza da dor \u00e9 fornecida pelas chamadas teorias representacionais da dor ou, simplificadamente, representacionalismo sobre a dor. Variedades dessas teorias foram defendidas por pessoas como Armstrong (1962), Cutter &amp; Tye (2011) e Bain (2017). De acordo com teorias representacionais do conte\u00fado mental (das quais o&nbsp;representacionalismo sobre a dor \u00e9 um ramo), todos os epis\u00f3dios mentais s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es. 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