{"id":1970,"date":"2020-09-13T12:57:29","date_gmt":"2020-09-13T15:57:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/?p=1970"},"modified":"2021-03-09T13:13:21","modified_gmt":"2021-03-09T16:13:21","slug":"planejamento-e-gestao-de-recursos-hidricos-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2020\/09\/13\/planejamento-e-gestao-de-recursos-hidricos-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Planejamento e gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos no s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>Abrimos as torneiras e a \u00e1gua sai. Parece m\u00e1gica. Essa \u00e1gua, na verdade, vem da chuva, que \u00e9 o fluxo de entrada que caracteriza os sistemas h\u00eddricos. E esse fluxo de entrada est\u00e1 absolutamente fora do nosso controle. O que podemos controlar, at\u00e9 certo ponto, s\u00e3o os elementos de armazenamento de \u00e1gua e seus fluxos de sa\u00edda. Em condi\u00e7\u00f5es normais na Hist\u00f3ria da humanidade, essa falta de controle sobre o fluxo de entrada poderia passar despercebida. Mas os tempos s\u00e3o outros e a \u00fanica certeza que temos sobre o futuro \u00e9 que ser\u00e1 diferente do presente. Precisamos de uma abordagem adaptativa que n\u00e3o apenas nos diga o que fazer agora, mas tamb\u00e9m nos mostre as dire\u00e7\u00f5es para o que fazer quando as condi\u00e7\u00f5es mudarem al\u00e9m do esperado.<\/p>\n<p>por <strong>Ipor\u00e3 Possantti <\/strong>* e <strong>Guilherme Marques <\/strong>**<\/p>\n<p>(*) Eng. Ambiental, Mestre em Recursos H\u00eddricos e Saneamento Ambiental (IPH\/UFRGS). Contato: possantti@gmail.com<\/p>\n<p>(**) PhD, Professor Associado IPH \/UFRGS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>A \u00e1gua que sai da torneira<\/h1>\n<p>A vida em uma cidade (especialmente em pa\u00edses desenvolvidos) nos faz esquecer que vivemos em um mundo limitado pelas leis da f\u00edsica. Salvo em raras exce\u00e7\u00f5es, ao abrimos uma torneira a \u00e1gua sai \u2013 como por m\u00e1gica. \u00c9 f\u00e1cil esquecer ou sequer se perguntar como que a \u00e1gua sai da torneira. Ignorar essa quest\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e n\u00e3o impede cidad\u00e3os de viver e prosperar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1971\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig00.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1971\" class=\"wp-image-1971 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig00-300x215.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"215\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig00-300x215.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig00-768x551.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig00.png 807w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1971\" class=\"wp-caption-text\">Um fato trivial: abrimos a torneira e a \u00e1gua sai.<\/p><\/div>\n<p>\u00c9 claro que a \u00e1gua n\u00e3o aparece por m\u00e1gica. Por detr\u00e1s desse acesso instant\u00e2neo existem elaborados sistemas de gest\u00e3o, planejamento e opera\u00e7\u00f5es tanto para garantir disponibilidade de \u00e1gua nos mananciais para os usos m\u00faltiplos quanto para a sua capta\u00e7\u00e3o, tratamento e distribui\u00e7\u00e3o pelos sistemas de abastecimento.&nbsp; Agora, saber disso tamb\u00e9m n\u00e3o responde a pergunta: <em>de onde vem a \u00e1gua<\/em>?<\/p>\n<p>Se voc\u00ea seguir os canos que levam a \u00e1gua at\u00e9 a sua casa, com sorte vai encontrar o fim do sistema de abastecimento: o <strong>manancial de capta\u00e7\u00e3o<\/strong>. A \u00e1gua captada pelos sistemas de abastecimento de \u00e1gua vem de mananciais: rios, lagos ou aqu\u00edferos. Contudo, n\u00e3o podemos parar aqui. A pergunta pode ser ampliada: <em>de onde que vem a \u00e1gua dos mananciais<\/em>?<\/p>\n<p>A \u00e1gua em um manancial, especialmente se for um lago ou aqu\u00edfero, pode parecer est\u00e1tica, mas isso \u00e9 uma ilus\u00e3o. Tudo flui. Todos os mananciais de \u00e1gua doce continentais s\u00e3o supridos pela precipita\u00e7\u00e3o de chuva ou neve. E todos s\u00e3o drenados pela gravidade, que leva a \u00e1gua doce (de volta) para os oceanos de \u00e1gua salgada. Essa \u00e9 a origem da \u00e1gua que sai das torneiras de nossa cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Ponto de vista sist\u00eamico<\/h1>\n<p>Essa reflex\u00e3o pode parecer trivial, de que toda a \u00e1gua continental vem da chuva. Mas se olharmos essa quest\u00e3o de um <em>ponto de vista sist\u00eamico<\/em>, vamos encontrar motivos para nos preocupar e pensar se as torneiras de nossas cidades ir\u00e3o continuar para sempre a produzir \u00e1gua como se fosse m\u00e1gica.<\/p>\n<p>Em um <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2019\/10\/03\/pensamento-sistemico-o-basico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">post anterior<\/a>, eu apresentei conceitos b\u00e1sicos do pensamento sist\u00eamico. Em <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2019\/10\/06\/pensamento-sistemico-e-recursos-quando-agua-acabar-hidricos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outro post<\/a>, eu fiz uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios sobre como as ideias do pensamento sist\u00eamico se aplicam aos problemas envolvendo recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<p>A ideia central do pensamento sist\u00eamico \u00e9 que os sistemas s\u00e3o compostos por elementos de <em>armazenamento<\/em> e de <em>fluxo<\/em>. Como todo sistema possui uma <em>fronteira<\/em> (a n\u00e3o ser que voc\u00ea queria modelar o pr\u00f3prio Universo), existem <em>fluxos de entrada<\/em> e <em>fluxos de sa\u00edda<\/em>. Os sistemas h\u00eddricos n\u00e3o fogem a essa regra.<\/p>\n<div id=\"attachment_1972\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig01.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1972\" class=\"wp-image-1972 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig01-300x231.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"231\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig01-300x231.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig01-768x591.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig01-1024x788.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig01.png 1165w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1972\" class=\"wp-caption-text\">Um sistema h\u00eddrico: um fluxo de entrada e muitos fluxos de sa\u00edda.<\/p><\/div>\n<p>Durante muito tempo os sistemas h\u00eddricos, apesar de apresentarem mais de um fluxo de sa\u00edda de \u00e1gua, <strong>contavam com um fluxo de entrada de \u00e1gua<\/strong>: a precipita\u00e7\u00e3o (chuva e neve). Esse fluxo de entrada est\u00e1 absolutamente fora do nosso controle. O que podemos controlar, e at\u00e9 certo ponto, s\u00e3o os elementos de armazenamento de \u00e1gua e os fluxos de sa\u00edda de \u00e1gua. Em condi\u00e7\u00f5es normais na Hist\u00f3ria da humanidade, essa falta de controle sobre o fluxo de entrada poderia passar despercebida. Mas os tempos s\u00e3o outros. O crescimento das demandas e usos m\u00faltiplos trouxe consigo a necessidade por mais \u00e1gua e os sistemas h\u00eddricos se tornaram mais complexos com a introdu\u00e7\u00e3o de infraestrutura h\u00eddrica de armazenamento e transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas, criando novos fluxos de entrada em uma bacia hidrogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Press\u00f5es em escalada<\/h1>\n<p>Acreditamos que gerenciamos os sistemas h\u00eddricos. Afinal, apesar de exce\u00e7\u00f5es, a \u00e1gua chega nas torneiras das cidades. Mas a realidade \u00e9 que estamos sempre correndo na frente de um trem desgovernado, tentando arrumar e desobstruir os trilhos. Se o trem est\u00e1 lento, podemos nos sentir mais ou menos no controle das coisas. Agora, se o trem come\u00e7ar a acelerar, a situa\u00e7\u00e3o pode facilmente ficar descontrolada. Traduzindo a analogia: existem press\u00f5es externas sobre os fluxos e elementos de armazenamento dos sistemas h\u00eddricos. E essas press\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o plenamente control\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Lado da demanda<\/h2>\n<p>Pelo chamado <em>lado da demanda de \u00e1gua<\/em>, o crescimento populacional pressiona os fluxos de sa\u00edda de \u00e1gua. E n\u00e3o apenas para consumo humano, mas para irriga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Afinal, irriga-se para produzir alimentos que humanos ir\u00e3o consumir. Mais sutil que o crescimento populacional, \u00e9 a press\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico. \u00c0 medida que o mundo almeja um estilo de vida semelhante aos dos habitantes dos pa\u00edses desenvolvidos, a taxa de consumo de \u00e1gua por habitante aumenta. Estima-se que essas duas press\u00f5es combinadas produziram ao longo do s\u00e9culo XX um aumento de <em>seis<\/em> vezes da \u00e1gua consumida (UN-Water, 2020)<\/p>\n<div id=\"attachment_1973\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig02.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1973\" class=\"wp-image-1973 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig02-300x218.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"218\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig02-300x218.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig02-768x558.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig02-1024x744.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig02.png 1059w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1973\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rie estimada da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, em quil\u00f4metros c\u00fabicos por ano. Fonte: UN-Water (2020).<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia do s\u00e9culo XX continuar\u00e1 s\u00e9culo XXI adentro. Projeta-se que a popula\u00e7\u00e3o mundial ir\u00e1 atingir 9 bilh\u00f5es em 2050, atingindo um pico. A taxa de urbaniza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, pessoas vivendo em cidades, ir\u00e1 aumentar mais ainda, com cerca de 6 bilh\u00f5es de habitantes vivendo em cidades em 2050 (quase 70%, comparado com os 50% de 2010).<\/p>\n<div id=\"attachment_1974\" style=\"width: 432px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig04.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1974\" class=\"wp-image-1974 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig04-300x172.png\" alt=\"\" width=\"422\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig04-300x172.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig04-768x441.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig04.png 871w\" sizes=\"(max-width: 422px) 100vw, 422px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1974\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o global. Fonte: OECD (2012).<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1975\" style=\"width: 439px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig05.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1975\" class=\"wp-image-1975 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig05-300x175.png\" alt=\"\" width=\"429\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig05-300x175.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig05-768x448.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig05-1024x598.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig05.png 1240w\" sizes=\"(max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1975\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o urbana global. Fonte: OECD (2012).<\/p><\/div>\n<p>Estima-se que a economia mundial, por outro lado, ir\u00e1 quadruplicar o PIB em quarenta anos, chegando em 300 trilh\u00f5es de dol\u00e1res em 2050. A produ\u00e7\u00e3o de energia, sendo um indicador de atividade econ\u00f4mica, poder\u00e1 dobrar em quarenta anos, atingindo at\u00e9 1000 exajoules em 2050. Isso pode implicar em um aumento n\u00e3o linear no consumo de \u00e1gua, <em>para mais<\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_1976\" style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig06.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1976\" class=\"wp-image-1976 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig06.png\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig06.png 997w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig06-300x187.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig06-768x478.png 768w\" sizes=\"(max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1976\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o de base do Produto Interno Bruto dom\u00e9stico. Fonte: OECD (2012).<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1977\" style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1977\" class=\"wp-image-1977 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07.png\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07.png 995w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07-300x187.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07-768x479.png 768w\" sizes=\"(max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1977\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o de base do consumo prim\u00e1rio de energia no mundo. Fonte: OECD (2012).<\/p><\/div>\n<p>Podemos gerenciar o crescimento populacional? Podemos gerenciar o crescimento econ\u00f4mico? Em teoria, sim, pois envolvem decis\u00f5es humanas. Na pr\u00e1tica, se fact\u00edvel, os m\u00e9todos podem ser controversos. Al\u00e9m disso, s\u00e3o quest\u00f5es muito maiores que a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos.<\/p>\n<h2>Lado da oferta \u2013 mudan\u00e7a do uso do solo<\/h2>\n<p>Pelo chamado <em>lado da oferta de \u00e1gua<\/em>, a mudan\u00e7a no uso e cobertura do solo induzida pelo desmatamento e urbaniza\u00e7\u00e3o alteram os fluxos de \u00e1gua, geralmente reduzindo a intercepta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pelas plantas e a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo. As consequ\u00eancias desse processo s\u00e3o complexas e dependentes da escala, especialmente em termos de mudan\u00e7a das vaz\u00f5es dos rios. Mas uma coisa \u00e9 certa: as taxas de perda solo, causadas pela eros\u00e3o acentuada, prejudicam a qualidade de \u00e1gua dos mananciais. A expans\u00e3o das \u00e1reas agricult\u00e1veis no mundo ao longo do s\u00e9culo XXI poder\u00e1 aumentar, ainda que as estimativas sejam mais incertas.<\/p>\n<div id=\"attachment_1984\" style=\"width: 537px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07a.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1984\" class=\"wp-image-1984 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07a.png\" alt=\"\" width=\"527\" height=\"391\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07a.png 986w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07a-300x222.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig07a-768x569.png 768w\" sizes=\"(max-width: 527px) 100vw, 527px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1984\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00f5es da \u00e1rea agricult\u00e1vel no mundo. Fonte: OECD (2012).<\/p><\/div>\n<h2>Lado da oferta \u2013 mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/h2>\n<p>Por \u00faltimo, e n\u00e3o menos importante, existe a press\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, tamb\u00e9m pelo lado da oferta de \u00e1gua. Com temperaturas maiores, espera-se que os fluxos de sa\u00edda de \u00e1gua por evapora\u00e7\u00e3o e transpira\u00e7\u00e3o aumentem. Mas, pior que isso, essa press\u00e3o tamb\u00e9m exerce influ\u00eancia sobre aquilo que existe de mais importante em qualquer sistema h\u00eddrico: a <strong>entrada de \u00e1gua<\/strong>. Diferentemente das outras press\u00f5es, estima-se que mudan\u00e7a clim\u00e1tica ir\u00e1 aumentar a entrada de \u00e1gua em certos lugares e reduzir em outros. Assim, os modelos de predi\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a clim\u00e1tica global trabalham com a ideia de <em>anomalia<\/em> em rela\u00e7\u00e3o a um estado clim\u00e1tico de refer\u00eancia.<\/p>\n<div id=\"attachment_1978\" style=\"width: 533px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig08.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1978\" class=\"wp-image-1978 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig08.png\" alt=\"\" width=\"523\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig08.png 970w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig08-300x294.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig08-768x753.png 768w\" sizes=\"(max-width: 523px) 100vw, 523px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1978\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00f5es da anomalia da temperatura m\u00e9dia e da precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia em diferentes cen\u00e1rios de mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Fonte: UN-Water (2020).<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1979\" style=\"width: 573px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig09.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1979\" class=\"wp-image-1979 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig09.png\" alt=\"\" width=\"563\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig09.png 1001w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig09-300x199.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig09-768x509.png 768w\" sizes=\"(max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1979\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o 2060-2089 da anomalia na frequ\u00eancia de dias secos por ano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 s\u00e9rie 1960-1989. Fonte: UN-Water (2020).<\/p><\/div>\n<p>No Brasil, o relat\u00f3rio <em>Brasil 2040<\/em> apresenta estimativas da anomalia da precipita\u00e7\u00e3o. O que se pode dizer \u00e9 que se espera uma redu\u00e7\u00e3o da entrada de \u00e1gua no territ\u00f3rio brasileiro, com exce\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Sul, onde espera-se um aumento.<\/p>\n<div id=\"attachment_1980\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig10.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1980\" class=\"wp-image-1980 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig10-1024x355.png\" alt=\"\" width=\"557\" height=\"193\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig10-1024x355.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig10-300x104.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig10-768x267.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig10.png 1760w\" sizes=\"(max-width: 557px) 100vw, 557px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1980\" class=\"wp-caption-text\">Anomalias de precipita\u00e7\u00e3o projetadas para a Am\u00e9rica do Sul. Fonte: Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (2015)<\/p><\/div>\n<h1>Riscos e seguran\u00e7a h\u00eddrica<\/h1>\n<p>Estima-se que o risco de <em>escassez<\/em> de \u00e1gua (quando a oferta tende a ser menor que a demanda) em 2050 afete diversas cidades do mundo. E as maiores cidades afetadas, com milh\u00f5es de habitantes, ser\u00e3o todas em pa\u00edses que hoje s\u00e3o considerados \u201cem desenvolvimento\u201d: Brasil, Turquia, Nig\u00e9ria, Paquist\u00e3o, \u00cdndia.<\/p>\n<div id=\"attachment_1981\" style=\"width: 457px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig11.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1981\" class=\"wp-image-1981 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig11-1024x554.png\" alt=\"\" width=\"447\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig11-1024x554.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig11-300x162.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig11-768x416.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig11.png 1166w\" sizes=\"(max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1981\" class=\"wp-caption-text\">Proje\u00e7\u00e3o do risco de escassez h\u00eddrica em cidades no ano de 2050. Fonte: UN-Water (2020)<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, os desastres clim\u00e1ticos, induzidos tanto pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica como pela maior exposi\u00e7\u00e3o ao perigo apresentam um padr\u00e3o de aumento, tanto em ocorr\u00eancias quanto em v\u00edtimas e custos causados.<\/p>\n<div id=\"attachment_1982\" style=\"width: 458px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig12.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1982\" class=\"wp-image-1982 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig12-658x1024.png\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"697\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig12-658x1024.png 658w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig12-193x300.png 193w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig12-768x1194.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig12.png 926w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1982\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rie hist\u00f3rica de desastres associados eventos metorol\u00f3gicos. Fonte: OECD (2012)<\/p><\/div>\n<p>Posto tudo isso, fica mais claro que precisamos ficar alertas se desejamos que as torneiras de nossas cidades continuem a produzir \u00e1gua. A <strong>seguran\u00e7a h\u00eddrica<\/strong> deve ser nosso objetivo ao longo do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Como que as press\u00f5es acima descritas afetam um dado sistema h\u00eddrico? A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo vertiginosamente nesse sistema? E a taxa de consumo? A cobertura do solo da bacia est\u00e1 sendo transformada? O que se espera da mudan\u00e7a clim\u00e1tica: mais secas ou mais inunda\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<h1>Planejamento considerando as incertezas<\/h1>\n<p>O planejamento e gerenciamento de recursos h\u00eddrico evoluiu vigorosamente durante o s\u00e9culo XX. Projetos e estrat\u00e9gias, inicialmente com foco setorial e car\u00eancia de uma vis\u00e3o integrada dos sistemas h\u00eddricos resultaram em conflitos entre usu\u00e1rios, limitada capacidade de resolver problemas din\u00e2micos e impactos ambientais. Nos \u00faltimos 20 anos o planejamento estrat\u00e9gico por bacia hidrogr\u00e1fica ganhou mais espa\u00e7o, permitindo a integra\u00e7\u00e3o de diferentes setores, demandas e infraestrutura \u2013 pensados de forma \u00fanica. Isso ocorreu porque a inclus\u00e3o de todos os usu\u00e1rios de \u00e1gua (e representantes dos usu\u00e1rios n\u00e3o-humanos) no processo de gest\u00e3o, planejamento e decis\u00e3o passou a ser entendida como a melhor op\u00e7\u00e3o em termos de legitimidade das decis\u00f5es. Embora exista ainda um longo caminho a percorrer para que o planejamento seja de fato efetivo e integrado,&nbsp; hoje temos ferramentas para evitar que o processo &nbsp;resulte em apenas um grande vencedor subjugando muitos perdedores, mas sim permita solu\u00e7\u00f5es participativas a partir de um entendimento m\u00fatuo sobre os problemas h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se a integra\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios de \u00e1gua pode ser considerado um paradigma conquistado, o planejamento de longo prazo considerando as incertezas associadas \u00e0s press\u00f5es sist\u00eamicas \u00e9 o nosso novo desafio. Ferramentas est\u00e3o sendo desenvolvidas. Mas a quest\u00e3o \u00e9 saber se vamos ter tempo de aplicar elas na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>As ideias centrais de planejar com longo prazo considerando incertezas s\u00e3o os conceitos de <strong>robustez<\/strong> e <strong>flexibilidade. <\/strong>S\u00e3o os fundamentos da <strong>gest\u00e3o adaptativa<\/strong>.<\/p>\n<blockquote><p>Uma estrat\u00e9gia robusta consiste naquela que atinge seus objetivos (ter \u00e1gua nas torneiras, por exemplo) mesmo quando o futuro se apresenta muito diferente do que esperado.<\/p>\n<p>Uma estrat\u00e9gia flex\u00edvel consiste naquela que pode ser modificada a medida que o futuro se apresente diferente do esperado.<\/p><\/blockquote>\n<p>S\u00e3o conceitos que coexistem em diferentes escalas. Em uma \u201cmacro escala\u201d de planejamento, desejamos ter flexibilidade para poder mudar de estrat\u00e9gia &#8211;&nbsp; capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. Devemos evitar solu\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias que reduzem as op\u00e7\u00f5es para as gera\u00e7\u00f5es futuras, muitas vezes causadas por efeitos irrevers\u00edveis ou de dif\u00edcil mitiga\u00e7\u00e3o. Quanto mais op\u00e7\u00f5es as gera\u00e7\u00f5es futuras disporem, melhor ser\u00e1 a sua capacidade de mudar e se adaptar. Mas para mudar, temos que saber quais s\u00e3o as alternativas dispon\u00edveis.<\/p>\n<blockquote><p>Assim, a abordagem adaptativa n\u00e3o apenas nos diz o que fazer agora, mas tamb\u00e9m as dire\u00e7\u00f5es para o que fazer quando as condi\u00e7\u00f5es mudarem al\u00e9m do esperado.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas em uma escala de projeto, certamente queremos tomar decis\u00f5es robustas. Essas decis\u00f5es, \u00e9 claro, precisam ser avaliadas de forma integrada e de forma participativa, considerando custos e impactos para todos os usu\u00e1rios. Os projetos mais robustos podem sair muito caro e ser altamente impactantes \u2013 a velha hist\u00f3ria de resolver um problema criando muitos outros. Pense no custo e impacto de uma transposi\u00e7\u00e3o de bacias, por exemplo.<\/p>\n<p>Uma forma de visualizar o conceito de gest\u00e3o adaptativa \u00e9 imaginar um sistema de rotas \u2013 as <strong>rotas de adapta\u00e7\u00e3o<\/strong>. Como em um sistema de metr\u00f4, \u00e9 poss\u00edvel pensar m\u00faltiplas formas de chegar a um destino (no nosso caso, o futuro). A rota mais robusta \u00e9 aquela que o passageiro n\u00e3o precisa trocar de trem. \u00c9 s\u00f3 entrar e ir, o que pode sair muito caro. Ent\u00e3o quem sabe pegar uma linha at\u00e9 um <em>terminal<\/em> e fazer uma <em>transi\u00e7\u00e3o<\/em>. O terminal consiste em um ponto do futuro que a estrat\u00e9gia fica obsoleta por algum motivo.<\/p>\n<div id=\"attachment_1983\" style=\"width: 552px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig13.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1983\" class=\"wp-image-1983 \" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig13-1024x486.png\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig13-1024x486.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig13-300x142.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig13-768x365.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/fig13.png 1464w\" sizes=\"(max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1983\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica das rotas de adapta\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Por exemplo, considerando o problema de seguran\u00e7a h\u00eddrica de uma cidade, podemos inicialmente optar por implementar solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza na bacia hidrogr\u00e1fica esperando uma maior recarga dos aqu\u00edferos. Se as press\u00f5es sist\u00eamicas evolu\u00edrem de forma a superar essas a\u00e7\u00f5es, podemos trocar para uma estrat\u00e9gia mais robusta, como ampliar a capacidade de reservat\u00f3rios. Ou agir pelo lado da demanda, implementando pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o da taxa de consumo de \u00e1gua, como o reuso de \u00e1gua. Se nada disso for suficiente no futuro distante, talvez seja bom ter em m\u00e3os um projeto de transposi\u00e7\u00e3o de bacias \u2013 que significa ampliar a \u00e1rea de capta\u00e7\u00e3o de chuva.<\/p>\n<h2>\u00c1guas oce\u00e2nicas: rumo \u00e0 \u201chiperrobustez\u201d?<\/h2>\n<p>Foi dito aqui que os sistemas h\u00eddricos possuem apenas uma entrada de \u00e1gua: a precipita\u00e7\u00e3o (chuva e neve). Mas isso n\u00e3o \u00e9 exatamente uma verdade absoluta. \u00c9 uma verdade pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Em teoria existe uma fonte essencialmente inesgot\u00e1vel de \u00e1gua: os oceanos. Sim, a \u00e1gua \u00e9 salgada e est\u00e1 ao n\u00edvel do mar. Para que se transforme em um recurso h\u00eddrico leg\u00edtimo precisamos (1) dessalinizar, (2) transportar e, (3) elevar para o n\u00edvel altim\u00e9trico dos usu\u00e1rios. Isso normalmente requeriria um gasto exorbitante de energia.<\/p>\n<p>Em um mundo submetido \u00e0s press\u00f5es que se projetam para o decorrer do s\u00e9culo XXI, a dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua dos oceanos pode ser de fato o destino final nas grandes cidades que se avolumam no mundo. Mas para chegar l\u00e1, \u00e9 preciso capacidade de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h1>Refer\u00eancias<\/h1>\n<ul>\n<li>Loucks, D. P.; Beek, E. van. <strong>Water resource systems planning and analysis<\/strong>. Deltares and UNESCO, 2017.<\/li>\n<li>Meadows, D. H. <strong>Thinking in systems: a primer<\/strong>. 1. ed. White River Junction, Vermont: Chelsea Green Publishing, 2008.<\/li>\n<li>Organisation for Economic Co-Operation and Development (OECD). <strong>OECD Environmental Outlook to 2050<\/strong>. OECD Publishing. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/dx.doi.org\/10.1787\/9789264122246-en&gt;.<\/li>\n<li>United Nations World Water Assessment Programme (WWAP\/UN-WATER). <strong>The United Nations World Water Development Report 2020: Water and Climate Change<\/strong> (UNESCO, Ed.).<\/li>\n<li>Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos \u2013 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica do Brasil. <strong>Relat\u00f3rio Brasil 2040 \u2013 Resumo Executivo<\/strong>. Bras\u00edlia, 2015.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Fonte da figura da torneira: https:\/\/www.bancodasaude.com\/cdn\/press\/agorrr.jpg<\/p>\n<p>Fonte da figura da capa: UN-Water (2020), p\u00e1gina 118.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abrimos as torneiras e a \u00e1gua sai. Parece m\u00e1gica. Essa \u00e1gua, na verdade, vem da chuva, que \u00e9 o fluxo de entrada que caracteriza os sistemas h\u00eddricos. E esse fluxo de entrada est\u00e1 absolutamente fora do nosso controle. O que podemos controlar, at\u00e9 certo ponto, s\u00e3o os elementos de armazenamento de \u00e1gua e seus fluxos<\/p><\/div>\n<div class=\"blog-btn\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2020\/09\/13\/planejamento-e-gestao-de-recursos-hidricos-no-seculo-xxi\/\" class=\"home-blog-btn\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1985,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[34,36,33,35,28,38,37],"class_list":["post-1970","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conceitos","tag-agua","tag-gestao-adaptativa","tag-mudancas-climaticas","tag-planejamento","tag-recursos-hidricos","tag-seculo-xxi","tag-sistemas"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa.jpg",1314,600,false],"thumbnail":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa-300x137.jpg",300,137,true],"medium_large":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa-768x351.jpg",696,318,true],"large":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa-1024x468.jpg",696,318,true],"1536x1536":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa.jpg",1314,600,false],"2048x2048":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/capa.jpg",1314,600,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Ipor\u00e3 Possantti","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/author\/ipora-possantti\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Abrimos as torneiras e a \u00e1gua sai. Parece m\u00e1gica. Essa \u00e1gua, na verdade, vem da chuva, que \u00e9 o fluxo de entrada que caracteriza os sistemas h\u00eddricos. E esse fluxo de entrada est\u00e1 absolutamente fora do nosso controle. O que podemos controlar, at\u00e9 certo ponto, s\u00e3o os elementos de armazenamento de \u00e1gua e seus fluxosLer&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1970"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1970"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2497,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1970\/revisions\/2497"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}