{"id":2108,"date":"2020-10-21T20:06:56","date_gmt":"2020-10-21T23:06:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/?p=2108"},"modified":"2021-03-09T13:11:38","modified_gmt":"2021-03-09T16:11:38","slug":"47o-congresso-mundial-de-aguas-subterraneas-destaques-para-a-gestao-dos-recursos-hidricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2020\/10\/21\/47o-congresso-mundial-de-aguas-subterraneas-destaques-para-a-gestao-dos-recursos-hidricos\/","title":{"rendered":"47\u00ba Congresso Mundial de \u00c1guas Subterr\u00e2neas: Destaques para a Gest\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos"},"content":{"rendered":"<p>por Camila Mattiuzi &#8211; Engenheira Ambiental, Doutoranda em Gest\u00e3o Integrada de \u00c1guas Superficiais e Subterr\u00e2neas (IPH\/UFRGS)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os dias 21 e 24 de setembro de 2020 ocorreu o 47\u00ba Congresso Mundial de \u00c1guas Subterr\u00e2neas, organizado pela ABAS, IAH e ALHSUD. O evento, previsto para ocorrer presencialmente, se adaptou \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas pela pandemia e foi realizado totalmente online. Neste formato o congresso conseguiu reunir profissionais nacionais e internacionais que discutiram temas que v\u00e3o al\u00e9m da hidrogeologia, como saneamento, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e a rela\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas com a sociedade.<\/p>\n<p>Neste post ser\u00e3o destacados os t\u00f3picos discutidos em alguns webinars do 47\u00ba IAH <strong>sob um ponto de vista da gest\u00e3o e planejamento dos recursos h\u00eddricos.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2><strong>Entrevista com John Cherry e a import\u00e2ncia da visibilidade da \u00e1gua subterr\u00e2nea para gest\u00e3o:<\/strong><\/h2>\n<p>Na abertura do 47\u00ba Congresso Mundial de \u00c1guas Subterr\u00e2neas foi realizada uma entrevista com o Dr. John Cherry (The Groundwater Project) [1], hidroge\u00f3logo, autor do famoso livro Groundwater (Freeze and Cherry, 1979) [2] e que, em 2020, recebeu o pr\u00eamio Stockholm Water Prize [3]. Esta foi a primeira vez que o pr\u00eamio foi dado a um profissional da hidrogeologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>\u00c1gua subterr\u00e2nea e seguran\u00e7a h\u00eddrica:<\/h3>\n<p>Cherry destacou que a \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 o componente chave para atender as crescentes demandas populacionais e agr\u00edcolas, dado que os recursos h\u00eddricos superficiais s\u00e3o mais suscet\u00edveis a mudan\u00e7as em seus regimes e encontram-se superexplotados em muitas regi\u00f5es.&nbsp; <strong>Ele destacou que atualmente 40% da agricultura no mundo \u00e9 irrigada com \u00e1gua subterr\u00e2nea, e que 1\/3 dos grandes aqu\u00edferos mundiais est\u00e1 superexplotado ao ponto de n\u00e3o poderem mais serem recuperados<\/strong>. A \u00e1gua subterr\u00e2nea tamb\u00e9m \u00e9 importante na manuten\u00e7\u00e3o de rios, lagos e ecossistemas, sendo essa din\u00e2mica ainda pouco compreendida.<\/p>\n<p>Estudos apontam que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e3o ocasionar estiagens prolongadas e agravar crises h\u00eddricas e, nesse cen\u00e1rio, as \u00e1guas subterr\u00e2neas ser\u00e3o essenciais pela sua capacidade de armazenamento e resili\u00eancia [4]. Entretanto, <strong>Cherry pontua que as reservas subterr\u00e2neas est\u00e3o amea\u00e7adas por dois agentes de dif\u00edcil percep\u00e7\u00e3o: superexplota\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o<\/strong>. Sem o monitoramento cont\u00ednuo e diretrizes de gest\u00e3o adequadas e eficientes, as reservas subterr\u00e2neas poder\u00e3o ser seriamente comprometidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2110 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem1.jpg 1085w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/a>Nascente do Rio S\u00e3o Francisco (MG). Fonte: autor<\/p>\n<h2>&nbsp;<\/h2>\n<h3>Qual o principal desafio para gerenciar as \u00e1guas subterr\u00e2neas?<\/h3>\n<p>O principal desafio para o gerenciamento das \u00e1guas subterr\u00e2neas \u00e9 <strong>fazer as pessoas entenderem a origem e os processos envolvidos, sendo necess\u00e1rio democratizar e sintetizar o conhecimento entre os usu\u00e1rios, gestores e pesquisadores<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>Comunicar o que \u00e9 \u00e1gua subterr\u00e2nea e a sua import\u00e2ncia para toda a sociedade<\/li>\n<li>Monitorar a quantidade e qualidade da \u00e1gua subterr\u00e2nea, e divulgar essas informa\u00e7\u00f5es de maneira transparente para a popula\u00e7\u00e3o e gestores<\/li>\n<li>Os especialistas em hidrogeologia precisam traduzir o conhecimento t\u00e9cnico sobre o meio f\u00edsico subterr\u00e2neo para os gestores, apresentando solu\u00e7\u00f5es e dire\u00e7\u00f5es, com di\u00e1logo aberto e transparente<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2111 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem2-300x256.jpg\" alt=\"\" width=\"432\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem2-300x256.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem2-768x655.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem2.jpg 860w\" sizes=\"(max-width: 432px) 100vw, 432px\" \/><\/a>Como a \u00e1gua chega nas nossas casas? Fonte: CartoonChurch<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O problema \u00e9 a \u201cinvisibilidade\u201d da \u00e1gua subterr\u00e2nea: se usu\u00e1rios e gestores n\u00e3o conseguem ver, como ir\u00e3o gerenciar?<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>\u00c1guas subterr\u00e2neas e saneamento: uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a:<\/strong><\/h2>\n<p>No webinar \u201c\u00c1gua subterr\u00e2nea e saneamento\u201d as discuss\u00f5es ocorreram sob o ponto de vista da seguran\u00e7a h\u00eddrica, em termos quantitativos, qualitativos e econ\u00f4micos [5].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Quantitativos:<\/h3>\n<p>O estudo \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas no Brasil:&nbsp; Import\u00e2ncia do recurso e os riscos pela falta de saneamento b\u00e1sico\u201d do Instituto Trata Brasil em parceria com o CEPAS\/USP revelou alguns dados [6]:<\/p>\n<ul>\n<li>52% dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros s\u00e3o abastecidos totalmente (36%) ou parcialmente (16%) por \u00e1guas subterr\u00e2neas<\/li>\n<li>40% dos munic\u00edpios com popula\u00e7\u00e3o menor que 10mil habitantes e 30% dos munic\u00edpios com 10 a 50 mil habitantes a \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 a \u00fanica fonte de abastecimento.<\/li>\n<li>dos 172 milh\u00f5es de brasileiros que t\u00eam acesso \u00e0 rede p\u00fablica de \u00e1gua, 30,4 milh\u00f5es (17,7%) s\u00e3o atendidos pelas \u00e1guas subterr\u00e2neas<\/li>\n<\/ul>\n<p>Conforme discutido na entrevista com John Cherry, <strong>as reservas subterr\u00e2neas contribuem para o aumento na seguran\u00e7a h\u00eddrica j\u00e1 que s\u00e3o mais resilientes a eventos de estiagem<\/strong>. Os dados abaixo foram apresentados no webinar [5] e mostram os munic\u00edpios brasileiros que informaram terem passado por crise h\u00eddrica no per\u00edodo 2013-2017 em fun\u00e7\u00e3o do tipo de manancial predominante; percebe-se que <strong>munic\u00edpios com abastecimento misto e subterr\u00e2neo foram mais resilientes \u00e0 crise h\u00eddrica<\/strong> no per\u00edodo analisado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2112 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem3-300x169.png\" alt=\"\" width=\"510\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem3-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem3-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem3.png 829w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/a>Munic\u00edpios que informaram terem passado por crise h\u00eddrica no per\u00edodo 2013-2017 por tipo de manancial de abastecimento. Fonte: [5]\n<h2>&nbsp;<\/h2>\n<h3>Qualitativos:<\/h3>\n<p>Estima-se que <strong>existam em torno de 2,5 milh\u00f5es de po\u00e7os tubulares no pa\u00eds e mais 3,3 milh\u00f5es de po\u00e7os escavados\/nascente<\/strong>s [5]. Dos po\u00e7os existentes, a maior parte n\u00e3o possui cadastro oficial junto ao poder p\u00fablico. A clandestinidade dos po\u00e7os gera um problema n\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista quantitativo \u2013 j\u00e1 que a determina\u00e7\u00e3o do volume explotado \u00e9 incerta-, mas tamb\u00e9m do ponto de vista qualitativo, pois cada po\u00e7o constru\u00eddo sem as t\u00e9cnicas adequadas pode se tornar um ponto de contamina\u00e7\u00e3o do aqu\u00edfero.<\/p>\n<p><strong>No Brasil s\u00e3o lan\u00e7ados no solo cerca de 4.329 milh\u00f5es de m\u00b3 de esgotos por ano<\/strong> [6], ocasionando contamina\u00e7\u00e3o do manancial subterr\u00e2neo. Tamb\u00e9m se destaca a contamina\u00e7\u00e3o difusa por insumos para agricultura, e a contamina\u00e7\u00e3o local, por fontes industriais. Recentemente em um munic\u00edpio da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre houve contamina\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de len\u00e7ol fre\u00e1tico por cromo VI; a orienta\u00e7\u00e3o foi n\u00e3o utilizar \u00e1gua de po\u00e7o, mas somente da rede abastecimento [7]. Por\u00e9m, como vimos anteriormente, 36% dos munic\u00edpios brasileiros s\u00e3o abastecidos somente por \u00e1gua subterr\u00e2nea \u2013 qual seria o protocolo a seguir em caso de contamina\u00e7\u00e3o? Ou, melhor ainda:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O que estamos fazendo para prevenir a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea no Brasil?<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Econ\u00f4micos:<\/h3>\n<p>Os recursos h\u00eddricos subterr\u00e2neos est\u00e3o distribu\u00eddos ao longo do territ\u00f3rio brasileiro nos dom\u00ednios granulares, fraturados e c\u00e1rsticos [8]; as reservas potenciais explot\u00e1veis, que s\u00e3o uma parcela da reserva potencial que pode ser explotada de forma sustent\u00e1vel, s\u00e3o estimadas em 14.650 m\u00b3\/s [9]. Os principais usos de \u00e1gua subterr\u00e2nea no Brasil s\u00e3o apresentados abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2113 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem4-300x217.png\" alt=\"\" width=\"489\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem4-300x217.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem4.png 518w\" sizes=\"(max-width: 489px) 100vw, 489px\" \/><\/a>Usos de \u00e1gua subterr\u00e2nea no Brasil. Fonte: [6]\n<p>Percebe-se a import\u00e2ncia da \u00e1gua subterr\u00e2nea no abastecimento e desenvolvimento econ\u00f4mico de grandes centros urbanos e em regi\u00f5es rurais, que possuem limita\u00e7\u00f5es de acesso \u00e0 rede de abastecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Como combinar o uso subterr\u00e2neo e superficial de maneira economicamente eficiente e gerando seguran\u00e7a h\u00eddrica? Como a falta de investimento de saneamento est\u00e1 impactando a qualidade das \u00e1guas subterr\u00e2neas?<\/p><\/blockquote>\n<h1>&nbsp;<\/h1>\n<h2><strong>\u00c1gua de po\u00e7o: Por que a legalidade n\u00e3o \u00e9 mais atraente?<\/strong><\/h2>\n<p>Neste webinar foram discutidas as causas e efeitos da ilegalidade dos po\u00e7os: estima-se que no Brasil 75% dos po\u00e7os existentes sejam ilegais, ou seja, n\u00e3o possuem cadastro ou outorga junto aos \u00f3rg\u00e3os oficiais [10].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>O que causa a ilegalidade dos po\u00e7os?<\/h3>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da ilegalidade de po\u00e7os no Brasil foi apontada como uma combina\u00e7\u00e3o entre a <strong>falta de<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos (a qual \u00e9 muito focada nas \u00e1guas superficiais e tem falta de vis\u00e3o integrada entre superficial e subterr\u00e2neo)<\/li>\n<li>percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia das \u00e1guas subterr\u00e2neas pela sociedade e tomadores de decis\u00e3o<\/li>\n<li>estrutura dos \u00f3rg\u00e3os de gest\u00e3o para fiscalizar os po\u00e7os e perfuradores<\/li>\n<\/ul>\n<p>Podemos ilustrar a situa\u00e7\u00e3o da ilegalidade de po\u00e7os no Brasil com o caso da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde existem em torno de 12.000 po\u00e7os privados explotando aproximadamente 11m\u00b3\/s, o que foi respons\u00e1vel por 25% da demanda h\u00eddrica durante a estiagem de 2014-15. Nesse mesmo per\u00edodo, na cidade de Recife, po\u00e7os particulares, dos quais aproximadamente 60% s\u00e3o ilegais, forneceram 34% da demanda h\u00eddrica.<\/p>\n<p>Embora os po\u00e7os tenham se tornado fundamentais no atendimento \u00e0s demandas em diversos centros urbanos, a import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica da \u00e1gua subterr\u00e2nea ainda \u00e9 subestimada. <strong>Qual ser\u00e1 o impacto econ\u00f4mico da ilegalidade desses po\u00e7os?<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>um usu\u00e1rio que tem seu pr\u00f3prio po\u00e7o (ilegal) n\u00e3o utiliza \u00e1gua da rede de abastecimento, e isso gera impacto para as empresas de fornecimento de \u00e1gua, as quais t\u00eam custos de capta\u00e7\u00e3o, tratamento, adu\u00e7\u00e3o etc.,<\/li>\n<li>um usu\u00e1rio que tem po\u00e7o ilegal n\u00e3o realiza outorga, e n\u00e3o est\u00e1 suscet\u00edvel a cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua,<\/li>\n<li>o usu\u00e1rio est\u00e1 deplecionando recursos com valor indeterminado, j\u00e1 que a \u00e1gua subterr\u00e2nea tem valor como reserva futura, reserva de seguran\u00e7a etc.,<\/li>\n<li>sem o controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada, os po\u00e7os ilegais podem ser fontes de contamina\u00e7\u00e3o para o aqu\u00edfero.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem5.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2114 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem5-300x192.png\" alt=\"\" width=\"561\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem5-300x192.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem5-768x491.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem5.png 790w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Po\u00e7o cacimba. Fonte: autor<\/p>\n<p>Abaixo s\u00e3o apresentadas os stakeholders envolvidos e os fatores que levam ao aumento na ilegalidade dos po\u00e7os. Como discutido anteriormente, \u00e9 necess\u00e1rio <strong>entendimento entre os usu\u00e1rios, \u00f3rg\u00e3os gestores e perfuradores<\/strong> para solucionar esta quest\u00e3o, a qual, se n\u00e3o for tratada com seriedade, acarretar\u00e1 problemas para os pr\u00f3prios usu\u00e1rios, agentes reguladores e perfuradores.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem6.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2115 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem6-300x201.png\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem6-300x201.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Imagem6.png 567w\" sizes=\"(max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Slide Po\u00e7o Ilegais. Fonte: [10]\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Qual \u00e9 o impacto econ\u00f4mico da ilegalidade dos po\u00e7os? Como os usu\u00e1rios, gestores e perfuradores podem colaborar para diminuir a ilegalidade dos po\u00e7os do Brasil?<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais:<\/strong><\/h2>\n<p>O 47\u00ba Congresso Mundial de \u00c1guas Subterr\u00e2neas, organizado pela ABAS, IAH e ALHSUD, trouxe especialistas do mundo inteiro para discutir quest\u00f5es relacionadas \u00e0s \u00e1guas subterr\u00e2neas. Por\u00e9m o evento foi muito al\u00e9m da \u00f3tica hidrogeol\u00f3gica t\u00e9cnica ou acad\u00eamica, conseguindo trazer discuss\u00f5es sobre a conex\u00e3o entre \u00e1guas subterr\u00e2neas e a sociedade.<\/p>\n<p>Neste post foram apresentados e discutidos alguns pontos envolvendo \u00e1guas subterr\u00e2neas e a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos. E agora, o que fazer?<\/p>\n<blockquote><p>disseminar a import\u00e2ncia da \u00e1gua subterr\u00e2nea para a sociedade, incluindo usu\u00e1rios, gestores e perfuradores<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>monitorar a quantidade e qualidade da \u00e1gua subterr\u00e2nea e divulgar os dados de maneira transparente<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>traduzir o conhecimento t\u00e9cnico em pol\u00edticas de gest\u00e3o eficientes atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os gestores e especialistas no meio f\u00edsico<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>combater a ilegalidade para a manuten\u00e7\u00e3o da quantidade e qualidade das reservas subterr\u00e2neas<\/p><\/blockquote>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o do congresso e os webinars est\u00e3o dispon\u00edveis em [11]. Assim como a pandemia for\u00e7ou a reinven\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o de eventos, n\u00f3s tamb\u00e9m temos que reinventar a maneira de enxergar, trabalhar, e principalmente, gerenciar a \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p>Quer discutir mais sobre esse assunto? Entre em contato: camilamattiuzi@gmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n[1] Entrevista com John Cherry. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Uyq-1lAHZek&amp;t=8s<\/p>\n[2] O livro est\u00e1 dispon\u00edvel para download no site do GW Project https:\/\/gw-project.org\/books\/groundwater\/<\/p>\n[3] SIWI,2020 Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.siwi.org\/latest\/groundwater-expert-dr-john-cherry-wins-2020-stockholm-water-prize\/<\/p>\n[4] International Association of Hydrogeologists \u2013 IAH. 2019. Strategic Overview Series: Climate-change adaptation and groundwater. 6p.<\/p>\n[5] \u00c1gua subterr\u00e2nea e saneamento. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=d_gvUa5O48I<\/p>\n[6] Instituto Trata Brasil http:\/\/www.tratabrasil.org.br\/estudos\/estudos-itb\/itb\/aguas-subterraneas-e-saneamento-basico<\/p>\n[7] Prefeitura Canoas. https:\/\/www.canoas.rs.gov.br\/noticias\/nota-de-esclarecimento-sobre-a-contaminacao-da-agua-do-lencol-freatico-no-bairro-niteroi\/<\/p>\n[8] CPRM. Mapa hidrogeol\u00f3gico do Brasil ao milion\u00e9simo, 2014.<\/p>\n[9] ANA. Conjuntura dos Recursos H\u00eddricos no Brasil, 2017.<\/p>\n[10] Waterwell: Why is legality not more attractive? https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gCNwVXsiSXk<\/p>\n[11] 47 IAH. https:\/\/iah2021brazil.org\/evento-online\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Camila Mattiuzi &#8211; Engenheira Ambiental, Doutoranda em Gest\u00e3o Integrada de \u00c1guas Superficiais e Subterr\u00e2neas (IPH\/UFRGS) &nbsp; Entre os dias 21 e 24 de setembro de 2020 ocorreu o 47\u00ba Congresso Mundial de \u00c1guas Subterr\u00e2neas, organizado pela ABAS, IAH e ALHSUD. O evento, previsto para ocorrer presencialmente, se adaptou \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impostas pela pandemia e<\/p><\/div>\n<div class=\"blog-btn\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2020\/10\/21\/47o-congresso-mundial-de-aguas-subterraneas-destaques-para-a-gestao-dos-recursos-hidricos\/\" class=\"home-blog-btn\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2109,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[18,20,43],"tags":[50,51],"class_list":["post-2108","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agua-subterranea","category-eventos","category-opiniao","tag-aguas-subterraneas","tag-gestao-integrada"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog.png",930,655,false],"thumbnail":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog-300x211.png",300,211,true],"medium_large":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog-768x541.png",696,490,true],"large":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog.png",696,490,false],"1536x1536":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog.png",930,655,false],"2048x2048":["https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/post_blog.png",930,655,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"Camila Mattiuzi","author_link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/author\/camilamattiuzi\/"},"uagb_comment_info":11,"uagb_excerpt":"por Camila Mattiuzi &#8211; Engenheira Ambiental, Doutoranda em Gest\u00e3o Integrada de \u00c1guas Superficiais e Subterr\u00e2neas (IPH\/UFRGS) &nbsp; Entre os dias 21 e 24 de setembro de 2020 ocorreu o 47\u00ba Congresso Mundial de \u00c1guas Subterr\u00e2neas, organizado pela ABAS, IAH e ALHSUD. 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