{"id":2686,"date":"2022-10-10T15:25:37","date_gmt":"2022-10-10T18:25:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/?p=2686"},"modified":"2022-10-10T15:25:38","modified_gmt":"2022-10-10T18:25:38","slug":"rio-grande-do-sul-e-os-recursos-hidricos-para-onde-vamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/gespla\/2022\/10\/10\/rio-grande-do-sul-e-os-recursos-hidricos-para-onde-vamos\/","title":{"rendered":"Rio Grande do Sul e os recursos h\u00eddricos &#8211; para onde vamos?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por. prof. Guilherme F. Marques, IPH\/UFRGS, coordenador GESPLA.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o per\u00edodo cr\u00edtico de estiagem, as chuvas dos \u00faltimos meses trouxeram recupera\u00e7\u00e3o nos sistemas h\u00eddricos e \u00e1gua armazenada. Para o Sistema Interligado Nacional (SIN), de um modo geral a expectativa \u00e9 de terminar o m\u00eas de outubro com 53% da capacidade m\u00e1xima de armazenamento, o que seria o 5o melhor n\u00edvel para fim de outubro desde 2000, segundo a PSR Energy Consulting and Analytics.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Para o sul do pa\u00eds, os meses de junho, julho e agosto foram acima da m\u00e9dia, o que permitiu recupera\u00e7\u00e3o no armazenamento em v\u00e1rias bacias. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que o efeito La Ni\u00f1a perdeu for\u00e7a. Apesar disso, a situa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o \u00e9 considerada confort\u00e1vel se projetada para o fim do ano, segundo informa\u00e7\u00f5es da Climatempo, uma vez que a partir de novembro a temperatura come\u00e7a a subir e a precipita\u00e7\u00e3o diminui, com o La Ni\u00f1a persistindo. J\u00e1 o calend\u00e1rio de uso da \u00e1gua da agricultura irrigada no estado indica que as capta\u00e7\u00f5es (especialmente arroz) se intensificam a partir de 10 de outubro, atingindo seu \u00e1pice no fim da 1a quinzena de dezembro, segundo o IRGA. Combinando ambas as informa\u00e7\u00f5es, a expectativa \u00e9 de um ver\u00e3o com desafios para atender \u00e0s demandas h\u00eddricas no estado.<\/p>\n<p>Pelo lado da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, verificamos avan\u00e7os que ainda esbarram na persist\u00eancia de conhecidas&nbsp; dificuldades. Por um lado o \u00f3rg\u00e3o gestor estadual &#8211; DRHS\/SEMA tem atuado de forma diligente na discuss\u00e3o de temas como a revis\u00e3o da Lei estadual, elabora\u00e7\u00e3o do Plano Estadual de Recursos H\u00eddricos, moderniza\u00e7\u00e3o do sistema de outorgas e publica\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio de diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos no estado, o que d\u00e1 transpar\u00eancia ao processo de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, comit\u00eas de bacia seguem ainda sem uma solu\u00e7\u00e3o definitiva para o apoio t\u00e9cnico-executivo necess\u00e1rio \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o e conclus\u00e3o de planos de bacia e acompanhamento da sua implementa\u00e7\u00e3o, gargalos financeiros persistem para uso de recursos do Fundo Estadual de Recursos H\u00eddricos e instrumentos importantes, como a cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua, ainda n\u00e3o foram implementados.<\/p>\n<p>Apesar das iniciativas do DRHS para aux\u00edlio aos planos, o quadro de 30 servidores n\u00e3o \u00e9 suficiente frente aos 25 comit\u00eas do estado e o apoio \u00e9 prec\u00e1rio (na avalia\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o anual do DRHS, 2021). O resultado \u00e9 que somente 9 dos 25 comit\u00eas (36%) possuem planos de bacia completos. Na avalia\u00e7\u00e3o da implementa\u00e7\u00e3o do programa de a\u00e7\u00f5es do Plano Estadual de Recursos H\u00eddricos, apenas 35% das a\u00e7\u00f5es foram implementadas e 58% das metas foram atendidas. A troca de dois diretores do&nbsp; DRHS\/SEMA&nbsp; nos \u00faltimos 12 meses \u00e9 um fato complicador e negativo, uma vez que mudan\u00e7as dessa natureza sempre trazem impacto para a continuidade de a\u00e7\u00f5es, projetos e programas j\u00e1 engatilhados.<\/p>\n<p>Em um estado que contribui com quase 12% de todo o Valor Adicionado Bruto (VAB) da agropecu\u00e1ria brasileira (2019), setor cuja depend\u00eancia da \u00e1gua em toda a cadeia produtiva \u00e9 evidente,<strong> a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos ainda n\u00e3o \u00e9 entendida pelas lideran\u00e7as pol\u00edticas no RS com um pilar para a estabilidade econ\u00f4mica do estado. <\/strong>&nbsp;<\/p>\n<p>Se consideramos que os munic\u00edpios ga\u00fachos com menos de 10 mil habitantes s\u00e3o respons\u00e1veis por 47% do VAB Agropecu\u00e1rio do Estado (R$ 17 bilh\u00f5es), verificamos que o impacto n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m social. Pequenos munic\u00edpios tendem a ser mais vulner\u00e1veis a impactos dessa natureza, especialmente quando uma parte significativa da sua economia depende do setor agropecu\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>Mas qual \u00e9 a consequ\u00eancia dessa vis\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>A \u00faltima estiagem em 2020\/2021 j\u00e1 produziu um impacto ao produtores do RS que chega a R$36,14 bilh\u00f5es, segundo a Federa\u00e7\u00e3o das Cooperativas Agropecu\u00e1rias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro\/RS), com uma varia\u00e7\u00e3o na produtividade de gr\u00e3os de -36,3% em 2022, comparado com o ano anterior. Considerando o efeito \u201cdomin\u00f3\u201d nas cadeias produtivas fora das propriedades rurais, apenas as perdas em soja e milho podem chegar a R$115,67 bilh\u00f5es. Segundo a Defesa Civil do RS, em 2021\/2022 foram contabilizados 417 munic\u00edpios com situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia reconhecida pela Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Resultados como esses mostram que ainda precisamos avan\u00e7ar em nossa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e resposta aos eventos de estiagem, e a Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos \u00e9 um componente importante para essa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vamos ficar livres das estiagens, pois estas fazem parte da variabilidade natural do tempo, mas podemos evitar que estiagens se transformem em crises h\u00eddricas, energ\u00e9ticas e econ\u00f4micas, melhorando a nossa capacidade de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto melhor a nossa Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos, melhor a nossa capacidade de avaliar os riscos para os setores produtivos, identificar a\u00e7\u00f5es para mitigar esses riscos e implementar essas a\u00e7\u00f5es. Isso inclui desde o melhor monitoramento, alerta e resposta contra secas (planos de conting\u00eancia de seca) quanto melhores estrat\u00e9gias para aumentar a efici\u00eancia no uso da \u00e1gua e ampliar\/otimizar a infraestrutura h\u00eddrica existente. <strong>Toda a estrat\u00e9gia definida pelo RS em suas pol\u00edticas agr\u00edcola, econ\u00f4mica e energ\u00e9tica deve ter em sua base uma gest\u00e3o s\u00f3lida de Recursos H\u00eddricos.<\/strong><\/p>\n<p><em>O que estamos esperando?<\/em><\/p>\n<p>Mensagens para casa:<\/p>\n<ul>\n<li>Quanto mais dependente \u00e9 a economia de um estado da \u00e1gua, como \u00e9 o caso do RS, mais importante \u00e9 a Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos.<\/li>\n<li>Melhor Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos = menores riscos para o setor produtivo = menores perdas durante estiagens = menores chances de crises h\u00eddricas<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para saber mais:<\/p>\n<ul>\n<li>https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/12nM4yzp5cknTjw6uqX7jQGrxyuzP7m0a\/view<\/li>\n<li>https:\/\/atlassocioeconomico.rs.gov.br\/vab-da-agropecuaria<\/li>\n<li>https:\/\/docs.google.com\/spreadsheets\/d\/1Ckk6-QxXIpoFyUgvdVHJ5yI0Gqq0jGBe4yAZyffF8Zo\/edit#gid=650650859<\/li>\n<\/ul>\n<p>Cr\u00e9dito imagem de destaque: Diego Vara\/Reuters<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por. prof. 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