Fase II – 2016-2019

Esta fase da pesquisa em rede durou quatro anos (2016-2019) e congregou grupos de pesquisa de quatro países: Brasil, Argentina, Portugal e França. Essa etapa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Ministério da Educação do Brasil. A pesquisa teve como questão a formação no interior dos processos de criação e foi intitulada como Estudos da presença: práticas (per) formativas na formação em Artes Cênicas. Nesta segunda etapa, investigou-se a formação em Artes Cênicas, no interior dos processos criativos, por intermédio do estabelecimento de um banco de dados formado por protocolos de procedimentos em teatro, dança, performance, manifestações populares etc. A produção de dados e sua análise foi realizada de maneira coletiva. A questão central foi a seguinte: como os processos de criação podem circunscrever processos formativos desde o seu interior, não estabelecendo em relação a estes últimos uma decalagem temporal ou espacial? A questão, de fato, tem implicações múltiplas nos diferentes contextos artísticos dos países envolvidos. Ela aduz a problemas concernentes aos currículos, à formação artística, à profissionalização de artistas da cena e de professores de Artes Cênicas, além de um conjunto significativo de problemas correlatos. Por formação, tomou-se um conjunto bastante amplo de processos. Pesquisar a formação no interior do processo criativo pôs em prática, uma série de possibilidades muito diversas, porquanto a diversidade de contextos escolares, universitários e artísticos dos quatro países envolvidos. Assim, tratar-se-ia de saber acerca do processo que engendra essa ética própria da prática teatral e da prática em dança, essa criação de si, no sentido de um modo ético e estético de formulação de si mesmo. De maneiras heterogêneas, a pesquisa mostra que, no interior da criação, existe uma dimensão pedagógica. Isso não se diferencia da ideia de que o espaço de formação é pensado como um espaço de criação. Assim, configura-se a intrincada tarefa de compreender a diferença entre a formação e a criação. Então, a dimensão pedagógica da criação é uma espécie de compreensão de que, em Artes Cênicas, formamos no interior dos processos de criação, uma vez que não apenas transformamos a matéria sobre a qual criamos, mas, irrefutavelmente, transformamo-nos ao criar. Os resultados foram publicados no livro “Formação e Processos de Criação: pesquisa, pedagogia e práticas performativas”.