IV Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação

De 29 de setembro a 2 de outubro de 2020 | Modo remoto

Submissão de resumos e inscrição de ouvintes até 7 de setembro em:
https://www1.ufrgs.br/extensao/inscricoes/ins_inscricao.php

O Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação – GPESC realiza sua quarta jornada de estudos colocando em debate a Comunicação e a Semiótica desde suas perspectivas culturais, estruturais e pragmáticas. O evento ocorrerá entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro de modo totalmente remoto.

Pessoas interessadas em apresentar trabalhos e/ou participar como ouvintes têm até o dia 7 de setembro para efetuar sua inscrição e submeter o resumo. A apresentação de trabalhos é aberta a alunas e alunos de pós-graduação e bolsistas de iniciação científica do GPESC. A inscrição como ouvinte está disponível para toda a comunidade.

INSCRIÇÕES

Apresentação de trabalho e/ou ouvinte*: até 7 de setembro em: https://www1.ufrgs.br/extensao/inscricoes/ins_verifica_acao.php?codacao=43248

*Confirmação sujeita a disponibilidade da plataforma de webconferência.

Para apresentação de trabalhos, utilizar o template disponível clicando aqui (resumo expandido de até 2500 caracteres).

Para mais informações, entre em contato através do gpsemiotica@gmail.com

REVISTA SEMEIOSIS: Nova edição Dossiê Semiótica da Comunicação

Com prazer que comunicamos a publicação do novo número da Revista Semeiosis que, nesta edição, apresenta o Dossiê Semiótica da Comunicação organizado por Alexandre Rocha da Silva (UFRGS) e Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa (UFRB).

O dossiê é uma parceria da Revista Semeiosis com um coletivo de pesquisadores que organizam anualmente a Jornada dos Grupos de Pesquisa em Semiótica registrados no CNPq. Já em sua 5ª edição, a Jornada constitui-se em espaço para troca de ideias, revisão crítica das teorias semióticas e diálogo com diferentes campos do conhecimento.

As teorias semióticas de diferentes vertentes estão presentes aqui na abordagem das cidades, do cinema, do humor, do jornalismo, dos ambientes digitais e dos estudos de gêneros e sexualidades desde as perspectivas do discurso, da enunciação, da midiatização, da crítica pós-estruturalista e da política.

Visitem nossa página www.semeiosis.com.br para acessar os textos publicados nesta última edição.

Desejamos boa leitura a tod@s.

Apresentação – A pesquisa em semiótica no Brasil
Regiane Miranda de Oliveira Nakagawa, Alexandre Rocha da Silva

Dimensões semióticas da cidade: urbanidade, representações diagramáticas e complexidade
Grupo de Pesquisa Design, Espaço e Mediação

A aventura crítica da semiótica
GPESC – Grupo de pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação

A semiótica entre a comunicação e a política
ESPACC – Grupo de Pesquisa Espaço-Visualidade/ Comunicação-Cultura

A semiose nos estudos semióticos
Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação da Bahia (GPESC – BA) 

Mediatização e enunciação: operadores para a análise da circulação do discurso jornalístico
CEPAD – Centro de Estudo e Pesquisa em Análise do Discurso e Mídia

O ator protagonista como porta voz da produção cinematográfica na retórica jornalística
Grupo de Estudos sobre Jornalismo Cultural

Semioses afetivas do timbre: formulação teórica para uma análise de sonoridades do rock independente brasileiro
Grupo de Pesquisa Sonoridades, Imagem, Materialidades da Comunicação e Cultura

Visibilidade, reconhecimento e construção de identidades coletivas nas redes: Uma análise do canal do YouTube de Lorelay Fox
CIEP – Centro Internacional de Estudos Peirceanos

Por uma semiótica da transgressão e da censura na arte
Fabio Pezzi Parode, Maximiliano Zapata

Chamada de artigos para o Simpósio Flusser 100 Anos – GP Teorias da Comunicação INTERCOM 2020

Convidamos todos a submeterem trabalhos para o GP Teorias da Comunicação, nas nossas sessões livres, ou para o simpósio temático deste ano, cuja chamada segue abaixo:

Simpósio temático do GP Teorias da Comunicação da Intercom: Flusser 100 Anos

O filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser é autor de uma obra que abrange diversas áreas, da Literatura ao Design. Contudo, é por suas teorias sobre a pós-história, as imagens técnicas e seu modelo que coloca a Comunicação no centro das atividades humanas, que Flusser é mais conhecido. Em diversos campos do conhecimento, Flusser é considerado um visionário, o que faz com que sua obra possa ser compreendida mais facilmente hoje do que em sua época. Perspicaz em relação a um mundo altamente midiatizado, Flusser cunhou conceitos como “caixa preta”, “aparelho”, “codificação”, “imagem-técnica” e “ficção filosófica”, tornando-se um autor essencial para pensar o século XXI. Juntando-se às comemorações do centenário do autor, o GP Teorias da Comunicação encoraja submissões relacionadas, mas não limitadas, aos seguintes temas:

• Imagens técnicas e/nas Teorias da Comunicação
• Pós-História, historicidade e temporalidades das/nas Teorias da Comunicação
• O pensamento por imagens como Teoria
• Escrita ensaística e especulativa como (meta-)teoria
• A ficção filosófica e as novas epistemologias da comunicação
• Relação ontológica entre a imagem técnica e a forma do pensar
• Comunicologia como crítica da cultura
• Abordagem culturalista dos problemas comunicacionais
• Relações e oposições entre Natureza e Cultura
• Relações e oposições entre Diálogo e Discurso
• Perspectivas dialógicas para a Comunicação
• Os gestos como dispositivos comunicacionais
• Relação entre língua e realidade
• Linguagem como a criação de mundos possíveis
• Tradução como um problema comunicacional
• Conceito e preconceito
• A mídia como articuladora do senso de realidade
• História das mídias conforme Vilém Flusser
• A biografia única de Flusser
• Migração, expatriação e o estrangeiro

Além disso, o GP receberá trabalhos para sessões livres sobre aspectos teóricos, epistemológicos e metodológicos da comunicação, conforme a ementa do grupo:

Ementa
O GP se propõe analisar a Comunicação a partir das várias correntes teóricas e suas perspectivas metodológicas e epistemológicas. Trata-se de pensar o processo, o campo teórico, o objeto, o estatuto disciplinar do saber comunicacional e demais contribuições voltadas para a formação de um amplo panorama de conhecimentos necessários à sua fundamentação. Para tanto, o GP acolhe resultados de pesquisas teóricas, epistemológicas, metodológicas e empíricas que tenham como cerne as discussões concernentes às teorias da comunicação.
Palavras-chave: teoria da comunicação; epistemologia; processo de comunicação; campo da comunicação.

O prazo para submissão é 12/10/2020.

O Congresso ocorrerá de forma on-line entre os dias 1º a 10 de dezembro, com o apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Saiba mais sobre o GP Teorias da Comunicação aqui: http://www.portalintercom.org.br/eventos1/gps1/gp-teorias-da-comunicacao

Semiótica Revista – Edição Bruno Leites

Semiótica Revista – Edição com os artigos publicados em periódicos pelo pesquisador Bruno Leites

LEITES, B.. O naturalismo e suas dispersões em filmes brasileiros dos anos 2000. InTexto, v. 49, p. 173-195, 2020.

O naturalismo literário é uma estética frequentemente repelida quando se trata de pesquisar naturalismo e realismo no cinema. Neste trabalho, faço uma abordagem alternativa, recuperando as suas principais características para compreender uma onda de filmes brasileiros dos anos 2000. Ao longo da década, uma série de filmes atualizou essas características, dentre as quais destaco o objetivo de fazer estudos de realidades periféricas esgotadas pela crise de modelos de civilização; a procura por doenças profundamente impregnadas nessas regiões; a recorrência do elemento trágico, da entropia e/ou da pulsão de morte; uma estética de excessos, com crueldade, sensação e sensacionalismo. Essas características reúnem-se em filmes naturalistas, mas se dispersam ao longo da década, mostrando que as premissas naturalistas deixaram de ser atrativas como projeto estético e político com o passar dos anos. Finalmente, reitero a pertinência e a necessidade de colocar o problema da imagem e do naturalismo para além da submissão extrema e caricata ao paradigma da transparência.

 

LEITES, B.; BAGGIO, E. ; CARVALHO, M. . Fazer a teoria do cinema a partir de cineastas – entrevista com Manuela Penafria. InTexto, p. 6-21, 2020.

Nesta entrevista, a pesquisadora e professora Manuela Penafria (Universidade da Beira Interior, Portugal) expõe o cenário atual da abordagem Teoria dos Cineastas, destacando a pertinência de renovar a teoria do cinema a partir do pensamento expresso nas imagens, nos sons e nas palavras de cineastas. Penafria discute uma série de temas relevantes à pesquisa e à teorização em cinema, tais como: as fontes de pesquisa; a diferença entre a palavra e a imagem na Teoria dos Cineastas; a relação da Teoria dos Cineastas com a pesquisa de Jacques Aumont sobre as teorias dos cineastas; o conceito de espectador que circula entre cineastas; e a suspeição que pode surgir no meio acadêmico com relação à Teoria dos Cineastas.

 

LEITES, BRUNO. Deleuze and the Work of Death: A Study from the Impulse-Images. Deleuze and Guattari Studies, v. 14, p. 229-254, 2020.

Ao formular o conceito de imagem-impulso, Deleuze nunca se cansa de afirmar que essas imagens estão saturadas de morte e obcecadas pela degradação. Eles estão em uma curiosa interseção na taxonomia das imagens, um espaço constitutivamente intermediário: eles são formalmente inseridos entre imagem-afeto e imagem-ação em The Movement-Image, mas produza uma passagem direta para a imagem temporal. No entanto, eles não alcançam a imagem do tempo devido à obsessão pelos efeitos negativos do tempo. Este artigo apresenta o conceito de imagem-impulso na obra de Deleuze sobre o impulso e o instinto de morte, em seus textos fundamentais das décadas de 1960 e 1970, incluindo sua colaboração com Félix Guattari. O instinto de morte no final da década de 1960 foi um princípio transcendental que adquiriu a forma do infundado ou do acúmulo essencial para a produção da diferença. É nesse momento que Deleuze publica Zola e o Crack-up, um ensaio embrionário para o que mais tarde se tornaria a imagem de impulso. Nos anos 1970, Deleuze, juntamente com Guattari, lutou contra a necessidade de incluir uma força infundada no molde do instinto de morte. Falando em cinema na década de 1980, quando ele volta ao tema do impulso, encontramos características dos dois períodos anteriores, especialmente a estrutura concebida na década de 1960 (a incidência dos infundados como força transcendental da desarticulação), associada à crítica. da década de 1970 (uma necessidade de superar o canto da morte para alcançar o tempo e o desejo). No entanto, Deleuze agora se destaca, reconhecendo uma imagem naturalista e admirando uma prática da sintomatologia, mas salientando que sua própria compreensão do mundo não está nela. Com as imagens de impulso, Deleuze também desempenha um papel relevante nos estudos do naturalismo cinematográfico,

 

MITIE, Débora ; LEITES, B. . Ficção seriada: binge watching e estrutura narrativa em Stranger Things e Twin Peaks. Orson – Revista dos Cursos de Cinema do Cearte UFPEL, v. 2017, p. 84-107, 2017.

Para entender o fenômeno binge watching através da perspectiva da estrutura narrativa, o presente artigo propõe a análise comparativa das séries Stranger Things (2016) e Twin Peaks (1990), uma vez que foram pensadas para tipos diferentes de exibição, mas que possuem similaridades. Usando conceitos de Sonia Rodrigues, Pamela Douglas e Renata Pallotini acerca de elementos narrativos, o propósito deste trabalho é entender como a segmentação de arcos A, B e C, a organização das etapas narrativas, a divisão em atos e a forma com que os ganchos são usados influenciam no modo de assistir uma série.

 

HUYER, G. J. ; LEITES, B.P. ; SILVA, A. R. . O flashback e a narrativa não-linear subjetiva em Following (de Christopher Nolan). REVISTA IMAGOFAGIA, v. 16, p. 190-215, 2017.

O presente artigo investiga o conceito da narrativa não linear subjetiva no cinema, tal qual identificado a partir dos estudos de autores como Elsaesser (2009), Eig (2003) e Panek (2006), que dissertaram sobre um grupo de filmes que investem em um modo específico de conceber narrativas não lineares de caráter subjetivo ao organizarem sua não linearidade de acordo com a situação mental de seus personagens. Tendo como foco os modos de utilização do flashback nesse contexto, foi escolhido o filme Following (Christopher Nolan, 1998), como objeto de análise, uma vez que ocorre nesta obra uma grande predominância de flashbacks empregados segundo as prerrogativas do modelo de narrativa não linear subjetiva.

 

LEITES, B.P.. Eisenstein contemporain : entretien avec Antonio Somaini. In Texto (UFRGS. Online), p. 4, 2016.

Entrevista com Antonio Somaini sobre os filmes, os textos e os desenhos de Sergei Eisenstein. Somaini é atualmente um dos grandes especialistas em Eisenstein. Nesta entrevista, conversamos sobre variados assuntos: o desafio de traduzir as obras de Eisenstein; as fases da carreira; o desenvolvimento do pensamento; a relação dos filmes com os textos; a paixão pelos desenhos de Walt Disney; e a prática do desenho pelo próprio Eisenstein. Trata-se de uma longa entrevista onde falamos também de alguns dos principais conceitos de Eisenstein, tais como êxtase, pathos, organicidade, atração, regressão e plasmaticidade. Somaini esclarece, ainda, a especificidade do seu trabalho e a urgência de voltarmos a Eisenstein. De um lado, é preciso retirá-lo da posição exclusiva que ocupa na história do cinema e inseri-lo na rede mais vasta das artes e do pensamento dos anos 1920, 1930 e 1940. De outro, é preciso pensar seu projeto como essencialmente contemporâneo. Como nos diz Somaini, isto que pensamos bastante atualmente, o dispositivo cinematográfico, a relação entre o cinema e a história da arte, a influência das imagens na experiência humana, todas essas questões sempre foram o problema central em Eisenstein.

 

LEITES, B.P.. Sair de si mesmo ? imagens extáticas no cinema brasileiro do início dos anos 2000. Orson Revista dos Cursos de Cinema do Cearte/UFPEL, v. 10, p. 9-19, 2016.

Este trabalho analisa a aparição de imagens extáticas no cinema brasileiro do início anos 2000. Êxtase, na obra de Sergei Eisenstein, refere-se a “sair de si mesmo” e pode adquirir uma ampla gama de utilizações estéticas e políticas. No que tange ao presente trabalho, serão analisadas imagens extáticas em Cronicamente inviável (Sérgio Bianchi, 2000) e Amarelo Manga (Cláudio Assis, 2003). O objetivo é mostrar suas singularidades e diferenças, mas realçar também um projeto partilhado. As aparições extáticas, nesse contexto, tendem a ser o resultado de uma impotência, de uma impossibilidade de agir.

 

SILVA, ALEXANDRE ROCHA DA ; LEITES, BRUNO BUENO PINTO . A estética do cine-olho nas imagens em protestos. Revista FAMECOS (Online), v. 24, p. 24443, 2016.

Este trabalho introduz uma proposta para análise de imagens feitas em fluxos de protestos. Para tanto, (1) retoma o conceito de estética proposto por Jacques Rancière; (2) revisita as teses de Dziga Vertov sobre o cine-olho, para seguir um antigo sonho das imagens – confundir-se com a matéria dos acontecimentos; (3) analisa imagens produzidas nos protestos de 2013 no Brasil, destacando, entre outros elementos, as deformações. Deste modo, é possível indicar uma rede de agenciamentos estético-políticos que essas imagens vêm fomentar, rede esta que implica um apagamento da distinção entre acontecimento e imagem e que ecoa os modos contemporâneos de organização coletiva que se pretendem a-centrados.

 

LEITES, B.P.. Imagens-pulsão: incidência e pertinência para compreender o cinema brasileiro dos anos 2000. REVISTA CIENTÍFICA/FAP (CURITIBA. IMPRESSO), v. 12, p. 137-164, 2015.

Este artigo é parte de uma pesquisa que visa compreender a incidência das imagens-pulsão no cinema brasileiro dos anos 2000 e defender a pertinência do conceito para analisar essa cinematografia. Segundo Gilles Deleuze, as imagenspulsão são caracterizadas por uma obsessão pela perversão, pelo fetichismo, pela degradação do corpo e pela temporalidade entrópica. Isso ocorre porque a pulsão é compreendida no conceito de Deleuze como a expressão de um fundamental Instinto de Morte. Filmes de Cláudio Assis, “Amarelo Manga” (2003) e “Baixio das Bestas” (2006), descrevem uma série de perversões e o processo de tornar-se animal, que é entendido em termos de degradação. “Cronicamente Inviável” (2000), de Sérgio Bianchi, produz uma temporalidade entrópica na imagem por meio do uso de repetições. Nós compreendemos que, depois de um período de grande incidência, como nos exemplos citados, o cinema brasileiro afastou-se dessa tendência, num processo materializado, por exemplo, em “Crime Delicado” (2005), de Beto Brant.

 

LEITES, B.P.; SILVA, A. R. . Roberto De Gaetano: impulse-images and the cinema between the forms and the forces. In Texto (UFRGS. Online), v. 0, p. 4, 2015.

Desde o início dos anos 1990, Roberto de Gaetano trabalha acerca da relação entre cinema, estética e filosofia. Nesta entrevista, ele fala sobre as imagens-pulsão, um conceito da taxonomia de Gilles Deleuze que permaneceu de alguma forma “marginal”, mesmo sendo potente para compreender um amplo grupo de problemas, como o corpo da imagem, a inscrição de uma pulsão de morte no cinema e a concepção de mundos no ato de sua própria destruição. Nós também tivemos a oportunidade de conversar sobre os trabalhos mais recentes de De Gaetano e a diferença que ele estabelece entre o cinema das formas e o cinema das forças.

 

LEITES, B.P.; SILVA, A. R. ; LUZ, G. . O estatuto da imagem-pulsão em Cronicamente Inviável e Amarelo Manga. Fractal: Revista de Psicologia, v. 26, p. 629-644, 2014.

Este artigo retoma o debate inaugurado por Gilles Deleuze sobre a imagem-pulsão e avalia como tais imagens se fazem presentes no cinema brasileiro contemporâneo. O trabalho recua até Sigmund Freud para explicitar o conceito de pulsão e até Herbert Marcuse para pensar o engajamento das pulsões nas relações socioculturais. Neste percurso, descreve-se uma nova forma de pensamento no cinema a partir do conceito. No contexto do cinema brasileiro, identificou-se que não há um filme constituído unicamente por imagens-pulsão, em lugar disso, elas se encontram dispersas em cenas de diferentes filmes, desempenhando funções diversas nas relações entre mundos originários e derivados.

 

LEITES, B.P.; BENTZ, I. . A violência nominativa em Tropa de Elite. Semeiosis: Semiótica e transdisciplinaridade em revista, v. 6, p. 1-13, 2013.

Como as imagens de cinema relacionam-se com a violência que tematizam? Um dos desafios desta questão reside na larga diferença entre as diversas acepções de violência. Neste artigo, articulamos conceitos de violência que são produtivos para analisar a questão e observamos uma relação específica de imagem e violência, produzida por um cinema que pretende falar e dar nomes. É o caso do filme Tropa de Elite. A análise que empreendemos não se apega à ideologia do filme, mas ao conceito de violência que o filme produz e ao modo com que se insere na violência urbana que tematiza. Este cinema mostra a íntima relação entre a violência e o gesto de dar nomes e pretende agir no universo da violência urbana inserindo-se nas disputas de nominação.

 

LEITES, B.P.. Aproximação e afastamento: a relação entre protagonismo e ambiência na imagem-ação brasileira contemporânea. Em Questão, v. 18, p. 199-213, 2012.

A violência no cinema brasileiro contemporâneo é tema recorrente e tem ensejado a concepção de diferenciadas imagens violência. A mais constante delas é a violência como imagemação. Neste artigo analiso padrões em três filmes que concebem imagens-ação, para compreender sua estrutura básica. Observo que os filmes são concebidos sobre a polaridade de dois planos, protagonismo e ambiência. Os filmes fazem questão de delimitar claramente a distinção entre os planos e explorar o conflito entre eles como forma de gerar tensionamento na imagem. Analiso a relação entre os planos mencionados e proponho que entre eles há uma lógica de aproximação e afastamento. Observo, ainda, que o desfecho desta lógica ocorre pelo fortalecimento da separação entre os planos e a opção pelos finais em trânsito, que apenas parcialmente resolvem os conflitos na imagem. 

 

LEITES, B.P.; BENTZ, I. . Produção cinematográfica brasileira: o design estratégico para formulação de projetos competitivos. Strategic Design Research Journal, v. 5, p. 107, 2012.

Este trabalho tem como principal objetivo discutir os modos de financiamento do cinema brasileiro, os quais são afetados pela confluência de padrões econômicos de natureza estético-produtiva e tecno-estéticos populares. Dessa confluência decorre a tensão, de um lado produzida pela expressão das preferências populares identitárias e, de outro, pelos interesses dos agentes que financiam a produção. Com foco no chamado Cinema Novo dos anos 60, são trazidos dados de contexto e reflexões que devem nortear a compreensão da realidade atual da produção cinematográfica brasileira, ambiente marcado pela pluralidade de agentes que atuam no processo de produção desde sua fase de concepção à comercialização. Propõe-se que projetos inovadores orientados pelo design estratégico traçem cenários que contemplem as duas forças que se contrapõem, de tal sorte que esse segmento da economia se mantenha competitivo no espaço contemporâneo de desenvolvimento da indústria do entretenimento. 

 

 

 

Ficha de leitura: Abraham Moles. Notes pour une typologie des événements.

MOLES, Abraham. Notes pour une typologie des événements. Communications, 18, 1972, pp. 90-96.
(Tradução nossa)

 

Moles – Notas para uma tipologia dos acontecimentos

“os acontecimentos se opõem às ações. Neste sentido, o acontecimento é uma mensagem
recebida que se opõe a um ato emitido”

Moles pensa aqui na “conotação de Osgood:”
“I. Avaliação (bom, mau)
II. Grandeza (grande, pequeno)
III. Atividade (ativo-passivo)”

“Um acontecimento é um ‘fenômeno’, ou seja, qualquer coisa que aparece ao indivíduo”
“O crescimento da costa da Islândia de um centímetro por século acima do mar não é um
acontecimento […].” Ao contrário, um tiro de revólver diante de mim e “o estouro de uma
revolução” o são.
“o acontecimento tem por característica ser surpreendente, ele imprevisível ou, em todo caso, imprevisto.”
“Como nota Morin, ele foi expulso das ciências”

“É uma fenomenologia dos acontecimentos que fornecerá uma tipologia do acontecimento” (p. 90)

“distinguimos:
– os microacontecimentos que advém à consciência mas se apagam na memória imediata
seguindo as leis dela;
– os miniacontecimentos, que são retidos durante um intervalo variável, mas sempre limitados na duração da vida do ser: um dia, um mês, um ano;
– os acontecimentos propriamente ditos, memorizados por aqueles mesmos que dele
participaram, ou que lhe foram testemunhas;
– os grandes acontecimentos enfim, históricos, que foram inscritos nos arquivos sociais de qualquer espécie que sejam, agência fotográfica, agência de notícias, jornais, livros de históra, e geralmente datados em uma cronologia universal qualquer.” (p. 90)

“certos eventos passarão do privado ao social segundo regras do notável ainda por definir” (p. 90)
“os jornalistas ou emissários do social […] tem um papel considerável na definição do que chamamos de acontecimento” (p. 90)
“O acontecimento tomado como documento se torna uma notícia que se insere no ciclo cultural, perde seu caráter acontecimental e se transforma em material para historiadores e jornalistas.” (p. 95)

“a massa de um acontecimento […] como o produto do número de pessoas que são por ele afetadas em sua esfera pessoal pelo grau de afetação por que passam” (p. 90)
“o acontecimento tem caráter imprevisível e será legítimo mensurá-lo, entre outros, por seu grau de imprevisibilidade” (p. 90)

“Outras dimensões serão, por exemplo, o grau de implicação” de uma pessoa em um
acontecimento, e a “taxa de intricação do acontecimento” a uma “cadeia causal lógica ou
administrativa” (p. 91)

“Não é senão por abuso de linguagem que qualificamos de ‘acontecimentos’ as manifestações repetitivas e cujo período de repetição é conhecido e memorizável” (p. 92)

“O acontecimento se banalisa na cultura. De devir da sociedade, ele se transforma em
fenômeno cultural integrado nas categorias preparadas previamente que permitem sua recuperação” (p. 95)

“uma grandeza específica de um conjunto de acontecimentos é a entropia, ou, mais
simplesmente, a complexidade da sequência de acontecimentos observados” (p. 92-93)

“uma quantidade global de surpresa que seria o produto ponderado de um coeficiente de
novidade […] pela complexidade unitária […] seria uma grandeza importante da análise
métrica da vida cotidiana” (p. 93)

“uma nova forma de sociometria ou de medida dos fenômenos sociais, baseada na relação homem-acontecimento, isto é, na interação entre a mudança externa e a concha pessoal do ser humano.” (p. 93)

“A análise precedente situa, pois, duas dimensões pertinentes das ligações entre o homem e o ambiente, uma que é a relação entre acontecimentos e documentos baseada no critério do notável, a outra, que é a ligação entre o privado e o público, entre a esfera pessoal e o universo social”

“Os acontecimentos, por definição imprevisíveis e imprevistos, são portanto o equivalente de uma imaginação social, a fonte de renovação permanente da sociedade” (p. 94)
“Os acontecimentos […] aparecem como o ruído perturbador do plano inteligível proposto pelo futurologista”

“A sociedade se transforma pois em um sistema social no qual a participação no
acontecimento e sempre negativa se ela não está contida a priori em certos limites. Os únicos acontecimentos que aceitamos são os happenings, e é o problema do agitador social saber até onde ele pode conduzir um happening.

Edição Nísia Martins do Rosário

 Semiótica Revista – Edição com os artigos publicados em periódico por Nísia Martins do Rosário

Semioses em crise: problematizações entre a Semiótica da Cultura e o Perspectivismo ameríndio. 

ROSÁRIO, NÍSIA MARTINS; MACHADO, Ricardo de Jesus . REVISTA FRONTEIRAS (ONLINE), v. 21, p. 92-101, 2019.

O objetivo deste artigo é dar início a uma problematização sobre as interrelações possíveis entre a Semiótica da Cultura (russa) e o Perspectivismo Ameríndio com vistas a compor chaves de interpretação de dinâmicas interculturais de sociedades que não se enquadram à cultura ocidental hegemônica. Busca-se interpelar a compreensão dos processos de comunicação com vistas às semioses a partir de reflexões sobre o tema da antropofagia/canibalismo na cultura dos povos da floresta. Desde já entendemos que é preciso haver um considerável deslocamento para a compreensão das semioses, dos processos de significação, do entendimento das linguagens, da organização dos códigos e do pensamento de uma cultura ameríndia, tendo em vista a reflexão sobre um ambiente extracultural em relação a cultura em que se inserem os pesquisadores. O argumento desse texto se encaminha para defender o fato de que há uma construção semiótica coerente e diferenciada que pode ser estudada nas construções de semioses dos corpos nas culturas indígenas brasileiras e que aqui denominamos semiofagia – um misto de semiótica e antropofagia que ganha força pelo perspectivismo ameríndio.

O paradoxo publicitário na televisão brasileira: atualizando dissidência de gênero num mundo uniforme. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do; COCA, Adriana Pierre . Eikon – journal on semiotcs and culture, v. 1, p. 07-19, 2018.

O texto problematiza um modelo de corpo como e-lemento fundante da publicidade televisual na relação com a alteridade, tendo como perspectiva teórica a semiótica da cultura. Busca-se problematizar as hegemonias midiáticas que se constituem pelos sistemas modelizantes operadores da publicidade. O tensionamento dos códigos da publicidade pela via do corpo é parte relevante do artigo, considerando os modos de articulação das linguagens – do corpo e da publicidade – para a constituição de uma diversidade de gênero organizadora de uma tendência dos textos publicitários de televisão. Para tanto, elegemos como objeto de análise quatro peças publicitárias relativas a campanha do Dia dos Namorados de 2015 e 2017 que consideramos que provocam rupturas de sentidos na publicidade televisual hegemônica e distanciam-se do centro da semiosfera. As irregularidades apresentadas nessas peças referem-se principalmente a relações homossexuais.

Mídias sociais e produção de subjetividades: subversões de pessoas não-binárias através do Twitter. 

SOMARIVA, M. ; TOMAZETTI, T. P. ; ROSÁRIO, NÍSIA MARTINS . Chasqui – Revista Latinoamericana de comunicación, v. 138, p. 333-352, 2018.

Neste artigo investigam-se os processos de criação de subjetividade, singularização e subversão engendrados quando da utilização, por parte de pessoas autodeclaradas não-binárias, da hashtag #whatgenderqueerlookslike no Twitter. Através da articulação entre estudos sobre as mídias, estudos queer e teorizações de Deleuze e Guattari acerca da subjetividade, observa-se que houve uma apropriação empoderadora da rede social por parte dos sujeitos não-binários, que puderam manifestar através da internet seus engendramentos rizomáticos de subjetividade e singularização, bem como subversões, no âmbito da performatividade, que provocam tensionamentos nos padrões sociais definidores da relação linear entre sexo/gênero/desejo. 

A cartografia como um mapa movente para a pesquisa em comunicação. 

ROSÁRIO, NÍSIA MARTINS; COCA, Adriana Pierre . COMUNICAÇÃO & INOVAÇÃO (ONLINE), v. 19, p. 34-48, 2018.

Nesta reflexão, colocamos em discussão os pressupostos basilares da perspectiva cartográfica (Deleuze e Guattari, 1995), percorrendo as variações da atenção sugeridas por Kastrup (2007, 2008) e sinalizando o quanto essa metodologia de pesquisa pode nos auxiliares em processos de investigação, incluindo os estudos no campo da comunicação. Mais do que isso, ela prima pela construção de um percurso movente que se diferencia de pesquisador para pesquisador e, também, encaminha e torna particular cada abordagem.

Cartografias de processos político-midiáticos e espetáculo: sujeitos midiáticos e suas adaptações ao ambiente político. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do; ALMEIDA, G. F. . RUMORES (USP), v. 11, p. 251-268, 2017.

O objetivo deste artigo é investigar os processos midiáticos de três sujeitos no campo político, Tiririca (o palhaço), Jean Wyllys (o ex-BBB) e Romário (o boleiro), percebendo como desempenharam um papel na Câmara dos Deputados e no Senado enquanto indivíduos com projeção midiática anterior, a partir do estudo da noção de espetáculo e suas relações com as dinâmicas política e midiática. Para tanto, teremos como base os estudos de Debord (2013), Negrini e Augusti (2013) e Weber (2011). Nesse momento, traz-se à discussão metodológica uma perspectiva cartográfica atualizada por Kastrup (2009). Faz-se a análise do material midiático, especialmente o audiovisual, de sujeitos midiatizados enquanto celebridades que transferiram sua visibilidade para a esfera política. É possível perceber que Tiririca, Jean Wyllys e Romário se adaptaram ao ambiente político de forma gradual, conciliando as dinâmicas midiáticas com seus repertórios de celebridades.

Significat i sentit de la publicitat televisiva brasilera: com despertar l?esperit crític de l?educació en la comunicació.

ROSÁRIO, Nísia Martins do; AGUIAR, L. ; COCA, Adriana Pierre .  Temps d’Educació, v. 53, p. 79-92, 2017.

El propòsit daquest article és discutir la crítica educacional en comunicació i reflexionar sobre la transgressió de la lògica moral que conforma certs llenguatges que promouen la normalització duna gramàtica estètica del sentit atrapada en un pensament imagètic. Amb una problematització de les especificitats entre la lògica del significat i del sentit en la publicitat televisual plantegem proposicions que tenen significats que no només sestableixen en la relació amb el llenguatge, sinó que també ens permeten establir un aprenentatge crític pel que fa als signes. Per tant, leducació crítica pot ser pensada com la generació de sentits il·limitats, la qual cosa reflecteix tant el que es va establir com a norma –ja que la moral no és només una manera dactuar, sinó també un ordre i una organització– quant la promoció de les divisions i re-articulació daquests significats morals a partir de la creació de diferents repartiments del sentit sensible.

Ocupações dos secundaristas do RS: tensões culturais e reconfigurações comunicativas.

SILVA, C.R. ; MIRANDA, Danielle ; ROSÁRIO, Nísia Martins do .  In Texto (UFRGS. Online), v. 1, p. 193-214, 2016.

O estudo apresenta reflexões sobre o movimento das ocupações das escolas secundaristas do Rio Grande do Sul (RS), com o objetivo de caracterizá-lo enquanto objeto semiótico. Essa proposta vincula-se ao entendimento dessa mobilização como fenômeno cultural, e enquanto tal, será guiada à luz dos conceitos da Semiótica da Cultura. Para tanto, foi realizada a ida a campo, inspirada na observação etnográfica, e guiada por categorias em busca de traços culturais na ocupação da Escola Estadual Padre Réus, em Porto Alegre. Além disso, realizou-se o rastreio em meio ao campo da pesquisa documental em relatos dispersos nas redes sociais e fontes como imprensa e mídias ativistas fora dos espaços tradicionais. Nesta articulação, destacam-se as potencialidades das semioses das ocupações ao colocarem em prática novos processos e linguagens de resistência e invenção, operando nas fronteiras do conceito de horizontalidade e avançando de forma efetiva na reconfiguração de possibilidades de novas formações comunicacionais. 

Implosão mediática: corporalidades nas configurações de sentidos da linguagem. 

ROSÁRIO, NÍSIA MARTINS; AGUIAR, Lisiane Machado . Significação: Revista de Cultura Audiovisual, v. 41, p. 166-185, 2015.

Na instância desse artigo parte-se do pressuposto de que os corpos são essencialmente geradores de sentidos e têm intenso potencial para produzir semioses ilimitadas, tanto mantendo o que está estabelecido como norma – as regularidades –, quanto promovendo cisões e rearticulação de significados – as imprevisibilidades. Entendemos que as corporalidades assumem dinamicidade e complexidade à medida que o corpo utiliza a linguagem para se comunicar, afetar e ser afetado. Contudo, os textos corporais construídos na dimensão midiática assumem características específicas com relação à dinamicidade e à complexidade das linguagens e dos sistemas culturais. Logo, as corporalidades midiáticas são problematizadas pela perspectiva da semiótica da cultura e, especialmente pelo conceito de explosão de Yuri Lotman a fim de averiguar suas especificidades de funcionamento. Em vista disso, debate-se a existência de um processo de implosão no âmbito televisivo.

Os rastros de memória e a dinâmica da criação na teledramaturgia brasileira.

COCA, Adriana Pierre ; ROSÁRIO, Nísia Martins do .  In Texto (UFRGS. Online), v. 34, p. 116-131, 2015.

O artigo discorre sobre a memória na teledramaturgia. Nosso principal aporte teórico-metodológico é a Semiótica da Cultura na confluência com a narrativa de ficção. Partimos de um levantamento de técnicas narrativas enraizadas nas matrizes clássicas de escrever histórias ficcionais para TV, principalmente as características herdadas do melodrama e do folhetim. Essa trajetória nos ajuda a entender o papel da memória dos sistemas culturais na composição da ficção seriada de televisão, sobretudo da telenovela, considerando a cultura como uma memória coletiva por incorporar a historicidade dos sistemas de signos. Conclui-se que a ficção seriada televisual contemporânea é um texto que traz à tona a reconfiguração nos modos de se produzir e narrar próprios da era da comunicação digital, constituindo-se na atualização de processos graduais e explosivos. Ainda assim, essas mesmas narrativas se mantêm ancoradas na linguagem clássica.

A prescrição do corpo televisivo: interdição, autoria, repetição, trans-aparência. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do; DAMASCENO, A. F. . Revista Comunicação Midiática (Online), v. 9, p. 78-91, 2014.

O artigo converge, com base em abordagens de Foucault, duas temáticas: televisão e corpo. A TV é pensada como um dispositivo conduzido segundo a dimensão do poder. Por meio de linhas de força televisivas, o corpo passa por um procedimento de prescrição, sendo controlado por diferentes estratégias discursivas. Após um investigação arqueológica, cujo foco de observação foram as principais redes de programação (Globo, Bandeirantes, SBT e Record), discutimos quatro estratégias: a interdição, relacionada aos modos de inclusão e exclusão aplicados; a autoria, forma de legitimação da imagem pessoal por meio do trabalho; a repetição, que forma hábitos em relação ao corpo através da reiteração e da memorização; e a trans-aparência, um poder panóptico utilizado no desvelamento da intimidade.

UM OLHAR DA SEMIÓTICA DA CULTURA SOBRE JOGOS DIGITAIS E SEUS AVATARES.

ROSÁRIO, Nísia Martins do; RISSE, Lorena ; DUARTE, Carlise . Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano, v. 5, p. 195, 2014.

O objetivo desse texto é abordar os jogos digitais e seus avatares a partir de um panorama oferecido pela semiótica da cultura. Buscando ampliar a compreensão sobre esses objetos por uma perspectiva da Escola de Tartu, sobretudo de Lotman, queremos desenvolver uma reflexão sobre o campo semiótico que se configura nesse âmbito. Escolhemos três eixos principais para organizar o pensamento. Primeiro nos esforçamos em constituir uma perspectiva diacrônica do jogo, visando alcançar elementos fundantes desse sistema para entender as configurações assumidas por ele contemporaneamente. Por essa via, alcançamos o segundo eixo que procurou esboçar um desenho da semiosfera que envolve o jogo digital considerando sistemas, códigos, fronteiras, tradução. Por fim, nos detivemos nos avatares, suas modelizações e as semioses culturais.

ESPETÁCULO, POLÍTICA E CORPORALIDADES: RESSIGNIFICAÇÃO DE SENTIDOS EM SUJEITOS MIDIATIZADOS.

ROSÁRIO, Nísia Martins do; ALMEIDA, Guilherme .  Revista Extraprensa, v. 9, p. 8-14, 2014.

O objetivo do presente artigo é problematizar o conceito de explosão (Lotman, semiótica da cultura) e aprofundar as investigações sobre corporalidades a partir da noção de ruptura de sentidos. Essa reflexão é parte integrante de uma pesquisa que busca compreender as reconfigurações de sentidos em corpos de sujeitos midiatizados. Nesse momento, trazemos à discussão uma perspectiva cartográfica, que considera os eixos diacrônico e sincrônico para apresentar resultados de uma análise sobre a performance e a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva. Esse sujeito midiático é emblemático no que diz respeito às semioses corporais: explosão e modelização na semiosfera política.

Da filosofia da diferença à reflexão sobre as multiplicidades para pensar o método na comunicação. 

AGUIAR, Lisiane Machado ; ROSÁRIO, Nísia Martins do . Em Questão, v. 19, p. 239-257, 2013.

O objetivo central da proposta é desenvolver uma abordagem sobre pontos de vista acerca da ciência, do método e das metodologias em Comunicação que se construam sobre uma perspectiva das multiplicidades. A partir de uma visão que perpassa a filosofia e a sociologia, considerando apropriações e adequações de conhecimentos transdisciplinares, o debate visa a se organizar na comunicação por um pensamento crítico, considerando igualmente o compromisso social da pesquisa. Assim, as tratativas do artigo se configuram sobre o debate acerca do conceito e do uso do método na inter-relação com as reflexões desenvolvidas por pensadores pós-estruturalistas, bem como busca versar sobre procedimentos metodológicos decorrentes desse viés.

Pluralidades metodológicas: a cartografia aplicada às pesquisas de audiovisual. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do; AGUIAR, Lisiane Machado . Comunicación, v. 1, p. 1262-1275, 2012.

A partir da observação dos usos teórico-metodológicos em pesquisas na área do audiovisual no Brasil, busca-se refletir sobre os conceitos de método e metodologias. Considerando que há perspectivas metodológicas que trazem propostas diferenciadas, optamos por dedicar mais atenção especialmente a uma delas: a cartografia. Para essa abordagem específica centramo-nos na “cartografia de Deleuze e Guattari” como um processo teórico-metodológico plural, aberto, multidimensional para os estudos do audiovisual. O interessante desses usos é a dupla perspectiva que surge na sua aplicação e que vamos apresentar no decorrer do artigo.

Mapiamentos de los imaginarios tecnológicos: seres artificiales representados por el cine de ciencia ficción.

ROSÁRIO, Nísia Martins do; AGUIAR, Lisiane Machado .  Cifra Nueva Revista de Cultura, v. 22, p. 75-83, 2010.

Este artículo tiene como objetivo discutir las semiosis construidas por el cine para el cuerpo electrónico artifi cial. Los seres artificiales en este trabajo se perciben como seres atravesados por la tecnología, que no tienen existencia formal en el mundo cotidiano, nacidos de la imaginación y el desarrollo social, que se actualizan en las producciones cinematográfi cas de ciencia ficción. Tomando como punto de partida estas imágenes, en que la tecnología es evidente, una cuestión se plantea sobre el imaginario creado por estas películas para los seres artifi ciales: Se entiende que el mundo del cine es un lugar de materialización de la imaginación colectiva y en relación a la ciencia fi cción es un espacio para entender los procesos de construcción y la signifi cación de los imaginarios tecnológicos. Por lo tanto, el marco conceptual se centra en dos aspectos: el cine y la corporalidad, con base en el proceso de construcción de significados. La propuesta metodológica parte del análisis semiótico de las películas previamente seleccionadas y evaluadas en relación con los estudios teóricos sobre el tema de investigación. A partir de este corpus se está elaborando una cartografía de los seres artifi ciales que aparecen en las películas elegidas. Los resultados obtenidos hasta el momento no cubren todo el trabajo realizado, sin embargo, podemos informar que los cuerpos de los seres artifi ciales representados en las películas trabajan con la hibridez de signifi cado, convirtiéndose en robots, androides, cyborgs, mutantes, monstruos, extranjeros y/o avatares. Cada una de estas categorías contiene detalles sobre la apariencia y el sentido de la construcción del imaginario social.

Resident Evil e redes sociais: atualizações, virtualizações e audiovisualidades. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do; SEIBT, Tais . Revista de Iniciação Científica da ULBRA, v. 1, p. 237-247, 2009.

Este artigo aborda as significações que se constituem nos processos de circulação de produtos midiáticos em interação com redes sociais, considerando as conexões entre o imaginário social, os contextos da evolução científica, o imaginário tecnológico e as tecnologias do imaginário. O objeto de estudo é o produto midiático Resident Evil em suas versões para jogos online, filmes, vídeos, blogs, comunidades da web. A análise dessa diversidade permitiu vislumbrar nas redes sociais um meio de legitimação de significações compartilhadas pelos sujeitos que as constituem. Mas elas são, igualmente, espaços de reterritorialização das virtualidades e das significações produzidas acerca de determinado produto midiático.

Imagens midiáticas em corpos eletrônicos. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. InTexto, v. 2008/1, p. 6, 2008.

O artigo propõe uma abordagem que debata imagens midiáticas corporais na contemporaneidade a partir de dois pontos focais: a imagem com seus contextos de percepções, cognições e processos de significação, bem como seus aspectos culturais e semânticos; o corpo nas suas tramas de hábitos culturais na pós-modernidade. Tal proposta visa discutir, ao mesmo tempo, a importância da leitura das imagens e o corpo como objeto principal da imagem midiática vislumbrando as transmutações por ele sofridas com o avanço tecnológico e a diversidade dos meios. No desdobramento dessa discussão, a centralidade recai sobre os corpos eletrônicos construídos pelo discurso audiovisual.

Melhor que eu: um estudo das representações do corpo em ambientes gráficos multiusuário online de caráter multicultural. 

FRAGOSO, Suely ; ROSÁRIO, Nísia Martins do . Interin (Curitiba), v. 6, p. 3, 2008.

Esse artigo apresenta os resultados de uma investigação quanti-qualitativa dos avatares de sujeitos de diferentes origens étnicas e culturais no ambiente gráfico multi- usuário online Second Life. Com vistas a contextualizar e explicar nossa questão de pesquisa, as ponderações iniciais tratam da representação do Eu em avatares gráficos, com foco nos ambientes 3D. Apresentada a proposta da pesquisa, explicamos as estratégias metodológicas adotadas para a construção do corpus, que compreendeu 18 nacionalidades configuradas em 68 avatares, coletados em 5 diferentes tipos de fontes. Os resultados encontrados nos permitem dizer que há uma forte preferência por avatares com formas humanas, sendo comum que a aparência dos avatares seja similares às das pessoas que eles representam. Apesar disso, verificamos semelhanças gerais entre os avatares, devidas à tendência para aproximar o avatar de padrões de beleza vinculados a traços caucasianos tais como pele lisa e clara, nariz pequeno, formas longelíneas e olhos amendoados. Elementos que se contrapõem ao padrão estético dominante são atenuados e aqueles que se adecuam ao modelo de beleza hegemônico são enfatizados. Com isso, as formas dos avatares tendem aos estereótipos, por vezes incorrendo em exageros.

Mais show, menos talk: espetáculo em conversas, humores e auto-referencialidade. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Animus (Santa Maria), v. XIII, p. 113-126, 2008.

O presente artigo faz a retomada de questões relativas a uma característica bastante explorada pela televisão: o espetáculo. Ao mesmo tempo questiona esses espaços/tempos televisivos em que ficção e não-ficção se tramam, buscando entender as configurações que surgem daí. Entre outros programas, isso se evidencia no talk show que, pela sua própria denominação, se apresenta como fruto dessa mistura de gêneros. É relevante, portanto, refletir sobre as construções de formatos e sobre os discursos articulados por esses programas na interação com algumas de suas especificidades, como as entrevistas, as tiradas de humor, a platéia e, sobretudo, o papel do apresentador.

Cadáveres eletrônicos e a ressimbolização da morte em seriados televisivos. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do; FICHER, Martina . Revista Fronteira (UNISINOS), v. IX, p. 45-52, 2007.

Apresentam-se aqui reflexões preliminares acerca das configurações que alguns textos audiovisuais mostram de cadáveres eletrônicos – isto é, as representações em som e imagem de corpos mortos – e, nessa via, se tem a pretensão de examinar o processo de simbolização da morte midiática. A intenção do presente artigo, portanto, é propor uma reflexão a respeito de como a mídia trata uma das questões mais profundas e inquietantes com que o homem tem de lidar. Defende-se a idéia de que a exposição de cadáveres eletrônicos, especialmente em determinados seriados televisivos contemporâneos como CSI: Crime Scene Investigation, está agenciando uma ressimbolização da morte, tornando-a de certa forma mais icônica, menos assustadora na sua essência e, portanto, mais palatável e, ao mesmo tempo, banalizável.

Encarnações lúdicas no ciberespaçco.

ROSÁRIO, Nísia Martins do; RAMOS, Mariana .  Razón y Palabra, v. 52, p. artigo digital-00, 2006.

O presente artigo é parte da pesquisa Corpos eletrônicos em audiovisualidades midiáticas e busca apresentar algumas reflexões sobre jogos eletrônicos que usam avatares. O objetivo é entender seus processos de significação, de criação de identidades e de representação no espaço da máquina ou no ciberespaço. O jogo é entendido aqui como uma forma lúdica de relacionar-se com o mundo e também como um procedimento comunicativo capaz de engendrar cenários e percursos em que se realizam estratégias discursivas e trocas simbólicas diversas. 

Discursos de audiovisualidades: corpos eletrônicos. Comunicação. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Veredas (UNIMAR), v. 1, p. 51-69, 2006.

Devires das audiovisualidades podem ser discutidos na complementaridade entre o cultural e o lexical, a subjetividade e a lógica, o motivado e o arbitrário, o individual e o coletivo. A partir dessa perspectiva rizomática caracterizada pela presença do ‘entre’, o artigo propõe uma abordagem semiótica que debata as audiovisualidades a partir de três pontos focais: a imagem com seus contextos não reconhecidamente audiovisuais – percepções, cognições e processos de significação – ; as discursividades – aspectos culturais e semânticos – ; as tramas de hábitos culturais e de convergências de linguagens e suportes. No desdobramento dessa discussão, a centralidade recai sobre os corpos eletrônicos construídos pelo discurso audiovisual.

Corpos televisivos: domínios culturais e estratégias midiáticas. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Revista Fronteira (UNISINOS), São Leopoldo, v. VI, n.1, p. 115-131, 2004.

Este artigo parte de reflexões sobre os processos de construção de sentidos em discursos televisivos de emissoras de sinal aberto. O foco da discussão centra-se na possibilidade de que alguns domínios da cultura – jogo, sedução e prescrição – sejam mediadores na construção de estratégias discursivas articuladas para e pelos corpos televisivos. Tais estratégias buscam interação e audiência, bem como a consolidação de representações culturais-midiáticas. Os argumentos defendidos se delineiam a partir da análise de programas de três emissoras de sinal aberto e de seu cruzamento com dados teóricos acerca do jogo, da sedução e da prescrição.

A estética discursiva da tevê e a (des)configuração da informação. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Cadernos IHU Idéias (UNISINOS), São Leopoldo, v. 2, n.25, p. 1-22, 2004.

Os traços e marcas da linguagem televisiva são configuradores de uma estética própria dessa mídia e se refletem sobre a construção dos sentidos, as performances e as subjetividades dos seus discursos, bem como sobre os códigos e classes que os sistematizam. Considerando-se que uma das principais formas estéticas do discurso televisivo se consolida no espetáculo, busca-se entender os reflexos disso sobre a construção de sentidos dos programas que se caracterizam pela transmissão de informações. Assim, é possível questionar sobre as interrelações e estratégias discursivas engendradas entre a consolidação das formas estéticas próprias da televisão e as metas dos programas informativos. O viés teórico desse trabalho é o pós-estrutural, sendo que as reflexões buscam articular, sobretudo, comunicação e semiótica, mas contam com o auxilio valioso da sociologia e da antropologia.

Discurso televisivo e a via da prescrição – um olhar foucaultiano. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Verso e Reverso (São Leopoldo), São Leopoldo – RS, v. XVIII, n.39, 2004.

A discussão centra-se na articulação de estratégias discursivas da televisão que visam à concretização de ordens formais, noções estigmatizadas e lógicas explícitas que se ligam ao estabelecimento de ditames. Defende-se aqui que essas estratégias organizam-se e constituem-se no domínio da “Prescrição”, que envolve uma dimensão produtiva e uma dimensão do poder. É Foucault que auxilia predominantemente a refletir sobre esse domínio e suas estratégias. Os argumentos defendidos se delineiam a partir da análise de uma gama de programas de emissoras de canal aberto e de seu cruzamento com dados teóricos acerca da produção e do poder.

Imagem e informação: a fotografia como mensagem jornalística.

ROSÁRIO, Nísia Martins do.  Revista de Estudos da Comunicação, Curitiba – Paraná, v. 3, n.6, 2003.

Termina a greve dos acontecimentos.

ROSÁRIO, Nísia Martins do.  Revista Fronteira (UNISINOS), São Leopoldo, v. V, n.1, p. 161-162, 2003.

O paper é uma resenha do livro Power Inferno, de Jean Baudrillard, publicado pela editora Sulina em 2003. O autor faz uma discussão, com a qualidade estilística que lhe é peculiar, sobre os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Para ele, depois de uma greve dos acontecimentos, esse fato vem questionar, provocar e colocar em turbulência o politicamente correto, bem como os valores, a ética e a moral ocidentais. 

Televisão: simulação em tempo real, sedução em tempo integral. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Verso Reverso, São Leopoldo, v. 32, n.–, p. 81-92, 2002.

Se, por um lado, escolher o tema media para uma discussão voltada à cientificidade leva, por vezes, a cair no comum, ou, pelo menos, esbarrar nele, por outro lado, esse tema parece sempre inesgotável. A media e sua inextricável relação com a cultura de massa é tema de diversos estudos, tanto mais quando o recorte é feito sobre a televisão. Se tanto se fala e estuda, em contrapartida, pouco se tem como definitivo nesse campo, principalmente pelo fato de que a evolução dos media, em termos de linguagem e de tecnologia, é muito mais rápida do que a construção de um pensamento científico sobre eles. A tentativa desse artigo é, na passagem por alguns aspectos já discutidos no que se refere a televisão e cultura de massa, fazer um aporte no domínio da sedução. A partir de uma incursão pelos meandros do encantamento, da aparência, do desejo, da fantasia, do imaginário, busca-se desvendar algumas das estratégias e mecanismos da sedução utilizados pela televisão para mediar suas mensagens, persuadir, sobrepor máscaras sobre a informação, encantar os telespectadores, ativar mecanismos emocionais-afetivos. Como se poderá observar no decorrer do texto, não se busca apresentar a sedução apenas na sua forma mais aparente – ligada ao erotismo e a sensualidade -, mas em seus mais intrincados aspectos. 

Mostrar e esconder: eterno jogo da sedução. 

ROSÁRIO, Nísia Martins do. Comunicação Contemporaneidade, Cruz Alta, n.01, p. 52-61, 1999.

 Esse estudo é um convite ao mundo das aparências, às trilhas do encantamento, da fantasia, dos desejos, ao reino da sedução, enfim, ao seducere. Penetrar nesse reino, entretanto, requer a construção de um percurso teórico e a delimitação do campo de pesquisa. O primeiro recorte se dá no sentido de construir um corpus passível de registro e manipulação e que se articule como meio de comunicação. Assim, optou-se pela fotografia. 

 

Contratação de Doutor na área Teoria do Cinema – Universidade de Fortaleza (UNIFOR)

A Universidade de Fortaleza (UNIFOR) está contratando Doutor na área de Cinema, com trajetória de pesquisa, para assumir as disciplinas “Teoria I” e “Teoria II”, na modalidade de ensino remoto, no segundo semestre de 2020, e com disponibilidade de transferência para Fortaleza no primeiro semestre de 2021.

Maiores informações, contatar Bete Jaguaribe, coordenadora do Curso de Cinema da UNIFOR, no WhatsApp (85) 98639 0474.

Semiótica Revista – Dossiê Semiótica e Comunicações da Escuta Musical

O Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação inicia a publicação de revisões semióticas acerca dos temas estudados pelos pesquisadores integrantes do grupo. A primeira edição conta com a curadoria de Cassio de Borba Lucas, no dossiê Semiótica e Comunicações da Escuta Musical. O novo formato também irá contar com as publicações desses pesquisadores.

A entrada da Encyclopédie sobre a audição, redigida pelo Chevalier de Jaucourt (1704-1779), oferece um instantâneo da consideração iluminista sobre os fenômenos sonoros e do jogo sempre instável de departamentalização dos sentidos, por um viés principalmente fisiológico, mas que traz também relações filosóficas e estéticas.

O artigo, embora focado em seu trabalho enquanto crítico, apresenta a obra de Eduard Hanslick (1825-1904), nome decisivo da estética da música que conectava a escuta à noção de música absoluta. O cerne desta teoria está na ideia de forma puramente sonora por oposição a uma comunicação estética dos sentimentos.

  • NOGUEIRA, Monique Andries. Adorno e os tipos de comportamento musical: atualidade e limites de uma categorização. Inter-ação – Revista da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás. Vol. 39 n. 2, 2014. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/interacao/article/view/31709

O artigo retoma a tipologia de escutas desenvolvida pela sociologia da música do pensador alemão da escola crítica. Adorno (1903-1969) é célebre também, no que diz respeito à escuta, por ter problematizado as relações dos ouvintes com a obra de arte no âmbito da indústria cultural (regressão da audição e o fetichismo da escuta).

O artigo se debruça sobre os trabalhos de Pierre Schaeffer (1910—1995), nome central da música concreta (em que a composição se dá diretamente no registro e não pela notação tradicional). O homem de rádio, pensador e compositor desenvolveu, entre os anos 50 e 70, a noção incontornável de escuta reduzida: uma escuta fenomenológica em que o fundamento está antes nos caracteres efetivamente escutados do que na obra musical, nos instrumentos emissores ou na intenção do compositor.

Nattiez se baseou no semioticista da literatura Jean Molino para desenvolver um modelo da comunicação musical que, como fato simbólico, relaciona os três níveis poiético, estésico e neutro. O ouvinte aparece constantemente em sua reflexão. A apropriação de Molino indica, já, a revisão pós-estruturalista operada na semiótica pelo conceito derridiano de traço como resultante da interação entre estesis e poiesis (cf. MOLINO, 1975, em http://www.jstor.org/stable/854225*).

O etnomusicólogo Boilès (1932-1984) parece ter sido um dos pioneiros na compreensão do fenômeno musical e da escuta como semiose. Baseava-se em Morris (mas também, já, em Nattiez).

Embora publicado no mais recente (e inaugural) número da Revista MusiMid, o artigo dá notícia do importante trabalho de Tarasti como semioticista da música que, ao menos desde os anos 70, aproximou a empreitada estruturalista dos problemas da significação da música e da escuta.

Tagg é nome recorrente no que diz respeito à pesquisa da significação da música popular e sua apreensão semiótica. Neste artigo abrangente, podem-se verificar suas teses relacionadas, explicitamente ou não, à escuta musical.

Hennion, embora aborde a escuta de um ponto-de-vista sociológico empiricista, dialoga explicitamente com a semiótica e os problemas de significação da música e da escuta.

Simone Pereira de Sá propõe a aproximação da escuta com a comunicação por meio do que viria a ser chamado de teoria das materialidades da comunicação, com foco nas reconfigurações trazidas pela tecnologia wi-fi dos celulares, mas indagando, em geral, as formas modernas de ouvir. 

Lucia Santaella é uma importante divulgadora da perspectiva peirceana da semiótica, que sempre manteve a linguagem verbal em pé de igualdade com outras matrizes de pensamento, a começar pela sonora. Sua consideração sobre a música focaliza sobretudo os aspectos icônicos da escuta musical.

Iazzetta discute, aqui, as relações entre música, desenvolvimentos tecnológicos e hábitos de escuta no passado e na contemporaneidade.

Jorginho Cardoso Filho destaca o crescimento, no Brasil, da reflexão comunicacional sobre a música, e parte de Adorno e dos estudos culturais para discutir a incidência da escuta na audição e da audição na escuta.

Castanheira traz a primeiro plano as discussões contemporâneas da escuta musical, à luz dos sound studies e da perspectiva neurofenomenológica, retomando a distinção entre analógico e digital e as relações entre sentidos e cultura.

Martin Daughtry abordou as estruturalidades da escuta na situação de guerra (com pesquisa de campo no Iraque), oferecendo um poderoso contraponto às teses universalistas da escuta adequada (Adorno). Neste sentido, o situamos na esteira da proposta de Ola Stockfelt para o estudo das várias escutas comunicacionalmente adequadas. Neste artigo, Daughtry discute a política da escuta ligada a “palimpsestos acústicos” do submundo cultural soviético.

*Sobre os artigos da JSTOR: por ora, é possível fazer uma conta gratuita e ler os artigos online (ou utilizar o sci-hub).

Submissões para o dossiê “Potências políticas do pop: Gênero e ativismos na cultura pop” seguem abertas até 21 de junho

A revista Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura está com submissões abertas para o dossiê “Potências políticas do pop: Gênero e ativismos na cultura pop”. Os artigos podem ser enviados até 21 de junho de 2020. A edição será publicada em dezembro.

Os editores convidados são Christian Gonzatti (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos), Felipe Viero Kolinski Machado Mendonça (Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP), Gabriela Cleveston Gelain (Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM-SP) e Suzana Mateus (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE). Confira a chamada completa clicando aqui.

As pessoas interessadas poderão enviar propostas, entre 12-25 páginas, em Português ou Inglês. Informações mais específicas acerca do formato dos textos podem ser obtidas diretamente no site da publicação. Para submeter a sua proposta siga o link: https://periodicos.ufac.br/index.php/tropos/user/register

Quaisquer questões podem ser dirigidas aos editores através do e-mail oficial deste dossiê: generoeculturapop@gmail.com

 

Edição Ione Maria Ghislene Bentz

Semiótica Revista – Edição com os artigos publicados em periódico pela pesquisadora Ione Maria Ghislene Bentz

Design estratégico e seeding para promover processos ecossistêmicos de inovação social. O caso de inovação social da Mercur.

FREIRE, K. M. ; DEL GAUDIO, C. ; BENTZ, I. M. G. ; FRANZATO, C. ; BORBA, G. S. . – CUADERNOS DEL CENTRO DE ESTUDIOS DE DISEÑO Y COMUNICACIÓN, v. 83, p. 111-125, 2020.

 O artigo insere-se no debate sobre o design para inovação social e dialoga com o trabalho de pesquisadores que focam na estruturação de um processo de design para inovação social capaz de alcançar mudanças sistêmicas. O presente artigo propõe uma releitura da prática de design para inovação social por uma perspectiva ecossistêmica que encontra suas origens e se inspira nas teorias da complexidade. Ao longo do texto, a partir de uma releitura do conceito de inovação social e da contextualização e reinterpretação da prática de design nesta perspectiva, alguns conceitos chave são explorados, discutidos e articulados: aprendizagem, estratégia e prática de design, discurso projetual, dispositivos e seeding –entre outros. A reflexão acerca destes conceitos sustenta a proposição de uma abordagem de design estratégico capaz de promover ecossistemas criativos de inovação social por ativação de processos colaborativos, discurso projetual e seeding. No âmbito deste artigo, esta abordagem é exemplificada e discutida por meio do estudo de caso do laboratório de inovação social da Mercur, empresa localizada na cidade de Santa Cruz do Sul, no estado brasileiro do Rio Grande do Sul. O caso exemplifica a relevância de processos de disseminação de seeding projetados e orientados pelo design estratégico para a sustentabilidade de processos e propostas de inovação social nos contextos criativos nos quais se desenvolvem e se inserem. No âmbito da discussão destaca-se como o enfoque do design se desloca do projeto de dispositivos sociotécnicos para englobar o enredo do processo projetual que envolve, suporta e articula os processos que concorrem à aprendizagem e à inovação social.

Utopias/distopias e heterotopias em dispositivos de design: reflexão metaprojetual sobre Casas Colaborativas.

PALMA, C. ; BENTZ, I. M. G. ; FRANZATO, C. . – ESTUDOS EM DESIGN (ONLINE), v. 27, p. p.163-179, 2019.

Este artigo propõe uma abordagem metodológica aplicável aos estudos de design que se apropriam de espaços compreendidos como heterotópicos. Para isso, o potencial dos conceitos de utopia/distopia é explorado nos processos de design estratégico para a inovação sociocultural e sustentabilidade. A reflexão, de caráter metaprojetual, é orientada pelas formulações estratégicas que Foucault desenvolve, ao desdobrar o conceito de dispositivo. Concentra-se, especialmente, sobre as iniciativas denominadas Casas Colaborativas que, nessa década, emergiram às margens dos ecossistemas culturais brasileiros, logo ganhando relevância. As práticas heterotópicas, orientadas pelas utopias/distopias, são elaboradas pelos coletivos criativos que convivem nessas casas, e representam descontinuidades nos modos de pensar e agir em espaços urbanos. Daí resultam dispositivos de design oriundos de processos de imaginação, criação e projetação, alternativos aos dominantes, e pautados por outras concepções de bem-estar.

As reinvenções da semiótica.

BENTZ, I. M. G..  InTexto, v. 42, p. 5-16, 2018.

Com mestrado em Linguística em 1974, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e doutorado em 1980, na Universidade de São Paulo, a formação da professora e pesquisadora Ione Maria Ghislene Bentz está ligada à chegada dos estudos linguísticos e semióticos ao Brasil, e ao seu posterior desenvolvimento como um campo de pesquisa fértil aos problemas da comunicação e da cultura. Professora aposentada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com passagem pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, hoje, ela atua como professora e pesquisadora junto à Pós-Graduação em Design da mesma universidade. Nesta entrevista, a pesquisadora discute as particularidades da trajetória da Semiótica como campo de investigação no país, destacando não só suas potências enquanto instrumento epistemológico e heurístico, mas também suas dificuldades e conflitos disciplinares e institucionais ao longo dos últimos 40 anos.

Is Action Design Research Indeed Necessary? Analysis and Synergies Between Action Research and Design Science Research. 

COLLATTO, DALILA CISCO ; DRESCH, ALINE ; LACERDA, DANIEL PACHECO ; BENTZ, IONE GHISLENE . SYSTEMIC PRACTICE AND ACTION RESEARCH, v. 1, p. 1-23, 2017.

Action research is one of the research methods that seeks to develop scientific knowledge while simultaneously acting to solve real problems. Design science and design science research are approaches that address problem-solving oriented researches, converging in this aspect with the objectives of action research. A significant part of the literature discusses action research and design science research separately. However, there are some early discussions regarding the similarities and the differences between these research methods. The objective of this study is to deepen an analysis that distinguishes action research, design science and design science research as research methods considering their convergences and divergences. This leads to the discussion of the need for a third method: action design research. This study was conducted based on a configurative systematic literature review. The analysis and the synthesis of literature took into account themes and content analyses. Some results could be observed. First, there is a significant number of similarities among these research methods; second, there are complementary and positive synergies in their use; and third, the concepts of artifact and classes of problems seem to contribute both to the proposition and to the evaluation of the results obtained by action research. Finally, it was possible to establish a set of possibilities for the use of action research and design science research in a combined manner. The limitations of this study have a theoretical nature. There is a need for a comparative analysis of the use of action research and design science research and the use of action research under the paradigm of design science.

A experiência narrativa mitológica no seriado How I met your Mother.

CAVALHEIRO, G. ; BENTZ, I. M. G. .  REVISTA FRONTEIRAS (ONLINE), v. 19, p. 172, 2017.

Este trabalho tem por objetivo compreender os processos de estruturação das narrativas midiáticas, no caso específico, o seriado How I Met Your Mother (HIMYM), e de que forma esses processos são apropriados pelos telespectadores. Tem-se como suporte teórico a compreensão de Barthes sobre os processos de conotação estratificados em construções míticas de dupla articulação e a proposta de análise por níveis de pertinência semiótica, formulada por Fontanille. Como operações de análise, (i) foram selecionadas cenas do seriado que foram interpretadas pelos conceitos semióticos, explicativos dos processos de construção de significados míticos; e (ii) foram apresentadas as cenas a telespectadores, de modo a identificar as formas de apropriação dessa narrativa midiática e as interações produzidas na relação entre as experiências de vida e os relatos ficcionais. Em síntese, o texto acompanha a ressignificação dos mitos no curso da história e sua reconfiguração pelas tecnologias da comunicação.

The relationship between Strategic Design and Metadesign as defined by the levels of knowledge of Design.

BENTZ, I. M. G.; FRANZATO, C. .  STRATEGIC DESIGN RESEARCH JOURNAL, v. 10, p. 134-143, 2017.

The literature offers various interpretations for the concept of metadesign, expressing the richness of such a theme. These interpretations are frequently elaborated using the pioneer work of Andries van Onck. The authors suggest that the characteristic levels of scientific language make it possible to understand the concept. Thus, using the theoretical principles of structural linguistic and strategic design, this article aims at identifying the design levels and defining that of metadesign. To achieve such a goal, the method proceeds by describing the levels of scientific language proposed by Greimas, deriving the levels of design by symmetry, and, finally, defining the level of metadesign and the processes of displacement from and to such a level.

Design: artesanato, ressignificação e sustentabilidade.

PARODE, F. P. ; BENTZ, I. M. G. ; ZAPATA, M. .  Revista TRAMA Interdisciplinar, v. V.7 Ano 1, p. 87-99, 2016.

O presente artigo busca refletir sobre a relação entre design e artesanato, assim como, no horizonte ontológico, a relação entre design e arte, articulados esses termos pela sustentabilidade e pela inovação. Como desdobramento, buscou-se apoio nas teses de Manzini e nas formulações do design estratégico, como forma de delinear o enquadramento teórico e de qualificar as reflexões sobre os artefatos de design. Para materializar, mesmo que parcialmente, os termos em estudo, escolheu-se o projeto desenvolvido por artesãos e designers intitulado “Bichos do Mar de Dentro”. A interpretação desses artefatos obedece aos vetores interpretativos propostos por Guattari em suas três ecologias: o meio ambiente, as relações sociais e a subjetividade humana, e está organizada nas articulações semânticas simbolização, pluralidade, hedonismo, testemunho e estética. As considerações sobre design e artesanato servem para corroborar a existência de um conceito de consumo diferenciado e de cultura da sustentabilidade que passam pela produção artesanal associada ao design.

Fluxos e territorialidade: comunidade quilombola como linha de fuga.

BENTZ, I. M. G..  In Texto (UFRGS. Online), v. 37, p. 227-241, 2016.

Este texto tem por objetivo o estudo da cultura quilombola na migração para espaços urbanos. O território urbano em foco é a Comunidade Quilombola Areal da Baronesa, situada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O referencial teórico tem inspiração nos desdobramentos das máquinas semióticas desenvolvidas por Deleuze e Guattari, com ênfase nos conceitos de fluxos e territorialidade. Serão analisados os significados simbólicos dos artefatos – comportamentos, rituais, práticas cotidianas, entre outras manifestações da Comunidade do Areal. As práticas de cultura estimulam as práticas de design. Essas práticas oferecem insumos para a discussão que as consideram como ecossistemas cujos processos projetuais criativos são capazes de produzir artefatos que transformam a realidade social. Serão contempladas a produção dos efeitos de sentidos, as expressões de cultura, o exercício do poder simbólico, as expressões do desejo e a inovação social.

Processo de participação coletiva na Internet: uma ética para o ciberespaço.

PARODE, F. ; ZAPATA, M. ; BENTZ, I. M. G. .  Revista Veritas, v. 60, p. 36-46, 2015.

Este ensaio tem como objetivo problematizar o papel da internet como agente de difusão de informação, ferramenta produtora de conhecimento e cultura. Os processos participativos em rede, as comunidades virtuais, colocam em evidência as tensões entre um antigo modelo calcado em estruturas de poderes centralizados, e a emergência de uma ordem dispersa e fragmentária na dinâmica social. É nesse contexto que surgem as polêmicas em torno do Marco Civil da Internet, nosso objeto de estudo. A instauração do Marco Civil, deu lugar à concepção e busca de regulação da internet como patrimônio coletivo. Nosso objetivo é analisar o Marco Civil, no quadro das políticas de promoção do acesso à internet, através de um diálogo entre comunicação, ética e filosofia, questionando seus princípios fundamentais quanto ao pluralismo e a diversidade cultural, a fim de produzir uma reflexão fundamentada sobre os eixos reguladores deste projeto de Lei.

Imanência e devir-animal na obra de Alexander McQueen. 

PARODE, F. ; BENTZ, I. M. G. ; ZAPATA, M. . Dobras (Barueri, SP), v. 8, p. 74-80, 2015.

Este ensaio busca compreender aspectos da lógica de construção do sentido na obra do designer de moda inglês Alexander McQueen. Para enfrentar tal problema, aproximamos o campo da moda com o da filosofia e articulamos noções de estética, imanência, semiótica e design. Considerando que McQueen questionou o processo de desenvolvimento sustentável do planeta, abordaremos de forma especulativa conceitos e valores simbólicos presentes em sua obra para enfocar a temática da deriva cultural e da mutação da espécie humana. No escopo deste ensaio, organizado em quatro seções temáticas – a imanência e o devir; o trágico e a deriva; o híbrido e o louco; a sustentabilidade e a crise – questionaremos sobre a matéria semiótica de McQueen quanto à sustentabilidade, buscando conteúdos imanentes ao discurso do designer.

Arts and Design: Criativity Industries and Sustainability.

PARODE, F. P. ; BENTZ, I. M. G. .  The International Journal of Designed Objects, v. 8, p. 1-9, 2015.

The boundaries between art and design are currently more and more tenuous. We often see art migrating to shops and objects of design to museums. However, art and design differ with respect to their relationship with the public. Art itself is not from the order of consumption, but from the aesthetic experience tout court. Still, the cultural industry, and, in its path, the creative industry, have been approaching the logic of consumption of the aesthetic experience of art. On the one hand, there is a desacralization of art, on the other hand, the consumption culture preempts the aesthetics and the practices of art. Being sustainability one of the contemporary paradigms that preaches duration as a value, this article, in an exploratory way and by the methodology of strategic design, seeks to question, in the current Brazilian art, the principle of desacralization and, in the design, the practices that approach it to art.

Moda: Expressão de Arte e Design. 

BENTZ, I. M. G.; PARODE, F. . e-Revista LOGO, v. 4, p. 57-68, 2015.

Este texto promove o diálogo entre moda e arte, inspirado em processos criativos de design, para análise da coleção do estilista Ronaldo Fraga cujas peças fazem a releitura do pintor Cândido Portinari. Esse diálogo é produzido pelos traços de intertextualidade que organizam  a narrativa imagética, cujas peças e telas constituem a base da observação empírica.  As significações materializam-se em duas linguagens, também em sinergia: a imagética e a verbal. Para fins de análise, essas linguagens  operam dois micro-processos: um, de ordem referencial ou de representação, outro, de ordem  simbólica. Organizados em substratos, os materiais/artefatos/sistemas, são assim categorizados: a) as representações simbólicas: substratos representativos dos interesses sociais; (b) os processos de inovação: comunidades interpretantes; e (c) as estratégias de inovação social: mediações tecnológicas.  As narrativas, portanto, seriam organizadas pela gramática dos símbolos, das interações colaborativas e das estratégias projetuais. Esse conjunto de referências é capaz de articular o diálogo transdisciplinar proposto.

A arte nas ruas da cidade: Estratégias de ressignificação e de interação comunicacional. 

BENTZ, I. M. G.. In Texto (UFRGS. Online), v. 34, p. 60-78, 2015.

O texto investiga os efeitos das retóricas visuais na composição de metáforas/alegorias urbanas, através da produção de significados simbólicos e das relações de comunicação mediadas pelas tecnologias urbanas. Esses artefatos estão de tal modo presentes no cotidiano, que se tornaram próteses no corpo da cidade. Foram escolhidas temáticas e práticas contemporâneas, representantes de formas de natureza no espaço urbano, que produzem um diálogo com a cultura sob a forma de narrativas. A matriz narrativa trabalha: (a) o elemento lúdico, presente nas diversas formas de manifestação; e (b) o elemento de crítica social, presente nos argumentos narrativos dos textos em análise. O desenvolvimento do tema obedece aos parâmetros das teorias da linguagem, da compreensão da semiose e da interação comunicacional. Objetiva-se identificar e compreender os efeitos dos sentidos e as formas de interação, ambos mediados, em semioses complexas, por dispositivos urbanos.

Expressões de Arte e Design no espaço das cidades. 

BENTZ, I. M. G.; PARODE, F. P. . Cadernos do PROARQ (UFRJ), v. 1, p. 189-204, 2015.

Este trabalho faz parte de um projeto maior de investigação sobre a interpretação dos artefatos expostos nas ruas da cidade. Os resultados esperados deverão fundamentar os processos projetuais em design e comunicação para inovação cultural e social. Propõe, também, o reconhecimento da arte como forma de expressão multicultural e democrática no cenário da cidade. Arte, design e comunicação oferecem, portanto, condições de representação da cultura cotidiana ou popular. O interesse é pelas peças expostas nas ruas, praças ou mobiliários urbanos, sob a forma de outdoors, grafites ou esculturas. Essas formas de expressão registram as experiências transgressoras que tensionam as visões de realidade e oferecem espaço para a inovação. Nessa perspectiva, utiliza-se o modelo greimaseano reinterpretado como forma de prevalecer a inscrição do sujeito, a autonomia criativa, a relevância da sincronia e o predomínio da imaginação. Subsiste a possibilidade de um presente indefinido, sem regras, nem interditos, de tal sorte que a identificação das rupturas seja o modo de ressignificação de um homem contemporâneo no espaço da cidade, também reinterpretado. A arte como forma de manifestação política e ratificação da estrutura de poder atua poeticamente nessas rupturas inaugurais. Essas conquistas inovadoras por ela protagonizadas não são encorajadas pela diligente obediência a um método ou pela argumentação racional atrelada ao vocabulário corrente. É a imaginação que contribui para a criação de uma nova forma de vida cultural, de um novo vocabulário, de descrições alternativas de nós mesmos e do mundo. Interessam assim as produções de grupos de artistas que promovem a renovação do espaço urbano, na perspectiva de levar ao povo a arte e o design. Serão objeto de interpretação materiais expostos nas ruas da cidade.

A arte no espaço urbano: narrativas visuais.

BENTZ, I. M. G..  Strategic Design Research Journal, v. 7 (1), p. 07-14, 2014.

A arte urbana assumiu papel de reconhecido valor no contexto das grandes metrópoles. Não apenas como expressão de culturas minoritárias e emergentes, mas também como veículo de políticas culturais que buscam produzir novas experiências de produção de sentidos no espaço urbano, para e com o público que nele transita. O novo ciclo de geração da arte urbana permite a atuação e o reconhecimento de artistas e públicos como agentes de processos de produção de novos roteiros e cenários. Este artigo busca explorar os efeitos dessas novas retóricas visuais na composição de metáforas e alegorias contemporâneas na forma de expressão e nos significados simbólicos, na semantização das relações do homem com o meio ambiente. Agrega os suportes como parte integrante das narrativas. Foram escolhidas temáticas e práticas contemporâneas que representam uma forma de vida sustentável que destaca a presença da natureza no espaço urbano e o diálogo desejado. A matriz narrativa trabalha: (a) o elemento lúdico, presente nas diversas formas de manifestação; e (b) o elemento de crítica social que se expressa nas visualidades do grafite e das instalações urbanas, produzindo ironia ou simples reflexão, através da retórica visual. 

El desarrollo sustentable en Brasil: cultura, medio ambiente y diseño.

PARODE, F. ; BENTZ, I. M. G. .  Cuadernos del Centro de Estudios de Diseño y Comunicación, v. 49, p. 207-217, 2013.

Pese al notable desarrollo económico y social de los últimos años, le faltan al Brasil mejores definiciones de políticas ambientales que pauten su desarrollo sustentable. En este contexto, el diseño asume su papel fundamental en la formulación de conceptos y acciones, no sólo con la intención de producir las condiciones materiales y existenciales que conforman nuevos valores éticos y estéticos. El objetivo de este ensayo es explorar críticamente el universo del desarrollo sustentable en Brasil, sus parámetros y posibilidades, teorizar sobre las emergencias de la sociedad contemporánea y proponer parámetros generales de un devenir sustentable consistente, para materializar los proyectos de diseño.

Produção Cinematográfica Brasileira: O design estratégico para formulação de projetos competitivos. 

Bruno Bueno Pinto Leites ; BENTZ, I. M. G. . Strategic Design Research Journal, v. 5, p. 56-73, 2012.

Este trabalho tem como principal objetivo discutir os modos de financiamento do cinema brasileiro, os quais são afetados pela confluência de padrões econômicos de natureza estético-produtiva e tecno-estéticos populares. Dessa confluência decorre a tensão, de um lado produzida pela expressão das preferências populares identitárias e, de outro, pelos interesses dos agentes que financiam a produção. Com foco no chamado Cinema Novo dos anos 60, são trazidos dados de contexto e reflexões que devem nortear a compreensão da realidade atual da produção cinematográfica brasileira, ambiente marcado pela pluralidade de agentes que atuam no processo de produção desde sua fase de concepção à comercialização. Propõe-se que projetos inovadores orientados pelo design estratégico traçam cenários que contemplem as duas forças que se contrapõem, de tal sorte que esse segmento da economia se mantenha competitivo no espaço contemporâneo de desenvolvimento da indústria do entretenimento. 

Design de Ghettos dans le grand ville: les anjeux du design pour l’innovarions socialle.

SILVA, A. R. DA ; PARODE, F. P. ; BENTZ, I. M. G. .  Esprit Critique (Montréal), v. 14, p. 66-75, 2011.

Sobre Inovação Cultura: comunicação e tecnologia.

BENTZ, I. M. G..  Strategic Design Research Journal, v. 4, p. 20-40, 2011.

Preliminary Studies ion Innovation in Services from the Strategic Design perspective.

BENTZ, I. M. G.; Lacerda, D. .  Strategic Design Research Journal, v. 4, p. 127-131, 2011.

Este trabalho está inserido em um projeto de pesquisa maior intitulado “Cultura da Inovação: desenvolvimento de abordagem qualitativa para subsidiar a inovação em serviços no setor calçadista para PMEs (Unisinos – SEBRAE/RS)” que prevê basicamente quatro etapas: (a) Revisão bibliográfica, etapa ativa até a conclusão do trabalho; (b) Estudo exploratório de empresas, a partir da identificação de contextos, culturas e comunidades interpretativas corporativas;(c) Identificação dos principais elementos para definição de uma proposta experimental de serviços; e (d) Proposta de modelo. A base teórico-metodológica é transdisciplinar com interfaces entre as áreas de Comunicação, Semiótica e Gestão. Até o presente momento foram desenvolvidas as etapas (a), (b) e (c), em estágio considerado intermediário, mas que já permitem inferir premissas para construção de um modelo digital de serviços em rede para pequenas e médias empresas. É inspirada nesses insights que se alicerçam as considerações apresentadas neste texto.

Pensamento Estrutural: um modo de interpretar o mundo.

BENTZ, I. M. G..  Revista de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, v. 38, p. 133-144, 2010.

Freud, desde seus primeiros escritos, utilizava a palavra “estrutura” sem maiores restrições. Na verdade, nessa época, o significante “estrutura” estava mais ligado à ideia de que haveria uma armação, um esqueleto que amparava, seja um edifício, seja um corpo, por exemplo. No caso da psicanálise, sustentava o que Freud chamou de aparelho psíquico. Mais precisamente, existe uma base que produz uma série de sintomas mentais que compõem um conjunto de elementos representativos de determinado arranjo subjetivo, como a histeria ou a neurose obsessiva. Mas a psicanálise, como todos sabemos, sofreu uma série de influências de outros campos de conhecimento, como a filosofia, a linguística e a antropologia. E, desse modo, vários questionamentos foram aparecendo, inclusive o que examinava a noção de estrutura. Deve-se, principalmente, a Jacques Lacan o estabelecimento do debate com o antropólogo Lévi-Strauss a respeito de uma proposição sobre esse tema, e a discussão entre estrutura e estruturalismo. LéviStrauss foi o grande inspirador de Lacan para promover o retorno à noção de estrutura – que já existia sob a pena de Freud – mas precisando que é na estrutura da linguagem que o inconsciente opera. Amplia-se, assim, a discussão entre estrutura, tal como existia na proposta freudiana, e as proposições do estruturalismo, corrente filosófica em voga, na França dos anos 50, portanto, contemporânea das ideias iniciais de Lacan, que, mesmo não tendo aderido ao “modismo”, não deixou de ser influenciado por ele. Isso fica evidente no texto de 1953, Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise, em que Lacan precisa a ideia das estruturas de linguagem e suas incidências nas leis sociais e de parentesco, afirmando que são esses elementos que fornecem os fundamentos objetivos do inconsciente. Então, neste número da Revista, em que propomos o debate a propósito da noção de estrutura, pareceu-nos necessário retomar, na seção Recordar, Repetir, Elaborar, a discussão no que concerne a um dos elementos fundamentais do estruturalismo, que é a vertente histórica, já que, em alguma medida, dela somos tributários. Para tanto, propusemos à professora Ione Bentz o desafio de contextualizar a noção do estruturalismo presente em Lévi-Strauss e sua influência na psicanálise. Ressaltando nesse texto que, mais do que uma proposição teórica, o estruturalismo evidencia a lógica de um pensamento, mais precisamente, a lógica do sistema psíquico estruturado como uma linguagem. Ione Bentz, autora desse artigo, tem um currículo extenso nessa área; é professora titular e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Design da Unisinos (RS); Mestre em Linguística e Letras pela PUC-RS; Doutora em Linguística e Semiótica pela USP (1981); Estágio Pós-Doutoral em Linguística e Letras – Paris VIII; Estágio de Pesquisa – Fundação Calouste Gulbenkian. Dispõe de experiência em ensino, pesquisa e orientação nas áreas de Linguística e Comunicação: Teorias da Linguagem (Discurso e Narrativa) e de Comunicação – Mídias e Produção de Sentido (Teorias e Metodologias); Semiótica Aplicada ao Design; experiência em gestão de pesquisa e ensino, como Coordenadora de Programa de Pós-Graduação, Diretora do Centro de Ciências da Comunicação e Diretora da Unidade de Pesquisa e Pós-Graduação – Unisinos/RS; Participação na Diretoria da COMPÓS (Associação Nacional de Programas de PósGraduação em Comunicação).

Imagens como membranas transductivas: mutações e convergências de sentido em arte, comunicação e design. 

PARODE, F. P. ; BENTZ, I. M. G. ; SILVA, A. R. DA . Ghrebh-, v. 1, p. 50-61, 2010.

O foco deste trabalho são as traduções intersemióticas que partem de uma imagem que migra ‐ a do coelho ‐ por diferentes suportes: o livro de Lewis Carroll; os registros plásticos de Eduardo Kac, criador de Alba, e o filme de Tim Burton, Alice. Tais imagens, que ora contaminaram ora foram contaminadas pelo pensamento de Gilles Deleuze, em Lógica do Sentido, também registram expressividades híbridas advindas das experiências de Hieronymus Bosch, Francis Bacon e Marcel Duchamp. A arte se coloca entre os indivíduos e o mundo como uma membrana transdutiva, permitindo passagem e retenção como um filtro de formas e conteúdos. Algumas perguntas se impõem: Quais os índices de mutação e convergência verificáveis nas imagens contemporâneas, em termos gerais, e na imagem do coelho, elemento que contamina polissemicamente as diferentes mídias que o veiculam? De que modo a arte contemporânea tem expressado o intertextual como modalidade de experimentação?

Semiótica y comunicación: ensayo de síntesis.

BENTZ, I. M. G..  SIGNA – REVISTA DE LA ASOCIACIÓN ESPAÑOLA DE SEMIÓTICA, ESPANHA, v. 10, p. 53-66, 2001.

Son objeto de particular interés las relaciones que se establecen entre los campos de saber de la Semiótica y de la Comunicación. Ambos se asocian en la tarea de comprender los sentidos, como producción y lectura, y su funcionamiento en la acción comunicacional.

Comunicação e sentido: a gestualidade no cuidado humano. 

BENTZ, I. M. G.. ECOS REVISTA, Pelotas: UFPEL, v. 4, n.1, p. 5-15, 2000.

Pesquisando os sentidos nos processos midiáticos: movimentos para uma configuração teórico-metodológica.

BENTZ, I. M. G..  Revista Fronteira (UNISINOS), São Leopoldo: Ed. Unisinos, v. 2, n.2, p. 57-70, 2000.

BENTZ, I. M. G.. Sentido e comunicacao: elementos para a leitura dos fatos de cultura. VERSO & REVERSO, São Leopoldo, v. 23, p. 87-97, 1997.

O quase-texto sobre a visibilidade na expressão literal.

BENTZ, I. M. G..  ORGANON, São Leopoldo, v. 9, n.23, p. 191-197, 1996.

 This essay reexamines Semiotics under the light of the social practice and communication. Taking the semiotic fact as a communicational one, the notion of conventionality and the factors of contextual and factic order are here considered. The idea of social practice brings up-to-date components of historical, ideological and cultural order, which build up a system of reference where the subject articulates himself. The author expatiates upon the visibility in the literal expression, pointing out the capacities of the languages — since they are signical processes — in order to build up referentials.

A nova ordem da linguagem das mídias. 

BENTZ, I. M. G.. CADERNOS DE INFORMATICA E EDUCACAO, Pelotas, p. 15-28, 1996.

Sobre a imagem: a prima pobre da palavra.

BENTZ, I. M. G.. REVISTA PALAVRA COMO VIDA, São Leopoldo: Ed. Unisinos, v. 39, p. 25-26, 1996.

A intertextualidade: algumas reflexões.

BENTZ, I. M. G..  LINGUAGENS, Porto Alegre, v. 5, p. 18-27, 1993.