II Congresso da Sociedade Latinoamericana de Peirce

O comitê organizador do II Congresso da Sociedade Latinoamericana de Peirce tem o prazer de anunciar que o evento será reativado e se realizará de maneira virtual entre os dias 20 e 24 de Setembro do ano em curso, nos horários da manhã.

Temos chamada aberta para dois tipos de artigos:

Conferências sobre qualquer assunto relacionado com a obra de Charles S. Peirce e avanços em projetos de mestrado e doutorado sobre Peirce. O objetivo dessa atividade é apresentar o desenho do projeto completo ou o andamento de um dos capítulos ou seção do trabalho. Espera-se que os estudantes recebam feedbacks dos pesquisadores que participam do evento e estes se informem sobre as investigações recentes que estão sendo realizadas.

Os dois tipos de conferências terão o tempo máximo de 30 minutos para a apresentação e 10 minutos para as perguntas e comentários. Só se aceita uma proposta por pessoa.

Para ambas as chamadas deve-se enviar um resumo de no máximo 500 palavras no formulário disponîvel no link a seguir: https://artesyhumanidades.ucaldas.edu.co/blog/2020/02/26/ii-congreso-de-la-sociedad-latinoamericana-de-peirce/

A data limite para o envio dos resumos é 1° de Junho de 2021.

REVISTA INTEXTO: Dossiê Flusser, chamada de trabalhos e publicação em fluxo contínuo

Car@s colegas,

é com prazer que comunicamos a publicação do novo número da Revista Intexto e a chamada em fluxo contínuo de artigos para as próximas edições.

Este número dedicado aos 100 ANOS DO FLUSSER contou os professores Marcio Telles (UFRGS), Osmar Gonçalves dos Reis Filho (UFC) e Erick Felinto (UERJ) como editores convidados.

A partir de 2021 a Revista Intexto passará a publicar em fluxo contínuo, com apenas uma edição regular anual, à qual serão incorporados os textos aprovados logo após o término de seu processo de edição, sem a necessidade de esperar o lançamento das edições quadrimestrais. Após o encerramento da versão impressa e a criação da seção online first, trata-se de mais uma adaptação desta Revista às novas possibilidades de comunicação visando garantir aos leitores rápido acesso á produção científica.

Visitem nossa página www.intexto.ufrgs.br para acessar os textos publicados nesta última edição:

DOSSIÊ FLUSSER: 100 anos

ENTREVISTA

Flusser, o designer de futuros: entrevista com Norval Baitello Jr.

Anderson Gurgel Campos, Maurício Ribeiro da Silva

ARTIGOS

A ruptura historicista de Vilém Flusser na autobiografia filosófica Bodenlos

Bruno Garcia e Souza, Juliana Tillmann

Engajamento desterrado: a relação de Vilém Flusser com o Brasil

Rafael Alonso

Flusser, o profeta invertido: a crítica à sociedade de consumo e ao aparelho da ditadura militar em correspondência de Vilém Flusser e José Bueno

Tiago da Mota e Silva, Norval Baitello Junior

Um curso de Teoria da Comunicação de Vilém Flusser: dimensão epistemológica e projeto pedagógico

Luis Mauro Sá Martino

Os modelos culturais e a crise da educação: caminhos pedagógicos na Comunicologia de Vilém Flusser

Diogo Andrade Bornhausen

Vilém Flusser e Marshall McLuhan e as eras comunicacionais

Rodrigo Miranda Barbosa

O Outro da comunicação: intersubjetividade em Vilém Flusser

Tiago Quiroga, Guilherme Policena

Teoria da empatia e modelo praxiológico da comunicação: aproximações (improváveis) entre Flusser e Quéré

Leticia Cantarela Matheus, Raquel Dornelas

Um mundo de coisas mais competentes que nós: abrindo caixas pretas através de uma semiótica material em Vilém Flusser

Mauricio de Souza Fanfa, Phillipp Dias Gripp

Para brincar com caixas pretas: desprogramando dispositivos midiáticos

Isabella Chianca Bessa Ribeiro do Valle, Bárbara Héllen Menezes Fraga

Pós-verdade, cálculos e superfícies informadas: apontamentos para uma decodificação das imagens em rede

Sonia Montaño, Jardel Orlandin

Memes enquanto tecnoimagens: um olhar sob o prisma das teorias de Vilém Flusser

Arthur de Oliveira Rocha, Maria do Socorro Furtado Veloso

Flusser em Wuhan: por uma economia política da imagem técnica na iconomia do capitaloceno

Gilson Liberato Schwartz

Entre prescrições e sobrescrições: a experiência da leitura em ambiência digital

Carina Ochi Flexor

A gula de Flusser e o futuro ultratecnológico da comida: entre a ficção científica e a ciência ficcional

Antonio Hélio Junqueira

Um diálogo entre cinema, arte e ciência: pistas para uma crítica aos paradigmas da ciência moderna

Isadora Ebersol, Ana Paula Penkala

Duas cosmogêneses como chave de leitura para a Ponte Flusseriana do design

Sérgio Luciano da Silva, Rita Aparecida da Conceição Ribeiro

Um apontamento à visão de Vilém Flusser sobre a escrita de roteiros ante a minissérie Hoje é dia de Maria

Luis Roberto Arthur de Faria

Língua e discurso em Flusser e Foucault: um diálogo à espreita?

Marcos Beccari

Intexto é uma publicação em fluxo contínuo do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) avaliada como A3/B1 pela Capes. Lançada em 1997, está aberta a contribuições originais de autores brasileiros e estrangeiros. Acolhe pesquisas teóricas e empíricas realizadas no campo interdisciplinar da Comunicação, tendo como objetivo constituir-se como espaço para o debate e a difusão de ideias capazes de configurar diferentes cenários comunicacionais.

II Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades (CIPS) / Chamada de trabalhos

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Convidamos pesquisadores de todas as áreas para submissão de resumos para a II Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades – CIPS a se realizar online entre 9 e 11 de junho de 2021. Assim como em sua primeira edição, a II CIPS pretende promover a integração de diferentes campos do conhecimento relacionados ao som e às práticas sonoras.

O tema desta edição será “Sonoridades Fronteiriças”, que enfatiza as diferentes relações entre elementos sonoros/musicais assimilados e sedimentados nos variados contextos sociais, políticos e históricos, bem como aqueles que, por motivos diversos, são excluídos ou considerados secundários no atual modelo globalizado de produção e circulação midiática.

Os seis grupos de trabalho (GTs) propostos (abaixo) procuram abranger diferentes tópicos, desde a relação entre sons e espaços, aos diferentes usos de tecnologias, observados a partir de perspectivas decoloniais, feministas, não humanistas etc.

Esta edição será, excepcionalmente, realizada online, por conta das atuais condições mundiais de saúde. Cada um dos GTs apresentados abaixo foi proposto e será organizado por pesquisadores colaboradores de diferentes instituições no Brasil, em Portugal e no Canadá.

Acompanhe nossas próximas circulares para mais informações sobre como os trabalhos serão apresentados, uma vez que o evento é trilíngue.

Em breve também publicaremos a chamada para trabalhos criativos, como na primeira edição, mas que, desta vez, serão adaptados ao formato online.

SUBMISSÃO DE RESUMOS

Os resumos devem ser submetidos até o dia 31 de março para o email cips.sonoridades@gmail.com nos formatos .doc (ou .docx), informando no assunto do email “II CIPS”, seguido do GT pretendido (a indicação do GT no campo “assunto” é obrigatória).

O texto deve estar formatado em fonte Times New Roman, Corpo 12, espaçamento 1,5. No documento, deve constar, nesta ordem:

  • Título da proposta;
  • Autor(es), seus respectivos e-mails e filiação institucional (ou atividade principal);
  • Resumo de até 500 palavras;
  • Três a cinco palavras-chave;
  • GT pretendido.

Os resumos podem ser enviados em português, espanhol ou inglês. Alguns GTs realizarão a moderação em apenas dois desses idiomas, mas isso está indicado na descrição do grupo.

Visite o site www.sonoridades.net ou acompanhe nossas próximas circulares para mais informações.


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IV Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação

Car@s colegas,

Convidamos a tod@s para a IV Jornada Semiótica e Culturas da Comunicação a ser realizada de 29/09 a 2/10, das 18:30 às 22h.

Neste ano, o evento será online e transmitido pelo Youtube no seguinte endereço: youtube.com/gpsemiotica.

Confira a programação completa com resumos baixando o caderno de resumos abaixo.

Semiótica Revista – Edição Fátima Aparecida dos Santos

Semiótica Revista – Edição com os artigos publicados em periódico por Fátima Aparecida dos Santos

1.

CARIDADE, W. D. ; SANTOS, Fátima Aparecida dos . O corpo do homem negro na cidade: reflexões sobre o processo de colonização. CONCINNITAS (ONLINE) (RIO DE JANEIRO), v. 21, p. 390-403, 2020.

Assimilando meu corpo enquanto homem negro, esse artigo delineia por meio de uma performance que acionei num festival na cidade de Vitória/ES, onde tive a possibilidade de problematizar, alargar e redistribuir as fronteiras dos espaços urbanos, rompendo o lugar de ser só um corpo, passando me perceber enquanto sujeito que tem um corpo.

2.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. Comunicação visual, panfletagem política e a marca de governo: índices para compreender o cisalhamento do povo brasileiro.. InTexto, v. 1, p. 17-35, 2018.

No artigo, um argumento foi construído a partir dos significados da palavra povo, elencados por Agamben, e do significado da palavra democracia, segundo Jacques Rancière. Considera-se que o povo contém em si uma cisão inicial. Trabalha-se com a hipótese de que, nos acontecimentos compreendidos entre as manifestações pré-Copa das Confederações, entre 2013 e setembro de 2016, ocorreram processos graduais de convocação, agrupamento e cisão do povo brasileiro. A cisão inicial foi potencializada até culminar na divisão física da Esplanada dos Ministérios, durante a sessão de admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, pela Câmera dos Deputados Federais. Faz-se a análise semiótica de peças gráficas, diagramas políticos veiculados na televisão, memes na internet, panfletagem dos postes no Eixo Rodoviário Sul em Brasília e, por fim, da marca do governo interino de Michel Temer. Ao final, acredita-se que foi possível demonstrar que as comunicações visuais indiciam um processo de cisão do povo.

3.

DOS SANTOS, FÁTIMA APARECIDA; TIRADENTES SOUTO, VIRGÍNIA . Graphic design and user-centred design: designing learning tools for primary school. INTERNATIONAL JOURNAL OF TECHNOLOGY AND DESIGN EDUCATION, v. 29, p. 999-1009, 2018.

Does the contribution of children during the design process help graphic designers to create more efficient learning tools? In order to answer this research question, an experiment using both the user-centred design method and a traditional design method (without users’ consultancy) was conducted. The aim of this study was to verify whether the user-centred design method is effective in the design of graphic learning tools for primary school. The results show, among other things, that there was a greater level of difficulty in designing projects without the participation of children, than designing with them. Finally, the use of the user-centred design method is recommended both in print and product design disciplines, especially when the target audience is very specific.

4.

BRITO, I. G. ; SANTOS, FÁTIMA APARECIDA DOS . ARTE, DESIGN E O FEMININO: TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA DO CONTO LA LOBA EM LIVRO-OBJETO. TRÍADES EM REVISTA, v. 6, p. 2-17, 2017.

O design na cultura contemporânea tem o papel de solidificar pensamentos em signos gráficos e objetos. O conhecimento teórico e filosófico tem despertado maneiras de construção de objetos de design que desautomatizem modos de ver e interagir com o mundo. Dentre tais conhecimentos destacam-se: o embasamento na semiótica; a atenção aos processos de tradução intersemiótica; a compreensão do conceito de corpo e corpo político em  Espinosa, Deleuze e Guattari; a potencia da transformação do consumo em uso baseado nos estudos de Lucrécia D´Aléssio Ferrara; e o chamado à rebeldia de David Harvey. Neste artigo será demonstrado como tais conhecimentos contribuíram para a tradução intersemiótica do conto La Loba em livro-objeto

5.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. Aspectualidade e cidade. Um recorte da relação tempo e espaço como gênese. Lexia. Rivista di Semitiotica, v. 1, p. 489-504, 2017.

6.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. Design de informação e cidade: um exercício embrionário tendo Brasília como cenário.. Infodesign (SBDI. Online), v. 12, p. 157-157, 2015.

Neste artigo apresenta-se um exercício embrionário para a construção de relações entre design de informação e cidade. Parte-se do princípio de que o design de informação é um importante mediador para o uso de ambientes urbanos e a cidade, como meio técnico informacional, tem seu uso potencializado a partir das suas disponibilidades ambientais. Fundamenta-se o artigo a partir de importantes estudos sobre a cidade que pensam os atuais usos urbanos. Para tanto, além dos fundamentos básicos sobre design de informação, buscou-se a leitura de autores sobre a cidade como Lucrécia D´Aléssio Ferrara e David Harvey, sobre espaço técnica e política em Maldonado e Agamben e ainda, investiga-se a teoria da affordance de Norman como contribuição potencial para a relação de design de informação e contexto. Propõe-se um olhar inicial feito a partir de experiência didática pedagógica em sala de aula. Objetiva-se demonstrar como desde o início da graduação é possível pensar a construção de design a partir de contexto e relações.

7.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. Prefácio/Apresentação. Revista de design, tecnologia e sociedade, v. 1, p. 9-12, 2015

Apresentamos aos pesquisadores e leitores da área de Design e áreas correlatas o

segundo número da publicação Revista de Design, Tecnologia e Sociedade. Este número

congrega os textos de alguns dos pesquisadores  que participaram do I Seminário de

Pesquisa em Design, Tecnologia e Sociedade realizado na UnB em dezembro de 2014.

.

8.

SANTOS, FÁTIMA APARECIDA DOS; Nakagawa . O projeto gráfico da revista Fraude: cooperação didática entre comunicação e design. Revista de Design, Tecnologia e Sociedade da UnB, v. V. 2, p. 63-82, 2015.

Este é um artigo sobre a construção de um projeto gráfico para revista impressa. A Revista Fraude é produto do programa de tutoria da Faculdade de Comunicação Social da UFBA e, por isso, sua elaboração é resultado de prática pedagógica. Ainda que sem definir procedimentos didáticos, na elaboração da revista foram aplicadas didáticas como: aprendizado por resolução de problemas, aprendizado por elaboração de projeto e co-design. Como resultado obteve-se um projeto gráfico que melhorou efetivamente a relação verbo visual da revista e com isso permitiu maior fruição das leituras ofertadas.

9.

SANTOS, Fátima Aparecida dos; SOUTO, Virgínia Tiradente ; GARROSSINI, D. F. . A IMPORTÂNCIA DA ALFABETIZAÇÃO ARTÍSTICA E SENSÍVEL PARA A FORMAÇÃO DE DESIGNER NO BRASIL. Educação Gráfica (UNESP. Bauru), v. 18, p. 66-74, 2014.

Apresenta-se nesse artigo algumas considerações sobre formação escolar necessárias para o bom aprendizado em cursos superiores de Design. Faz-se um breve levantamento sobre a história da Arte-educação no Brasil, sua importância para o ensino de Design e a relevância de “alfabetizações” artísticas para a formação profissional. Paralelo ao histórico da Arte-educação busca-se apresentar a história da implantação do Design no Brasil. Entende-se como processo de “alfabetização” os conhecimentos considerados básicos em termos de Artes e que garantiriam ao estudante do ensino superior os elementos necessários para expressar-se. Fundamenta-se a pesquisa em textos de autores como Ana Mae Barbosa, Rita Couto e Bruce Acher entre outros. Apresenta-se o histórico resumido de cinco importantes cursos brasileiros de Design (ESDI, PUC-Rio, UFPE, UNESP-Bauru e UnB) e os apontamentos de professores destas instituições sobre a relação currículo, histórico e Arte-educação. Ao final o artigo é uma reflexão a cerca da educação como processo continuo de construção de conhecimento.

10.

SANTOS, Fátima Aparecida dos; CAMARA, Rogério José . A comunicação visual nas fachadas da via w3Norte em Brasília: índices dos modos como a cidade moderna é vista e interpretada.. Revista de Design Tecnologia e Sociedade, v. 1, p. 15-32, 2014.

Trata-se neste artigo da relação entre a comunicação visual de uma avenida de comércio popular em Brasília. Analisa-se e documenta-se o modo como os comerciantes entendem o projeto moderno da cidade de Brasília e tentam reproduzir em suas fachadas os índices da modernidade. Aborda-se ainda do conflito entre as características e símbolos trazidos pelo homem do campo para uma cidade moderna. Como método de trabalho estudaram-se documentos oficiais da cidade, textos históricos sobre o modernismo, o modernismo no Brasil, a história de Brasília e a história do design no Brasil; entrevistaram-se os comerciantes; realizou-se o registro iconográfico da via W3Norte utilizando fotografia e vídeo. A hipótese inicial de trabalho foi a de que a visualidade da Via W3Norte tinha surgido a partir de uma apropriação espontânea de área pública. Comprovou-se entretanto que as modificações de projeto foram realizadas pelo poder público e que a visualidade da via resulta da necessidade do comerciante expressar sua cultura oportunizada pelo fato da comunicação visual e do design das fachadas possuírem regras menos rígidas do que a arquitetura das lojas. 

11.

SANTOS, Fátima Aparecida dos; SOUTO, V. T. ; GARROSSINI, D. F. . A IMPORTÂNCIA DA ALFABETIZAÇÃO ARTÍSTICA E SENSÍVEL PARA A FORMAÇÃO DE DESIGNER NO BRASIL. Educação Gráfica (Online), v. 18, p. 66-79, 2014.

Apresenta-se nesse artigo algumas considerações sobre formação escolar necessárias para o bom aprendizado em cursos superiores de Design. Faz-se um breve levantamento sobre a história da Arte-educação no Brasil, sua importância para o ensino de Design e a relevância de “alfabetizações” artísticas para a formação profissional. Paralelo ao histórico da Arte-educação busca-se apresentar a história da implantação do Design no Brasil. Entende-se como processo de “alfabetização” os conhecimentos considerados básicos em termos de Artes e que garantiriam ao estudante do ensino superior os elementos necessários para expressar-se. Fundamenta-se a pesquisa em textos de autores como Ana Mae Barbosa, Rita Couto e Bruce Acher entre outros. Apresenta-se o histórico resumido de cinco importantes cursos brasileiros de Design (ESDI, PUC-Rio, UFPE, UNESP-Bauru e UnB) e os apontamentos de professores destas instituições sobre a relação currículo, histórico e Arte-educação. Ao final o artigo é uma reflexão a cerca da educação como processo continuo de construção de conhecimento.

12.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. Modelos teóricos da comunicação e da linguagem aplicados. Projética, v. 3, p. 220-230, 2012.

13.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. Design: a conexão do corpo com o ambiente e a sintaxe do pensamento humano. Tríades em Revista, v. 1, p. 7, 2008.

O presente artigo tem como objetivo analisar algumas sintaxes das lin- guagens do design gráfico presentes no ambiente urbano. Para tanto, se- lecionamos entre a multiplicidade de signos da cidade alguns outdoors e mobiliários urbanos para observar seu diálogo com a cidade e os usuários. Construímos uma aproximação teórica entre o design e os textos de Jakob Von Uexküll para ler a relação entre os seres e o entorno; e os textos de James Jerome Gibson para entender as informações disponíveis no am- biente e os dispositivos que temos para capturá-las e conectá-las a nós. O conceito de ambiente como espaço qualificado permitiu-nos entender que o homem comporta-se como um processador de informação e dis- posição de sintaxes e que esse movimento de compreensão do mundo, a transformação do mesmo em linguagem, é o que diferencia espaço de ambiente. A relação entre design e publicidade revelou-se como um pro- cesso complexo de produção de linguagem, no qual o primeiro ocupa o lugar de organizador e a segunda o lugar de condensador de repertórios. 

14.

SANTOS, Fátima Aparecida dos. As web pages e as suas possibilidades de gerar conhecimento. Mosaico- Revista Multidisciplinar de Pesquisa da UNIFEV, v. 1, p. 61-74, 2004.

Revista InTexto anuncia nova edição e chamada de trabalhos

Comunicamos a publicação do novo número da Revista Intexto e a chamada em fluxo contínuo de artigos para as próximas edições.

Visitem nossa página www.intexto.ufrgs.br para acessar os textos publicados nesta última edição:

ENTREVISTA

A ética do intelecto: entrevista com Lúcia Santaella • Alexandre Rocha da Silva

ARTIGOS

Jurandy surfa sobre um Jacaré tocando o bolero de Ravel • Heloísa de Araújo Duarte Valente

Pink Orange Red: interpretação, sentido e presença nas canções da banda Cocteau Twins • Aline Gabrielle Renner, Marcelo Bergamin Conter

“A memória é uma ilha de edição”: notas para pensar os modos de produção e circulação de imagens a partir da hashtag #tbt no Instagram • Cândida Maria Nobre de Almeida Moraes, Maria das Graças Pinto Coelho

A crueldade e o erotismo sacroprofanos na trilogia da depressão de Lars von Trier • Leda Tenório da Motta, Marcelo dos Santos Matos

Censores em transe: análise do processo de censura do filme Terra em transe • Talita Souza Magnolo, Ramsés Albertoni Barbosa, Christina Ferraz Musse

Instantes Mágicos de Ingmar Bergman • Atílio Avancini

Ateu, graças a Deus: a crítica ao sacerdócio no cinema de Luis Buñuel • Fabiano Pereira de Souza, Rogério Ferrarraz

Do encontro à duração: amor na trilogia Antes do amanhecer, Antes do pôr do sol e Antes da meia-noite • Carolina Oliveira do Amaral

Mundivisão proletária no cinema dos grupos Medvedkine • Leonardo Gomes Esteves

Sobre corpos isolados na imagem: a mise en scène em Sangue negro, de Paul Thomas Anderson • Thiago da Silva Rabelo, Rosana Maria Ribeiro Borges

Cinema de asserção pressuposta: apontamentos sobre a construção intencional em dois curtas-metragens brasileiros • Cristiana Magalhães de Carvalo Azevedo, Potiguara Mendes da Silveira Jr, Marília Xavier de Lima

Silenciamento, visibilidade controlada ou representatividade? Que “negro” é esse em Guilhermina e Candelário? • Renata Barreto Malta, Roseli Pereira Nunes Bastos, Cândida Santos de Oliveira

Saída do segundo armário: análise das narrativas autobiográficas de Felipe Mastrandéa • Robson Evangelista dos Santos Filho, Mariana Ramalho Procópio Xavier

Identidade profissional, tribo jornalística e dinâmicas divergentes de produção noticiosa: a narrativa de carreteras secundárias de Bru Rovira • Mauro de Souza Ventura, Tayane Aidar Abib

O surgimento da pesquisa em Jornalismo de Dados no Brasil • Jessica Bazzo, Dalton Lopes Martins, Filipe Augusto Couto Barbosa

Lugar e tempo: Bento Rodrigues no Lampião • Karina Gomes Barbosa, André Luís Carvalho

Poéticas do tempo na obra de João Anzanello Carrascoza: narrativa e estilo em Tempo Justo • Míriam Cristina Carlos Silva, João Paulo Hergesel, Isabella Pichiguelli

Intexto é uma publicação quadrimestral do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) avaliada como A3 pela Capes. Lançada em 1997, tem periodicidade quadrimestral e está aberta a contribuições originais de autores brasileiros e estrangeiros em fluxo contínuo. Acolhe pesquisas teóricas e empíricas realizadas no campo interdisciplinar da Comunicação, tendo como objetivo constituir-se como espaço para o debate e a difusão de ideias capazes de configurar diferentes cenários comunicacionais.

XVI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura

O XVI Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura – ENECULT será realizado em formato online entre os dias 15 e 18 de setembro de 2020. Maior evento de estudos em cultura realizado no país, o encontro é uma iniciativa criada com o intuito de consolidar e avançar em um espaço de discussão sobre temas relacionados à cultura, numa perspectiva transversal e multidisciplinar.

Este ano, a programação do ENECULT precisou ser adaptada para acontecer em formato online e mais compacto, com isso, algumas modalidades já tradicionais da programação não irão acontecer, tais quais: simpósios, grupos de trabalho (com comunicações livres), minicursos e relatos de experiência.

Durante os dias do XVI Encontro será possivel acompanhar o total de nove mesas que debaterão temas relevantes para a cultura na contemporaneidade, uma feira de livros realizada em parceria com a EDUFBA (Editora da Universidade Federal da Bahia) além de uma programação cultural feita por intermédio de grupos e instituições parceiras.

A mesa Os processos de semioses das fake news acontecerá no dia 16 de setembro (quarta-feira), das 14h às 16h, com a participação de Lucia Santaella (PUC-SP), uma das principais pesquisadoras e professoras de semiótica no país com mais de 40 livros publicados e Ronaldo Henn (UniSinos), pesquisador de semiótica e comunicação com pesquisas que abordam a produção de acontecimento nas redes sociais digitais. A atividade é coordenada pelas professoras Renata Gomes (UFRB) e Lidiane Pinheiro (UNEB).

O objetivo da mesa é discutir, sob o ponto de vista da semiótica, os processos de geração de sentidos que colaboram para a produção de fake news, bem como a semiose gerada por meio delas. Tendo em vista a relação entre o universo dos signos e o da política, sobretudo pela circulação de discursos verossímeis em bolhas sociais, a partir de notícias falsas, mentiras compartilhadas como se fossem verdadeiras ou mensagens baseadas em um mundo ficcional, a mesa propõe tratar de temas e questões como: quais são as principais características semióticas das fake news? Como elas se articulam no universo da cultura? O que e como elas representam? Como entender ciência e pós-verdade neste contexto?

O XVI ENECULT é realizado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura) do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC) e Faculdade de Comunicação (Facom). As transmissões acontecerão através do site do evento e também pelo Youtube.com/enecult (inscreva-se para receber notificações). As inscrições podem ser feitas em enecult.ufba.br

Para mais informações, acesse: www.cult.ufba.br/enecult

Edição Bibiana de Paula

Semiótica Revista – Edição com os artigos publicados em periódico por Bibiana de Paula

O Prenúncio do Escritor: Uma análise do texto jornalístico de Gabriel García Márquez.

FRIDERICHS, BIBIANA DE PAULA; ROCKENBACH, FÁBIO LUIS. VIA ATLÂNTICA, v. 1, p. 175-192, 2018.

O presente trabalho busca identificar características do texto informativo que surgem na produção jornalística de Gabriel García Márquez, para compreender de que forma o autor se adapta às normas de padronização instituídas no jornalismo moderno, ou as refuta, em um período de sua vida que pode ser reconhecido como importante para sua formação como futuro escritor. O estudo bibliográfico focaliza a sua coletânea jornalística e demonstra que, em seus primeiros anos de profissão, García Márquez rejeitou a excessiva padronização textual, adotando características que marcariam seu texto como representante da vertente do novo jornalismo latino-americano.

Sexo e desejo: o jogo da leitura em Je t’aime- moi non plus

FRIDERICHS, BIBIANA DE PAULA. Significação: Revista de Cultura Audiovisual, v. 43, p. 274-288, 2016.

O presente ensaio propõe uma leitura semiológica do filme Je T’Aime… Moi non plus, dirigido por Serge Gainsbourg, na França, em 1976. O estudo tem como teórico norteador Roland Barthes, para quem o processo de produção de sentido, se dá a partir de uma relação entre forma e conteúdo, onde menos importa o significado, do que jogo estrutural dos significantes. Trata-se de uma percepção que pluraliza a definição de texto e o percebe como espaço de realização da subjetividade, não apenas do autor, mas também do leitor. Barthes esboça, então, uma Teoria da Leitura, onde defende a vocação do sujeito que lê em deixar-se atravessar pela linguagem e restaurar a polissemia do sentido. Sob este pressuposto, observamos que tal narrativa cinematográfica propõe um jogo previsível a este sujeito, onde ora o signo parece amarrado ao estereótipo, e ora indica uma ruptura com essa cristalização do sentido.

Promoção de Saúde no rádio: uma experiência interprofissional por meio de estratégias multimídias.

BARELLI, C. ; FRIDERICHS, B. P. ; PEREIRA, A. W. ; PELUSO, D. D. ; SACHETTI, D. Extensio (Florianópolis), v. 12, p. 135-145, 2015.

O artigo relata. a experiência do projeto de extensão ”Promoção de saúde no rádio” em dois anos de desenvolvimento. O objetivo é divulgar informações qualificadas sobre saúde junto aos ouvintes de uma rádio corrrunítária, maximizando os conhe.ámentos da população sobre temas priorizados pelas políticas públicas e fortlilecendo a integnição ensino-serviço-comunidade. Integra estudantes da átta da saúde e de jornalismo que elaboram os ”programetes”, a participação no progm.ma semanal ”Diretoria”, vídeos-documenci.rios e exposições fotográficas com enfoque na promoção de saúde. Os resultados alcançados para os extensionist:as abrangem a aprendizagem coJaborativa e interptofissional, além da aquisição de habilidades e conhecimentos que não são oportunidades dadas pelas atividades didáticas convencionais de seus cursos. Avaliar o impacto do projeto na comunidade abrangida ainda é incipiente, contudo a repercussão do projeto, a integnição de novos parc.eiros e o feedback dos ouvintes revelam o alcance das metas relativas à promoção de saúde por estratégias multimídias.

Carreira, família e a dialógica do assujeitamento: o discurso vigente em uma revista popular de negócios.

OLTRAMARI, Andrea ; FRIDERICHS, B. P. ; GRZYBOVSKI, D. Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 11, p. 112-130, 2014.

Há uma série de pesquisas acadêmicas sobre assuntos relacionados à gestão em mídias populares de negócios que possibilitam uma visão do modelo de gestão disseminado na atualidade. O objetivo deste artigo é compreender, por meio do estudo da discursividade em nível verbal e não verbal, como tal modelo gerencial, no que concerne às relações entre carreira e família, revela-se na revista Você S/A. A abordagem teórica do modelo gerencialista é de Vicent de Gaulejac, para quem os princípios da vida são substituídos por princípios interiorizados pela lógica da organização, tornando o sujeito pronto a tudo para ter sucesso. A sustentação metodológica é construída com base nos pressupostos da semiologia barthesiana, por intermédio de três categorias a priori: discurso, estereótipo e mito. Elas estão organizadas em uma disposição que contempla a discursividade, transitando dos seus aspectos mais concretos para os mais abstratos, com a finalidade de facilitar a leitura do nosso objeto. Os resultados indicam que a principal oferta feita ao leitor manifesta-se por meio de uma série de receituários no que concerne à solução dos dilemas relativos à família e/ou carreira, cuja decisão de prioridade, de um lado, fica a cargo do empregado, e do outro, já está predeterminada pela condição de seu assujeitamento.

A mídia como meio e como instituição na hipermodernidade e na modernidade líquida.

FRIDERICHS, B. P.; CARVALHO, Fabrício . Iniciacom: revista brasileira de iniciação cientifica em comunicação social, v. 5, p. 1-26, 2013.

Este artigo integra uma pesquisa em andamento, cujo objetivo é estudar a relação entre a mídia – termo abordado em um mapeamento de alguns conceitos – e a sociedade, neste momento, particularmente sob a perspectiva da hipermodernidade de Lipovetsky (2004), e da modernidade líquida de Bauman (2001). Sob o viés de uma revisão bibliográfica e análise comparada, mostrou-se possível propor relações pertinentes entre a mídia, como meio e instituição, e a sociedade.

Cultura, consumo e esteriótipo: significações de estudantes do curso de educação artística.

ORMEZANO, Graciela ; POTRICH, Cilene ; FRIDERICHS, B. P. ; ARALDI, Lilian. Revista FAMECOS, v. 1, p. 118-128, 2007.

O presente estudo faz parte de uma investigação maior que discute a influência dos estereótipos veiculados pela televisão na formação de acadêmicas do curso de Educação Artística: Habilitação em Artes Plásticas – LP da Universidade de Passo Fundo. Os objetivos visam investigar a percepção das participantes a respeito dos modelos estéticos humanos construídos/reproduzidos pela mídia televisiva.

Jornal O Nacional e Bairro Leonardo Ilha: as relações translingüísticas na produção de sentido

RAMOS, R. J. ; FRIDERICHS, B. P. .Gestão e Desenvolvimento (Novo Hamburgo), v. 3, p. 73-83, 2006.

O presente ensaio é um estudo semiológico que tem como objeto de investigação a produção de sentido verbal e não-verbal de uma notícia, ilustrada com foto, publicada no Jornal O Nacional em Passo Fundo/RS sobre a comunidade de moradores do bairro Leonardo Ilha, localizado na zona urbana da mesma cidade. O teórico norteador da pesquisa é Roland Barthes, por intermédio de cinco categorias: Discurso (Pirâmides Normal, Invertida e Mista e Estereótipo); Fotografia (Studium e Punctum); Mito; Poder e Socioleto (Encrático e Acrático). Através das reflexões deste autor, o trabalho busca estabelecer relações entre o lingüístico e o translingüístico no acontecimento registrado. O método utilizado é a Dialética Histórico- Estrutural (DHE), que compatibiliza os princípios de movimento próprio da Dialética, e a invariância, própria do Estruturalismo, explicando a idéia de realidade, através de elementos formais e históricos, pertinentes à escolha do objeto e dos objetivos do ensaio.

Semiótica Revista – Dossiê Introdução ao Trans Studies

Seguindo a publicação revisões semióticas acerca dos temas estudados pelos pesquisadores integrantes do grupo, contamos agora com a curadoria de Taís Severo, no dossiê Introdução ao Trans Studies.

• KESSLER, Suzanne; McKENNA, Wendy. Gender: An Ethnomethodological Approach. Chicago: The University of Chicago Press, 1985.

Nesta obra originalmente publicada em 1978, as autoras desafiam o sexo como categoria imutável e percebida como realidade objetiva para enquadrá-lo como uma construção social determinada pelo gênero — e não o contrário, como no modelo desenvolvido a partir do final dos anos 1960, onde o binômio sexo/gênero significava biologia e cultura, respectivamente. Ao utilizar a transexualidade como base de suas teorias, vários pontos levantados pela obra seriam definitivos para o discurso dos Trans Studies: definir sexo como espectro, ao invés de um sistema dual binário e estanque; reconhecer a importância da atribuição e designação do gênero no nascimento; e demonstrar como a produção da inteligibilidade do gênero em sociedade, reproduzido pela busca da passabilidade das pessoas trans, é marca comum à todos os indivíduos em sociedade.

• BOSWELL, Holly. The transgender alternative. Chrysalis Quarterly, v. 1, n. 2, 1991, pp. 29-31. Disponível em <http://dallasdenny.com/Chrysalis/2013/12/14/cq-flashback-1991/>.

O ensaio de Boswell analisa as características de transexuais e crossdressers/drag queens, posicionando-as em opostos de um espectro de variação do gênero e propondo o “transgenerismo” como um meio termo. Embora nesta época a palavra transgênero já fosse utilizada como um guarda-chuva para as diversas identidades gênero-divergentes, a autora propõe seu uso também para indicar as pessoas trans que sentem-se confortáveis no meio do caminho entre as transexualidades e as travestilidades, definindo cirurgias ou hormônios como meramente opcionais ao invés de requerimentos para a legitimidade de uma transição de gênero.

• STONE, Sandy. The Empire Strikes Back: A posttranssexual manifesto. Camera Obscura, v. 10, n. 2, 1992. pp. 150-176. Disponível em <https://sandystone.com/ empire-strikes-back.pdf>.

Ao contrapor de forma veemente as críticas transfóbicas de Janice Raymond em The Transsexual Empire (1978) — a obra fundadora da vertente antitransgênero do feminismo radical — e a patologização de Harry Benjamin em The Transsexual Phenomenon (1966), Sandy Stone gerou o manifesto que impulsionaria a criação dos Trans Studies. Originalmente publicado em 1988, Stone, à época orientanda de Donna Haraway, defende que a identidade transexual é válida e verdadeira, e não pode ser automaticamente enquadrada como fruto de conspiração misógina, delírio psicológico ou defeito congênito. A autora ainda clama a população trans à visibilidade voluntária e à ação política através da reapropriação das diferenças e do enquadramento enquanto minoria político-social oprimida.

• FEINBERG, Leslie. Stone Butch Blues. New York: Firebrand Books, 1993.

Considerado um clássico da literatura queer, a novela de Feinberg é um marco essencial na história das transmasculinidades e das identidades não-binárias, expandindo e individualizando-as diante do feminismo lésbico. O autor enfatiza a persistência história das pessoas trans como grupo sob forte controle e perseguição, e retrata as experiências de homofobia, heteronormatividade e transfobia nos anos 1970. Tratando também de questões de raça e classe, a obra exerceu grande influência não apenas sobre o ativismo trans e os Trans Studies, mas também sobre a Teoria Queer.

• STRYKER, Susan. My Words to Victor Frankenstein above the Village of Chamounix: Performing Transgender Rage. GLQ, v. 1, n. 3, 1994, pp. 237–254. Disponível em <https://doi.org/10.1215/10642684-1-3-237>.

A relação entre pessoas trans e o monstro de Frankenstein surgiu pela primeira vez em Gyn/Ecology: The Metaethics of Radical Feminism (1975), de Mary Daly. No capítulo Boundary Violation and the Frankenstein Phenomenon, Daly caracteriza mulheres transexuais como homens que estupram a identidade feminina e promovem uma invasão necrofílica dos espaços feministas. Quase vinte anos depois, Stryker responde não apenas a Daly, mas também ao manifesto pós-transexual de Sandy Stone — conectando a abjeção em Kristeva, a interpolação em Althusser e a performatividade em Butler para indicar que as pessoas trans situam-se fora da “ordem natural”, sendo este um local de potência, narração, ação e fala. À época, o texto motivou outros autores dos trans studies a assumir a reflexividade em suas produções e a legitimidade de suas experiências.

• BORNSTEIN, Kate. Gender Outlaw: On Men, Women, and the Rest of Us. New York: Routledge, 1994.

Mesclando narrativa autobiográfica e estudos de gênero, o livro de Bornstein é marcado pela completa dissociação do modelo patologizante das identidades trans, e pela ênfase na visão do gênero como fluida e fora do sistema de categorias do gênero. Sendo assim, a autora se coloca contra a visão da transexualidade enquanto binária, e posiciona a identidade transgênero dentro das esferas da individualidade e da livre expressão.

• DEVOR, Aaron. FTM: Female-to-Male Transsexuals in Society. Bloomington: Indiana University Press, 1997. Disponível em <https://www.jstor.org/stable/j.ctt2005v5h>.

Os estudos sobre as transmasculinidades emergiram com atraso em relação às transfeminilidades. Nesta pesquisa com 45 homens trans, Devor investiga as granularidades e complexidades destes indivíduos, relatando experiências que até então eram pouco conhecidas na academia. Em mais de 700 páginas, o autor explora detalhadamente o histórico da transexualidade, os processos de aquisição do gênero, e as trajetórias desde as disforias da infância à vida adulta pós-transição.

• PROSSER, Jay. Second Skins: The Body Narratives of Transsexuality. New York: Columbia University Press, 1998.

Prosser faz uma crítica à análise pós-estruturalista e à teoria psicanalítica que Judith Butler traz em Gender Trouble (1990) e Bodies that Matter (1993). Para o autor, mais do que um modelo psicológico, a identidade transexual se dá no plano físico, através do que nomeia como body ego (ego do corpo), e nas narrativas autobiográficas que conferem inteligibilidade a estas pessoas. A centralidade da obra se encontra nos efeitos da disforia de gênero, e nas transições que esta causa, apontando diferenças e especificidades do indivíduo transexual diante da identidade transgênero — e personificando estes sujeitos em contraposição ao uso de suas identidades como mero exemplo da performatividade na Teoria Queer.

• FAUSTO-STERLING, Anne. Sexing the Body: Gender Politics and the Construction of Sexuality. New York: Basic Books, 2000.

Fausto-Sterling, pesquisadora da interface entre a biologia e os estudos de gênero, é frequentemente citada nos trans studies. Nesta obra, a autora analisa o conhecimento científico sobre a aquisição do gênero: da anatomia à química do corpo e do cérebro, indica que a história, a cultura, os relacionamentos, a psique, o organismo e as células são lugares apropriados para estudar a formação e os sentidos da sexualidade e do gênero — ou seja, apontando que os componentes biológicos e culturais são indissociáveis. Para Fausto-Sterling, tanto a crítica feminista quanto a biologia molecular são instrumentos complementares para entender a identidade de gênero.

• COLAPINTO, John. As Nature Made Him: The Boy Who Was Raised as a Girl. New York: HarperCollins, 2000.

O livro conta a história de David Reimer, que teve seus genitais destruídos quando bebê e foi criado como uma menina sob supervisão de John Money — o psicólogo que definiu a separação entre gênero e sexo nos anos 1960, descrevendo o gênero como incompleto e maleável até os dois anos de idade. Apesar de Money ter publicado artigos indicando o sucesso da adaptação, a redesignação foi um fracasso, e David faria a transição para homem na adolescência. Parte biografia, parte entrevista, a história de Reimer causou grande impacto; tanto para fortalecer o argumento de que o gênero é um componente inato da personalidade, quanto para provocar mudanças no tratamento clínico de crianças intersexo, que frequentemente inclui cirurgias de redesignação nos primeiros meses de vida.

• MEYEROWITZ, Joanne. How Sex Changed: A History of Transsexuality in the United States. Cambridge: Harvard University Press, 2002.

Meyerowitz percorre detalhadamente o histórico da formação conceitual da transexualidade, com foco no desenvolvimento da patologização e na construção dos mitos narrativos norte-americanos que influenciaram o tema em todo ocidente. Partindo da tipificação rudimentar inicial por Magnus Hirschfeld no início do século XX e de personagens significativas como Lili Elbe e Christine Jorgensen, a autora acompanha a evolução do conceito de gênero, avalia a erotização na imprensa e na literatura pulp, e analisa os ativismos queer e os feminismos da virada do milênio.

• KOYAMA, Emi. The Transfeminist Manifesto. In: DICKER, Rory.; PIEPMEIER, Alison (eds.). Catching a Wave: Reclaiming Feminism for the Twenty-First Century. Boston: Northeastern University Press, 2003. Disponível em <https://eminism.org/readings/ pdf-rdg/tfmanifesto.pdf>.

Embora o ativismo trans já existisse há décadas, apenas em 2001 o transfeminismo estabeleceu-se no léxico dos movimentos. O manifesto de Koyama prioriza coalizões entre grupos diversos, afirmando buscar a liberdade de pessoas trans tanto quanto a liberação de todas a mulheres e pessoas queer. A autora ainda conclama mulheres trans a examinarem a internalização da heteronormatividade e das formas hegemônicas de expressão masculina e feminina, e compara a exclusão de mulheres trans ao racismo, afirmando que a discriminação causada por uma trajetória de vida incomum implica que a solidariedade feminista exige uma experiência compartilhada monolítica.

• HEYES, Cressida. Feminist Solidarity after Queer Theory: The Case of Transgender. Signs, v. 28, n. 4, 2003, pp. 1093-1120. Disponível em <https://www.journals.uchicago.edu/ doi/pdf/10.1086/343132>

Neste artigo, Heyes define e critica as bases do feminismo radical antitransgênero: objetificação, homogeneização, negação de agência e voluntariedade, e outrificação. Para a autora, tais enquadramentos demonstram a incapacidade de questionar a própria identidade, e reforçam a disciplina rígida do dimorfismo do sexo e gênero, enfatizando um ideal normativo do corpo. O reconhecimento de um campo político comum ao feminismo e ao transfeminismo, aceitando as diferentes experiências, significa, portanto, a formação de alianças e a solidariedade entre os grupos.

• BUTLER, Judith. Undoing Gender. New York: Routledge, 2004.

Publicado mais de uma década após Gender Trouble (1990), Butler atualiza seu tratamento teórico do gênero à luz dos ativismos gênero-divergentes — transgênero, transexual e intersexo. Nesta obra, Butler dá ênfase aos modos como o indivíduo pode ser visto como ininteligível, ou menos humano, a partir da erosão dos gêneros binários prevalentes. Considerando as tensões entre a Teoria Queer e os ativismos trans, a autora revê sua visão sobre as performances drag e ressalta os conflitos políticos internos que emergem da patologização da condição trans.

• SERANO, Julia. Whipping Girl: A Transsexual Woman on Sexism and the Scapegoating of Femininity. 2 ed. New York: Seal Press, 2016.

Publicado originalmente em 2007, e revisado e expandido em 2016, o livro de Serano investiga os aspectos específicos da misoginia contra mulheres trans, que chama de transmisoginia, para entender os processos de preconceito e discriminação sofridos por este grupo. A autora desconstrói as narrativas hegemônicas sobre as mulheres trans na academia, na medicina e na mídia, explorando os tópicos da objetificação, exclusão, apagamento, mistificação e, principalmente, sexualização — destacando a desvalorização da feminilidade como um valor-chave na manutenção do sexismo. Serano ainda oferece sua teoria da variação de gênero: o modelo de inclinações intrínsecas, onde a modulação de fatores biológicos e sociais define a identidade de gênero, a orientação sexual, e a expressão de gênero próprias de cada pessoa.

• BETTCHER, Talia Mae. Evil Deceivers and Make Believers. Hypatia, v. 22, n. 3, 2007, pp. 43-65. Disponível em <https://www.jstor.org/stable/4640081>.

As pesquisas de Bettcher investigam, a partir da filosofia, como os modelos normativos do sistema sexo/gênero provocam paradoxos e double binds que inevitavelmente resultam nas pessoas trans como falsas ou ilegítimas. Neste artigo, a autora examina o estereótipo de que pessoas trans buscam enganar a sociedade sobre quem são, rompendo a norma onde a apresentação do gênero tem relação direta e implica determinada configuração genital. Além disso, demonstra como tanto a narrativa do corpo errado (que implica um gênero inato em um corpo inadequado) como o modelo além do binário (que acusa o binarismo como indesejado e artificial) são problemáticos e causam opressão autofágica dentro dos ativismos trans.

• PRECIADO, Paul. Testo Yonqui. Madrid:España Calpe, 2008.

Analisando a biopolítica de uma era farmacopornográfica, Preciado questiona o que constitui um homem ou mulher “reais” no século XXI — uma vez que a biologia, maleável a partir da farmacologia, não é mais destino. Ao indicar que as indústrias farmacêutica e da pornografia agem criando desejos a favor da manutenção do capitalismo, Preciado conclui que o gender hacking, ou as micromanipulações do corpo, produzem novas possibilidades para uma revolução contra as ficções do gênero e como resistência contra o binário hegemônico.

DiálogosCOS – Arquivo Vilém Flusser São Paulo com Norval Baitello e Diogo Bornhausen

A PUCSP através dos professores Lucia Leão e Rogério da Costa convidam para a nova série de lives do DiálogosCOS que começa hoje, 21 ago, às 19h, no instagram @cos.pucsp.

O Arquivo Vilém Flusser São Paulo é a reunião de toda obra do filósofo tcheco-brasileiro. Seus escritos que totalizam 35 mil páginas, abrigados hoje na PUC-SP, têm sido traduzidos para mais de quarenta línguas estrangeiras. Seus leitores atuam nas mais diversas áreas das ciências humanas, desde a Comunicação, a Filosofia, as Artes, a Antropologia, a História, o Direito e a Telemática. Uma das atuais missões do Arquivo envolve desenvolver pesquisas a partir do pensamento de Flusser, bem como colher materiais e depoimentos inéditos sobre ele.