IV CIPS :: Silêncios (UFES, Brasil, 4 a 7 de junho de 2025) – Call For Papers

CHAMADA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS – Primeira Circular

IV Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades (CIPS) 

Silêncios

Datas:  04 a 07 de junho de 2025

Local: Universidade Federal do Espírito Santo – Vitória/ES – Brasil

 

Etapa online: 31 de maio de 2025

É conhecida a narrativa do compositor John Cage que, submetido a uma experiência de silêncio profundo em uma câmara anecóica, constatou que ainda conseguia ouvir os sons internos de seu próprio corpo. Essa história nos confronta com a inevitabilidade de um fenômeno complexo, de natureza múltipla e inesgotável: o silêncio.

 

O silêncio, que pareceria, em princípio, uma contraposição ao som, uma espécie de negativo, revela-se como um transbordamento das fronteiras do audível. A música ocidental explicita a importância incontornável dos silêncios, do pentagrama à sintetização sonora. Na partitura, a pausa é elemento marcado e significante, parte fundamental da própria composição. No digital, o silêncio é um bloco de tempo sem pulsar que se acrescenta à timeline composicional. A ausência de som, pode-se concluir, não é nulidade de sentido, mas sim o resultado parcial de uma maquinação comunicacional mais ampla de jogos de força a serem cartografados sob perspectivas interdisciplinares.

 

Ao adotar os silêncios como tema, procuramos não apenas tratar de perspectivas discursivas mais formalistas no espectro musical, mas também trazer a discussão para os campos social e político, pensando o silenciamento de povos, de vivências e de repertórios culturais. Apesar da constatação contrária de Cage, o silêncio pode também ser algo que nos acompanha e nos confronta com a ameaça constante da inexistência, do apagamento e da dissolução. Esse paradoxo intrínseco à ideia de silêncio apresenta-se como um importante tema a ser resgatado e atualizado para compreender os desafios do tempo presente no campo das sonoridades.

 

        A IV CIPS acolhe propostas de apresentações científicas e performances artísticas (para estas, realizaremos uma chamada separada em breve). Recebemos trabalhos que lidem com toda sorte de suporte, formato, mídia que lide com as sonoridades. Algumas das perspectivas, mas não as únicas, que interessam a esta conferência, são:

  • Ecologias sonoras: ruídos que silenciam, silêncios que amplificam;

  • Imagens e silêncios; vazios e ruídos;

  • Tecnologias e modelos de produção de silêncio;

  • Som, imobilidade e morte;

  • Estéticas do silêncio;

  • Ambiências e atmosferas sonoras silenciosas ou que silenciam;

  • Silêncios, seus afetos e processos de significação e sensação;

  • O silêncio nas práticas composicionais;

  • O devir-silêncio;

  • Políticas e culturas sonoras: sons, silenciamentos, lutas e insurgências de modos de vida contemporâneos.

SUBMISSÃO DE RESUMOS

         Os resumos devem ser submetidos até o dia 6/12/2024 para o e-mail cips.sonoridades@gmail.com nos formatos .doc (ou .docx), informando no assunto do e-mail: “IV CIPS – Resumo”.

 

A IV CIPS será um evento presencial, mas contará com uma etapa online para um número limitado de trabalhos científicos aprovados pela comissão científica de proponentes localizados fora da região Sudeste ou fora do Brasil que estejam impossibilitados de participar do evento presencialmente. Reservamos 24 vagas para esta modalidade.

O texto deve estar formatado em fonte Times New Roman, Corpo 12, espaçamento 1,5. No documento, deve constar, nesta ordem:

  • Título da proposta;

  • Proponentes, seus respectivos e-mails e filiação institucional (ou atividade principal); titulação máxima, ocupação ou área de atuação, cidade, estado e país de residência;

  • Resumo de até 500 palavras, indicando tema, objetivos, problema de pesquisa, referencial teórico, metodologia e adesão ao tema geral do evento;

  • Bibliografia de até 5 títulos;

  • Indicação de preferência por apresentação online (número limitado de mesas, apenas para autores de fora do Brasil ou de fora da região Sudeste).

         Os resumos podem ser enviados em português, espanhol ou inglês. Nós iremos nos corresponder com o primeiro autor do trabalho acerca do recebimento e avaliação do resumo.

Caderno de resumos da VIII Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação

Em decorrência da catástrofe antropogênica/climática que acometeu o RS, a VIII Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação foi transferida para os dias 26, 27 e 28 de junho de 2024, nas mesmas configurações antes previstas: presencialmente no auditório 2 e transmitida em plataforma online.

O caderno de resumos, que esse ano terá novos espaços de apresentação e diálogo, está disponpivel abaixo:

Ouvintes podem se inscrever no link: https://forms.gle/bZdJeL3Axmmz2ZxW7.

VIII Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação

Estamos nos aproximando da Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação, nesse evento vamos nos aproximar das teorias, das discussões atuais e acompanhar as pesquisas em andamento que envolvem o tema.

Nosso evento conta com pesquisadores formados e em formação científica em comunicação pela UFRGS. Se inscreva no forms no link disponível no stories/destaque e participe! O evento conta com emissão de certificado 😉

📍 Fabico – Auditório 2
🗓 Dias 20, 21 e 22
👩‍💻 A programação completa será divulgada nos próximos dias, fique ligado!

#PraTodosVerem Imagem em fundo branco com elementos gráficos, título do evento, local e dias em que acontecerá.

Dissertação da pesquisadora Daniela Strack é indicada ao Prêmio Socine

A pesquisa intitulada “A sobrevivência de imagens da Belair na obra da cineasta Helena Ignez” de autoria de Daniela Pereira Strack, sob orientação de Bruno Leites, foi indicada ao Prêmio Socine de Teses, Dissertações e Trabalhos de Conclusão de Curso. A dissertação, defendida em 2022 e aprovada com conceito A e menção de louvor, destaca como uma das características essenciais na filmografia da cineasta Helena Ignez é a apropriação das imagens extraídas de filmes da produtora Belair (capitaneada por ela e os cineastas Rogério Sganzerla e Júlio Bressane), enquanto recurso estético e narrativo, tanto nos seus filmes de ficção, quanto nos de documentário. 

O texto completo pode ser acessado em lume.ufrgs.br. 

O prêmio oferecido pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual tem por objetivo incentivar e promover a produção científica do campo interdisciplinar do Cinema e do Audiovisual. O resultado final será divulgado em 26 de outubro. 

Shico Menegat integra espetáculo “Foda-se eu” em São Paulo

Ao longo dos meses de fevereiro e março de 2023 rolaram as apresentações de “Foda-se eu”, espetáculo do Teatro da Matilha (@teatrodamatilha) que tem em seu elenco Shico Menegat, integrante do nosso grupo.

O experimento cênico dialoga com questões que Shico tem abordado em sua pesquisa de mestrado, principalmente em torno do conceito de “corpo sem órgãos”. A direção é de Tadzio Veiga.

As apresentações aconteceram em São Paulo e, em breve, ocorrerão em outros lugares e com novas apresentações, fiquem de olho. 

Sinopse: 

Foda-se eu é um estudo do corpo, um experimento cênico e talvez, por fim, um espetáculo de dança-teatro. este título é uma lembrança para o elenco e uma implicação generalizada. é uma convocatória a um modo de presentificar o corpo, expressamente engajado na capacidade autodestrutiva da sobrevivência e da angústia. levamos a autodeterminação muito a sério. tão a sério que ela será percorrida em direção ao seu próprio limite, que sempre foi seu lugar: aqui, finalmente, onde jovens não se engajam coletivamente para barrar a passagem de um carro, mas onde serão todes atropelades, amistosamente.

Pesquisadores do Gpesc são indicados ao Prêmio Compós Eduardo Peñuela de Teses e Dissertações

Os pesquisadores Mario Alberto Pires de Arruda e Giovana dos Passos Colling do Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação – Gpesc foram indicados à edição de 2023 do Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela. Os trabalhos foram desenvolvidos no âmbito do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e indicados ao prêmio pela mesma instituição.

A Tese intitulada “O Ato de Criação no Plano da Música Pop”, de autoria de Arruda, sob a orientação do Prof. Dr. Alexandre Rocha da Silva (in memorian) e do Prof. Dr. Bruno Leites e coorientação do Prof. Dr. Marcelo Bergamin Conter, assim como a Dissertação intitulada “Cripta sem profundidade: sistemas de ocultação e figuras de segredo na comunicação”, de autoria de Giovana dos Passos Colling, também sob a orientação do Prof. Dr. Alexandre Rocha da Silva (in memorian) e do Prof. Dr. Bruno Leites, foram defendidas em 2022 e aprovadas com conceito A e menção de louvor.

O Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela é anual e tem por objetivo incentivar e dar mais visibilidade à produção científica realizada nos Programas de Pós-graduação em Comunicação do Brasil. Os prêmios serão entregues durante o  32º Encontro da COMPÓS, que ocorre de 3 a 7 de julho, na USP, na cidade de São Paulo.

Última semana para submissão – dossiê “𝐀 𝐒𝐞𝐦𝐢ó𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐞 𝐨𝐬 𝐧𝐨𝐯𝐨𝐬 𝐫𝐞𝐠𝐢𝐦𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐯𝐢𝐬𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐞 𝐝𝐢𝐳𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞”.

Está aberta, até 30 de maio, a chamada de artigos para o dossiê “A Semiótica e os novos regimes de visibilidade e dizibilidade”, na 13ª edição da Revista Eikon de Semiótica e Cultura, editada pelo LabCom – Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior de Portugal, a ser publicada no segundo semestre de 2023. A Eikon aceita trabalhos com autoria de graduados, mestres e doutores.

O número está a ser organizado por Bruno Leites e Luiza Müller, do Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Luiza é doutoranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFRGS e realiza seu período de doutorado sanduíche no programa de Ciências da Comunicação da UBI com orientação da Prof. Dr. Anabela Gradim. Bruno é professor do PPGCOM e coordenador do núcleo de Semiótica Crítica do Gpesc. 

Eikon (www.eikon.ubi.pt) é uma revista multidisciplinar sobre Semiótica e Cultura com revisão por pares, que aceita artigos e investigação original escritos em Português, Inglês, Espanhol e Francês.

Aberta a uma ampla gama de abordagens teóricas e metodológicas, eikon recebe artigos originais de pesquisa no campo da semiótica, entendida como o estudo sistemático de significantes, significados e dos seus efeitos.

Confira a chamada completa:

A episteme de uma época é o sistema que institui as condições de possibilidade de todo e qualquer saber, seja o expresso em uma teoria, seja o que se encontra investido em uma prática. Para compreender o seu funcionamento é preciso voltar a atenção ao que lhe é contemporâneo: seus discursos, técnicas e tecnologias, meios e mídias, corporalidades, materialidades, linguagens e expressões. Ou seja, é preciso debruçar-se sobre esse conjunto múltiplo de signos de modo a investigar sua aderência a um dado recorte epistemológico. Além de dar a ver os códigos de sua época, tais fenômenos empíricos também apontam para as descontinuidades que separam as diferentes epistemes. Considerando tal sistematização como um pressuposto para a constituição de sentido, os códigos agrupam-se de modo a configurar regimes de visibilidade e dizibilidade que, conforme Alexandre Rocha da Silva [et al.] (2020), são um agenciamento coletivo semiótico que estabelece limites ao mesmo tempo que multiplica o que se pode ver, falar e comunicar.

Nesse contexto, Gilles Deleuze alerta que tanto o visível, quanto o enunciável, não são sempre facilmente percebidos: “são até mesmo invisíveis enquanto permanecem nos objetos, nas coisas ou nas qualidades sensíveis, sem nos alçarmos até a condição que as abre” (DELEUZE, 2005, p. 66). Nesta perspectiva, cabe à semiótica pesquisar, descrever e abrir os caminhos para a compreensão de tais regimes. Consideramos que a obra de Michel Foucault (2019; 2020), de sua parte, lega a tais regimes uma questão própria à comunicação, pois são eles que, compondo o arquivo de uma dada época, instituem o comunicável de tal período.

Em sua célebre obra As Palavras e as Coisas (1966), Foucault evidencia, justamente, os processos de rompimento do pensamento ocidental consigo mesmo, a começar pela Renascença, marcada pelo ideal da semelhança como sua episteme, passando pela Era Clássica, condicionada pela representação como elo entre a linguagem e o conhecimento e, por fim, a Modernidade enquanto o berço do homem como sujeito e objeto de saber.

Mas, no que diz respeito aos nossos dias, estaríamos a viver uma nova ruptura epistemológica? Ou as rupturas contemporâneas são pontuais no contexto de um mesmo regime epistemológico? Quais seriam os novos regimes de visibilidade e dizibilidade desse novo tempo e como se edificam em seus sentidos e processos semióticos? De que maneira tais regimes se traduzem a partir de objetos sensíveis, como a literatura, a fotografia, o cinema, a publicidade, a arte, as narrativas jornalísticas e outros? A quais rupturas apontam tais objetos?

Convidamos interessadas(os) em discutir essas questões a partir da perspectiva semiótica a submeterem artigos ao dossiê “A Semiótica e os novos regimes de visibilidade e dizibilidade”, na 12ª edição da Revista Eikon de Semiótica e Cultura, editada pelo LabCom – Comunicação e Artes da Universidade da Beira Interior, a ser publicada em julho de 2023.

Alguns eixos de abordagem sugeridos (mas não exclusivos):

– Fenômenos comunicacionais que expressam a emergência de novos regimes de visibilidades e dizibilidades;

– As abordagens das distintas tradições da semiótica no que diz respeito à emergência da novidade;

– Como e onde regimes semióticos atuam para interromper a emergência da novidade, buscando estancar os fluxos semióticos;

– O pensamento da semiótica acerca do comunicável e sua relação com os regimes de dizibilidades e visibilidades;

– As análises semióticas que podem ser feitas a partir de objetos sensíveis ou estudos de caso no que diz respeito ao visível e ao enunciável;

– As possíveis relações entre a comunicação, o comunicável e a novidade;

– A semiótica e os processos de produção de novidade, sejam de um ponto de vista teórico ou de emergências práticas.

O nº 13 da revista será publicado em Julho de 2023.

 A eikon só aceita submissões através da plataforma de envio: http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/eikon/user/register

Assista à defesa de tese de Demétrio Rocha Pereira

Ocorreu no último dia 10 de setembro, às 14h, via plataforma de videoconferência, a defesa da tese intitulada “Gilbert Simondon e a comunicação maquínica” de autoria de Demétrio Jorge Rocha Pereira e  orientação do Prof. Dr. Alexandre Rocha da Silva. A banca foi presidida pela prof.ª Dr.ª  Nísia Martins do Rosário e composta pelas professoras Dr.ª Isabel Jungk (PUCSP), Dr.ª Lucrécia D’Alessio Ferrara (PUCSP), Dr.ª Silvana de Souza Ramos (USP) e pelo professor Dr. Bruno Bueno Pinto Leites.

O trabalho obteve o conceito A e menção de louvor. Para assistir à banca completa, acesse o canal do Gpesc no youtube.

 

 

Nota de vitalidade: Alexandre é um outro

“O que em mim sente está pensando”, dizia Alexandre Rocha da Silva, ecoando um verso de Fernando Pessoa que encarnava suas ideias sobre a semiótica e a comunicação. Hoje, o que em nós pensa está sentindo.

Em uma entrevista de 2008, Alexandre disse que seu sonho era fazer pesquisa de forma coletiva, em rede, com bons intercessores. Um ano depois, esse sonho floresceu na Fabico, e hoje percebemos que ele nos produziu, nos move e continuará nos maquinando.

O GPESC, Grupo de Pesquisa Semiótica Crítica, foi formado em 2009, e desde então, todas as segundas-feiras nos reunimos sem falta. Dezenas de pesquisadores e pesquisadoras tiveram sua formação no grupo, com o acompanhamento atento e desafiador do Alexandre. Para nós, o GPESC é a expressão de um encontro intenso, de paixões alegres e de aventuras críticas.

Alexandre é multidão. Para além da formação do GPESC, foi responsável pela articulação do Grupo de Pesquisa Audiovisualidades (GPAv), do GT Semiótica da Comunicação da Intercom, da Jornadas dos Grupos de Semiótica e das Jornadas do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação. Todos bandos.

Alexandre não se contentava em ser orientador. Era mentor, provocador. Mais que orientar, direcionou as suas energias a formar pesquisadores dedicados à ciência e à construção do pensamento semiótico e comunicacional. Viveu, praticou e ensinou a universidade sem condição, conforme sugeria Jacques Derrida: como um espaço sem amarras, campo de debate franco e encontros abertos.

A generosidade foi a marca com que acolheu singularidades. A coletividade intrínseca ao pensamento de Alexandre se concretizou em um dos seus projetos mais ousados, com a publicação em 2020 do livro Semiótica crítica e as materialidades da Comunicação, escrito em conjunto com seus orientandos e assinado como grupo. 

A imanência: uma vida… era um de seus textos preferidos. O vitalismo proposto pelo filósofo Gilles Deleuze, um de seus mais importantes intercessores, foi levado à risca todos os dias em suas aulas, reuniões de grupo e textos. Alexandre se fez em rede, coletivo: a vida não está contida no indivíduo, ela vai levando consigo os acontecimentos ou singularidades que nada fazem senão atualizar-se nos sujeitos e nos objetos. Dizia que um homem vale menos que um símbolo: o signo-Alexandre continua sua semiose.

Alexandre será Elis e Glauber e Peirce e Deleuze e Maiakovski e Foucault e Ione Bentz e Caetano e Bethânia e Gal e Villa-Lobos e Artaud e Bressane e Milton e Tarsila e Lula e Zé Celso e Ocupas e GPESC e…

Amar os que são assim: quando entram em um lugar, não são pessoas, caracteres ou sujeitos. É uma variação atmosférica, uma mudança de cor, uma molécula imperceptível, uma população discreta, uma bruma ou névoa de virtualidades. É assim que Alexandre vive. No seu modo de pensamento encontra-se a concepção de sua jornada, na qual viver sempre foi fazer comunidades imprevisíveis. Teórico do acontecimento, da irrupção do intempestivo, do acaso e do relâmpago do novo – fenômenos que a semiótica trabalha como ‘primeiridade’ -, Alê pensa através e em conjunto com o outro. Molecular era a sua noção de política e de militância: para aquém da instituição, a revolução que a institui; para aquém dos partidos, a multidão; para aquém de uma identidade brasileira, um projeto de invenção do Brasil.

Alexandre pouco escrevia sozinho: “interessa-me a sala de aula”, dizia, preferindo se inscrever antes como um encontro do que como um autor. Num texto recente e ainda inédito, ele cunha o seu projeto para a semiótica. É com ele que seguiremos trabalhando:

“O papel político próprio dos fenômenos em primeiridade é surpreender, criar, mover. Entretanto, o propósito pragmático de tais fenômenos é encarnar-se, e o propósito pragmaticista é gerar pensamento e mudança de hábitos. À semiótica cabe descrever os processos dessas mudanças e contribuir com o aumento de razoabilidade concreta. A continuidade, nesse sentido, expressa por múltiplas cadeias tradutórias, é sinônimo do que poderíamos chamar de vida.”