Semiótica Revista – Edição com os artigos publicados em periódico por Alexandre Rocha da Silva
LUCAS, C. B. ; SILVA, A. R. – GALÁXIA (SÃO PAULO. ONLINE), v. 1, p. 89-100, 2019.
O artigo propõe um diálogo entre as teorias de Julia Kristeva e Judith Butler com o objetivo de retomar suas contribuições para uma semiótica crítica da comunicação. Indica, para tanto, uma série de ressonâncias que parecem conectar os distintos projetos das autoras em um similar viés pós-estruturalista. Na primeira seção, são exploradas estas ressonâncias por meio das noções de “experiência discursivamente condicionada”, de “práticas significantes” e da possibilidade de “intervenção crítica” na comunicação com viés desconstrucionista. Na segunda seção, trata-se de indicar a centralidade, no pensamento das duas pensadoras, do conceito de produção, que parece fundamentar as perspectivas da significância e da performatividade de que cada uma lança mão para evidenciar os desafios micropolíticos da comunicação.
A ubiquidade ciborgue como microfísica da insurreição
SILVA, A. R.; LUZ, G. G. ; MÜLLER, L. ; ARRUDA, M. A. P. – COMMUNICARE (SÃO PAULO), v. 19, p. 18-34, 2019.
A partir de uma ontologia pós-humana, este artigo explora os agenciamentos maquínicos que produzem novas formas de vida, tal como demonstraram Deleuze e Guattari (2008) e Donna Haraway (2009). Através de tal revisão, evidencia-se o funcionamento do ciborgue como corpo ingovernável, insurrecional e micropolítico devido à sua capacidade de acoplamentos múltiplos, materializada em sua ubiquidade multiterritorial. Da mesma forma, o poder sobre o maquinismo do qual o ciborgue é peça não atua de forma repressiva, mas compõe produtivamente com as ações do ciborgue, incorporando-as à lógica de assujeitamento. Cabe ao ciborgue, portanto, agir estrategicamente, explicitando o caráter artificial do que é tido como natural em uma determinada cultura.
Notas para uma micropolítica da língua: modelizações ideológicas nas semioses da linguagem.
ABREU, L. F. S. ; SILVA, A. R. – POLIFONIA: ESTUDOS DA LINGUAGEM, v. 26, p. 103-118, 2019.
Neste artigo apresentamos os primeiros movimentos de uma pesquisa a partir do conceito de Semiótica Crítica, em suas implicações linguísticas e políticas. Nosso objetivo é problematizar a colocação de Gilles Deleuze e Félix Guattari de que a linguagem é caso de política antes de ser caso de linguística. Para tal, procedemos a uma revisão bibliográfica e leitura crítica, retomando a ideia de micropolítica, em relação a uma concepção de linguagem (e de comunicação) não como transmissão, mas como produção: de signos e de ordens. Seguindo ainda Deleuze e Guattari, somos levados a tensionar essa micropolítica da linguagem à luz da noção de ideologia. Revisamos assim teorias da ideologia que estabeleceram relação com o pensamento semiótico, como os Aparelhos Ideológico de Estado, de Louis Althusser, e o marxismo de Mikhail Bakhtin. Essas visões são contrapostas às próprias críticas de Deleuze e Guattari, que advogam a adoção do conceito de subjetividade como operador desse nó micropolítico. Concluímos aqui, com e contra Deleuze e Guattari, por uma pertinência semiótica da ideologia como interpelação, com uma capacidade modelizante aos atos de comunicação, em sua potência de atuar já na infraestrutura do socius, compreendida sob a ideia de valor-signo.
A ressignificação dos corpos na história recente das mulheres iranianas: poder e resistência.
MÜLLER, L. ; SILVA, A. R. – CONTEMPORANEA (UFBA. ONLINE), v. 16, p. 70-89, 2018.
Este artigo aborda as relações de poder imbricadas nos discursos dos regimes pré e pós-revolução no Irã no que diz respeito à ressignificação dos corpos das mulheres iranianas em ambos os períodos. A partir das perspectivas de Michel Foucault e Joan Scott no que diz respeito ao binômio poder-saber e ao gênero enquanto categoria de análise, respectivamente, problematiza-se também os fenômenos desse recorte temporal para dar a ver o papel dessas mulheres enquanto sujeitos ativos na produção de oposições e ressignificação de si mesmas. Dessa maneira, o texto evidencia que a materialização compulsória dos corpos nunca é totalmente completa, pois precisa reiterar-se constantemente devido às resistências agenciadas por eles. A exemplo disso, trazemos neste texto uma análise do véu em seus aspectos biolítico e disciplinar e como, na história recente iraniana, foi ele meio de resistência, mas também dispositivo de conformação e dominação.
Roland Barthes contra Roland Barthes: o signo, da semiologia à semioclastia.
ABREU, L. F. S. ; SILVA, A. R. – TRÍADE: COMUNICAÇÃO, CULTURA E MÍDIA, v. 6, p. 106-121, 2018.
O presente trabalho propõe uma retomada do pensamento de Roland Barthes sobre o signo, com o objetivo de demonstrar sua atualidade e pertinência para o pensamento semiótico e comunicacional. Para isso, parte-se a uma revisão crítica de seus ensaios semióticos, na constituição de um percurso teórico que vai de seu conceito de semiologia a Teoria do Texto, destacando aí os pontos de ruptura e as inversões metodológicas de sua obra. A partir daí e por fim propõe-se o estudo da ideia de semioclastia, enquanto ferramenta semiótica e política, capaz de oferecer uma visão outra aos objetos de pesquisa do contemporâneo.
Julia Kristeva e a semanálise: dos dialogismos às significâncias
LUCAS, C. B. ; SILVA, A. R. – ANIMUS (SANTA MARIA. ONLINE), v. 17, p. 39-53, 2018.
O trabalho recolhe e discute as principais teses e contribuições da obra de Julia Kristeva em relação ao desafio pós-estruturalista da investigação em comunicação como uma questão menos de gramática e transmissão do que de micropolítica. Para tanto, passa dos dialogismos da comunicação, por suas teses fundantes (principalmente Bakhtin), à sua reformulação como intertextualidade (Kristeva e Barthes) no seio da lógica de significância. Esta, entendida como o fundamento, mas também como o devir da significação, é apresentada por suas relações com a textualidade e com o par conceitual fenotexto/genotexto, que constitui práticas significantes. Com isso, chegamos à ênfase da semanálise na produtividade e no trabalho que a comunicação pode investigar não somente como significação, mas como elaboração e problematização do sentido.
Uma metodologia ecológica para análise de bolhas algorítmicas.
ARRUDA, M. A. P. ; SILVA, A. R. – COMUNICAÇÃO & INOVAÇÃO (ONLINE), v. 19, p. 100-114, 2018.
A organização de dados em bolhas algorítmicas nos sites de redes sociais tem se tornado um problema ético-político que afeta o Campo da Comunicação. A constante transformação do maquinismo comunicativo agenciado pelos algoritmos evoca a necessidade de pensarmos métodos de análise mais condizentes com as problemáticas desses espaços de interação. Ao debatermos os limites e as potencialidades de alguns métodos de análise tradicionais na Comunicação, propomos uma metodologia ecológica baseada nas reflexões de Félix Guattari (2014) relacionadas à dimensão assignificante da comunicação.
Práticas de significância da música sampleada.
LUCAS, C. B. ; SILVA, A. R. – Vazantes, v. 1, p. 136-150, 2017.
Este artigo se estrutura a partir de três objetivos centrais. Primeiro, retomar a noção de significância como proposta para os estudos artísticos e linguageiros com um foco duplo na intertextualidade e na produtividade semiótica dos objetos analisados, buscando um além/aquém da significação em suas acepções tradicionais. Segundo, apresentar a noção de sampleamento, retomando definições e descrevendo uma breve pré-história até chegar às práticas contemporâneas da música sampleada. Terceiro, apresentar algumas destas práticas correntes associadas ao sampleamento (o crate digging, o sample hunting e o sample sampling) que apontam para três tipos de produtividade (transcriativa, associativa e intersemiótica) que compreendemos como aspectos da significância da música sampleada. Resulta disto uma contribuição para o pensamento contemporâneo da música como linguagem artística que conjuga intertextualidades em um processo de produção irredutível à transmissão de conteúdos.
Codificações e tecnologias de mídia: os sentidos e as máquinas.
ARRUDA, M. A. P. ; SILVA, A. R. – REVISTA FRONTEIRAS (ONLINE), v. 20, p. 231-240, 2018.
O presente artigo é uma reflexão teórico sobre a relação dos códigos comunicacionais (Eco, 2014) com as semióticas assignificantes (Deleuze e Guattari, 2011a), que não estão espalhadas em diferentes estratos, inclusive nas tecnologias de mídias. Para tratar tal interseção, trazemos as teorias de Marshal McLuhan (2007) sobre os ambientes produzidos pelos meios de comunicação e as teorias de Vilém Flusser (2008) sobre os aparelhos técnicos, que programam nossa existência e nossas possibilidades comunicativas. Dado esse arcabouço teórico, a reflexão se preocupa em evidenciar como os modos comunicativos estão em constante transformação agenciada tanto por seus diferentes usos quanto pela produção de tecnologias de mídias. Para esclarecer tal ponto, explicitamos mecanismos de transformação de códigos discutidos em uma dimensão teórica.
A estética do cine-olho nas imagens em protestos.
SILVA, A. R.; LEITES, B. B. P. – Revista FAMECOS (Online), v. 24, p. 8, 2017.
Este trabalho introduz uma proposta para análise de imagens feitas em fluxos de protestos. Para tanto, (1) retoma o conceito de estética proposto por Jacques Rancière; (2) revisita as teses de Dziga Vertov sobre o cine-olho, para seguir um antigo sonho das imagens – confundir-se com a matéria dos acontecimentos; (3) analisa imagens produzidas nos protestos de 2013 no Brasil, destacando, entre outros elementos, as deformações. Deste modo, é possível indicar uma rede de agenciamentos estético-políticos que essas imagens vêm fomentar, rede esta que implica um apagamento da distinção entre acontecimento e imagem e que ecoa os modos contemporâneos de organização coletiva que se pretendem a-centrados.
As teorias de Rogério Sganzerla sobre o audiovisual.
MÜLLER, L. ; SILVA, A. R. – REVISTA ECO-PÓS (ONLINE), v. V, p. 258-274, 2017.
As reflexões teóricas de Rogério Sganzerla sobre o audiovisual não estão organizadas de forma sistemática; elas encontram-se dispersas tanto em sua obra cinematográfica quanto em seus escritos. Este artigo analisa o conceito de cinema ideal de Rogério Sganzerla (um cinema péssimo e livre, paleolítico e atonal, panfletário e revisionário, de acordo com o diretor) e, a partir dele, sistematiza algumas de suas reflexões acerca do audiovisual. Tal estudo é feito considerando sua produção inserida no Cinema Marginal (o cinema adequado ao Brasil da Ditadura Militar, segundo Sganzerla), além de textos, entrevistas dadas à imprensa e críticas de cinema feitas pelo cineasta no mesmo período. Nesse recorte, o principal objeto analisado é a produção “O bandido da Luz Vermelha”, de 1968. Com este trabalho foi possível, também, reconhecer aspectos constitutivos do cinema de Sganzerla, dentre eles, a centralidade atribuída por ele à periferia (e suas diversas expressões) na imagem, na montagem e na caracterização dos personagens.
Transgressão de gênero, performatividade e violência em Tomboy.
SILVA, C. R. ; SILVA, A. R. – Orson – Revista dos Cursos de Cinema do Cearte UFPEL, v. 1, p. 135-148, 2017.
Partindo da análise do filme Tomboy (Céline Sciamma, 2011) o presente texto busca articular as noções de perfomatividade como uma noção capaz de dar conta de uma compreensão de gênero que desestabiliza os modelos essencializantes que pressupõe uma correspondência infalível entre anatomia e expressão de gênero. Tal correspondência se inscreve assim como uma verdade nos corpos, um discurso, que se impõe como modelo de masculinidade e feminilidade. Porém, assim como vemos na produção, a desestabilização desses códigos desencadeia uma resposta violenta que não pode prescindir do reestabelecimento dos lugares normativos do feminino e masculino nos corpos. O cinema aparece aqui não somente como recurso ilustrativo, mas também como uma parte de uma engrenagem que produz e reitera os códigos do feminino e masculino.
O flashback e a narrativa não-linear subjetiva em Following (de Christopher Nolan).
HUYER, G. J. ; LEITES, B. B. P. ; SILVA, A. R. – REVISTA IMAGOFAGIA, v. 16, p. 190-215, 2017.
O presente artigo investiga o conceito da narrativa não linear subjetiva no cinema, tal qual identificado a partir dos estudos de autores como Elsaesser (2009), Eig (2003) e Panek (2006), que dissertaram sobre um grupo de filmes que investem em um modo específico de conceber narrativas não lineares de caráter subjetivo ao organizarem sua não linearidade de acordo com a situação mental de seus personagens. Tendo como foco os modos de utilização do flashback nesse contexto, foi escolhido o filme Following (Christopher Nolan, 1998), como objeto de análise, uma vez que ocorre nesta obra uma grande predominância de flashbacks empregados segundo as prerrogativas do modelo de narrativa não linear subjetiva.
ABREU, L. F. S. ; ARAUJO, A. C. S. ; SILVA, A. R. – REVISTA ECO-PÓS (ONLINE), v. 20, p. 292-308, 2017.
Esse artigo propõe uma teoria sobre a escrita biográfica tendo por base o trabalho de Roland Barthes. Partindo de uma revisão da obra do semiólogo francês, identificamos um percurso crítico que articula os conceitos de fait divers, efeito de real, punctum e biografema na tentativa de resolver o problema da escrita realista e da apreensão do sujeito pelo Texto. Através do artifício da escritura, torna-se possível realizar uma dobra no problema “De que forma é possível escrever uma vida?”. Com Barthes, a questão torna-se “Que vida é possível ver por meio do Texto?”.
PORTO, I. A. ; Cunha, J. F. F. ; SILVA, A. R. – CULTURAS MIDIÁTICAS, v. 10, p. 87-103, 2017.
O presente artigo investiga como são construídos imageticamente os espaços nos três primeiros longas-metragens do diretor pernambucano Cláudio Assis – Amarelo Manga (2003), Baixio das Bestas (2006) e Febre do Rato (2012) – através dos recursos da câmera alta e das imagens documentais. A câmera alta é entendida como enquadramento de cima para baixo que dá a ver as estruturas do cenário e, pelo que chamamos de imagens documentais, aquelas em que se faz o uso de não atores e com o uso de granulação nas tomadas. As análises dos filmes têm base no conceito de espacialidades, desenvolvida a partir da Semiótica da Cultura por Lucrécia Ferrara (2008a), e na distinção entre visualidades e visibilidades, feitas pela mesma autora. Procura-se entender, então, de que maneira o uso de câmera alta e imagens documentais ajudam a compor as visualidades e visibilidades dos espaços dentro da filmografia de Cláudio Assis.
Semiótica das Afecções: uma abordagem epistemológica.
CONTER, M. B. ; TELLES, M. ; SILVA, A. R. – CONJECTURA: FILOSOFIA E EDUCAÇÃO (UCS), v. 22, p. 36-48, 2017.
O presente texto propõe uma leitura de diversas teorias do afeto pelo viés da semiótica. Partindo do preceito de que é impossível não afetar ou não ser afetado, estabelece alguns parâmetros para definir o que é afeto (diferenciando-se afecção/afeto de emoção, paixão, sensação e até de afeto como compreendido pelo senso comum) para dar conta das dimensões epistemo e ontológica da semiose. Com base em Espinosa, Deleuze e Guattari, ensaia dizer que há, para além de uma capacidade significante, também uma qualidade “sensacional” da semiose, aproximando a processualidade deste fenômeno às cadeias afetivas que devém de toda afecção.
A semiótica do futebol televisivo: narrativas imersivas, intervalares e fragmentadas.
TELLES, M. ; SILVA, A. R. – Movimento (Porto Alegre. Online), v. 22, p. 211-222, 2016.
O artigo investiga possibilidades de estudo das teletransmissões esportivas a partir de uma moldura teórica advinda das teorias do audiovisual, sobretudo da semiótica. Assim, são identificadas estratégias globais utilizadas pela televisão para enquadrar o esporte dentro de um mundo televisivo. Compõem o corpus onze finais de Copa do Mundo (1970-2010), que são analisadas sincrônica e diacronicamente. Como resultado, foi possível (1) sistematizar procedimentos que se repetem e que formam um código para as teletransmissões; (2) circunscrever a evolução desses mesmos códigos; (3) reconhecer a predominância de narrativas imersivas, intervalares e fragmentadas; e (4) construir um aparato teórico-metodológico para futuras análises.
Do perfil jornalístico à escrita biográfica: vida em detalhes.
ABREU, L. F. S. ; Araújo, A. C. S. ; SILVA, A. R. – Contemporanea (UFBA. Online), v. 14, p. 55-71, 2016.
Este artigo discute o perfil jornalístico em sua relação com a escrita biográfica, propondo uma leitura cruzada dos gêneros para ampliar a compreensão do perfil. Apresentamos uma revisão da literatura a respeito do perfil, articulando-a com questões levantadas pela história e pelos aspectos formais da biografia. Nesse intercâmbio, percebemos a importância do uso do detalhe descritivo em ambos os gêneros, afirmado tanto pelo jornalismo quanto pela literatura como método para o texto acercar-se da realidade cotidiana. Desse modo, propomos aqui a enunciação do detalhe como ferramenta de enfrentamento ao problema que atravessa tanto perfis quanto biografias: “Como irei escrever uma vida?”.
Os corpos biográficos de Fernando Henrique Cardoso: uma abordagem biografemática do jornalismo.
SILVA, A. R.; Araújo, A. C. S. ; ABREU, L. F. S. – Rizoma, v. 4, p. 182, 2016.
Ao tomar como questão os modos pelos quais o jornalismo representa a vida, este artigo busca discutir como a narrativa pode lidar com a questão da alteridade. Para isso, propomos uma exploração teórica das ideias de fait divers e biografema, aliada a uma análise conceitual do perfil “O andarilho”, sobre Fernando Henrique Cardoso. Evidencia-se aí um regime de escrita capaz de tomar o sujeito em suas diversas singularidades, representadas por regimes sígnicos de diferentes níveis de representação.
DINIZ, F. M. X. ; ABREU, L. F. S. ; SILVA, A. R. – Revista Movimento, v. 1, p. 1-13, 2016.
Esse trabalho visa problematizar as operações de individuação de personganes cinematográficos por meio de uma discussão teórica sobre os conceitos de qualquer e de singularidade, aliada a uma análise do filme O Céu Sobre os Ombros e sua mise-en-scène. Tendo por base o pensamento de autores como Agamben, Deleuze e Peirce, o texto discute o paradigma ontológico da identidade, rumo a uma concepção de sujeito múltiplo, calcada na singularidade e na diferença.
Imagem-cor em Millennium Mambo.
MACEDO, L. P. ; DINIZ, F. M. X. ; SILVA, A. R. – Temática (João Pessoa. Online), v. 12, p. 149-166, 2016.
O presente trabalho tem duas questões que lhe são caras: uma de cunho mais geral, que é a busca por uma concepção do cinema a partir de suas materialidades, e outra de cunho mais específico, que é compreender de que maneira um filme de Hou Hsiao-hsien produz afetos a partir do agenciamento de suas materialidades. Temos, então, duas seções demarcadas neste artigo: a primeira faz um percurso desde o conceito de Representâmen em Peirce, passando pela apropriação deleuzeana do conceito para formular sua Imagem-afecção até chegar ao conceito de Afeto articulado a partir de Deleuze e dos teóricos do Cinema de Fluxo. Num segundo momento, para melhor compreendermos a maneira como um Afeto se manifesta a partir do filme Millennium Mambo (2001), delimitamos a cor como o elemento expressivo mais relevante na produção afetiva realizada pelo filme, o que nos leva a pensar a cor a partir de suas características qualitativas e afetivas, como Deleuze elabora no conceito de imagem-cor.
SILVA, A. R.; Araújo, A. C. S. ; LUCAS, C. B. ; MÜLLER, L. – Orson Revista dos Cursos de Cinema do Cearte/UFPEL, v. 2, p. 123-138, 2016.
O pressente trabalho pretende apresentar o percurso metodológico utilizado na pesquisa Teorias em dispersão dos cineastas brasileiros sobre o audiovisual, que buscava a formalização das teorias latentes de diretores de cinema brasileiros sobre o próprio audiovisual. Essas teses potenciais, que integram virtualmente a obra dos cineastas estudados, puderam ser melhor sistematizadas a partir da adoção de uma metodologia em três etapas, baseada em percursos elaborados por Sigmund Freud, Michel Foucault e Gilles Deleuze. À primeira etapa cabe a adoção de uma atenção uniformemente suspensa na observação dos filmes analisados, de forma a atenuar, de maneira análoga à do psicanalista, a autocensura utilitarista que pode acometer o pesquisador na busca de interpretações para o objeto em questão. À segunda, cabe a detecção de regularidades e padrões pré discursivos dispersos na obra dos cineastas. À terceira, cabe a sistematização destes aspectos em séries temáticas, que desconstroem (Derrida) os sentidos hegemônicos atribuídos aos filmes.
Semiótica e materialidades na construção do signo concretista.
NONINO, G. P. ; SILVA, A. R. – Temática (João Pessoa. Online), v. 12, p. 212-226, 2016.
O presente artigo mostrará como os anseios dos principais poetas concretos, Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, se relacionam com a teoria articulada pelo pensador Hans Ulrich Gumbrecht, denominada materialidades. Lançando mão de análises semióticas na construção do signo poético, o texto pretende explicar como a teoria das materialidades se manifesta no desejo da poesia concreta de propor uma lógica ideográfica em contraponto à estrutura discursiva tradicional. O artigo pretende mostrar que a poesia concreta justamente negou o conteúdo metafísico para dar lugar à comunicação não-verbal através de suas materialidades.
Uma leitura semiótica das multidões.
SILVA, A. R.; NONINO, G. P. ; MACEDO, L. P. – In Texto (UFRGS. Online), v. 3, p. 176-192, 2016.
Uma leitura semiótica das multidões tem o objetivo de problematizar as funções do incomensurável na semiose. Tal problematização envolve os problemas da imanência, do primado da mediação que caracteriza o pensamento semiótico contemporâneo e da desconstrução das identidades operada pelas teorias queer. Para tanto, metodologicamente, (1) apresentamos os conceitos de multidão desenvolvidos por Charles Sanders Peirce, Antônio Negri e Michael Hardt; (2) discutimos o caráter descritivo das categorias faneroscópicas de Peirce para propor a Zeroidade como condição e imanência de toda a semiose; (3) identificamos a dupla face – virtual e mediada – da singularidade e (4) demonstramos de que maneira a singularidade, que é uma potência, dá lugar na semiose a identidades. É o caráter indissociável da singularidade, da identidade e das crenças/hábitos que permite a este artigo denunciar falsas dicotomias e afirmar o perspectivismo como horizonte fundamental para os estudos semióticos das multidões.
Da orquestra ao audiovisual: traduções intersemióticas da Pastoral de Beethoven.
LUCAS, C. B. ; SILVA, A. R. – Verso e Reverso (Unisinos. Online), v. 29, p. 99-114, 2015.
A temática deste artigo é o audiovisual de orquestra: de que forma os novos meios de imagem e som traduzem a música orquestral de Beethoven? O audiovisual de orquestra é caracterizado, em um primeiro momento, em suas relações intersemióticas, considerados os mecanismos de tradução e de transcriação implicados. Tais mecanismos são apreendidos no nível da norma, do intracódigo e da qualidade sincrônica. Os conceitos que essas categorias subsumem e a tipologia de traduções desenvolvida por Júlio Plaza (2008) fundamentaram a análise de um corpus formado por três versões audiovisuais da Sexta Sinfonia de Beethoven. A estas, constata- -se, correspondem três tipos de transcriação: Humphrey Burton traduz indicialmente a música realizada na sala de concertos pelo estabelecimento de contiguidades convencionais; Hugo Niebeling traduz iconicamente a música no audiovisual pela criação de relações de semelhança qualitativa entre a forma musical e a forma da orquestra; e Stephen Malinowski, por meio de uma série de codificações que regulam a distribuição topológica dos elementos visuais, engendra uma tradução simbólica à maneira daquela prenunciada por Michel Chion.
Semiótica Crítica: materialidades, acontecimento e micropolíticas.
SILVA, A. R.; Araújo, A. C. S In Texto (UFRGS. Online), v. 1, p. 132-145, 2015.
Semiótica crítica: materialidades, acontecimento e micropolíticas têm por objetivo principal discutir a tese de que a linguagem é antes uma questão de política que de linguística. Para tanto, adota alguns procedimentos. Em primeiro lugar, caracteriza três fases do desenvolvimento da semiótica no século XX: a da descoberta, com Saussure e Peirce; a dos modelos e classificações; e a da crítica pós-estruturalista, foco deste estudo. Em segundo lugar, no âmbito desta crítica pósestrutural, caracteriza alguns vetores que sustentam o projeto de uma semiótica crítica: as materialidades, o acontecimento e as micropolíticas. Com tais relações problematizadas, o artigo procurou demonstrar que, reformulada, a semiótica permanece uma epistemologia em movimento contínuo de autogeração, aberta a críticas que a fizeram diferenciar-se de si para responder às questões postas aos problemas da linguagem e da comunicação no tempo presente.
Roberto De Gaetano: impulse-images and the cinema between the forms and the forces.
LEITES, B.P. ; SILVA, A. R. – In Texto (UFRGS. Online), v. 0, p. 4, 2015.
Since the early nineties Roberto De Gaetano has been working on the relationship between cinema, aesthetics and philosophy. In this interview, he talks about impulse-images, a concept among Gilles Deleuze`s taxonomy that has remained someway “marginal” although being powerful for understanding a large set of problems, as the body of images, the inscription of a death drive in cinema and the conception of worlds in the act of their own destruction. We also had the opportunity to talk about De Gaetano’s latest works and the difference that he establishes between the cinema of forms and the cinema of forces.
Cunha, J. F. F. ; SILVA, A. R. – Em Questão, v. 20, p. 247-268, 2014.
Este artigo tem como objeto de estudo a Trilogia das Cores, do diretor polonês Krzysztof Kieślowski (1941-1996), composta por Azul (1993), Branco (1994) e Vermelho (1994). Realiza-se uma argumentação de caráter teórico sobre o posicionamento no campo político dos princípios da Revolução Francesa na Trilogia. O objetivo é compreender como os valores revolucionários são micropoliticamente trabalhados em cada um dos filmes que a compõe. Sustentado por uma ideia de “cinema menor”, este artigo desconstrói as associações sugeridas pela tradução brasileira do título dos filmes ao evidenciar como, paradoxalmente, valores como liberdade, igualdade e fraternidade são experienciados transversalmente no cotidiano dos personagens, e contradiz seu diretor ao reconhecer a indissociabilidade das estratégias molares e moleculares que fazem desta trilogia uma expressão do cinema político do fim do século XX.
O estatuto da imagem-pulsão em Cronicamente Inviável e Amarelo Manga.
SILVA, A. R.; LEITES, B. B. P. ; LUZ, G. G. – Fractal: Revista de Psicologia, v. 26, p. 629-644, 2014.
Este artigo retoma o debate inaugurado por Gilles Deleuze sobre a imagem-pulsão e avalia como tais imagens se fazem presentes no cinema brasileiro contemporâneo. O trabalho recua até Sigmund Freud para explicitar o conceito de pulsão e até Herbert Marcuse para pensar o engajamento das pulsões nas relações socioculturais. Neste percurso, descreve-se uma nova forma de pensamento no cinema a partir do conceito. No contexto do cinema brasileiro, identificou-se que não há um filme constituído unicamente por imagens-pulsão, em lugar disso, elas se encontram dispersas em cenas de diferentes filmes, desempenhando funções diversas nas relações entre mundos originários e derivados.
Os tempos mortos do futebol na televisão.
SILVEIRA, M. T ; SILVA, A. R. – E-Compós (Brasília), v. 17, p. 9, 2014.
O objetivo deste artigo é debater o conceito de tempo morto dentro das teletransmissões de futebol. Acreditamos que as imagens inseridas no panorama televisivo quando a bola para de rolar no esporte são importantes para a compreensão global da narrativa esportiva, além de se tornarem um diferencial frente ao esporte observado a partir do campo. Nesse entendimento, é nos tempos mortos que a televisão utiliza artifícios que lhe são próprios para conferir sentido aos acontecimentos futebolísticos. No caso específico desse esporte, a televisão utiliza-se de recursos a fim de imergir o espectador dentro da partida. Para construir essa investigação, observamos os tempos mortos na televisão, no evento televisionado e na teletransmissão.
Júlio Bressane e os jogos de designação.
SILVA, A. R.; LUCAS, C. B. – Sessões do Imaginário (Online), v. 19, p. 8-17, 2014.
Júlio Bressane e os jogos de designação analisa as estratégias de representação do filme O Mandarim (1995). Na análise dos jogos de designação que o diretor engendra, podem-se perceber três momentos distintos: uma representação tradicional, que resguarda a identidade dos personagens indicados (Fernando Eiras representa iconicamente Mário Reis, Gilberto Gil representa indicialmente Sinhô, Gal Costa representa simbolicamente Carmen Miranda); uma designação nômade, que passa de um representâmen a outro (Tom Jobim é representado por Edu Lobo e, na mesma cena, por Fernando Eiras); e uma designação múltipla que identifica uma linha contínua conectando estilisticamente Mário Reis, Chico Buarque e Noel Rosa. O audiovisual, assim, aponta para uma postura fabuladora em que a semiose da música tem primazia sobre as identidades atribuídas a seus intérpretes e compositores.
Deleuze e a Semiótica Crítica.
SILVA, A. R.; Araújo, A. C. S. ; MELLO, J. G. ; CONTER, M. B. – Semeiosis: semiótica e transdisciplinaridade em revista, v. 5, p. 2-15, 2013.
Este artigo revisita a obra de Gilles Deleuze procurando identificar os pontos de passagem de uma semiótica formal a uma semiótica política. Trata-se de um sentido de imanência radical que indica a univocidade do ser como o dispositivo por excelência que faz de sua semiótica uma semiótica crítica. Buscamos verificar de que maneira Deleuze contribui para que se pense esta semiótica crítica a partir do debate que faz sobre o estruturalismo, os regimes de signos, a estratificação da linguagem, o sentido e os planos de consistência e de imanência. Desta forma, tentamos mostrar a importância de uma ideia de máquina abstrata que não se reduz nem aos possíveis previstos pelas estruturas nem às formas realizadas dos objetos ou dos sujeitos, mas que afirma a potência de um virtual que se diferencia de si explorando línguas menores, devires inauditos, desterritorializados.
As semioses do trailer da publicidade à experiência estética.
IUVA, P. O. ; SILVA, A. R – Revista FAMECOS (Online), v. 20, p. 310-336, 2013.
O artigo As semioses do trailer objetiva desconstruir as interpretações habituais que vinculam o trailer à publicidade para dar a ver também os agenciamentos que o caracterizam como um texto revelador de tendências da experiência audiovisual contemporânea. À luz da desconstrução (Derrida), as dimensões estética e narrativa do trailer, geralmente relegadas a segundo plano diante da publicidade, assumem posição central. Metodologicamente, são analisadas considerando os regimes do visível e do enunciável, propostos por Michel Foucault. O arquivo de que se partiu para tal problematização contém os trailers de Cidadão Kane, de Orson Welles, Psicose, de Alfred Hitchcock e Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. A análise deste arquivo permitiu reconhecer uma certa autonomia estética do trailer em relação à publicidade, mas também – e sobretudo – em relação ao filme que enuncia.
Smallville e a invenção das identidades: o armário de Clark Kent.
SILVA, C. R. ; SILVA, A. R. – Verso e Reverso (Unisinos. Online), v. 27, p. 196-204, 2013.
O objetivo deste trabalho é problematizar a noção de identidade, articulando noções da Teoria Queer e elementos da narrativa da série Smallville e observando a possibilidade de se encontrar elementos nesta série que problematizem tal noção. Com isso, a partir da da ideia de uma identidade desviante, e das figuras do armário e das instituições médicas como reguladoras da vida social dos sujeitos, busca-se examinar o modo como se articulam esses conceitos, considerando, também, suas possíveis representações nos suportes midiáticos e do entretenimento. Verificou-se, com isto, que tais representações, mesmo atreladas à lógica da Indústria Cultural, são lugares de contradições e pontos de rupturas com as lógicas que instituem e legitimam certas identidades em detrimento de outras, o que permite problematizar esquemas e processos que repercutem na marginalização e na discriminação de sujeitos não legitimados na esfera social, uma realidade ainda bastante comum na realidade.
A Música no universo das Imagens técnicas.
CONTER, M. B. ; SILVA, A. R. . – Sessões do Imaginário (Online), v. XVIII, p. 25-35, 2013.
A afirmação de Vilém Flusser de que somente os netos da geração da década de 1980 seriam capazes de compor música com imagens é a questão que este artigo objetiva enfrentar. Para tanto, investigam-se vídeos publicados no YouTube, cujos códigos musicais, estruturas e tendências evidenciam a hipótese flusseriana de que o universo das imagens técnicas é o mundo da música imaginativa. O processo composicional é realizado no jogo com e contra os aparelhos que geram a imagem-música, especialmente na remixagem de vídeos não-musicais previamente publicados no YouTube (resultando em um vídeo musical) e na montagem de fragmentos audiovisuais realizada a partir de códigos e durações da partitura musical. Com Flusser e para além dele – porque os vídeos para a web aqui estudados não são apenas imagens técnicas, mas experiências estéticas que fazem a partir de um dado programa convergir diferentes linguagens igualmente técnicas (computacional, audiovisual e musical) – enfatiza-se a necessidade de se compreender como tais programas se tornaram a chave para que se identifiquem os desafios do tempo presente.
Glauber e o transe na televisão: o caso Abertura.
SILVA, A. R.; Araújo, A. C. S.– Revista Fronteiras (Online), v. 14, p. 23-30, 2012.
Glauber e o transe na televisão: o caso Abertura é resultado parcial de uma pesquisa sobre as teorias em dispersão dos cineastas brasileiros sobre o audiovisual, em que se busca identificar elementos de uma teoria por vir que compreenda os modos como os cineastas concebem o audiovisual brasileiro. Este artigo tenta compreender o audiovisual desde uma perspectiva estética que transcenda o meio que o veicula, considerando diferentes estratégias de modelização para atualizar a problemática da indústria do audiovisual no Terceiro Mundo e apresentar as novidades estético-políticas trazidas pela experiência do Abertura, alvo preferencial do cineasta do transe.
Eduardo Coutinho entre o Jogo e a Cena.
SILVA, A. R.; DINIZ, F. M. X. – Revista Comunicação Midiática, v. 07, p. 138-152, 2012.
Este artigo visa pensar o cinema sob a luz do jogo. Ao tomar, principalmente, as teorias de Johan Huizinga como referência, pretende-se encontrar analogias possíveis entre o conceito de jogo e o modo de pensar e fazer cinema de Eduardo Coutinho. Sob este prisma, reconhecemos o diretor também como um jogador, que por meio de uma metodologia singular de realização cinematográfica apresenta uma obra estruturada pelas formas lúdicas do jogo.
Nem Deus nem o Diabo, Rosa na Terra do Sol.
SILVA, A. R.; SILVEIRA, M. T. – Imagofagia, v. 5, p. 5, 2012.
Em análises tradicionais de Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha, 1964), Rosa é personagem adjuvante. Ao alçá-la por procedimento desconstrucionista ao centro da narrativa, percebemos que é ela quem dita as regras da ação fílmica e das transformações por que passam os demais personagens. Tais semioses permitem perceber novos arranjos de sentidos imanentes à obra e compreender como desde seus primeiros filmes Glauber criava personagens cuja ação transcendia o papel habitualmente conferido às mulheres.
SILVA, A. R.; Araújo, A. C. S. – Intercom (São Paulo. Online), v. 35, p. 53-73, 2012.
Este artigo busca identificar, na obra de Glauber Rocha, elementos ainda em dispersão de um projeto de teoria semiótica do Terceiro Mundo. Para isso, foram selecionados três tipos de signos que podem caracterizar os termos dessa semiótica: os signos do cinema, do transe e da revolução. Sob a influência de Peirce e de Deleuze acerca da semiótica e do cinema, a obra de Glauber pode ser pensada como um projeto cujo propósito principal é o de engendrar novos processos de significação que tenham a capacidade de significar o Terceiro Mundo em sua singularidade. A partir das semioses que engendra, Glauber se aproxima dos conceitos de opsignos e sonsignos propostos por Deleuze à luz de Peirce e que também caracterizam, sob determinados aspectos, a primeiridade: primazia da imagem pura e dos aspectos qualitativos da significação.
Liquid Journalism: trends in amplification of the field.
RUBLESCKI, A. ; SILVA, A. R. – Brazilian Journalism Research (Online), v. 8, p. 118-132, 2012.
This article derives from a broader investigation which discusses the metamorphoses that are established for the mediation and the capability for processing of the news in the culture of the convergence and digitalization. As a direct result of the investigation seven trends to enlarge the boundaries of the field are highlighted: 1) diffuse journalism, 2) residual recovery journalism, 3) deepening of journalism in collaboration, 4) predominance of news centered on the reader, 5) more value given to local content, 6) personalization of the fruition of the news, and 7) plurality of voices and framings with regard to the same fact. Methodologically, it is a theoretical and critical article, developed from review of the literature and empirical observation.
VideoSongs da banda Pomplamoose: o que você vê é o que você ouve.
CONTER, M. B. ; SILVA, A. R. – Ciberlegenda (UFF. Online), v. 2, p. 88-100, 2011.
A música como protagonista na produção de sentido em vídeos para a web desempenha duas funções: uma estruturante – a que denominamos imagem-música e que oferece as diretrizes a partir das quais se tornam possíveis as relações entre imagem e música –, e outra constituinte – que deve ser compreendida em suas relações de interdependência com as demais linguagens que compõem o vídeo para a web. Foram analisados vídeos compostos por imagens que antes não eram musicais, mas quando mixados, se transformam, através de uma intensa edição das trilhas sonora e visual, em músicas: os VideoSongs de Jack Conte. Para reconhecermos este duplo estatuto, compreendemos a música como uma virtualidade (nos termos de Bergson), capaz de se atualizar, através da aplicação de suas estruturas, em todos os elementos do audiovisual.
Parangolés eletrônicos: expressões de uma estética do silício.
CORREA, E. M. ; SILVA, A. R. – Revista Passagens, v. 1,n.3, p. 1-13, 2011.
O conceito parangolés eletrônicos é criado com o intuito de sublinhar a singularidade de um modo de expressão áudio-visual que emerge da mistura da música eletrônica com a videomontagem. O de estética do silício, para sustentar este modo de composição áudio-visual, como expressão de um modo de existência. Assim, nossas motivações partem de dois temas de interesse: 1. pensar as forças que fabricam cada sociedade, dando ênfase ao silício como elemento tomado no filo maquínico do mundo contemporâneo; 2. nossa atração pela matéria áudio-visual como modo de expressão que se instala nos limiares indiscerníveis entre o sonoro e o visual transbordando a língua, como dispositivo do pensamento.
Peirce na trilha deleuzeana: a semiótica como intercessora da filosofia do cinema.
SILVA, A. R.; COSTA, R. W. S. – Intercom (São Paulo. Impresso), v. 33, p. 169, 2010.
Peirce na trilha deleuzeana é resultado parcial de duas pesquisas: uma sobre a imagem documental e outra sobre as teorias dos cineastas brasileiros que têm em comum o objetivo de retomar a influência peircena sobre o pensamento cinematográfico de Deleuze, em geral associado ao bergsonismo. Tal retomada permite uma revisão crítica dos tipos de imagem propostos por Deleuze em A imagem-movimento e A imagem-tempo à luz da semiótica, além do desenvolvimento de novos tipos de imagens derivadas da experiência cinematográfica contemporânea e que introduzem novas e específicas problemáticas a desafiar os estudos do audiovisual. Ao desconstruir a hegemonia bergsoniana, este artigo procura revelar os modos como, a exemplo de uma “língua menor”, os pensamentos de Peirce e de Deleuze se agenciam para dar lugar a uma nova imagem de pensamento cuja matéria de expressão são as imagens cinematográficas.
Mário Peixoto: do filme ao cinema.
SILVA, A. R. – Semeiosis: semiótica e transdisciplinaridade em revista, v. 1, p. 1, 2010.
Mário Peixoto, do filme ao cinema procura identificar índices de uma concepção sobre o cinema desenvolvida por Mário Peixoto ao longo de sua vida (1908?- 1992). Embora o diretor de Limite (1931) não tenha proposto formalmente uma teoria para o cinema, é possível – e esta é a hipótese desenvolvida por este artigo – encontrá-la dispersa entre o filme que realizou (Limite), os ensaios e roteiros cinematográficos jamais concluídos, os artigos publicados e as entrevistas concedidas. Para tanto, articula metodologicamente arqueologia e semiótica. À arqueologia coube identificar as condições de emergência dessa concepção, bem como sua caracterização e, à semiótica, traçar as semioses que articulam os diferentes registros verbais e não-verbais referidos com vistas a tornar mais claras as ideias do diretor sobre o cinema. Com isto, pode-se perceber que, com Mário Peixoto, o cinema se constitui em uma ação que transcende o filme realizado e cuja natureza precípua é o problemático, o inacabado e o virtual.
PARODE, F. P. ; BENTZ, I. M. G. ; SILVA, A. R. – Ghrebh-, v. 1, p. 50-61, 2010.
O foco deste trabalho são as traduções intersemióticas que partem de uma imagem que migra ‐ a do coelho ‐ por diferentes suportes: o livro de Lewis Carroll; os registros plásticos de Eduardo Kac, criador de Alba, e o filme de Tim Burton, Alice. Tais imagens, que ora contaminaram ora foram contaminadas pelo pensamento de Gilles Deleuze, em Lógica do Sentido, também registram expressividades híbridas advindas das experiências de Hieronymus Bosch, Francis Bacon e Marcel Duchamp. A arte se coloca entre os indivíduos e o mundo como uma membrana trans‐ ductiva, permitindo passagem e retenção como um filtro de formas e conteúdos. Algumas perguntas se impõem: Quais os índices de mutação e convergência verificáveis nas imagens contemporâneas, em termos gerais, e na imagem do coelho, elemento que contamina polissemicamente as diferentes mídias que o veiculam? De que modo a arte contemporânea tem expressado o intertextual como modalidade de experimentação?
A Imagem entre Tarkowski e da Vinci.
SILVA, A. R. ; PARES, A. D. – Revista FAMECOS (Online), v. 01, p. 06, 2009.
A imagem entre Tarkovski e da Vinci discute o estatuto da imagem, e investiga dois modos de sua produção – o pictórico e o técnico-tecnológico – na primeira tomada do filme O Sacrifício (1986), de Tarkovski, em que o diretor filma a pintura A Adoração dos Magos (1441/42), de Leonardo da Vinci. Identifica ainda o debate sobre a imagem sob determinadas perspectivas da filosofia e da semiologia para propor um lugar propriamente comunicacional para sua análise, evidenciando a relevância de conceitos como o de meio, de referência e de sentidos. Por fim, reconhece que é no jogo sincrônico entre as imagens de Tarkovski e da Vinci que se instaura a problemática efetivamente comunicacional das imagens.
SILVA, A. R. – Verso e Reverso (Unisinos. Online), v. XXXIII, p. 06, 2009.
Produção jornalística de sexualidades apresenta resultado de pesquisa realizada nos arquivos do jornal Folha de São Paulo durante o ano de 1997, ano em que se iniciaram os debates parlamentares sobre União Civil Homossexual no Brasil. São analisados os códigos que regulamentam os regimes de signos de sexualidade hegemônica e as potências dispersivas que agenciam a constituição de cartografias de sexualidades em devir.
Transgressão de Códigos: fundamento semiótico da criatividade em publicidade.
SILVA, A. R.; MELIN, M. J. – InTexto, v. 2, p. 6, 2008.
Propõe-se, neste artigo, uma leitura sobre um fenômeno muito caro ao meio publicitário: a criatividade. Dentro dos limites do campo comunicacional, e através de instrumentos estético-semióticos, investigam-se as razões pelas quais um anúncio pode ser encarado como criativo. Parte-se da hipótese de que a criatividade está fundamentada em um componente estrutural-chave: a ambigüidade. Por sua indeterminação, a comunicação ambígua instigaria a imaginação, e viria daí seu potencial de atração e prazer. O anúncio publicitário se define por um conjunto de características gerais que dizem respeito a sua identidade (como se parece), a referências ao seu objeto (produto/serviço) e aos efeitos produzidos (como tende a ser interpretado). As análises propostas aqui apontam não para uma criatividade geral, mas para momentos criativos específicos dentro de cada anúncio, sendo a criatividade detectada pelo artifício semiótico da ambigüidade.
Vinícius da Silva . Três durações: Nelson, Glauber e Bressane.
SILVA, A. R.; PELLENZ, V. S. – Ciberlegenda (UFF), v. 18, p. 1, 2007.
Três Durações: Glauber, Bressane e Nelson identifica formas de brasilidade expressas pelo Cinema Novo. Recupera de Bergson os conceitos de imagem-lembrança, imagem-ação e duração para expressar indícios de brasilidade que ora se como identidade nacional ora como devir de um outro país imaginado pelo cinema. O Cinema Novo oferece formas de expressão remidiatizadas em que se visibilizam as estratégias micropolíticas que configuram a nacionalidade brasileira não mais somente como identidade, mas, sobretudo como memória.
Semiótica e audiovisualidades: ensaio sobre a natureza do fenômeno audiovisual.
SILVA, A. R. – Revista Fronteira (UNISINOS), v. 9- nº3, p. 145-153, 2007.
A proposta deste artigo é discutir a natureza do fenômeno audiovisual a partir do confronto entre a teoria fenomenológica de Charles Sanders Peirce e sua revisão crítica empreendida por Gilles Deleuze em Imagem-tempo. Além das três categorias propostas por Peirce – primeiridade, secundidade e terceiridade – Deleuze propõe uma quarta – a zeroidade – capaz de reconhecer a legitimidade e a duração dos fenômenos em virtualidade. Tal revisão permite a passagem dos estudos do audiovisual propriamente dito – com suas textualizações, condições de produção e produção de interpretantes – para o estudo das audiovisualidades, com suas imagicidades e configurações virtuais expressas naquilo a que podemos, nesta pesquisa, denominar, inspirados por Arlindo Machado (1997) em outro contexto, de pré-audiovisual e pós-audiovisual.
SILVA, A. R.; CONTER, M. B. – Sessões do Imaginário, v. 16, p. 56-61, 2006.
“Aprendizes do fantasia” aborda o videoclipe como gênero audiovisual partindo de seus devires, expressos desde as primeiras fusões de imagem projetada com música. Toma-se como referência o filme Fantasia, de Walt Disney, de 1940, no qual são encontradas estruturas que se repetirão nos videoclipes 40 anos mais tarde. São abordadas, também, adaptações de músicas inseridas no filme como traduções intersemióticas.
SILVA, A. R. – Veredas (UNIMAR), v. 5, p. 39-49, 2006.
Este estudo enfoca relações entre imagem e música estabelecidas nos musicais televisivos comandados por Elis Regina, primeira cantora produzida pela televisão. Tais programas indiciavam relações semióticas entre imagem e música, cuja autonomização na forma imagem-música veio a posteriori, com o desenvolvimento de suportes digitais. Imagemmúsica é um conceito que expressa o modo matemático como são produzidos digitalmente imagens e sons (musicais) e as variabilidades de suas textualizações. Deriva desta articulação indissociável entre dois níveis – o da produção e o da textualização em suporte digital – um conjunto de problemáticas não circunscritas ao gramatical (ainda que esta dimensão lhe seja essencial), mas também referentes aos usos dos signos na vida social e ao estudo de suas potencialidades agramaticais em devir.
Elis Regina e a música televisual brasileira.
SILVA, A. R. – Galáxia (PUCSP), v. 12, p. 22-32, 2006.
Este artigo discute o modo pelo qual a televisão brasileira construiu Elis Regina como ator televisivo. Parte da ideia proposta por Augusto de Campos e Caetano Veloso de que Elis foi a primeira cantora efetivamente produzida pela televisão brasileira para investigar semioticamente o que aqui se denomina mundo televisivo. Este estudo aborda, ainda, as articulares entre gêneros, subgêneros e formatos como níveis que tecem as malhas do propriamente televisivo.