Semiótica Peirceana por Alexandre Rocha

Comentários extraídos da aula de semiótica realizada na FABICO, dia 26 de outubro de 2010.

Sobre signos, futuro e efeitos[soundcloud width=”100%” height=”81″ params=”secret_url=false” url=”http://api.soundcloud.com/tracks/6497397″] Signo, futuro e efeitos by Cássio Lucas

Alexandre Rocha

“É a promessa de futuro que estabelece o nosso padrão de julgamento do presente” 

“Toda sua semiótica é uma semiótica voltada para essa expectativa de futuro”

“A ação interpretante de um sentido semiótico não deve ser avaliada por suas intenções. Deve ser avaliada por seus efeitos. […] A boa intenção, dizia Deleuze, deve ser severamente punida”

“A semiótica peirceana é uma semiótica de muita radicalidade… a primeira coisa que a gente perde é a autocomplacência”

Semiótica e “interdisciplinaridade”[soundcloud width=”100%” height=”81″ params=”secret_url=false” url=”http://api.soundcloud.com/tracks/6497396″] Semiótica e Interdisciplinariedade by Cássio Lucas

“O coração dessa lógica, que explicaria todas as ciências, seria a semiótica”

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Ficha de Leitura: CINEMA BRASILEIRO MODERNO, de Ismail Xavier

in: Cinema Brasileiro Moderno, São Paulo, SP: Paz e Terra, 2006

“[…] quando a nossa atenção se volta para o processo que envolveu o Cinema Novo e o Cinema Marginal, entre final da década de 1950 e meados dos anos 1970, tal processo se apresenta como dotado de uma peculiar unidade. Foi, sem dúvida, o período estética e intelectualmente mais denso do cinema brasileiro. As polêmicas da época formaram o que se percebe hoje como um movimento plural de estilos e ideias que, a exemplo de outras cinematografias, produziu aqui a convergência entre a ‘política dos autores’, os filmes de baixo orçamento e a renovação da linguagem, traços que marcam o cinema moderno, por oposição ao clássico e mais plenamente industrial.” (XAVIER, Ismail. Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo, SP: Paz e Terra, 2006, p. 14)

“Falar em cinema moderno remete a uma pluralidade de tendências, mas tomo aqui como baliza as experiências que podem, primeiro, ser referidas à formação do estilo moderno no sentido de André Bazin – este que envolve a referência a Renoir, a Welles e ao neo-realismo. E podem ser referidas, em segundo lugar, a Antonioni, Pasolini e Rossi, à Nouvelle-Vague e Resnais, a Cassavetes e Gutierrez Alea, entre outras figuras de tal cinema em seu momento mais canônico. Falo, portanto, da sintonia e contemporaneidade do Cinema Novo e do Cinema Marginal com os debates da crítica e com os filmes dos realizadores que, tomando a prática do cinema como instância de reflexão e crítica, empenharam-se, em diferentes regiões do mundo, na criação de estilos originais que tensionaram e vitalizaram a cultura.” (XAVIER, Ismail. Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo, SP: Paz e Terra, 2006, p. 14-15)

“Para o proto-Cinema Novo de Nelson  Pereira dos Santos, em Rio 40 Graus (1954) e Rio Zona Norte (1957), e de Roberto Santos, em O Grande Momento (1958), o diálogo maior foi com o neo-realismo e a comédia popular brasileira; para Glauber Rocha, Ruy Guerra, Joaquim Pedro, Leon Hirzman, Carlos Diegues, Paulo Cesar Saraceni, Arnaldo Jabor e David Neves, valeu, a par da diferença de estilos, aquela incorporação da câmera na mão no cinema de ficção, traço técnico-estilístico fundamental para a constituição da dramaturgia do cinema moderno latino-americano, tal como o foi, em alguns casos, na Europa, especialmente no cinema de Godard e Pasolini.” (XAVIER, Ismail. Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo, SP: Paz e Terra, 2006, p. 16)

Ismail Xavier

“Se a questão do realismo foi central no cinema de um Leon Hirzman ou de um Luiz Sérgio Person, a alegoria e a descontinuidade marcaram o cinema de Glauber, autor que inventou o seu próprio cinema feito de instabilidades, tateios de câmera e falas solenes, com sua mise-en-scène composta de rituais observados por um olhar de filme documentário. Por diferentes caminhos, o cinema brasileiro trabalhou as tensões entre a ordem narrativa e uma rica plástica das imagens, fazendo ‘sentir a câmera’ como era próprio a um estilo que questionava a transparência das imagens e o equilíbrio da decupagem clássica.” (XAVIER, Ismail. Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo, SP: Paz e Terra, 2006, p. 16-17)

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Ficha de Leitura: CINEMA MARGINAL, de Fernão Ramos

CINEMA MARGINAL (1968/1973) A REPRESENTAÇÃO EM SEU LIMITE

“Para a compreensão da significação do Cinema Marginal dentro do panorama do cinema brasileiro, teremos de ter sempre presente esta conotação pejorativa inerente ao fato de estar à margem. Uma das principais características deste “cinema” está exatamente no deslocamento ideológico desta carga pejorativa, que passa a ser valorada de outras formas.” (RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): A Representação em seu Limite. São Paulo, SP: Brasiliense, 1987, p. 16)

“[…] este último estágio (a realização do valor da mercadoria-filme) parece ser uma espécie de fantasma, uma má consciência que atormenta os impulsos mais criativos dos “autores”. A esta “má consciência”, tão característica da prática cinematográfica, não escapa a produção do Cinema Novo, e, como veremos adiante, teve a ela de pagar seu tributo o Cinema Marginal.” (RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): A Representação em seu Limite. São Paulo, SP: Brasiliense, 1987, p. 17)

“O Cinema Novo, no início, aborda esta problemática dando ênfase a um pólo do processo (a produção) em detrimento dos seguintes (a circulação e a exibição).” (RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): A Representação em seu Limite. São Paulo, SP: Brasiliense, 1987, p. 17)

“O cinema de autor permitiria a prática cinematográfica desvinculada das exigências opressoras do último elo (a realização do valor)” (RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): A Representação em seu Limite. São Paulo, SP: Brasiliense, 1987, p. 17)

“Glauber Rocha nos dá a medida desta ‘liberação’ ao afirmar em seu livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro ser o ‘autor’ ‘o maior responsável pela verdade: sua estética é uma ética, sua mise-en-scène é uma política’” (RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): A Representação em seu Limite. São Paulo, SP: Brasiliense, 1987, p. 17-18, grifo GPESC)

 

Fernão Pessoa Ramos

 

“Dilema para o ‘autor’ que não sabe mais a qual das vozes dis cordantes atender: se a que vem do seu interior e o leva a arrebentar com a forma e com o contato com o grande público; ou a que vem do exterior – ou talvez da parte crítica de seu ego – e que o culpa por uma não interferência mais direta na realidade em favor da ‘imensa maioria da população’” (RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): A Representação em seu Limite. São Paulo, SP: Brasiliense, 1987, p. 20, grifo GPESC)

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Ficha de Leitura: CINEMANCIA, de Júlio Bressane

“Foi no desenho da sombra de alguns de seus [de Robert Bresson] fotogramas onde, pela primeira vez, pensaram-se o signo cinematográfico moderno e suas transrelações. Muitas das obsessões do cinema moderno sentiu-as e pensou-as, pela primeira vez, este mestre do cinema mental. Digno Signo cinematográfico e Cinema pensado como organismo intelectual demasiadamente sensível e que faz limite, pervaga, transpassa, todas as artes, ciências e a vida. Cinema trans-tudo, nômade, desértico, inatual, novo…” (BRESSANE, Júlio. O Homem dos Olhos Doces. In: Cinemancia. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2000, p. 23)

“’Um realizador deve ser pintor, romancista, músico, e depois ser cineasta’, escreveu assim, certa vez, com destemor, A. Astruc.” (BRESSANE, Júlio. O Homem dos Olhos Doces. In: Cinemancia. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2000, p. 23)

“[Bresson fez um] Cinema sensível às revelações da imagem tempo (cronossignos) da imagem legível (lectossignos) e da imagem pensamento (noossignos). Fluxo circulador que imprime no fotograma granulado um sinal, uma mancha pensamento. Cinema que faz sentir. Angulação, movimento de câmera, câmera fixa, mínima, que manifesta relações mentais (Mouchette). Não é câmera-olho, mas olho-espírito, cinema vidência, a descrição substituindo o objeto (Une femme douce).” (BRESSANE, Júlio. O Homem dos Olhos Doces. In: Cinemancia. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2000, p. 24-25)

“[…]cada fotograma-som da mancha química sonorosa, realiza essa coisa pouco simples que é transmitir uma emoção…” (BRESSANE, Júlio. O Homem dos Olhos Doces. In: Cinemancia. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2000, p. 25)

“O cinema é a música da luz, disse, poeticamente o sensível Abel Gance. Retomando a metáfora, diz Bresson: ‘podemos fazer cinema com colcheias e semicolcheias, porque cinema é música’” (BRESSANE, Júlio. O Homem dos Olhos Doces. In: Cinemancia. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 2000, p. 225-26)

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Inscrição de filmes para o CLOSE prorrogada até 23 de Setembro

Embora a comissão organizadora já tenha recebido inúmeros filmes para participar do CLOSE – Festival Nacional de Cinema da Diversidade Sexual, ela está prorrogando as inscrições até o próximo dia 23 de setembro visando oportunizar uma nova chance para quem ainda não conseguiu efetuar as inscrições ou finalizar o trabalho.

Os interessados deverão fazer sua inscrição no formulário on-line pelo site www.somos.org.br/close e, após, enviar a confirmação da inscrição e o filme em DVD através de sedex até o dia 23 de setembro, impreterivelmente. Veja o regulamento antes de postar sua inscrição.

Serão aceitos todos os tipos de produções audiovisuais que abordem a temática de gênero ou sobre as diversas formas de expressão da sexualidade humana.

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LUHMANN, Nicklas. Introdução à teoria dos sistemas. Petrópolis: Vozes, 2009.

Para Luhmann, a única operação capaz de basear o social de maneira autônoma é a comunicação. Ela deve ser o ponto de partida de uma reflexão social, já que ao ser a estrutura basal mais abarcadora, inclui a ação ou a racionalidade da consciência.

A comunicação, em seu sentido mais abstrato e geral, é uma observação, na medida em que efetua uma diferença. Portanto, o maior nível de abstração em que ela pode ser colocada é a operação da observação. Segundo a terminologia de Spencer-Brown […], observar constitui a utilização da diferença para designar um lado e não outro daquilo que se observa. O ponto de partida reside em um conceito extremamente formal do ato de observar, definido como operação que utiliza uma diferença, e a descrição desta diferença. [20]

Portanto, a diferença (operação/operação) que se realiza em todo ato de comunicar é um começo que supera qualquer outro ponto de partida aceito como possível para a sociologia. Ao se duvidar de sua universalidade, seria novamente preciso efetuar uma comunicação (portanto, uma diferença entre operação/observação), que confirmasse o caráter inquestionável do ponto de partida. (Nafarrate apud LUHMANN, 2009:19-20)

[…] a comunicação é uma operação provida da capacidade de se auto-observar. Cada comunicação deve comunicar ao mesmo tempo em que ela própria é uma comunicação; e também deve dar ênfase a quem e ao que foi comunicado, para que a comunicação articulada possa ser determinada, e possa dar continuidade à autopoiesis. Consequentemente, como operação, a comunicação não apenas produz uma diferença. Ela certamente o faz; mas, para observar que isso acontece, ela também usa uma

Nicklas Luhmann

distinção específica: aquela que existe entre o ato de comunicar e a informação. Esta ideia tem consequências de grande importância. Não significa somente que a identificação do ato de comunicar, como ação, é elaboração de um observador; ou seja, a elaboração do sistema da comunicação que observa a si mesmo. Essa ideia significa, principalmente, que os sistemas sociais (incluindo a sociedade) só podem ser construídos como sistemas que se observam a si mesmos. Essas reflexões – que nos confrontam a Parsons e a tudo o que está disponível no mercado, enquanto teoria da ação – levam a renun- [21] ciar a uma fundamentação da sociologia na teoria da ação (e portanto, individualista) [NT!] (Nafarrate apud LUHMANN, 2009:20-21)

Aula II: Sistemas abertos

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Ficha de Leitura: DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL: AS FIGURAS DA REVOLUÇÃO, de Ismail Xavier

Sertão Mar

Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução
In: Sertão Mar – Glauber Rocha e a Estética da Fome

a) Entre o passado e o futuro, a brecha do presente

“[…]câmara e atores se deslocam de modo a traduzir visualmente o que é dito nos versos, numa representação que funde o espaço das imagens e o espaço da canção de cordel.” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 70)

“A montagem nos fornece uma composição que se recusa a procurar aquela exposição clara de uma sucessão de gestos contínuos e perfeitamente situados na evolução das manobras de perseguidaor e perseguido. Estamos longe da alongada batalha ou tiroteio que marca os confrontos finais de Griffith a John Ford, de O Cangaceiro, de Lima Barreto, a Mandacaru Vermelho, de Nélson Pereira dos Santos. Em Deus e o Diabo, a regra do espetáculo é outra. E a sucessão de imagens esquematiza a ação diegética de modo a conformá-la e compatibilizá-la com a canção em seu ritmo e tonalidade.” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 70)

“A teatralidade impressa ao duelo, seu toque cavalheiresco e, em particular, o estilo da morte de Corisco (grita “mais forte são os poderes do povo” e cai de braços abertos com a espada na mão) são indicações claras: a organização das imagens não quer assumir o tom da ação natural ilustrada por uma canção. Todo o discurso parece estar comandado pelas coordenadas da lenda, como se as palavras do cantador e a série de imagens fossem ambas produto de uma única ‘visão das coisas’.” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 71)

“[…]o estilo telegráfico […]se afasta da montagem típica ao cinema-indústria” (XAVIER, Ismail. Deus e o Diabo na Terra do Sol: As Figuras da Revolução. In: Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome. São Paulo, SP: Brasiliense, 1983, p. 71)

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ÚLTIMO FILME DA MOSTRA GLAUBER EM TRANSE

No último encontro, nesta quarta, dia 15/09, assistiremos ao filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. É o primeiro filme em cores de Glauber e retoma os personagens apresentados em Deus e o Diabo, porém em um contexto diferente, engendrando novas relações e problemas surgidos num Brasil tomado pela ditadura militar.

no Auditório 2, da FABICO*, às 14h30min.

*Rua Ramiro Barcelos, número 2705, Campus Saúde – UFRGS

Cronograma completo e mais informações sobre a mostra aqui.

Santaella e Larrosa no UniRitter

VII Seminário Linguagem, Discurso e Ensino ocorre de 14 a 16 de setembro no UniRitter Porto Alegre

Um dos nomes mais respeitados em semiótica, a doutora e professora da PUC/SP, Lúcia Santaella e Jorge Larrosa, doutor em Filosofia da Educação e professor da Universidade de Barcelona, são nomes confirmados para o VII Seminário Linguagem, Discurso e Ensino e o I Seminário Internacional Linguagem, Interação e Aprendizagem, que ocorrem de 14 a 16 de setembro no campus Porto Alegre do UniRitter (Rua Orfanotrofio 555, Alto Teresópolis).

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