MOSTRA GLAUBER EM TRANSE: ANOS 60


O GPESC (Grupo de Pesquisa Semiótica e Comunicação) organiza a mostra de filmes Glauber em Transe: Anos 60, que exibirá os quatro primeiros longas do cineasta em ordem cronológica. Sob a coordenação do Prof. Alexandre Rocha da Silva, os encontros acontecerão semanalmente no Auditório 2, da FABICO, sempre as quartas-feiras a partir das 14h 30min.

Glauber Rocha foi um dos principais realizadores na história do Cinema Nacional, porém grande parte de sua obra ainda permanece pouco explorada pelas novas gerações. Para tentar promover uma maior divulgação de sua obra, ocorrerá na FABICO uma mostra de filmes do cineasta intitulada GLAUBER EM TRANSE: ANOS 60, organizada pelo GPESC (Grupo de Pesquisa Semiótica e Comunicação) sob a coordenação do Prof. Alexandre Rocha da Silva, onde serão exibidos os 4 primeiros filmes de Glauber, todos eles realizados ao longo da década de 60. A mostra será realizada semanalmente no Auditório 2 da FABICO, sempre as quartas-feiras, iniciando dia 25 de agosto, a partir das 14h30min. Em cada encontro teremos a exibição de um filme, seguida de um breve debate com os participantes. A Mostra é aberta e gratuita, mas, por ser uma atividade de extensão, os alunos da UFRGS podem se inscrever no primeiro encontro pelo valor de 5 reais e ganhar os créditos complementares correspondentes e um certificado de participação

No primeiro encontro, dia 25/08, será exibido o primeiro longa de Glauber Rocha, Barravento. No filme, são retratados pescadores de uma vila no interior da Bahia que, influenciados um ex-morador que se mudou para Salvador, começam a questionar a exploração do trabalho a que são submetidos. Após o filme, ocorrerá uma discussão mediada por André Araujo e Cássio de Borba Lucas sobre as questões levantadas pela obra.

Já no dia 01/09, o filme escolhido é Deus e o Diabo na Terra do Sol, passado no sertão da Bahia numa narrativa que relembra a literatura de cordel e joga com uma série de mitos brasileiros – cangaço, coronelismo, messianismo – sendo assim o mais importante filme da primeira fase do Cinema Novo – que projetou Glauber ao reconhecimento internacional.

Dia 08/09, o terceiro filme de Glauber, Terra em Transe, será exibido. Nele, são problematizadas as políticas populistas ou fascistas que se desenvolviam na América Latina na década de 60. O filme foi lançado em plena ditadura militar, às vésperas do AI-5 e foi de extrema importância para a formação do pensamento político da classe intelectual da época.

No último encontro, dia 15/09, assistiremos ao filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. É o primeiro filme em cores de Glauber e retoma os personagens apresentados em Deus e o Diabo, porém em um contexto diferente, engendrando novas relações e problemas surgidos num Brasil tomado pela ditadura militar.

Também estará disponível uma bibliografia, composta de textos relevantes a respeito de cada um dos filmes, escritos por Glauber ou críticos de cinema e estudiosos de sua obra. Os textos estarão disponíveis para Xerox na própria FABICO.

CONTATO: andrecsaraujo@gmail.com
arsrocha@gmail.com
cassioblucas@gmail.com


CRONOGRAMA

GLAUBER EM TRANSE: ANOS 60
14h30min – Auditório 2 – FABICO

(Rua Ramiro Barcelos, número 2705, Campus Saúde – UFRGS)

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Barravento
Dia 25/08

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Deus e o Diabo na Terra do Sol
Dia 01/09

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Terra em Transe
Dia 08/09

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Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro
Dia 15/09

Lançamento Revista Semeiosis

“A semiótica ganha, a partir de setembro, um espaço a mais de divulgação de pesquisas. Com atualizações mensais e em fluxo contínuo, a revista online semeiosis (www.semeiosis.com.br) acolhe trabalhos experimentais dedicados à investigação de fenômenos geradores de sentidos, incentivando uma visão sistêmica e transdisciplinar do conhecimento científico. Trabalhos para publicação na edição de lançamento da revista devem ser enviados até o dia 30 de setembro.”

Release de Divulgação: Revista Semeiosis

Ficha de Leitura: ALGUNS, de Júlio Bressane

“Para J. Cocteau, humano é a voz humana. Lê-se um livro para ouvir a voz de seu autor,

como se pode também ouvir a voz de uma… pintura.” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 7)

“Vassourinha […] fez crítica, e o fez via voz. Digo melhor: há uma forma de tradução, mais complexa, que se diz de ordem intrasemiótica, ou eja, transposição de uma linguagem para outra: quando Vivaldi faz pintura (Fra Angelico), quando Drummond faz Tarsila (“Cidadezinha qualquer“), quando Ravel faz cinema (Tombeau de Couperin), quando Hitchcok faz Mallarmé (Vertigo), quando Mário Reis faz desenho animado (Moreninha da praia/Betty Boop) ou caricatura (Cadê Mimi/J. Carlos), quando a pitangueira começa a dar manga, bem aí…” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 7-8)

“Como há tradução de uma linguagem para outra – intersemiótica -, há tradução feita na mesma linguagem – intra-semiótica. Tem Vassourinha uma voz-mosaico, voz-manta-de-detalhes, voz-ônibus, voz-metáfora, onde passeiam Mário Reis, J. Veiga, C. Galhardo, Isaurinha Garcia, D. Caymi e muito O. Silva, o Multidão.” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 8 )

“A letra e a cor, o cheiro e a palavra (chineses e japoneses perfumavam os livros de tal maneira que os dotavam de uma linguagem olfativa), a voz e o cinema… mudo. Persigamos este centauro vendo o som e ouvindo as cores…” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 9)

Júlio Bressane

“Ainda [Pe. Antônio] Vieira: suponhamos que,

diante de uma visão estupenda, saiam os sentidos humanos fora de sua esfera e inaugurem o ver com os ouvidos e o ouvir com os olhos!” (BRESSANE, Júlio. Vassourinha: Ulisses na Record. In: Alguns. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1996, p. 10)

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Roberto Pires em exibição no Santander Cultural

Desde anteontem o Cine Santander exibe filmes de Roberto Pires, pioneiro cineasta baiano que inspirou, entre outros, o jovem Glauber Rocha. Pires foi o responsável por indicar Glauber para a direção de Barravento. É dele, também, o primeiro longa-metragem rodado na Bahia, Redenção. A mostra vai até domingo (5 de setembro), com três filmes diários, entre os quais Tocaia no Asfalto (1962, foto ao lado), tida como a obra prima do diretor.

Programa completo e detalhes no site do Santander Cultural.

CISC recebe Prof. Dr. Thomas A. Bauer

O Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia (CISC), com o
apoio da Fapesp, recebe nos próximos dias o Prof. Dr. Thomas A. Bauer, do
Departamento de Comunicação da Universidade de Viena, para uma série de
eventos inter-institucionais. Segue abaixo a  programação e o nosso convite
a todos que queiram participar das conferências (gratuitas).
Abraços
Malena Segura Contrera

Thomas Bauer é professor doutor da cadeira de Mídia Audiovisual, no
Departamento de Mídia da Universidade de Viena, membro da Associação
Austríaca de Ciências da Comunicação e membro da Associação Alemã de
Ciências da Comunicação, pesquisador da European Research and Development
Projects (ECN, ENCE, EUROMEDIA, PEGASUS).

Links para artigos de Thomas Bauer e PROGRAMAÇÃO a seguir:
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FICHA DE LEITURA – ESCOLA DE SEMIÓTICA, Irene Machado (Modelização)

“Por sistemas modelizantes entendem-se as manifestações, práticas ou processos culturais cuja organização depende da transferência de modelos estruturais, tais como aqueles sob os quais se constrói a linguagem natural.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.49)

“A preocupação com os sistemas modelizantes de cultura surge em função da necessidade de examinar suas linguagens no sentido de valorizar o potencial comunicativo de suas práticas, manifestações ou fenômenos. Como, porém, estudar a linguagem de sistemas carentes de um tipo de organização? Compreender esse problema foi tarefa da teoria da modelização.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.49)

“Sabemos que o conceito de modelização funda-se em, pelo menso, dois pressupostos básicos: um diz respeito a idéia de que a transformação dos sinais em informação é um um processo genuinamente semiótico uma vez que resulta na tradução desses sinais em signos; o outro, à noção de que nenhum sistema semiótico é dado ao pesquisador mas, sim, construído. Modelizar, contudo, não é reproduzir modelos e sim estabelecer correlações a partir de alguns traços peculiares. Implica antes a adoção de uma espécie de algoritmos cujo resultado mostre que o objeto modelizado jamais resultará em uma mera cópia.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.50)

“Na modelização os modelos são sempre generalidades, daí sua capacidade de construir linguagem. Como diria Jakobson, não é a estrutura pronta o alvo do interesse, mas a estruturalidade do sistema, onde as estruturas operam. Para os semioticistas, modelizar é construir sistemas de signos a partir do modelo da língua natural. Contudo, cada sistema desenvolve uma forma peculiar de linguagem e, no processo de descodificação do sistema modelizante, não se volta para o modelo da língua, mas para o sistema que a partir dela foi construído.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.51)

“A idéia básica da modelização é, portanto, a possibilidade de considerar tanto as manifestações, os produtos ou atividades culturais quanto organizações segundo qualquer tipo de linguagem e, consequentemente, como texto.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.51-52)

“Trata-se de uma atividade de nomeação e, por conseguinte, metalinguística. Seu instrumento elementar de ação é o código – entendido aqui como sistema de signos. A competência semiótica é, evidentemente, uma capacidade dialógica de criação de linguagem.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.147)

“Consequentemente, modelização é a chave para compreender a produção de mensagens resultantes das relações entre as mais variadas linguagens ou os mais variados sistemas semióticos da comunicação social.” (MACHADO, Irene. Escola de semiótica, 2003. Ateliê Editorial: São Paulo, p.150)

Intercom divulga resultados do Prêmio Luiz Beltrão 2010

Lucia Santaela e Rogério Christofoletti ganham o premio Luiz Beltrão 2010 nas Categorias “Maturidade Acadêmica” e “Liderança Emergente”; Grupo de Bauru e Fundação Joaquim Nabuco são premiados nas categorias “Grupo Inovador” e “Instituição Paradigmática”.

Cada vez mais disputado e com maior número de indicações, o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, outorgado anualmente pela Sociedade Brasileira de Estudos interdisciplinares da Comunicação – Intercom – tem na edição de 2010 como ganhadores a professora e pesquisadora Lucia Santaella, o jornalista e professor Rogério Christofoletti, o Grupo de Bauru e a Fundação Joaquim Nabuco.

LUcia Santaella foi contemplada na categoria Maturidade Acadêmica.  Professora titular no programa de Pós Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, onde coordena o curso de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, é também diretora do CIMID — Centro de Investigação em Mídias Digitais e Coordenadora do Centro de Estudos Peirceanos. Santaella é uma das principais pesquisadoras do campo da Semiótica no Brasil. Seu trabalho, reconhecido nacional e internacionalmente, estende-se às áreas da Comunicação, Semiótica Cognitiva e Computacional, Estéticas Tecnológicas e Filosofia e Metodologia da Ciência.

O resultado está registrado nos 31 livros publicados, dentro os quais cinco são em co-autoria e dois são estudos críticos, além da organização de outras 11 obras. Os títulos também evidenciam a sua contribuição para a construção e o fortalecimento dos estudos da Semiótica e Comunicação. Entre eles, é presidente honorária da Federação Latino-Americana de Semiótica e da Charles S. Peirce Society, USA; recebeu o prêmio Jabuti em 2002 e em 2009; e o Prêmio Sergio Motta, Liber, em Arte e Tecnologia, em 2005; foi pesquisadora associada no Research Center for Language and Semiotic Studies em Bloomington, Universidade de Indiana. Desde 1996, tem feito estágios de pós-doutorado em Kassel, Berlin e Dagstuhl, Alemanha, sob os auspícios do DAAD/Fapesp.

A entrega solene dos diplomas aos vencedores do Prêmio Luiz Beltrão 2010 será realizada no dia 5 de setembro próximo, às 20 horas, no Personal Royal Hotel, na cidade de Caxias do Sul (RS), durante o 33º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.