Luiz Carlos Merten – Estado de São Paulo
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Aperana é uma palavra tupi que significa caminho falso ou provisório. A rua de seu filme tem esse nome evocador, mas o que é Rua Aperana 52?
Você estava na sala quando fiz a apresentação do filme, no Rio. O objeto desse filme é a ficção. Ele tem o indício do biográfico, essas coincidências com o pessoal, mas não é uma biografia. É antes um ‘biografema’. Vai além do biográfico. A partir da iconografia e iconologia que se produziram nessa paisagem, o filme inventa outra paisagem. Cria um jogo de xadrez de ficções que se intercalam: a das fotos reunidas entre 1909 e 1955, a dos fragmentos dos filmes caseiros, e também a das ficções dos filmes feitos entre 1957 e 2005. Tudo isso entrecruzado, a realidade (a casa) e a ficção (os filmes) interagindo por meio da montagem e da luz. Não serei o primeiro a dizer que o cinema é luz nem que a montagem é a organização do irracional. O filme nasceu com essa vocação.



