{"id":1242,"date":"2024-09-23T22:30:06","date_gmt":"2024-09-24T01:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/?p=1242"},"modified":"2024-09-24T17:12:12","modified_gmt":"2024-09-24T20:12:12","slug":"entrevista-brigitte-liberte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/entrevista-brigitte-liberte\/","title":{"rendered":"Entrevista Brigitte Libert\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/theladylazzarus\/\">Lady Lazzarus<\/a> <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/brigitteliberte\">Brigitte Libert\u00e9<\/a> comp\u00f5e a cena drag de Bel\u00e9m do Par\u00e1, onde integra o coletivo NoiteSuja e coloca em pr\u00e1tica o projeto Manas (En)Cena. No dia 03 de setembro, Lady Lazzarus entrevista a artista via e-mail. Entre os temas abordados est\u00e3o as refer\u00eancias no processo de monta\u00e7\u00e3o, o artivismo feminista atrav\u00e9s de laborat\u00f3rios drag para mulheres e as lutas pelo protagonismo de mulheres na arte drag.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"723\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/brigitte-liberte-1024x723.jpg\" alt=\"Brigitte Libert\u00e9 Grafia Drag\" class=\"wp-image-1255\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/brigitte-liberte-1024x723.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/brigitte-liberte-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/brigitte-liberte-768x542.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/brigitte-liberte-1536x1084.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/brigitte-liberte-2048x1445.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Brigitte Libert\u00e9. Foto: Ana Paula Gomes. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">***<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong>&nbsp;Como nasceu Brigitte Libert\u00e9? H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea se monta e quais foram as suas fontes de inspira\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o da sua persona drag queen?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong>. Em 2016, tive meus primeiros contatos com a arte drag por vivenciar muito intensamente o processo de inser\u00e7\u00e3o na arte drag de uma grande amiga minha da faculdade, Ti Yara, mulher trans, artista da dan\u00e7a, cuja drag se chamava Aracna Swan (este processo se deu antes de sua transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero). Passei admirar e me identificar com o exagero nas formas, nas maquiagens, as roupas extravagantes e principalmente, com as performances. J\u00e1 sendo artista da dan\u00e7a, das artes c\u00eanicas, a quest\u00e3o perform\u00e1tica das drags era o que mais me encantava, me imaginava, tal qual esta minha amiga, fazendo performances cheias de text\u00f5es de teor pol\u00edtico e dan\u00e7a. Apesar da identifica\u00e7\u00e3o e interesse que come\u00e7ava a se instaurar, a falta de protagonismo feminino na arte da monta\u00e7\u00e3o (especialmente de mulheres cis), me inibia de iniciar meu pr\u00f3prio processo, desta forma, enterrei a vontade de me montar, por mais um tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, assisti pela primeira vez uma performance de<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/themonias-em-belem\/\"> Skyssimme<\/a>, grande artista transmasculino da cena drag Amaz\u00f4nida. Na \u00e9poca, antes de sua transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, trazia \u00e0 cena performances que abordavam quest\u00f5es referentes a viv\u00eancias femininas na sociedade, viol\u00eancias, medos, lutas, etc. Conhecer seu trabalho, foi um divisor de \u00e1guas na minha vida, pois eu entendi que era exatamente aquilo que eu queria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed para frente, comecei a pesquisar mais sobre mulheres no cen\u00e1rio drag, entender preconceitos e tabus que deveriam ser quebrados e principalmente, a import\u00e2ncia da ocupa\u00e7\u00e3o destes espa\u00e7os, por mulheridades. Skyssimme me ajudou muito no in\u00edcio deste processo, me deu apoio e me influenciou a iniciar minha jornada como drag.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 9 de julho de 2019, fiz a primeira edi\u00e7\u00e3o do meu projeto art\u00edstico feminista Manas (En)Cena, que nasceu com o objetivo dar visibilidade e protagonismo para mulheres artistas da Amaz\u00f4nia. A primeira edi\u00e7\u00e3o, tratou-se de um espet\u00e1culo em um teatro da Universidade Federal do Par\u00e1, que levou \u00e0 cena apresenta\u00e7\u00f5es de artistas mulheres de diversas \u00e1reas (teatro, dan\u00e7a, m\u00fasica, circo, drag), e neste dia, tamb\u00e9m tive meu debut, me montei e performei pela primeira vez, como drag Brigitte Libert\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minhas refer\u00eancias sempre foram as drags daqui da Amaz\u00f4nia paraense, a nossa regionalidade, territorialidade, as drags que usam textos e dan\u00e7a em suas performances. Sempre fui uma drag da m\u00fasica popular brasileira, m\u00fasicas paraenses, dificilmente performo m\u00fasicas estrangeiras, pois sinto que a minha maior pot\u00eancia permanece no que sai daqui de dentro, n\u00e3o no que vem de fora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong>&nbsp;Sabemos que voc\u00ea \u00e9 uma grande ativista e militante pelo espa\u00e7o das mulheres dentro da arte transformista\/drag. O que mais lhe move nessa luta?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong>. Costumo dizer que minha trajet\u00f3ria \u00e9 movida por gritos decoloniais, principalmente de mulheres. Sem d\u00favida, o que sustenta o meu trabalho \u00e9 o ativismo feminista e LGBTQIA+, a vontade de fazer com que a minha arte, transforme cada vez mais a sociedade em um mundo mais digno para corpos dissidentes viverem. Ao adentrar o cen\u00e1rio da arte drag e entender as quest\u00f5es de machismo e misoginia que refutam corpos com buceta destes espa\u00e7os, me deparei a\u00ed, com mais uma grande luta que eu precisaria abra\u00e7ar, a luta pelo direito de mulheres de se reconhecerem e se fazerem presentes e ativas nestes ambientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong>&nbsp;Tem um v\u00eddeo seu que gosto bastante, e que inclusive me contempla muito enquanto vis\u00e3o de uma express\u00e3o muito comum no Brasil. O v\u00eddeo se intitula &#8220;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/CfU_kYZsjlm\">E homem que se veste de mulher<\/a>?&#8221;. Voc\u00ea poderia explicar para as pessoas que nos leem qual a diferen\u00e7a entre DRAG e &#8220;HOMEM VESTIDO DE MULHER&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong>.<\/strong> Sempre parto do princ\u00edpio de que drag \u00e9 sobre monta\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o pessoal, explora\u00e7\u00e3o de possibilidades est\u00e9ticas, induzidas por motiva\u00e7\u00f5es pessoais, por vontades de se descobrir de outras formas, de quebrar barreiras impostas pela sociedade e chegar a um est\u00e1gio de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, e isso, n\u00e3o tem nada a ver com g\u00eanero. Homem que se veste de mulher no intuito de fazer imita\u00e7\u00f5es e chacotas, como ocorre constantemente no carnaval, n\u00e3o passa de uma pessoa se utilizando de seus privil\u00e9gios sociais, para ridicularizar grupos sociais minorit\u00e1rios e sendo massa de manobra para mais viol\u00eancia com estes grupos, especialmente mulheres trans e travestis, que permanecem sendo vistas como pass\u00edveis de humilha\u00e7\u00e3o, desprezo e que servem para fazer as pessoas rirem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.&nbsp;<\/strong>&nbsp;Voc\u00ea tem um projeto incr\u00edvel na Amaz\u00f4nia, que \u00e9 o MANAS (EN)CENA. Poderia falar um pouco mais sobre este projeto para n\u00f3s e para as pessoas leitoras do GRAFIA?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong>.<\/strong> O Manas (En)Cena \u00e9 um projeto art\u00edstico-cultural que tem como objetivo dar visibilidade \u00e0 cena art\u00edstica feminina, no estado do Par\u00e1. Teve sua primeira edi\u00e7\u00e3o em julho de 2019, no Teatro Universit\u00e1rio Cl\u00e1udio Barradas, em um espet\u00e1culo que reuniu trabalhos art\u00edsticos de v\u00e1rias mulheres de diversas \u00e1reas das artes, em uma noite cheia de artivismo feminista. Sua segunda edi\u00e7\u00e3o, ocorreu em agosto de 2020, em formato de um show online com transmiss\u00e3o ao vivo de trabalhos em v\u00eddeo de v\u00e1rias artistas paraenses, a maioria deles, produzidos durante o isolamento social e com arrecada\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria para o Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Par\u00e1. A terceira edi\u00e7\u00e3o do Manas (En)Cena, intitulada <em>Joga na Roda<\/em>, foi um festival premiado pela lei Aldir Blanc Par\u00e1, ocorrido nos dias 06 e 07 de mar\u00e7o de 2021, com transmiss\u00e3o ao vivo pelo YouTube, que al\u00e9m de exibi\u00e7\u00e3o de videoperformaces de artistas mulheres paraenses, tamb\u00e9m contou com rodas de conversas sobre importantes tem\u00e1ticas que tangenciam o universo feminino. Premiado pelo edital FCP de Incentivo \u00e0 Arte e Cultura, o Manas (En)Cena teve sua quarta edi\u00e7\u00e3o, em novembro de 2022, em formato de show musical e perform\u00e1tico, ocorrido no Espa\u00e7o Cultural Apoena. E finalmente, o Manas (En)Cena alcan\u00e7ou sua quinta edi\u00e7\u00e3o com o Laborat\u00f3rio Drag para Mulheres, com patroc\u00ednio da emenda parlamentar da deputada federal Vivi Reis, contou com cinco encontros, voltados exclusivamente para mulheres,&nbsp; compostos por oficinas e viv\u00eancias em \u00e1reas que tangenciam o universo da arte drag, sendo estas, hist\u00f3ria da monta\u00e7\u00e3o, maquiagem e performance, sempre mediadas por discuss\u00f5es referentes a padroniza\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e comportamentais de corpos feminino na sociedade, tendo como conclus\u00e3o, um espet\u00e1culo, que levou \u00e0 cena, um pouco do trabalho que foi desenvolvido durante o laborat\u00f3rio, estrelando performances art\u00edsticas das mulheres participantes e apresentando a nova gera\u00e7\u00e3o de mulheres drags da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"693\" data-id=\"1245\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-02-1024x693.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1245\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-02-1024x693.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-02-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-02-768x520.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-02-1536x1040.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-02-2048x1386.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"1243\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-18-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1243\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-18-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-18-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-18-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-18-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-2-18-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"1244\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-1-23-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1244\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-1-23-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-1-23-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-1-23-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-1-23-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-1-23-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"1246\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-5-012-1024x683.jpg\" alt=\"Manas (En)Cena Grafia Drag\" class=\"wp-image-1246\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-5-012-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-5-012-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-5-012-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-5-012-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Brigitte-MANAS_DIA-5-012-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Manas (En)Cena 5: Laborat\u00f3rio Drag para Mulheres. Fotos: Ana Paula Gomes.<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong> Para onde mais voc\u00ea gostaria que o MANAS (EN)CENA fosse? Onde mais voc\u00ea acha que \u00e9 necess\u00e1ria essa desconstru\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a arte da monta\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong>.<\/strong> Ainda estou decidindo quais ser\u00e3o os formatos das pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es do Manas (En)Cena, sempre gosto de variar o conte\u00fado anual do projeto, afim de abranger cada vez mais linguagem art\u00edsticas e trazer novidades, tamb\u00e9m. Agora, falando especificamente sobre o Laborat\u00f3rio Drag para Mulheres, pretendo que este projeto tenha ainda muitos desdobramentos, acredito que a desconstru\u00e7\u00e3o da ideia estereotipada de que drag \u00e9 um homem que se veste de mulher e toda carga machista, mis\u00f3gina, transf\u00f3bica, que vem junto, \u00e9 necess\u00e1ria por todos os cantos do Brasil e do mundo, portanto, tenho buscado novas articula\u00e7\u00f5es para fazer uma nova edi\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio, aqui no Par\u00e1 novamente, e para circular com ele, em outros estados do Brasil. Acredito na necessidade maior de discuss\u00f5es como estas serem levadas para estados do Sul e Sudeste, onde a cultura drag ainda bebe muito das refer\u00eancias norteamericanizadas que propagam competitividade nociva, machismo, misoginia, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus. <\/strong>Voc\u00ea j\u00e1 sofreu algum preconceito por ser&nbsp;uma mulher cis atuando como drag queen? O seu projeto MANAS (EN)CENA j\u00e1 sofreu algum tipo de preconceito em algum momento (ao longo das edi\u00e7\u00f5es que voc\u00ea j\u00e1 fez)?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong>.<\/strong> Preconceitos, situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis, medos e inseguran\u00e7as, s\u00e3o basicamente acess\u00f3rios a mais, que mulheres drags s\u00e3o obrigadas a carregar. M\u00e3os bobas pelo corpo, pessoas perguntando se sou \u201cmulher de verdade\u201d, pessoas tentando diminuir meu fazer, dizendo que \u00e9 mais f\u00e1cil ou at\u00e9 mesmo, nem me considerando drag, s\u00e3o algumas das situa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais j\u00e1 fui submetida. At\u00e9 onde eu sei, nunca fui atacada diretamente pelo meu projeto, at\u00e9 porque o Manas (En)Cena sempre esteve bastante protegido pela minha bolha de rela\u00e7\u00f5es, que fortalecem o rol\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong>&nbsp;A comunidade LGBT tamb\u00e9m pode ser uma grande opressora das mulheres artistas. Na sua vis\u00e3o, experi\u00eancia e viv\u00eancia, por que isso acontece?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong><\/strong>. Muitos homens gays ainda sustentam e fortalecem a ideia de que s\u00e3o o centro da comunidade LGBTQIA+ e desta forma seguem propagando machismo e misoginia. \u00c9 sempre importante lembrar que homens gays n\u00e3o deixam de ser homens, portanto n\u00e3o est\u00e3o isentos de surfar nos privil\u00e9gios masculinos e faloc\u00eantricos e se somar na opress\u00e3o de mulheres e outros corpos sexo-dissidentes minorit\u00e1rios, o que enfraquece sobremaneira a ideia de comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong> Voc\u00ea \u00e9 uma artista da dan\u00e7a que recentemente defendeu sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. Como foi essa experi\u00eancia para voc\u00ea enquanto mulher, artista e pessoa LGBT? A Academia \u00e9 mais ou menos receptiva \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es de pessoas como voc\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong><\/strong><\/strong>. Infelizmente n\u00e3o pude vivenciar o ambiente acad\u00eamico do mestrado como gostaria, por conta da pandemia, fiz o curso todo de forma virtual e sem muita intera\u00e7\u00e3o e troca com a turma, por conta de toda frustra\u00e7\u00e3o que carreguei de n\u00e3o ter sido como eu gostaria. Mas do que pude vivenciar, por ser um curso de artes, um Mestrado em Dan\u00e7a, onde a maioria das pessoas s\u00e3o LGBTQIA+, j\u00e1 se torna um ambiente mais tranquilo e agrad\u00e1vel de estar, nunca sofri algum tipo de viol\u00eancia de g\u00eanero, por exemplo. Minhas quest\u00f5es com a academia, s\u00e3o mais sobre academicismo latente, embates metodol\u00f3gicos, linguagem acess\u00edvel, que s\u00e3o minhas maiores lutas neste espa\u00e7o, pois para mim n\u00e3o faz sentido produzir algo que n\u00e3o seja sobre e para as minhas, que parta das minhas semelhantes, do meu movimento cotidiano, das pessoas que constroem pol\u00edtica e cultura junto comigo. Descontruir a academia como esse lugar de distanciamento e hierarquia, \u00e9 uma \u00e1rdua tarefa, mas de uma maneira geral, consegui dar minhas contribui\u00e7\u00f5es sobre isso, na minha disserta\u00e7\u00e3o, sem embates t\u00e3o grandes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus<\/strong>. Quais conselhos voc\u00ea d\u00e1 para as mulheres que est\u00e3o iniciando na arte da monta\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea acha que teremos alguma mulher ou pessoa AFAB numa pr\u00f3xima temporada do&nbsp;<em>DRAG RACE BRASIL<\/em>, por exemplo?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong><\/strong><\/strong>. Sempre digo que \u00e9 necess\u00e1rio entender que n\u00e3o \u00e9 um lugar f\u00e1cil para nossos corpos adentrarem, que v\u00e1rios obst\u00e1culos de colocam no caminho e nos empurram para tr\u00e1s. Entretanto, saliento que \u00e9 uma das experimenta\u00e7\u00f5es mais bonitas que corpos como os nossos, que durante a vida inteira, foram colocados em caixas normativas de padroniza\u00e7\u00f5es est\u00e9tica, podem experimentar. Ent\u00e3o digo que se deve come\u00e7ar, sentir vontade e buscar artif\u00edcios para dar o pontap\u00e9 inicial, que ele vai nos levar aos pr\u00f3ximos passos. Importante tamb\u00e9m \u00e9 buscar rede de apoio, descobrir pr\u00f3ximo a voc\u00ea pessoas que podem te abra\u00e7ar, te acolher e realmente te impulsionar nessa trajet\u00f3ria. Ter apoio e incentivo, principalmente se for de outras mulheres, \u00e9 uma das coisas mais valiosas que se pode conseguir. \u00c9 sobre saber que o caminho pode sim ser bastante tortuoso e sempre buscar se proteger, mas lembrar que o lado bom dessa trajet\u00f3ria, todas as possibilidades, realiza\u00e7\u00f5es, o autoconhecimento e autoestima oriundos dali, podem ser muito mais fortes e superiores a qualquer desaven\u00e7a do caminho e nos tornar mais fortes ainda. Eu sempre digo que a gente tem medo, mas maior do que o nosso medo \u00e9 o medo deles, de que a gente n\u00e3o tenha mais medo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lady Lazzarus.<\/strong>&nbsp;Se quiser deixar algum coment\u00e1rio, convite ou conselho a todas as pessoas que leem e prestigiam o GRAFIA DRAG, deixamos esse espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong><strong>Brigitte Libert\u00e9<\/strong><\/strong><\/strong>. Gostaria de agradecer este espa\u00e7o, fico muito feliz com a identifica\u00e7\u00e3o e interesse com o meu trabalho e tamb\u00e9m quero parabenizar por este trabalho t\u00e3o necess\u00e1rio que o Grafia Drag vem fazendo, buscando abrir di\u00e1logos urgentes sobre g\u00eanero, monta\u00e7\u00e3o e afins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aproveito para indicar que se pesquise e conhe\u00e7a mais sobre o cen\u00e1rio da arte drag aqui da Amaz\u00f4nia, que ainda \u00e9 t\u00e3o desvalorizado em perspectiva nacional, mas que tem constru\u00eddo ao longo dos anos, um movimento potente de monta\u00e7\u00e3o, a partir do trabalho do Coletivo NoiteSuja que deu origem ao movimento das Them\u00f4nias, onde buscamos descontruir com padr\u00f5es estereotipados e normativos do fazer drag, colocando em evid\u00eancia nossos aspectos de regionalidade, identidade, norteados sempre pelas nossas rela\u00e7\u00f5es de afeto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse entrevista, Brigitte Libert\u00e9 aborda seus projetos, o artivismo feminista e a luta pelo protagonismo de mulheres na arte drag. <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[120,34,43,33,1],"tags":[309,575,10,569,112,574,570,7,22,160,571,351,567,50,568,122,113,573],"class_list":["post-1242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-belem","category-drag","category-entrevistas","category-processos-de-criacao","category-sem-categoria","tag-afab","tag-amazonia-2","tag-artistas","tag-artivismo-feminista","tag-belem","tag-brigitte-liberte-2","tag-decolonial","tag-drag","tag-grafia-drag","tag-lady-lazzarus","tag-lgbt","tag-lgbtquiapn","tag-manas-encena","tag-montacao","tag-mulheres-drag","tag-noite-suja","tag-para","tag-themonia-2"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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