{"id":1447,"date":"2025-05-14T18:10:42","date_gmt":"2025-05-14T21:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/?p=1447"},"modified":"2025-05-19T09:19:11","modified_gmt":"2025-05-19T12:19:11","slug":"o-conceito-drag","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/o-conceito-drag\/","title":{"rendered":"O conceito Drag*"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dragpersephone\/\">persephone ephemera pepper<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:80px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne--1024x1024.jpg\" alt=\"persephone ephemera pepper grafia drag\" class=\"wp-image-1454\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne--1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne--300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne--150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne--768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne--100x100.jpg 100w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Persephonne-.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">persephone ephemera pepper. Fonte: acervo pessoal da artista.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aproximando-me do termo<\/strong><sup data-fn=\"0afe5794-39af-46eb-adae-c0384238391d\" class=\"fn\"><a id=\"0afe5794-39af-46eb-adae-c0384238391d-link\" href=\"#0afe5794-39af-46eb-adae-c0384238391d\">1<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que poderia definir Drag? O termo \u00e9 poliss\u00eamico e ao trocar com artistas brasileires afirmo que temos voc\u00e1bulos comuns pelo menos nisso, que Drag pode significar: I &#8211; a pessoa montada; II &#8211; a pessoa que pratica a monta\u00e7\u00e3o mesmo quando desmontada; III &#8211; a pr\u00e1tica de monta\u00e7\u00e3o de uma pessoa; ou IV &#8211; o nome da arte da monta\u00e7\u00e3o. Para evitar ambiguidades, quando o tema for a arte da monta\u00e7\u00e3o o termo escolhido ser\u00e1 Arte Drag. Drag tamb\u00e9m \u00e9 frequentemente utilizado em um quinto sentido, como um adjetivo, significando que algo est\u00e1 populado de, tem protagonismo de ou remete a artistas Drag.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda conceituando temos b\u00e1sicos, utiliza-se o termo \u201cmontade\u201d, mas tamb\u00e9m, outras flex\u00f5es gramaticais como \u201cmonta\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cmontar-se\u201d e seus inversos tamb\u00e9m. Eles significam: I \u2014 [montar-se]: o processo, frequentemente trabalhoso e demorado, de aplica\u00e7\u00e3o sobre si de adere\u00e7o, maquiagem, roupa, peruca, sapato, enchimento, pelo e afins no intuito de passar da figura do dia-a-dia para a figura Drag; II \u2014 [montade]: apar\u00eancia e estado perform\u00e1tico que se encontra algu\u00e9m entre o momento de montar-se em Drag e o de desmontar-se; III \u2014 [monta\u00e7\u00e3o]<sup data-fn=\"b5ccdec2-a3c4-404d-adde-6f6162af5c7d\" class=\"fn\"><a id=\"b5ccdec2-a3c4-404d-adde-6f6162af5c7d-link\" href=\"#b5ccdec2-a3c4-404d-adde-6f6162af5c7d\">2<\/a><\/sup>: significa tanto a atividade de montar-se, quanto a camada externa ao corpo, tudo que nele aplicado no processo de montar-se; IV \u2014 [desmontar-se]: o processo que normalmente envolve abrir, tirar, guardar, lavar e banhar, que retira toda a monta\u00e7\u00e3o, a fim de passar da figura Drag para a do dia-a-dia; e V \u2014 [desmontade]: artista Drag que n\u00e3o se encontra montade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artistas Drag, ao contr\u00e1rio do senso comum das pessoas que n\u00e3o praticam a Arte Drag (e at\u00e9 de algumes artistas Drag mais desatualizades), n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente homens cisg\u00eaneros gays que \u201cse vestem de mulher\u201d. H\u00e1 not\u00e1veis artistas Drag trans e cis, mulheres, n\u00e3o-bin\u00e1ries e homens, h\u00e9tero, homo, bi, pan e assexuais. Igualmente, a Arte Drag n\u00e3o se resume a Drag Queens, Drag King; Drag Queers existem. Desnecess\u00e1rio e danoso seria afirmar o que deslegitimaria o trabalho de tantes artistas que n\u00e3o se encaixam na categoria espec\u00edfica de homem cisg\u00eanero gay que \u201cse vestem de mulher\u201d. Drag est\u00e1 para al\u00e9m de um jogo de opostos no espectro de g\u00eanero (como \u201chomem que se veste de mulher\u201d ou \u201cmulher que se veste de homem\u201d), embora este jogo seja recorrente e relevante. Se assim fosse, como ficariam as pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias que fazem Drag? Cada artista performa o ponto no espectro de g\u00eanero que deseja externalizar, podendo at\u00e9 um artista s\u00f3 ter mais de uma figura Drag explorando pontos diferentes do espectro de g\u00eanero em cada. Acabou a era, por exemplo, de chamar Drag Queens performadas por mulheres cisg\u00eaneras de Faux<em> <\/em>Queen (falsa rainha), Bio Queen (rainha biol\u00f3gica), Hyper, Diva ou Lady Queen etc. S\u00e3o Drag Queens: t\u00edtulo que foi e ainda tem sido reivindicado por elas pr\u00f3prias, as Queens mulheres. Esses termos n\u00e3o cabem pois s\u00e3o respectivamente excludentes, essencialistas e\/ou naturalizantes.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entende-se a naturaliza\u00e7\u00e3o de processos sociais como sendo o esfor\u00e7o de assumir pressupostos de determinada estrutura social n\u00e3o apenas como imposs\u00edveis de constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, mas sobretudo, como imposs\u00edveis de se mudar. Naturaliza\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e9 um modo normativo de lidar com a mat\u00e9ria do tempo. (LEAL D. , Performatividade transg\u00eanera: equa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de reconhecimento rec\u00edproco na recep\u00e7\u00e3o teatral, 2021, p. 51).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abarca-se, portanto, na no\u00e7\u00e3o escolhida de artista Drag pessoas de todos os g\u00eaneros (femininos, masculinos ou n\u00e3o-bin\u00e1rios) que se montem em \u201cQueen\u201d, \u201cKing\u201d, \u201cQueer\u201d ou qualquer outra express\u00e3o autodeclarada Drag, desde que genuinamente e n\u00e3o como apropria\u00e7\u00e3o cultural ou deboche. Explicando em linhas gerais: Drag King \u00e9 uma figura montada masculina, Queen \u00e9 uma figura montada feminina e Queer \u00e9 uma figura montada andr\u00f3gina. Diz-se tamb\u00e9m \u201coutras express\u00f5es\u201d porque h\u00e1 figuras montadas Drag que n\u00e3o se localizam alinhadas a esses termos, como os <em>tranimal<\/em>. <em>Tranimal <\/em>\u00e9 um estilo de monta\u00e7\u00e3o que, embora ainda por vezes utilize de significantes de g\u00eanero na sua monta\u00e7\u00e3o, desafia a norma da ideia de humanidade. Em uma monta\u00e7\u00e3o <em>tranimal <\/em>os significantes principais est\u00e3o na desconstru\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica da ideia universal de \u201chumano\u201d, criando uma identidade \u201cdesumana\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"774\" height=\"1008\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-1-persephonne.jpg\" alt=\"o conceito drag -  Austin Young\" class=\"wp-image-1448\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-1-persephonne.jpg 774w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-1-persephonne-230x300.jpg 230w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-1-persephonne-768x1000.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Retrato de Austin Young, um artista Drag tranimal, pertencente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o Confusatron no Museu de Arte de Berkeley\/California (EUA) em 2011. Fonte: Website de Austin Young.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez, no fim o que resta para definir Drag \u00e9 uma brincadeira perform\u00e1tica que envolve o conceito de g\u00eanero, mas primordialmente toma como campo de atua\u00e7\u00e3o a dial\u00e9tica de express\u00e3o\/leitura de g\u00eanero, atrav\u00e9s do artif\u00edcio da monta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 pesquisadories, como Amanaj\u00e1s (Drag queen: um percurso hist\u00f3rico pela arte dos atores transformistas, 2014), que perpetuam uma lenda sobre William Shakespeare anotar essa palavra \u201cD.R.A.G.\u201d ao lado do nome das personagens femininas na se\u00e7\u00e3o Dramatis Personae de seus textos dram\u00e1ticos a fim de denotar que o ator homem que fosse interpretar a personagem mulher exerceria a atividade vestido aos modos de tal g\u00eanero, j\u00e1 que nessa \u00e9poca elas eram proibidas de atuar no teatro. Nessa lenda, a sigla se referia a Dressed Resembling A Girl, significando em ingl\u00eas, \u201cvestido como uma menina\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma fonte consultada indica qual seria o manuscrito ou publica\u00e7\u00e3o posterior que alicer\u00e7aria essa narrativa e, pelo contr\u00e1rio, a liga\u00e7\u00e3o do autor com o termo \u00e9 dita com incerteza, a n\u00edvel de lenda. Portanto, minha escolha \u00e9 atribuir o \u00f4nus da prova a quem afirma e tratar como boato o que por enquanto \u00e9, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio. N\u00e3o creio que se deva homenagear Shakespeare, tampouco atores da Antiguidade grega, por \u201ccriar\u201d a Arte Drag. A pr\u00e1tica de colocar homens a vestir-se \u201cde mulher\u201d para represent\u00e1-las n\u00e3o passa de uma artimanha de exclus\u00e3o machista e a Arte Drag de hoje nada tem a ver com esta fun\u00e7\u00e3o. Em havendo discord\u00e2ncia dessa pretensa g\u00eanese, bem como seu efeito em sociedade, opto aqui por corroborar com a elei\u00e7\u00e3o da figura-emblema de William Dorsey Swann como precursor da Arte Drag, a pessoa na hist\u00f3ria documentada a autointitular-se uma \u201cqueen of Drag\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7ando t\u00e3o cedo quanto 1882, Swann foi a primeira pessoa intitular-se uma queen of Drag, a primeira a criar uma organiza\u00e7\u00e3o pela liberta\u00e7\u00e3o queer e a primeira a incitar membros da sua comunidade <em>queer<\/em> a manterem suas cabe\u00e7as erguidas e lutarem pelo seu lugar de direito no pa\u00eds que eles e seus ancestrais ajudaram a construir. Tamb\u00e9m vale mencionar que em 1896, Swann se tornou o primeiro e \u00fanico ativista que se sabe a buscar perd\u00e3o do presidente ap\u00f3s ser preso e condenado por sediar um evento Drag. (JOSEPH, s.d.) Tradu\u00e7\u00e3o minha.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 relevante a informa\u00e7\u00e3o de que Swann era um homem preto e ex-escravizado, portanto ao trazer o conceito da palavra Drag nessa pesquisa, desloco o referencial de \u201cprim\u00f3rdio\u201d em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura preta nos EUA do final do S\u00e9c. XIX e n\u00e3o ao teatro europeu branco do S\u00e9c. XVI. Mas a palavra \u201cprim\u00f3rdio\u201d apresento entre aspas porque seria uma ingenuidade pensar que Swann inventou tudo: que ningu\u00e9m se montava com as mesmas inten\u00e7\u00f5es antes (ou ao mesmo tempo) em outros locais. O destaque \u00e0 figura de Swann se deve principalmente pela import\u00e2ncia da origem do termo que foi provada at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda falando sobre termos, embora o referencial de cultura estadunidense preta seja de enorme import\u00e2ncia e seja retomado novamente, a pesquisa \u00e9 feita no Brasil e com ele em foco, por isso destaco mais um termo: \u201ctransformismo\u201d aqui \u00e9 palavra utilizada n\u00e3o como sin\u00f4nimo de Arte Drag, mas como um termo relacionado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, diverses artistas j\u00e1 praticavam a Arte Transformista antes do termo \u201cDrag\u201d se popularizar e, por conseguinte, tomar o lugar do nome mais utilizado. Opto aqui por n\u00e3o apagar um termo ao utilizar somente o outro por respeito a separa\u00e7\u00e3o temporal e de tradi\u00e7\u00f5es. Em relato li em um texto da Drag Queen Jaqueline Ramirez em seu <em>blog <\/em>(RAMIREZ, 2019), mas tamb\u00e9m ouvi de sua pr\u00f3pria boca, antes da troca terminol\u00f3gica, \u201cDrag\u201d estava para a Arte Transformista como o impressionismo est\u00e1 para uma pintura, ou seja, um estilo, uma forma po\u00e9tica, denotava uma forma de Transformismo que se popularizou nos anos 1990 no Brasil e pode ser exemplificada com a po\u00e9tica visual encontrada no trabalho da artista Tchaka<sup data-fn=\"0e969641-9674-472c-93aa-ed5a1ad60565\" class=\"fn\"><a id=\"0e969641-9674-472c-93aa-ed5a1ad60565-link\" href=\"#0e969641-9674-472c-93aa-ed5a1ad60565\">3<\/a><\/sup>, ou no filme <em>Priscilla, a Rainha do Deserto<\/em> (CLARK &amp; HAMLYN, 1994) caracter\u00edstica por descompromisso com verossimilhan\u00e7as e uso de cores fortes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-2-persephonne-1024x576.jpg\" alt=\"o conceito drag - Thacka - Grafia Drag\" class=\"wp-image-1449\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-2-persephonne-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-2-persephonne-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-2-persephonne-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-2-persephonne.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Drag Queen TchaKa fotografada por Paulo Vitale. Fonte: Veja SP.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que pretendo, quando evidencio os termos e conceitos em disputa e dif\u00edceis de serem localizados com exatid\u00e3o temporal e geogr\u00e1fica, \u00e9 mostrar que n\u00e3o h\u00e1 consenso. Artistas de todo lugar reinventam o que fazem o tempo inteiro e intitulam o que fazem de formas diferentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O termo \u201cDrag\u201d n\u00e3o \u00e9 definitivo nem mesmo para mim, que o adoto dentro do trabalho. Destaco o quanto o uso desse termo pode ser problem\u00e1tico, uma vez que apaga a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do termo \u201cTransformista\u201d e por conseguinte, ambos \u201cTransformista\u201d e \u201cDrag\u201d se tornam tamb\u00e9m problem\u00e1ticos quando se trata de artistas transg\u00eanero. Frequentemente a Arte Drag e a transgeneridade s\u00e3o confundidas, e embora haja intersec\u00e7\u00e3o entre os grupos, suas bases afirmativas divergem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que ainda possa-se utilizar dispositivos Drag no dia-a-dia, toda monta\u00e7\u00e3o tem seu fim: a monta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma janela de tempo onde se utiliza uma \u201cm\u00e1scara\u201d, tem a ver com farsa. J\u00e1 a transgeneridade extrapola a ideia de arte, de profiss\u00e3o, e a mera ideia de colocar ambos os fen\u00f4menos no \u201cmesmo balaio\u201d ofende um grande contingente de pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m aqui se faz uma ressalva, ambos os fen\u00f4menos contradizem a cisnormatividade. A estrita vis\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o extrema entre identidade de g\u00eanero e performance Drag, como aponta Jaqueline Ramirez (O que ser drag tem a ver com g\u00eanero?, 2019), parece um grito desesperado por conformidade dentro do que \u00e9 aceit\u00e1vel dentro da norma. A meu ver, \u00e9 um grito desesperado para manter a pr\u00f3pria identidade no campo de uma \u201csensatez\u201d da lp\u00f3gica cisg\u00eanera, de forma que que \u201cfa\u00e7a sentido\u201d dentro da cisheteronorma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caminhos para o conceito contempor\u00e2neo<\/strong><sup data-fn=\"4f73c781-aa30-4a1e-90ff-84cfe1be74a0\" class=\"fn\"><a id=\"4f73c781-aa30-4a1e-90ff-84cfe1be74a0-link\" href=\"#4f73c781-aa30-4a1e-90ff-84cfe1be74a0\">4<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como no artigo autoetnogr\u00e1fico <em>Sissy That Performance Script! The Queer Pedagogy of RuPaul\u2019s Drag Race<\/em>, de Colin Whitworth (BRENNAN &amp; GUDELUNAS, 2017, pp. 137-154), minha pr\u00f3pria trajet\u00f3ria foi fortemente influenciada pelo fen\u00f4meno global do <em>reality show<\/em> estadunidense comandado pela Drag Queen hoje sexagen\u00e1ria, RuPaul. O programa de TV <em>RuPaul\u2019s Drag Race <\/em>(World of Wonder, 2009-presente), doravante abreviado como RPDR, \u00e9 tem grande parte da responsabilidade pela era de efervesc\u00eancia da Arte Drag que dura da d\u00e9cada de 2010 at\u00e9 hoje, contando com 15 temporadas do t\u00edtulo principal, al\u00e9m de diversos derivados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O programa se tornou t\u00e3o popular que, al\u00e9m das exporta\u00e7\u00f5es oficiais da marca RPDR para pa\u00edses al\u00e9m dos EUA, s\u00f3 no Brasil s\u00e3o m\u00faltiplos os programas criados com alguma inspira\u00e7\u00e3o no formato. Algumas das caracter\u00edsticas que frequentemente se repetem s\u00e3o: a hegemonia Drag Queen sobre outras manifesta\u00e7\u00f5es Drag, a serializa\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios baseados em um ou dois desafios, a competi\u00e7\u00e3o entre um grande grupo de participantes, a elimina\u00e7\u00e3o de uma por epis\u00f3dio, a coroa\u00e7\u00e3o de uma \u201cmelhor\u201d ao final, uma banca de jurades fixes com convidades que variam e a presen\u00e7a de uma Drag Queen de relativa fama no centro da banca. Alguns exemplos desses programas seriam: <em>Dragula <\/em>(The Boulet Brothers, 2016-presente)<em>, Queen Stars Brasil <\/em>(FREITAS, RUDGE, GASPAR, &amp; SANTIAGO, 2022);<em> <\/em>Academia de Drags (ASC audiovisual, 2014; 2016; 2021), TNT Drag (BECK, 2020-2021), entre outros concursos virtuais e\/ou presenciais. \u00c9 claro que os n\u00edveis de investimento em cada produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o distintos, resultando em algumas escolhas diferentes e nem todas as caracter\u00edsticas citadas s\u00e3o copiadas <em>ipsis literis<\/em>, mas num geral h\u00e1 uma prolifera\u00e7\u00e3o do sistema de concursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano que finalizo essa disserta\u00e7\u00e3o, a caravela<sup data-fn=\"aa37baaf-ee76-4cf6-a24f-5f14dc5eb592\" class=\"fn\"><a id=\"aa37baaf-ee76-4cf6-a24f-5f14dc5eb592-link\" href=\"#aa37baaf-ee76-4cf6-a24f-5f14dc5eb592\">5<\/a><\/sup> Drag Race chegou ao Brasil: a coloniza\u00e7\u00e3o cultural estadunidense chega mais uma vez. Mas ser\u00e1 que as coisas s\u00e3o assim t\u00e3o \u201cpreto no branco\u201d?<em> <\/em>2023 Fica marcado como um ano que pela primeira vez, uma temporada da franquia \u00e9 lan\u00e7ada na vers\u00e3o Brasil e eu me defronto algumas contradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Houve uma fase em que eu, j\u00e1 cansada da repetitividade da f\u00f3rmula do programa e bastante desacreditada e desiludida com a realidade do trabalho com Drag no Sul Global, pensava que n\u00e3o havia nada mais alienado e mantenedor da estrutura neoliberal em minha \u00e1rea do que continuar enaltecendo e contribuindo com a fama do programa que teria \u201ccorrompido\u201d a cultura \u201cpura\u201d do transformismo que t\u00ednhamos no Brasil. Sentia-me at\u00e9 ligeiramente superior \u00e0s pessoas que ainda n\u00e3o tinham perdido o fasc\u00ednio da novidade de RPDR e n\u00e3o haviam migrado seu interesse para a cultura Drag de raiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como diz o ditado: \u201cVoc\u00ea \u00e9 f\u00e3 de RPDR ou f\u00e3 de Drag?\u201d. Mas este ano tamb\u00e9m fica marcado como o ano que mordi minha l\u00edngua. Foi o ano que percebi que ao \u201cboicotar\u201d RPDR, na verdade eu me afastei dos referenciais das conversas mais atuais sobre Drag. Que percebi que enquanto a dona da franquia fica cada vez mais rica, quem saiu perdendo em conhecimento fui eu. Percebi tamb\u00e9m que n\u00e3o posso me eximir desse referencial se vou lecionar Drag, sendo que por vezes, esse \u00e9 o \u00fanico referencial de algumes alunes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltei a assistir ao programa de onde parei e de novo senti toda a empolga\u00e7\u00e3o que sentia antes. E quando vi, RPDR Brasil aconteceu e eu passei a receber mais chamamentos para trabalhar com Drag. E eu pouco saberia com tecer hoje uma cr\u00edtica dos aspectos negativos que a vinda da franquia para meu pa\u00eds teria trazido. Na verdade, hoje eu sinto um aquecimento muito maior do mercado na \u00e1rea. Tanto no mercado, quanto nas subjetividades des artistas da monta\u00e7\u00e3o. Hoje realmente vejo em Drag Race Brasil uma porta muito aguardada para novos horizontes profissionais para quem faz Drag no Brasil hoje. As cr\u00edticas abaixo correspondem a outro tempo: embora elas ainda tenham seu lugar de verdade, minha atitude para com o <em>reality show<\/em> mudou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre competi\u00e7\u00f5es: destaco que n\u00e3o foi RPDR que criou a ideia de artistas Drag competindo por coroar uma melhor, afinal isso j\u00e1 era vis\u00edvel em contextos mais antigos como os <em>Ballrooms <\/em>(LIVINGSTON, 1991)<em> <\/em>nos EUA e na Am\u00e9rica Latina, o Miss Gay (CRUZ, 2020). Nesses espa\u00e7os chegavam e ainda chegam a competir juntas artistas Drag e pessoas trans dentro de uma mesma categoria referente a um lugar no espectro de g\u00eanero, at\u00e9 mesmo por haver dentro deste recorte cultural uma diferente \u201ctaxonomia\u201d para o que se define como transformista, travesti e transexual. Em CRUZ encontra-se um excerto de uma entrevista com Roxana Miranda, artista, militante, funcion\u00e1ria p\u00fablica, e trans n\u00e3o-bin\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bem, o que acontece \u00e9 que em um momento da hist\u00f3ria, as pessoas come\u00e7aram a se classificar como transformistas, travestis ou transexuais, e elas come\u00e7aram a associar esses termos \u00e0s suas corporalidades&#8230; mas n\u00e3o necessariamente \u00e0s suas identidades de g\u00eanero. Ent\u00e3o, na \u00e9poca era assim: a gente era transformista (se ainda n\u00e3o tivesse come\u00e7ado a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero), travesti (quando j\u00e1 tinha seios, cabelos compridos e vivia o dia inteiro como mulheres) ou ent\u00e3o transexual (se j\u00e1 tiv\u00e9ssemos feito a redesigna\u00e7\u00e3o genital do sexo) (Roxana Miranda, 11 de julho de 2018). (CRUZ, 2020, p. 4)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando me deparo com esse excerto, de certa forma me choco com quanto isso n\u00e3o condiz com terminologia e significado utilizados geralmente pela milit\u00e2ncia LGBTQIAPN+ que eu at\u00e9 ent\u00e3o conhecia em 2020. O pr\u00f3prio autor do artigo, Paul F. Cruz, faz a discuss\u00e3o sobre a disputa de significados presente no continente americano sobre o que significa \u201ctravesti\u201d, \u201ctransformista\u201d, \u201ctransexual\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o aprofundamento dessa quest\u00e3o n\u00e3o esteja em foco deste trabalho, um fato \u00e9 que, principalmente na \u00e9poca quando se usava o termo \u201ctransformismo\u201d e nunca \u201cArte Drag\u201d, pois o segundo ainda n\u00e3o havia se popularizado em pa\u00edses latinos, havia artistas transformistas que se denominavam \u201ctravestis\u201d, alguns destes at\u00e9 hoje utilizam assim o termo a despeito do movimento travesti reivindicar a separa\u00e7\u00e3o de um conceito e outro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contextos hist\u00f3ricos como o da mem\u00f3ria revivida no filme <em>Divinas Divas <\/em>(LEAL L. , 2016)<em> <\/em>travestis d\u00e3o shows perform\u00e1ticos que s\u00e3o indistingu\u00edveis do tipo que \u00e9 associado \u00e0 Arte Drag, contando com dublagens (<em>lipsync<\/em>), dan\u00e7a, atitudes c\u00f4micas e\/ou tr\u00e1gicas, tais como costumam ser as apresenta\u00e7\u00f5es de artistas Drag hoje em dia, sejam homens, mulheres, NB, trans ou cis. Artistas da cena travestis s\u00e3o parte importante da constru\u00e7\u00e3o da Arte Transformista brasileira tanto quanto, qui\u00e7\u00e1 mais, do que cisg\u00eaneres. As contribui\u00e7\u00f5es e funda\u00e7\u00f5es da cultura transformista no Brasil s\u00e3o heterog\u00eaneas, por exemplo, a artista Elke Maravilha<sup data-fn=\"e00d2c47-fa6f-4729-a1d3-68bf2398d931\" class=\"fn\"><a id=\"e00d2c47-fa6f-4729-a1d3-68bf2398d931-link\" href=\"#e00d2c47-fa6f-4729-a1d3-68bf2398d931\">6<\/a><\/sup> tamb\u00e9m hoje \u00e9 vista como transformista importante da \u00e9poca, sendo uma mulher cisg\u00eanera, contradizendo alguns preconceitos sobre mulheres cisg\u00eanero n\u00e3o pertencerem a essa cultura. Se \u00e9 que pode-se chamar Elke de cisg\u00eanera defronte suas declara\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas de n\u00e3o se reconhecer como mulher, mas muito mais como o que hoje chamamos de NB, por\u00e9m ela n\u00e3o est\u00e1 viva para poder se definir nos termos de hoje em dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu atribuo parte da responsabilidade de instaura\u00e7\u00e3o dos ditames preconceituosos sobre g\u00eanero na Arte Drag atual, que excluem as pessoas que n\u00e3o s\u00e3o homens gays cisg\u00eaneros, \u00e0 falta de representatividade em produtos midi\u00e1ticos que lucram com esta cultura, RPDR e suas \u201cc\u00f3pias\u201d por exemplo. Ora, o programa se chama Drag Race, n\u00e3o Queen Race, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Segundo o artigo de opini\u00e3o <em>The Case for The Kings <\/em>(CHEMECHE, 2022), as regula\u00e7\u00f5es corporais e perform\u00e1ticas que RPDR imp\u00f5e s\u00e3o, n\u00e3o apenas frustrantes, mas perpetradoras de opress\u00f5es. N\u00e3o apenas a sele\u00e7\u00e3o de competidories do programa tem um problema com pessoas trans, como tem com pessoas cisg\u00eanero do g\u00eanero feminino. Para a curadoria, que n\u00e3o envolve apenas RuPaul, n\u00e3o seria justo colocar na mesma competi\u00e7\u00e3o quem teria vantagens sobre os homens gays cisg\u00eaneros que j\u00e1 competem no <em>reality<\/em>. RPDR foi obrigado a se reinventar quando, dentro e fora do tempo de tela, Drag Queens reivindicaram sua identidade como mulheres trans ou NB, por exemplo: Kylie Sonique Love, Carmen Carrera, Stacy Layne Matthews etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As vantagens, embora nunca detalhadas por RuPaul, especula-se que consistiriam num corpo j\u00e1 dotado de: uma silhueta curvil\u00ednea, fruto de cirurgia, transi\u00e7\u00e3o pr\u00e9-pubere ou da puberdade dita feminina; uma voz aguda e, talvez, modos j\u00e1 caracter\u00edsticos de mulher. Mas curiosamente, cirurgias pl\u00e1sticas como as de Trinity Taylor nunca foram um problema. Depois de uma d\u00e9cada e meia de RPDR \u00e9 poss\u00edvel encontrar exce\u00e7\u00f5es e inclusive mudan\u00e7as de regras. Antes as competidoras transg\u00eanero entravam sem revelar a transgeneridade porque \u201cn\u00e3o haviam feito nenhuma altera\u00e7\u00e3o corporal\u201d, mas hoje temos Queens que j\u00e1 entram mulheres (como Kylie Sonique Love), um competidor homem trans (Gottmik) e, surpreendentemente, uma competidora mulher cisg\u00eanero e l\u00e9sbica que chegou a se montar como Drag King dentro do programa (Victoria Scone, edi\u00e7\u00e3o Canada VS The Worlds). Aparentemente, o programa est\u00e1 mudando, embora a passos de caramujo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"600\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-3-persephonne.jpg\" alt=\"o conceito drag - Victoria Scone\" class=\"wp-image-1450\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-3-persephonne.jpg 1000w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-3-persephonne-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-3-persephonne-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Victoria Scone fazendo hist\u00f3ria desfilando como King no 3\u00ba epis\u00f3dio de RPDR Canada VS The World em 2022. <br>Fonte: IN Magazine.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As regula\u00e7\u00f5es e parametriza\u00e7\u00f5es que aconteciam em RPDR me lembram a divis\u00e3o bin\u00e1ria nos esportes. Perguntas:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 justa a divis\u00e3o atual por g\u00eanero no esporte? Tendo em vista que entre as pessoas existem injustas diferen\u00e7as de condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, diferen\u00e7as de acesso a treinamento e equipamento, os <em>doppings<\/em>, as eugenias, a exist\u00eancia de pessoas intersexo e as normativas de enquadramento de pessoas transg\u00eanero a partir do processo transexualizador?<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m me lembram a temida quest\u00e3o do banheiro:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Ser\u00e1 que o uso do banheiro masculino \u00e9 seguro para algu\u00e9m, tendo em vista que os autores da maior e mais grave parte das agress\u00f5es sexuais e\/ou transf\u00f3bicas do mundo s\u00e3o homens cisg\u00eaneros?<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li>N\u00e3o \u00e9 indigno e injusto que quem frequenta cada banheiro precise passar por uma checagem de conformidade de g\u00eanero? Checagem esta que \u00e9 inconsistente em n\u00famero de inspetories e par\u00e2metros. Checagem esta que existe a fim de determinar se a pessoa ali ser\u00e1 aceita ou expulsa, resultando na recorrente viol\u00eancia transf\u00f3bica e at\u00e9 mesmo na expuls\u00e3o de pessoas cisg\u00eanero que n\u00e3o se encaixam no g\u00eanero idealizado por tais inspetories presentes.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E aqui, ecoam em minha mente as palavras do meme: \u201cCad\u00ea o banheiro dos n\u00e3o-bin\u00e1ries?\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"408\" height=\"603\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-4-persephonne.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1451\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-4-persephonne.jpg 408w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/imagem-4-persephonne-203x300.jpg 203w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Influencer Belle Belinha no momento de cria\u00e7\u00e3o do bord\u00e3o-meme que, na verdade \u00e9 um importante questionamento. Fonte: TikTok.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/toda-forma-de-drag\/\">N\u00e3o-bin\u00e1ries designades homens ao nascer (DHAN) entram em RPDR, mas n\u00e3o-bin\u00e1ries designades mulher ao nascer (DMAN<sup data-fn=\"161665a5-c779-42f8-ace3-1798f8591e97\" class=\"fn\"><a id=\"161665a5-c779-42f8-ace3-1798f8591e97-link\" href=\"#161665a5-c779-42f8-ace3-1798f8591e97\">7<\/a><\/sup>) nunca apareceram<\/a>. Mulheres trans agora entram, mas homens trans s\u00f3 tiveram um representante. Essa disparidade mostra uma parametriza\u00e7\u00e3o corporal que trabalha muito mais a favor do que contra a cisheteronorma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Assinalo aqui que quando fa\u00e7o minhas cr\u00edticas \u00e0 empres\u00e1ria RuPaul e ao seu produto RPDR, n\u00e3o \u00e9 num lugar de \u00f3dio, de <em>hater<\/em>, \u00e9 por conhecer e consumir demais, assim percebendo suas contradi\u00e7\u00f5es no lugar de maior formador de p\u00fablico da Arte Drag no mundo. Assim como tamb\u00e9m devo relativizar a import\u00e2ncia da representatividade dentro de RPDR para a Arte Drag como um todo. No final das contas, um <em>reality show <\/em>sempre ser\u00e1 um <em>reality show <\/em>e trat\u00e1-lo como respons\u00e1vel pela transforma\u00e7\u00e3o social \u00e9 ing\u00eanuo e ruim estrategicamente como procurar pelo em ovo ou debater o sexo dos anjos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Tese de Doutorado de Dodi Leal, primeira travesti a se efetivar no ensino superior p\u00fablico em artes<sup data-fn=\"881b00cb-9bd7-4a71-a71f-8644bb09e7a7\" class=\"fn\"><a id=\"881b00cb-9bd7-4a71-a71f-8644bb09e7a7-link\" href=\"#881b00cb-9bd7-4a71-a71f-8644bb09e7a7\">8<\/a><\/sup> (LEAL D. , Performatividade transg\u00eanera: equa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de reconhecimento rec\u00edproco na recep\u00e7\u00e3o teatral, 2021), a Professora afirma que a transgeneridade, atrav\u00e9s da parametriza\u00e7\u00e3o cisnormativa, sofre uma press\u00e3o de \u201cverossimilhan\u00e7a\u201d, o que alguns se referem ao usar o termo \u201cpassabilidade\u201d. Ou seja, a partir de uma ideia estreita de g\u00eanero, as pessoas trans s\u00f3 s\u00e3o respeitadas (e olhe l\u00e1) na sociedade cisnormativa quando submetidas pelo processo transexualizador (p. 52). \u201cQuanto mais leg\u00edvel \u00e0 normalidade for um corpo, mais <em>leg\u00edtimo <\/em>ele ser\u00e1\u201d (p. 28).<em> <\/em>Quando Dodi afirma que ser trans \u201c\u00e9 estar em cena o tempo todo\u201d (p. 65), isso n\u00e3o significa a mesma coisa que a interpreta\u00e7\u00e3o literal, que penso que talvez seria o caso de artistas Drag em determinados contextos, significa que a pessoa trans \u00e9 lida o tempo todo, e lida atrav\u00e9s de efeito de estranhamento, havendo de negociar sentido constantemente, uma vez que o olhar de quem enxerga a pessoa trans passando \u00e9 convocado a se posicionar. Os mesmos processos de estranhamento e da convoca\u00e7\u00e3o de posicionamento do olhar acontecem com artistas Drag durante o tempo que est\u00e3o montades, embora estes corpos, quando cis, n\u00e3o s\u00e3o v\u00edtimas da inescapabilidade temporal das pessoas trans que Dodi fala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma apenas an\u00e1loga, j\u00e1 que n\u00e3o se trata de viv\u00eancia de g\u00eanero, poder\u00edamos relacionar o tensionamento que Dodi introduz na sua Tese entre a m\u00edmese do drama burgu\u00eas e o recurso \u00e9pico com as formas (ou estilos) diferentes de Arte Drag, junto com suas diferentes recep\u00e7\u00f5es. Um problema da uni\u00e3o de tantas manifesta\u00e7\u00f5es montadas dentro do guarda-chuva conceitual \u201cDrag\u201d, afinal, \u00e9 a disputa entre uma po\u00e9tica mim\u00e9tica e uma po\u00e9tica \u00e9pica, que assume, exp\u00f5e, comenta e explora de forma metalingu\u00edstica os recursos e mecanismos c\u00eanicos utilizados. De um lado h\u00e1 a ideia de <em>realness<\/em> e do outro uma vanguarda, que se monta mirando outras concep\u00e7\u00f5es menos cisnormativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Realness<\/em> \u00e9 um conceito encontrado sendo utilizado tanto em <em>Paris Is Burning<\/em>, quanto RPDR e poderia ser traduzido talvez como \u201crealismo\u201d, n\u00e3o fazendo refer\u00eancia ao movimento art\u00edstico com letra mai\u00fascula surgido no s\u00e9culo XIX, mas como uma qualidade de entrega de algo que n\u00e3o \u00e9 real da forma mais real poss\u00edvel. Por exemplo, nas <em>balls<\/em> retratadas em Paris Is Burning, havia categorias de competi\u00e7\u00e3o onde a banca de jurades examinava o realismo de entrega de uma apar\u00eancia e atitude de uma classe social e ocupa\u00e7\u00e3o, como \u201cexecutive\u201d ou \u201cuniversit\u00e1rie\u201d. O contexto que fez emergir essa manifesta\u00e7\u00e3o era justamente, na verdade, a exclus\u00e3o das categorias demogr\u00e1ficas presentes nos <em>Ballrooms <\/em>(pessoas pretas, latinas, dissidentes sexuais e\/ou desobedientes de g\u00eanero)<em> <\/em>dos cargos de poder e\/ou formas de mobilidade social. Da mesma forma, a sociedade no entorno demonstrava poucos sinais de que dissid\u00eancias da cisnormatividade poderiam ganhar alguma aceita\u00e7\u00e3o, poder e mobilidade social, ent\u00e3o categorias que exaltavam a transgeneridade e\/ou monta\u00e7\u00e3o Drag foram criadas. Esses s\u00e3o movimentos de uma est\u00e9tica art\u00edstica <em>camp<\/em>, que segundo Diane Torr<sup data-fn=\"ac64d82b-8d1c-425e-9322-3c920c2535a5\" class=\"fn\"><a id=\"ac64d82b-8d1c-425e-9322-3c920c2535a5-link\" href=\"#ac64d82b-8d1c-425e-9322-3c920c2535a5\">9<\/a><\/sup>, not\u00e1vel pe-drag-oga e um dos Kings entrevistados no document\u00e1rio Venus Boyz (BAUR &amp; MAEDER, 2001), n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 com\u00e9dia e par\u00f3dia, mas tamb\u00e9m \u201csubvers\u00e3o da dor\u201d. O conceito de <em>camp<\/em> ainda se provar\u00e1 importante posteriormente neste trabalho para compreender suas implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dentro da Arte Drag e sua coloca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AMANAJ\u00c1S, I. (set-dez de 2014). Drag queen: um percurso hist\u00f3rico pela arte dos atores transformistas. <em>Revista Belas Artes, 16<\/em>. Fonte: https:\/\/www.belasartes.br\/revistabelasartes\/?pagina=player&amp;slug=drag-queen-um-percurso-historico-pela-artedos-atores-transformistas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ASC audiovisual. (2014; 2016; 2021). Academia de Drags. Brasil. Fonte: https:\/\/www.youtube.com\/@academiadedrags<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BAUR, G., MAEDER, K. (Produtores), &amp; BAUR, G. (Diretor). (2001). <em>Venus Boyz<\/em> [Filme Cinematogr\u00e1fico]. USA. Fonte: https:\/\/vimeo.com\/ondemand\/venusboyz<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BECK, D. (2020-2021). TNT Drag. Fonte: https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PLSd4D3_OeXoPTWvH0vCEhUAsHGTd8UtFm<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRENNAN, N., &amp; GUDELUNAS, D. (2017). <em>RuPaul\u2019s Drag Race and the Shifting Visibility of Drag Culture: The Boundaries of Reality TV.<\/em> London, Inglaterra: Palgrave MacMillan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CHEMECHE, A. (22 de Abril de 2022). <em>The Case for the Kings<\/em>. Acesso em 06 de Mar\u00e7o de 2023, dispon\u00edvel em Jezebel: https:\/\/jezebel.com\/drag-kings-rupauls-drag-race-history-inclusion-1848824617<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CLARK, A., HAMLYN, M. (Produtores), ELLIOT, S. (Escritor), &amp; ELLIOT, S. (Diretor). (1994). <em>Priscilla, a Rainha do Deserto<\/em> [Filme Cinematogr\u00e1fico]. Austr\u00e1lia: Roadshow Entertainment.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CRUZ, P. F. (Julho-Setembro de 2020). Transformistas vs Travestis: as experi\u00eancias transg\u00eanero no Miss Gay Internacional by Theatron. <em>Revista Brasileira de Estudos da Presen\u00e7a<\/em>. Acesso em 7 de Mar\u00e7o de 2021, dispon\u00edvel em https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbep\/a\/hqcX4S6LBnjnCPQ3HpQnY3r\/?lang=fr#<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FREITAS, N., RUDGE, R., GASPAR, E., SANTIAGO, C. (Produtores), &amp; PEREZ, R. (Diretor). (2022). <em>Queen Stars Brasil<\/em> [Filme Cinematogr\u00e1fico]. Brasil: HBO Max.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JOSEPH, C. G. (s.d.). <em>Texto The First Queer American Hero. About House of Swann: Where Slaves Became Queens \u2014 and Changed the World<\/em>. Fonte: Site oficial Joseph Channing: http:\/\/www.channingjoseph.com\/elements\/discoveries.html<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEAL, D. (2021). <em>Performatividade transg\u00eanera: equa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de reconhecimento rec\u00edproco na recep\u00e7\u00e3o teatral.<\/em> S\u00e3o Paulo, SP, Brasil: Hucitec.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEAL, L. (Diretor). (2016). <em>Divinas Divas<\/em> [Filme Cinematogr\u00e1fico]. Vitrine Filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LIVINGSTON, J. (Diretor). (1991). <em>PARIS IS BURNING<\/em> [Filme Cinematogr\u00e1fico]. USA: Off-White Productions Prestige Pictures. Fonte: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mBVBipOl76Q<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RAMIREZ, J. (21 de fevereiro de 2019). <em>O que ser drag tem a ver com g\u00eanero?<\/em> Acesso em 19 de abril de 2023, dispon\u00edvel em Blog &#8220;Jaqueline Ramirez&#8221;: https:\/\/jaquelinefuracao.blogspot.com\/2019\/02\/o-que-ser-drag-tem-ver-com-genero.html<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">The Boulet Brothers. (2016-presente). Dragula. USA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">World of Wonder. (2009-presente). RuPaul&#8217;s Drag Race. USA.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*<strong>Ressalvas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. Uma das pessoas citadas na bibliografia acumulou den\u00fancias de viol\u00eancias de diversas naturezas e roubo de propriedade intelectual que, inclusive, resultaram na perda de m\u00faltiples orientades e o desligamento de um programa de p\u00f3s-graua\u00e7\u00e3o. Para as v\u00edtimas, pe\u00e7o sua licen\u00e7a. O fato da sua cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de nenhuma forma uma tentativa de atenuar sua reputa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o creio que o seu \u201ccancelamento\u201d (e n\u00e3o uso esse termo para diminuir a gravidade) n\u00e3o deve \u201ccancelar\u201d a minha produ\u00e7\u00e3o intelectual, que dialoga com sua obra. N\u00e3o explicitar seu nome \u00e9 uma estrat\u00e9gia de autopreserva\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e coer\u00eancia para com o tom e a forma que as acusa\u00e7\u00f5es chegaram a mim, em forma de notas de rep\u00fadio e cartas afins acompanhadas da instru\u00e7\u00e3o de n\u00e3o divulgar demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2. Esse texto foi entregue em 2023 na minha defesa de Mestrado. H\u00e1 fatos e sentimentos que n\u00e3o est\u00e3o atualizados, mas mesmo assim refletem boa parte da constru\u00e7\u00e3o de pensamento de hoje. Somos metamorfoses ambulantes. <strong><br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Notas de rodap\u00e9<\/strong><\/p>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"0afe5794-39af-46eb-adae-c0384238391d\">Subcap\u00edtulo do cap\u00edtulo I &#8211; <strong>O Conceito Drag <\/strong>da tese \u201c<strong><a href=\"https:\/\/repositorio.udesc.br\/entities\/publication\/1df0a289-1db9-470d-8eb9-b4c2447082be\">UMA ANDAN\u00c7A POR PEDAGOGIAS DRAG<\/a><\/strong>\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Persephone Ephemera Pepper (a.k.a. Jeanne Martins Speckart). <a href=\"#0afe5794-39af-46eb-adae-c0384238391d-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"b5ccdec2-a3c4-404d-adde-6f6162af5c7d\">Sobre o termo III, j\u00e1 ouvi tamb\u00e9m as varia\u00e7\u00f5es \u201cmontagem\u201d e \u201cmontaria\u201d, mas prefiro \u201cmonta\u00e7\u00e3o\u201d por ser mais corriqueiro dentro da comunidade e promover menos confus\u00f5es. <a href=\"#b5ccdec2-a3c4-404d-adde-6f6162af5c7d-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"0e969641-9674-472c-93aa-ed5a1ad60565\">\u201cTchaKa Drag Queen \u00e9 uma personagem feita pelo ator Valder Bastos, estudou artes dram\u00e1ticas na Escola Teatro Macuna\u00edma em S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m tem forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica no curso de Direito na Universidade Br\u00e1s Cubas, Mogi das Cruzes. Este ano sua carreira completa 20 anos na arte de encantar pessoas atrav\u00e9s do humor, com mais de 5.000 apresenta\u00e7\u00f5es em eventos por todo Brasil \u00e9 considerada pela m\u00eddia a Rainha das Nossas Festas.\u201d Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/www.tchaka.com.br\/biografia&gt; Acesso em 12 de mar\u00e7o de 2021. <a href=\"#0e969641-9674-472c-93aa-ed5a1ad60565-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"4f73c781-aa30-4a1e-90ff-84cfe1be74a0\">Subcap\u00edtulo do cap\u00edtulo I &#8211; <strong>O Conceito Drag <\/strong>da tese \u201c<strong>UMA ANDAN\u00c7A POR PEDAGOGIAS DRAG<\/strong>\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Persephone Ephemera Pepper (a.k.a. Jeanne Martins Speckart). <a href=\"#4f73c781-aa30-4a1e-90ff-84cfe1be74a0-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"aa37baaf-ee76-4cf6-a24f-5f14dc5eb592\">Refer\u00eancia ao conceito de \u201ccaravela queer\u201d de Jota Momba\u00e7a, no texto <em>Para Desaprender o Queer dos Tr\u00f3picas: Desmontando a Caravela Queer<\/em>, publicado em 24 de julho de 2016 no site Medium. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/medium.com\/@monstraerrtika\/para-desaprender-o-queer-dos-tr%C3%B3picos-desmontando-a-caravela-queer-6ced98495821\">https:\/\/medium.com\/@monstraerrtika\/para-desaprender-o-queer-dos-tr\u00f3picos-desmontando-a-caravela-queer-6ced98495821<\/a>&gt;. Acesso em 04 de novembro de 2023. <a href=\"#aa37baaf-ee76-4cf6-a24f-5f14dc5eb592-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e00d2c47-fa6f-4729-a1d3-68bf2398d931\">Elke Gr\u00fcnupp, conhecida por seu nome art\u00edstico Elke Maravilha (Leutkirch im Allg\u00e4u, 22 de fevereiro de 1945 \u2014 Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2016), foi uma modelo, jurada, apresentadora e atriz alem\u00e3 naturalizada brasileira. <a href=\"#e00d2c47-fa6f-4729-a1d3-68bf2398d931-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"161665a5-c779-42f8-ace3-1798f8591e97\">\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o das siglas AMAB e AFAB, comuns no movimento LGBTQIAPN+. <a href=\"#161665a5-c779-42f8-ace3-1798f8591e97-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"881b00cb-9bd7-4a71-a71f-8644bb09e7a7\">Segundo o jornalismo virtual da <em>M\u00eddia Ninja<\/em>, na mat\u00e9ria sobre a puni\u00e7\u00e3o que Dodi sofreu na UFSB por \u201cdepreda\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio\u201d e \u201cm\u00e1 conduta\u201d. O fato foi uma pixa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica relativamente pequena em um banner vin\u00edlico em defesa da qualidade de vida da comunidade universit\u00e1ria: reivindicando por restaurante universit\u00e1rio, estrat\u00e9gia b\u00e1sica de perman\u00eancia estudantil praticada em diversas universidades brasileiras. A pergunta que fica \u00e9: ser\u00e1 que a puni\u00e7\u00e3o de Dodi foi um exemplo para toda a classe docente ou com ela foi pior por ser travesti? Mat\u00e9ria dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/midianinja.org\/intervencao-denuncia-falta-de-restaurante-na-ufsb-e-professora-travesti-sofre-retaliacao\/\">https:\/\/midianinja.org\/news\/intervencao-denuncia-falta-de-restaurante-na-ufsb-e-professora-travesti-sofre-retaliacao\/<\/a>&gt;. Acesso em 08 de mar\u00e7o de 2023. <a href=\"#881b00cb-9bd7-4a71-a71f-8644bb09e7a7-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 8 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"ac64d82b-8d1c-425e-9322-3c920c2535a5\">Diane Marian Torr (1948-2017) nasceu no Canad\u00e1, mas cresceu na Gr\u00e3-Bretanha. Seu trabalho de dan\u00e7a, performance e Drag foi bastante vanguardista e aprofundou-se no cruzamento entre movimento e percep\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Sua persona Drag, Danny King, e suas oficinas de Drag viajaram por diversos pa\u00edses, inclusive o Brasil. Seu trabalho com Drag pode ser visto em fontes como <em>Venus Boyz <\/em>(BAUR &amp; MAEDER, 2001), onde \u00e9 um dos protagonistas; <em>Man For a Day <\/em>(Peters, 2012), que se aprofunda em sua metodologia pe-drag-\u00f3gica; e no livro <em>Sex, Drag and Male Roles <\/em>(TORR &amp; BOTTOMS, 2010)<em> <\/em>que ela escreveu em parceria com Stephen Bottoms. <a href=\"#ac64d82b-8d1c-425e-9322-3c920c2535a5-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 9 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ensaio, persephone ephemera pepper mapeia o conceito drag, considerando as diferen\u00e7as entre queen, king and queer.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"[{\"content\":\"Subcap\u00edtulo do cap\u00edtulo I - <strong>O Conceito Drag <\/strong>da tese \u201c<strong><a href=\\\"https:\/\/repositorio.udesc.br\/entities\/publication\/1df0a289-1db9-470d-8eb9-b4c2447082be\\\">UMA ANDAN\u00c7A POR PEDAGOGIAS DRAG<\/a><\/strong>\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Persephone Ephemera Pepper (a.k.a. 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Este ano sua carreira completa 20 anos na arte de encantar pessoas atrav\u00e9s do humor, com mais de 5.000 apresenta\u00e7\u00f5es em eventos por todo Brasil \u00e9 considerada pela m\u00eddia a Rainha das Nossas Festas.\u201d Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/www.tchaka.com.br\/biografia> Acesso em 12 de mar\u00e7o de 2021.\",\"id\":\"0e969641-9674-472c-93aa-ed5a1ad60565\"},{\"content\":\"Subcap\u00edtulo do cap\u00edtulo I - <strong>O Conceito Drag <\/strong>da tese \u201c<strong>UMA ANDAN\u00c7A POR PEDAGOGIAS DRAG<\/strong>\u201d, disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Persephone Ephemera Pepper (a.k.a. Jeanne Martins Speckart).\",\"id\":\"4f73c781-aa30-4a1e-90ff-84cfe1be74a0\"},{\"content\":\"Refer\u00eancia ao conceito de \u201ccaravela queer\u201d de Jota Momba\u00e7a, no texto <em>Para Desaprender o Queer dos Tr\u00f3picas: Desmontando a Caravela Queer<\/em>, publicado em 24 de julho de 2016 no site Medium. 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Seu trabalho com Drag pode ser visto em fontes como <em>Venus Boyz <\/em>(BAUR &amp; MAEDER, 2001), onde \u00e9 um dos protagonistas; <em>Man For a Day <\/em>(Peters, 2012), que se aprofunda em sua metodologia pe-drag-\u00f3gica; e no livro <em>Sex, Drag and Male Roles <\/em>(TORR &amp; BOTTOMS, 2010)<em> <\/em>que ela escreveu em parceria com Stephen Bottoms.\",\"id\":\"ac64d82b-8d1c-425e-9322-3c920c2535a5\"}]"},"categories":[34,691,712,42,526,279,1,30],"tags":[233,10,727,829,823,7,44,831,819,6,830,825,41,22,818,833,798,50,597,820,828,824,827,826,816,63,832,822,71,821],"class_list":["post-1447","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-drag","category-drag-kings","category-drag-queens","category-ensaios","category-pesquisa-academica","category-santa-catarina","category-sem-categoria","category-transformismo","tag-arte-drag","tag-artistas","tag-cultura-queer","tag-diferenca-entre-drag-e-transformismo","tag-divinas-divas-filme","tag-drag","tag-drag-king","tag-drag-kings-e-representatividade","tag-drag-no-brasil","tag-drag-queen","tag-drag-queens-famosas-no-brasil","tag-dragula","tag-ensaio","tag-grafia-drag","tag-historia-do-drag","tag-historia-do-drag-nos-eua-e-brasil","tag-identidade-de-genero","tag-montacao","tag-montacao-drag","tag-nao-binariedade-no-drag","tag-o-que-e-drag","tag-paris-is-burning","tag-performance-art","tag-queer-theory","tag-representatividade-lgbtqia","tag-rupauls-drag-race","tag-rupauls-drag-race-brasil","tag-tranimal-drag","tag-transformistas","tag-transgeneridade-e-drag"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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