{"id":1480,"date":"2025-06-10T23:03:33","date_gmt":"2025-06-11T02:03:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/?p=1480"},"modified":"2025-06-10T23:03:35","modified_gmt":"2025-06-11T02:03:35","slug":"criar-um-monstro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/criar-um-monstro\/","title":{"rendered":"OH MEU DEUS, CRIEI UM MONSTRO:\u00a0Evah Destruction como uma das minhas inspira\u00e7\u00f5es criativas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/itsmiatw\/\">Mia The Witch<\/a> (Patrick Nascimento)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:80px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"820\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mia-1-820x1024.jpg\" alt=\"criei um monstro Evah Destruction Grafia Drag\" class=\"wp-image-1481\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mia-1-820x1024.jpg 820w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mia-1-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mia-1-768x959.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/mia-1.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evah Destruction. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/evahdestruction\/\">Instagram da artista<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">Quando se trabalha com arte ou qualquer outra forma de cria\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito importante que se tenha refer\u00eancias e inspira\u00e7\u00f5es. Nenhuma cria\u00e7\u00e3o nasce do nada. Tudo se cria a partir de um repert\u00f3rio de inspira\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de drag monstra, eu tamb\u00e9m sou publicit\u00e1ria de forma\u00e7\u00e3o. Na minha \u00e1rea, aprendemos que a criatividade n\u00e3o \u00e9 um dom, mas sim um exerc\u00edcio. Ela pode \u2013 e deve \u2013 ser estimulada atrav\u00e9s de certas atividades. H\u00e1 um processo para a criatividade, muitas vezes, bastante pessoal. O que importa aqui \u00e9 a retirarmos desse local de dom divino, como se as ideias simplesmente fossem brotar num deleite de talento provindo da mente gloriosa do artista. Toda cria\u00e7\u00e3o parte de uma boa pesquisa de refer\u00eancias e inspira\u00e7\u00f5es. Na arte drag, n\u00e3o \u00e9 muito diferente. Frequentemente, conversando com amigas que tamb\u00e9m s\u00e3o artistas drag, consigo observar seus processos criativos e, muitas vezes, me identifico com o modo que criam. Algo que sempre me ajuda \u00e9 observar as outras artistas de quem sou f\u00e3. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de meramente copiar ou reproduzir o que elas fazem, mas ter uma observa\u00e7\u00e3o atenta aos nuances que me fazem am\u00e1-las e tentar traduzi-los aos c\u00f3digos que configuram e montam a minha pr\u00f3pria drag. Dentre essas artistas, algumas que s\u00e3o drags e outras n\u00e3o, est\u00e1 a monstra Evah Destruction. Trata-se da minha drag queen favorita de todos os tempos. Neste ensaio, buscarei trazer reflex\u00f5es, enquanto artista da mesma plataforma e f\u00e3, sobre o que me causa tamanho encantamento no trabalho desempenhado por ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de partirmos a um exerc\u00edcio reflexivo, no qual irei me reservar ao direito de f\u00e3 em ser totalmente apaixonada por Evah, acho coerente apresent\u00e1-la \u00e0s leitoras\/es leitores\/aos leitores. Evah Destruction \u00e9 uma drag monstra de 33 anos (9 de maio de 1992), natural da cidade de Bedford, no estado do Texas, Estados Unidos. Atua, majoritariamente, na cidade de Austin, do mesmo estado e pa\u00eds, apesar de ser uma artista com fama internacional e conseguir atuar em diversas cenas ao redor do globo. Sobre sua fama, pode atribuir-se a sua participa\u00e7\u00e3o na terceira temporada do reality show estadunidense The Boulet Brothers\u2019 Dragula (2019) e tamb\u00e9m ao seu retorno no spin-off Titans (2022), da mesma franquia. Evah se identifica como uma pessoa n\u00e3o-bin\u00e1ria (they\/them\/she\/her) e \u00e9 reconhecida no meio art\u00edstico por ser uma monstra com bastante p\u00ealos corporais, tendo sua branding associada \u00e0 imagem do lobisomem \u2013 criatura humana que se transforma em lobo em noites de lua cheia. Outra figura bastante associada a Evah \u00e9 o palha\u00e7o, uma vez que teve um v\u00eddeo viral espalhado na Internet, em 2014, durante uma performance na parada de orgulho da cidade de Atlanta (EUA), em que interpretava a m\u00fasica \u201cThat Laughing Track\u201d, do grupo de DJs Crookers, vestida como um palha\u00e7o que tinha como caracter\u00edstica marcante risadas estridentes e com certo tom de psicopatia, antes de integrar o elenco da terceira temporada de Dragula. Al\u00e9m de drag monstra, Evah tamb\u00e9m \u00e9 atriz e est\u00e1 em cartaz no musical \u201cUrinetown: The Musical\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adiante a essa apresenta\u00e7\u00e3o, podemos partir \u00e0s finalidades deste ensaio. Eu conheci Evah em 2019, a partir de sua primeira participa\u00e7\u00e3o em Dragula, franquia da qual tamb\u00e9m sou f\u00e3. Conforme a terceira temporada ia ao ar, meu amor por ela ia despontando. Nessa \u00e9poca, eu j\u00e1 era artista drag h\u00e1 dois anos. O primeiro grande fator que me despertou aten\u00e7\u00e3o em Evah foi a quest\u00e3o do uso dos seus p\u00ealos corporais como artif\u00edcio de<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/nasce-uma-drag-monstra\/\"> monstruosidade<\/a> dentro da plataforma drag. Eu me senti, de imediato, bastante identificada porque nunca escondi meus p\u00ealos. Ao contr\u00e1rio, eu sempre os mostrei nas minhas monta\u00e7\u00f5es como forma de criar rupturas de sentido dentro do drag. Isso foi algo pelo qual, com dois anos de carreira e em um contexto ainda mais restrito de como se pensava na figura drag, eu sofri retalia\u00e7\u00f5es do meio que me deixavam bastante insegura. Na cena em que eu estava inserida, n\u00e3o era visto de bom tom uma drag queen peluda. A depila\u00e7\u00e3o n\u00e3o era necessariamente uma regra ao of\u00edcio drag, mas se esperava que a artista utilizasse recursos como o uso de diversas meia-cal\u00e7as e blusas de segunda pele que os escondessem, caso ela preferisse os manter no corpo. O resultado de uma monta\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica no drag era a ilus\u00e3o de uma f\u00eamea lisa, sem p\u00ealos. At\u00e9 o momento em que conheci Evah, pouco tinha me deparado com outras artistas drag que tamb\u00e9m utilizassem seus p\u00ealos para sua express\u00e3o art\u00edstica. O que sempre me interessou no drag foi ser uma artista de contracultura \u2013 mesmo o drag j\u00e1 sendo um movimento de resist\u00eancia pol\u00edtica, criaram-se certas normatividades aos artistas e eu n\u00e3o me interesso por segui-las . Quando percebi que Destruction partilhava dessa escolha est\u00e9tica, me dei conta de que isso era uma partilha ainda mais profunda do que meramente uma quest\u00e3o visual: era uma ideologia, como entendemos e desempenhamos o drag em nossas plataformas. De alguma forma, entendi que o impacto que Evah pretendia era o mesmo ato pol\u00edtico que eu buscava alcan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando.-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-2-1024x682.jpg\" alt=\"criei um monstro Evah Destruction Grafia Drag\" class=\"wp-image-1483\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando.-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando.-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando.-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-2-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando.-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-2.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evah Destruction performando. Fotos: Gabriel Gastelum.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-3-1024x685.jpg\" alt=\"criei um monstro Evah Destruction Grafia Drag\" class=\"wp-image-1482\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-3-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-3-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-3-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Evah-Destruction-performando-Fotos-Gabriel-Gastelum-mia-3.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Evah Destruction performando. Fotos: Gabriel Gastelum.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de ter uma admir\u00e1vel habilidade em se maquiar, transformando-se na monstra que ela \u00e9 a partir do uso de maquiagens, pr\u00f3teses e diversos outros materiais, Evah tamb\u00e9m me inspirou a entender a monstruosidade drag atrav\u00e9s da corporalidade. Claro que sendo uma criatura monstruosa, ela se monta a partir de refer\u00eancias vindas da cultura do horror: lentes brancas, sombras e delineados excessivamente pretos e exagerados, unhas longas e pontiagudas como garras, o uso de sangue ou manchas que remetem a podrid\u00e3o e decomposi\u00e7\u00e3o, entre figurinos e perucas igualmente sombrios. Entretanto, o est\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 tudo o que resume a monstruosidade em Evah. O modo com que ela se move durante uma performance nos transporta a um universo sobrenatural: ali n\u00e3o est\u00e1 mais uma figura humana, mas sim a representa\u00e7\u00e3o de uma entidade nefasta. Durante seus atos, \u00e9 poss\u00edvel observar seu corpo em transe e tor\u00e7\u00f5es. Existe uma voracidade no modo em que ela se movimenta atrav\u00e9s de gestos ora bruscos, ora t\u00e3o suaves que causam p\u00e2nico. Suas express\u00f5es faciais costumam ser bastante demarcadas tamb\u00e9m: uma besta em f\u00faria; noutras vezes, um semblante maligno e psic\u00f3tico. O modo com que os l\u00e1bios, perfeitamente sincronizados com a letra das m\u00fasicas, se movimentam descontroladamente tamb\u00e9m produz sentidos de monstruosidade. Atrav\u00e9s de como conduz seu corpo, o p\u00fablico \u00e9 convidado a uma viagem sensorial ao medo, agonia e afli\u00e7\u00e3o. Nisso, reside meu enorme encantamento pessoal com o trabalho que ela desempenha. Foi assistindo aos seus shows na Internet \u2013 porque, infelizmente, ainda n\u00e3o tive a alegria de assisti-la ao vivo \u2013 que eu compreendi a potencialidade de transforma\u00e7\u00e3o do corpo em um dispositivo que aciona sentidos de monstruosidades para al\u00e9m das escolhas est\u00e9ticas, tais como maquiagens, perucas e figurinos. Acredito que ap\u00f3s ver Evah performar, eu passei a entender tamb\u00e9m qual o tipo de arte perform\u00e1tica que me atra\u00eda enquanto performer. Assim, busquei entender qual era a monstra que vivia em mim e deixei que ela se manifestasse atrav\u00e9s do meu corpo tamb\u00e9m. Aqui, acredito muito em uma manifesta\u00e7\u00e3o de incorpora\u00e7\u00e3o do monstro. \u00c9 como se, a partir da arte, eu entendesse que a Mia se manifesta numa possess\u00e3o que toma conta do meu corpo. Ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 como se ela vivesse fora de mim quando n\u00e3o estou montada: ela fica de resguardo e toma o controle quando eu preciso manifestar a monstra que vive sob minha pele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda, existem identifica\u00e7\u00f5es de outras ordens da minha parte com Evah que, somadas \u00e0s anteriores, d\u00e3o for\u00e7a ao sentimento de admira\u00e7\u00e3o que sinto por ela. Admira\u00e7\u00e3o que, por sua vez, fornece subs\u00eddios para que eu veja nela uma refer\u00eancia para a minha arte. Dessas outras identifica\u00e7\u00f5es, posso apontar que est\u00e3o associadas a quest\u00f5es identit\u00e1rias. Assim como Evah, eu tamb\u00e9m me identifico enquanto uma pessoa n\u00e3o-bin\u00e1ria; Evah \u00e9 assumidamente uma little monster como eu, ou seja, nossa diva pop favorita \u00e9 Lady Gaga e, mais do que simplesmente ser f\u00e3, ser little monster \u00e9 um lifestyle com valores espec\u00edficos; Evah \u00e9 atriz de teatro, e eu sempre tive a vontade de fazer aulas. A partir das v\u00e1rias formas que apresentei neste ensaio, Destruction tornou-se uma grande refer\u00eancia no meu processo criativo. Sinto uma conex\u00e3o muito forte com o que ela apresenta ao mundo, conseguindo me ver atrav\u00e9s dela. Acredito que toda forma de drag \u00e9 pol\u00edtica, mas nem sempre fala de uma mesma pol\u00edtica. Com Evah, sinto que as conversas que pretendemos estimular atrav\u00e9s dos nossos trabalhos s\u00e3o muito pr\u00f3ximas. Enxergo nela uma pot\u00eancia muito forte, acredito demais no potencial da arte dela e me espelho em quem ela \u00e9 enquanto artista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As fam\u00edlias drags s\u00e3o uma das tradi\u00e7\u00f5es mais antigas que temos na plataforma. Diz respeito a quando uma drag queen mais experiente acolhe uma drag novata e compartilha com ela n\u00e3o apenas seus ensinamentos acerca de maquiagem, figurinos, performance de palco, mas tamb\u00e9m seu sobrenome. Assim, tornam-se m\u00e3e e filha. A novata \u00e9 uma eterna pupila da artista experiente, esperando-se que essa tradi\u00e7\u00e3o seja levada adiante, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o. Assim, uma novata \u00e9 a m\u00e3e do futuro, que levar\u00e1 adiante o legado de sua fam\u00edlia drag. Eu n\u00e3o tive uma fam\u00edlia drag. Nem fui acolhida, nos meus anos iniciais, na comunidade drag em que estou inserida. Eu era vista como algu\u00e9m que era f\u00e3 de drag, uma bichinha que tinha vontade de aprender a se montar, mas nunca respeitada como uma artista em si, de igual para igual. Isso porque eu nunca fui o tipo de drag que era convencional na minha cena, as drags de beleza hegem\u00f4nica. Eu sempre quis ser uma artista estranha, que rompesse com as ideias bin\u00e1rias de g\u00eanero que a minha cena local atribu\u00eda ao drag. Dessa forma, n\u00e3o tive fam\u00edlia. Costumo brincar que minha m\u00e3e drag \u00e9 o YouTube, local onde aprendi a maior parte das habilidades t\u00e9cnicas que tenho hoje. Por\u00e9m, mesmo sem ter consci\u00eancia ou sem querer, fosse sensato dizer que Evah Destruction foi minha m\u00e3e. Ou, ao menos, uma das muitas m\u00e3es que eu tive. A partir da sua arte e do quanto ela demonstra conhecer a si mesma, Evah Destruction me apresentou quem \u00e9 Mia The Witch tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesse essaio, Mia The Witch compartilha suas refer\u00eancias em Evah Destruction para criar um monstro em seu processo de monta\u00e7\u00e3o drag.  <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34,712,35,42,31,33,1],"tags":[874,731,10,868,687,866,811,254,7,259,867,873,6,41,864,869,875,22,765,872,870,58,865,65,403,808,9,871,8,876,292,877],"class_list":["post-1480","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-drag","category-drag-queens","category-ensaio-reflexivo","category-ensaios","category-porto-alegre","category-processos-de-criacao","category-sem-categoria","tag-arte-como-resistencia","tag-arte-e-politica","tag-artistas","tag-artistas-lgbtqia","tag-ativismo-drag","tag-contracultura-queer","tag-corpo-politico","tag-cultura-drag","tag-drag","tag-drag-alternativa","tag-drag-e-identidade","tag-drag-nao-hegemonica","tag-drag-queen","tag-ensaio","tag-estetica-queer","tag-expressao-de-genero","tag-familia-drag","tag-grafia-drag","tag-inspiracao-artistica","tag-little-monsters","tag-maquiagem-artistica","tag-mia-the-witch","tag-monstrosidade-drag","tag-nao-binaria","tag-performance-drag","tag-performance-queer","tag-porto-alegre","tag-referencias-criativas","tag-rio-grande-do-sul","tag-teatro-e-drag","tag-the-boulet-brothers-dragula","tag-transformacao-artistica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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