{"id":1505,"date":"2025-07-11T14:38:33","date_gmt":"2025-07-11T17:38:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/?p=1505"},"modified":"2025-07-15T22:09:18","modified_gmt":"2025-07-16T01:09:18","slug":"uma-drag-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/uma-drag-de-cinema\/","title":{"rendered":"Uma drag de cinema"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aylacinema_\/\">Ayla Cinema<\/a> (Igor Urban)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meu caminho Drag se abre muito com o Teatro, assim como o poss\u00edvel in\u00edcio da hist\u00f3ria Drag em Roma e Gr\u00e9cia, onde homens interpretavam pap\u00e9is femininos. Eu tinha uns 18 anos. Meu sonho era ser ator. Um diretor de teatro me disse que eu era muito viado para fazer gal\u00e3s, e que se eu n\u00e3o era capaz de interpretar gal\u00e3s m\u00e1sculos,&nbsp; ent\u00e3o, era melhor eu seguir outra carreira. Esse trauma e esse soco no est\u00f4mago me rondaram at\u00e9 eu descobrir no que eu transformava ele. Logo depois, quase no mesmo ano, comecei a experimentar a exist\u00eancia do meu alter ego Ayla, batizada pela primeira amiga que me maquiou. Entrei no google e descobri que o nome significa brilho da lua em Tailand\u00eas, gostei, e o nome ficou. Tamb\u00e9m tive uma pessoa muito importante nesse processo de despertar e de dar os primeiros passos com minha Drag que foi Dalvinha Brand\u00e3o. Para&nbsp; mim, ela \u00e9 uma grande artista. Transita por todas as linguagens art\u00edsticas com maestria, inclusive deixo aqui a indica\u00e7\u00e3o do disco que ela gravou, chama-se \u201cO Amor \u00c9 Uma Inven\u00e7\u00e3o da Nasa pra Vender Travesseiro\u201d. Ela foi como uma <em>Drag Mother <\/em>para mim, sabe todas as hist\u00f3rias, todos os bafos, todos os truques.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/revelacoes_c2-0225-1024x683.jpg\" alt=\"Ayla drag de cinema\" class=\"wp-image-1506\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/revelacoes_c2-0225-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/revelacoes_c2-0225-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/revelacoes_c2-0225-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/revelacoes_c2-0225-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/revelacoes_c2-0225-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ayla Cinema em Revela\u00e7\u00f5es. Foto: LeticiaHF.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2015, passei um ano em Portugal, estudando cinema. Conheci um grupo de Teatro, com o qual me identifiquei e decidi entrar . Comentei que fazia Drag, e me deram o papel de uma cantora que vinha do Brasil na montagem que estavam fazendo. Eu tinha uma cena de destaque em que fazia uma dublagem. Ali, um mundo se abriu, entendi que eu n\u00e3o precisava ser gal\u00e3 para fazer acontecer. Eu precisava desvendar mais da persona que criei, precisava desvendar mais o que era Drag para mim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltei ao Brasil em 2016, Rupaul\u2019s Drag Race ainda n\u00e3o era um grande surto, Pabllo Vittar estava surgindo. Era nebuloso Drag ser <em>mainstream<\/em> no Brasil, n\u00e3o t\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o que vinha um segundo <em>boom <\/em>em rela\u00e7\u00e3o ao tema, em termos midi\u00e1ticos. Considero que era o in\u00edcio de um novo momento para o cen\u00e1rio Drag. Naquele ano, eu tinha que&nbsp; criar um document\u00e1rio para uma mat\u00e9ria de faculdade, e&nbsp; disse para a minha dupla: tenho esse filme em que quero falar sobre o carnaval e tenho esse em que quero entrevistar diferentes gera\u00e7\u00f5es de Drags. Ela disse: \u201cSe voc\u00ea fizer esse filme de Drags eu topo!\u201d. E eu lancei um: Mas ser\u00e1? \u00c9 meu primeiro filme, ser\u00e1 que as pessoas v\u00e3o me levar a s\u00e9rio?! Ela me encorajou muito, disse que era o que me pulsava, e mais, disse que Ayla tinha que abrir o filme, deixando claro a minha subjetividade, porque aquela pesquisa me movia.&nbsp; Assim foi, Ayla abre o filme com a frase: \u201cN\u00e3o \u00e9 sobre querer ser mulher\u201d, porque era uma mensagem que eu queria deixar claro, Drag independe de g\u00eanero e sexualidade, \u00e9 sobre outros departamentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi muito especial as trocas que tivemos, seguimos o filme com <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/delirio-de-fazer-drag\/\">Juana Profunda<\/a>, hoje uma sumidade consagrada da cena Curitibana, ali ela come\u00e7ava\u00a0 j\u00e1 com quest\u00f5es e desejos muito contundentes. Ali foi um encontro de cara, Juana se tornou uma das minhas melhores amigas no in e no out Drag, tamb\u00e9m se tornou minha musa, atuando em outros filmes que dirigi depois. Na mesma festa, entrevistamos Suzaninha Richtofen, outra sumidade, mas da cena de Florian\u00f3polis, tamb\u00e9m foi importante\u00a0 t\u00ea-la conosco. Nossa terceira entrevistada foi Diandra Stope, que tamb\u00e9m foi especial, porque ela trouxe a \u00f3tica de uma cena de Curitiba que n\u00e3o existe mais, de certa forma. Ela viveu o primeiro auge Drag nos anos 90, com <em>boom<\/em> do filme Priscilla Rainha do Deserto. Conseguimos imagens de Diandra performando na <em>CATS CLUB,<\/em> uma finada casa em Curitiba que ficou famosa por shows de Drags. Fechamos o filme com a cereja do bolo, que foi Silvetty Montilla, uma sumidade n\u00e3o s\u00f3 da cena paulistana, mas da cena brasileira. Ela foi muito receptiva, deu sua vis\u00e3o como um todo, amarrou toda a pesquisa muito bem. Intitulamos o filme de \u201cO Mundo Estratifica, O Corpo Se Desloca\u201d. \u00c9 algo que veio de uma frase, lendo um artigo de Judith Butler, no qual\u00a0 ela fala sobre performance de g\u00eanero, para ela, Drag \u00e9 sobre tirar o g\u00eanero desse lugar estratificado que o mundo nos coloca. O filme rendeu bons frutos, fomos selecionados para o <em>Olhar de Cinema<\/em>, um dos festivais mais importantes do pa\u00eds e circulamos por outros festivais como <em>CineBH<\/em>. Sa\u00ed dos festivais com respostas muito contundentes de p\u00fablico, e com uma certeza que aquele era meu lugar de fala, que era uma coisa pouco falada, e que eu precisava habitar esse espa\u00e7o. Drags no cinema, ainda tinha um mundo a desbravar e a falar. E ainda tem!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Filme-Mirror-Mirror-On-The-Wall-2019-1024x640.jpg\" alt=\"Ayla drag de cinema\" class=\"wp-image-1507\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Filme-Mirror-Mirror-On-The-Wall-2019-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Filme-Mirror-Mirror-On-The-Wall-2019-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Filme-Mirror-Mirror-On-The-Wall-2019-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Filme-Mirror-Mirror-On-The-Wall-2019.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ayla Cinema em <em>Mirror Mirror On The Wall&nbsp;(<\/em>2019). Fonte: Arquivo pessoal do artista. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrizes Drags no Cinema a gente s\u00f3 tem como grandes refer\u00eancias Divine nos Estados Unidos e Laura Divison no Brasil. Laura \u00e9 uma refer\u00eancia que inclusive me chegou tardia, as pessoas n\u00e3o conhecem muito e os filmes s\u00e3o raros de achar, por\u00e9m, foi uma grande artista que deve ser celebrada.&nbsp; Priscilla Rainha do Deserto, \u00e9 um grande marco, mas foi feito com atores de renome que n\u00e3o s\u00e3o Drags. J\u00e1 Laura e Divine, levaram as personas filme a filme, como uma grande constru\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais que o meu trauma subvertido, meus desejos come\u00e7aram a ganhar mais espa\u00e7o e mais f\u00f4lego. Pensei, Ayla j\u00e1 habitou o primeiro filme, porque n\u00e3o Ayla habitar v\u00e1rios filmes? Vou criar o meu pr\u00f3prio espa\u00e7o enquanto articula\u00e7\u00e3o e trabalho de ator e vou fazer esse emblema entre criador e criatura. Com isso, comecei a desenvolver um m\u00e9todo autodidata de como eu dirigiria e atuaria de Ayla, ao mesmo tempo, nos pr\u00f3ximos filmes que gostaria de criar. E assim foi com mais um filme, dessa vez, uma videoarte intitulada \u201cSnow Ayla\u201d, em que desconstruo ideias de contos de fada e falo sobre abuso, com uma trilha remixada do filme cl\u00e1ssico da Branca de Neve, da Disney. Fiz uma performance ao vivo com o filme no Festival Ru\u00eddo Encena em 2017, um festival de performances incr\u00edvel, idealizado pela Juana Profunda a.k.a. Daniel Valenzuela. Esse festival propunha como um grande encontro de arte de performance do Brasil e at\u00e9 de outros lugares do mundo. Tinha todo tipo de performance ,n\u00e3o s\u00f3 Drag, foi de fato um evento especial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, escrevi uma fic\u00e7\u00e3o intitulada Te Convidei Pra Jantar. A sinopse consistia em uma Drag e um palha\u00e7o, num <em>date <\/em>existencial, em que discutem sobre carreira, sobre o real e o irreal, sobre o que existe por detr\u00e1s de diferentes tipos de artificialidade do alter ego e como eles n\u00e3o se desmontam em momento algum. O filme era complexo demais, muitas cenas, muito di\u00e1logo, vi que ali n\u00e3o daria p\u00e9 para atuar e dirigir nem se Ayla fizesse uma ponta (risos). Chamei um trio de atores talentos\u00edssimos da cena curitibana que eu tenho o privil\u00e9gio de ser amigo, Juana Profunda e Cleydson Nascimento como protagonistas. Rubia Romani tamb\u00e9m tem um papel, ela \u00e9 uma atriz que sou f\u00e3, multifacetada, vai do drama \u00e0&nbsp; com\u00e9dia, mas tem v\u00e1rias personas que habitam aquele corpo como, um Drag King, que construiu uma cena de Drag Kings em Curitiba, e tamb\u00e9m possui uma personagem Burlesca. Ambas figuras, Rub\u00e3o e Ruby Hoo, colocam abaixo qualquer boate ou lugar em que se apresentam. Sou fascinado pelas a\u00e7\u00f5es e desejos dela, assim como sou por Juana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2019 foi um momento derradeiro do meu TCC, na antiga Faculdade de Artes do Paran\u00e1, hoje intitulada UNESPAR. Resolvi retomar a videoarte,&nbsp; os contos de fada e Ayla diante das c\u00e2meras. Crio \u201cMirror Mirror On The Wall\u201d, subverto finais felizes, subverto a imagem do pr\u00edncipe e da princesa. E, de novo, bebo de Branca de Neve, escolhi como ep\u00edgrafe uma frase do filme Branca de Neve, de 2000, do Diretor Portugu\u00eas Jo\u00e3o C\u00e9sar Monteiro em que diz: \u201cQue Imprudente ideia, a do pr\u00edncipe, ter interrompido Branca de Neve no melhor dos sonos e, com um beijo que ela negar\u00e1 sempre, retir\u00e1-la do caix\u00e3o de vidro para a restituir \u00e0 vida, isto \u00e9, \u00e0 carne, e arrogar-se direitos sobre ela\u201d. O filme de C\u00e9sar Monteiro \u00e9 bem pol\u00eamico, ele \u00e9 mais \u00e1udio do que visual, foi rigorosamente criticado, s\u00e3o muitos minutos de tela preta. \u00c9 uma adapta\u00e7\u00e3o de um texto teatral escrito pelo su\u00ed\u00e7o Robert Walser, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Para&nbsp; mim n\u00e3o s\u00f3 fazia sentido com toda a desconstru\u00e7\u00e3o e estranheza que eu queria passar, mas tamb\u00e9m como uma homenagem a tudo que o Cinema Portugu\u00eas me trouxe. Convidei novamente Juana Profunda para integrar o elenco e o talentoso ator Max Carlesso. Mais uma vez entramos no festival Olhar de Cinema e ganhamos o pr\u00eamio de melhor filme da Mirada Paranaense. Me trouxe novas certezas de que sim, se meu eu, l\u00e1 do passado tinha d\u00favidas se iria ser levado a s\u00e9rio, aqui estamos, e tamb\u00e9m que desejo era esse de tanta aprova\u00e7\u00e3o da cisnorma? A gente s\u00f3 tinha que fazer, fluir e seguir, as outras coisas seriam consequ\u00eancias, ou n\u00e3o. N\u00e3o era valida\u00e7\u00e3o que importava, era di\u00e1logo, era habitar um espa\u00e7o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"801\" height=\"534\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Performando-na-Festa-de-Dalvinha-Brandao-em-2017-1.jpg\" alt=\"Ayla drag de cinema\" class=\"wp-image-1509\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Performando-na-Festa-de-Dalvinha-Brandao-em-2017-1.jpg 801w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Performando-na-Festa-de-Dalvinha-Brandao-em-2017-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Performando-na-Festa-de-Dalvinha-Brandao-em-2017-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performando na Festa de Dalvinha Brand\u00e3o&nbsp;em&nbsp;2017. Fonte: Arquivo pessoal do artista. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 sei que olhei para tudo at\u00e9 aquele momento, e at\u00e9 pensei, eu posso falar sobre outras coisas, eu posso dirigir filmes sobre qualquer outra coisa, mas ainda tem muito f\u00f4lego para imergir no Drag, ainda tem muito ch\u00e3o e muita coisa a dizer. Esse ano, finalmente, finalizei meu primeiro filme para al\u00e9m da academia e&nbsp; por projeto de lei. O filme se chama <em>Revela\u00e7\u00f5es<\/em>, foi produzido pela Beija Flor Filmes.Come\u00e7o a abrir uma nova aba, sai dos contos de fada, saio da fantasia um pouco, do et\u00e9rico, e venho para o real. Talvez, meu filme mais complexo e meu filme mais \u00edntimo, resolvi falar sobre a minha rela\u00e7\u00e3o com minha Tia Av\u00f3. que \u00e9 uma das maiores pesquisadoras de abelhas do mundo e est\u00e1 com dem\u00eancia avan\u00e7ada. Com esse filme, quero questionar se as pessoas se esquecem que foram conservadoras ou podem existir pessoas que nunca foram? N\u00e3o vou dar mais <em>spoilers<\/em>, voc\u00eas v\u00e3o ter que assistir ao filme que sai em breve, mas basicamente \u00e9 uma anatomia da minha vida, onde desejos e puls\u00f5es come\u00e7am. Tamb\u00e9m \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o a quem minha Tia foi e \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp; A mensagem que eu quero deixar aqui, \u00e9 da nossa pensadora contempor\u00e2nea \u201cNunca acreditem em voc\u00eas\u201d, (brincadeira). O que eu quero deixar \u00e9 que acreditem sim, acreditem que Drag pode ocupar o espa\u00e7o que a gente quiser, e se o espa\u00e7o n\u00e3o existe, a gente vai dar um jeito de abrir ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sou cantora, n\u00e3o sou humorista, n\u00e3o sou do bate cabelo, estou aqui provocando em abrir outra aba pouco usada, por\u00e9m j\u00e1 antiga por exemplos citados, sou uma Drag Atriz de Cinema. N\u00e3o gosto de caixas mas no Sul desbravei o lugar da Dire\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m existem outras Drags diretoras de Cinema pelo Brasil que est\u00e3o produzindo no hoje que devem ser celebradas como Toni Dri a.k.a. Malu Vitta em S\u00e3o Paulo, Paula Lice na Bahia e Rafael BQueer no Par\u00e1, inclusive procurem pelo trabalho dessas artistas pois s\u00e3o incr\u00edveis.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Peca-Quase-Ministro-2016-em-Portugal-682x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1510\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Peca-Quase-Ministro-2016-em-Portugal-682x1024.jpg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Peca-Quase-Ministro-2016-em-Portugal-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Peca-Quase-Ministro-2016-em-Portugal-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Peca-Quase-Ministro-2016-em-Portugal.jpg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pe\u00e7a Quase Ministro, 2016 em Portugal. Fonte: Arquivo pessoal do artista. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mim, se Cinema n\u00e3o for um espa\u00e7o de quebras de paradigmas e uma lupa para novas e ou outras exist\u00eancias, n\u00e3o faz sentido. Assim como Drag \u00e9 sobre desmantelar o que nos foi posto,vou seguir meu Cinema Drag, at\u00e9 achar que n\u00e3o tenho mais camadas e assuntos sobre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sou muito grato a todas as equipes que fizeram parte dessa trajet\u00f3ria, e embarcaram nas minhas loucuras, afinal Cinema n\u00e3o \u00e9 uma arte que se faz sozinho, ela \u00e9 do coletivo. Drag tem um processo um pouco mais solit\u00e1rio, por\u00e9m sem as trocas com o outro ela tamb\u00e9m n\u00e3o existe, seja nos camarins com outres artistes, seja no encontro com o p\u00fablico de teatro ou boate, ou quem sabe no encontro do p\u00fablico com um filme de Cinema, porque n\u00e3o?!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ensaio, Ayla aborda a constru\u00e7\u00e3o de sua trajet\u00f3ria enquanto uma drag de cinema, apresentando seus principais trabalhos produzidos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34,712,35,42,33,1],"tags":[901,10,900,913,921,928,915,912,902,908,927,909,916,7,6,904,924,905,917,906,925,903,920,41,914,22,907,923,910,50,911,918,922,926,919],"class_list":["post-1505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-drag","category-drag-queens","category-ensaio-reflexivo","category-ensaios","category-processos-de-criacao","category-sem-categoria","tag-artedrag","tag-artistas","tag-ayla-cinema","tag-aylacinema","tag-cineastaqueer","tag-cinemabrasileiro","tag-cinemaindependente","tag-cinemalgbtqia","tag-cinemaqueer","tag-corpopolitico","tag-culturadrag","tag-culturalgbtqia","tag-diretorasdrag","tag-drag","tag-drag-queen","tag-dragart","tag-dragautoral","tag-dragcomoexpressao","tag-dragcomoperformance","tag-dragepolitica","tag-dragnacional","tag-dragnocinema","tag-dragsulista","tag-ensaio","tag-filmequeer","tag-grafia-drag","tag-identidadedegenero","tag-judithbutler","tag-lgbtqiaplus","tag-montacao","tag-narrativasqueer","tag-performatividadedegenero","tag-representatividadequeer","tag-subversaodegenero","tag-teatrodrag"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.8 - 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