{"id":1819,"date":"2026-06-22T20:30:01","date_gmt":"2026-06-22T23:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/?p=1819"},"modified":"2026-06-23T10:08:33","modified_gmt":"2026-06-23T13:08:33","slug":"uma-breve-reflexao-acerca-do-processo-construtivo-da-performance-a-bicha-e-bicho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/uma-breve-reflexao-acerca-do-processo-construtivo-da-performance-a-bicha-e-bicho\/","title":{"rendered":"UMA BREVE REFLEX\u00c3O ACERCA DO PROCESSO CONSTRUTIVO DA PERFORMANCE \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Henrique Alves Amaral <em>a.k.a<\/em> <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/monalisadebandana\/\" type=\"link\" id=\"https:\/\/www.instagram.com\/monalisadebandana\/\">Monalisa de Bandana<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:80px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">Este documento \u00e9 o registro de um percurso. H\u00e1 aqui, o que foi desenvolvido por mim, Monalisa de Bandana, durante a disciplina Pr\u00e1ticas Performativas I, ministrada pelo artista multim\u00eddia e professor M\u00e1rio Ramiro. Ao final do curso pudemos expor nossas obras no \u201cLaborat\u00f3rio do Semestre do Departamento de Artes Pl\u00e1sticas\u201d, que aconteceu no Espa\u00e7o das Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo (EDA-USP) de trinta de junho at\u00e9 quatro de agosto de 2025.<br>Na abertura do Laborat\u00f3rio, em trinta de junho, apresentei ao mundo a performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. Ademais, hei de refletir acerca deste processo criativo, percorrendo teorias e esbo\u00e7os art\u00edsticos que estiveram presentes no processo de cria\u00e7\u00e3o dessa obra. Sem mais delongas, vejamos a proposta da performance para entender do que estamos falando e iniciarmos a discuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-2-1024x683.jpeg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1821\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-2-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-2-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-2-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-2-2048x1365.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. &nbsp;Foto: Bruno Makia.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DESCRI\u00c7\u00c3O LITER\u00c1RIA DE \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A performance \u00e9 iniciada, em sil\u00eancio. Entra de algum canto a protagonista, caminha desconfiada, veste uma saia feita apenas de franjas, tem seus cabelos armados, embara\u00e7ados, bagun\u00e7ados como uma cria da mata, Em seu peito nu, l\u00ea-se a palavra \u201cSUJO\u201d numa cor similar \u00e0 sangue, em seu rosto todo uma branca maquiagem, em seus olhos a negra sombra de guerra.&nbsp; Caminha como um animal arisco pronto para revidar. V\u00ea pessoas, s\u00e3o os espectadores que foram ao espa\u00e7o onde a performance \u00e9 realizada, n\u00e3o os reconhece \u2013 h\u00e1 estranhamento, certa curiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Segue em dire\u00e7\u00e3o ao centro do espa\u00e7o,&nbsp; um quadrado de um metro e meio, forrado com pl\u00e1stico sobre o ch\u00e3o. Antes que ela possa centralizar-se, come\u00e7a um \u00e1udio ao fundo. Primeiro, ouve-se a curiosa pergunta \u201cBICHA?\u201d, depois, numa tonalidade espantosa \u201c OH, BICHA!\u201d, e ent\u00e3o, numa goza\u00e7\u00e3o como quem faz piada \u201cHAHAHA BICHA!\u201d, e outro, e outros, at\u00e9 que tornam-se um grande e irritado coro que entoa \u201cBICHA! BICHA! BICHA!\u201d. Em suas vozes, o \u00e1udio ganha volume, inten\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o verbal. A protagonista, agora acuada, se escora pelos cantos, esbo\u00e7ando grunhidos com a boca, fazendo movimentos corporais baixos, representando a vergonha, o medo&nbsp; do ambiente, a dor da recusa, a dor da exposi\u00e7\u00e3o e a solid\u00e3o. Ela corre at\u00e9 o centro,&nbsp; d\u00e1 um grito, o coro se cala.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-4-682x1024.jpeg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1822\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-4-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-4-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-4-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-4-1024x1536.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-4.jpeg 1333w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. Foto: Bruno Makia. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela balbucia, respira profundamente,&nbsp; levanta o rosto, a postura, o corpo. Ent\u00e3o, passa a uivar, a latir, a cacarejar, relinchar. Emite sons e tra\u00e7a movimentos&nbsp; da simbologia do reino animal, age como tal, se faz pertencente \u00e0quela classe. Depois, num transe com o p\u00fablico, passa a dizer incansavelmente olhando no fundo dos olhos de cada um:&nbsp; \u201ca bicha \u00e9 bicho, a bicha \u00e9 bicho, a bicha \u00e9 bicho\u201d. Inicia-se a dublagem da can\u00e7\u00e3o \u201cN\u00e3o Recomendado\u201d de Caio Prado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a dublagem, a performer inicia tra\u00e7ando movimentos de poses para c\u00e2mera. Diz a can\u00e7\u00e3o: \u201cuma foto estampada numa grande avenida\u201d. A branca moldura de um quadro, antes posicionada no ch\u00e3o do centro do espa\u00e7o, ganha vida na m\u00e3o da protagonista, que com for\u00e7a segura, entra dentro dela, se contorce&nbsp; em movimentos, se apreende com dificuldade. A can\u00e7\u00e3o segue: \u201ca placa de censura no meu corpo diz, n\u00e3o recomendado \u00e0 sociedade\u201d. A protagonista, se aproximando do final da performance, pela primeira vez senta ao ch\u00e3o, sob os pr\u00f3prios joelhos, como quem deixa o corpo pender de cansa\u00e7o. Em sua frente, h\u00e1 uma bacia prata com l\u00edquido terroso, a letra diz: \u201cn\u00e3o olhe pro seus olhos, n\u00e3o creia em seu cora\u00e7\u00e3o, (&#8230;) diga n\u00e3o \u00e0 aberra\u00e7\u00e3o\u201d, e sob um cl\u00edmax passa a agredir o pr\u00f3prio corpo, com as m\u00e3os lambuzadas naquele l\u00edquido, vai se estapeando na face, nos seios, nos bra\u00e7os, nas pernas, marcando a si mesma em sujeira, contaminando o espa\u00e7o (apesar do forro de pl\u00e1stico) com seus respingos.<strong> <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fim.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/monalisa-12-682x1024.jpg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1823\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/monalisa-12-682x1024.jpg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/monalisa-12-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/monalisa-12-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/monalisa-12-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/monalisa-12.jpg 1333w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. &nbsp;Foto: Bruno Makia.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O QUE SERIA UMA PERFORMANCE?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que seria uma performance? O tudo e o nada, o ir e o vir, o estar e o n\u00e3o-estar. O conceito de Performance \u00e9 uma resistente afirma\u00e7\u00e3o anti-uno, inimiga de uma unidade conceitual. Sua&nbsp; nomenclatura passou a&nbsp; ser afirmada em 1970, apesar de j\u00e1 existir nas a\u00e7\u00f5es. Ela se faz diversa, sendo uma ampla categoria art\u00edstica onde cabem muitos elementos, trazendo consigo desdobramentos das pinturas, esculturas, carregando influ\u00eancia das artes interdisciplinares musicais, teatrais, dan\u00e7antes, po\u00e9ticas, te\u00f3rico-conceituais. Atua em forma de v\u00eddeos, instala\u00e7\u00f5es, desenhos, textos, fotografias, corporalidades e o que se possa imaginar. Diz Regina Melim (2008) que quando o&nbsp; assunto \u00e9 performance, \u00e9 sempre um n\u00famero muito vari\u00e1vel de concep\u00e7\u00f5es, as quais n\u00e3o se postulam como obrigat\u00f3rias para atingir um consenso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, a performance n\u00e3o \u00e9 serva do corpo, apesar de muito us\u00e1-lo. \u00c9 de costume associ\u00e1-la apenas ao corpo, e a uma obra que acontece ao vivo, com um p\u00fablico presente naquele espa\u00e7o-tempo em espec\u00edfico.&nbsp; De fato essa categoria perform\u00e1tica existe, mas Melim e Ramiro nos ajudam a pensar numa amplia\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica dessa arte \u2013 a pot\u00eancia das artes pl\u00e1sticas e visuais perform\u00e1ticas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo uma breve contextualiza\u00e7\u00e3o dessa defini\u00e7\u00e3o, pensemos agora no corpo e espa\u00e7o da performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. A obra chega ao fruidor no que se chama espa\u00e7o de performance (Melim, 2008). Ali, se interage com a obra. O olhar, o toque, a presen\u00e7a, o sentir e o refletir do espectador s\u00e3o necess\u00e1rios para a composi\u00e7\u00e3o \u2013 somos uma extens\u00e3o m\u00fatua, atuamos juntos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-9-682x1024.jpeg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1824\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-9-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-9-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-9-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-9-1024x1536.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-9.jpeg 1333w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. &nbsp;Foto: Bruno Makia.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste caso, o recurso base foi o corpo \u2013 enquanto escolha pessoal. Como pensa Michel Foucault (2013), o corpo \u00e9 a utopia de todas as utopias. \u00c9 meu marco-zero, e atrav\u00e9s dele e sua inser\u00e7\u00e3o no mundo \u00e9 que a arte pode surgir. As quest\u00f5es pol\u00edticas que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dessa performance atravessaram meu corpo, as pautas sociais baterem de frente com ele, as opress\u00f5es colidiram em meu peito, em cima de minha cabe\u00e7a, me comprimiram. Atrav\u00e9s de meu corpo, com meus olhos pude ler os conceitos de performance, e me contaminar com suas ideias. Atrav\u00e9s da animalidade investigada em meu pr\u00f3prio corpo, homem-animal, pude entender a expans\u00e3o das articula\u00e7\u00f5es e as possibilidades para al\u00e9m do b\u00edpede, assumindo com orgulho o ser bicho \u2013 afinal, somos todos animais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DOS ELEMENTOS EST\u00c9TICOS USADOS NA PERFORMANCE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo fala. Todos os elementos presentes na obra trazem consigo uma simbologia minuciosamente pensada para se refletir acerca delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o a maquiagem, pensemos em suas refer\u00eancias art\u00edsticas e proposta almejada. O intuito \u00e9 ser animal, metamorfo, desviante da norma humana. A base da pele, inteiramente branca e a cor e formato das sombras, s\u00e3o homenagens a Ney Matogrosso, esse homem-bicho, que carrega em sua exist\u00eancia e performances a representa\u00e7\u00e3o e for\u00e7a animalesca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A peruca, modelada num arisco vermelho, armado, arrepiado, bagun\u00e7ado, embara\u00e7ado remete a Caipora, criatura mitol\u00f3gica brasileira que protege a mata.<br>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vestimenta, pouco se h\u00e1. O figurino \u00e9 em sua maioria o corpo da protagonista \u2013 ela \u00e9 um animal, n\u00e3o existem conven\u00e7\u00f5es sociais que a obriguem a estar vestida. A \u00fanica coisa que se usa \u00e9 uma saia com tiras desfiadas num <em>oxford marrom<\/em>&nbsp; \u2013mais uma vez, influ\u00eancia de Ney. H\u00e1 fios de tecido que se misturam ao nu de suas genit\u00e1lias, como pelos que crescem e se alastram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No peito, embebida em tinta vermelha, a escrita SUJO, estampa&nbsp; em letras mai\u00fasculas a \u00f3tica da sociedade sobre aquele bicho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>UMA BREVE REFLEX\u00c3O FILOS\u00d3FICA ACERCA DA PERFORMANCE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d surge enquanto uma tentativa de transmutar reflex\u00f5es filos\u00f3ficas apresentadas num papel, para os palcos com pr\u00e1ticas corporais art\u00edsticas. Ou seja, para que meu corpo representasse essa performance, ele refletiu e buscou entender a intersec\u00e7\u00e3o entre filosofia te\u00f3rica, arte e viv\u00eancia (pol\u00edtica). Empiricamente e teoricamente, vejo corpos como o meu submetidos a um sistema de viol\u00eancias impl\u00edcitas e expl\u00edcitas. Para muitos, somos o esc\u00e1rnio social. Por trejeitos afeminados, quadris soltos, batons e tintas sobre a cara nos violentam. Nos marcam a ferro e fogo enquanto <em>bicha<\/em>. Ou melhor, enquanto bichos. Somos <em>viadinhos<\/em>, somos bambis, somos borboletinhas, somos cobras, somos veneno, somos o oposto, o avesso, o signo da morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-10-682x1024.jpeg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1825\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-10-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-10-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-10-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-10-1024x1536.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-10.jpeg 1333w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. &nbsp;Foto: Bruno Makia.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho \u00e9 uma alus\u00e3o direta a formas de opress\u00e3o animalizada sob as quais submeteram a comunidade LGBT+. Num sistema que destr\u00f3i a m\u00e3e natureza, buscando lucro e luxo, entendem o ser animal enquanto algo ruim \u2013 essa \u00e9 a \u00f3tica do colonizador. Portanto, toda a representa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica apresentada no trabalho, buscam traduzir teorias que abordam sobre discursos de poder que nos oprimem socialmente, moralmente e institucionalmente reverberando dom\u00ednio sob nossos corpos e nossas identidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foucault no decorrer de sua trajet\u00f3ria intelectual, discorreu diversas vezes acerca dos conceitos de poder. Por\u00e9m, nos ateremos em reflex\u00f5es publicadas nas obras <em>Hist\u00f3ria da Sexualidade: a vontade de saber<\/em> e <em>Microf\u00edsicas do Poder<\/em>. Lendo Foucault pude entender como sou violentada por uma pr\u00e1tica negativa conceituada enquanto <em>jur\u00eddico-discursiva <\/em>(Foucault, 2020). Existem pr\u00e1ticas discursivas e institucionais que vem trabalhando mecanicamente por s\u00e9culos para se instaurar e aparentar uma naturaliza\u00e7\u00e3o social. Essas carregam consigo dogmas, criam suas pr\u00f3prias regras, escolhem quais corpos querem representar e quais querem negativar (Foucault, 2020). Nesta reflex\u00e3o, entendemos que existem discursos em nossa sociedade que se articulam enquanto opressores de g\u00eanero, sexo e identidade, mesmo sabendo que estes oprimem tamb\u00e9m a partir da racialidade, ou normalidade mental<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas afinal, como atua essa pr\u00e1tica normalizada?<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fa\u00e7o minha trajet\u00f3ria de exemplo. Eu nasci e atrav\u00e9s da minha genit\u00e1lia me marcaram socialmente enquanto sexo masculino. Ganhei roupas, um enxoval, enfeites de quarto, majoritariamente azuis. Fui \u00e0 escola, e andando como b\u00edpede riram de mim, falaram sobre eu ter um jeito errado de andar e conversar. Reclamei \u00e0 professora, ela disse que era melhor eu aprender a andar e falar como homem para evitar confus\u00f5es. Eu cresci, me tornei adolescente, descobri o que era paix\u00e3o. Tive um amor efervescente, n\u00e3o pude exerc\u00ea-lo; a igreja que frequentava dizia que eu n\u00e3o merecia o para\u00edso divino por sentir aquilo. Minha fam\u00edlia, concordava com essa autoridade castradora e a reproduzia. Tantos \u00f3rg\u00e3os de poder me dizendo que eu n\u00e3o podia ser aquilo. Afinal, que seria \u201caquilo\u201d? Antes mesmo de saber o que era ser LBGT+ eu j\u00e1 sabia o que era viol\u00eancia e abuso de poder.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim se organiza o poder do discurso, que sobressai a linguagem e atua tamb\u00e9m atrav\u00e9s do dispositivo. Em institui\u00e7\u00f5es, em leis, em valores morais vigentes, em servidores do Estado, nas burocracias, nas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas, nas diversas \u00e1reas das ci\u00eancias (Foucault, 1984). Diversos recursos que refletem e influenciam diretamente na forma\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o do senso comum. Se reproduzem opress\u00f5es sem nem bem saber o motivo para tal, simplesmente h\u00e1 um imagin\u00e1rio instaurado, tido como indubit\u00e1vel. Quanto mais se exercem essas pr\u00e1ticas mais parece que sempre estiveram ali, respons\u00e1veis pela interdi\u00e7\u00e3o do ser marginal, impondo a l\u00f3gica da censura e delimitando \u00e0s formas de exist\u00eancia (Foucault, 2020). <strong>Essa \u00e9 a unidade jur\u00eddico-discursiva em a\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&nbsp;<\/strong>Entretanto, nada est\u00e1 realmente estabelecido ou ganho. O autor define o conceito de poder e nos p\u00f5e a pensar em sua disputas e tensionamentos constantes:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parece-me que se deve compreender o poder, primeiro, como a multiplicidade de correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as imanentes ao dom\u00ednio onde se exercem e constitutivas de sua organiza\u00e7\u00e3o; o jogo que, atrav\u00e9s de lutas e afrontamentos incessantes, as transforma, refor\u00e7a, inverte; os apoios que tais correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7as encontram umas nas outras, formando cadeias ou sistemas, ou ao contr\u00e1rio, as defasagens e contradi\u00e7\u00f5es que se isolam entre si; enfim, as estrat\u00e9gias que se originam e cujo esbo\u00e7o geral ou cristaliza\u00e7\u00e3o institucional toma corpo nos aparelhos estatais, na formula\u00e7\u00e3o da lei, nas hegemonias sociais. (FOUCAULT, 2020, p. 100-101)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, o poder produz positividade (Foucault, 2020) \u2013 eu diria que em parte majorit\u00e1ria. Entretanto, neste trabalho nos ateremos a sua negatividade e essa cristaliza\u00e7\u00e3o institucional jur\u00eddico-discursiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partindo de minha exist\u00eancia no mundo e do contato com a teoria cr\u00edtica, pude entender o porqu\u00ea desde muito cedo fui moralmente violentada: eu n\u00e3o cumpria a norma esperada. Aqui, coloco-me enquanto um corpo dissidente <em>queer<\/em> e praticante da arte marginal Drag.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo assim, agora nos ateremos a uma estrutura de&nbsp; opress\u00e3o espec\u00edfica, a reifica\u00e7\u00e3o da binariedade e dos g\u00eaneros. Em <em>Problemas de G\u00eanero<\/em>, Judith Butler nos p\u00f5e a refletir sobre os processos de cria\u00e7\u00f5es culturais das identidades e g\u00eaneros, assim como pr\u00e1ticas de subvers\u00e3o dessas (Butler, 2016). E, nas p\u00e1ginas concluintes do primeiro cap\u00edtulo <em>Sujeitos de Sexo\/G\u00eanero\/Desejo<\/em> vemos clara liga\u00e7\u00e3o \u00e0s reflex\u00f5es foucaltianas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Existe uma estrutura reificada onde a binariedade \u00e9&nbsp; aceita e imposta<\/strong>. As <strong>pr\u00e1ticas reguladoras uniformizam as identidades<\/strong> por meio, por exemplo, da heterossexualidade compuls\u00f3ria e falocentrismo, fazendo com que se exija um modo espec\u00edfico de ser e se portar no mundo (Butler, 2016). Vemos aqui, as estruturas de poder organizando g\u00eaneros e identidades. Claramente, um corpo <em>queer <\/em>p\u00f5e em xeque as normas anteriormente impostas, quando n\u00e3o age conforme esperado. Dando assim, uma possibilidade de den\u00fancia e um poss\u00edvel deslocamento da l\u00f3gica estabelecida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afinal, como subverter a norma estabelecida estando dentro da mesma? N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de criarmos novos g\u00eaneros e identidades do zero, para recome\u00e7ar partiremos de dentro da norma? N\u00e3o sou eu quem vos trar\u00e1 essa resposta, s\u00f3 digo que, <strong>enquanto artista enxerguei nos signos animalizados da performance uma possibilidade de ruptura, ou provoca\u00e7\u00e3o, da l\u00f3gica.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-6-1024x682.jpeg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1826\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-6-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-6-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-6-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-6-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-6.jpeg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. &nbsp;Foto: Bruno Makia.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao afirmar ser animal, ser esc\u00f3ria e ser bicha, eu n\u00e3o compactuei ao pacto deles. Na verdade, busquei subvers\u00e3o. Afirmei for\u00e7a, poder, transgress\u00e3o, reconex\u00e3o \u00e0 natureza anterior \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o. Assumo com orgulho ser bicho, entendo \u00e0s dificuldades e mecanismos de opress\u00f5es aos&nbsp; quais sou submetida. Ainda assim, n\u00e3o abro m\u00e3o de o ser. Demonstrei medo, dor, raiva, resist\u00eancia, sentimentos estes, que todos os animais t\u00eam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao se assumir bicho, eu n\u00e3o reivindico um retorno a uma natureza essencial ou anterior \u00e0 cultura. Trata-se de um gesto de recusa da l\u00f3gica bin\u00e1ria colonial que produziu a separa\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica entre homem digno e criaturas indignas, entre humano e animal. A animalidade deixa de operar como signo de degrada\u00e7\u00e3o para tornar-se espa\u00e7o poss\u00edvel de alian\u00e7a, coexist\u00eancia e resist\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, falo enquanto<strong> <\/strong><strong><em>testis<\/em><\/strong>, conceito alem\u00e3o trabalhado por Sueli Carneiro no livro publicado sobre sua tese (2023). Falo como testemunha de um evento radical colonizador, testemunha das artistas marginais que n\u00e3o tiveram devido reconhecimento, testemunha das que vivem em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas por serem dissidentes e n\u00e3o terem o m\u00ednimo. Testemunha das bichas animalizadas.&nbsp; A nossa exist\u00eancia, desde a cria\u00e7\u00e3o da ideia de Brasil, foi dif\u00edcil. Na tradi\u00e7\u00e3o da Europa Ocidental, pol\u00edtica e religiosa, os nossos corpos nunca foram bem quistos, e neste embate cultural, ainda mais com a coloniza\u00e7\u00e3o, sempre houve <strong>formas de resist\u00eancia <\/strong>(Foucault, 2020). Testemunho n\u00e3o s\u00f3 a dor das minhas, como as estrat\u00e9gias de resistir e permanecer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho \u00e9 uma tentativa de resist\u00eancia art\u00edstica. \u00c9 a tentativa de retirar a subalterniza\u00e7\u00e3o do animal-bicha institu\u00eddo pelo colonizador. Acolho a figura do animal como uma exist\u00eancia que escapa \u00e0s classifica\u00e7\u00f5es e normatiza\u00e7\u00f5es impostas ao sujeito moderno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trabalhar a animaliza\u00e7\u00e3o estabelecida a partir das opress\u00f5es s\u00f3cio-culturais sob o corpo <em>queer <\/em>numa performance enquanto Drag Queen \u00e9 instigante. Pensar performance de g\u00eanero, desconstru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos, resist\u00eancia da arte marginal, e transformar essa reflex\u00e3o te\u00f3rica numa obra pr\u00e1tica, performada no EDA-USP, \u00e9 satisfat\u00f3rio. Estar num espa\u00e7o, como a maior universidade da Am\u00e9rica do Sul, \u00e9 poder pensar nas diferentes formas de se fazer arte, pesquisa, ci\u00eancia e refletir em como legitim\u00e1-las academicamente.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-3-1024x683.jpeg\" alt=\"A BICHA \u00c9 BICHO\" class=\"wp-image-1827\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-3-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-3-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-3-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-3-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Monalisa-3-2048x1365.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Performance \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d. \u00a0Foto: Isabela Moraes. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Agrade\u00e7o ao sagrado e eterno Ney Matogrosso por sua brilhante trajet\u00f3ria, carreira disruptiva, animalizada e extremamente sens\u00edvel que muito me inspira na constru\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica da minha Drag e em meus estudos de corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agrade\u00e7o ao M\u00e1rio Ramiro, professor e artista que me possibilitou acesso a novas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas e art\u00edsticas. E, importantemente, abriu espa\u00e7o para que eu realizasse este trabalho, que \u00e9 um laborat\u00f3rio criativo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Agrade\u00e7o ao cantor e compositor Caio Prado pela cria\u00e7\u00e3o de <em>N\u00e3o Recomendado<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agrade\u00e7o ao espet\u00e1culo teatral <em>Eunucos<\/em> das Irm\u00e3s Brasil que assisti na Mostra Internacional de Teatro (MIT-SP) em 2024, onde pude abra\u00e7ar&nbsp; a nudez, despudor e provoca\u00e7\u00f5es animalescas das atrizes em cena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agrade\u00e7o a exposi\u00e7\u00e3o <em>Fabula\u00e7\u00e3o Bicha<\/em> de Giovanni Bosica que esteve em cartaz na Casa Fluida no segundo semestre de 2025.&nbsp; Em espec\u00edfico sa\u00fado a Instala\u00e7\u00e3o&nbsp; intitulada \u201cSUJO\u201d \u2013 foi o empurr\u00e3o imag\u00e9tico necess\u00e1rio na etapa final de \u201cA BICHA \u00c9 BICHO\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos estes foram refer\u00eancia criativa e seguem sendo resist\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:80px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>BIBLIOGRAFIA:<\/strong><br><br>BUTLER, Judith. Problemas de g\u00eanero: feminismo e subvers\u00e3o da identidade. Trad.: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARNEIRO, Sueli.Dispositivo de racialidade: a constru\u00e7\u00e3o do outro como n\u00e3o ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro, Zahar, 2023.<br>FOUCAULT, Michel. Hist\u00f3ria da Sexualidade: a vontade de saber (vol. 1). S\u00e3o Paulo, Paz e Terra, 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. \u201cNietzsche, a genealogia e a hist\u00f3ria\u201d. In. Microf\u00edsica do poder. Organiza\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o de Roberto Machado. 4\u00aa ed. Graal, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">____________. O corpo ut\u00f3pico, as heterotopias. Posf\u00e1cio de Daniel Defert. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es n-1, 2013.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MELIM, Regina. Performance nas Artes Visuais. Zahar Editora. Rio de Janeiro, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A drag Monalisa de Bandana compartilha o percurso de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;A BICHA \u00c9 BICHO&#8221;, obra apresentada no EDA-USP que transforma experi\u00eancias de viol\u00eancia, dissid\u00eancia e resist\u00eancia em linguagem art\u00edstica. 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