{"id":1907,"date":"2026-08-21T12:35:49","date_gmt":"2026-08-21T15:35:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/?p=1907"},"modified":"2026-08-21T13:06:08","modified_gmt":"2026-08-21T16:06:08","slug":"cena-drag-porto-alegre-ciencia-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/cena-drag-porto-alegre-ciencia-diversidade\/","title":{"rendered":"Gurl, can you read? Like, literally?*"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/itsmiatw\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/itsmiatw\/\">Mia The Witch<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">Quando se faz ci\u00eancia, seja em qualquer \u00e1rea, volta e meia um dos dilemas que enfrenta-se \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos nossos esfor\u00e7os em detrimento de cren\u00e7as populares ou apego emocional em uma narrativa sem fundamenta\u00e7\u00e3o. Podemos pensar, a princ\u00edpio, na crescente onda de movimentos anti vacinas ao redor do mundo como exemplo: um grupo de pessoas que, sem embasamento cient\u00edfico, une for\u00e7as para espalhar desinforma\u00e7\u00e3o e propagar medo sobre determinado assunto em pessoas leigas, contrariando resultados obtidos por diversos estudos qualificados. Por vezes, cientistas t\u00eam sua imagem deturpada em prol de narrativas falaciosas: s\u00e3o acusados de pervers\u00e3o, imoralidade, alinhamento pol\u00edtico espec\u00edfico, entre diversos outros boatos que se difundem buscando descredibilizar o m\u00e9todo cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde que entrei na Universidade, em 2014, tra\u00e7o caminhos pr\u00f3ximos \u00e0 pesquisa cient\u00edfica. Atualmente, sou pesquisador em n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o, sendo bolsista da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES). Minha pesquisa em desenvolvimento trata sobre os tensionamentos nas significa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e sexualidade propostas a partir da performance de drag monstras brasileiras. Desde a gradua\u00e7\u00e3o, eu pesquiso a respeito da arte drag, tendo realizado uma monografia que buscou entender as percep\u00e7\u00f5es que drag monstras porto-alegrenses tinham de si e do cen\u00e1rio drag em que atuam. Desse modo, al\u00e9m de artista drag h\u00e1 quase uma d\u00e9cada, eu tamb\u00e9m tenho alguns anos de experi\u00eancia em pesquisa cient\u00edfica sobre essa linguagem art\u00edstica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade que um dos pilares do fazer ci\u00eancia deve ser o di\u00e1logo e a troca de ideias: a ci\u00eancia n\u00e3o deve ser um local de certezas imut\u00e1veis e inquestion\u00e1veis. Por\u00e9m, quando se questiona um posicionamento cient\u00edfico, a controv\u00e9rsia exige o mesmo n\u00edvel de comprometimento das informa\u00e7\u00f5es das quais se discorda. Deve haver espa\u00e7o na ci\u00eancia para o debate democr\u00e1tico, para a exposi\u00e7\u00e3o de ideias contr\u00e1rias e at\u00e9 para que fatos apresentados sejam refutados. Freud e Foucault, dentre diversos outros c\u00e9lebres acad\u00eamicos, s\u00e3o constantemente questionados e tensionados \u2013 assim, notamos tamb\u00e9m avan\u00e7os no pensamento cient\u00edfico. Por\u00e9m, qualquer um que queira contrariar um exerc\u00edcio de pesquisa deve o fazer a partir de novos embasamentos cient\u00edficos. Quando uma pesquisa chega em um resultado, seja ele qual for ou em que inst\u00e2ncia da vida social esteja sendo empreendido os esfor\u00e7os, essas conclus\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o meros devaneios advindos das cren\u00e7as pessoais ou dos interesses pr\u00f3prios do grupo de pesquisa em quest\u00e3o. Eles s\u00e3o obtidos atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de procedimentos rigorosos que conferem o grau de cientificidade necess\u00e1rio para que o exerc\u00edcio se torne um dado consistente e n\u00e3o uma <em>fake news<\/em>. A ci\u00eancia n\u00e3o precisa \u2013 e nem vai \u2013 agradar a todos para ser uma fonte leg\u00edtima de informa\u00e7\u00e3o. Goste quem gostar, suas conclus\u00f5es s\u00e3o frutos de estudos realizados e fundamentados em di\u00e1logo entre a teoria e a pesquisa de campo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando aponto em meus textos que Porto Alegre tem uma cena drag baseada nos signos de feminilidade hegem\u00f4nica, isso n\u00e3o \u00e9 um ataque \u00e0s artistas que se enquadram nessa vertente, mas sim uma evid\u00eancia observada atrav\u00e9s de pesquisas, n\u00e3o apenas minhas, como de outros autores que j\u00e1 lan\u00e7aram olhar para nossa cena. Como exemplo disso, Almeida (2023) realizou uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado analisando o consumo midi\u00e1tico de drag queens em Porto Alegre. Em descri\u00e7\u00e3o do percurso metodol\u00f3gico adotado para entender o fen\u00f4meno regional, a autora dispara: \u201ca fim de compreender melhor a performance drag e os processos de transforma\u00e7\u00e3o de um corpo masculino em uma mimetiza\u00e7\u00e3o do feminino [&#8230;]\u201d (Almeida, 2023, p. 72). A afirmativa que a pesquisadora considera para tomar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas entra em conson\u00e2ncia com o que aponto: Porto Alegre busca performar drag, majoritariamente, a partir da feminilidade. Ademais, Almeida (2023) tamb\u00e9m elenca um time de drags conhecid\u00edssimas entre o p\u00fablico ga\u00facho como <em>corpus<\/em> que considerou em sua pesquisa de campo, nomes os quais em totalidade podem ser encontrados os de Desirr\u00e9 Aserehe, Seripha Sigma, Suzzy B, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/o-calabouco-de-cassandra\/\" data-type=\"post\" data-id=\"992\">Cassandra Calabou\u00e7o<\/a>, Charlene Voluntaire, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/joao-carlos-castanha-cinema-transformismo\/\" data-type=\"post\" data-id=\"1892\">Maria Helena Castanha<\/a> e Madison Nubi\u00eb (Almeida, 2023, p. 64). Algumas mais do que outras, mas todas as artistas citadas no estudo comp\u00f5em um quadro drag que busca a express\u00e3o da feminilidade como a centralidade de sua performance. N\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o a nenhuma drag monstra, <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/o-machismo-que-ainda-invisibiliza-drag-kings\/\" data-type=\"post\" data-id=\"856\">drag king<\/a> ou drag <em>queer<\/em>: a pesquisadora toma a cena a partir da performance <em>queen<\/em>, baseada nos signos de beleza e sensualidade envoltos aos corpos femininos. Isso, de longe, \u00e9 um problema para o trabalho realizado por ela, pois demonstra uma amostra coerente da expressividade drag encontrada na cidade que, predominantemente, busca pelos c\u00f3digos sociais hegem\u00f4nicos atribu\u00eddos \u00e0 est\u00e9tica das mulheres. Por\u00e9m, nos serve como mais um dos estudos cient\u00edficos que entendem a cena drag de Porto Alegre como um local que promove uma hegemonia drag baseada na feminilidade. Ainda conversando com esse pensamento, eu mesmo obtive respostas em entrevistas de campo com artistas locais de outras tipologias drag, nas quais registraram sentir uma grande press\u00e3o para se adequar a cena drag porto-alegrense por ser uma \u201ccena de beleza\u201d, a necessidade de mesclar sua express\u00e3o drag aos c\u00f3digos de feminilidade estabelecidos na cidade e a forte resist\u00eancia local entre artistas e contratantes para com drags que n\u00e3o seguem as normas est\u00e9ticas da feminilidade (Nascimento; Primo, 2025).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse ponto do di\u00e1logo, cabe tamb\u00e9m ressaltar que, pessoalmente, n\u00e3o tenho nenhum problema contra artistas drag que seguem os c\u00f3digos sociais femininos em sua expressividade art\u00edstica. Minha observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseia na promo\u00e7\u00e3o de uma rivalidade entre quem performa personas hiper-femininas e as demais tipologias drag. Isso seria, novamente, al\u00e9m de raso demais, um papo que eu consideraria nocivo ao exerc\u00edcio drag na cidade. Levo \u00e0 s\u00e9rio meu compromisso de produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos drag, o qual tamb\u00e9m d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira acad\u00eamica que estou construindo. N\u00e3o apenas por apre\u00e7o ao meu papel de cientista, como tamb\u00e9m porque acho fabuloso o trabalho que as manas femininas desempenham. Existe uma tremenda transgress\u00e3o pol\u00edtica quando uma bicha afeminada que sofre os pavores da homofobia institucional passa a subverter esse local de sujei\u00e7\u00e3o em que o sistema a coloca, reivindicando o seu poder justamente atrav\u00e9s da feminilidade que lhe fora negada. Assim tamb\u00e9m no caso de mulheres cis e trans que desempenham drag em express\u00e3o <em>femme<\/em>, confrontando os limites que lhes foram impostos socialmente e desenhando seus pr\u00f3prios espa\u00e7os, sem necessidade de nenhuma permiss\u00e3o masculina. Toda forma de drag \u00e9 absurdamente pol\u00edtica e v\u00e1lida. Eu jamais estaria gastando meu tempo produzindo sobre uma arte marginal em que eu n\u00e3o visse poder pol\u00edtico, uma vez que \u00e9 papel do artista criar a tens\u00e3o de desestabilizar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a conversa aqui n\u00e3o \u00e9 sobre eu ser contra a forma drag de algumas artistas ou achar que elas representam algum malef\u00edcio ao grupo. N\u00e3o existiu e nem existir\u00e1 espa\u00e7o para esse tipo de pensamento superficial&nbsp; em meus textos, pois n\u00e3o \u00e9 algo em que eu acredito. Nesse sentido, tamb\u00e9m n\u00e3o cabe que haja distor\u00e7\u00f5es levianas sobre as minhas produ\u00e7\u00f5es. Nesses casos, recomendo a realiza\u00e7\u00e3o de uma nova leitura, mais atenta e disposta a fazer uma interpreta\u00e7\u00e3o de texto qualificada. Se depois de assim o feito, permanecerem discordando dos meus posicionamentos e os enxergando com maus olhos, as encorajo para que me demonstrem, a partir da constru\u00e7\u00e3o de uma argumenta\u00e7\u00e3o consistente, que leve em base o rigor cient\u00edfico, al\u00e9m da empiria, onde estive errando em minhas conclus\u00f5es. O tensionamento que proponho atrav\u00e9s das minhas produ\u00e7\u00f5es \u00e9 muito mais direcionada aos contratantes, espa\u00e7os que oferecem trabalho drag e para o p\u00fablico consumidor do que para as demais artistas em si. Busco fazer tais tens\u00f5es em prol da reconstru\u00e7\u00e3o de uma cena drag que acolha a diversidade e oportunize a cria\u00e7\u00e3o de carreiras plurais. Existe, por tr\u00e1s das inten\u00e7\u00f5es que me movem a produzir, um sentimento de que toda forma de drag \u00e9 v\u00e1lida e, justamente por isso, todas devem ser validadas tamb\u00e9m no mercado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo bastante direto, o que me incomoda n\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de drags que buscam se assemelhar com mulheres, mas sim isso ser norma para que artistas drags consigam emprego em Porto Alegre. Aqui, aponto para o dom\u00ednio de uma tipologia drag no mercado porto-alegrense, regido por aqueles que det\u00e9m os poderes de decis\u00e3o: contratantes e p\u00fablico. Nesse sentido, alio esfor\u00e7os a toda uma linha de pesquisa que busca legitimar a arte drag como uma performance diversa, que n\u00e3o \u00e9 restrita aos ideais de mimetiza\u00e7\u00e3o feminina. <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grafiadrag\/o-conceito-drag\/\" data-type=\"post\" data-id=\"1447\">Speckart <\/a>(2023), por exemplo, aponta que a express\u00e3o drag n\u00e3o pode ser resumida em uma oposi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, em que um homem cisg\u00eanero gay vai \u201cvestir-se de mulher\u201d, pois al\u00e9m de deslegitimar o trabalho de diversos artistas drag que n\u00e3o se incluem nas categorias \u201chomem, cisg\u00eanero e gay\u201d, como mulheres e pessoas n\u00e3o-bin\u00e1rias que fazem drag, isso representaria um pensamento danoso para o movimento, pois existem diversas outras abordagens drag que n\u00e3o utilizam a feminilidade como centralidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">T\u00e3o antigos quanto as <em>queens<\/em> na historiografia drag, os drag kings podem ser citados como uma das tipologias que desafiam essa norma. Lessa e Tortola (2016) apontam que os <em>kings<\/em> tratam da constru\u00e7\u00e3o de masculinidades plurais dentro da express\u00e3o drag, contestando que a masculinidade n\u00e3o pode ser reduzida aos corpos dos homens. Nesse sentido, as autoras afirmam que \u201cnas pr\u00e1ticas Drag Kings, abrem-se poss\u00edveis modos de libertar os corpos que estavam presos ao papel de destino biol\u00f3gico e, assim, recriar um corpo mais l\u00fadico, um modo transviado de masculinidade, que inclui o papel da vestimenta na configura\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros\u201d (Lessa; Tortola, 2016, p. 77). De tal modo, a tipologia <em>king<\/em> descentraliza a feminilidade do campo art\u00edstico, substituindo-na pela problematiza\u00e7\u00e3o das masculinidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha pesquisa em curso tamb\u00e9m se destina a analisar uma dessas tipologias dissidentes das normas hegem\u00f4nicas do drag: as drag monstras. Apresentadas por Costa e Filho (2024, p. 6) como uma das quatro partes componentes da express\u00e3o drag <em>queer<\/em>, as drag monstras, juntamente das outras tr\u00eas, <em>ecodrags<\/em>, <em>tranimals<\/em> e <em>themonias<\/em>, \u201cbuscam justamente romper com representa\u00e7\u00f5es muito essencialistas do masculino e do feminino, levando a arte drag para lugares de express\u00e3o que chacoalham a tradi\u00e7\u00e3o\u201d. Por esse caminho, a descentraliza\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es de g\u00eanero feitas pelas drag monstras acontece atrav\u00e9s do desmanche dos signos da humanidade, os substituindo pelos da monstruosidade em um movimento que, al\u00e9m de est\u00e9tico, promove tens\u00f5es pol\u00edticas de sujeitos <em>queer<\/em> abjetos. Ao rejeitar a humanidade, encontrando na alegoria do monstro de horror um local de subvers\u00e3o das normas sociais e poder pol\u00edtico, Gadelha, Maia e Lima (2020) apontam que as drag monstras representam o futuro da pol\u00edtica <em>queer<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por essa via, minha atividade de produ\u00e7\u00e3o sobre conhecimentos drag parte de uma l\u00f3gica sistematizada e compartilhada por diversos estudos debatidos na \u00e1rea. A partir de todos eles, entendemos que a arte drag \u00e9 bastante plural, inclusiva e com infinitas possibilidades criativas, aliando esfor\u00e7os de representatividade <em>queer<\/em> \u00e0 performance art\u00edstica. Nenhuma das posi\u00e7\u00f5es que defendo deixam de ter embasamentos que dialogam tanto com o campo, como com a teoria. Portanto, acredito que tenham subs\u00eddios fortes o suficiente para n\u00e3o ca\u00edrem ao papel de meras opini\u00f5es ou gostos pessoais. Essas, com certeza, guardo para as pessoas mais pr\u00f3ximas e as oferto com uma boa cerveja gelada. Aqui, existe um compromisso \u00e9tico e profissional em produzir textos embasados, com boa argumenta\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a concordar com os dados que eu apresento, assim como muitas pessoas estar\u00e3o contra as vacinas e medica\u00e7\u00f5es, mas a contesta\u00e7\u00e3o exige a apresenta\u00e7\u00e3o de argumentos t\u00e3o s\u00f3lidos quanto os que demonstro. Ademais, penso que incomodar-se com tais apontamentos \u00e9, entre duas op\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, negar o acesso das diferentes tipologias por medo da perda de espa\u00e7o ou falta de uma boa interpreta\u00e7\u00e3o de texto. As portas da GD est\u00e3o abertas, nossas vozes e pontos de vista s\u00e3o m\u00faltiplos.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*O t\u00edtulo em ingl\u00eas faz uso do vocabul\u00e1rio drag, no qual a g\u00edria \u201c<em>to read<\/em>\u201d significa gongar algu\u00e9m, criando um trocadilho com seu sentido de tradu\u00e7\u00e3o literal, que \u00e9 \u201cler\u201d.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALMEIDA, Mirella de. <strong>A performance drag queen ga\u00facha<\/strong>: uma an\u00e1lise do consumo midi\u00e1tico de drags de Porto Alegre. 2023. 155 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o) \u2013 Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COSTA FILHO, Francisco Carlos; LOPES, Elisabeth Silva. Quest\u00f5es de g\u00eanero e mais al\u00e9m: a interseccionalidade na arte drag. <strong>Revista Brasileira de Estudos da Presen\u00e7a<\/strong>, Porto Alegre, v. 14, n. 3, e132185, 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GADELHA; MAIA; LIMA. Drag, glamour, filth: g\u00eanero e monstruosidade em Rupaul&#8217;s Drag Race e Dragula. <strong>Cadernos Pagu<\/strong>, Bel\u00e9m, n. 61, junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LESSA, Patr\u00edcia; TORTOLA, Eliane. O corpo que dan\u00e7a e a constru\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica Drag King: um tango-a\u00e7\u00e3o. <strong>Peri\u00f3dicus<\/strong>, Salvador, n. 4, v. 1, p. 76\u201390, nov. 2015 \u2013 abr. 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NASCIMENTO, Patrick Sutil do. <strong>Drag, monstruosidade e identidade:<\/strong> estudo sobre a percep\u00e7\u00e3o de drag monstras sobre si e sua participa\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio drag da cidade de Porto Alegre\/RS. 2024. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Bacharelado em Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas) \u2013 Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NASCIMENTO, Patrick Sutil do; PRIMO, Alessandra Teixeira. Monstruosidade na identidade de drags no contexto de Porto Alegre\/RS. In: <strong>CONGRESSO BRASILEIRO DE CI\u00caNCIAS DA COMUNICA\u00c7\u00c3O, 48., 2025, Vit\u00f3ria, ES<\/strong>. Anais [&#8230;]. Vit\u00f3ria, ES: Intercom \u2013 Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica\u00e7\u00e3o, 2025.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SPECKART, Jeanne Martins. <strong>Uma andan\u00e7a por pedagogias Drag<\/strong>. 2025. Disserta\u00e7\u00e3o (Curso de Moda) &#8211; Udesc, 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em \u201cGURL, CAN YOU READ? LIKE, LITERALLY?\u201d, Mia The Witch discute a cena drag de Porto Alegre a partir de sua experi\u00eancia como artista e pesquisador. 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