{"id":799,"date":"2020-12-30T12:42:30","date_gmt":"2020-12-30T12:42:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/?page_id=799"},"modified":"2020-12-30T12:42:31","modified_gmt":"2020-12-30T12:42:31","slug":"o-uso-de-recursos-etnicos-por-imigrantes-o-caso-da-alimentacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/o-uso-de-recursos-etnicos-por-imigrantes-o-caso-da-alimentacao\/","title":{"rendered":"O Uso de Recursos \u00c9tnicos por Imigrantes: O Caso da Alimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/24481-imigracao-italiana-no-rio-grande-do-sul-comemora-142-anos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-800\" width=\"489\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/24481-imigracao-italiana-no-rio-grande-do-sul-comemora-142-anos.jpg 620w, https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/24481-imigracao-italiana-no-rio-grande-do-sul-comemora-142-anos-300x181.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 489px) 100vw, 489px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong> Fernanda Trentini Ambiedo<\/strong>*<\/p>\n\n\n\n<p><strong> 1 Introdu\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> O ato de pesquisar a mobilidade humana dentro de uma perspectiva hist\u00f3rica metodol\u00f3gica nos prop\u00edcia buscar novas possibilidades de pensar a sociabilidade e a integra\u00e7\u00e3o entre nacionais e estrangeiros. Proponho aqui, analisar um modo de inser\u00e7\u00e3o e o uso de recursos \u00e9tnicos, de imigrantes italianos nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX que n\u00e3o se concentram apenas neste grupo \u00e9tnico, mas, tamb\u00e9m, refletem-se em outros grupos tanto em contexto hist\u00f3rico como na atualidade. Este recurso \u00e9tnico em pauta \u00e9 o com\u00e9rcio dedicado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e venda de alimentos tidos como \u201ct\u00edpicos\u201d, de uma regi\u00e3o ou pa\u00eds, em Porto Alegre. Esta pr\u00e1tica n\u00e3o est\u00e1 centrada apenas atualmente, onde tornou-se comum vermos restaurantes que se promovem pela \u201coriginalidade\u201d de apresentar ao consumir um alimento tido como \u00fanico e que respeita as tradi\u00e7\u00f5es, as t\u00e9cnicas e as pr\u00e1ticas de preparo da cultura em voga. Para discutir este processo usarei como fonte o \u00e1lbum comemorativo de cinquenta anos da imigra\u00e7\u00e3o italiana no Rio Grande do Sul, lan\u00e7ado em 1925, em dois volumes, e que nos traz a hist\u00f3ria e geografia dos munic\u00edpios que receberam contingentes significativos de italianos, e refere-se tamb\u00e9m, a empreendedores italianos que alcan\u00e7aram renome dentro de seus locais de viv\u00eancia. Neste almanaque, que provavelmente n\u00e3o \u00e9 exaustivo, existem quarenta e uma propagandas de atividades comerciais que italianos exerciam em Porto Alegre . Os ramos principais estavam ligados a produ\u00e7\u00e3o, a importa\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de produtos, f\u00e1bricas de tecido, metal\u00fargicos, mobili\u00e1rios, setores de bens de subsist\u00eancia prim\u00e1ria e institutos educacionais. <\/p>\n\n\n\n<p><strong> 2 Alimenta\u00e7\u00e3o, identidade e recurso \u00e9tnico <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> A utiliza\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9tnicos como forma de inser\u00e7\u00e3o em uma sociedade distinta diz respeito a aspectos socioculturais e demogr\u00e1ficos de todo um grupo, e n\u00e3o apenas de uma fra\u00e7\u00e3o que estimularia atividades empresariais (TRUZZI; NETO, 2007). Defino recursos \u00e9tnicos como t\u00e9cnicas aplicadas, s\u00edmbolos, modos de vida, rela\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias que podem ser redes de contato entre grupos (SCHMIDT, 2015). A transforma\u00e7\u00e3o destes aspectos socioculturais em recursos \u00e9tnicos ocorre quando se torna necess\u00e1rio encontrar uma maneira de manter liga\u00e7\u00f5es entre os imigrantes sendo uma esp\u00e9cie de mentalidade perpetuada desde os primeiros que imigraram e passada para seus descendentes, que mant\u00eam a utiliza\u00e7\u00e3o destes para demonstrar uma liga\u00e7\u00e3o com o seu local de origem (SCHMIDT, 2015). A alimenta\u00e7\u00e3o tornou-se um dos principais recursos utilizados por imigrantes no Rio Grande do Sul para a inser\u00e7\u00e3o comercial, como j\u00e1 comentado, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX estas f\u00e1bricas e com\u00e9rcios de bens de consumo, principalmente aliment\u00edcios, eram de origem principalmente italiana e alem\u00e3. <\/p>\n\n\n\n<p> A rela\u00e7\u00e3o entre alimenta\u00e7\u00e3o e identidade ainda \u00e9, por muitas vezes, ignorada pelos pesquisadores quando pensam a intera\u00e7\u00e3o entre dois, ou mais, grupos. A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 como uma refer\u00eancia para a conserva\u00e7\u00e3o de certos aspectos identit\u00e1rios (MONTANARI, 2009). \u00c9 importante ressaltar que as identidades s\u00e3o formadas a partir de certas categorias, como fam\u00edlia, religi\u00e3o, classe social, espa\u00e7o e territ\u00f3rio que nas trocas entre culturas se adaptam e se redefinem, por\u00e9m, sempre perpetuando algumas caracter\u00edsticas (SMITH, 1997). No caso da gastronomia, a identidade \u00e9 interligada com a manuten\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas de preparo e de produ\u00e7\u00e3o destes alimentos, o imigrante ent\u00e3o, conserva os tra\u00e7os originais e os \u201cadapta\u201d com a utiliza\u00e7\u00e3o de produtos aut\u00f3ctones do pa\u00eds receptor.  <\/p>\n\n\n\n<p> No Rio Grande do Sul alguns estudos nos informam sobre uma esp\u00e9cie de \u201chibridismo\u201d alimentar, que gerou uma cozinha definida popularmente como \u201ccolonial\u201d. Nas regi\u00f5es de coloniza\u00e7\u00e3o italiana conseguiu-se a perpetua\u00e7\u00e3o de algumas tradi\u00e7\u00f5es; \u201celas eram ligadas, por exemplo, ao cultivo das vinhas e das oliveiras, do preparo da polenta e do p\u00e3o, e at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de embutidos\u201d (DE RUGGIERO, 2018, p. 126). Podemos falar sobre uma esp\u00e9cie de \u201cknow-how\u201d italiano que se integra \u2014 transnacionalizando-se \u2014 para se adaptar as condi\u00e7\u00f5es que o local poderia oferecer (DE RUGGIERO, 2018). A manuten\u00e7\u00e3o e o respeito da t\u00e9cnica italiana na prepara\u00e7\u00e3o dos alimentos na regi\u00e3o receptora, tornou-se o principal ingrediente para refor\u00e7ar a liga\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o do produto, confeccionado seguindo rigidamente as \u201cnormas\u201d italianas que preservavam, de uma certa forma, a liga\u00e7\u00e3o transnacional com a It\u00e1lia, em um momento em que o pa\u00eds mediterr\u00e2neo come\u00e7ava a ser reconhecido como centro de uma cultura gastron\u00f4mica (DE RUGGIERO, 2015). Este \u201cmovimento\u201d pode ser percebido desde os primeiros relatos, durante o per\u00edodo chamado \u201cGrande Imigra\u00e7\u00e3o\u201d, que sugerem que como um processo de globaliza\u00e7\u00e3o, em que o cidad\u00e3o italiano, e europeu, se tornou cidad\u00e3o do mundo ao relacionar-se com perfis culturais diferentes e utilizou o alimento como integra\u00e7\u00e3o (MONTANARI, 2013). Edmondo De Amicis \u2014 escritor italiano \u2014 que relatou em alguns de seus escritos que imigrantes ao final do s\u00e9culo XIX desafiavam \u201cos controles das alf\u00e2ndegas portu\u00e1rias, para trazer consigo na viagem, seus produtos enogastron\u00f4micos, com a inten\u00e7\u00e3o de presentear os parentes que os esperavam do outro lado do oceano\u201d (DE RUGGIERO, 2018, p. 124).  <\/p>\n\n\n\n<p><strong> 2.2 A capital ga\u00facha, o com\u00e9rcio \u00e9tnico e os italianos <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> Para contextualizar a presen\u00e7a dos italianos \u00e9 interessante que durante a d\u00e9cada de 1920, Porto Alegre passou por uma evolu\u00e7\u00e3o nos meios de produ\u00e7\u00e3o, primeiramente dedicava-se a produ\u00e7\u00e3o de produtos de subsist\u00eancia que atingiu uma autossufici\u00eancia, sendo diversificada, mas sempre levando em considera\u00e7\u00e3o as necessidades de consumo da popula\u00e7\u00e3o local (SINGER, 1968). Na pesquisa de Singer (1968), foram elencados um total de 621 estabelecimentos; dentre eles, 144 dedicados \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de produtos aliment\u00edcios, 164 de vestu\u00e1rios, e o restante divididos entre categorias como: cer\u00e2mica, produtos qu\u00edmicos, metal\u00fargicos e materiais de transporte. Pensando em dois grupos muito pesquisados na historiografia ga\u00facha, italianos e alem\u00e3es, \u00e9 percebido que ambos dividiam o espa\u00e7o nos setores industriais dedicados a distribui\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de produtos aliment\u00edcios. Na Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Porto Alegre cerca de 40% dos membros eram teuto-brasileiros, sendo que apenas 17 de 327 membros eram italianos (MONTEIRO, 1995). Os alem\u00e3es se destacavam em cervejarias, metalurgia e curti\u00e7\u00e3o de couro (CONSTANTINO, 1990), enquanto que os italianos se dedicavam a pequenos e m\u00e9dios com\u00e9rcios, como a\u00e7ougues, confeitarias, sorveterias, e ainda em profiss\u00f5es liberais como alfaiates, sapateiros, marmoristas (Ibid, 1990).  <\/p>\n\n\n\n<p> O transnacionalismo e o \u201chibridismo\u201d culin\u00e1rio, como j\u00e1 salientado anteriormente, sofreu certa resist\u00eancia cultural nos principais centros urbanos envolvidos com o fen\u00f4meno imigrat\u00f3rio; s\u00e3o diversos os casos de empreendedores italianos que se afirmaram no com\u00e9rcio \u00e9tnico com a importa\u00e7\u00e3o de alimentos diretamente da pen\u00ednsula. Um exemplo disso \u00e9 na cidade de S\u00e3o Paulo que sofreu o surgimento de in\u00fameras casas \u201c\u00e9tnicas\u201d de importa\u00e7\u00e3o, tanto que muitos peninsulares constru\u00edram fortunas sustentados pelas propagandas dos jornais \u00e9tnicos que circulavam em grande quantidade, impondo costumes alimentares e valores culturais aos produtos genuinamente de proveni\u00eancia peninsular (DE RUGGIERO, 2018). Muitos empreendimentos se dedicavam \u00e0 venda de g\u00eaneros aliment\u00edcios que, agora, estavam sendo produzidos em grande escala e com m\u00e1quinas industriais, continuavam a remeter diretamente a sua origem caseira italiana ou colonial. Os descendentes procuravam comercializar e adaptar os produtos originalmente feitos nas cidades interioranas, ou importados diretamente da It\u00e1lia, como salame, queijos, vinhos e massas, para as grandes cidades. Apesar da perda do \u201cvalor\u201d simb\u00f3lico da genuidade italiana, se manteve a defini\u00e7\u00e3o do \u201ctipo italiano\u201d, para continuar a manter a afirma\u00e7\u00e3o de uma garantia de boa qualidade.  <\/p>\n\n\n\n<p> De forma sucinta, apresentarei agora, algumas das f\u00e1bricas e com\u00e9rcio, ligadas ao setor aliment\u00edcio, que estavam presentes no \u00e1lbum comemorativo. Elas s\u00e3o: Natale Grimaldi; Confeitaria Rocco; Vicente Monteggia; Dal Molin irm\u00e3os e Simon; A. Costi e filhos. Vicente Monteggia, nascido em Laveno, sul do Lago Maggiore, emigrou aos 21 anos e veio para o Brasil. Em Porto Alegre fundou uma col\u00f4nia chamada \u201cVilla Nova D\u2019Italia\u201d, onde trabalhavam trentinos e montavanos, e tinham como principal produ\u00e7\u00e3o um moinho, al\u00e9m do fornecimento de frutas ao mercado p\u00fablico municipal (BRUM, 2003, p. 184). A col\u00f4nia de Monteggia \u00e9 um \u00f3timo exemplo da constru\u00e7\u00e3o de redes de atra\u00e7\u00e3o de novos imigrantes durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. Quando trata-se de produtos importados e exportados, posso citar os grupos Dal Molin irm\u00e3os e Simon, e A. Costi e filhos. O primeiro grupo se dedicava na produ\u00e7\u00e3o de banha de porco, al\u00e9m de exportar para S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Esp\u00edrito Santo, Pernambuco e Par\u00e1 e tamb\u00e9m para o com\u00e9rcio interno produzia vinhos e cereais para Porto Alegre. J\u00e1 a segunda, tamb\u00e9m vendia banha de porco, produzida em v\u00e1rios pontos do estado ga\u00facho, de regi\u00e3o colonial italiana, Guapor\u00e9 e Taquari. Estes dois exemplos, apresentam a migra\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o colonial italiana para a capital ga\u00facha que depois se tornariam grandes suficientes para abarcar diversos p\u00fablicos. Temos tamb\u00e9m a f\u00e1brica de massas aliment\u00edcias de Natale Grimaldi, ela foi uma das mais importantes e tradicionais em Porto Alegre, conforme o almanaque \u201calbergues, restaurantes, institui\u00e7\u00f5es e hospitais recebem o fornecimento de massas, que \u00e9 reconhecida pela sua excel\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o.\u201d O fundador, Andrea Grimaldi, veio de Salermo em 1885, o \u00e1lbum relembra sua chegada \u201cpobre, mas disposto, dizia-se fabricante de massas aliment\u00edcias, demonstrando uma f\u00f3rmula simples, mas sempre com grandes habilidades e atividades surpreendentes\u201d5 . Em 1905, seu irm\u00e3o mais novo Natale Grimaldi assume a empresa e a transforma em uma das mais importantes empresas familiares italianas, ganhando uma s\u00e9rie de pr\u00eamios tanto no Brasil como na It\u00e1lia. E, outro personagem de relev\u00e2ncia citado no \u00e1lbum, A Confeitaria Rocco e seu dono Nicolau, vindo de uma pequena regi\u00e3o chamada Molise, viaja primeiramente a Buenos Aires e depois reemigra para Porto Alegre, onde permanece at\u00e9 sua morte em 1932. Ele come\u00e7ou com um pequeno e modesto neg\u00f3cio de doce chamada \u201cConfeitaria Sul Am\u00e9rica\u201d em 1892, mas \u00e9 com o crescimento da cidade optou a construir uma f\u00e1brica de doces, sal\u00e3o de festas e confeitaria. As caracter\u00edsticas de sua integra\u00e7\u00e3o com a sociedade italiana e a brasileira \u00e9 percebida a partir da realiza\u00e7\u00e3o de diversas festas ocorridas na sua confeitaria e a introdu\u00e7\u00e3o de doces ainda desconhecidos na capital ga\u00facha.  <\/p>\n\n\n\n<p><strong> 3 Conclus\u00e3o <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> A rela\u00e7\u00e3o entre a culin\u00e1ria e a identidade foi notada por jornalistas da \u00e9poca, como Francesco Bianco que ap\u00f3s uma visita ao Brasil em 1922 retratava que  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"> Conseguiram impor a pr\u00f3pria culin\u00e1ria, assumindo o dom\u00ednio dos gostos daqueles povos [&#8230;]. Existem aqui milh\u00f5es de compatriotas que comem com certeza de uma maneira bastante italiana. E os filhos desses italianos, os quais algumas vezes esquecem a p\u00e1-tria de seus pais, nunca se esquecem das cozinhas das suas m\u00e3es (BIANCO apud DE RUGGIERO, 2018, p. 126). <\/p>\n\n\n\n<p> Os descendentes apesar de desejarem um r\u00e1pido processo de integra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o renunciaram nas novas p\u00e1trias a chance de recriar alguns tra\u00e7os de suas mem\u00f3rias, tradi\u00e7\u00f5es e s\u00edmbolos. No que pertence \u00e0 gastronomia, pode-se afirmar que os italianos mantiveram sempre formas de \u201cresist\u00eancias\u201d mais evidentes do que em outros processos de \u201cmelting pot\u201d cultural.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"> \u201c[&#8230;] um extraordin\u00e1rio ve\u00edculo de autorrepresenta\u00e7\u00e3o [&#8230;] n\u00e3o apenas \u00e9 instrumento de identidade cultural, mas talvez seja o primeiro modo para entrar em contato com culturas diversas, j\u00e1 que consumir o alimento alheio parece mais f\u00e1cil \u2013 mesmo que apenas na apar\u00eancia \u2013 do que decodificar-lhe a l\u00edngua (MONTANARI, 2009, p. 11). <\/p>\n\n\n\n<p> A alimenta\u00e7\u00e3o faz parte da nossa cultura, identidade e \u00e9 um modo de representa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>*Doutoranda em Hist\u00f3ria no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da PUCRS, bolsista de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva CNPq. Mestra em Hist\u00f3ria pelo PPGH da PUCRS. Contato: fernanda.ambiedo@acad.pucrs.br <\/p>\n\n\n\n<p> Este trabalho foi apresentado no \u201cIII Semin\u00e1rio Estadual sobre Migra\u00e7\u00e3o e Ref\u00fagio: Novos Olhares em Pesquisa\u201d, em 06 de outubro de 2020, selecionado mediante submiss\u00e3o do resumo expandido conforme Edital organizado pelo NEPEMIGRA.<\/p>\n\n\n\n<p>Cr\u00e9dito da imagem:  <a href=\"https:\/\/www.oriundi.net\/imigracao-italiana-no-rio-grande-do-sul-comemora-142-anos\">https:\/\/www.oriundi.net\/imigracao-italiana-no-rio-grande-do-sul-comemora-142-anos<\/a> <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pol\u00edticas-p\u00fablicas-o-uso-de-recursos-\u00e9tnico-por-imigrantes.pdf\"><strong>ARTIGO COMPLETO EM PDF<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/grigs\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pol\u00edticas-p\u00fablicas-o-uso-de-recursos-\u00e9tnico-por-imigrantes.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Trentini Ambiedo* 1 Introdu\u00e7\u00e3o O ato de pesquisar a mobilidade humana dentro de uma perspectiva hist\u00f3rica metodol\u00f3gica nos prop\u00edcia buscar novas possibilidades de pensar a sociabilidade e a integra\u00e7\u00e3o entre nacionais e estrangeiros. 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