Reflexões Pertinentes Ao Estudo Da Intelectualidade: Retratando Dyonélio Machado
                                                Marines Dors 1
                                                          Mestranda em História/UNISINOS

Resumo:

Para o estudo dos intelectuais sugiro o uso de alguns preceitos de interpretação da Sociologia e Antropologia. Aponto como pertinente, no método da História Intelectual, uma abordagem sociopolítica, englobando conceitos como “rede de sociabilidade” e “campo intelectual”, formulados, respectivamente, por Sirinelli (1996) e Bourdieu (1992). Amparada também nas teorizações de Miceli (1977 e 1979) sobre o campo intelectual brasileiro, faço o exercício de esboçar a trajetória intelectual de Dyonélio Machado (1895-1985).
Palavras-chave: Intelectual – rede de sociabilidade – campo intelectual.

Abstract: In order for intellectual people on this study, I recommend the use of some precepts provided by the interpretation of Sociology and Anthropology. In the Intellectual History I point out a sociopolitical approach, as pertinent, including concepts, namely, “sociability network” and “intellectual field”, respectively, formulated by Sirinelli (1996) and Bourdieu (1992). Also supported in Miceli’s theorizations (1977 and 1979) on the Brazilian intellectual field, this paper makes an attempt to outline Dyonélio Machado’s (1895-1985) intellectual trajectory.
Key words: Intellectual - Sociability Network - Intellectual Field.

Sobre a História Intelectual

A História Intelectual por vezes, classificada como história das idéias, é uma área em formação, um domínio pluridisciplinar. Nela encontram-se objetos e métodos bastante diversificados, hesitando ora entre uma sociologia, uma história e até mesmo uma biografia dos intelectuais e, entre uma análise de obras e idéias. A História Intelectual e seu objeto de estudo foram, durante muito tempo, relegados ao “purgatório dos subobjetos da história” e, recentemente, mudaram de status nas representações coletivas: “... foi quando começou a ser desacralizado que o intelectual pôde se tornar um objeto da história sobre o qual o historiador não mais hesitou em lançar sua rede” (SIRINELLI, 1996: 240).
No estudo dos intelectuais, como adverte H. Rodrigues Silva, ao historiador compete buscar na Sociologia e Antropologia alguns preceitos de interpretação que permitem ultrapassar os limites de uma análise embasada apenas em termos políticos. Apontamos como pertinente uma abordagem sociopolítica, englobando conceitos como “rede de sociabilidade” e “campo intelectual”, formulado, respectivamente, por Sirinelli e Bourdieu.
Sirinelli (1996: 248) expõe que os grupos de intelectuais organizam-se em torno de uma sensibilidade ideológica ou cultural comum e de afinidades mais difusas, mas igualmente determinantes que fundam uma vontade e um gosto de conviver. A sociabilidade será aqui entendida, em equivalência ao artigo de Gomes (1993:64), “como um conjunto de formas de conviver com os pares, como um domínio intermediário entre a família e a comunidade cívica obrigatória”. Logo, as redes de sociabilidade são compreendidas como formando um grupo permanente ou temporário, qualquer que seja seu grau de institucionalização, no qual o indivíduo escolha participar.
É preciso acrescentar que a noção de sociabilidade está revestida de um duplo sentido. Um contido na idéia de rede, remete às estruturas organizacionais da sociabilidade através de múltiplas e diferentes formas que se alteram com o tempo, mas que tem como ponto nodal o fato de se constituírem nos loci de aprendizagem e trocas intelectuais; outro, secretado nas redes que estruturam as relações entre os intelectuais. O espaço da sociabilidade é “geográfico” e também “afetivo”, encontrando-se vínculos de amizade/cumplicidade e de hostilidade/rivalidade, conflito/competição, além da “marca de certa sensibilidade produzida e cimentada por evento, personalidade ou grupos sociais” (GOMES, 1993:65).
A noção de campo intelectual, inserida na formulação teórica mais geral é definida como um campo social como outro qualquer, em que existem lutas, estratégias, interesses e lucros, possuindo, obviamente, formas específicas. O campo intelectual está conexo a um campo político específico. Neste campo político, os sistemas de relações definem o estado do campo intelectual, através da formação de um sistema de posições estéticas e políticas dos intelectuais, estabelecidas a partir dos indivíduos e dos grupos e, reunidas num sistema de tomadas de posição concorrentes (BOURDIEU, 1992).
O conceito de campo intelectual é determinado pela sua posição relativa ao campo do poder, ao qual está adstrito, em que pese a sua autonomia, em virtude de sua função e estrutura. O campo intelectual é visto como sistema de posições predeterminadas abrangendo, assim como os postos de um mercado de trabalho, classes de agentes providos de propriedades de um tipo determinado. Para Bourdieu (1992: 192), os intelectuais são frações dominadas na classe dominante, com uma imagem confusa em função “da ambigüidade estrutural de sua posição na estrutura da classe dominante” e, isso ocorre tanto em relação à sua posição como à sua função. Eles mantêm relações com os burgueses e com o povo, atuando em virtude do mercado e, como vendedores de uma mercadoria.
Sobre os intelectuais – definições e engajamento

Said (2005: 27), alerta que em virtude da “profusão de estudos sobre intelectuais tem havido demasiadas definições do intelectual, e pouca atenção tem-se dado á imagem, às características pessoais, à intervenção efetiva e ao desempenho, que, juntos, constituem a própria força vital do verdadeiro intelectual”. Portanto, cremos que a definição do intelectual deve ser “de contornos fluídos e se transforma com o tempo indicando dificuldades que se traduzem na impossibilidade de uma definição rígida” (GOMES, 1993: 64). Chamamos intelectuais, de maneira genérica, a um “conjunto de sujeitos específicos, considerados como criadores, portadores, transmissores de idéias” (BOBBIO, 1997: 109).
Em A traição dos intelectuais, Julien Benda (1999) faz uma dura crítica a intelectuais que, ao final do século XIX, começaram a fazer o jogo das paixões políticas. Propondo-nos a compreender as palavras de Benda citamos a interpretação de Said (2005: 23), com a qual concordamos visto que o sentido do discurso combativo e da obra conservadora de Benda está marcado pela “figura do intelectual como um ser colocado à parte, alguém capaz de falar a verdade ao poder, um indivíduo ríspido, eloqüente, fantasticamente corajoso e revoltado, para quem nenhum poder do mundo é demasiado grande e impotente para ser criticado e questionado de forma incisiva”.
Mas “o intelectual isolado não existe. Ser um intelectual é pertencer conscientemente e de alguma maneira a coletividade dos pares: é ler os jornais, é estar a par dos debates, é fazer ouvir sua voz no ‘pequeno mundo’ dos intelectuais” (LECLERC, 2005: 73). Nessa acepção é alusiva a reprodução feita por Sirinelli (1996: 252) sobre as frases redigidas por Sartre no dia posterior a morte de Camus 2. Posto que, os intelectuais são grupos de características visivelmente delimitadas que se reconhecem entre si até mesmo quando se afrontam, falando uns com os outros até mesmo quando pretendem dirigir-se ao público (BOBBIO, 1997: 81). Assim, todo intelectual, como qualquer ser humano, é limitado por uma sociedade e, espera-se que seja ouvido e suscite debates e até controvérsias, já que todo intelectual tem sua audiência (SAID, 2005).
“A busca do reconhecimento como fenômeno interpessoal contribui para assegurar a mediação entre o individualismo do intelectual e o caráter coletivo da ação e da visibilidade dos intelectuais enquanto grupo para a sociedade global” (Leclerc, 2005: 70-71). A comunidade intelectual é composta, portanto, de redes de interconhecimento e ainda, de inter-reconhecimento.
Sirinelli (1996: 242) garante que se deve defender uma definição de intelectual de geometria variável, porém baseada em invariantes que desembocam em duas acepções de intelectual: uma ampla e sociocultural, e outra mais estreita, baseada na noção de engajamento. Esta segunda definição ampara-se na idéia de engajamento na vida da cidade, como ator, testemunha ou consciência. Nesta definição, é sublinhada sua “especialização” reconhecida pela sociedade em que vive – capaz de legitimar e até privilegiar sua intervenção no debate da cidade – especialização esta que o intelectual coloca a serviço da causa que defende.
Para Leclerc (2005: 97-98), existem algumas formas concretas de engajamento, a saber, a) a produção de textos engajados, polêmicos, na elaboração da obra e numa atividade profissional; b) a participação regular em manifestos e petições.
O engajamento e a vocação 3 aparentemente estão entrelaçados, de acordo com Said, o intelectual é o indivíduo dotado de uma vocação para a arte de representar, enunciar e articular uma mensagem, um ponto de vista, uma atitude, filosofia ou opinião para um público. E tal vocação adquire relevância a partir do momento que é reconhecida pelo público, englobando compromisso e risco, ousadia e vulnerabilidade (SAID, 2005: 25 e 27).

Ajustando a lente: constituição do campo intelectual Brasileiro e Rio-grandense

Durante a República Velha (1889-1930), desenvolveram-se condições sociais favoráveis à profissionalização do trabalho intelectual, inclusive na forma literária. Concomitantemente, constitui-se um campo intelectual relativamente autônomo, em decorrência, das exigências impostas pela diferenciação e sofisticação do trabalho de dominação. Miceli (1977: 14) adverte que, os pesquisadores, da intelectualidade brasileira, não devem expurgar esse momento de expansão do campo intelectual no Brasil, pois seria o mesmo que desconhecer as condições sócio-históricas em meio às quais se formou o campo intelectual atual.
Em complemento, o autor nos lembra de que neste período a vida intelectual era sobrepujada pela grande imprensa, compelindo os intelectuais a elaborar textos e obras seguindo os padrões da imprensa francesa. Notoriamente, com sua análise, Miceli (1977: 15) demonstra que o estudo do campo intelectual brasileiro, no seu período de formação, possibilita compreender as modalidades com que a produção literária contribui para o trabalho de dominação e captar alguns dos determinantes sociais da atividade intelectual.
Miceli dá continuidade a sua análise, em Intelectuais e classe dirigente no Brasil (1920-1945), abordando as relações entre os intelectuais e a classe dirigente no Brasil, bem como as estratégias utilizadas para alcançar as posições recém criadas, nos setores público e privado. Nesta conjuntura os intelectuais dependiam das redes de relações sociais e familiares. De acordo com Miceli: 1) os letrados têm origem oligárquica, mas a situação material familiar está em declínio, mantendo-os vinculados às classes dirigentes por meio de parentescos ou apadrinhamentos; 2) o ingresso nas carreiras intelectuais liga-se ou a trunfos resultantes da posição na linhagem ou de efeitos que provocam handicaps sociais, biológicos ou ainda estigmas corporais. Sendo assim, a probabilidade da reconversão, depende das possibilidades de fazer valer o capital de relações sociais por ser o único com que ainda podem contar para evitar um rebaixamento social. “O êxito relativo das famílias de ‘parentes pobres’ deve-se às estratégias de reconversão que coincidiram com um momento determinado de expansão do mercado de postos disponíveis que favoreceram seus interesses” (MICELI, 1977: 23).
Contudo, a partir de 1930, esses intelectuais devem ter outros distintivos, como diplomas que acentuam a concorrência no campo intelectual, à diferenciação e a hierarquização das posições internas em relação às origens sociais dos recrutados. Portanto, as opções que o mercado de trabalho apresentava eram: organizações partidárias e instituições culturais; o mercado do livro; e o serviço público.
A carreira de romancista foi consolidada nos anos 30, quando o desenvolvimento do mercado do livro se alicerçava na literatura de ficção. Às categorias de escritores que investiram nessa carreira, são: letrados da província; afastados dos centros de vida cultural e literária; autodidatas; sem recursos para se sobressair nos gêneros de maior prestígio como a poesia e a critica literária.
Por meio de suas generalizações, Miceli (1979), identifica as características sociais dos romancistas analisando a condição social dos personagens principais dos romances da década de 1930, percebendo que muitos retratam a própria ambigüidade da trajetória dos autores.
Encerrando as alusões aos textos de Miceli, que faz uso das memórias dos intelectuais, cabe a referência a notada impossibilidade de desvencilhamento das “leis inerentes à produção intelectual”, pois ele constata que alguns autores elaboram suas próprias memórias, visando promover uma autoconsagração; todavia, aos autores que se consagraram, há grande possibilidade de tornarem-se objeto de “culto póstumo através de biografias” (Miceli, 1979: xxiv-xxv).
Em relação ao contexto Rio-grandense – de 1920 até 1960 – Coradini (2003) explica que a função do intelectual está ligada ao processo de surgimento de projetos e do planejamento para o desenvolvimento nacional. Até 1930, no Rio Grande do Sul, intelectuais se aglutinavam em torno de jornais e revistas, como a Revista do Globo fundada em 1929.
Coradini esboça algumas considerações sobre a emergência dos intelectuais no Rio Grande do Sul, entre elas destacam-se: o reconhecimento das atividades intelectuais associadas ao jornalismo e a literatura, embora os intelectuais do período fossem profissionais liberais ou ocupantes de cargos públicos, também são engajados politicamente; a ausência de uma instituição pública de produção cultural, atividades culturais estavam vinculadas a igrejas e a instituições escolares com uma dimensão religiosa significativa notava-se também o contraponto ideológico positivista; as diferentes formas de associação entre conflitos políticos e instituições vinculadas à cultura.

Dyonélio Machado (1895-1985): Em foco trajetória de um intelectual riograndense

As considerações acima nos permitem focalizar Dyonélio Machado definindo-o como um membro da intelectualidade. Tal afirmativa pode ser justificada pelo fato de que o personagem foi criador e transmissor de idéias, inclusive pelo exercício da escrita, além de indivíduo engajado na vida da cidade, visivelmente, em todas as suas esferas de atuação. Portanto serão, aqui, brevemente, mencionadas as peculiaridades da trajetória deste intelectual.
Dyonélio Tubino Machado nasceu em Quaraí, em 21 de agosto de 1895. Seus pais foram Elvira Tubino Machado e Sílvio Rodrigues Machado. Órfão de pai ainda menino, precisou ajudar a mãe com as finanças, vendendo bilhetes de loteria, conforme narra em suas memórias, organizadas e publicadas postumamente.
Dyonélio Machado pode ser visto como um caso exemplar de “rejeição institucional” 4 e social. No âmbito político, por exemplo, esteve preso, inaugurou a Lei de Segurança Nacional. Já no que diz respeito à literatura, estreou no romance com Os Ratos, obra que lhe rendeu um prêmio, que, embora merecido, não lhe fora concedido integralmente 5.

Desde 1915 publicou ensaios, crônicas, contos, em jornais e revistas e livros na área de política, medicina e ficção, em plena vida e maturidade literária, chegou a passar 20 anos sem publicar. Seu primeiro livro de contos tinha o título Um pobre homem 6.
O escritor publicou suas obras com imensa dificuldade na década de 1970. Nos anos 80, voltou à obscuridade em que permaneceu até morrer, deixando textos inéditos. O aval da crítica reconhecendo a obra literária composta pelo escritor deu-se num contexto tardio, uma vez que permanecera na “marginalidade” literária durante quase toda a sua existência .7
Desde menino, Dyonélio redigiu artigos para periódicos, o primeiro, publicado em Quaraí, chama-se O Martelo. Publicou em revistas como: Máscara e Revista do Globo. Entre os jornais com os quais contribuiu, seja como editor, redator, entrevistado ou, assunto de matérias, estão: Tribuna, Tribuna Gaúcha, A Libertação (ligados ao Partido Comunista do Brasil – PCB, no RS), Diário de notícias, Correio do Povo, Jornal do Brasil, Jornal do Comércio, Movimento, Razão, Jornal da Sociedade de Psiquiatria do RS e Zero Hora.
Merece consideração, igualmente, a trajetória política, iniciada na década de 1920 no Partido Republicano Rio-Grandense – PRR. Porém, no ano de 1934, Dyonélio ingressou no PCB para “não mais sair”8.
Foi eleito para presidente suprapartidário da Aliança Nacional Libertadora – ANL, seção RS, instalada no dia 5 de julho de 1935, no Teatro São Pedro. Participou e leu o manifesto no Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, que ocorrido em 1945, no Teatro Municipal de São Paulo, quando: “Foi a primeira vez que se furou a censura do DIP9, contra a opressão do fascismo”.10 Em 1947, foi eleito Deputado Constituinte à Assembléia Legislativa do Estado, com 1.876 votos. Dyonélio, inicialmente, elegeu-se como suplente; tornou-se o líder da bancada comunista. No entanto, aproximadamente um ano depois, o partido foi posto na ilegalidade e os mandatos da maior bancada comunista da história do RS foram cassados.
Dyonélio faleceu em 19 de junho de 1985, em Porto Alegre11. Cinco dias após sua morte, a família recebeu a notícia de que o escritor fora agraciado pelo governo francês com a comenda Ordre des Arts et des Lettres, entregue a Adalgiza Machado, sua esposa.
No ano de 1995, foram proferidos, na Assembléia Legislativa do Estado do RS e na Câmara de Vereadores de Porto Alegre discursos homenageando o centenário de nascimento do intelectual12. Assim, por meio de prêmios, publicações científicas, artigos em periódicos, pronunciamentos do poder legislativo e, reedição de obras, chega o reconhecimento ao intelectual, mesmo que tardio.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BOURDIEU, Pierre. “Campo do poder, campo intelectual e habitus de classe”. In: BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1982. Pp.183-202.

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CORADINI, Odaci Luiz “As missões da ‘cultura’ e da ‘política’: confrontos e reconversão das elites culturais e políticas no Rio grande do Sul (1920-1960)”. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, no 32, 2003. Pp.125-144.

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GOMES, Ângela de Castro. Capanema: O ministro e seu ministério. Rio de Janeiro: FGV, 2000.

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LECLERC, Gérard. Sociologia dos intelectuais. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2005.

MARÇAL, João Batista. Comunistas Gaúchos: a vida de 31 militantes da classe operária. Porto Alegre: Tchê, 1986.Pp.75-81.

MICELI, Sérgio. Poder, sexo e Letras na República Velha (estudo clínico dos anatolianos). São Paulo: Perspectiva, 1977.

___ . Intelectuais e classe dirigente no Brasil (1930-1945). São Paulo: Difel, 1979.

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SIRINELLI, Jean-François. “Os intelectuais”. In: RÉMOND, René (org.) Por uma história política. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996. Pp.231-269.



NOTAS

  1. Mestranda em História/ UNISINOS, Licenciada em História/ UPF e professora da rede municipal de ensino de Passo Fundo. Contato: marimaisdors@zipmail.com.br
  2. “Estávamos brigados, ele e eu: uma briga não é nada – mesmo que não se veja nunca mais o outro –, apenas uma outra maneira de viver junto e sem se perder de vista no pequeno mundo estreito que nos foi dado. Isto não me impedia de pensar nele, de sentir seu olhar na página do livro, no jornal que ele lia, e de me dizer: ‘Que será que ele diz disso? Que será que ele está dizendo disso neste momento? ’” (Sartre apud SIRINELLI, 1996: 252).
  3. A vocação é classificada como o sentimento íntimo e profundo de uma missão a cumprir, a serviço da coletividade para o bem dos indivíduos e da humanidade, informa Leclerc (2005: 19).
  4. A expressão é empregada por Grawunder, 1997.
  5. Dyonelio escreveu a obra em vinte noites. Contudo, afirmou ter pensado nela durante nove anos. O romance foi escrito em dezembro de 1934, concorreu ao Prêmio Machado de Assis, do qual foi o vencedor. A comissão julgadora e a editora decidiram reunir os demais lugares ao primeiro prêmio, contemplando, assim, além de Dyonelio, Érico Veríssimo, Marques Rebelo e João Alphonsus (Grawunder, 1995).
  6. Referencias completas da obra do intelectual:
    MACHADO, Dyonelio. Política contemporânea: três aspectos. Porto Alegre: Barcellos, Bertaso & Cia., 1923.
    ___. Um pobre homem. Porto Alegre: Globo, 1927.
    ___. Uma definição biológica do crime. Porto Alegre: Globo, 1933.
    ___. Os ratos. 4 ed. Porto Alegre: Bels, 1973.
    ___. Eletroencefalografia. Porto Alegre: Globo, 1944.
    ___. Desolação. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1944.
    ___ . Os fundamentos econômicos do regionalismo. Revista Província de São Pedro. Porto Alegre: 1(2), 1945.
    ___. O louco do Cati. 4 ed. São Paulo: Ática, 1984.
    ___. Prodígios. São Paulo: Moderna, 1980.
    ___. Endiabrados. São Paulo: Ática, 1980.
    ___. Nuanças. Porto Alegre: Moderna, 1981.
    ___. Sol subterrâneo. Porto alegre: Moderna, 1981.
    ___. Ele vem do fundão. Porto Alegre: Ática, 1982.
    ___. Fada. Porto Alegre: Moderna, 1982.
    ___. Deuses Econômicos. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Leitura S.A., s/data.
    ___. Passos Perdidos. Porto Alegre: Moderna, 1982.
    ___. Memórias de um pobre homem. Porto Alegre: IEL, 1990.
    ___. “Neurose Traumática”. In: Arquivos do Departamento Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul. V.4, 1943.
  7. No artigo publicado pela Revista ZH, do jornal Zero Hora, em 19/08/1979, p. 14, Danilo Ucha reflete sobre as censuras enfrentadas por Dyonelio: “... uma oficial em decorrência de nunca ter escondido suas idéias marxistas e de ter estado preso... e, uma especial, criada só para ele, no meio editorial e intelectual...”. Logo adiante, ressalta a idéia da marginalidade literária: “O fato de ter sido marginalizado por editores e pelo mundo acadêmico e intelectual das décadas de 40 e 50 por suas posições ideológicas é que teria levado Dyonelio Machado ao comportamento de hoje... deve ter contribuído para que o escritor criasse uma terceira censura, a auto-censura, que o leva a dizer que possui vários livros prontos, na gaveta, mas não entrega nenhum aos editores...”
  8. A continuação da citação é interessante: “com três livros publicados, jornalista, escritor e médico de renome, na casa dos quarenta anos, com tudo para acomodar-se, Dionélio se joga na militância revolucionária”.(MARÇAL, 1986: 78-79).
  9. Departamento de Imprensa e Propaganda.
  10. Movimento, 24/11/1975, p.17.
  11. Pronunciamento da vereadora Maria do Rosário na Câmara de Vereadores de POA, em homenagem ao centenário de Dyonélio Machado, 10 de agosto de 1995.
  12. Ver Anais da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, 76ª Sessão Ordinária, realizada em 30 de agosto de 1995.