VENTANIA, LOUCURA E INSPIRAÇÃO: A VIDA SENSÍVEL DE VINCENT VAN GOGH
                                                NÁDIA MARIA WEBER SANTOS
                                                          
Médica, psiquiatra, Doutora em História pela UFRGS
RESUMO:
Sob o foco de pressupostos da História Cultural (representações simbólicas, sensibilidades de uma época), apresento o início de uma pesquisa sobre a trajetória de vida de Vincent van Gogh (1853-1890) e a “loucura” que o acometeu. Com um material recolhido em museus de Paris (Musée Zadkine) e Auvers-sur-Oise (cidade onde ele passou os últimos 70 dias de sua vida, pintou mais de 76 obras e suicidou-se), cotejado com sua correspondência completa, discuto questões pertinentes à sua vida psicológica e à sua inserção no mundo das artes, o qual estava em plena efervescência nos países em que freqüentou (Holanda, Inglaterra, Bélgica e França), naquelas décadas finais do século XIX. Seu irmão Théo, interlocutor constante, teve um papel definitivo em sua vida, afetiva e artística, e escrevia, em janeiro de 1889:“sua mente tem estado ocupada há muito tempo com problemas insolúveis da sociedade moderna, e ele ainda está lutando contra isso com seu bom coração e bondade. Seus esforços não foram em vão, mas provavelmente não viverá para vê-los frutificar e quando as pessoas entenderem o que ele disse em suas pinturas, será muito tarde.” Poucos contemporâneos seus, também desestabilizados pelo fim da tradição comunitária e a emergência do indivíduo solitário burguês, o compreenderam, levando-o a sentir-se cada vez mais excluído. Porém, o “espaço crítico” da doença, revelado em extremo em suas atitudes de auto-mutilação, jamais surgiu em sua obra: lucidez e criatividade são marcos de sua narrativa, tanto escrita quanto imagética.



