Os Répteis

Nas classificações modernas, os répteis não têm sido mais agrupados em uma classe Reptilia, devido ao posicionamento filogenético das Aves. Contudo, por tradição acadêmica, o grupo ainda é informalmente reconhecido. Os répteis, como tradicionalmente reconhecidos, formam um agrupamento heterogêneo de tetrápodes amniotas ectotérmicos que inclui três linhagens principais, os Testudines (cágados, tartarugas e jabutís), os Squamata (lagartos, serpentes e cobras-cegas) e os Crocodilianos (jacarés, crocodilos e gaviais). Os Rhynchocephalia (tuataras) correspondem a uma quarta linhagem, proximamente relacionada aos Squamata, e estão representados atualmente por apenas uma espécie endêmica da Nova Zelândia. Os répteis correspondem ao segundo maior grupo de tetrápodes atuais, com 10793 espécies, sendo que a grande maioria das espécies pertence ao grupo dos Squamata (10417 sp.), com quelônios (351 sp.) e crocodilianos (24 sp.) representando uma parcela significativamente menor desta diversidade (Reptile-Database 2019). O Brasil possui a terceira maior riqueza mundial de répteis, com 795 espécies registradas até o momento. No Rio Grande do Sul, são conhecidas cerca de 120 espécies de répteis.

Diversidade Global de Vertebrados (atualizada em Junho de 2019)

Os répteis estão amplamente distribuídos no planeta, ocorrendo representantes em quase todos os ecossistemas continentais e algumas espécies, como iguanas, serpentes e tartarugas habitam, também, ecossistemas marinhos. Apesar da grande importância ecológica nos ecossistemas que ocupam, os répteis ainda despertam pouco interesse popular no que concerne à sua conservação, em grande parte, devido ao medo que a maioria das pessoas tem em relação a estes animais. As serpentes peçonhentas são certamente a principal causa deste medo generalizado. Contudo, apesar de potencialmente perigosas, as serpentes que possuem toxinas letais correspondem a uma pequena parcela da diversidade conhecida.

As ameaças a conservação dos répteis têm crescido, principalmente, como reflexo da destruição de seus habitats. Em termos mundiais, hoje são reconhecidas cerca de 1311 espécies de répteis em alguma categoria de ameaça (IUCN, 2019). No Brasil, 85 espécies são oficialmente reconhecidas como ameaçadas (ICMBio, 2014). No Rio Grande do Sul, 17 espécies continentais de serpentes e lagartos estão oficialmente ameaçadas, além das cinco espécies de tartarugas marinhas

Foto MBMartins