{"id":408,"date":"2020-06-10T12:55:15","date_gmt":"2020-06-10T15:55:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/historiasepraticasartisticas\/?p=408"},"modified":"2020-06-10T13:24:34","modified_gmt":"2020-06-10T16:24:34","slug":"texto-de-aline-nunes-dra-em-arte-e-cultura-visual-ppgacv-fav-ufg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/historiasepraticasartisticas\/2020\/06\/10\/texto-de-aline-nunes-dra-em-arte-e-cultura-visual-ppgacv-fav-ufg\/","title":{"rendered":"Texto de Aline Nunes                          (Dr\u00aa em Arte e Cultura Visual &#8211; PPGACV\/ FAV\/ UFG)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para criar praias e paisagens<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de pandemia, quando a inquietude e, sobretudo, os processos de isolamento nos for\u00e7am a repensar as estruturas sociais, que caminhos, modos ou, que poss\u00edveis t\u00eam nos auxiliado a um acercamento de n\u00f3s mesmos?<\/p>\n<p>Que coragem tem se feito presente, ainda que de modo t\u00edmido, para que possamos olhar para aquilo que nos habita e nutre e, assim, fortalece nossa for\u00e7a vital, quando tudo parece se esvaziar?<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, pesquisando sobre a tem\u00e1tica dos Estudos Narrativos, em especial sobre autoetnografia e autobiografia, muitos t\u00eam sido os encontros com refer\u00eancias de diferentes ordens que me auxiliam no processo de pensar, conhecer e produzir a partir dessa abordagem. A Narrativa, enquanto caminho metodol\u00f3gico, contribui para conhecermos aquilo que conforma nossos mundos, nos torna singulares, ou seja, aquilo que est\u00e1 presentificado em nossas hist\u00f3rias, nossas escolhas, nossos trejeitos. No campo da Arte e da Educa\u00e7\u00e3o das Artes Visuais, a Abordagem Narrativa opera como uma possibilidade de conhecermos mais profundamente sobre nossas pr\u00f3prias refer\u00eancias, sobre o que nos alimenta, sobre o que nos injeta algum tipo de vigor e paix\u00e3o, e, assim, sermos subjetivados.<\/p>\n<p>Motivada pelo desejo de compartilhar os meus objetos de apre\u00e7o, seleciono \u201cAs Praias de Agn\u00e8s\u201d, da cineasta Agn\u00e8s Varda. Esta tem sido uma refer\u00eancia central em meu trabalho como professora e pesquisadora da UFRGS e que, a meu ver, pode contribuir para ensaiarmos com nossas imagens, para buscarmos e inventarmos caminhos po\u00e9ticos a partir delas, compondo junto \u00e0s nossas biografias.<\/p>\n<p>Entre tantas passagens destac\u00e1veis, cuja eloqu\u00eancia das falas poderiam formar um grande compilado sobre como elevar a vida, em suas mis\u00e9rias e belezas, em sua m\u00e1xima pot\u00eancia, no document\u00e1rio, Agn\u00e8s fala: \u201cSe abr\u00edssemos as pessoas, encontrar\u00edamos paisagens. Mas se abrissem a mim, encontrariam praias\u201d. No ir e vir do mar, refletido em v\u00e1rios espelhos dispostos na areia da praia, a cineasta vai decupando suas imagens, suas mem\u00f3rias, as hist\u00f3rias das pessoas que atravessaram sua vida e, assim, vai dando sentindo \u00e0 in\u00fameras passagens de seus filmes, entrecruzadas ao seu passado.<\/p>\n<p>Neste processo de acercarmo-nos de n\u00f3s mesmos, deixo aqui tamb\u00e9m o convite: \u201cSe te abrissem, o que veriam?\u201d Que afetos e que mat\u00e9rias surgiriam, potentes para inventar e experimentar a cria\u00e7\u00e3o de outras praias, imagens e de outras paisagens nestes tempos?<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>AS PRAIAS de Agn\u00e8s (Les Plages d\u2019 Agn\u00e8s). Dire\u00e7\u00e3o de Agn\u00e8s Varda. Paris: Cin\u00e9 Tamaris; Arte France Cin\u00e9ma; Canal+, 2008. DVD<\/p>\n<p>NUNES, Aline. Sobre mudar de paisagens, sobre mirar com outros olhos: narrativas sobre deslocamentos territoriais. Tese de doutorado. Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Arte e Cultura Visual (PPGACV-UFG). Universidade Federal de Goi\u00e1s, 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para criar praias e paisagens Em tempos de pandemia, quando a inquietude e, sobretudo, os processos de isolamento nos for\u00e7am a repensar as estruturas sociais, que caminhos, modos ou, que poss\u00edveis t\u00eam nos auxiliado a um acercamento de n\u00f3s mesmos? Que coragem tem se feito presente, ainda que de modo t\u00edmido, para que possamos olhar para aquilo que nos habita e nutre e, assim, fortalece nossa for\u00e7a vital, quando tudo parece se esvaziar? H\u00e1 alguns anos, pesquisando sobre a tem\u00e1tica dos Estudos Narrativos, em especial sobre autoetnografia e autobiografia, muitos t\u00eam sido os encontros com refer\u00eancias de diferentes ordens que me auxiliam no processo de pensar, conhecer e produzir a partir dessa abordagem. A Narrativa, enquanto caminho metodol\u00f3gico, contribui para conhecermos aquilo que conforma nossos mundos, nos torna singulares, ou seja, aquilo que est\u00e1 presentificado em nossas hist\u00f3rias, nossas escolhas, nossos trejeitos. No campo da Arte e da Educa\u00e7\u00e3o das Artes Visuais, a Abordagem Narrativa opera como uma possibilidade de conhecermos mais profundamente sobre nossas pr\u00f3prias refer\u00eancias, sobre o que nos alimenta, sobre o que nos injeta algum tipo de vigor e paix\u00e3o, e, assim, sermos subjetivados. Motivada pelo desejo de compartilhar os meus objetos de apre\u00e7o, seleciono \u201cAs Praias de Agn\u00e8s\u201d, da cineasta Agn\u00e8s Varda. Esta tem sido uma refer\u00eancia central em meu trabalho como professora e pesquisadora da UFRGS e que, a meu ver, pode contribuir para ensaiarmos com nossas imagens, para buscarmos e inventarmos caminhos po\u00e9ticos a partir delas, compondo junto \u00e0s nossas biografias. Entre tantas passagens destac\u00e1veis, cuja eloqu\u00eancia das falas poderiam formar um grande compilado sobre como elevar a vida, em suas mis\u00e9rias e belezas, em sua m\u00e1xima pot\u00eancia, no document\u00e1rio, Agn\u00e8s fala: \u201cSe abr\u00edssemos as pessoas, encontrar\u00edamos paisagens. Mas se abrissem a mim, encontrariam praias\u201d. No ir e vir do mar, refletido em v\u00e1rios espelhos dispostos na areia da praia, a cineasta vai decupando suas imagens, suas mem\u00f3rias, as hist\u00f3rias das pessoas que atravessaram sua vida e, assim, vai dando sentindo \u00e0 in\u00fameras passagens de seus filmes, entrecruzadas ao seu passado. Neste processo de acercarmo-nos de n\u00f3s mesmos, deixo aqui tamb\u00e9m o convite: \u201cSe te abrissem, o que veriam?\u201d Que afetos e que mat\u00e9rias surgiriam, potentes para inventar e experimentar a cria\u00e7\u00e3o de outras praias, imagens e de outras paisagens nestes tempos? Refer\u00eancias: AS PRAIAS de Agn\u00e8s (Les Plages d\u2019 Agn\u00e8s). Dire\u00e7\u00e3o de Agn\u00e8s Varda. Paris: Cin\u00e9 Tamaris; Arte France Cin\u00e9ma; Canal+, 2008. DVD NUNES, Aline. Sobre mudar de paisagens, sobre mirar com outros olhos: narrativas sobre deslocamentos territoriais. Tese de doutorado. Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Arte e Cultura Visual (PPGACV-UFG). 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