Minha educação foi militar: como é o ensino no polêmico modelo defendido pelo Governo Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que estimula a adoção do modelo militar de gestão escolar logo no segundo dia de seu governo, em janeiro; opinião de ex-alunos é controversa.

Arthur Ruschel

O relógio marca 9h20min de uma manhã em Porto Alegre. O corpo de alunos dos segundos e terceiros anos entra no estádio ao som da banda do colégio. Todos enfileirados, marchando, erguendo os braços até a altura do peito; pernas acompanhando o ritmo de parábola. Uniformes brancos, calças ou saias azuis.

Postados. Tudo pronto para a entrada dos novos alunos. Eles entram. Cerca de 90 jovens, meninos com a cabeça raspada, meninas com cabelos amarrados, ao som de cânticos que não são compreensíveis para quem está na arquibancada. Eles param. Estão postados ao centro do estádio. De um lado, a bandeira do Rio Grande do Sul  sobre uma goleira. Do outro, a do Brasil, em frente a uma torre de treinamentos com as palavras “garra, fibra e determinação”. Todos em posição de sentido, fitados pelos olhares atentos de familiares, amigos e oficiais. Aplausos? São permitidos só após o grito de guerra do colégio, entoado a todo pulmão.

Já deu para perceber que não se trata de uma cerimônia de uma escola qualquer. O ritual é tradição em colégios que adotam o modelo de gestão cívico-militar, considerado a “cereja no bolo” do projeto de educação proposto pelo presidente Jair Bolsonaro, egresso do Exército Brasileiro.

O cerimonial durante o rito de chegada dos novos alunos é regrado e disciplinado. O primeiro a receber a boina azul é o mais bem ranqueado na prova de admissão. Em seguida, os outros recebem das mãos de familiares a marca registrada da chamada “Formatura de Boinas”. 

Um pai que está na arquibancada saca o binóculo à procura do filho. Outros dois conversam sobre um suposto acontecimento de 1964 que culminou no chamado “regime desenvolvimentista”. Passadas as honrarias, os novos alunos são incorporados ao corpo de estudantes. Marcham ao redor do estádio ao som de aplausos e de trombetas que marcam o passo. Antes disso, prometem, em tom de juramento oficial em frente ao estandarte do colégio, que, a partir de agora, fazem parte da instituição.

O modelo existe desde a formação do Brasil Império (Século 19), mas voltou a chamar a atenção desde a campanha eleitoral de 2018, quando Bolsonaro passou a defendê-lo como parte da solução para os problemas da educação no país. O portal Humanista foi atrás de especialistas e ex-alunos que tiveram esse tipo de formação para tentar entender a proposta. Descobriu que a adoção do modelo ainda é uma incógnita. O governo federal fala em adesão, mas não explica como as secretarias estaduais informariam aos alunos que deverão usar a farda, por exemplo. Diante de todas as incertezas que o MEC (Ministério da Educação) provocou desde o início do ano – passando pela substituição do ministro Ricardo Vélez Rodrigues por Abraham Weintraub – resta saber se a proposta ainda é prioridade.

 

A proposta 
Ex-ministro Ricardo Vélez Rodrigues. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Tudo começou oficialmente em 2 de janeiro, logo no início do Governo Bolsonaro, quando o MEC (Ministério da Educação) publicou o decreto Nº 9.465. Assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodriguez, o texto fomenta a criação de escolas cívico-militares.

Em seu plano de governo, Bolsonaro já planejava colocar “um colégio militar em todas as capitais de Estado”. Já o ex-ministro Ricardo Vélez Rodrigues afirmou, durante o lançamento do decreto de 2 de janeiro, que a transformação ao modelo seria rentável para os cofres do governo. 

De acordo com o jornal O Estado de S.Paulo, o Exército gasta, anualmente, R$ 19 mil com cada estudante nas 13 escolas existentes. Por ano, o setor público investe, em média, R$ 6 mil por aluno do ensino básico. Se todos os estudantes, de 11 a 17 anos, estivessem matriculados em escolas militares, seriam necessários R$ 320 bilhões por ano, o triplo do orçamento total do MEC atualmente. O montante para se concretizar o que o presidente prometeu – um colégio militar em cada Capital –, representaria mais do que foi usado pelo MEC para a formação de professores no país em 2017 (R$ 200 milhões).

Segundo o decreto, o objetivo do governo consiste em acompanhar e avaliar, por meio de parcerias, a “adoção por adesão do modelo de escolas cívico-militares nos sistemas de ensino municipais, estaduais e distrital, tendo como base a gestão administrativa, educacional e didático pedagógica adotada por colégios militares do Exército, Polícias e Bombeiros Militares”.

Como mecanismo de facilitação para a implementação do modelo, o MEC criou a Secim (Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares, que, atualmente, é comandada pela tenente-coronel Márcia Amarílio da Cunha Silva, do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Em linhas gerais, o órgão é encarregado de “propor e desenvolver um modelo de escola de alto nível, com base nos padrões de ensino e modelos pedagógicos empregados nos colégios militares do Exército, das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, para os ensinos fundamental e médio”.

O texto não é claro em relação ao processo de “adesão”. De acordo com o MEC, a implementação depende das secretarias estaduais, que devem procurar o ministério e apontar quais escolas poderiam receber o projeto. Há dois tipos  de escolas militares no Brasil: as geridas pelos Bombeiros e pela BM (Brigada Militar); e as administradas pelo Exército. Nas primeiras, a gestão fica a cargo da corporação, mas os professores seguem sendo subordinados à Secretaria Estadual de Educação, com ingresso por meio de concurso. Na segunda, o colégio responde às Forças Armadas.

Para auxiliar na ambientação dos militares destacados para as instituições, assim como professores e diretores, a Secim promete disponibilizar cursos para adequar o colégio ao projeto. “O conteúdo que é aplicado a essas escolas cívico-militares é voltado ao civismo, ao patriotismo, à hierarquia, à disciplina”, explica a subsecretária Márcia Amarílio, em vídeo publicado pelo MEC a 4 de abril de 2019.  “Acreditamos que esse modelo – o de educar com esses valores – faz com que o cidadão passe a ter consciência do seu papel dentro da sociedade. E é isso que faz mudar uma nação.”

 

E o desempenho?

Em reportagem publicada em fevereiro de 2019, a Folha de S.Paulo revela que o desempenho das escolas militares é compatível com o de outras instituições de perfil semelhante – que tenham algum tipo de seleção, mas sem a rigidez militar. O jornal cruzou dados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 por escola e separou as unidades por perfil socioeconômico, que entre os alunos dos colégios militares configuram os níveis mais altos.

Os institutos federais de Ensino Médio, que enfrentam corte de verbas e constantes problemas de infraestrutura, têm média superior à das ligadas à BM. A média dessas instituições, que apresentam estudantes de nível socioeconômico médio, é de 557 pontos, enquanto as escolas estaduais ligadas ao modelo cívico-militar aparecem com 524,6. Já as da rede pública não militares atingiram uma média de pontos de 498,9, de acordo com a Folha.

Os alunos de colégios ligados às Forças Armadas apresentam um nível socioeconômico “muito alto”, segundo o MEC. Apenas 3% dos estudantes brasileiros estão inseridos neste grupo. E não é de hoje que educadores afirmam que a classe socioeconômica é, sim, um fator para aprendizagem, considerando as influências que o jovem recebe e suas condições de vida.

 

A opinião de quem conhece

 

“Me tornei mais responsável” 

 

A jornalista Amanda Hamermüller, 22 anos, cogitou ingressar  em um colégio que seguia o método militar quando estava na oitava série do Ensino Fundamental, em 2010. Incentivada pelo pai, ex-militar, decidiu realizar a prova de admissão para uma escola gerida pela BM no Rio Grande do Sul. “No início, fiquei meio assim. Não queria sair da minha zona de conforto, mas pensei no meu futuro”, conta.

Como todo o colégio público, as escolas geridas pela BM são subordinadas à Seduc (Secretaria de Educação) e seguem as orientações do MEC a partir da Base Nacional Comum Curricular. Os professores são direcionados pelo Estado e todos são civis. Segundo Amanda, o primeiro “baque” foi descobrir que as pessoas faziam cursinho para entrar na instituição. Como auxílio, a estudante frequentava aulas de uma professora particular para se preparar para o exame.

Ao todo, a admissão se dividia em três etapas: exame intelectual (prova de português e matemática, ambas com 25 questões), exame médico e exame físico. À época, o edital previa 36 vagas à comunidade em geral, os chamados civis, e 54 vagas destinadas aos filhos de membros da BM.

“Para o exame físico, minha mãe saía a correr comigo. Mais na ‘finaleira’, meu ‘dindo’, que é militar, me ajudou. Estava com medo de não fazer o percurso no tempo certo, mas, no dia, cravei em  nove minutos.” O percurso mencionado pela ex-aluna se refere a uma das provas do exame físico. Cada candidato deveria percorrer um determinado trajeto em até 12 minutos – 1,6 mil metros para as meninas e 2 mil para os meninos. Flexões e abdominais também estavam incluídos no pacote para quem queria entrar no Ensino Médio. Amanda cumpriu todos os requisitos.  

A ex-aluna relata que, às 7h15min, os estudantes já deveriam estar em forma no pátio. Na primeira semana, os recém chegados eram recepcionados por alunos do terceiro ano do Ensino Médio, que repassavam orientações sobre a rotina do Tiradentes. Entre as regras: como entrar em forma, como marchar, como formar pelotões e como deveria estar a farda. ““Sempre foram [alunos] atenciosos. Não era aquela coisa de um treinamento militar. Não tinha nada agressivo. Como era um lugar onde as pessoas queriam estar, era mais tranquilo de aprender.”

De acordo com Amanda, os estudantes dividiam-se em duas companhias (uma masculina e outra feminina). Cada uma era dividida em três pelotões que possuíam o seu comandante. À frente das companhias, estava o chamado “aluno disciplina”, que apresenta a tropa aos superiores, oficiais da BM. “Cada aluno entra com sete pontos disciplinares. O que regula essa pontuação são as ações dele dentro do colégio”, explica a jornalista sobre o aluno disciplina.

Perfilados, os pelotões eram revistados para checar se tudo estava de acordo com os padrões. Entre as regras, Amanda cita o fardamento em estado impecável, os cabelos cortados, a barba feita, o coque bem preso, “sem deixar um fio solto”. “O pessoal passava o dedo pelos cabelos dos meninos para ver se estava no tamanho certo (dois dedos), passava a mão no rosto para sentir se a barba estava áspera. As meninas não podiam deixar as unhas passar da ponta dos dedos. Tudo contava pontos de disciplina.”

Após a apresentação da tropa, as aulas se iniciavam,  das 7h30min às 12h. Duas vezes por semana, havia aula à tarde. “Era como qualquer outra escola. A única diferença era que, quando o professor entrava, o chefe da turma deveria nos colocar em posição de sentido e nos apresentar  para o professor.”

Amanda Hamermüller, 22 anos, ex-aluna. Foto: Arquivo pessoal.

Amanda define o período que esteve no Tiradentes, de 2011 a 2013, como “positivo”. Para ela, a disciplina e o tratamento igualitário são as maiores marcas do colégio. “Quando entrei, não havia diferenciação. Todos usavam a mesma roupa e eram tratados da mesma forma. A disciplina me ajudou a organizar os horários, a priorizar coisas. Me tornei mais responsável”, justifica.

Sobre o modelo ser seguido em outras escolas, Amanda é enfática: nada deve ser imposto. “O modelo é benéfico, mas deve ser opcional. Existem perfis de pessoas. Às vezes, a potencialidade de cada um não é explorada em um método como esse. Entendíamos que era uma questão de contexto, estávamos ali porque queríamos”, defende a ex-aluna.

 

“Tinha de saber organizar tudo isso para não surtar”

 

“Minha mãe sempre dizia que  não ia me dar bem naquele colégio. Sempre fui muito de ter opinião e manifestar a minha opinião; e isso não poderia acontecer lá dentro”, lembra Stéfani Fontanive, 20 anos, estudante do curso de jornalismo da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Indiferente ao alerta, a vontade da garota, então com 14 anos, era ingressar no recém inaugurado colégio da BM na cidade dela – no interior do Estado.

“Fui eu que escolhi. Estava atrás de um ensino de qualidade e achava que, se tivesse essa disciplina, os professores conseguiriam oferece um ensino melhor”, afirma a estudante, que contou sua experiência em texto publicado em março pelo The Intercept BrasilSegundo a jovem, à época egressa de um colégio particular, o que motivou a troca de rede escolar foi a falta de incentivo aos alunos e seus projetos. Stéfani já pensava em seu futuro e qual faculdade fazer.

O processo de admissão foi o mesmo de Amanda. Havia três etapas, divididas em exame intelectual, médico e físico. Stéfani concorria a uma das 40 vagas destinadas a civis. “No dia do exame físico, todos os alunos do Tiradentes estão lá. Ficam gritando coisas positivas e, às vezes, nem tanto. Gritavam muito.” Aprovada, entrou na instituição em 2013, onde permaneceu até 2015. A primeira semana como aluna iniciante é apenas de aprendizado. Como ainda não havia uma turma de terceiro ano, a recepção, onde os estudantes aprendem as normas do colégio (fardamento, marchas, formação de pelotões), ficou a cargo dos alunos do segundo ano.

“Depois que tu ‘pega’ o jeito, fica bem divertido”, comenta Stéfani, que acrescenta: “Muita gente desiste nos primeiros meses por entender que não é aquilo que quer”. As aulas tinham início às 7h30min, mas antes, às 7h15min, era preciso que o corpo de estudantes se apresentasse aos superiores. Divididos em duas companhias, cada uma com dois pelotões, os alunos se perfilavam e eram avaliados pelos colegas que estavam no comando.

Stéfani lembra das etapas como se ainda estivesse dentro das fileiras, em posição de sentido, aguardando para cantar o hino nacional. “Em cada pelotão, havia quatro fileiras. Cada uma tinha o seu comandante de GPM [Grupo Policial Militar], que fazia a revista nas filas”, explica. “Ele repassava ao comandante de pelotão quem estava errado e quem estava certo. O comandante de pelotão nos colocava em forma e apresentava para o comandante de companhia. O comandante de companhia repassava para o auxiliar de disciplina que repassa as informações ao aluno disciplina. O aluno disciplina é o responsável por apresentar o corpo de aluno ao militar que estiver presente.”

As primeiras semanas antecedem a Formatura de Boinas (realizada sempre em abril), quando os novos alunos recebem a autorização para usar a farda do colégio. Antes, o uniforme utilizado é um abrigo da instituição. “Quando usávamos abrigo, viam se estava corretamente passado, se o tênis era 90% preto. A meia deveria ser de cano alto e branca. Sempre branca.”

De acordo com a estudante, a carga horária do colégio era exaustiva, o que contribuiu para que elencasse seus afazeres. “Me tornei muito mais organizada depois do Tiradentes, pois tínhamos muitas matérias, muitos eventos do colégio. Tu tinha de saber organizar tudo isso para não surtar.”

No centro, Stéfani Fontanive, 20 anos, ex-aluna. Foto: Arquivo pessoal.

Os três anos que esteve sobre o método militar provocaram uma mistura de emoções em Stéfani. Ao ser questionada sobre qual a importância dessa trajetória, ela confessa um sentido dúbio na avaliação: “Não sei se foi bom ou ruim”. Após pensar alguns segundos, no entanto, acrescenta: “Me tornei feminista por causa do colégio, pois, em casa, nunca reclamaram da minha roupa, nunca me falaram o que poderia fazer ou não. Foi ali que comecei a ver que as mulheres eram criticadas por suas vidas sexuais.”

Sobre o decreto do MEC, Stéfani afirma que não adianta as crianças “caírem de paraquedas” em um colégio militar; isso, diz ela, não fará com que estudem mais. “O que faz os alunos do Tiradentes estudarem mais é o fato de eles escolheram estar ali. O método para a melhoria da educação é o investimento em professores, melhores salários, e melhor infraestrutura.”

O que dizem os especialistas 

Para os professores da UFRGS Caroline Pacievitch (História), de 36 anos, e Nilton Mullet Pereira (Educação), 52, o que está em jogo não é uma proposta pedagógica, mas, sim, um suposto modelo de gestão. “Não existe uma metodologia de ensino militar. O que ensinamos não vem de uma perspectiva do militarizado e do não militarizado. Essa discussão do militarizado diz respeito à gestão, de um lado, e o que eles trazem como um apelo é a disciplina”, afirma Caroline, que assim como o colega Nilton atua no mestrado profissional em Ensino de História.

Em artigo publicado em GaúchaZH em março, ambos os professores foram dos poucos a se posicionar sobre o decreto. “A didática já demonstrou que não existe separação entre o comportamento dos alunos e a aprendizagem. Não basta eu conseguir colocar meus alunos enfileirados, calados, sentados e olhando para mim. Isso não significa que eles vão aprender melhor nem pior”, ressalta Caroline.

Para Nilton Pereira, o que explica o crescimento do fomento ao método cívico-militar é o momento atual do país. Segundo o pesquisador, a sociedade é perpassada por um pensamento retrógrado, incitado pela extrema direita, que ataca a ciência. “Estamos em um ambiente que despreza a liberdade de criar, ensinar e aprender. Despreza o diálogo e que prima pela disciplina militarizada”, argumenta o docente.

No mesmo sentido, Caroline alerta sobre o fato de incentivar os alunos a respeitarem apenas uma hierarquia, e não o professor. “Se estou ensinando para as crianças que elas só devem ter respeito a alguém de uniforme e não a mim, a professora, então estou dizendo que ela só tem de ser obediente porque uma autoridade maior está dizendo isso a ela, e essa autoridade não é a autoridade do conhecimento.”

No texto de GaúchaZH, os dois professores criticam a hierarquização, marca do modelo defendido pelo MEC. Segundo eles, ela é “estranha ao ambiente escolar, que é mais afeito à criação, à curiosidade, à proteção e, por que não, à rebeldia”. “O rebelde não é aquele que bate no outro. É aquele que desenvolve a capacidade de dizer não, sabendo o porquê disso. Ter um grau de rebeldia é algo vital para o pensamento, pois impede que ele (aluno) seja acomodado”, explica Pereira, que define rebeldia como um “elemento fundamental” para que o pensamento funcione dentro da escola.

Sobre o modelo mais correto de alfabetização, nenhum dos dois professores é definitivo. Mas ambos dão dicas de como o governo deveria pensar suas propostas. “A primeira posição de um Ministério da Educação seria de fortalecer os professores, com melhores condições de trabalho e remuneração. Deveria disponibilizar mecanismos que ajudem essa escola a acolher esses alunos”, reforça Pereira. “Não dá para achar que criar uma estrutura externa de disciplinamento vai substituir a coisa mais importante da escola, que é a relação entre alunos e professores. Precisamos de um novo modelo de gestão que reconheça que o trabalho dos educadores começa muito antes da aula dada”, defende Caroline.

Onde estão os colégios militares

Ao todo, há 120 instituições em 17 Estados que seguem esse formato de ensino no país. Treze são gerenciadas pelas Forças Armadas. No Rio Grande do Sul, são duas: uma em Porto Alegre e outra em Santa Maria. Já os chamados colégios Tiradentes, gerenciados pela BM, somam sete no Rio Grande do Sul – uma na Capital e outras seis no interior (Passo Fundo, Santa Maria, Ijuí, Santo Ângelo e São Gabriel).

A Seduc (Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul) afirma que os colégios Tiradentes atendem a 1.534 alunos de Ensino Médio, somando 0,56% do total de matrículas na rede. “Quanto às escolas regulares mantidas pela Secretaria da Educação, ainda não há estudo para aderir ao processo de militarização proposto pelo Governo Federal”, informou a pasta em nota enviada ao Humanista.


FOTO DE CAPA: Marcelo Camargo/Agência Brasil

2 comentários em “Minha educação foi militar: como é o ensino no polêmico modelo defendido pelo Governo Bolsonaro

  • 3 de maio de 2019 em 17:25
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    Fiquei Muito Interessado pelo seu post.Vou acompanhar seu Blog que é muito bom. É TOP ! Esse tipo de conteúdo tem me agregado muito conhecimento.Grato !

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    • 7 de maio de 2019 em 12:56
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      Obrigado pela tua audiência e também pelo elogio, Evy. Nosso trabalho faz mais sentido diante desse retorno do público. O portal Humanista é um veículo jornalístico laboratorial, produzido por estudantes de jornalismo da Fabico/UFRGS. A produção, portanto, tem caráter experimental e está sempre sujeita a efeitos públicos dos mais variados; efeitos importantes no processo pedagógico de formação dos futuros jornalistas. A sua participação, nesse contexto, e universalizando-a como manifestação da opinião pública, é fundamental para a aprendizagem.

      Mais uma vez, obrigado!

      Portal Humanista

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