Os pais: mais do que levar à escola, é preciso incentivar

Rene Almeida

A alfabetização de uma criança é um processo que envolve professores, escola, pais e Estado. Quando todas as partes incentivam a leitura da criança, fica mais fácil aprender. Mas nos lugares em que isso não ocorre, o aluno inevitavelmente sente falta. Para Denise Tavares, professora do 3º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual de Educação Básica Gentil Viegas Cardoso, os pais têm um papel muito importante na formação dos estudantes. “A gente cansa de mandar tema para casa e não vir. Os pais não abrem os cadernos, não olham bilhetes, não auxiliam os filhos”, conta.

Ela explica que quando uma criança já está alfabetizada, é preciso exercitar a leitura.

 

 

A supervisora Cristina Coelho corrobora com a reclamação da colega. Para ela, falta acompanhamento familiar no processo de alfabetização. O alto índice de faltas dos alunos também compromete a aprendizagem. “Se chove, eles não vêm. Se faz frio ou tem muito sol, não vêm. Essa ausência acaba atrapalhando. Os 1º, 2º e 3º anos precisam de uma rotina. Se falhar um dia, já prejudica. Precisamos da participação dos pais junto à escola para conseguir dar conta”, alerta.

A professora Rossana da Silva, 38 anos, aguarda seu filho, Paulo Gustavo, 10 anos, aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, na saída da escola todos os dias. Ela conta que acompanha de perto a evolução do menino. “Eu já incentivo a ler literatura brasileira para que ele não ache chato quando chegar nas séries finais. Ele gosta de ler, vai na livraria comigo, escolhe os livros dele.”

Já a professora de Português Andreia Guimarães sugere que há um relaxamento maior dos pais no Ensino Médio devido ao fato de o aluno ser mais velho. “Infelizmente, as famílias são desestruturadas. Mas nem por isso vão abandonar o aluno. [Tem que] Ver quanto tempo fica nas redes sociais, jogando. Tem que dar um limite, cobrar estudo, cobrar leitura. A maior parte dos problemas dos alunos são os pais”, conclui.

Rossana da Silva, 35 anos, busca o filho Paulo Gustavo, 10, todos os dias na Gentil Viegas Cardoso.
Uma parceria entre família e professores

A formação dos pais também influencia na quantidade de leitura que o aluno fará em casa. “Quando a família tem um perfil de investimento escolar na trajetória dos pais, isso vai impactar no desempenho do aluno. Mas é preciso partir da ideia de que numa escola com muita vulnerabilidade social não vai ter isso”, relata a professora do curso de pedagogia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Patrícia Camini. Ela acredita que a escola tem papel de orientar os responsáveis para que eles também possam ajudar no processo de alfabetização. “Muitas vezes, os pais não sabem como contribuir. Acabam fazendo o tema, soletrando palavras. Aí, eles não ficam satisfeitos, nem o professor. Essa parceria precisa ser repensada.”


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FOTOS: Rene Almeida/Humanista

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