Jornalismo hiperlocal, um serviço para a comunidade

Coluna #OmbudsmanHumanista destaca olhar dedicado pelo portal aos espaços escassos para práticas de esportes para além do futebol em Porto Alegre.

Carla Dutra*

O Humanista é um portal que surpreende os leitores com novidades. No dia 16 de julho, estreou a seção #DebateHumanista, com dois pontos de vista sobre as novas diretrizes para o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. O material se propõe a aprofundar o entendimento sobre questões polêmicas da legislação ao ouvir o coordenador do Departamento de Dependência Química da (APRS) Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Leonardo Paim, e da presidente da comissão de Políticas Públicas do (CRPRS) Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, Manuele Araldi. A escolha dos profissionais foi extremamente feliz, assim como a produção está de parabéns pela atualidade e relevância do tema. Pecou-se, apenas, na escolha do local da entrevista da Manuele – incomoda um pouco a interferência dos sons do ambiente.

Agora, quero comentar sobre um assunto muito caro para mim, que é o jornalismo hiperlocal. Trabalhei em jornais de bairros por alguns anos e considero que olhar para a comunidade é tão importante quanto tratar de assuntos nacionais. A reportagem A realidade de quem pratica esporte para além do futebol”, de Rene Almeida, trouxe algo que não me recordo de já ter visto na mídia tradicional de Porto Alegre. Além de hiperlocal, a reportagem tem serviço e aponta que a Capital tem fartura de opções para quem pratica futebol, mas não oferece alternativas suficientes para quem busca espaços para jogar vôlei, basquete e tênis ou praticar atletismo, patinação e bocha. Um material bem “redondinho”, como se costuma falar nas redações, com números, dados relevantes, cases, vídeos e áudios.

E a que bela reportagem especial somos apresentados em Lágrimas, medo e socorro: 24 horas no plantão da Delegacia da Mulher, assinada por Laura Berruti. O portal acompanhou um dia inteiro de trabalho na (DEAM) Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher em Porto Alegre e apresenta histórias que vão de ameaças, vazamento de vídeos íntimos até a agressões físicas. Se for viável, sugiro que a repórter acompanhe os casos a que teve acesso. Trabalho que pode durar meses ou até anos, mas tende a render mais uma grande reportagem sobre os desdobramentos das denúncias.

Encerro esta minha análise escrevendo sobre o #ConversaHumanista. Neste episódio, é avaliada a abordagem dada pela imprensa à Reforma da Previdência. Na análise, os estudantes Rene Almeida e Arthur Ruschel e convidados apontam que, apesar de prestar um bom serviço a respeito das mudanças, a mídia tradicional, em geral, adotou a narrativa de que a redução de benefícios é a única forma de resolver a crise econômica enfrentada pelo país. Seria mesmo este o papel da imprensa? Vale a reflexão.


Mais #OmbudsmanHumanista

O limite nem sempre preciso sobre notícia e opinião

Direitos Humanos da arte ao esporte

Da sílaba ao texto ou aos descaminhos

No caminho certo

Os direitos humanos e o caminho do meio


 

*Carla Dutra é jornalista formada pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e tem mais de 15 anos de atuação, com passagens em redações de veículos como jornal A Razão, Jornal NH e Zero Hora; experiência também em assessoria de imprensa. Ombudsman do portal Humanista em 2019. Contato: carladutrasilveira@gmail.com.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *