Kpop: conheça um pouco da música coreana, que passa pelo RS em outubro

“Um mês na Coreia do Sul basta para perceber a potência de uma cultura que se espalhou pelo mundo nos últimos anos”

Caroline Silveira / #CríticaHumanista   

Grupos grandes, coreografias pesadas, rappers e vocalistas potentes são apenas algumas das características presentes no Kpop, o pop coreano. Ainda não conhece? Então, a distância não é mais desculpa. Isso porque o KARD, banda formada por jovens coreanos, estará em Porto Alegre no dia 15 de outubro. Uma bela oportunidade de entretenimento que, de quebra, promove intercâmbio cultural.   

Desde o lançamento de Gangnam Style, do artista Psy, em 2012, a onda coreana – também conhecida como Hallyu – vem ganhando espaço ao redor do mundo. A indústria musical e a produção audiovisual têm sido os responsáveis pelo crescimento da cultura da Coreia do Sul, que se tornou uma das principais atividades econômicas do país. Em 2018, foram mais de U$ 3 bilhões lucrados com a indústria cultural local.

Com essa expansão, a Coreia do Sul tornou-se um destino muito procurado por quem gosta de viajar. Nos primeiros oito meses de 2019, cerca de 9 milhões e meio de turistas (mais de 14 mil brasileiros) visitaram o país. O número é expressivamente maior do que o registrado em 2012 (aproximadamente 6 milhões e 800 mil), ano em que o hit de Psy foi lançado.

Em janeiro deste ano, pude passar um mês em Seul, capital sul-coreana, e comprovar que existe uma grande indústria girando em torno do Kpop. Canais de televisão para entretenimento produzem shows semanais com apresentações ao vivo de diversos artistas. Shows dos grupos mais famosos lotam estádios aos fins de semana. Álbuns físicos ainda são um grande negócio no país, uma vez que o número de vendas destes é um indicador de qualidade musical. 

As ruas de Hongdae (um dos principais locais com atrações jovens na cidade) são tomadas por grupos amadores que se apresentam com o auxílio de um celular ligado a uma caixa de som. Meninos e meninas se revezam nos espaços públicos para performar músicas de artistas conhecidos enquanto sonham e se esforçam para um dia debutarem (termo utilizado para grupos que lançam carreira profissional). Um grande exemplo de grupo que saiu do busking – nome dado às apresentações nas ruas – para turnês mundiais foi o A.C.E, que veio ao Brasil em 2018.

Em algumas regiões brasileiras, é possível ver grupos de adolescentes que se encontram para ensaiar coreografias de artistas coreanos. Festivais de Kpop – mantidos com recursos privados, sem apoio estatal – são organizados quase que mensalmente em Porto Alegre, onde jovens se encontram para dançar, conversar e adquirir produtos não oficiais de seus grupos preferidos. Em alguns destes eventos, a presença de influencers de cultura coreana é um atrativo; uma oportunidade de se aproximar de quem já tem mais experiência com uma cultura que é tão distante.

O interesse do público brasileiro causa o aumento de shows de artistas coreanos na América Latina. Em março deste ano, um dos mais famosos grupos do estilo musical, o BTS, fez dois shows em São Paulo. Foram 80 mil ingressos vendidos no total, e a Allianz Arena ficou lotada em ambas as apresentações. 

Entre os muitos grupos de Kpop que hoje chamam a atenção do mundo está o KARD (foto),  composto por quatro membros – duas meninas e dois meninos. Lançado em 2016, KARD vem ao Brasil pela terceira vez e passará por quatro cidades, inclusive Porto Alegre. Com músicas animadas e coreografias bem ensaiadas, o grupo inclui no repertório canções brasileiras para se aproximar ainda mais do público. Recentemente, as redes sociais do quarteto foram atualizadas com uma imagem do ensaio de Pesadão, da cantora brasileira Iza

Dumb Litty é a música mais recente lançada pelo grupo KARD.

Lição oriental

Apesar da aproximação cada vez maior das culturas, uma diferença essencial nesse campo entre Brasil e Coreia ainda persiste. Enquanto do outro lado do mundo a cultura é extremamente apoiada e incentivada pelo governo, no Brasil atual o movimento é no sentido contrário. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) já fez diversos cortes de orçamento desde que assumiu a presidência, em janeiro. E um dos setores que mais sofreu com a diminuição de verbas é o cultural. A alteração realizada em abril na Lei Rouanet estabeleceu que o teto para recursos direcionados a projetos culturais é de R$ 1 milhão, diminuindo em R$ 59 milhões o valor destinado às produções artísticas nacionais. 

Artistas musicais, atores, dançarinos e outros sofrem não apenas com os cortes, mas com o preconceito de grande parte da população. É preciso entender que a cultura vai além de gosto ou expressão. Cultura é educação, é oportunidade, é inclusão. O apoio estatal influencia a imagem que o público forma sobre arte e, se não há suporte, a grande massa acaba por também considerá-la desnecessária.

O investimento massivo do governo sul-coreano em produções artísticas vem mostrando resultados muito positivos para o país, tanto cultural quanto educacional e também econômico. Aí está uma lição que essa cultura ainda tão distante da nossa pode ensinar aos brasileiros, muito além das coreografias. O sucesso do Kpop, que expande fronteiras, demonstra tudo o que um país pode alcançar com incentivo à arte. 


SERVIÇO

2019 WILD KARD IN LATIN AMERICA – Porto Alegre
Data: 15 de outubro de 2019 (terça-feira)
Local: Bar Opinião (R. José do Patrocínio, 834 – Cidade Baixa)
Horário do show: 20h (abertura dos portões às 18h)
Classificação: 14 anos (menores de 14 anos deverão estar acompanhados dos pais ou do responsável legal)
Ingressos


FOTO: Divulgação

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