Cinco dicas de obras relacionadas aos direitos humanos

No Dia Nacional do Livro, Humanista sugere leituras que estimulam o debate sobre direitos humanos e antecipa serviço da Feira do Livro de Porto Alegre, que começa essa semana.

Vitória Pinzon, com colaboração de Elias Santos, Júlia Flor e Juliana Maciel 

A 65ª Feira do Livro de Porto Alegre começa só na sexta-feira, dia 1º de novembro, mas a celebração da literatura começa nesta terça, 29. É quando o Brasil comemora o Dia Nacional do Livro. E a partir de leituras dos nossos repórteres, o Humanista sugere cinco obras que estimulam o debate sobre os direitos humanos. Quem quiser procurá-los na feira da capital gaúcha, na Praça da Alfândega, região central da cidade, tem de 1º a 17 de novembro para fazê-lo.

O tema desta edição do evento literário, que é considerado um dos maiores a céu aberto da América Latina, é  “Curiosidade é o que nos move”, com atrações relacionadas à diversidade e aos direitos humanos, como o encontro do clube de leitura Leia Mulheres, de Gravataí. O grupo planeja discutir o livro Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis, da escritora cearense Jarid Arraes. A obra ilustra a trajetória de líderes quilombolas, escritoras e revolucionárias negras, e foi o 11º mais vendido na edição deste ano da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). A oficina está programada para o dia 8 de novembro, às 18h30, na Biblioteca Moacyr Scliar. Confira a programação completa.

O Sol é para todos

Harper Lee, 1960

O livro nos traz a história de Scout, uma garota de nove anos que mora com o pai, o irmão e uma doce – porém rígida – empregada negra, Calpúrnia. A família mora em Maycomb, pequeno condado do Alabama nos Estados Unidos, o qual subitamente se vê despido de sua paz habitual por um ato grotesco: um estupro. O crime, que fora supostamente cometido por um homem negro, teve como vítima uma jovem branca de uma família pobre do condado. Filha do advogado de defesa mais conceituado de Maycomb – e encarregado da defesa do réu -, Scout acaba presenciando em primeira mão o desenrolar do caso e narra, a partir da sua visão infantil, os acontecimentos. Apesar dos temas sérios, como estupro e desigualdade racial, o livro surpreende o leitor por sua vivacidade e seu senso de humor, revelando Scout como uma criança que, a despeito de ingênua e demasiado jovem, se prova uma personagem eloquente e afiada, com frases marcantes e de caráter muitas vezes irônico.


As veias abertas da América Latina

Eduardo Galeano, 1971 

Censurado pelas ditaduras do Chile, Argentina, Brasil e Uruguai, As veias abertas da América Latina se tornou um dos mais clássicos livros já escritos sobre a história do continente. A obra do uruguaio Eduardo Galeano é repleta de interpretações sobre a história da América Latina, desde às civilizações pré-colombianas até o momento no qual foi escrita. Embora o próprio autor tenha sido um crítico ativo do livro, é sem sombra de dúvidas uma das peças fundamentais para quem busca entender como os dilemas atuais são consequências de séculos de exploração desenfreada. 


Rota 66

Caco Barcellos, 1992 

Um dos precursores no debate acerca da violência policial no Brasil é Rota 66, livro-reportagem escrito pelo célebre jornalista Caco Barcellos. Ao longo de anos de investigação, Caco foi capaz de sistematizar os dados das mortes registradas em, supostos, confrontos entre policiais e criminosos. A história parte de um caso que gerou furor, quando jovens de classe média foram mortos pela Rota, popularmente conhecida como esquadrão da morte. O livro é capaz de gerar um desatável nó na garganta do leitor e foi ganhador de um Prêmio Jabuti em 1993. 


Coligay – Tricolor e de todas as cores

Léo Gerchmann, 2014

Vida curta e legado imenso: assim foi a Coligay, torcida abertamente homessexual do Grêmio durante a ditadura militar. O jornalista Léo Gerchmann narra os anos em que essa brava torcida existiu com maestria. O cenário não poderia ser mais adverso para a coragem dos amantes de futebol, eram os estádios, ambientes tradicionalmente LGBTfóbicos, numa provinciana Porto Alegre e durante a ditadura militar. Em tempos que preconceito volta à moda é uma leitura necessária para quem quer encontrar coragem. 


O que o sol faz com as flores

Rupi Kaur, 2017

Sob o olhar de uma poeta feminista contemporânea, que emigrou da Índia ainda criança para ir viver no Canadá, se formam os versos desse livro. A obra é marcada pelo característico estilo de Rupi Kaur: a poesia falada — uma linguagem direta, clara, acessível. Organizados em cinco partes — murchar, cair, enraizar, crescer e florescer — os poemas evocam desde a dor e o sentimento de culpa, ao processo de cicatrização, amadurecimento e plenitude. Alguns dos temas retratados são o amor próprio, o estupro e a expatriação. Pra quem gosta de ilustração, os poemas acompanham desenhos que carregam o fino traço da autora.


65ª Feira do Livro de Porto Alegre

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De 1º à 17 de Novembro de 2019

ÁREA INFANTIL

Bancas: 9h30 às 20h30 / Programação: 9h às 20h30

ÁREA GERAL E INTERNACIONAL

Dias úteis, domingos e feriados: 12h30 às 20h30 / Sábados: 10h às 20h30

LOCAL

Praça da Alfândega: Rua Siqueira Campos, 2529 – Centro Histórico, Porto Alegre.


 

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